DEUTSCH – SÃO JOÃO BATISTA DECAPITADO

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Autoria de LuDiasBH

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São João Batista foi preso porque era muito popular. Ele anunciava a chegada do Messias, exortava à conversão e batizava os crentes no Jordão. Na Galiléia sua eloquência atraiu tantas pessoas que os romanos temiam que ele levasse o povo à insurreição. (Flávio Josefo)

Enquanto o rei celebrava um banquete com seus convidados, a filha de Herodias entrou e, dançando, agradou a Herodes e a seus convidados. Então o rei fez um juramento a Salomé: “Tudo o que você me pedir, eu lhe darei, mesmo que seja metade do meu reino”. (São Marcos)

O dramaturgo, artista gráfico e pintor alemão Niklaus Manuel, conhecido como Deutsch, ou seja, Alemão, (c.1484-1530) é o criador da obra intitulada São João Batista Decapitado ou Decapitação de João com Relâmpagos e Trovões que apresenta o momento em que o santo acaba de ser decapitado.

O corpo do santo está sendo retirado do ambiente numa maca. Um dos carregadores é visto em sua totalidade, mas do outro só se vê a bota, pois ele já acabara de transpor o portal. Segundo uma passagem bíblica, São João Batista teve a coragem de acusar publicamente Herodes e sua esposa de adultério, pois o rei havia esposado a mulher de seu irmão Filipe, o que a deixou muito irritada. Para se vingar dele, ela incitou Salomé, sua filha e enteada do rei Herodes, a pedir a cabeça do santo.

No meio da composição encontra-se o carrasco. A cabeça ensanguentada de João Batista, segura pela barba, pende em sua mão esquerda. Seus olhos estão voltados para a bandeja de prata que lhe é oferecida, onde depositará a cabeça da vítima. Três mulheres (Herodias, Salomé e uma anciã), à esquerda, aguardam o presente pedido ao rei. Elas olham para a bandeja com visível satisfação.

O grupo de mulheres parece representar as “três idades da vida”. A velha tanto pode representar uma amante a participar da trama assassina ou o próprio Satanás. Em certas peças sobre São João, populares nos séculos XV e XVI, o demônio aparece sob a figura de uma velha que visita Herodias para intrigá-la contra o santo. O trio de mulheres também simboliza “o poder das mulheres”, pois no caderno de esboços do artista há atraentes figuras femininas quase sempre armadas com cordas de nó corrediço, espadas ou adagas. Ele associava mulheres, beleza e erotismo com sangue e morte, e essa tendência à crueldade é um reflexo dos costumes de sua época.

A cena se passa num terraço aberto, onde se vê uma paisagem sombria com um castelo, rochas escarpadas e árvores açoitadas pelo vento, embora os Evangelhos cristãos não declarem onde a cabeça foi entregue. É noite. Nuvens pesadas e escuras erguem-se no céu.

No intuito de mostrar que a morte de São João foi marcada por acontecimentos sobrenaturais, o pintor criou um fenômeno apocalíptico em que estrelas e o arco-íris (um dos principais signos celestiais à época) apresentam-se no céu ao mesmo tempo. Atrás das nuvens aparece uma estrela extremamente brilhante. Naquela época, pensava-se que fenômenos naturais desconhecidos, como cometa ou eclipse do Sol, sinalizavam eventos importantes e anunciavam catástrofes.

Salomé olha para a bandeja com aparente normalidade, como se estivesse satisfeita com o presente recebido. Seu vestido decotado e de saia aberta sobre anáguas transparentes mostra um pouco de sua pele branca. Ela usa sandálias “italianas”, mangas bufantes e cintas da última moda à época. Embora fosse uma personagem secundária no que diz respeito ao martírio de João Batista, ela está presente em todas as pinturas devotadas ao santo, sendo uma das figuras prediletas de pintores, poetas e compositores, inspirados por sua dança.

O carrasco veste uma roupa extravagante à maneira dos suíços. Sobre uma camisa de mangas largas, plissada e branca, usa uma jaqueta de veludo assimétrica e calças coloridas, tendo a perna esquerda enfeitada com listras ao longo do comprimento, enquanto a outra está orlada e cortada, mostrando por baixo o forro de seda. Sua atitude é provocante, debochada. Exibe-se como se fosse um dançarino ou um esgrimista. Apresenta uma mão forte e confiante.

A assinatura do artista, um monograma dourado, está presente na metade superior do quadro, onde se vê uma adaga. Ocupa um lugar de destaque, repassando a ideia de que ele estava satisfeito com seu trabalho ou que a obra fora feita para si mesmo.

Ficha técnica
Ano: c. 1517
Técnica: pintado a têmpera e envernizado sobre madeira
Dimensões: 34 cm x 26 cm
Localização: Kunstmuseum, Basel, Suíça

Fonte de pesquisa
Los Secretos de las Obras de Arte/ Taschen

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