Autoria de Lu Dias Carvalho
O conhecimento da psicologia social é de fundamental importância no estudo das interações sociais. Não se trata do conhecido “disse me disse”, mas de um estudo científico que tem como objetivo analisar a influência, real ou imaginária, que nós, humanos, exercemos uns sobre os outros no campo dos pensamentos, englobando emoções, crenças e comportamentos. Não passa de um tolo aquele que sopra aos quatro ventos que ninguém exerce influência alguma sobre si. Exerce, sim, e como! O pior é quando, apesar de todas as evidências, o sujeito renega a verdade de que é um subproduto de certas teorias espalhadas em seu entorno. Está tão crédulo no que lhe repassaram que não se dá ao trabalho de buscar a verdade. Portanto, um melhor conhecimento sobre a psicologia social fará um bem danado a todos aqueles que acham que são os únicos responsáveis pelas suas decisões.
É fato que a população mundial cresce assustadoramente. Está estimada hoje em 8,26 bilhões de almas espalhadas pelo planeta Terra. A qualquer hora o planeta despenca no vácuo do Universo (brincadeira). As pessoas são, cada vez mais, levadas a interagir umas com as outras, tecendo juízos sobre aquelas com as quais se relacionam quer positiva ou negativamente. Baseiam-se, na maioria das vezes, na chamada sabedoria convencional, o que as leva, vezes sem conta, a darem com os burros n’água. Nunca se sabe, de fato, a verdade que cada um traz dentro de si. Psicólogos sociais amadores – que somos todos nós –, temos que atentar para a cautela, seguindo um ditado tão conhecido em nossa terra: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Nada de ir com muita sede ao pote, ao avaliar ou confrontar alguém. Como dizia a minha vó, cautela e caldo de legumes não fazem mal a ninguém. Um momento, sei que o ditado reza “caldo de galinha”, mas, como sou avessa à morte de animais, peço licença ao leitor para mexer nesse velho dito popular.
O nosso conhecimento de “bem” e “mal” é bem personalístico. Somos como o sujeito da fábula dos “Dois Alforjes”, que carregava os defeitos dos outros na parte da frente e os seus na parte de trás. Imaginas ser sempre “pessoas maravilhosas”, como se seguíssemos à risca o ensinamento do Rabino Hillel, século I a.C., que dizia: “Se eu não for por mim, quem o será?”. Não sei você, mas eu nunca conheci alguém que fosse bom o tempo todo, tampouco mau. Em todos nós há laivos de generosidade a brotar, ainda que a nossa terra esteja bem ressequida, assim como de maldade. O pressuposto de que nunca adotamos comportamentos questionáveis, insensatos ou cruéis não passa de balela. Alguns há que, psicologicamente doentes, praticam-nos certos de que são criaturas divinas, a exemplo do líder religioso Jim Jones (EUA/1977), prova cabal de que a influência social atua fortemente sobre as pessoas, modificando-lhes o comportamento, impedindo-as de enxergar a vida com os próprios olhos.
Fonte de pesquisa: O Animal Social / Elliot Aronson e Joshua Aronson
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