Weyden – O SEPULTAMENTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Sepultamento, também conhecida como Lamentação diante do Túmulo, é uma obra do pintor nórdico Rogier van der Weyden (c. 1399-1464), também conhecido por Rogelet de la Pasture. É tido como um dos maiores nomes da pintura holandesa no século XV. Trabalhou com Robert Campin, em sua oficina e, ao mudar-se para Bruxelas, foi nomeado pintor da cidade. Em Londres trabalhou nas cidades de Ferrara e Florença. Recebeu influências de Robert Campin e Jan van Eyck. Além de aperfeiçoar a perspectiva em paisagens e espaços interiores, criou figuras delgadas e elegantes, tornando sua obra facilmente reconhecível. Ele se preocupava com os detalhes de sua pintura, mas sem se esquecer da composição em sua totalidade.

A pintura acima é tida como uma das obras-primas do pintor. Pode ser que seja um painel de um retábulo ou parte de um tríptico. Já foi atribuída a Albrecht Dürer e a Hans Memling, até que se chegou à conclusão de que fora pintada por van der Weyden. A cena mostra Cristo diante de seu túmulo escavado numa rocha. A cena acontece momentos antes de seu sepultamento, quando o corpo está sendo manejado delicadamente para ser depositado no sepulcro. As figuras são delgadas e leves.

Jesus Cristo está envolto num imenso lençol branco, usado para o sepultamento. Grande parte de seu corpo encontra-se à vista. As chagas em seus pés, mãos e flanco direito estão visíveis, e delas ainda escorre sangue. Sua cabeça está tombada para sua direita. O corpo delgado está amparado por José de Arimateia, vestindo meias vermelhas e sapatos pretos, e por Nicodemos, que olha diretamente para o observador. Também estão presentes a Virgem Mãe, Maria Madalena e o apóstolo João Evangelista. Todos se mostram angustiados com a morte de Jesus.

A Virgem Maria, trajando um véu branco e roupas escuras, mostra-se visivelmente acabrunhada. Ela segura o braço direito de seu Filho, enquanto João Evangelista, de pé sobre a tampa do sepulcro, sustenta o esquerdo, usando a ponta do lençol que envolve o corpo do Mestre. O apóstolo usa uma túnica e manto vermelhos. Ajoelhada, próxima à laje de pedra que lacrará o túmulo, e de frente para o discípulo, Maria Madalena, com os olhos voltados para o alto, abre os braços em sinal de lamento. Ela veste um vestido vermelho e uma túnica clara com o forro azul. Seus cabelos longos caem-lhe pelas costas. A posição de Cristo, inclusive dos pés, remonta à sua morte na Cruz.

Em primeiro plano, sobre o relvado verde e florido, estão: um vaso com unguento, principal atributo de Maria Madalena; uma vara debaixo da lápide, provavelmente para ajudar a erguê-la, e um objeto de metal, finamente trabalhado, provavelmente usado para carregar óleos medicinais. Atrás da rocha, onde foi cavada a sepultura, vê-se a colina do Gólgata, com as três cruzes usadas por Jesus e os dois ladrões. Atrás se ergue uma cidade, numa referência a Jerusalém. Um homem é visto próximo à cidade, montando um cavalo branco, enquanto duas mulheres caminham em direção ao grupo, numa referência às duas mulheres santas que encontrarão, três dias depois, o sepulcro vazio, após a ressurreição de Cristo.

O artista não se mostrava preocupado com a narração da história, como faziam os pintores renascentistas italianos. Sua atenção estava toda voltada para o momento vivido, ou, como aqui no caso, para o corpo supliciado de Jesus, a ser visto não como representantivo de sua Paixão, mas a ser adorado tal e qual se encontra.

A paisagem tranquila, que complementa a cena, está envolta numa luz suave.

Ficha técnica
Ano: 1449
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 110 x 96 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.palazzomedici.it/mediateca/en/Scheda_Compianto_sul_Cristo_morto,_di_Rogier_van_der_Weyden

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Pintores Brasileiros – ALFREDO VOLPI

Autoria de LuDiasBH

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Tudo o que ele fazia me comovia, porque via que ele fazia isso com paixão. (Francisco Rebolo)

A questão é que sempre pintei as minhas pinturas que “saem”, nunca fui atrás de corrente alguma. Os concretistas me convidaram, fui expor com eles… Mas nunca pensei em seguir alguém ou qualquer corrente. […] Sempre pintei o que senti, a minha pintura aos poucos foi se transformando, começa com a natureza, depois aos poucos vai saindo fora, às vezes, continua, eu nunca penso no que estou fazendo. Penso só no problema da linha, da forma, da cor. Nada mais… Meus quadros têm uma construção, o problema é só de pintura, não representam nada. Isso vem aos poucos, é uma coisa lenta, é um problema, toda a vida foi assim. (Alfredo Volpi)

 Alfredo Volpi foi um homem quase iletrado, mas um pintor de grande cultura visual. As particularidades da história cultural do Brasil levaram-no a percorrer um caminho que na Europa demandaria várias gerações, da pintura romântica até a crise do modernismo. […] Sua arte nunca deu saltos: evoluiu por modificações e incorporações graduais, que permitiram reduzir a uma linguagem original um leque bastante considerável de influências. Nunca viajou, a não ser por um breve período em 1950, mas dispôs de uma sensibilidade muito aguda para aproveitar o que estava à mão – e o que estava à mão, afinal, não era tão pouco. Não foi um pintor de sistema, e sim de método: manipulou informações díspares […], até encaixá-las em sua arte. Foi nessa digestão lenta, mais do que na indigestão antropofágica, que veio à tona um modelo convincente de arte moderna brasileira. O modernismo de Volpi é um modernismo da memória, afetivo e artesanal, de marcha lenta e voz mansa. (Lorenzo Mammí)

 O pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi (1896-1988) nasceu em Lucca, na Itália. No ano seguinte ao seu nascimento, sua família mudou-se para a cidade de São Paulo. Quando criança foi estudar na Escola Profissional Masculina do Brás, passando a trabalhar, mais tarde, como entalhador, encadernador e marceneiro.

Iniciou sua pintura aos 16 anos de idade, como modesto aprendiz de decorador de parede, pintando frisos, florões e painéis de residências. Nessa mesma época, ele deu início a seu trabalho com óleo sobre madeira e telas. O artesão-artista criou composições com grande impacto visual. Juntamente com os pintores Aldir Mendes de Sousa e Arcanjo Ianelli tornou-se um reconhecido colorista. Foi também pintor decorador, trabalhando em residências abastadas da sociedade paulista. Trabalhou junto com o pintor e escultor espanhol Antonio Ponce Paz, em paredes e murais, tornando-se grandes amigos.

Volpi tornou-se amigo dos artistas Fúlvio Pennachi, Mário Zanini e Francisco Rebolo, passando a fazer parte do Grupo Santa Helena (artistas que pintavam em uma sala do Edifício Santa Helena, na Praça da Sé), mas não tinha com o grupo uma identificação estética em comum. Veio a conhecer o pintor italiano Ernesto Fiori, em 1938, havendo muito compartilhamento entre os dois. Em 1950, ele viajou para a Europa, fixando-se em Veneza, mas fazendo visitas a outras cidades, inclusive Pádua, onde ficou conhecendo os afrescos de Giotto na capela Scrovegni. Encantou-se também com a obra de Paolo Ucello.

A primeira exposição individual de Volpi aconteceu em São Paulo, quando ele tinha 47 anos. Com o passar dos anos, o trabalho do artista evoluiu para o abstracionismo geométrico, como comprova sua série de bandeiras e mastros de festas juninas. Em 1953, juntamente com Di Cavalcanti, Volpi recebeu o principal prêmio nacional na Bienal de São Paulo. Fez parte da primeira Exposição de Arte Concreta do Grupo Santa Helena.

Alfredo Volpi, tido como um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo, com sua arte genuinamente brasileira, era um mestre da técnica, dono de grande sabedoria pictórica. Ele conseguiu passar de um decorador de paredes a uma posição invejável na arte. Autodidata, era capaz de pintar nos mais diferentes gêneros e estilos. Uma característica de seu trabalho é a presença de casarios e bandeirinhas. Todas as mudanças operadas em sua arte foram lentas e gradativas, acompanhando seu amadurecimento no diálogo com a pintura. Sobre Volpi, assim escreveu Olívio Tavares de Araújo:

Nos primeiros anos da década de 40, as vistas e marinhas de Itanhaém mergulham numa atmosfera ligeiramente irreal, que evoca algo da “pintura metafísica” – embora não se pareça em nada com ela – e é obtida através do colorido severo e da economia de imagens voluntárias: em nenhuma obra sobrevive qualquer elemento acessório. […] No final da década de 40 para frente, a realidade já não surge sequer como estímulo, mas apenas como um repositório de imagens, um repertório iconográfico do qual Volpi retira formas avulsas existentes – portas, janelas, telhados, ruas, pátios, barcos, gradis, linhas do mar ou do horizonte – como se fossem signos abstratos. […] Daí em diante, começa a série de fachadas; e com elas se abre a porta à pura abstração geométrica. […] As condições para que ele (Volpi) cumpra seu papel de mestre consumado, e ascenda à ímpar posição que hoje ocupa, só se reúnem após 55. Data do pós-concretismo o Volpi definitivo, aquele que conseguiu fazer o que muito poucos outros fizeram, o que pode competir no plano internacional da inventividade e qualidade.

Fontes de pesquisa
Brazilian Art VII
https://www.escritoriodearte.com/artista/alfredo-volpi/
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1610/alfredo-volpi

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Historiando Ataulfo Alves/Mário Lago – AI QUE SAUDADE…

Autoria de LuDiasBH

Amélia morria de amores por seu homem. Viviam juntos há cerca de um ano. Levantava-se ainda no raiar do dia para esquentar água para ele se banhar, engomava sua camisa da cor da cal, e não o deixava se esquecer da brilhantina Glostora nos cabelos pretos como a asa da graúna. E um sem conta de vezes correu atrás dele para pingar-lhe no pescoço umas gotas de Lancaster. Sentia orgulho ao saber que seu macho era o mais garboso dentre os colegas. Seu coração ficava atufado de vaidade, por ser uma mulher tão devotada, sem exigir nada para si.

Antônio José, ao chegar ao serviço, todo luxento e cheiroso, atraía cada vez mais a atenção das moças da fábrica. E não demorou muito para que a filha do patrão caísse de amores por ele. E tempo menor ainda foi o que levou o casal ao cartório. E assim ficou Amélia, esquecida na história, com o vidro de Lancaster pelo meio e o de brilhantina Glostora, com um restinho no fundo, na cantoneira de seu minúsculo quarto. De resto, só ficou a saudade!

Floripes, a nova mulher, não dava tréguas para Antônio José. Queria tudo do bom e do melhor, pouco lhe importando as condições do marido, que se estafava de tanto trabalhar. Não mais aguentando o tranco, o não tão coitado abriu o verbo com a esposa: “Eu nunca vi fazer tanta exigência/ Nem fazer o que você me faz/ Você não sabe o que é consciência/ Não vê que eu sou um pobre rapaz/ Você só pensa em luxo e riqueza/ Tudo o que você vê, você quer”.

Aos amigos do peito, Antônio José choramingava as saudades que sentia da antiga companheira, lembrando-se de como era feliz: “Ai meu Deus, que saudade da Amélia/ Aquilo sim é que era mulher/ Às vezes passava fome ao meu lado/ E achava bonito não ter o que comer/ E quando me via contrariado, dizia:/ Meu filho, o que se há de fazer/ Amélia não tinha a menor vaidade/ Amélia que era a mulher de verdade”.

Um francês chegou à cidade e encantou-se com o jeito carinhoso de Amélia. Cortejou-a durante dois meses, foi-se embora, mas retornou. Levou-a consigo no seu velho Ford vermelho para a capital paulista. Terminados os negócios do gringo, o casal atravessou o Atlântico e foi morar em Paris, onde Amélia tornou-se Madame Amélie Chermont.

Obs.: clique no link para ouvir:
AI QUE SAUDADES DA AMÉLIA

Nota: Mulher Pendurando Roupa no Varal, obra de Heitor dos Prazeres.

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Rubens – AUTORRETRATO COM ISABELLA BRANT

Autoria de LuDiasBH

A composição Autorretrato com Isabella Brant, também conhecida como O Artista e Sua Esposa Isabella Brant, é uma obra do pintor barroco flamengo Peter Paul Rubens que em seu trabalho dava ênfase ao movimento, à cor e à sensualidade. Este é o primeiro de muitos retratos em que ele retrata sua família. Estava com a idade de cerca de 32 anos. Deixa transparecer sua felicidade individual, familiar e artística. Com a morte de Isabella Brant, aos 34 anos de idade, com quem teve três filhos, Rubens casou-se com a sobrinha dela, uma adolescente de 16 anos — Hèlène Fourment — quando já havia atravessado meio século de idade. Com a última esposa teve cinco filhos e fez inúmeros retratos dela e da família. O artista teve ao todo oito filhos.

Esta pintura mostra Rubens sentado debaixo de um caramanchão, ao lado de sua primeira esposa, Isabella Brant, filha de Jan Brant, famoso humanista e advogado de Antuérpia. É possível que o retrato tenha sido pintado no mesmo ano de casamento dos dois, uma vez que a madressilva — trepadeira que compõe o caramanchão — simboliza o amor conjugal, a generosidade e a constância. Além disso, a postura afetuosa da mão direita de ambos, estando a dela sobre a do marido, assim como as roupas suntuosas e oficiais, sugerem que o casal esteja comemorando algo.

Isabella, sentada num banquinho sobre o gramado, usa roupas luxuosas da época. Veste um corpete de brocado, uma saia de seda, uma espécie de jaqueta e um rufo (gola pregueada ou franzida que enfeitava vestimentas) no pescoço. Na mão esquerda traz um leque fechado. Também faz uso de um vistoso chapéu florentino, colocado de viés em direção ao marido. A senhora Brant está adornada com ricas joias: duas pulseiras iguais — uma em cada pulso — feitas de ouro e pedras preciosas, um anel no dedo indicador da mão direita, também de ouro e gema, e pequenos brincos de pérola.

Rubens por sua vez, sentado com as pernas cruzadas sobre uma balaustrada, num patamar superior ao da esposa, não se mostra menos elegante, inclusive faz uso de um chapéu preto e usa meias de seda que deixam seus músculos bem modelados à vista. Sua mão esquerda segura o punho dourado de sua espada, confirmando que ele é um cavalheiro aristocrático. Marido e esposa pendem ligeiramente um para o outro, num clima de visível idílio. O fato de o artista encontrar-se mais alto do que a esposa não significa que ela seja inferior à sua classe social. O par encara o observador, lançando-lhe um olhar calmo e feliz. Tudo em volta do casal é verde e florido. À esquerda, atrás de Rubens, é vista uma extensa paisagem.

Ficha técnica
Ano: 1609/10
Técnica: óleo sobre tela, transferido para madeira
Dimensões: 178 x 136,5 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

 Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Land_of_Cockaigne_(Bruegel)
http://www.wga.hu/html_m/r/rubens/41portra/08artist.html

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SPA – O MAL DO SÉCULO

Autoria do Dr. Augusto Cury*

Vivemos num sociedade urgente, rápida e ansiosa. Nunca as pessoas tiveram uma mente tão agitada e estressada. Paciência e tolerância a contrariedades estão se tornado artigos de luxo. Quando o computador demora a iniciar, não poucos se irritam. Quando as pessoas não se dedicam a atividades interessantes, elas facilmente se angustiam. Raros são os que contemplam as flores nas praças ou se sentam para dialogar nas suas varandas ou sacadas. Estamos na era da indústria do entretenimento e, paradoxalmente, na era do tédio. É muito triste descobrir que grande parte dos seres humanos de todas as nações não sabe ficar só, se interiorizar, refletir sobre as nuances da existência, se curtir, ter um autodiálogo. Essas pessoas conhecem muitos nas redes sociais, mas raramente conhecem alguém a fundo e, o que é pior, elas raramente conhecem a si mesmas.

Este livro fala do mal do século. Muitos pensam que o mal do século é a depressão, mas aqui apresento outro mal, talvez mais grave, mas menos perceptível: a ansiedade decorrente da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Pensar é bom, pensar com lucidez é ótimo, porém pensar demais é uma bomba contra a saúde psíquica, o prazer de viver e a criatividade. Não são apenas as drogas psicotrópicas que viciam, mas também o excesso de informação, de trabalho intelectual, de atividades, de preocupação, de uso de celular. Você vive esses excessos? Todos eles levam a mente humana ao mais penetrante de todos os vícios: o vicio em pensar. Muitos entre os melhores profissionais padecem desse mal, são ótimos para sua empresa, mas carrascos de si mesmos. Desacelerar nossos pensamentos e aprender a gerir nossa mente são tarefas fundamentais.

O conteúdo deste livro deriva da Teoria da Inteligência Multifocal, uma das poucas teorias mundiais que estudam o complexo processo de construção de pensamentos, de formação do Eu como gestor psíquico, os papéis da memória e a formação de pensadores. O livro não é, portanto, uma obra de autoajuda com soluções mágicas, mas uma obra de aplicação psicológica. Ensino aos meus alunos de mestrado e doutorado em psicologia, “coaching” e ciências da educação, muitas das teses expostas aqui. Entretanto, procurei escrevê-las numa linguagem simples, usando muitos exemplos e metáforas, para tornar o livro acessível não apenas para os mais diversos profissionais, professores e pais, mas também para as jovens, porque esses são igualmente vitimas do SPA. Sem perceber, destruímos a saúde emocional da juventude no mundo todo. Espero que você faça um mergulho em camadas mais profundas de sua mente e aplique as ferramentas aqui propostas.

O dinheiro compra bajuladores, mas não amigos, compra a cama, mas não o sono, compra pacotes turísticos, mas não a alegria, compra todo e qualquer tipo de produto, mas não uma mente livre, compra seguros, mas não o seguro emocional. Numa existência brevíssima e complexa como a nossa, conquistar ume mente livre e ter seguro emocional faz toda a diferença…

*psiquiatra, psicoterapeuta, cientista e escritor (contato@augustocury.com.br)

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Jacob Jordaens – SÁTIRO NA CASA DO CAMPONÊS

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor flamengo Jacob Jordaens (1593 – 1678) foi um renomado artista do Barroco do século XVII. Foi aluno de Adam van Noort, que também foi professor de Peter Paul Rubens, com quem chegou a trabalhar por um curto tempo. Fez parte da Guilda de Pintores, como pintor de aquarelas. Seu estilo assemelhava-se ao do italiano Caravaggio, mas foi também influenciado pelas tendências realistas da pintura holandesa. Ao lado de Rubens e Anthony van Dyck, Jordaens foi um dos grandes nomes da Escola de Antuérpia. As personagens de suas obras são figuras fortes, maciças e sensuais, típicas de seu estilo. Além de temas populares e de mitologia, o artista gostava de interpretar as fábulas de Esopo. Uma das características de sua obra é o uso do claro e escuro.

A composição Sátiro na Casa do Camponês apresenta uma família humilde, que recebe a visita de um sátiro (semideus lascivo, habitante das florestas, apresentado como tendo chifres, pernas e pés de bode). O ambiente parece bem pequeno, mas agrega um grande número de elementos. Sobre a mesa, forrada com uma toalha branca, está uma terrina de barro próxima a uma colher de madeira, que traz o bojo voltado para baixo. Há também uma vasilha redonda próxima ao sátiro, que parece já ter se saciado. Nesta moradia humilde existe uma abertura feita na parede de pau a pique, à esquerda. O artista fez outras obras parecidas com essa, usando praticamente os mesmos elementos.

Um idoso camponês, trajando um casaco vermelho e um calção preto que vai até os joelhos, encontra-se à mesa, sentado, á esquerda. Seus pés estão descalçados. Apesar de seus cabelos escuros, a barba e o bigode são brancos. Ele traz na mão esquerda uma vasilha redonda e na direita uma colher de madeira, próxima à boca. Debaixo de sua cadeira está um pomposo gato, que tem a atenção voltada para algo atrás. Um garotinho, vestindo roupas escuras de frio, também descalço, posta-se atrás da cadeira do camponês, possivelmente seu avô. Sua atenção é dirigida para um grande cão, que fareja próximo ao pé do homem, que se encontra atento à conversa do sátiro. Atrás dos dois está uma vaca, da qual só se vê a cabeça.

Uma senhora idosa, possivelmente mulher do camponês e avó das crianças, também à mesa, traz um rechochudo bebê no colo. Ela usa um casaco escuro e uma saia azul, e traz um lenço cobrindo os cabelos. Pela posição da criança e pelo pano branco servindo de babador é possível concluir que ela acaba de ser alimentada. Atrás das duas personagens há um gigantesco balaio, com a abertura voltada para frente, sobre o qual descansa um galo, de costas para o grupo, e próximo a uma panela de barro e a um jarro de metal pendurados na parede. À esquerda da senhora idosa, uma jovem mulher, possivelmente sua filha e mãe das crianças, encontra-se de pé, vestindo uma blusa vermelha sobre uma peça branca. Ela está prestes a colocar sobre a mesa uma enorme vasilha com frutas variadas.

À  esquerda da jovem mulher está o sátiro, em primeiro plano, de pé, com a mão direita erguida, enquanto se escora na cadeira com a esquerda. Seu corpo nu traz os galhos de uma trepadeira tapando seu baixo ventre. Ele se mostra bem falante, pois a atenção do casal de idosos está concentrada nele, dando a impressão de que é um visitante bem-vindo.

Ficha técnica
Ano: c. 1620
Técnica: óleo sobre madeira transferido para tela
Dimensões: 173 x 203 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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