Duccio – CHEGADA A JERUSALÉM

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Chegada a Jerusalém é um pormenor do retábulo Maestà, obra do pintor italiano e pré-renascentista Duccio, encomendada para ornamentar o altar-mor da Catedral de Siena, cujo contrato deu-se em 1308, levando o artista três anos para terminá-lo. Tratava-se de uma obra imensa, pintada dos dois lados. Esta cena, ora mostrada, era responsável por dar início ao ciclo da Paixão de Jesus Cristo.

O campo central do retábulo possui 26 partes, sendo A Chegada a Jerusalém a primeira delas, no reverso da Maestá, cujas cenas mostram a Paixão e a Ressurreição de Cristo. Inúmeras figuras estão presentes nesta cena, sendo muito bem organizadas em três grupos. A cena acontece no Domingo de Ramos.

Jesus Cristo, com seu manto azul sobre uma túnica vermelha, com a barba longa e os cabelos presos atrás, rentes ao pescoço, e com um grande halo dourado a indicar sua divindade, está montado numa jumenta, que é acompanhada de sua pequena cria. Com a mão direita em postura de bênção, adentra na cidade pela esquerda, seguido por seus discípulos, também portando auréolas, e outras pessoas, formando um grupo bem coeso. Seus pés estão descalços, comprovando a sua humildade.

Os habitantes da cidade, formando um segundo grupo, partem da direita para a esquerda, caminhando de encontro a Jesus, levados por um homem jovem, que estende sua capa vermelha no chão, para que o animal passe sobre ela, enquanto outros seguram galhos de oliveira em saudação. Um terceiro grupo, encostado ao muro, de frente para o observador, acompanha a cena. Duas pessoas são vistas penduradas em árvores. Uma delas tira ramos que entrega aos que se encontram embaixo.

Ficha técnica
Ano – c. 1308/11
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 100,6 x 56 cm
Localização: Museo dell’Opera Metropolitana, Siena, Itália

Fontes de pesquisa
Duccio/ Abril Cultural
1000 obras-primas da cultura europeia/ Könemann
http://virusdaarte.net/indice-museus-do-vaticano-pinacoteca-vaticana-vaticano

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Duccio – RETÁBULO DA MAESTÀ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O retábulo Maestà (que significa “Majestade” em italiano) é uma obra-prima do pintor italiano e pré-renascentista Duccio, encomendada para ornamentar o altar-mor da Catedral de Siena. O contrato de trabalho para sua execução deu-se em 1308, levando o artista três anos para concluí-lo. Tratava-se de uma obra imensa, pintada dos dois lados (frente e verso), encimada por sete pináculos, tendo na base painéis menores, com cenas narrativas referentes ao painel principal. Era a obra mais famosa do pintor, composta por sessenta ilustrações.

A parte da frente do retábulo mostrava, no centro, a Madona com seu Menino, rodeada por santos e anjos, e pequenos painéis sobre a Infância de Jesus e os Profetas. O reverso do retábulo apresentava o restante da passagem da vida da Virgem e de seu filho Jesus Cristo, num total de quarenta e três pequenas cenas. Para quem não sabe, um retábulo é uma pintura devocional, em têmpera (pigmentos em pó normalmente misturado com gema de ovo, água e cola num painel de madeira).

Segundo informações de pessoas da época, os habitantes da cidade transformaram em festa o dia em que o retábulo, ainda incompleto, foi levado em procissão até o altar-mor da Catedral de Siena, em 1311, onde permaneceu durante quase dois séculos, até 1506. Durante três dias, muitas esmolas foram distribuídas aos pobres, e grandes festas foram realizadas. Tudo na cidade parou para a comemoração da majestosa obra de arte.

Com a finalidade de oferecer ornamentos para dois altares, e também vender partes dele, o retábulo foi serrado em 1771. É uma pena que os painéis que compunham a Maestà tenham sido desmembrados, pois além de danificar as pinturas, muitos deles foram perdidos. Algumas peças soltas foram vendidas enquanto outras desapareceram por completo. Encontram-se restos do retábulo da Maestà em vários museus de arte. A parte do que sobrou encontra-se hoje no museu da cidade de Siena.

A Maestà possui a forma de um enorme retângulo horizontal, coroado por pináculos, e traz na base uma “predella” (pequenos painéis). A parte da frente possui uma enorme pintura central, em forma de retângulo, mostrando a Virgem entronizada com seu Menino, em meio a uma corte celestial de santos, anjos e padroeiros. A parte de trás do retábulo é subdividida em 26 compartimentos que mostram a Paixão de Cristo.  Tanto a parte da frente quanto a de trás da “predella” traz cenas da infância e do ministério de Jesus. Os pináculos, encimando toda a obra, representam os acontecimentos após a Ressurreição de Cristo. Ao todo, existem 59 cenas narrativas. É lamentável que uma obra-prima dessa tenha sido esfacelada.

Nota: a ilustração à esquerda é a parte da frente do retábulo Maestà e a que se encontra à direita é a parte da trás.

Fontes de pesquisa
Duccio/ Abril Cultural
1000 obras-primas da cultura europeia/ Könemann
http://www.themasterpiececards.com/famous-paintings-reviewed/bid/92327/Famous-Paintings-Duccio-s-Maesta

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Duccio – O FUNERAL DA VIRGEM

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O Funeral da Virgem é um pormenor do retábulo Maestà, obra do pintor italiano e pré-renascentista Duccio, encomendada para ornamentar o altar-mor da Catedral de Siena, cujo contrato deu-se em 1308, levando o artista três anos para terminar seu trabalho.

Esta parte do retábulo tem como objetivo louvar a Mãe de Jesus. A pintura lembra a iconografia do enterro de Jesus Cristo. Presume-se que estivesse localizada no painel superior direito do retábulo. Os painéis superiores retratam acontecimentos da vida da Virgem Maria.

A Mãe de Jesus apresenta-se em primeiro plano, deitada sobre um sarcófago postado horizontalmente. Os treze apóstolos apresentam-se em semicírculo, deixando a frente livre, como se ali fosse o lugar do observador. Eles se mostram visivelmente consternados. Uma grande auréola cinge desses, simbolizando divindade. Aqueles, que se encontram mais próximos do corpo da Virgem, seguram num lençol para descê-lo à tumba. Ao fundo desenrola-se uma paisagem rochosa com árvores dispersas, lembrando iluminuras.

Ficha técnica
Ano – c. 1308/11
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 40,8 x 54 cm
Localização: Museo dell’Opera Metropolitana, Siena, Itália

Fontes de pesquisa
Duccio/ Abril Cultural
1000 obras-primas da cultura europeia/ Könemann

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PERUCAS, PENTEADOS E ENFEITES

Autoria de Lu Dias Carvalho

                   

O uso de perucas, penteados e enfeites nos cabelos tem sido uma constante na vida das mulheres. Os homens também aderiram à peruca, como forma de embelezamento. E não foram poucos os períodos da história da humanidade em que mulheres e homens fizeram uso de tal ornamento, a começar pela época dos assírios. No século XVIII, as perucas tornaram-se volumosas, dificultando, sobretudo, a locomoção das mulheres. Mostrar-se bela valia qualquer sacrifício, o que levava tais damas, quando viajavam em carruagens, a serem obrigadas a ajoelharem-se dentro dos veículos, a menos que botassem a cabeça para fora, o que costumava fazer chover perucas em dias de ventania. E nem é preciso falar nos piolhos!

Até mesmo as perucas, tidas como símbolo de vaidade e sedução, caíram em desgraça na visão de algumas sociedades puritanas e de certas seitas religiosas, num determinado período de nossa história. Seus membros ou adeptos eram proibidos de usar qualquer tipo de enfeite nos cabelos, sendo que, em algumas dessas instituições, as pessoas eram obrigadas a raspar a cabeça, como indicativo de que renunciavam à sexualidade e aos prazeres do mundo. Na Inglaterra da era Cromwell, a severidade moral beirava as raias da loucura, tentando controlar os “diabólicos” cabelos e os impulsos sexuais. As mulheres eram obrigadas a manter suas madeixas escondidas debaixo de toucas brancas, enquanto os homens deveriam trazê-las curtíssimas. Quem não seguisse o figurino da moralidade era taxado de libertino.

Na era vitoriana (período do reinado da rainha Vitória, no Reino Unido), época tida como de excessivo moralismo, muitas mulheres recusaram-se a aprisionar suas madeixas debaixo de toucas, preferindo abalar a “moral” do reino. Nos dias de hoje, como homens e mulheres tendem a tornarem-se cada vez mais próximos em seus estilos, quer seja em relação aos cabelos, roupas ou atitudes, não mais causa surpresa qualquer que seja o tipo de corte, cor ou tamanho dos cabelos, embora esses ainda sirvam como identidade de alguns grupos.

Nota: obras do pintor inglês Joshua Reynolds

Fonte de pesquisa
Enciclopédia do Casal de Hoje/ Editora Três

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Duccio – A TRANSFIGURAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A pintura A Transfiguração trata-se do painel central de um grande retábulo pintado por Duccio, encomendado-lhe em 1308. Depois de terminado, três anos mais tarde, o enorme retábulo foi levado, numa majestosa procissão, pelos moradores de Siena, à época, desde o ateliê do artista à catedral da cidade, onde ornamentaria o altar-mor.

Esta parte do retábulo apresenta o momento em que Cristo, no topo de um monte áspero e rochoso, transfigura-se diante de seus três apóstolos: Pedro, Tiago e João, ajoelhados, e dos profetas: Moisés, à esquerda, e Elias, à direita, ambos de pé. O Mestre ocupa o ponto mais elevado do pico, trazendo um livro de capa vermelha na mão esquerda, enquanto que, com a direita, abençoa os presentes. Ele veste roupas majestosas, sendo uma túnica vermelha e um manto azul, com listras douradas, similares ao brilho do assento do pico rochoso.

Os gestos de surpresa e adoração das figuras, presentes no local, levam o olhar do observador em direção a Jesus Cristo que, juntamente com os apóstolos e profetas, traz na cabeça maravilhosas auréolas, simbolizando a divindade dos mesmos. Todas as figuras encontram-se descalças, como prova de grande humildade.

Infelizmente esta peça encontra-se em precário estado de conservação, sendo que a figura do apóstolo João, ao centro, e em primeiro plano, está muito danificada.

Ficha técnica
Ano: 1311
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 43,8  x 45,7 cm (controverso)
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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OS CABELOS ATRAVÉS DOS TEMPOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

Mulheres e homens nunca tiveram tanto cuidado com os cabelos como nos dias de hoje. O Brasil é o segundo país no consumo de cosméticos, com grande prepoderância para os produtos específicos para a beleza dos fios capilares. A cada dia cai por terra a ditadura dos cabelos lisos, com cada grupo étnico assumindo os seus, tais como são, pois todos são belos. A nova filosofia é a de que não existem cabelos “ruins”, mas, sim, maltratados. Adeus escovas progressivas, alizantes e chapinhas, agora é liberdade total para os tão sofridos fios.

Desde a Antiguidade, os cabelos têm ocupado um lugar central na história das civilizações, sendo lavados, hidratados, tingidos, penteados e enfeitados, e tidos, na maioria delas, como um elemento de sedução. Também já serviram de arma de contestação, como aconteceu nos anos 70, quando as cabeleiras avolumaram-se, em repúdio às normas sociais vigentes. Durante muito tempo, a cor dos cabelos esteve associada a certas definições: louros (feminilidade, encanto e ingenuidade), inerentes a princesas e fadas; escuros (sedução e força), ligados às bruxas; e ruivos (impertinência, tempestuosidade), específicos das feiticeiras. Mas hoje, com a infinidade de cores usadas pelas mulheres, que podem mudar a cor dos cachos a bel-prazer, cairam por terra tais bizarras definições.

Na Grécia Antiga, a virgindade de meninas e meninos era oferecida ao deus Hipólito, filho de Teseu e de Hipólita, segundo a mitologia grega. Eles realizavam tal oferenda raspando a cabeça em homenagem ao deus. Só assim estariam liberados para casarem-se. As mulheres de uma tribo africana denominada Wafiomi, por exemplo, não podiam cortar os cabelos durante o período que ia da puberdade ao casamento. As madeixas funcionavam como um indicativo da virgindade das garotas. Não apenas os cabelos da cabeça tinham uma relação simbólica com a virgindade, mas os pelos do corpo também. Mesmo as sociedades primitivas, que nada sabiam sobre a sexualidade, compreendiam que o surgimento de pelos na puberdade era indicativo do início do amadurecimento sexual de meninos e meninas.

Em muitas culturas, com a do Egito, Grécia e Roma da Antiguidade, as mulheres usavam a depilação para retirar os pelos do corpo. Imaginavam que isso seria capaz de tornar suas formas mais belas. Mas ao contrário dessas, no século XVI, as mulheres francesas, pertencentes à nobreza, queriam que seus pelos pubianos atingissem o maior tamanho possível, para que pudessem decorá-los com laços de fita. Elas faziam usos de unguentos para apressarem o crescimento dos fios. Como moda é questão de tempo, houve certa época na Idade Média, em que as mulheres usavam pedra-pomes para remover os pelos do corpo. Tal prática foi trazida pelos cruzados para suas mulheres. A prática de retirar os pelos do corpo ainda persiste nos dias de hoje. Prevalece o conceito de beleza que relaciona  a ausência de cabelos no corpo da mulher com a feminilidade e, em contrapartida, os pelos masculinos estão ligados à virilidade. Tudo não passando de bobos e arragaidos conceitos.

A história de Sansão e Dalila, assim como a frenética vida sexual do imperador Carlos Magno, do rei Henrique VIII e do monge Raspuntin, famosos por suas estripulias amorosas, todos eles donos de grande cabeleira, reforçam o mito sobre os cabelos compridos, mas esses também eram associados à perversidade. E como ficavam os calvos, na história? Napoleão Bonaparte é um exemplo de como a alopecia afetava a vaidade masculina. E não foram poucos os métodos usados pelos homens do passado, a fim de evitá-la. No século XVI, raízes de malva eram esfregadas onde havia a queda de cabelo. E no século XVIII, os homens passavam no couro cabeludo sementes de salva, para prevenirem-se contra a alopecia. Ainda hoje, o medo da calvície acompanha muitos homens, embora essa não esteja mais ligada ao “decréscimo” do poder sexual. Sabe-se hoje que a calvície masculina nada tem a ver com a potência sexual, sendo ocasionada por diferentes motivos. É geralmente mais perceptível no couro cabeludo, mas pode ocorrer em qualquer parte do corpo onde haja pelos.

Por muito tempo, barbas e bigodes também foram associados à masculinidade e ao poder. Um fio de bigode selava um contrato, diziam os antigos. Hoje não passam de modismo.

 Nota: Mulheres à Beira-Mar, de 1879, obra de Puvis de Chavannes (Louvre)

Fonte de pesquisa
Enciclopédia do Casal de Hoje/ Editora Três

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