Duccio – LA MAESTÀ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A pintura acima se refere ao painel principal e central da frente do retábulo La Maestà, obra do pintor italiano e pré-renascentista Duccio di Buoninsegna, na qual ele funde elementos góticos e bizantinos. O retábulo esteve no altar principal da Catedral de Siena, sendo depois desmembrado. Foi a única parte criada como uma só composição. O artista demonstra um agudo senso de simetria e ordenação das figuras.

Neste pormenor de Maestà, a Virgem Maria, com seu Menino Jesus no colo, encontra-se ladeada por vinte anjos e dezenove santos. Dentre eles se encontram quatro padroeiros da cidade de Siena que aparecem ajoelhados em primeiro plano. Trata-se de uma composição simétrica, com o mesmo número de figuras de cada lado. A Virgem e o Menino  possuem um tamanho maior em razão da hierarquia que detêm. Ela se encontra sentada num suntuoso trono de mármore trabalhado. Traz seu rosto levemente inclinado para sua esquerda.

A Virgem Mãe com o Menino nos braços ocupa o centro da composição e encontra-se rodeada por uma legião de anjos, postados à sua direita e à esquerda, muito parecidos em suas posições e fisionomias. Aí também estão representados: São João Evangelista, São Paulo, Santa Catarina de Alexandria, São João Batista, São Pedro, Santa Inês e os santos padroeiros da cidade: Santo Ansanus, São Sabino, São Crescentius e São Victor. No friso superior, na parte de cima da composição, dentro de arcos, estão os outros dez apóstolos. Os quatro santos ajoelhados têm seus rostos individualizados.

A Rainha do Céu, figura principal da obra, está envolta por um manto azul-escuro sobre um vestido vermelho, decorado com dourado. Ela está sentada num trono, de frente para o observador, como se o chamasse para dela se aproximar. Uma cortina desce às suas costas, cobrindo a almofada na qual se senta.

Nota: o artista escreveu, ao pé do trono da Virgem, a seguinte inscrição: “Santa Mãe de Deus, traz a paz a Siena e à vida para Duccio, pois assim ele te pintou.”

Ficha técnica
Ano – c. 1308/11
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 211 x 425 cm
Localização: Museo dell’Opera Metropolitana, Siena, Itália

Fontes de pesquisa
Duccio/ Abril Cultural
1000 obras-primas da cultura europeia/ Könemann
http://www.themasterpiececards.com/famous-paintings-reviewed/bid/92327/Famous-Paintings-Duccio-s-Maesta

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Mestres da Pintura – DUCCIO DI BUONINSEGNA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O entalhador de iluminuras e pintor italiano e pré-renascentista Duccio di Buoninsegna (c. 1255- c.1318) era conhecido apenas pelo primeiro nome de Duccio. Supõe-se que tenha nascido em Siena. Não se sabe como se deu a sua formação artística. Além de trabalhar em Siena, sua cidade natal, também construiu sua obra em Florença e supõe-se que tenha participado dos afrescos da Basílica de San Francesco em Assis. Além da Escola de Siena, o talentoso Duccio foi também inspirado pela obra do mestre Cimabue. Mesmo sendo adepto da arte bizantina, o pintor também abraçou a arte gótica. Suas obras chamam a atenção sobretudo pelas linhas elegantes e os reluzentes esquemas de cor, assim como por sua estrutura tridimensional e pelo ritmo que ele dá às figuras. É tido como uma figura de suma importância no desenvolvimento da pintura de Siena.

Sabe-se que Duccio gozou de certa prosperidade econômica e popularidade, apesar de sofrer penalidades políticas e administrativas em sua vida, tendo sido multado algumas vezes,  sempre vivendo às turras com as autoridades de Siena. É fato que também não sabia administrar o que ganhava, pois vivia sempre atolado em dívidas. Prova disso é que sua esposa Taviana e seus sete filhos optaram por não receber a herança deixada por ele, uma vez que suas dívidas eram imensamente maiores do que os bens deixados.

Existe uma grande distância entre a vida do artista e sua obra. Pelo que se deduz, Duccio era um homem incapaz de gerir seus negócios, dilapidando o que ganhava, sempre envolvido com dívidas. Contudo, suas pinturas eram equilibradas, não afeitas a grandes emoções, tampouco traziam em si qualquer vislumbre de tragédia. Delas emanavam uma espiritualidade delicada, cheia de lirismo e nobreza, e um padrão estético muito elevado. Os pormenores em seus trabalhos são tratados com realismo. Ele sempre dispunha seus personagens de maneira bem uniforme. Nota-se que há pouca diferença entre os personagens considerados mais importantes e os menos, pois ele se preocupava mais com o equilíbrio do todo da composição. Giotto di Bondone foi contemporâneo do pintor em Florença.

Nota: a ilustração é um detalhe da pintura Maestá.

Fontes de pesquisa
Duccio/ Abril Cultural
Arte Ocidental/ Editora Rideel
1000 obras-primas da cultura europeia/ Könemann

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Correggio – NATIVIDADE COM SANTA ISABEL…

Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição Natividade com Santa Isabel e São João é uma obra religiosa do pintor italiano Correggio, que fez muitas pinturas com esta mesma temática. É visível a influência dos pintores Andrea Mantegna e Dosso Dossi no trabalho do artista.

A cena ao ar livre mostra a Virgem Maria com seu vestido vermelho e manto azul, ajoelhada ao lado de seu Menino Jesus, que se encontra no chão, na parte inferior da pintura, em primeiro plano, exatamente no meio na composição. À direita do Salvador está Santa Isabel, mãe do pequeno João Batista, que se encontra em seu colo, e cujo corpinho inclina-se para frente, tentando fugir dos braços da mãe, como se quisesse brincar com o Menino.

Isabel, a prima da Virgem Maria, inclina-se ternamente sobre Jesus, deitado sobre um lençol que cobre as palhas de sua pequena manjedoura. Ele se encontra nu, o que simboliza a sua pureza, e traz a mãozinha esquerda sobre o peito e o braço direito estendido. Atrás de Maria está José, envolto em seu manto amarelo-ouro, que dorme candidamente na entrada da estrebaria, onde se encontram um jumento e um boi, depois de muito cansaço e emoção.

Dois pequenos anjos nus, pairam acima da Virgem, enquanto à esquerda, um terceiro anjo, vestido com uma longa túnica, conduz dois pastores até o Menino, para que esses rendam uma  homenagem ao Salvador do mundo .

Quatro grandes árvores perfilam-se à direita da velha construção. Debaixo da primeira há duas pessoas sentadas, provavelmente pastores. O local em ruínas apresenta vestígios da arquitetura clássica. Uma imensa paisagem estende-se à esquerda.

Ficha técnica
Ano: c. 1513/14
Técnica: painel
Dimensões: 78 x 100 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Dosso Dossi – SÃO SEBASTIÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Dosso Dossi (c. 1489 – 1542), artista da época da Renascença, foi batizado com o nome de Giovanni di Niccolò de Lutero. Seu pai trabalhava para os duques de Ferrara. Era irmão do também pintor Battista Dossi, que foi aluno de Rafael Sanzio. É possível que tenha estudado com Lorenzo Costa. Foi um dos grandes nomes da Escola de Ferrara, no século XVI. É possível que tenha se ligado ao círculo de Rafael, em Roma. Além dos afrescos, também pintou painéis com temas mitológicos, cristãos e alegóricos. Mesclou o estilo de Ferrara com o de Ticiano, que conheceu em Veneza, e Giorgione. Suas obras mais famosas são as alegorias mitológicas, tema que era muito valorizado na corte humanista de Ferrara. Sua personalidade era rica e complexa. Legou à posteridade maravilhosos trabalhos.

O belíssimo painel de Dosso Dossi, denominada São Sebastião, que chegou a ser atribuído a Giorgione, foi criado na sua maturidade, tendo a paisagem sido inspirada na tradição de Giorgione. O santo encontra-se de pé, seminu, com seu gracioso corpo, elegantemente arqueado para sua esquerda, tendo apenas parte de seu manto azul-esverdeado, que desce da cabeça até o chão, a cobrir-lhe a genitália. Seus braços fortes e musculosos, levantados para o alto, circundando sua cabeça, estão amarrados a uma árvore frutífera. Duas setas perfuram-lhe o dorso nu. Os olhos do santo estão voltados para cima, numa expressão de dor, como se pedisse forças ao Pai. A seus pés, à esquerda, jaz sua brilhante armadura.

A árvore, a que está amarrado o santo, forma uma espécie de dossel sobre sua cabeça. Suas folhas e frutos possuem contornos claros. À esquerda, como se fosse uma visão, uma janela abre-se para uma cidade cheia de árvores, vegetação rasteira, estradas e edificações, sob um céu azulado com nuvens brancas.

Esta obra foi restaurada em 2010 por causa de problemas no seu suporte. Os restauradores obtiveram duas informações importantes: já havia sido restaurada no passado, embora não haja nenhuma documentação acerca disso, e foi reduzida em cerca de 50 centímetros na base e cerca de 10 centímetros no lado direito.

Ficha técnica
Ano: c. 1526
Técnica: painel
Dimensões: 182 x 95 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.finestresullarte.info/operadelgiorno/2016/529-dosso-dossi-san-sebastiano.php#cookie-ok

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Correggio – A SANTA NOITE

Autoria de Lu Dias Carvalho

Nós nos precipitamos para a cena, juntos com o pastor, e vemos o que ele também está vendo: o milagre da luz que refulgiu nas trevas. (E.H. Gombrich)

A composição A Santa Noite, também conhecida como A Adoração dos Pastores, é uma obra-prima do pintor italiano Correggio. Trata-se de uma das obras mais famosas do artista em que o claro-escuro faz-se presente. É tida como uma das mais belas obras sobre o tema. A adoração dos pastores representa a adoração popular, enquanto a dos Magos representa a dos reis de todas as partes do mundo.

A Virgem Maria encontra-se nas ruínas de um estábulo, embevecida, abraçada a seu Menino — numa postura de adoração silenciosa. Tem às costas seu esposo José, na escuridão exterior, que cuida de seu burro. Mais ao fundo, próximas a José, estão duas crianças (ou anjos) ao lado de outro burrinho. À frente de Maria e sua criança estão três pastores e um cão e acima paira uma legião de anjos. A Sagrada Família encontra-se num estábulo em ruínas. Uma intensa luz emana da criança recém-nascida, iluminando sua mãe e tudo à sua volta.

Dentre o trio de pastores — composto por um homem e duas mulheres — existe grande encantamento. O camponês robusto, segurando um tosco cajado encontra-se de pé. Ele teve uma divinal visão em que os céus abrem-se, e um grupo de anjos sobre uma nuvem branca entoam “Glória a Deus nas Alturas”, enquanto trazem os olhos fixos na cena que veem abaixo. Através dessa visão ele chega ao local para também adorar o Filho de Deus. Entre surpreso e maravilhado, paralisa seu movimento ao ali chegar e parece estar retirando o gorro em sinal de respeito, preparando-se para ajoelhar e adorar o Menino.

Uma das pastoras leva a mão esquerda ao rosto, deslumbrada com a luz que sai da manjedoura, onde se encontra o Menino. Segura por sua mão direita está uma cesta com ovos que ela traz como presente para a Sagrada Família. A outra pastora que se encontra à sua direita olha com alegria para o pastor grandalhão que acabara de chegar. Ao fundo, montanhas e céu parecem se fundir.

Se olharmos ligeiramente para a cena, poderemos achá-la bastante simples e mal posicionada, tendo ficado muito cheia do lado esquerdo se comparada ao direito. Mas isso foi intencional, para que a luz pudesse se expandir, dando maior destaque à Virgem e seu Menino — as figuras mais importantes da cena. É a luz que equilibra os lados da pintura ao fulgir nas trevas, atraindo os olhos do observador em direção aos personagens principais.

Ficha técnica
Ano: c. 1530
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 256 x 188 cm
Localização: Gemäldegalerie Alte Meister, Dresden, Alemanha

Fontes de pesquisa
A história da arte/ E.H. Gombrich

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FLORES E CASA DE CHÁ

Autoria de Lu Dias Carvalho

FlocachaA estampa Flores e Casa de Chá, do artista japonês Hiroshige, faz parte da série 36 Vistas da Capital do Leste – Distrito de Kameido.

Na estampa estão presentes três personagens: um casal e um garoto. O local representa o Distrito de Kameido, onde se encontra o templo Terijin e um parque de ameixeiras e glicímias. Embora não constem na estampa, ali se encontram várias casas de chá, entre elas a Umeya.

O casal, sentado sobre uma comprida mesa, observa a chegada do menino, que traz um galho enfeitado com amuletos, a serem doados a santuários xintoístas, com o objetivo de atrair a boa fortuna.

A presença do homem e da mulher em visita ao local, assim como das flores de ameixeira, indica que se trata do início da primavera e do Ano Novo.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: c. 1859-1862
Dimensões: 33 x 22,2 cm

Fonte de pesquisa
Pinturas do Mundo Flutuante/ IMS

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