Lucas van Leyden – O SERMÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição O Sermão é uma obra do pintor holandês Lucas van Leyden (1494-1533), considerado um dos gênios da pintura quinhentista europeia. Seu primeiro professor foi seu pai, Hugo Jacobsz, vindo depois a estudar com o mestre Cornelis Engelbrechtsch. O artista era tão talentoso que aos dezesseis anos de idade compôs sua primeira gravura. Nutria grande admiração por Albrecht Dürer, tendo estudado meticulosamente seus escritos.

Além de pintor, Lucas era também gravurista, xilogravurista e pintor de vidro, tendo deixado trabalhos maravilhosos. Era dono de uma criatividade fascinante. Não existem provas de que tenha ido à Itália, contudo, suas elaboradas pinturas mostram influências italianas, assim como holandesas e alemãs.

Embora os três filhos de Cornelis Engelbrechtsch (Pieter, Cornelis e Lucas) fossem pintores e o trabalho dos três não fosse diferenciado, O Sermão é atribuído a Luca van Leyden, mesmo não trazendo o minucioso desenvolvimento espacial e tampouco a sensível estrutura linear empregada pelo artista em suas obras. O quadro também já foi atribuído a seu irmão Pieter Cornelisz e a Aertgen van Leyden.

No púlpito da igreja, um padre, todo paramentado, fala aos fiéis. À direita estão seis figuras masculinas de pé, que devem ser, provavelmente, os doadores. A segunda figura, da esquerda para a direita, sentado numa cadeira, trajando um manto vermelho, pode ser um autorretrato do próprio artisra.

Ficha técnica
Ano: c. 1530
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 133 x 97 cm
Localização: Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda

Fonte de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Braque – O DUETO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Eu trabalho com a matéria e não com idéias. (Georges Braque)

A composição O Dueto, também conhecida como O Duo ou A Dupla, é uma obra intimista do pintor normando Georges Braque, onde fica visível a influência de Matisse sobre ele.

O Dueto trata-se de um trabalho do período em que o artista deixa para trás a produção de naturezas-mortas, dando início à fase das musas e das figuras de perfil, sendo a época mais lírica de sua obra. Nesse período, os volumes tornam-se simples e suaves. Ainda que se possa encontrar lembranças do Cubismo presentes na obra de Braque, figuras humanas e objetos aparecem reconstruídos, vistos de frente e de perfil, tanto na claridade quanto na sombra.

Em sua composição em destaque, Braque apresenta duas figuras femininas, eretas, com seus pescoços finos e alongados, sentadas distantes do espaldar de suas cadeiras de madeira, que possuem a mesma cor do piano, como se fossem uma projeção desse. Uma das mulheres encontra-se ao piano, enquanto a outra, de frente para a primeira, segura nas mãos o que parece ser um folheto sobre o compositor e músico Debussy. Entre elas se interpõe apenas o instrumento musical amarronzado, onde é possível ver, de perfil, a partitura branca aberta sobre a estante do piano, sendo seguida pela pianista.

Partes do ambiente são decoradas com um papel de parede, que vai do amarelo ao tom esverdeado,  com motivos estampados. Nas laterais direita e esquerda pode-se ver parte de uma cortina recolhida. O chão também é trabalhado. Um quadro retangular, com moldura amarela e motivos coloridos, encontra-se à direita da pianista, na altura de sua cabeça. À esquerda, próxima ao assento da aluna ou ouvinte, encontra-se a assinatura do pintor.

Ficha técnica
Ano: 1937
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 130 x 160 cm
Localização: Museu Nacional de Arte Moderna, Paris, França

Fonte de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultura

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SÃO SEBASTIÃO, O SANTO GUERREIRO

Autoria de Luiz Cruz

              

São Sebastião foi amplamente representado por diversos artistas brasileiros. Uma das obras mais significativas é Recompensa de São Sebastião, de Eliseu Visconti, datada de 1898 e que integra o acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, esse trabalho foi premiado nos Estados Unidos, em 1904. O santo é apresentado em corpo lânguido e alvo, tem os braços cruzados ao peito, com as flechas penetradas em seu corpo sendo corado por um grande anjo alado, trata-se de uma bela composição. Alberto da Veiga Guignard pintou diversos quadros representando-o, muitos deles de forte impacto e grande dramaticidade. Cândido Portinari pintou um painel dedicado ao mártir, mas com uma pintura mais leve e forte presença do tom amarelo. Emeric Marcier retratou o santo de forma a nos revelar sua dor, com força e expressividade, mas acima de tudo com criatividade ao expor o corpo torturado. Glauco Rodrigues elaborou diversas representações, associando-o com a cidade do Rio de Janeiro e seus elementos icônicos; realizou várias alegorias inserindo a sua imagem ao universo da pop art. Muitos outros artistas retrataram-no, seja na sua iconografia tradicional ou recriando de acordo com a linguagem de cada um.

A iconografia de São Sebastião é simples, geralmente veste perizônio, descalço, cabelos longos, com braços e pernas atados a um tronco ou coluna. Traz no corpo as flechas, em madeira ou metal. A Matriz de Santo Antônio de Tiradentes possui duas imagens dessa devoção, uma em tecidos e cola, policromada – está no altar-mor; a outra é uma peça em madeira, em que o santo é apresentado com as características de um índio, especialmente o cabelo liso e estilizado – está exposta no Museu da Liturgia. A Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei possui uma belíssima imagem do santo, com expressão de êxtase e olhar fixo para o céu. Veste perizônio movimentado, vermelho com detalhes dourados. Está atado em tronco prateado e tem em seu corpo as setas cravadas. O cabelo é arremessado para trás. Sobre a cabeça tem um resplendor de prata. A plasticidade escultórica e a boa policromia contrastam e tornam essa imagem uma obra-prima. Em Santa Cruz de Minas, o padroeiro São Sebastião é representado por uma imagem em gesso, da primeira metade do século XX, provavelmente introduzida pelo padre José Bernardino de Siqueira. Tem o cabelo curto e encaracolado, olhos de vidro e a boca entreaberta. Veste perizônio vermelho com arremate em ouro. Está atado ao tronco e fincadas em seu corpo estão quatro flechas prateadas. Essa imagem é tombada individualmente pelo Conselho Municipal de Política Cultural e Patrimônio e a Festa de São Sebastião é registrada como Patrimônio Imaterial de Santa Cruz de Minas.

São Sebastião (256 d.C. – 286 d.C.) nasceu na França e viveu em Milão. Chegou a Roma através de caravanas de migração. Listou-se como soldado do exército romano por volta de 283 d.C objetivando apoiar os cristãos enfraquecidos pelas torturas. Conquistou a confiança dos imperadores Diocleciano e Maximiano. Apesar de cristão, foi designado capitão da guarda dos imperadores. Foi complacente com os prisioneiros cristãos e por isso considerado traidor, tendo sido ordenada sua execução por meio de flechas. Seu corpo foi atirado ao rio, mas ainda não estava morto, sendo resgatado por Irene, que cuidou dos ferimentos. Após a recuperação, apresentou-se novamente junto a Diocleciano, que ordenara seu espancamento até a morte. Depois seu corpo foi jogado no esgoto público romano. Luciana resgatou-o, limpou e sepultou nas catacumbas. O nome Sebastião deriva-se do grego sebastós, que significa divino, venerável. Devido a sua execução de maneira violenta, tornou-se tema comum na arte medieval. O culto a São Sebastião teve início no século IV e atingiu o auge na Baixa Idade Média (século XIII ao XV).

Sebastião tornou-se um dos santos mártires romanos mais populares da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa. Amplamente cultuado em Portugal, trazido ao Brasil, conquistou fiéis em todas as regiões, inclusive como padroeiro de muitos lugares, como a cidade do Rio de Janeiro. É uma das devoções mais populares em Minas Gerais e presente em muitas igrejas e capelas. Nas religiões de matriz afro-brasileira, São Sebastião é sincretizado como o orixá Oxossi, sendo o orixá das florestas e das relações entre os reinos animal e vegetal. Oxossi se fortalece na mata, onde o negro e o índio se encontravam ou se refugiavam. Quando existiu um “terreiro” em Tiradentes, era de Oxossi e os trabalhos eram feitos nas matas da Serra de São José, o pessoal passava a noite toda lá. Coincidentemente, São Sebastião é o padroeiro de Santa Cruz de Minas e o maior patrimônio da localidade é a Serra de São José.

O dia 20 de janeiro é dedicado a São Sebastião, época em que as Folias de São Sebastião visitam os devotos, e diversas localidades brasileiras prestam homenagens ao santo guerreiro, tão querido em todo Brasil.

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Braque – A MESA REDONDA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Mesa Redonda é uma obra do pintor normando Georges Braque, quando esse se encontrava no final de sua produção de naturezas-mortas, dando início à fase das musas e das figuras de perfil. Trata-se, portanto, de uma obra de transição.

A pintura chama a atenção do observador, sobretudo, pela harmonia das cores, onde se juntam tons marrons, que vão do castanho-claro ao chocolate, e uma linda mancha de azul-cobalto, na parte esquerda da mesa, assim como o fundo alaranjado e o marrom da guitarra.

Na natureza-morta de Braque estão presentes: uma guitarra, um tubo, uma garrafa, uma folha de música, um jornal, faca, maçãs, um livro de música aberto, etc. Nesta colossal obra, o artista apresenta objetos simples, mais cheios de uma surpreendente complexidade na forma como são representados, num desconstruir e construir incessante da ilusão que representam. Portanto, a pintura é ao mesmo tempo uma representação pictórica e uma desconstrução da representação.

O pedestal escuro da mesa possui três pés, dois dos quais se adentram pela borda inferior da tela. E ainda que se mostrem frágeis, apoiam a mesa com todas as coisas que nela se avolumam. Acima dos pés estão uns arcos romanos e mais acima vem um retângulo plano.    A guitarra sem cordas é o maior objeto que se encontra sobre a mesa. Suas cordas aparecem como pautas no livro de música. Na parte mais alta da construção estão folhas de papel coloridas, que se parecem com o canto da sala.

Ficha técnica
Ano: 1929
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 146 x 114 cm
Localização: Coleção Philips, Washinton, EUA

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultura
https://sites.google.com/site/beautyandterror/Home/lying-to-tell-the-truth

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A IMPORTÂNCIA DO SAL MARINHO

Autoria de Danilo Vilela Prado

O melhor sal – o sal marinho – é condimento que agrada ao nosso paladar, possui qualidades terapêuticas e é imprescindível, porque ao ser consumido corretamente, todos os dias, ajuda a equilibrar os minerais essenciais no nosso organismo e, como consequência benéfica, proporciona saúde. Ele não passa por nenhum processo de industrialização. Por isso, retiradas as impurezas, é embalado da mesma forma como é encontrado na natureza. Assim, a ele não é acrescentado nenhum aditivo, e chega às cozinhas e mesas em estado bruto, quando muito é triturado para quebrar os cristais mais grossos, a fim de permitir o uso na culinária. Por não passar por nenhum tipo de industrialização, o sal marinho é mais grosso que o refinado e um pouco mais fino que o de churrasco, mas se dissolve bem ao ser usado. É mais escuro um pouco, normalmente cinza. É “melado”, ou seja, úmido, por não conter os antiumectantes que são adicionados ao sal refinado para deixá-lo soltinho e seco.

Contém 84 elementos (minerais ou oligoelementos), que são harmonizados adequadamente no corpo humano, fortalecendo-o de modo a prevenir várias doenças. Entre os elementos essenciais do sal marinho estão: enxofre, bromo, magnésio, cálcio, zinco, molibdênio, flúor, iodo e contém, ainda, algas microscópicas que fixam o iodo natural, plâncton (nutriente), o único e básico alimento das baleias: o krill (pequeno camarão invisível), e esqueletos de animais marinhos invisíveis.

Existem duas fontes básicas do sal marinho, que é extraído:

  1. a) das minas de sal, como é o caso do sal rosa do Himalaia, que são depósitos de oceanos que secaram há milhões de anos e cujo sal ficou depositado na terra, formando verdadeiras montanhas ou desertos de sal’.
  2. b) Das águas dos oceanos, mares, lagoas e lagos salgados, armazenadas em tanques rasos para a evaporação natural, até que reste apenas o sal.

É muito difícil encontrar o sal marinho natural no Brasil. Praticamente só em casas especializadas é possível achá-lo, porque a recomendação governamental é o uso do sal refinado. Depois de começar a consumi-lo, é possível observar uma enorme melhora tanto no desempenho físico quanto na aparência. Com pouco mais de 15 dias de uso já é possível sentir resultados positivos. As autoridades brasileiras deveriam permitir que o sal marinho fosse opção de escolha dos consumidores. A responsabilidade é de quem compra e usa. O Governo tutelar o consumo do sal só se justifica em alguns casos.

Infelizmente, o sal rosa do Himalaia é falsificado por gente inescrupulosa. Muitas pessoas que conhecem os malefícios do sal refinado passaram a comprar o sal do Himalaia e tiveram agravados os problemas de saúde. Para saber distinguir o sal rosa do Himalaia verdadeiro do falso e evitar enganações, é recomendável acessar o YouTube.

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Braque – CASAS DE L’ESTAQUE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Tudo reduz – lugares e figuras e casas – a esquemas geométricos, a cubos. (Louis Vauxcelles)

Georges Braque, ao passar o verão de 1908 em L’Estaque, sul da França, criou uma série de paisagens com edifícios em estilo cubista analítico. Ao ver tais pinturas, o marchand Daniel-Henri Kahnweiler, surpreso com sua originalidade, aceitou promover seu trabalho e o de Picasso. Nesse mesmo ano organizou uma exposição em sua própria galeria. Ali se encontrava a obra intitulada Casas de L’Estaque que foi responsável por dar nome ao estilo cubista, quando o crítico francês de arte — Louis Vauxcelles — avaliou-a negativamente e usou o nome “cubismo” no artigo que escreveu na famosa revista Gil Blas, no qual criticava Braque por criar quadros que reduziam tudo a “contornos geométricos”.

O artista apresenta em sua obra uma distribuição de volumes regulares sobre a superfície da tela. Os motivos referentes a árvores e casas — ainda possíveis de serem identificados — são reduzidos a meros elementos da linguagem visual. O conjunto de edifícios é facilmente identificável. Sua posição no espaço é indicada por superposição e mudanças de escala, contudo, a realidade mais concordante ali presente é a que diz respeito à própria pintura.

A paisagem — primeira tentativa do pintor em produzir uma nova linguagem pictórica — é dominada pelos tons verdes, terra e cinza, mostrando uma forte influência do pintor francês Paul Cézanne, cujo estilo corresponde à fase chamada de “Cubismo de Cézanne”. As casas em forma de cubos amontoam-se umas sobre as outras, como se formassem um castelo. Entre elas surgem algumas árvores, sendo que um tronco tomba em diagonal para a esquerda. Toda a tela é tomada por tais elementos. Não se vê o horizonte e nem o céu. A sombra de cada elemento dá vida a seu volume, trazendo profundidade à composição.

Com esta pintura, o artista põe fim à sua fase fauvista que durou cerca de dois anos. Viria daí um dos mais importantes movimentos da arte contemporânea, nascido da parceria entre Georges Braque e o espanhol Pablo Picasso, que daria o passo inicial com “As Senhoritas de Avignon”. Da colaboração entre os dois pintores surgiriam as bases do Cubismo que levaria aos extremos os limites da abstração.

Ficha técnica
Ano: 1908
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 59,5 cm
Localização: Museu de Arte, Berna, Suíça

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Abril Cultura
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
http://www.unesco.org/artcollection/NavigationAction.do?idOeuvre

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