AVE MARIA, GRATIA PLENA…

Autoria de Lu Dias Carvalho

AVE MARIA!

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco…

A Anunciação é um dos principais temas da história da arte cristã, principalmente entre os pintores renascentistas. Refere-se à visita do arcanjo Gabriel a Maria, para avisá-la que fora escolhida por Deus Pai, para ser a mãe de seu Filho Jesus, o Salvador.

Os dois principais personagens da Anunciação são Maria e o anjo, que sempre se encontram nas representações artísticas referentes ao tema, ora ajoelhados, ora de pé. Mas alguns artistas agregaram às suas telas a presença de Deus Pai, que observa a cena, sempre do alto, de onde abençoa a futura Mãe de Jesus. A pomba branca, representando o Espírito Santo, também está presente na maioria das pinturas.

O anjo Gabriel traz, quase sempre, um ramo de lírios brancos na mão, que simboliza a pureza e a virgindade de Maria, ou um cetro, aludindo ao seu papel de mensageiro. A presença de livros na cena representa a sabedoria da Virgem. Algumas pinturas mostram um quarto, numa simbologia da noite de núpcias.

O local, onde se dá o encontro entre a Virgem e o anjo mensageiro, é bastante variado. Vai desde um ambiente humilde, como o visto nesta composição, a suntuosos cenários de interior.

Nota: ilustração copiada de http://comunidadehostiasanta.blogspot.com.br/2012/03

Views: 14

Arthur Hughes – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho 

gabi

Outra pintura muito diferente sobre o tema evocado até agora é a Anunciação do pintor inglês Arthur Hughes, que fez uma obra requintada, usando lindas cores puras, retratando um momento suave e poético. A cena é montada num jardim, cheio de lírios brancos e lírios roxos, flores ligadas à imagem da Virgem Maria.

Além dos lírios vistos no jardim, uma videira, símbolo da Paixão de Cristo, desce sobre uma armação de madeira que a sustenta, e abaixo da qual se encontram a Virgem e o anjo Gabriel.  Enrolada no tronco na videira, e subindo sobre ela, até atingir a parte central superior da pintura, estão os rostos da serpente e de Eva, símbolos do Jardim do Éden.

A Virgem, à direita da composição, está usando um vestido roxo com uma larga faixa azul. Um delicado véu branco e transparente cobre-lhe a cabeça e o rosto, descendo sobre seu tronco. Sobre o véu, uma fina faixa vermelha circunda sua cabeça. Ela traz os pés descalços.

Maria, uma mocinha tímida, mostra-se surpresa com o aparecimento do anjo e, numa atitude de humildade, coloca a mão direita sobre o peito. E nesta mesma mão ela segura uma roca, enquanto no banco, à sua esquerda, encontra-se um rolo de lã vermelha. Roca e lã referem-se à lenda sobre sua educação no Templo de Jerusalém, onde se supõe que tenha tecido vestes para sacerdotes. Ela usa uma longa túnica roxa.

O anjo, com as mãos cruzadas sobre o peito, possui delicadas asas brancas, e delas se projeta um manto de luz misteriosa, que desce por seu corpo, cruza na altura das coxas e desce até o chão, cobrindo seus pés. Seu vestido é multicolorido, enfeitado com estrelas na gola e, abaixo da cintura, é ornamentado com lírios. Seus cabelos são dourados e, sobre a cabeça, traz um halo azul, que alude a sua divindade. Está cercado por inúmeros lírios.

Uma pomba branca, simbolizando o Espírito Santo, encontra-se no alto do quadro, próxima a Eva. E um vaso de cerâmica, com lírios roxos, encontra-se à direita do anjo Gabriel.

Ficha técnica:
Data: c. 1858
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 61,3 x 35,9 cm
Estilo: Romantismo
Gênero: pintura religiosa
Localização: Galeria de Arte de Birmingham, Reino Unido

Views: 9

Andrea del Sarto – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

sarto

A Anunciação do pintor Andrea del Sarto, um dos grandes artistas do Alto Renascimento, é uma obra bem diferente, pois o encontro entre a Virgem Maria e o anjo mensageiro acontece ao lado das ruínas clássicas romanas, ao ar livre.

A Virgem é surpreendida pela chegada do anjo, que se ajoelha diante dela e a saúda com a mão direita, enquanto que, com a esquerda, segura um ramo de lírios brancos, simbolizando a pureza de Maria, que se apresenta como uma mulher comum, sem a presença da auréola. Ela traz na mão esquerda um pequeno livro de orações, marcado com o dedo indicador, o que mostra que estava lendo. Seu olhar indagador volta-se para o anjo. No chão encontra-se outro livro e duas rosas, o que indica que ela estava assentada, enquanto lia, levantando-se com a chegada do anjo mensageiro.

O anjo com suas asas escuras fita a Virgem. Atrás de si estão dois outros, de pé, sendo possível ver suas auréolas. Eles observam a cena. Um deles tem os braços cruzados sobre o peito, enquanto o outro estende a mão direita em direção a Maria. Ao alto, no lado esquerdo da composição, uma pomba branca, simbolizando o Espírito Santo, voa em direção à Virgem, deixando atrás de si uma luz dourada. E no centro da obra, Adão ocupa o centro de fuga da composição, em forma de uma estátua. Personagens de uma sacada parecem observar a cena. Ao fundo, uma paisagem com montanhas azuis e duas árvores, descortina-se.

Dados técnicos
Ano: 1512
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 185 x 174,5 cm
Localização: Galleria Palatina, Florença, Itália

Views: 6

Léger – TRÊS MULHERES

Autoria deLu Dias Carvalho

tremu1

Não é a beleza da coisa que importa à pintura, mas sim os meios que se adota para recriar o objeto, mesmo que seja apenas um prego. A unha deve manter a sua dignidade como um objeto. Uma unha pintada deve ter a mesma importância que um rosto. (Léger)

Eu tinha quebrado o corpo humano, agora torno a recompô-lo, a reencontrar o rosto. Além do mais, sempre utilizei a figura humana. Ela se desenvolveu lentamente em direção a uma figuração menos realista, menos esquemática. (Léger)

A composição Três Mulheres, também conhecida como O Grande Desjejum, é uma obra-prima do pintor normando Fernand Léger. É, sem dúvida alguma, o trabalho  mais conhecido e famoso do  artista, tendo sido exibido pela primeira vez no Salão de Outono em 1921. O artista levou dois anos para concluir seu meticuloso trabalho que, através de uma refeição conjunta, mostra como era fácil viver tal experiência na modernidade.

A pintura de Léger apresenta três mulheres nuas, com detalhes ampliados de certas partes do corpo, participando de um desjejum. O artista aqui abre mão de sua experimentação no uso de cores, estilos, formas, espaço, etc., para criar uma obra universal ou clássica na história da arte, que é o nu feminino. É como se ele estivesse deixando para trás suas experiências mais ousadas, para retomar aquilo que é conhecido como “retorno à ordem”.

As três mulheres nuas, duas reclinadas e uma sentada de frente para o observador, bebem algo quente, possivelmente chá ou café, como indica a xícara na mão de uma delas, a que traz um livro no colo. Elas se encontram num ambiente muito bem decorado, aparentando ser um moderno apartamento.

As mulheres possuem formas arredondas, com destaque para os seios, nádegas e rótulas, e pele não suave, mas polida e firme. A cor da pele amarronzada de uma delas difere da pele clara das outras duas. Possuem longos cabelos pretos, estilizados e penteados para um dos lados, rosto redondo e expressão indiferente, desprovida de emoção, como se tudo ali fosse rotineiro e simplista. Os demais objetos, que compõem a pintura, possuem forma regular e realista. Figuras humanas e objetos têm a mesma importância na composição do artista.

A falta de formosura nas mulheres, com suas características faciais simplificadas e similares, leva o olhar do observador para o fundo da composição, maravilhosamente trabalhado, e para as coisas em volta delas. Existem inúmeros objetos espalhados por todo o quadro: vaso, mesas, copo, bandeja, xícara com pires e colher, sofá, elementos decorativos, etc.

Até mesmo um cãozinho negro é visto à direita, deitado no sofá. O pintor usa sombreamento na definição da curvatura das mesas, sofá e partes dos corpos femininos. Há uma profusão de cores em toda a pintura que é ao mesmo tempo moderna, clássica e intemporal. É uma das obras mais conhecidas do Cubismo.

Ficha técnica
Ano: 1921/22
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 251,5 x 183,5 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA

Fontes de pesquisa
https://utopiadystopiawwi.wordpress.com/purism/fernand-leger/three-women/
http://www.theartstory.org/artist-leger-fernand.htm
http://www.art-newzealand.com/Issues1to40/leger.htm

Views: 18

Lorenzo di Credi – ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

anunc

O quadro Anunciação é uma obra do pintor e escultor italiano Lorenzo di Credi  (c.1459-1537), que foi aluno de Andrea del Verrocchio, tendo trabalhado com ele em sua oficina, e herdado sua direção após a morte do mestre. Foi colega de Leonardo da Vinci. Incialmente foi influenciado por ele, mas depois deu-se o inverso. Foi professor de Giovanni Antonio Sogliani e de Antonio del Ceraiolo.

Sua bela composição apresenta a Virgem Maria, recebendo a visita de um anjo, que anuncia que ela será a mãe do Filho de Deus. Ambos se encontram num ambiente belamente adornado, que mostra como era a decoração interior daquela época, em que predominava o uso de madeira marchetadas, esculpidas ou ornamentadas com estuque.

Cada uma das figuras está postada diante do vão de uma das duas janelas em arco, com a porta ao meio, também em formato de arco, separadas por colunas decoradas com relevos antigos e primorosos. Elas parecem ter sido captadas e paralisadas num determinado momento, pois mostram-se emudecidas em seus gestos suspensos.

A Virgem Maria encontrava-se rezando em seu quarto de arquitetura clássica, quando foi surpreendia com a presença do anjo, como mostra seu gesto de surpresa. À sua esquerda está uma cama de madeira, forrada com uma colcha verde, sobre a qual descansa uma almofada vermelha. Aos pés da cama está uma mesa de madeira, parecida com um genuflexório, onde se vê, aberto, seu livro de orações.

O pórtico, do qual se vê duas colunas cornijas, leva a uma bela paisagem ensolarada, com árvores perfiladas, formando um caminho, e outras ao redor. Há também a presença de uma igreja, um lago e montanhas, sob um céu azul. Chama a atenção o horizonte maior da paisagem à esquerda, enquanto o da direita mostra-se coberto pela névoa, como se as partes não fossem contínuas. Há uma grande harmonia entre o interior e o exterior da cena.

No pavimento são vistas as sombras da Virgem e do anjo, e também das duas janelas em forma de arco. A cama e o porta-livros têm por finalidade complementar a perspectiva do ambiente, ampliando-o. A parede de madeira, às costas do anjo, mostra a mesma curvatura das janelas e também os trabalhos ali executados. Atrás do mensageiro está a porta pela qual ele entrou. Na parte de cima, próxima ao teto, estão cinco janelas circulares. A madeira escura do ambiente contrasta com a paisagem suave e luminosa. A luz vem do fundo do quadro e da esquerda, da porta aberta às costas do anjo.

Abaixo, em primeiro plano, aparecem os degraus decorados com cenas do Gênesis, referentes a Adão e Eva no Jardim do Éden. A primeira, a começar pela esquerda, refere-se à criação do homem; a segunda, à queda; a terceira diz respeito à expulsão do paraíso. A separação entre as cenas é feita com pilastras decoradas com vasos, flores e escudos com águias, referentes ao brasão do dono da encomenda.

Ficha técnica
Ano: c. 1480-1485
Técnica: têmpera e óleo sobre madeira
Dimensões: 88 x 71 cm
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://it.wikipedia.org/wiki/Annunciazione_(Lorenzo_di_Credi)

Views: 10

Mondrian – COMPOSIÇÃO EM AZUL, CINZA E ROSA

Autoria de Lu Dias Carvalho

cemacir

O trabalho denominado Composição em Azul, Cinza e Rosa é uma obra do artista holandês Piet Mondrian. Faz parte de uma série de estudos de fachadas feitos pelo artista, em que ele dispõe. harmoniosamente. linhas horizontais e verticais.

O quadro de Mondrian pode levar o observador a imaginar uma planta arquitetônica ou um projeto urbanístico, tamanha é a versatilidade e o virtuosismo adquirido pelo artista. Apesar de mostrar apenas figuras geométricas nas cores azul, cinza e rosa, a pintura expressa um delicado lirismo.

Ficha técnica
Ano: 1913
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 88 x 115 cm
Localização: Rijksmuseum, Holanda

Fonte de pesquisa
Gênios da pintura/ Abril Cultural

Views: 8