Léger – NUS NA FLORESTA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Eu queria levar os volumes ao extremo. Este quadro era para mim apenas uma disputa entre as formas do corpo. Eu senti que ainda não poderia fazer a cor sustentar-se. Apenas o volume era suficiente para mim. (Léger)

Eu tenho me alinhado, durante anos, com toda a minha energia, em oposição ao Impressionismo. Eu era obcecado por isso. Eu queria o fragmento dos corpos. (Léger)

A composição Nus na Floresta, exibida no Salão dos Independentes, em 1911, em Paris, é uma obra do pintor normando Fernand Léger. É da mesma época de “A Costureira”, que foi o pontapé inicial para a experiência cubista do pintor, que se tornara amigo dos cubistas Pablo Picasso e Georges Braque. Segundo Léger, ele lutou durante dois anos com a plasticidade da obra, tendo por objetivo apenas levar os volumes ao extremo.

O quadro de Léger, embora se trate de uma obra inicial do estilo cubista do pintor, já mostra com clareza qual seria o caminho a ser trilhado por ele em sua pintura. Ele apresenta cilindros, forma poliédrica e mecânica. À época, dava-se a ruptura do artista com o Impressionismo e sua relação com o Cubismo, embora sendo seu estilo bem diferente do Cubismo tradicional, uma vez que não abriu mão da tridimensionalidade e da forma volumétrica, como fizeram seus amigos Picasso e Braque.

A obra do artista, retratando homem e natureza, mostra uma paleta monocromática e formas geométricas. A influência de Cézanne, pintor francês muito admirado por Léger, também se encontra presente em seu desenho e forma, em detrimento da cor. Seguindo o formato das mãos é possível visualizar as figuras humanas.

Ficha técnica
Ano: 1909/1910
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 120 x 170 cm
Localização: Rijkmuseum, Otterlo, Holanda

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural
http://www.theartstory.org/artist-leger-fernand-artworks.htm

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Léger – MULHER DE AZUL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Mulher de Azul é uma obra do pintor normando Fernand Léger. Este quadro foi exposto no X Salão de Outono, em Paris, e na Galeria Kahnweiler, do proprietário do mesmo nome, com quem o artista assinou o seu primeiro contrato de exclusividade.

A grande preocupação de Léger em seu trabalho era tornar a forma o mais simples possível, embora seu estilo mostre-se mais límpido neste seu trabalho que apresenta grandes campos de cores puras. Nessa fase, o pintor já começa a distanciar-se dos cubistas.

A pintura apresenta superfícies trabalhadas e outras planas, sendo considerada uma das mais importantes obras do artista. No topo é possível ver o perfil de uma mulher. O campo azul maior, no meio, é o seu torso, sendo os dois menores, um de cada lado, partes dos braços. As mãos que se encontram na frente parecem feitas de metal. Abaixo seguem as pernas. Um copo encontra-se sobre uma mesa, à direita.

Ficha técnica
Ano: 1912
Técnica: óleo em tela
Dimensões: 194 x 130 cm
Localização: Museu de Arte, Basileia, Suíça

Fontes de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural
http://previousexhibitions.fondationbeyeler.ch/e/html_11sonderaus/34leger/03_werke

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EM PROL DE UM BRASIL MELHOR

Autoria de Hernando Martins Dias

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De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto. (Rui Barbosa)

O Brasil passa por uma fase extremamente difícil. Faz-se necessário que todos se posicionem em prol do país, independentemente de intitular-se de direita, de esquerda ou de centro. Não é mais possível conviver com o sectarismo, a seletividade e a corrupção em níveis tão alarmantes, presentes em todos os poderes de nossa República, enquanto se busca recompor o buraco feito no erário público usurpando as classes mais pobres, apesar de seus salários minguados  incapazes de cumprir o Art. 6º da Constituição Federal: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)

É de conhecimento de todos que, enquanto não se fizer uma reforma política  estrutural, capaz de direcionar o país a níveis civilizados, não haverá, para nós brasileiros, luz no fim do túnel, uma vez que quem faz as leis é o poder Legislativo, também conhecido por Congresso (compreende a Câmara dos Deputados e o Senado). E, como vivemos num sistema presidencialista, o presidente (responsável pelo Executivo, juntamente com sua estrutura administrativa) não governa sem o Legislativo. E, para entornar o caldo da falta de pudor, além dos inúmeros congressistas corruptos, existem ainda os conhecidos e malcheirosos partidos de aluguel, mercadores em busca de uma fatia de poder, que ali legislam através do fisiologismo. Ao poder Judiciário cabe fazer cumprir as leis. Pelo menos é esta a sua função.

Precisamos de união e força para coibir as aberrações entre os propalados três poderes, que acabam parindo, executando e fazendo cumprir leis, muitas vezes nefastas, que pesam, principalmente, sobre a população mais sofrida do país e que é, na verdade, o potente motor gerador de seu progresso, quando a deixam trabalhar. Não é possível que o Brasil sirva de chacota em todo o mundo, ora tido como uma “republiqueta de bananas”, onde se trava uma guerra vergonhosa entre Legislativo, Executivo e Judiciário. É fundamental que os três poderes possuam igual autonomia e, sobretudo, responsabilidade para exercer suas funções, com a finalidade de fazer o país crescer economicamente e proteger a sociedade, ao invés de digladiarem entre si por poder e salários. O que o povo espera desse trio é uma comunhão ética e responsável, que responda, individual, legal e moralmente por seus atos, a começar pelo cumprimento do teto constitucional.

Tem sido vexamoso vivenciarmos o mais lamentável dos desrespeitos à Carta Maior, que é a Constituição brasileira, que reza que “todos somos iguais perante a lei”, quando na prática alguns poucos se mostram bem mais iguais do que a imensa maioria do povo brasileiro. Quem erra, recebendo do erário público, não pode, como pena para seu delito, ter aposentadoria integral e compulsória. Esse “constrangedor castigo” é doloroso demais para os milhões de desvalidos desta nossa grande nação. É fato que o povo brasileiro é responsável por ter elegido os políticos que aí estão, e que cada povo tem o governo que merece.  Mas também é fato que o brasileiro, conhecido mundialmente por seu nem sempre honesto “jeitinho”, tem na maioria dos dirigentes do país os seus grandes “mestres”. Em assim sendo, resta-me terminar minha crônica com o famoso pensamento de Rui Barbosa, o “Águia de Haia”:

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”.

Nota: ilustração copiada de http://www.slideshare.net/portalsme/meu-endereo-no-planeta-presentation

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Mestres da Pintura – FERNAND LÉGER

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Cézanne ensinou-me o amor às formas e aos volumes, fez-me concentrar no desenho. (Fernand Léger)

 Logo fiz amizade com essa gente. Sua maneira franca de falar e sua gíria eram minha linguagem. Queria que minha pintura fosse tão forte quanto  essa gíria. (Léger ao encontrar seus amigos de infância no front da Primeira Guerra Mundial)

 Descobri o dinamismo da mecânica através da artilharia. Apalpei o corpo do metal e meu olho deteve-se na geometria dos cortes. Um canhão de 75 mm em pleno sol ensinou-me mais que muitos museus. (Léger sobre o front da guerra)

O pintor normando Fernand Léger (1881-1955) iniciou seus estudos num colégio de Argentan, cidade onde nascera. De lá foi para uma escola religiosa em Tinchebray. Com a morte de seu pai, um criador de gado, ficou sob a responsabilidade da mãe e de um tio que, ao notar sua queda para o desenho, enviaram-no para a cidade de Caen, onde viria a estudar arquitetura, que sob seu ponto de vista era mais importante do que a pintura.

Léger seguiu para Paris quando contava com 19 anos de idade, indo trabalhar num estúdio de arquitetura, como desenhista. Ao ser recusado como aluno pela Escola de Belas-Artes, passou a estudar na Escola de Artes Decorativas. Infelizmente, não existem trabalhos deixados pelo artista referentes a tal período, pois ele destruiu tudo que obrara até 1905. E mais uma vez, Cézanne teve fundamental importância na vida de um artista. Léger encantou-se com seu trabalho, sendo-lhe fiel até o final de sua vida.

A composição “A Costureira”, criada em 1909, foi o pontapé inicial para a experiência cubista de Léger, a quem não agradava o Impressionismo. Em seu trabalho buscava simplificar o máximo possível as formas, fazendo uso de um traço resumido e da forma geométrica. Ficou amigo de Picasso e Braque. Aos 51 anos de idade tornou-se pintor exclusivo do marchand Kahnweiler, o que foi uma prova do reconhecimento de seu trabalho.

O artista foi convocado para participar da Primeira Guerra Mundial, encontrando no front os companheiros de infância. Mesmo nas trincheiras desenhou retratos, cenas e esboços de máquinas. Ao ser hospitalizado, após tornar-se vítima de gás, aproveitou para voltar a seus pincéis. E ao retornar da batalha pôs-se, com afinco e otimismo, a reunir o homem e a máquina em seu trabalho, usando a pintura como forma de falar desse mundo mecanizado de então. Também distanciou-se dos cubistas. O que interessava eram o motor, a engrenagem, o metal, etc., que lhe davam uma nova visão de mundo. A figura humana passou a ganhar vida nova, tornando-se compacta, forte e grande.

Fernand Léger também interessou-se por outros campos das artes plásticas e visuais.  Colaborou com o escritor Cendrars em “La Roue”, filme de Abel Gance. Após outras experiências cinematográficas dirigiu seu próprio filme, denominado “Ballet Mécanique”, cujos personagens são sapatos, garrafas, discos, olhos, pernas artificiais e um chapéu de palha. Nesse mesmo ano foi à Itália, e apaixonou-se pela obra dos pré-renacentistas, sobretudo por Cimbabue, sobre quem afirma: “Sua concepção arquitetural, seu sentido do belo volume, a rigidez anti-sentimental de seu traço fazem dele um precursor. É hoje muito mais moderno que muitos pintores que se dizem ‘modernos’.”.

Ao travar conhecimento com o arquiteto Le Corbusier, que lhe ensinou a noção sobre “espaço mural”, sua arte adquiriu um caminho direcionado para o “objeto utilitário”. O espaço ganhou novas dimensões e a composição tornou-se abstrata. Passou a criar murais. Tornou-se professor na Academia Moderna de Paris e fez inúmeras exposições em vários países. Com a chegada da Segunda Guerra Mundial foi para os Estados Unidos, onde chegou a dar aula na Universidade de Yale, entre outros trabalhos.

O fato é que Léger foi um artista de seu tempo, com sua arte representativa da era da máquina. Ele já antevia a difusão industrial, a mecanização do trabalho, a importância da obra coletiva, etc. Talvez como nenhum outro artista da época, pressentiu o quanto o trabalho em grupo seria importante dali para frente, tendo assim se expressado:

“Nós nos dirigimos para o trabalho coletivo, porque cada vez mais a vida coletiva chama-nos. A arte já sofre nítidas repercussões disso. A vida de cada sociedade influenciará a demanda pública. Essa demanda poderá ser o painel decorativo, a arte mural, a tapeçaria, as séries em gravuras e litografias, o vitral, a cerâmica, etc. O artesanato será revalorizado. Todo um vasto público começa a interessar-se por arte, é preciso que ela exista para todos os bolsos.”.

É uma pena que seu reconhecimento tenha sido tardio. O artista morreu aos 84 anos de idade.

Fonte de pesquisa
Gênios da Pintura/ Editora Abril Cultural

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Rubens – O JULGAMENTO DE PÁRIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição O Julgamento de Páris é uma obra do artista Peter Paul Rubens, o mais importante pintor flamengo do barroco. Ele fez diversas obras com esta mesma temática e título, variando a época de criação. Como exemplo podem ser vistas: a versão de 1599 na Galeria Nacional de Londres; a versão 1606 no Museu do Prado, Madrid; a versão 1606 na Academia de Belas Artes de Viena; a versão 1636 no Gemäldegalerie Alte Meister, Dresden.

 Em sua pintura Rubens usa como tema o mito grego sobre o julgamento feito pelo jovem Páris, ao pintar suas voluptuosas deusas. Elena Fourment, sua segunda esposa, foi provavelmente usada como modelo para as três deusas. A paisagem também era familiar ao pintor. Ele fez uso da cor para criar a ilusão de espaço, como podem ser vistas as colinas azuis brilhantes ao fundo e o céu que trazem a sensação de profundidade. Os tons de verde dominam a paisagem, mas os vermelhos e os marrons, em primeiro plano, parecem trazer a cena mais para perto do observador.

Segundo a lenda, Páris é convidado para ser juiz de um concurso de beleza entre as deusas Minerva (Athena), Juno (Hera) e Vênus (Afrodite), uma vez que Zeus (Júpiter) abriu mão de tal empreitada. Elas se desnudam para mostrar seus belos corpos ao jovem que se encontra à direita, vestido como um pastor em referência ao seu nascimento. Ele está sentado sobre uma pedra, segurando um cajado e a maçã de ouro. A seus pés descansa seu cachorro. O deus Hermes (Mercúrio), abraçado a uma árvore e usando seu chapéu alado, segura seu caduceu (bastão com duas serpentes enroscadas e duas asas na extremidade superior), ao observar o desenrolar da cena.

Vênus encontra-se de pé entre Minerva e Juno. Ela traz rosas (símbolo do amor) e pérolas enfeitando seus cabelos. Promete a Páris que, se for eleita, dar-lhe-á em casamento a mulher mais bela do mundo. Acaba sendo a escolhida. À esquerda de Vênus está Minerva — reconhecível pelo capacete no chão e o escudo às suas costas — mostrando uma imagem de Medusa, o monstro que ela ajudara matar. À direita está Juno, esposa de Zeus, usando um manto de veludo vermelho, com um pavão à frente, sua ave favorita. Na extrema esquerda, o pequeno Cupido, agachado, com sua aljava a tiracolo, parece brincar.

Alecto — a Fúria — com o braço esquerdo estendido e uma serpente enrolada em sua mão é vista em meio a violentas nuvens, indicando que o julgamento terá consequências. Ela também pode ser Éris, a deusa que personifica a discórdia e o caos. Além do cão, da serpente e do pavão, muitas ovelhas são vistas na cena.

Vênus cumpriu sua promessa dando a Páris, como esposa, a mulher mais linda do mundo:  a famosa Helena de Troia que era casada com o rei Menelau. Com a ajuda da deusa, Páris fugiu com Helena, dando origem à guerra entre gregos e troianos.

Ficha técnica
Ano: c. 1632/35
Técnica: óleo sobre painel de carvalho
Dimensões: 145 x 188,5 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.visual-arts-cork.com/famous-paintings/judgement-of-paris-rubens.htm

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Claude Lorrain – O CASAMENTO DE ISAQUE E REBECA

Autoria de Lu Dias CarvalhoEsta é uma paisagem para ver e ouvir. Lorrain estimula os ouvidos, além de deliciar os olhos. Há toques musicais bem explícitos: o som das cachoeiras, de música, dos pandeiros dos dançarinos, o mugir do gado, o barulho dos cascos dos cavalos e o murmúrio das vozes. (Robert Cumming)

A composição denominada O Casamento de Isaque e Rebeca, também conhecida como O Moinho ou também Paisagem com casamento, é uma obra clássica do pintor francês Claude Lorrain (1600-1682), cujo sobrenome era Gellée, mas que se tornou conhecido como “Le Lorrain”, em razão do local de seu nascimento – Lorena. Foi aluno de Agostino Tassi, em Roma. Estudou também com Gottfried Slas, que era pintor de arquitetura e paisagens, quando esteve em Nápoles. Tornou-se um famoso paisagista, inspirando, mais tarde, no estilo de Nicolas Poussin, porém era mais lírico e romântico em seu trabalho.

Esta paisagem, cena arcádica generalizada, parece um sonho idílico, um paraíso terrestre em que homem e natureza vivem na mais perfeita harmonia. Por ter sido criada numa época em que o gênero da paisagem pura não era um tema específico para uma pintura, sendo nitidamente não clássica e secular, o artista, para dar um viés mais artístico e intelectual à sua obra, foi buscar no Velho Testamento um assunto religioso, coisa que hoje seria totalmente desnecessária, tamanha é a beleza desta paisagem que nos convida a adentrar pelo quadro, visitando os mais diferentes e aprazíveis lugares (caminhos, cascata, montanhas, etc.) e ali permanecer por horas a fio. Mesmo na época em que viveu, o artista já  era aclamado por suas belíssimas paisagens, embora não recebesse críticas semelhantes em relação às figuras humanas.

Presente à cena estão várias pessoas com vestes camponesas que participam de um piquenique. Algumas conversam animadamente em grupos, sentadas ou observando o casal que dança e toca. O grupo de mulheres com uma criança ao colo  encontra-se mais no centro do gramado. À direita, debaixo de frondosas árvores, um segundo grupo posiciona-se ao lado da comida e das bebidas. Ali se encontra uma jovem sentada, com a mão direita no rosto, enquanto segura delicadamente três flores brancas. Ela parece alheia, embevecida com a paisagem que vê à sua frente. Outras pessoas chegam, a pé ou a cavalo, pela esquerda.

A paisagem, obra criada no ateliê do artista, apresenta longas sombras douradas em primeiro plano que fazem contraste com as áreas distantes, ainda banhadas pela névoa. Lorrain muitas vezes visitava os campos em volta de Roma, estudando a natureza e fazendo desenhos para usar em suas paisagens. Podemos ver a deslumbrante técnica do artista ao observarmos as folhagens do grupo de árvores altas e escuras à direita. Além de emoldurar a paisagem, este grupo leva o olhar do observador para dentro da obra, destacando o maravilhoso plano intermediário. E para reforçar a ilusão de distância em sua obra, fez uso de tons azuis frios, indicativos de afastamento. Ao contrário destes, os tons marrons e detalhes quentes em vermelho, presentes no primeiro plano, dão a sensação de proximidade. A água corrente, presente em três lugares, preenche um grande espaço na obra, trazendo a sensação de frescor: a cachoeira presente nos rochedos à esquerda, os dois níveis do lago e o moinho d’água perto da torre.

No toco de uma árvore, na parte central da composição, há uma inscrição com o título “Casamento”, daí derivando o título do quadro,  podendo ter sido uma brincadeira do pintor, uma vez que não existe noivo ou noiva. A sua única ligação com a história bíblica de Isaque e Rebeca é esta inscrição. A preocupação do pintor era com o local onde se passava o piquenique. Todo o resto serve apenas de adendo à paisagem. Outra versão desta pintura, mas sem a inscrição, é chamada de “O Moinho”.

Muitas cenas são vistas em meio à paisagem: pessoas chegando a cavalo, um homem tangendo gado, uma mulher levando água num pote sobre a cabeça, um homem capinando a terra, pessoas conversando, um casal dançando, barcos navegando, uma pessoa no fundo do moinho, etc. Além da relva verde, das árvores e da água, montanhas azuladas aparecem no fundo da pintura. Três barcos são vistos no lago.

Ficha técnica
Ano: 1648
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 149 x 196,5 cm
Localização: Galeria Nacional, Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Arte em detalhes/ Robert Cumming
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.picnicwit.com/themes/landscape-with-the-marriage-of-isaac-and-rebecca-

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