Autoria do Dr. Telmo Diniz

A preguiça gasta a vida, como a ferrugem consome o ferro. (Marques de Maricá)
“Preguiça” é uma palavra que vem do latim “pigritia” e que pode ser definida simplesmente como uma indisposição para o trabalho. Entretanto, a palavra pode ser usada sempre que uma atividade qualquer não é interessante a uma determinada pessoa. Hoje, nós vamos falar sobre a terrível preguiça de fazer atividades físicas.
Uma Pesquisa Nacional de Saúde feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, afirma que quase metade dos adultos no Brasil (46%) não faz nenhum tipo de exercício. Aderir e manter uma atividade física ao longo da vida é algo que depende, basicamente, de dois aspectos: desejo e necessidade. Sendo a primeira a parte mais difícil.
A preguiça em movimentar o corpo não é privilégio de nós, seres humanos. Os animais, por exemplo, não gastam energia à toa. No zoológico, você jamais encontrará uma onça dando um pique para melhorar sua condição cardiorrespiratória, um gorila levantando peso, ou ainda uma girafa correndo, simplesmente, para melhorar a forma física. O “bicho preguiça”, então, nem preciso comentar. A escassez de alimentos na natureza fez com que os animais adotassem a estratégia de reduzir o desperdício de energia ao mínimo possível. E nós seguimos o mesmo caminho. Os índios, por exemplo, só gastam energia durante as caçadas e durante a atividade sexual. O resto do dia é só na rede. A necessidade de poupar energia alterou o nosso metabolismo, fazendo com que toda a caloria ingerida em excesso seja, necessariamente, armazenada em forma de gordura. Daí a necessidade de fazer atividades físicas.
Especialistas da área argumentam que não praticar exercícios físicos é como ter um mau hábito, ou seja, se você não pratica nada nunca, então nunca fará nada. É simples assim! Este ciclo vicioso deve ser quebrado. Informam ainda que, para quebrar um hábito ruim, seriam necessários cerca de 30 dias. Portanto, a pergunta que fica é: você seria capaz de fazer exercícios durante um mês seguido, sem faltar uma única vez? Este é o desafio à preguiça. Então, quais seriam os passos a serem dados para deixar estes 30 dias menos penosos? Antes de qualquer coisa, você deve saber que tipo de atividade física poderá ser feita, e com qual intensidade. Para tanto, uma visita ao médico se faz necessária. Feito isso, estabeleça metas e objetivos claros que deseja. Seja ele perder peso, melhorar sua resistência ou a qualidade de vida. Dessa forma, poderá focar e alcançá-lo de forma mais assertiva.
Estabeleça o peso em que deseja chegar e ou as condições físicas que deseja atingir. Não exija mais do que seu corpo possa aguentar. Isso poderá ser o início do fracasso do projeto. Inicie de forma lenta e progressiva. Lembre-se de que dois corpos preguiçosos podem se ajudar mutuamente. Portanto, chamar um companheiro (a) pode ser de grande auxílio. Enfim, escolha o exercício que gosta de fazer. Não combata a preguiça com atividades físicas pelas quais você não tem interesse. Isso certamente não irá durar. Saiba que sem atividades físicas o corpo vai literalmente enferrujando, com aterosclerose para as artérias e artroses para as articulações.
O escritor e filósofo brasileiro Marques de Maricá descreveu bem sobre o tema: “A preguiça gasta a vida, como a ferrugem consome o ferro”.
Ilustração: obra do pintor russo Leonid Afremov
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