Gauguin – QUANDO VOCÊ SE CASARÁ?

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Gosto de toda a felicidade dos seres humanos de vida livre e dos animais. Fujo do artificial e entro na natureza: com a certeza de um amanhã similar a hoje, tão livre e tão belo, a paz vem a mim. Minha vida corre naturalmente e não tenho mais pensamentos vazios. (Gauguin)

A composição denominada Quando te casas? ou Quando Você se Casará? é uma obra do artista francês Paul Gauguin, que procurava na índole índia o primitivo, uma vez que o essencial, para ele, era o valor simbólico das linhas, que indicavam a estrutura primária da realidade. Ele não mais se prendia à simples imitação da natureza. Assim, acabou por abraçar uma nova concepção pictórica: o sintetismo, em que as formas são simplificadas, sendo a ideia mais importante do que a realidade. Passou a usar linhas grossas e traços escuros que delimitam as formas, criando compartimentos de cor.

A obra acima, feita no Taiti, encontra-se entre as 50 pinturas mais famosas do mundo. À época em que foi vendida, fevereiro/2015, transformou-se na obra de arte com o maior valor pago até então, em todo o mundo. Foram cerca de 300 milhões de dólares.

O quadro Quando Você se Casará? foi pintado por Gauguin durante a sua primeira permanência no Taiti. Ele apresenta duas nativas taitianas. Sua pintura traz as características do primitivismo: cores intensas, perspectiva distorcida e figuras lisonjeiras. A mulher que se encontra em primeiro plano está vestindo trajes típicos do Taiti, inclusive traz uma flor no cabelo negro, repartido ao meio. A outra, ao fundo, usa um vestido com gola alta e mangas compridas, sentada numa postura mais comedida, mostrando a influência missionária recebida. Mais ao fundo, em meio ao capinzal, são vistas duas figuras masculinas, com seus chapéus de palha. A cor amarela é predominante na pintura.

Ficha técnica
Ano: 1892
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 101,5 x 77,5 cm
Localização: coleção particular

Fonte de pesquisa
http://www.nytimes.com/2015/02/06/arts/design/gauguin-painting-is-said-to-fetch-nearly-

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Rembrandt – FLORA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Flora é uma obra mitológica do pintor holandês Rembrandt.

Flora é a deusa das flores, dos jardins e da primavera na mitologia romana, recebendo o nome de Clóris, na mitologia grega. Era muito festejada quando chegava a primavera, recebendo a sua festividade, na Roma antiga, o nome de Floralia, quando se celebrava a renovação do ciclo da vida. Ela se encontra presente na obra de vários artistas, inclusive na “Primavera” e no “Nascimento de Vênus”, composições do artista italiano Sandro Botticelli, conhecidas em todo o mundo.

A deusa Flora, debaixo de uma luz dourada, encontra-se sobre um fundo escuro. Com o corpo em perfil, seu rosto está voltado para o observador, sem, contudo, fitá-lo. Seus olhos parecem perdidos no tempo.

Saskia, a esposa holandesa de Rembrandt, vitimada pela tuberculose aos 30 anos de idade, serviu de modelo para esta pintura. Ela tem nos cabelos uma profusão de flores diferenciadas, pintadas com esmero. Na mão direita traz uma vara ornada com folhas e flores, representando a floração, enquanto segura seu manto com a outra. Sua vestimenta lembra os trajes orientais, onde predominam a beleza da textura e a opulência. Ela usa brincos de pérola. Para muitos, Rembrandt preocupou-se muito mais em pintar sua esposa amada, Saskia, vestida como uma deusa mitológica, como num retrato, do que representar a deusa da primavera.

Ficha técnica
Ano: 1634
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 125 x 101 cm
Localização: Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Fontes de pesquisa
Rembrandt/ Coleção Folha
http://www.artehistoria.com/v2/obras/141.htm

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O OFTALMOLOGISTA, A CRIANÇA E PAPAI NOEL

Autoria do Dr. Ivan T. Large

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Os pensamentos cavalheirescos deste Dom Quixote são bruscamente interrompidos pela invasão barulhenta de um jovem bárbaro. Neste momento, a tranquilidade da minha sala de consultas está sendo ameaçada pelos olhos furibundos de um menino de quatro anos.

É o Bruno! Camisa aberta, ele expõe, sobre uma barriga proeminente, os restos de biscoitos da sua mais recente refeição, como um leão exibindo orgulhosamente sobre sua juba, os vestígios ensanguentados da sua última presa. Entra, arrastando a mãe como uma prisioneira submissa e resignada. Ocupa uma das cadeiras na frente da minha mesa, como se fosse o seu trono. Mas não fica sentado por muito tempo. E hora de tomar posse da minha sala. Conquistador vitorioso, vai de um canto ao outro, inventariando tudo que encontra no seu caminho, perguntando sem parar; “O que é isso? O que é isso?”

Entre uma interrupção e outra de nosso inquisidor, a mãe me explica que, desde que Bruno começou a frequentar o jardim de infância, reclama que não entende nada do que a professora (pobre professora!) escreve no quadro. É imperativa a realização de um exame oftalmológico minucioso. Mas, como explicar ao meu paciente que esse exame requer a sua colaboração, tão ocupado, que está neste exato momento, em revirar uma gaveta contendo, por acaso, alguns instrumentos de extrema delicadeza? Tentar acalmá-lo por argumentos lógicos seria pura ingenuidade.

Em vez de me aventurar pelas vias cartesianas, escolho os caminhos hedonísticos: preciso achar um jeito de canalizar esta energia transbordante e conduzi-la através das diversas etapas do exame, disfarçando-as em atividades lúdicas. Simples, não? Pego a minha vara mágica debaixo da minha mesa, pronuncio as palavras apropriadas ao encanto desejado. E pronto! A minha sala austera transforma-se num alegre parque de diversões. O exame em que, a fim de testar a visão de um olho de cada vez, eu preciso tampar o outro olho, vira uma engraçada brincadeira de pirata. Depois, Bruno segue alegremente com o olhar, um pequeno avião que eu faço voar na sua frente, descrevendo incríveis acrobacias. E lá se foi, numa boa, o exame dos movimentos oculares.

A minha lanterninha faz o papel de uma perigosa arma a raio laser, e o aparelho, munido de uma lâmpada, que eu coloco na minha cabeça para examinar o fundo do olho, é de fato o capacete de um poderoso herói de desenhos animados. Neste momento, Bruno está olhando dentro de um aparelho computadorizado, uma pequena casa vermelha no final de uma estrada. Esta casa tem o propósito de captar a atenção do examinando, a fim de manter o seu olhar fixo durante a realização do exame. A fim de aguçar o interesse dos mais jovens, eu costumo atribuir a possessão deste imóvel a diversos personagens como Chapeuzinho Vermelho, os Três Porquinhos ou a Bela Adormecida, dependendo do gosto literário do pequeno paciente, que fica esperando, apreensivo, a aparição do lobo mau ou da bruxa malvada, enquanto aproveito cinicamente para levar a termo o meu exame.

Como estamos na época do Natal, resolvo nomear a intenção do Bruno como sendo Papai Noel, proprietário da casa vermelha. A fim de ser bem convincente e sem medo do ridículo, imito, escondido atrás do aparelho, a risada característica do bom velhinho, O meu plano maquiavélico não poderia funcionar melhor, e posso constatar, pelo resultado, que já apareceu na tela, que o Bruno terá que usar óculos com grau elevado. Ainda dissimulado, decido então a imitar a suposta voz de Pai Noel.

– Meu pequeno Bruno, eu vou te trazer um par de óculos muito lindos para o Natal!

A oferta não parece agradar ao pequeno que, do outro lado do aparelho, começa a gritar furioso:

– Óculos, não! Óculos, não! O que eu quero é um trator!

Você tem razão, meu caro amigo, de reclamar com tanta veemência contra este Papai Noel enganador, contra este conto que não tem o final feliz esperado, e, que parece até querer imitar a vida real. Mesmo assim, eu te desejo um feliz Natal e espero que enxergues com olhos melhores, neste Ano Novo e nos numerosos outros que a vida te reserva, através destes óculos que eu te receito com todo o meu coração.

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Rubens – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada A Anunciação é uma obra do pintor barroco Peter Paul Rubens, o mais importante de todos os pintores flamengos do século XVII. O artista barroco pinta a Virgem Maria recebendo a visita do anjo num ambiente bastante requintando. Estão presentes na pintura os elementos mais tradicionais da Anunciação:

• a virgem Maria
• o anjo Gabriel
• o Espírito Santo

Maria encontra-se suntuosamente vestida como uma verdadeira rainha. Ela usa um vestido branco, cor da pureza, com um manto azul sobre ele. Um cortinado vermelho, atrás dela, põe em destaque o seu rosto. Antes da chegada do anjo ela estava ajoelhada em seu genuflexório, conforme testemunha seu livro de orações aberto, sobre o qual detém sua mão esquerda. De pé, virada para o anjo, ela o saúda com a mão direita. Seu rosto está ruborizado. Seu corpo levemente inclinado para trás mostra a sua surpresa diante da presença do anjo.

O anjo Gabriel que se ajoelha diante de Maria também está ricamente vestido. Tem cabelos dourados e a pele branca. Usa uma túnica cinza azulada e um manto dourado que se espalha sobre suas possantes asas. Um de seus pés descalços encontra-se à vista. Ele olha suplicante para a Virgem, como se lhe pedisse para aceitar a incumbência que lhe traz. Com a mão direita em saudação direcionada a Maria, ele leva o observador a dirigir seu olhar para ela.

O Espírito Santo em forma de uma pomba branca encontra-se centralizado na parte superior da pintura, jogando sobre Maria os sete raios de ouro (os dons do Espírito Santo: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus). Dois pequenos anjos estão à sua direita e três à esquerda.

A virgem é uma mulher jovem e bela, parecida com as deusas mitológicas pintadas pelo artista. Ela se veste de acordo com a nobreza da época do pintor. Tanto ela quanto o anjo Gabriel são robustos, tipicamente barrocos. A pintura é um misto de cores, luz e movimento.

Ficha técnica
Ano: c. 1609 -1610
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 224 x 200 cm
Localização: Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Rubens/ Taschen
http://caravaggista.com/2011/12/the-annunciation/

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Rubens – VÊNUS E ADÔNIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Vênus e Adônis é uma obra do pintor barroco Peter Paul Rubens, o mais importante de todos os pintores flamengos do século XVII. Rubens tinha na mitologia um de seus principais temas.

Na composição, Vênus tenta impedir o jovem Adônis de partir para a caça, com medo de que ele seja morto por algum animal selvagem. A deusa do amor e da beleza, nua, trazendo apenas um véu branco na perna direita, mas que lhe cobre a púbis, encontra-se de frente para o observador, agarrada ao moço. Os seus cabelos revoltos mostram a sua ansiedade e preocupação com o rapaz.

Adônis — o vigoroso amante de Vênus — de costas para o observador, usando uma túnica vermelha, traz a cabeça virada para a deusa. Sua mão direita toca-lhe a perna, enquanto na esquerda traz uma lança. Sua postura é a de quem se encontra firme em sua decisão de partir, sem se importar com os rogos da amante. Sua pele mais escura contrasta com a brancura da pele de Vênus. Dois enormes cães à frente do jovem mostram-se ansiosos para partir.

Cupido, o deus do amor, filho de Vênus com Marte, agarra, com os dois bracinhos a perna direita de Adônis, tentando impedi-lo de partir para a caça. Ele olha sério para a cabeça do moço. Atrás de si estão seus atributos: o arco e a aljava cheia de setas. A cena acontece debaixo de uma grande árvore. Ao fundo, vê-se uma tranquila paisagem.

Segundo o mito, Cupido, o deus do amor, filho de Vênus, fez com que sua mãe acabasse se apaixonando pelo jovem e intrépido Adônis. A deusa receava que ele pudesse ser morto por um animal selvagem, mas ele em sua altivez não se deixou guiar por seus conselhos. Queria provar a si mesmo que seria capaz de obter a caça que quisesse. E foi assim que acabou sendo morto por um javali. Para consolar-se de sua imensa dor, Vênus transformou o sangue de Adônis numa flor parecida com a romã, conhecida por anêmona ou flor-do-vento.

Ficha técnica
Ano: 1636-1638
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 197,5 x 243 cm
Localização: Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.

Fontes de pesquisa
O Livro de Ouro da Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM
http://www.wga.hu/html_m/r/rubens/23mythol/42mythol.html

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Rubens e Jan Bruegel, o Velho – ALEGORIA DA VISÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

ALVIS

A composição, denominada Alegoria da Visão foi feita numa parceria entre Peter Paul Rubens e Jan Bruegel, o Velho. Trata-se de uma das alegorias referentes à série sobre “os cinco sentidos”, feitas por esses dois grandes mestres da pintura e grandes amigos, ficando um responsável pelas configurações e o outro pelas figuras humanas. As pinturas sobre os cinco sentidos, no século XVII, eram muito apreciadas. A visão, desde o tempo do filósofo Aristóteles, era tida como o mais importante dos sentidos. Para Aristóteles, os sentidos eram a base do conhecimento humano, enquanto o cristianismo via-os como suspeitos, responsáveis pelos pecados do homem.

Jan Bruegel era um exímio pintor de miniaturas, tendo herdado esse talento de sua avó, importante miniaturista. Peter Paulo Rubens, por sua vez, era um perfeccionista na arte de pintar figuras humanas. Os dois fizeram vários trabalhos em parceria, produzindo obras belíssimas, como a que vemos acima. Este tipo de interação entre os artistas era muito comum em Antuérpia, nas duas primeiras décadas do século XVII, tendo Rubens feito uso de tal prática em algumas de suas obras.

Ao retratar o sentido da visão, Rubens e Bruegel apresentam uma figura feminina, Vênus, a deusa da beleza e do amor, seminua, com um manto azul cobrindo parte do corpo, assentada numa banqueta, tendo à frente um quadro de simbologia cristã, denominado “A Cura de um Homem Cego”, seguro por Cupido, o deus do amor. Na pintura, vista por mãe e filho, Jesus recupera a visão de um cego, aludindo ao tema da figura.

O ambiente visto na composição está ricamente decorado com quadros, bustos e estatuetas da antiguidade clássica, objetos de arte e inúmeros instrumentos científicos, como astrolábio, luneta, globo terrestre, compasso, etc., alusivos à astronomia e às ciências naturais. A maioria dos elementos que faz parte da decoração está relacionada com o sentido da visão, como por exemplo, as pinturas de diferentes gêneros, incluindo obras dos autores da composição. Ali se encontra até mesmo um quadro de Santa Cecília (próximo aos bustos), tida como a patrona da visão. Dentre as pinturas, a que mais chama a atenção é um quadro denominado “A Virgem com o Menino”, posicionado na parte inferior direita do painel, produzido pelos dois pintores, onde mãe e filho encontram-se circundados por uma guirlanda floral.

Um corredor, à direita, na composição, pintado com cores mais apagadas, traz sua parede direita e teto repletos de afrescos e quadros, enquanto várias estatuetas encontram-se espalhadas pelo chão. Uma rosácea na parede frontal joga luz no ambiente. À esquerda, uma enorme porta em arco, com adornos clássicos, abre-se para um imenso jardim, onde se veem aves exóticas, e encontra-se o Palácio Mariemont, morada de Alberto e Isabel. Uma águia ou um gato, assim como um espelho, era o código aliado ao sentido da visão, entretanto, aqui se encontram um macaco e um cão. A águia, vista na pintura, ornamenta o lustre.

Especula-se que Alberto, arquiduque da Áustria, e sua esposa Isabel foram os responsáveis pela encomenda da série sobre os sentidos, uma vez que muitos pormenores vistos nos quadros são referentes a eles. Nesta pintura, em especial, eles estão presentes num retrato, na parte inferior esquerda da composição, sendo que Alberto também é visto sobre um cavalo, atrás da figura alada. Acima do lustre, está uma águia de duas cabeças, símbolo dos Habsburg.

Ficha técnica
Ano: 1617-1618
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 65 x 110 cm
Localização: Museu Nacional do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=https
www.scienceshumaines.com/les-cinq-sens-une-alleg…

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