Domenichino – O TORNEIO DE TIRO DE DIANA

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Domenico Zampieri (1581 – 1641), apelidado de Domenichino (pequeno Domenico), foi um dos mais famosos sucessores de Ludovico Carracci com quem estudou. Trabalhou com Annibale Carraci. Além desses dois pintores foi também influenciado por Correggio, Rafael e Caravaggio. Seu estilo independente tinha tudo a ver com a claridade e a monumentalidade da pintura clássica. Após a morte de seu mestre Annibale Carraci, veio a tornar-se o mestre da pintura paisagista de Bolonha. Suas obras (afrescos e retábulos) tratavam de temas mitológicos e religiosos.

A composição intitulada O Torneio de Tiro de Diana, também conhecida por A Caçada de Diana, ou ainda Diana e Suas Ninfas, é uma obra-prima do artista, tendo recebido influência da “Bacanal” de Ticiano (pois fora encomendado para ser uma continuação dessa obra) e também por Correggio. É tida como uma das mais belas e harmônicas composições com tema mitológico do século XVII. Ilustra uma passagem da obra “Eneida” de Virgílio, em que entram sutis alusões simbólicas.

A deusa da caça Diana, vestindo uma túnica amarela, encontra-se em meio ao grupo principal de ninfas que participam de um torneio de tiro aos pombos. Ela as observa disparando as flechas. A primeira acerta um poste, enquanto a segunda passa ao lado da ave que serve de alvo. A terceira ninfa acerta o pássaro na cabeça, o que motiva a deusa a erguer os braços, mostrando o primeiro prêmio: um aro de ouro. Ela também traz nas mãos seu arco e sua aljava. Uma criada, à sua direita, apresenta os demais prêmios, suspensos no topo de uma vara.

Acteon, o caçador, encontra-se à direita, entre as árvores, aguardando o momento em que Diana irá tomar seu banho, nua. Um dos cães de Diana, contido por uma ninfa, mostra-se extremamente agitado, tentando agarrar o intruso, enquanto o outro bebe água. Duas jovens ninfas, em primeiro plano, banham-se no pequeno rio. Uma delas aponta para longe. Ao fundo desenrola-se uma paisagem com gramados verdes e montanhas acinzentadas, onde são vistas várias figuras humanas. Duas delas trazem um veado morto, numa vara.

O artista chama a atenção em sua pintura, sobretudo, pela harmonia da composição, pela intimidade da atmosfera e pela monumentalidade das figuras e posição. O colorido cinzento-esverdeado da paisagem é outro ponto de grande beleza. A junção de tais características seria muito importante para os artistas vindouros como princípios de composição. A pintura repassa um momento de extremada harmonia entre todas as figuras.

Ficha técnica
Ano: c. 1617
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 225 x 320 cm
Localização: Galleria Borghese, Roma, Itália

Fontes de pesquisa
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal
1000 obras-primas da pintura europeia/ Köneman
Mitologia/ Thomas Bulfinch

https://www.wga.hu/html_m/d/domenich/1/diana.htm

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Picasso – RAPAZ COM CACHIMBO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Uma noite, Picasso abandonou a companhia de seus amigos e seu discurso intelectual. Retornou a seu ateliê, posicionou-se de frente à tela que havia abandonado um mês antes e coroou a figura do jovem aprendiz com uma grinalda de rosas.”. (André Salmon)

A composição denominada Rapaz com Cachimbo é uma obra-prima do pintor espanhol Pablo Picasso, pintada quando ele tinha 24 anos de idade. Faz parte de seu “Período Rosa”. Encontra-se entre as 50 pinturas mais famosas do mundo, em razão de ter sido leiloada por um preço exorbitante à época.

Dois dos mais íntimos amigos de Picasso, Max Jacob e Apollinaire, nutriam grande admiração por Arthur Rimbaud, poeta homossexual. E foi em razão desse arrebatamento visto nos dois, que o artista resolveu fazer esta pintura. Para alguns, Picasso inspirou-se no poema de Paul Verlaine, “Crime Amoris”, dedicado a seu amante Rimbaud. Como modelo para sua tela, o pintor escolheu Louis, um jovem de Montmatre.

O rapazinho, todo vestido de azul, toma grande parte da tela, quase atingindo a margem superior. Encontra-se assentado, com as pernas abertas, sendo vistas apenas parte delas. De seu cabelo desce na testa uma pequena mecha, em forma de vírgula, como se estivesse a assinalar seu olhar vago. Sua cabeça está envolta por uma bela coroa de rosas vermelhas.

Ele segura o banco (ou cadeira) com a mão direita, enquanto leva, na esquerda, um cachimbo, próximo ao peito. O cachimbo está relacionado com o uso de ópio ou haxixe. O pintor relaciona a iluminação do rosto com a mão a segurar o cachimbo, mostrando uma conexão entre ambos, ou seja, o uso de drogas.

A expressão do rapaz expressa feminilidade e masculinidade ao mesmo tempo, o que é próprio de sua fase de adolescente. Seu olhar parece distante e indiferente. O fundo colorido da composição deixa a palidez de sua pele ainda mais destacada. Embora a vestimenta do jovem seja simples, mais parecida com a de um trabalhador, o fundo da pintura é belamente adornado com arranjos florais.

Antes de chegar a esta pintura final, Picasso fez vários estudos, posicionando o rapazinho nos mais diferentes tipos de pose (de pé, sentado, encostado na parede, etc). Quase nada se sabe sobre o garoto que serviu de modelo.

Ficha técnica
Ano: 1905
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 100 x 81,3
Localização: Coleção particula, Nova York, EUA

Fontes de pesquisa
Picasso/ Coleção Folha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gar%C3%A7on_%C3%A0_la_Pipe
http://www.galleryintell.com/artex/garcon-la-pipe-boy-pipe-pablo-picasso/

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Klimt – DÂNAE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Dânae é uma obra do modernista austríaco Gustav Klimt, que toma como tema o mito grego sobre a princesa Danae. Vários pintores sentiram-se inspirados por essa temática mitológica, como Rubens, Rembrandt, Ticiano, Correggio, Tintoretto, etc.

O pintor limitou-se a pintar Dânae no ato da fecundação, abrindo mão da iconografia clássica, que até então acompanhava a obra dos outros artistas. Sua Dânae é vista em pleno gozo, após ser fecundada por Zeus (Júpiter), o deus dos deuses.

O corpo nu da princesa, com seus longos cabelos ruivos, em postura fetal, ocupa a maior parte da tela, em diagonal, numa alusão à maternidade e à fertilidade universal. Apenas seu seio esquerdo encontra-se à vista. Seus olhos fechados, as narinas abertas, as maçãs do rosto vermelhas, a mão tensa e a boca entreaberta denotam o êxtase do orgasmo. Véus escuros, com estamparias douradas, assim como um halo verde cingem-na, acariciando sua pele branca, como referência à sua linhagem imperial. Por entre suas coxas, em direção à região púbica, cai uma forte chuva de ouro. A mão esquerda, que se esconde entre as pernas abertas, mostra que Dânae masturba-se, enquanto recebe a chuva de ouro.

Segundo o mito, a bela Dânae era filha do rei Acrísio, que ambicionava ter um filho, para sucedê-lo. Assim, resolveu consultar o oráculo de Delfos sobre a chegada de um menino. Contudo, a resposta recebida deixou-o profundamente preocupado. Segundo a predição do oráculo, ele seria morto por seu próprio neto, ou seja, pelo filho de Dânae, sua única filha. Temeroso, Acrísio aprisionou a princesa numa torre, muito bem vigiada, para que ela não tivesse contato com nenhum humano ou divindade, e viesse a gerar um filho.

Zeus (Júpiter) que sempre traíra a esposa Hera (Juno), viu-se apaixonado pela princesa Dânae e, para ter acesso a ela, transmutou-se numa chuva de ouro, que se entranhou por uma rachadura no teto, engravidando-a. Ela viria a dar à luz o herói Perseu, responsável por matar a Medusa. Ao tomar conhecimento do acontecido, o rei ordenou que mãe e filho fossem postos numa arca, bem fechada, e jogados ao mar. Quis o destino que a arca fosse encontrada por um pescador, que levou ambos ao rei de seu país, Polidectes, que os recebeu com muita alegria. O resto do mito encontra-se no blog, em MITOS E LENDAS.

Ficha técnica
Ano: 1907/1908
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 77 x 83
Localização: Coleção privada, Graz, Áustria

Fontes de pesquisa
Klimt/ Coleção Folha
http://www.gustav-klimt.com/Danae.jsp

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Dalí – CONSTRUÇÕES MOLES COM FEIJÕES COZIDOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Embelezei essa estrutura macia da grande massa de carne em guerra civil com feijões cozidos, pois era inimaginável engolir toda aquela carne inconsciente sem a presença, por pouco atraente que fosse, de algum farináceo e melancólico vegetal. (Salvador Dalí)

A composição denominada Construções Moles com Feijões Cozidos – Premonição da Guerra Civil, é uma obra do pintor espanhol Salvador Dalí. Segundo ele, tratava-se de uma alusão à Guerra Civil Espanhola. Como o quadro fora feito antes de a guerra começar, ele diz que a pintura foi fruto de sua intuição. Coisas do vaidoso Dalí.

Em sua obra, Dalí apresenta um corpo humano andrógino e monstruoso, que, desconjuntado, forma uma figura bizarra e amedrontadora, que se estrangula, chamando a atenção para a autodestruição da Espanha. Ele traz as proporções do contorno do país espanhol. Pelo chão está espalhadas as vísceras.

O monstro encontra-se numa região desértica, propícia para sua destruição. Um armário serve de sustentação para seu corpo deformado. À esquerda, uma gigantesca mão esmaga um seio, enquanto à direita, um pênis flácido jaz sobre um coto da coxa. Essa figura caótica possui mãos e pés descarnados e petrificados. Sua cabeça sustenta-se sobre os músculos retorcidos do pescoço. O rosto apavorante mostra, ao mesmo tempo, um esgar de vitória e maldade, lembrando a obra de Goya, denominada “Saturno Devorando o Filho”. Na mitologia, Saturno é o deus da destruição, o promotor da guerra.

À esquerda, em tamanho diminuto, uma figura humana é vista. Alguns dizem que se trata de um burguês chinês supervisionando o solo, tendo sido retirada de um livro ilustrado, e inserida na pintura via colagem. Para outros trata-se de um médico que vistoria um corpo agonizante.

Os feijões, nesta obra alegórica, aparecem em primeiro plano, espalhados sobre o chão, dando a impressão de que substituem as formigas, tão presentes na obra do pintor. O próprio Dalí justificou a presença dos grãos dando uma explicação bem bizarra (ver acima em negrito).

A referência de Dalí à guerra espanhola é vista por alguns como oportunismo, pois logo no início dessa, ele e sua esposa Gala abandonaram a Espanha, ficando especialmente na França e na Itália. Além disso, ele nunca foi comprometido com as questões políticas e ideológicas, sendo por isso muito criticado pelos surrealistas, que se colocavam como revolucionários de esquerda. Outra fato que leva a justificar o seu oportunismo foi o acréscimo feito ao título de “Premonição da Guerra Civil”, depois de a guerra ter se iniciado, sendo que a obra foi terminada seis meses antes. Ele ainda dizia que se tratava de uma profecia “daliniana”.

Esta pintura encontra-se entre as 50 mais famosas do mundo.

Ficha técnica
Ano: 1936
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 101,3 x 100 cm
Localização: Philadelphia Museum of Art, Filadélfia, EUA

Fontes de Pesquisa:
Dalí/ Coleção Folha
Dalí/ Abril Coleções
https://www.google.com.br/#q=Dal%C3%AD+%E2%80%93+beans

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Klimt – O FRISO DE BEETHOVEN

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada O Friso de Beethoven é uma obra do modernista austríaco Gustav Klimt, tendo sido pintada diretamente sobre as paredes, com o uso de materiais leves, para ser apresentada na 14ª Secessão de Viena, Áustria, por ocasião de uma homenagem feita ao compositor Ludwig van Beethoven, da qual participavam 21 artistas. A peça central da exposição era uma escultura dedicada a Beethoven, feita por Max Klinger, que ocupava o centro da mostra. Nela, o gênio da música era visto como Zeus (Júpiter) o todo poderoso deus do Olimpo. Em uma das salas da exposição, Klimt apresentou sua obra, que ocupou três paredes. Ela foi inspirada na interpretação que o compositor Richard Wagner fez da “9ª Sinfonia de Beethoven”, em que se celebra o anseio da humanidade na busca pela felicidade.

O Friso de Beethoven trata-se de uma pintura alegórica, que versa sobre a busca da felicidade em meio a um mundo de tanta atribulação, tendo a humanidade que conviver não apenas com o mal à sua volta, mas também com as mazelas que se encontram dentro de si, ou seja, com suas próprias fraquezas. Ao final, depois de passar por tanto sofrimento, a humanidade encontra a arte, a única capaz de levá-la para um reino ideal, onde se encontram a alegria verdadeira, a felicidade e o amor puro. A obra de Gustav Klimt é dividida em três painéis:

• A Aspiração à Felicidade
• As Forças Inimigas
• Alegria, Nobre Centelha Divina

Análise do painel sobre “As Forças Inimigas” (pintura ilustrativa)

Trata-se do mais complexo e colorido dos painéis. Tifeu, o gigante, é a figura principal. Aqui está representado na forma de um gigantesco macaco – que simboliza a depravação lúbrica. Também é uma referência às teorias de Darwin. O símio, com a boca aberta, deixa à vista a falta de alguns dentes. Seus olhos brancos ocupam a parte superior da testa, e miram o observador, com raiva. Ele possui asas colossais e gigantescas pernas, formadas por um amontoado de cobras, que se estendem à sua esquerda.

As Górgonas, filhas de Tifeu, estão à direita da figura bizarra. Embora, à primeira vista, elas pareçam belas figuras, com seus corpos nus, um olhar mais agudo revela a maldade que trazem em si. Seus olhos enviesados denotam crueldade, assim como as serpentes douradas deslizando sobre seus cabelos negros e longos. Elas simbolizam a luxúria, o despudor e a insensibilidade. Acima das Górgonas aparecem outras figuras estranhas, que representam a Doença, a Loucura e a Morte, que, por sua vez, têm atrás de si, figuras mascaradas.

Outro grupo surge à esquerda do macaco, formado pela Luxúria, pela Voluptuosidade e pela Intemperança. A Luxúria está representada pela mulher de imensa cabeleira ruiva, sentada numa pose provocante; a mulher de cabeleira loira representa a Voluptuosidade, enquanto a obesa, com os seios caídos, simboliza a Intemperança.

À esquerda do grupo descrito acima, sob as asas do símio e encostada nas serpentes, encontra-se a Aflição, com seus longos cabelos negros, e cujo corpo está envolto num véu cinza, representando a tristeza. Ela não faz parte do rico grupo de Tifeu, rodeado por ornamentos dourados. As serpentes que a sustentam simbolizam o pecado. A postura de seu corpo é de derrota, depois de ter passado pelos desejos e prazeres que acabaram por redundar em dor.

As figuras flutuantes, como a vista no canto superior direito, representam os anseios e desejos da humanidade. Chama a atenção neste painel, representativo das Forças Inimigas, as figuras femininas, excetuando a presença de Tefeu. Como se pensava na Idade Média, a mulher é aqui mostrada como a responsável pelo mal e também vitimada por ele.

À época, a obra de Klimt foi vista por parte do público como sendo imoral, pelo fato de apresentar mulheres nuas com os pelos pubianos à vista. É interessante também saber, que esta obra fora feita para durar apenas um curto tempo, enquanto a exposição estivesse acontecendo. Tratava-se de uma obra temporária, com quatro toneladas, mas um colecionador comprou-a, com a finalidade de conservá-la. Ela foi cortada em sete pedaços, a fim de ser retirada da parede, ficando guardada durante doze anos. Depois foi vendida para um industrial. Mas em 1970, a obra foi adquirida e restaurada pelo Estado austríaco. Encontra-se, portanto, em exposição permanente, em Viena.

Ficha técnica
Ano: 1901/1902
Técnica: Cor de caseína sobre fundo de estuque, com inserção de folha de ouro e pedras semipreciosas.
Dimensões: 215 x 630 cm
Localização: Österreichische Galerie Belvedere, Viena, Áustria

Obs.: Desde 1986, o ciclo da parede tornou-se novamente acessível ao público na Secessão como um empréstimo da Österreichische Galerie Belvedere.

Fontes de pesquisa
https://en.wikipedia.org/wiki/Beethoven_Frieze
https://suitesculturelles.wordpress.com/2011/08/23/beethoven-frieze

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Rubens e Jan Bruegel, o Velho – ALEGORIA DO OLFATO

 Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição, denominada Alegoria do Olfato, foi feita numa parceria entre Peter Paul Rubens e Jan Bruegel, o Velho. Trata-se de uma das alegorias referentes à série sobre “os cinco sentidos”, feitas por esses dois mestres da pintura e grandes amigos, ficando um responsável pelas configurações e o outro pelas figuras humanas. As pinturas sobre os cinco sentidos, no século XVII, eram muito apreciadas. A “visão”, desde o tempo era tida como o mais importante dos sentidos. Para Aristóteles, os sentidos eram a base do conhecimento humano, enquanto o cristianismo via-os como suspeitos, responsáveis pelos pecados do homem.

Jan Bruegel era um exímio pintor de miniaturas, tendo herdado esse talento de sua avó, importante miniaturista. Peter Paulo Rubens, por sua vez, era um perfeccionista na arte de pintar figuras humanas. Os dois fizeram vários trabalhos em parceria, produzindo obras belíssimas, como a que vemos acima. Este tipo de interação entre os artistas era muito comum na Antuérpia, nas duas primeiras décadas do século XVII, tendo Rubens feito uso de tal prática em algumas de suas obras.

A alegoria referente ao olfato foi representada do lado de fora, ao ar livre, ao contrário das outras (visão, audição, tato e paladar). Nela está presente uma bela mulher nua, tida como Vênus, a deusa da beleza e do amor, sentada sobre um manto azul-marinho, e seu filho Cupido, o deus do amor, que lhe oferta um enorme buquê de flores. Ela cheira as flores que tem nas mãos, como se lembrasse ao observador, que ali está para sentir o prazer ocasionado pelo olfato. Os objetos vistos no chão, à sua esquerda, como perfumes, âmbar, etc., induzem a essa observação. A presença de um cão, atrás da deusa, trata-se de um código que aliava o cão ao sentido do olfato, assim como as flores.

A cena acontece num paradisíaco jardim, com edificações à esquerda e à direita, e uma alameda que conduz para fora do local. Estão presentes ali os mais diferentes tipos de vasos, flores, árvores e animais, numa profusão de cores, formas e perfumes. Próximos às edificações estão inúmeros vasos contendo variadas espécies de folhagens e flores. Jan Bruegel, o Velho, que era um especialista na pintura de flores, encanta com os detalhes, cuidadosamente elaborados, distinguindo as diferentes flores com suas cores e matizes. Ele trata cada tipo individualmente, não se esquecendo das folhas.

Especula-se que Alberto, arquiduque da Áustria, e sua esposa Isabel foram os responsáveis pela encomenda da série sobre os sentidos, uma vez que muitos pormenores vistos nos quadros são referentes a eles.

Ficha técnica
Ano: 1617-1618
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 65 x 110 cm
Localização: Museu Nacional do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa
https://www.museodelprado.es/…on…/el-olfato
www.scienceshumaines.com/les-cinq-sens-une-alleg…

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