Arte de Rua – OS GÊMEOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Somos complementares: um completa o pensamento do outro a todo o momento, pois nosso processo criativo é tão natural para nós, que é até difícil de expelicar. Parece que existe um fio, vamos sempre estar conectados, mesmo quando estivermos longe um do outro. É um vínculo eterno. (Os Gêmeos)

São Paulo é, sem dúvida, o celeiro dos grafiteiros. E é ali que se encontram os famosos irmãos gêmeos Otávio e Gustavo Pandolfo, nascidos em 1974. Eles são conhecidos nacional e internacionalmente como Os Gêmeos ou “osgemeos”. A dupla, que tem formação em desenho de comunicação, começou a grafitar em 1987, tornando-se cada vez mais conhecida na cidade paulista, sendo também responsável por ajudar a criar um grafite de estilo bem nacional.

A arte do grafite mostrou-se presente na vida de Otávio e Gustavo desde que eram garotos, moradores do bairro Cambuci, na cidade de São Paulo, quando já brincavam fazendo “arte”, sob os olhos incentivadores da família. A chegada da cultura hip hop no país, lá pelos anos 80, alargou ainda mais os horizontes da dupla, que transitava por diversas técnicas de pintura, passando pelo desenho e até mesmo pela escultura. A rua era a mais importante mestra. Depois de acumular uma rica experiência, e embora não tenha abandonado o grafite, o trabalho dos dois vem evoluindo cada vez mais, agregando influência de outras culturas.

O sucesso obtido no Brasil tem levado o trabalho de Os Gêmeos para diversos países. A dupla é presença marcante nos grandes eventos nacionais e internacionais, com mostras individuais em museus e galerias de vários países, como Grécia, Alemanha, Inglaterra, Cuba, Itália, Espanha, Japão, Lituânia, Estados Unidos, etc. A temática do trabalho artístico feito pelos dois irmãos engloba, principalmente, a crítica social e a política.

Nota: painel na avenida 23 de Maio, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
O mundo do grafite/ Nicholas Ganz
http://www.osgemeos.com.br/pt/biografia/

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Piero di Cosimo – PERSEU SALVANDO ANDRÓMEDA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Perseu Salvando Andrômeda é uma obra do pintor italiano Piero de Cosimo, responsável por várias narrativas mitológicas.

Na pintura acima, o artista representa a cena em que Perseu, filho de Júpiter (Zeus) salva a princesa Andrômeda, oferecida ao terrível dragão por seu pai, o rei Cefeu, para ser devorada, com o intuito de agradar as divindades, que se sentiram ofendidas com sua orgulhosa esposa Cassiopeia, que se achava melhor do que qualquer um deles.

Muitas pessoas estão presentes no local, mas recusam-se a olhar para o herói que tenta decepar a cabeça do monstro marinho. Perseu é visto em dois momentos: nos ares, em direção à fera, e sobre seu dorso. Ele traz asas nos pés.

Andrômeda jaz amarrada no tronco de uma árvore cortada, usando vestes brancas, temerosa de que o herói possa ser vencido. Mais acima dela, um casal de camponeses mostra-se amedrontado com o que pode acontecer. Deitada no chão, à esquerda, de costas para a cena, a mãe da princesa lamenta a sorte de sua jovem filha. Outros personagens viram o rosto, apavorados. À direita, dois músicos com seus instrumentos e mulheres com galhos de oliveira, aguardam a vitória do herói para comemorar, embora também não fitem a luta.

O castelo do rei Ceifeu encontra-se no alto, à esquerda, e a cidade à direita.

Ficha técnica
Ano: c. 1515
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 71 x 123 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Mabuse – DÂNAE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição mitológica denominada Dânae é uma obra-prima do pintor holandês Jan Gossaert, apelidado de Mabuse, que estudou na Itália a pintura e a arquitetura da Antiguidade, tendo pintado vários temas mitológicos. O artista possuía uma habilidade incrível para acrescentar às técnicas a sua rica imaginação. Neste quadro seu trabalho apresenta uma alta qualidade de estilo, além de mostrar uma iconografia típica dele.

O artista representa a figura mitológica tridimensionalmente, assim como exibe uma maravilhosa arquitetura, tanto do local onde se encontra a jovem mulher como dos edifícios em segundo plano. Apresenta uma arquitetura colunar, que contrasta com a vitalidade do corpo da princesa, vestida com seu manto azul, tendo o seio direito à vista. Ela se encontra assentada sobre duas almofadas vermelhas, uma sobre a outra. Com as pernas semiabertas recebe a chuva fina de ouro em forma de luz que cai do teto oval sobre seu regaço, fecundando-a.

Segundo o mito, a bela Dânae era filha do rei Acrísio que ambicionava ter um filho para sucedê-lo. Assim, resolveu consultar o oráculo de Delfos sobre a chegada de um menino. Contudo, a resposta recebida deixou-o profundamente preocupado. Segundo a predição do oráculo ele seria morto por seu próprio neto, ou seja, pelo filho de Dânae, sua única filha. Temeroso, Acrísio aprisionou a princesa a princesa numa torre, muito bem vigiada, para que ela não tivesse contato com nenhum humano ou divindade  e viesse a gerar um filho.

Zeus (Júpiter), que sempre traíra a esposa Hera (Juno), viu-se apaixonado pela princesa Dânae e, para ter acesso a ela, transmutou-se numa chuva de ouro que se entranhou por uma rachadura no teto, engravidando-a. Ela viria a dar à luz o herói Perseu, responsável por matar a Medusa. Ao tomar conhecimento do acontecido, o rei ordenou que mãe e filho fossem postos numa arca, bem fechada e jogados ao mar. Quis o destino que a arca fosse encontrada por um pescador que levou ambos ao rei de seu país, Polidectes, que os recebeu com muita alegria. O resto do mito encontra-se no nosso blogue em MITOS E LENDAS.

Ficha técnica
Ano: 1525
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 114 x 95 cm
Localização: Alte Pinakothek, Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Rafael – A VISÃO DE EZEQUIEL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada A Visão de Ezequiel é uma obra bíblica do pintor italiano renascentista Rafael Sanzio, que retrata uma visão recebida pelo profeta Ezequiel, que a toma como a do próprio Deus, fazendo-lhe um chamado.

Presentes na composição estão:
• Deus-Pai
• uma águia
• um boi
• um leão
• três anjos

Deus-Pai, vestindo um manto rosado que lhe cobre a parte inferior do corpo, e com os cabelos dourados, esvoaçantes, encontra-se sentado num trono formado por criaturas aladas, que por sua vez encontram-se sustentadas por uma densa nuvem. Seus braços abertos, abençoando Ezequiel, servem de apoio para dois belos anjinhos. Atrás do grupo, irrompe um fogo amarelo, como se lhes servisse de anteparo.

Ezequiel encontra-se na terra, à esquerda, junto ao feixe de luz amarelo, na parte inferior da composição. Deus-Pai, em direção à terra, abençoa-o, sendo que sua mão direita e pé esquerdo parecem apontar a pequenina figura abaixo, através de uma linha diagonal.

Na composição é visível a sensação de movimento: as dobras do manto de Deus-Pai, o flutuar das vestes do anjo maior, as asas abertas de anjos e animais, a posição dos pés das figuras, as nuvens espessas, etc.

Curiosidade:
Santo Hieronymus, um padre da Igreja, viu nas criaturas um símbolo referente aos quatro evangelistas:

• o homem –referente a Mateus
• o leão – referente a Marcos
• o boi – referente a Lucas
• a águia – referente a João

Rafael colocou a asa direita do anjo maior paralela à direita do leão, e a asa esquerda da águia paralela à esquerda do boi, formando uma bela harmonia. Este painel foi roubado, em 1799, pelas tropas francesas, mas após a derrocada de Napoleão, ele foi devolvido à cidade de Florença, em 1816.

Ficha técnica
Ano: 1518
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 40 x 30 cm
Localização: Galleria Palatina do Palazzo Pitti

Fontes de pesquisa
Rafael/ Cosac Naify
http://www.artbible.info/art/large/182.html

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Mestres da Pintura – PIERO DI COSIMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O pintor italiano Piero di Cosimo (1462-1521), cujo nome original era Piero di Lorenzo, nasceu e morreu na cidade de Florença. Ali estudou com Cosimo Rosseli, tendo, inclusive, trabalhado com seu mestre nos afrescos da Capela Sistina, em Roma, onde pintou O Sermão de Cristo (imagem acima), que se tornou a sua primeira obra conhecida. Foi em homenagem a seu mestre que adotou o sobrenome Cosimo.

A maior parte da vida artística de Piero de Cosimo foi  passada em Florença, tendo ali vivido o período áureo do Renascimento, quando sua cidade encontrava-se sob o domínio de Lorenzo, o Magnífico. Também presenciou a derrocada de Florença quando a família Médici foi expulsa, houve a ascensão do monge fanático Savanarola, a ocupação francesa e a guerra civil, entre outros fatos históricos.

Piero di Cosimo não deixou nenhum de seus trabalhos assinado ou datado. Os dados colhidos sobre o artista foram obtidos através de Giorgio Vasari, arquiteto e pintor, que escreveu sobre a vida de vários pintores, escultores e arquitetos italianos. Vasari, por sua vez, pesquisou sobre o pintor entre aqueles que o conheceram pessoalmente, sendo descrito como “um homem de humor lunático, capaz das invenções mais bizarras”.

Mesmo tendo vivido em plena Renascença, o artista poucos se interessou por ela. Seu foco eram os grandes mitos da Antiguidade, sendo até mesmo acusado, em razão de seu fascínio, de paganismo. Por isso é mais conhecido por suas pinturas mitológicas. Em seus trabalhos, chama a atenção especialmente a beleza das paisagens ao fundo. Foi com os holandeses Jan van Eyck e Hugo van der Goes que os pintores italianos compreenderam que a paisagem não deveria servir apenas como pano de fundo, pois era importantíssima na composição de uma pintura.

Segundo Giorgio Vasari, Piero di Cosimo nutria grande fascínio pelos animais, tendo pintado inúmeros deles. Também sentia fascinação por criaturas mitológicas, como sátiros, faunos, deuses e bacantes. Tinha predileção por Vulcano, o deus do fogo, provavelmente por influência de seu mestre Cosimo Rosseli, que era um alquimista, e via no fogo, em suas atividades secretas, a possibilidade de transformar o metal em ouro. É possível que Piero di Cosimo também tenha se dedicado à alquimia, mesmo que seja como ajudante de seu amado mestre. Isso pode ser deduzido através de sua obra, onde muitos ornamentos são vistos como alegorias alquímicas.

Nota: Sermão de Cristo, obra de Piero de Cosimo

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
Galleria Borghese/ Os Tesouros do Cardeal
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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Degas – ESCRITÓRIO DE ALGODÃO EM NOVA ORLEANS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Não se faz nada aqui […], nada além do algodão. Vive-se para o algodão e do algodão. (Degas)

A composição denominada Escritório de Algodão em Nova Orleans é uma obra do pintor Edgar Degas. Foi pintada quando o artista encontrava-se naquela cidade, em visita aos parentes maternos que se estabeleceram ali, negociando algodão. O artista retrata o escritório de seu tio, onde se encontram quatorze pessoas, entre funcionários e parentes, algumas sentadas e outras de pé, todas elas com o rosto estampado.

O tio de Degas, Michel Musson, com sua cartola, encontra-se em primeiro plano, um pouco deslocado para a esquerda, bastante compenetrado, testando o algodão que se encontra sobre uma cadeira à sua esquerda. Logo atrás dele está René de Gas, irmão do pintor, lendo um jornal. Seu outro irmão, Achile, encontra-se recostado à parede, com as pernas cruzadas, observando a mesa de algodão. De costas para o grupo está o contador, com uma camisa branca, que traz ainda mais iluminação para o ambiente. Junto a ele estão os livros de contabilidade e, logo abaixo, um cesto serve de lixeira. Na lateral esquerda de sua mesa está a assinatura de Degas, e também a data.

Em volta de uma enorme mesa retangular encontra-se espalhado o algodão, com homens negociando a mercadoria.

Ficha técnica
Ano: 1873
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 92 cm
Localização: Musée des Beaux-Arts de Pau, Pau, França

Fontes de pesquisa
Edgar Degas/ Coleção Folha
Degas/ Cosac e Naify

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