NEPAL – O TELHADO DO MUNDO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O Nepal, oficialmente República Democrática do Nepal, conhecido como o “telhado do mundo”, é um país localizado no sul do continente asiático, na encosta da cordilheira do Himalaia. Faz fronteira com a Índia e a China (Tibete). Não é banhado pelo mar, e Kathmandu é a sua capital. Uma de suas cidades mais famosas é Lumbini, lugar onde nasceu Sidarta Gautama (Buda). Além de ser um país muito pobre, sua densidade demográfica é altíssima. Sua economia é baseada na agricultura e no turismo.

A flora do Nepal é bem diferenciada. Estima-se que aproximadamente 5% de suas espécies não nascem em outras regiões do mundo. O norte montanhoso do país possui 8 das 10 montanhas mais altas do mundo, incluindo o Monte Everest, o pico mais alto da Terra. Por isso, trata-se de um país bastante procurado pelos praticantes do montanhismo. Inclusive, o lado nepalês é o mais fácil para se chegar ao cume do tão ambicionado monte, sendo aquela região a mais procurada.

Mais de 80% da população nepalesa professa o hinduísmo, vindo o budismo em segundo lugar. Shiva é considerada a divindade protetora do país, que possui dois pontos famosos de peregrinação: Lord Shiva, templo onde os hindus de todo o mundo acorrem em peregrinação e Lumbini, local de peregrinação budista, Patrimônio Mundial da UNESCO, considerado o berço em que nasceu Sidarta Gautama (Buda). Existe uma excelente convivência entre hindus e budistas, pois as diferenças entre as duas religiões no Nepal são mínimas, em razão da miscigenação cultural e histórico das crenças hindu e budista. Elas possuem até templos em comum e divindades também.

O Nepal foi, durante quase toda a sua história, uma monarquia, mas a insatisfação com o autoritarismo do último rei, acabou transformando o país numa república parlamentarista. A escravidão foi abolida no Nepal em 1924, embora a servidão por dívidas, mesmo em se tratando de devedores crianças, tem sido um problema social persistente. A pena de morte foi abolida em 1997, e em 2008, o governo nepalês aboliu a “Haliya”, sistema de trabalho forçado, libertando milhares de pessoas. Mas, a eficácia de tal medida tem sido questionada, ou seja, o trabalho escravo continua.

O Nepal era uma terra de densas florestas, mas o desmatamento tem sido um grande problema em todo o país, causando erosão e degradação dos ecossistemas. Um dos grandes desafios do governo nepalês é conter a erosão do solo.  Mesmo assim, o país possui paisagens fantásticas e diversificadas e uma cultura extremamente exótica. Se contasse com uma boa infraestrutura, e não tivesse uma política instável, o turismo seria uma grande fonte para sua economia.

A maior parte da população nepalesa vive em vilas, nas montanhas, sendo a maior parte das casas feitas com uma estrutura de bambu, recobertas com barro e com uma mistura de esterco de vaca, o que faz com que sejam frescas no verão e quentes no inverno. A taxa de desemprego e subemprego é muito alta, atingindo metade da população em idade ativa. Muitos nepaleses deixam seu país em busca de outros centros de trabalho. Vão, principalmente, para a Índia, Qatar, Estados Unidos, União Europeia, China e países escandinavos.

Embora a localização geográfica do Nepal, com sua topografia íngreme e seus rios perenes, ofereça grandes condições para se ter as melhores hidrelétricas do mundo, apenas cerca de 1% do país é servido por energia elétrica. Por ordem sequencial, os fornecedores de energia no país são: a lenha, resíduos agrícolas, esterco de animais e combustíveis fósseis importados.  Mesmo assim, em setembro/2012, o Nepal contabilizava 1.828.700 usuários do Facebook. O sistema viário do país também é precário, com pouquíssimas estradas. Além disso, 60% delas tornam-se intransitáveis na estação chuvosa.

A educação ainda é um sério problema no Nepal, cuja taxa de escolarização é baixíssima (24%). Além disso, mais da metade dos alunos, que fazem o primário, não segue para a escola secundária. E apenas metade dos que seguem adiante completam o ensino secundário. As meninas continuam na retaguarda nas escolas secundárias.

A cultura nepalesa é bem diversificada, em razão das várias etnias presentes no país. Como a maioria da população é hinduísta, existem muitos costumes, crenças e tradições hindus. O país é tão influenciado pela Índia que ali vigora também o sistema de castas indiano.  A influência do budismo, segunda religião do país, também é grande. As duas religiões misturam-se, de modo que ritos hinduístas e budistas  que acompanham o nascimento, o casamento e a morte são praticados conjuntamente. O folclore também é muito rico. Existem muitos contos inseridos na realidade dos nepaleses: contos de amor e batalhas, sobre demônios e fantasmas, etc. A dança e a música integram-se à maioria dos contos folclóricos.

A saúde no Nepal é péssima, principalmente nas zonas rurais. Entre as principais enfermidades estão: diarreia, problemas gastrointestinais, bócio, parasitas intestinais, desnutrição, lepra, leishmaniose visceral e tuberculose. Possui também um alto índice de pessoas contaminadas com o vírus HIV. Entre as drogas encontradas no país estão o haxixe, heroína e ópio. Há indícios de que traficantes querem fazer do Nepal um ponto de trânsito.

Um dos problemas sérios no Nepal é o tráfico humano. Mulheres e meninas nepalesas, principalmente, são traficadas no país e forçadas a prostituírem-se, ou a transformarem-se em empregadas domésticas, operárias de fábricas, artistas de circo, etc, em outros países. Os crimes cibernéticos também estão crescendo.

Nota:  Praça da capital Kathmandu / imagem copiada de www.dailymail.co.uk

Fontes de pesquisa:
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-
BR&sl=en&u=http://en.wikipedia.org/wiki/Nepal&prev=/search
National Geographic

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Mit. – O MÚSICO ÁRION

Recontado por Lu Dias Carvalho

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A corte de Periando, rei de Corinto, era servida por um refinado músico de nome Árion. Ele era exímio naquela arte. Por esta razão, era também o preferido do rei. Contudo, seu coração de artista queria ir além. Quando surgiu uma competição fora do reino, ele partiu para dela participar, sob os protestos de seu soberano, alegando que o talento que recebera também deveria estar à disposição de outras pessoas, e, que o prêmio, se conquistado, dar-lhe-ia ainda maior prazer. Conforme se esperava, ele foi o ganhador. Ele não via a hora de chegar e mostrar a seu soberano o valioso tesouro que ganhara.

Nem tudo foram flores na volta de Árion ao reino de Corinto. No segundo dia de viagem, já em alto mar, ouviu os marinheiros tramarem contra sua vida, com a finalidade de tomar o seu tesouro. Nada lhe restava a fazer, senão esperar. Pouco tempo depois, foi cercado pelo bando, que lhe pediu que escolhesse morrer dentro da nau ou no mar. O músico rogou-lhes tempo para que se preparasse para morrer como um trovador, após entoar seu canto de morte sob os acordes de sua lira. Vestiu suas belíssimas roupas de menestrel, e, acompanhado de seu instrumento musical, foi até o convés do barco, de onde cantou, enaltecendo a sua lira e os heróis do Elísio, que já haviam atravessado as águas escuras que levavam ao reino dos mortos. A seguir, Árion pulou no mar, que se abriu para recebê-lo, cobrindo-o com suas espumas.

O destino final do bardo ainda não estava traçado. Enquanto cantava e tocava sua lira, antes de saltar no mar, seus acordes atraíram os moradores das profundezas marinhas, como se Galateia, a rainha das profundidades, tivesse enviado-os. Um golfinho resgatou-o, oferecendo-se como montaria, levando-o são e salvo para a costa, de modo que Árion, caminhado e tocando, não demorou a chegar ao reino de Periando, onde foi recebido com grande júbilo. Contou ao rei todos os acontecimentos adversos de sua viagem, deixando-o contrariado com tamanha perversidade.

A nau dos criminosos não tardou a chegar ao porto. O rei perguntou-lhes pelo músico. Os marinheiros responderam-lhe que fora o ganhador de um valioso prêmio, tendo ficado em Tarento, gozando de muita prosperidade. Mal terminaram de contar a mentira, Árion surgiu, fitando-os. Pensando se tratar de um deus, eles contaram toda a verdade, sendo banidos de Corinto para uma terra bárbara, sem o direito de jamais voltarem.

Nota: Árion sobre um cavalo marinho, obra de William-Adolphe Bouguereau

Fontes de Pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Mit. – O HOMEM QUE DESPREZAVA OS DEUSES

Recontado por Lu Dias Carvalho

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O mortal Erisíchton, além de nutrir um grande desdém pelos deuses do Olimpo, ainda agia de modo a ofendê-los. De uma feita, com o intuito de desacatá-los, tomou de seu machado e partiu para o bosque dedicado à deusa Ceres, onde havia um gigantesco carvalho que causava admiração a deuses e mortais. Servia também de depósito para as oferendas dedicadas à ninfa daquela majestosa árvore. E foi justamente essa maravilha que o arrogante e miserável humano pediu a seus servos que cortassem. Como esses fossem tementes aos deuses, além de nutrirem grande respeito pelo carvalho e sua moradora, mostraram-se temerosos de realizar tal empreitada. O homem impiedoso arrancou o machado das mãos de um deles, dizendo que ele mesmo poria abaixo aquela árvore.

Ao aproximar-se do frondoso carvalho com o machado em punho, todos que ali se encontravam, angustiados com tal ação, viram-no tremer e ouviram-no dar um gemido lancinante. Ainda assim, o homem não se amedrontou, já que não se apiedava de nada. A primeira machadada fez esvoaçar sangue pela ferida aberta no tronco. Um dos presentes tentou segurar o machado, mas foi morto pelo homem mau, que lhe decepou a cabeça. Nesse momento, a ninfa que morava na árvore, disse ao agressor que era amada pela deusa Ceres, sendo ali a sua morada, e, que ao matar o carvalho, ele também a mataria, mas, se isso acontecesse, seu castigo não tardaria a acontecer, pois nenhuma ação perversa dos humanos ficaria impune ante o olhar dos seres divinos.

Nem é preciso dizer que Erisíchton não deu a mínima para os dizeres da ninfa. O carvalho, depois de inúmeras machadadas, tombou esguichando sangue por todos os lados e esmigalhando grande parte do bosque, para sofrimento das dríades (ninfas associadas aos carvalhos), que viram uma companheira morrer sob uma mão impiedosa. Dirigiram-se à deusa Ceres, vestidas de luto, pedindo-lhe que castigasse o insolente. Essa prontamente aquiesceu. Castigaria o assassino entregando-o à deusa Fome. Como ela e tal deusa não pudessem se encontrar, por ordem das Parcas (Cloto, Láquesis e Átropos, responsáveis por tecer o fio do destino, cortando-o quando assim o desejassem), pediu a uma Oréade (as Óreades eram ninfas que habitavam e protegiam as montanhas, cavernas e grutas) que fosse à região gelada da Cítia, onde nada sobrevivia, em busca da Fome, que ali morava juntamente com o Frio, o Tremor e o Medo. Ela deveria apossar-se das entranhas do humano Erisíchton.

A deusa Fome tomou posse do corpo embrutecido do assassino, enquanto esse dormia, injetando o próprio veneno em suas veias. Mesmo em sonho, o criminoso angustiava-se por comida. Acordou varado de fome, mas nada lhe era suficiente. Quanto mais comia, mais faminto ficava. Passou a gastar todos os seus bens com comida, até que lhe sobrou apenas uma filha, que foi vendida para que obtivesse dinheiro para comprar comida.

O fato, meus caros leitores, é que o homem cruel, que destroçou o carvalho sem piedade alguma, como tantos outros humanos fazem com as árvores, para que essas lhes cedam o espaço que sempre pertenceu a elas, não mais tendo o que comer, passou a devorar seus próprios membros, ou seja, seu corpo passou a alimentar-se de si mesmo. Depois de muito sofrimento, somente a morte foi capaz de libertá-lo de tão cruel destino. Assim como carvalho, ele morreu esguichando sangue pelos membros que ainda restavam. Cumpriu-se o castigo da deusa Ceres. Vingou-se a morte da ninfa e do Carvalho. E assim aconteça a todos os homens impiedosos com a Mãe Natureza.

Nota: Ceres no Verão, obra do pintor francês francês Jean-Antoine Watteau.

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TRÊS FÁBULAS MAIS DO QUE IMORAIS

Autoria do Dr. Ivan T. Large

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1- Meu próximo paciente, Pedro Paulo, é advogado. Na sua consulta anterior, um ano atrás, havia me contado que estava estudando para um concurso para ser juiz. Eu indago do resultado. É com indignação que ele me conta que, após a prova, foi publicada uma lista com as notas obtidas pelos candidatos. Ele teve a grande satisfação de constatar que tinha conseguido, com a terceira melhor nota, uma das três vagas disponíveis.

Estava comemorando o seu sucesso, quando foi publicado um edital onde ele teve a desagradável surpresa de ver o nome de outro candidato aparecer no lugar do seu, na lista dos aprovados. Pensou que se tratava de um erro fácil de ser resolvido. Marcou uma reunião com o juiz responsável pela organização do concurso que, após escutar seus argumentos, respondeu-lhe simplesmente:

– Tudo bem. Então o que você pensa em fazer?

Como Pedro Paulo não conseguia entender o sentido desta réplica, o seu eminente interlocutor explicou-lhe friamente que não pretendia mudar o conteúdo do edital, que se Pedro Paulo não estivesse satisfeito, poderia recorrer judicialmente, mas que não tinha nenhuma chance de ganhar esta causa, já que o poder judiciário não perde na justiça, e, que nunca mais na sua vida conseguiria ser juiz. Completou, com um ar reconfortante, que se Pedro Paulo fosse bastante ajuizado para aceitar a decisão de seus futuros “colegas”, teria o prazer de ajudá-lo na ocasião do próximo concurso.

Moral da história: Só haverá justiça VERDADEIRA quando todos nós, inclusive os juízes, começarmos a acreditar nela.

2 – Durante a narração de Pedro Paulo, a temperatura da minha sala parece ter subido um pouco. Levanto-me para regular meu climatizador de ar. Isso me faz lembrar um fato que me contou Roger, um antigo paciente que consertava climatizadores.

Um dia, ele encontra publicada no jornal a licitação de uma repartição pública querendo contratar uma empresa especializada no conserto de climatizadores. Apesar de pouco interessado em fazer negócios com algum órgão do poder público por causa da sua fama de mau pagador, resolve, sem saber por que, mandar uma resposta, colocando, entretanto, um valor dez vezes superior à media dos preços praticados no mercado. E grande é a sua surpresa, dois dias depois, ao receber uma carta convidando-o para comparecer no dia seguinte à diretoria da tal repartição pública, onde é recebido pessoalmente pelo diretor geral:

“A sua proposta chamou nossa atenção. Recebemos dezenas de outras, mas comparando-as com a sua, podemos constatar que você é um verdadeiro “cara de pau”. Você é exatamente a pessoa que nós procurávamos, e estamos prontos a contratar sua empresa com uma condição: no final de cada mês, quando vier receber o seu cheque, no meu escritório, terá que me entregar, em mãos, a metade do seu valor em dinheiro vivo.”.

Roger calcula que mesmo tirando a propina de cinquenta por cento do valor do contrato, este continua superfaturado e aceita a oferta. E mais, uma rápida avaliação do sistema de climatização lhe permite constatar que sua tarefa será das mais fáceis, e, após uma semana de trabalho, ele não tem mais nada para fazer.

No final do mês e dos meses seguintes, ao receber o seu cheque das mãos do diretor, a quem ele entrega um envelope contendo o valor combinado, aproveita, a fim de justificar o seu gordo salário, para fazer uma revisão completamente inútil de um ou dois aparelhos.

Esta agradável rotina continua durante mais de um ano, até o dia em que, no momento de entrar na sala do diretor, Roger é avisado pela secretária, que o seu chefe havia sido demitido. Pego de surpresa, ele se prepara para voltar para trás quando a secretaria o avisa de que o novo diretor já esta informado dos detalhes da sua contratação e esta impaciente em recebê-lo.

Moral da história: O fato de demitir um corrupto não significa que o sistema que ele implantou acabará automaticamente.

3 – A terceira história aconteceu, alguns anos atrás, durante a minha residência em oftalmologia no Hospital do Estado do Haiti.

Um dia, eu recebo a ligação telefônica de um cirurgião plástico americano, de passagem no país, querendo conversar comigo. Nós nos encontramos na entrada do hotel, onde ele estava hospedado. Ricardo tem trinta anos, é de origem cubana e mora em Miami. Após os cumprimentos de costume, vai direto ao assunto:

“O motivo da minha viagem não tem nada a ver com medicina. O seu nome foi-me dado por um amigo comum, que acha que você poderia me ajudar a estabelecer alguns contatos necessários à realização do meu projeto. Preciso, antes de tudo, explicar-lhe que Republicanos e Democratas costumam alternar-se na maioria do congresso americano, já que o povo sempre fica insatisfeito com o partido no poder e, nas próximas eleições, acaba votando no outro partido. Atualmente, o Partido Republicano está em maioria no Congresso, e eu tenho um tio deputado membro desse partido. Você deve saber que os países do primeiro mundo têm muita dificuldade em livrar-se do seu lixo tóxico. O meu tio vai propor ao Congresso uma ajuda ao Haiti, para a construção de uma usina de alguns milhões de dólares, numa ilha deserta, situada ao norte do seu país. Na verdade, essa usina será apenas uma fachada para um depósito de lixo nuclear. Por isso, precisamos da permissão das autoridades políticas do seu país. Sua única participação nesse negócio consistirá em me colocar em contato com elas e, por sua ajuda, receberá uma pequena recompensa que lhe permitirá não precisar mais trabalhar pelo resto dos seus dias. Temos, entretanto, que nos apressar, já que, em menos de dois anos, o Partido Democrata assumirá a maioria no Congresso, no lugar dos Republicanos.”

Moral da história: A generosidade dos grandes esconde, às vezes, interesses escusos.

Nota: ilustração do autor

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Mit. – TESEU, ARIADNE E O MINOTAURO

Recontado por Lu Dias Carvalho

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Egeu, rei de Atenas, e Etra, filha do rei de Trézen eram os pais de Teseu. Contudo, em razão da separação desses, antes mesmo de seu nascimento, Teseu foi criado pelo avô materno. Assim que virou homem feito, foi enviado a seu pai, pois esse, antes mesmo de a criança vir a luz do dia, botou sua espada e sandálias debaixo de uma pesada pedra, e exigiu que a esposa enviasse o filho, assim que ele tivesse força suficiente para levantá-la. Como era de esperar, o jovem deu conta do recado, levantando a pedra e apoderando-se da espada e das sandálias.

Durante a viagem até Atenas, feita pelo mar, o jovem Teseu passou por grandes riscos. Um deles foi o encontro com Perifetes, o filho feroz de Vulcano, que sempre trazia consigo uma clava de ferro. Ao atacar o jovem viajante, acabou morto por ele, que ainda levou sua clava como lembrança. Mas ao chegar a Atenas, perigos maiores aguardavam-no. Um deles era a feiticeira Medeia, agora casada com seu pai, que temia que o filho viesse a intrometer-se na influência que ela exercia sobre o rei. Por isso, induziu o marido, usando mil ardis, a dar uma taça de veneno ao jovem viajante. Egeu, porém, ao reconhecer sua espada, viu que aquele era seu filho. Só restou à feiticeira a fuga, após ser desmascarada.

Aqueles tempos não eram bons para os atenienses, pois Minos, o rei de Tebas, coagia-os a pagar pesados tributos. Anualmente eram obrigados a entregar sete rapazes e sete donzelas, para que fossem devoradas pelo Minotauro (monstro feroz formado por um corpo de homem e uma cabeça de touro). Ele vivia preso num labirinto construído por Dédalo, um artífice muito habilidoso, do qual ninguém conseguia sair. Teseu resolveu salvar seu povo daquela perversidade. Por isso, na época do pagamento dos tributos, ofereceu-se para ser um dos sete jovens sorteados, embora seu pai suplicasse para que  não fosse, pois ele já se encontrava muito velho e necessitava do filho para subistituí-lo.

Em Creta, o maléfico Minos vistoriou os chegados, ao lado de sua filha Ariadne, que acabou se apaixonando por Teseu, sendo prontamente correspondida. Para ajudá-lo, ela lhe entregou uma espada e um novelo de linha. Com a primeira, Teseu mataria o Minotauro e com o segundo guiar-se-ia pelo labirinto. E tudo aconteceu de conformidade com o planejado, salvando-se todos, graças à ajuda da filha do malvado rei.

Ao retornar a Atenas, trazendo Ariadne consigo, Teseu e seu grupo pararam para descansar na Ilha de Naxos, onde, levianamente, deixou a mulher que salvara sua vida, dormindo. Usou a desculpa esfarrapada de que obedecera as ordens da deusa Minerva, que lhe foram transmitidas em sono. E já próximo a Atenas, esqueceu-se de alçar as velas do navio, conforme combinara com o pai, levando-o a crer que estivesse morto. O idoso rei, não suportando a dor da ausência do filho, acabou tirando a própria vida, ocasião em que Teseu herdou-lhe o trono.

Nota: Ariadne em Naxos, Abandonada por Teseu, obra de Evelyn de Morgan (1877)

Fontes de Pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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CONHECENDO O LÚPUS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A maioria de nós pouco ou quase nada sabe sobre lúpus, que em alguns casos trata-se de uma forma benigna da doença, pois não há lesão renal e cerebral no primeiro surto, sendo a doença caracterizada por lesões de pele, asa de borboleta, dor nas juntas, sintomas facilmente controláveis com medicação. É também provável que o paciente não apresente os problemas correlacionados, com o passar da idade, e morra de outra causa que não o lúpus. É exatamente sobre tal assunto que se trata a pesquisa de hoje. E quem mais uma vez dirige-nos nesta busca é o conceituado Dr. Drauzio Varela. Vale a pena ler.

O que é o lúpus?
Lúpus é uma doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres do que nos homens, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes patológicos. O fato é que, no lúpus, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico.

De onde vem o nome lúpus?
Há várias versões sobre a origem do nome da doença (“lúpus” significa lobo em latim). Uma delas é a de que o nome vem da Idade Média, sendo assim chamada  porque as lesões na face são parecidas com dentadas ou arranhaduras feitas por lobos. Outra teoria refere o termo “loup”, um estilo francês de máscara que as mulheres usavam para esconder as erupções cutâneas em seus rostos. Em 1895, o médico canadense Sir William Osler caracterizou melhor o envolvimento dos vários tecidos do corpo e adicionou a palavra “sistêmico” ao nome.

O lúpus tem cura?
Não. O lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especialistas. Pessoas tratadas adequadamente têm condições de levar vida normal. As que não se tratam, acabam tendo complicações sérias, às vezes, incompatíveis com a vida.

Entrevista do Dr. Dráuzio Varela com Dr. Samuel Kopersztych (médico reumatologista do Hospital das Clínicas da USP e do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo).

Drauzio –  O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença de autoagressão, uma doença autoimune. Quais as principais características de uma doença autoimune?
Samuel Kopersztych – A doença autoimune é fundamentalmente caracterizada pela formação de autoanticorpos que agem contra os próprios tecidos do organismo. Por isso, o nome autoagressão, às vezes, é mais feliz. O paciente, geralmente do sexo feminino, fabrica substâncias nocivas para seu organismo e o anticorpo, que é um mecanismo de defesa, passa a ser um mecanismo de autoagressão. Portanto, o que caracteriza a doença autoimune é a formação de anticorpos contra seus próprios constituintes.

Drauzio – Teoricamente, esses anticorpos podem agredir qualquer tipo de tecido e provocar as mais variadas doenças?
Samuel Kopersztych – Eles podem agredir qualquer tipo de território. De modo geral, a maior agressão ocorre no núcleo da célula, graças ao aparecimento de vários autoanticorpos contra substâncias presentes em seu interior. Entretanto, o mais importante não é o anticorpo isoladamente. Do ponto de vista anatomopatológico, o que define a autoimunidade nos tecidos é a formação dos chamados complexos imunes.

Drauzio – O que se entende por complexo imune?
Samuel Kopersztych – A paciente que tenha a etnia lúpica, ou seja, formação genética constitucional que a predispõe a desenvolver lúpus, já possui autoanticorpos em grande quantidade. Quando uma substância vinda do exterior une-se a eles, forma-se o complexo antígeno-anticorpo. Isso ativa um sistema complexo de proteínas chamado de complemento e leva à formação dos complexos imunes, cuja concentração dita a gravidade e o prognóstico da doença, porque eles se depositam no cérebro e nos rins principalmente. O complexo imune depositado no rim inflama esse órgão, produzindo a nefrite lúpica, importante para determinar se a doente vai viver muitos anos ou ter a sobrevida encurtada.

Drauzio – Qual é a substância exterior que mais agride essas pacientes?
Samuel Kopersztych – A radiação solar, em especial os raios ultravioleta prevalentes das dez às quinze horas, é a substância que mais agride as pessoas que nasceram geneticamente predispostas. Em estudos conduzidos no Hospital das Clínicas de São Paulo, foi possível detectar inúmeros casos de pacientes que tinham o primeiro surto logo após ter ido à praia e se exposto horas seguidas à radiação solar. Em geral, eram pacientes do sexo feminino, já que a incidência de lúpus atinge nove mulheres para cada homem. Nos Estados Unidos, há maior prevalência entre as mulheres negras; no Brasil, verifica-se equivalência de casos em brancas e negras.

Drauzio – Que indícios podem fazer uma pessoa desconfiar de que está com lúpus?

Samuel Kopersztych – Havia grande confusão diagnóstica em relação ao lúpus até a Sociedade Americana de Reumatologia enunciar onze critérios de diagnóstico, em 1971. A mulher que preencher quatro deles seguramente tem a doença.

Os dois primeiros referem-se à mucosa bucal. Entre outras lesões orais importantes, aparecem úlceras na boca que, na fase inicial, exigem diagnóstico diferencial como pênfigo, uma doença frequente em países tropicais. Pode ocorrer também mucosite, uma lesão inflamatória causada por fatores como a estomatite aftosa de repetição, por exemplo.

O terceiro critério envolve a chamada buttefly rash, ou asa de borboleta, que muitos admitem como o critério mais importante, mas não é. Trata-se de uma lesão que surge nas regiões laterais do nariz e prolonga-se horizontalmente pela região malar no formato da asa de uma borboleta. De cor avermelhada, é um eritema que geralmente apresenta um aspecto clínico descamativo, isto é, se a lesão for raspada, descama profusamente.

O quarto critério é a fotossensibilidade. Por isso, o médico deve sempre investigar se a paciente já apresentou problemas quando se expôs à luz do sol e provavelmente ficará sabendo que mínimas exposições provocaram queimaduras muito intensas na pele, especialmente na pele do rosto, do dorso e de outras partes do corpo mais expostas ao sol nas praias e piscinas.

O quinto critério é a dor articular, ou seja, a dor nas juntas, geralmente de caráter não inflamatório. É uma dor articular assimétrica e itinerante, que se manifesta preferentemente nos membros superiores e inferiores de um só lado do corpo e migra de uma articulação para outra. Geralmente, é uma dor sem calor nem rubor (vermelhidão) nem edema (inchaço), os três sinais da inflamação. Há casos, porém, em que esses três sintomas se fazem presentes, assim como podem ocorrer artrite e excepcionalmente inflamação no primeiro surto de 90% das pacientes.

O sexto critério, e um dos mais importantes, é a lesão renal. Paciente com lesão renal acompanhada de hipertensão no primeiro surto tem prognóstico mais reservado. A hipertensão arterial denota que surgiu um processo inflamatório nas membranas das estruturas envolvidas no sistema de filtração do sangue que atravessa os rins e a paciente é acometida por glomerulonefrite. Se esse distúrbio não for tratado convenientemente, a paciente evolui para insuficiência renal rapidamente progressiva.

O sétimo critério: a lesão cerebral. Seu primeiro sinal é uma convulsão, um ataque epilético comum que pode ser confundido como característico de doença exclusivamente convulsiva e relegar o diagnóstico e tratamento do lúpus para segundo plano. O comprometimento cerebral, em geral, não acontece no início da doença. No entanto, se estiver ligado à lesão renal, as dificuldades terapêuticas se agravam bastante.

O oitavo critério: no território do sangue, o lúpus estabelece as chamadas penias. Em 20% dos casos, a anemia hemolítica coincide com a ruptura dos vasos sanguíneos e a fragilidade dos glóbulos vermelhos, levando à anemia hemolítica autoimune, uma manifestação da síndrome pré-lúpica. Outra manifestação de penia mais incidente é a leucopenia, ou seja, a diminuição de glóbulos brancos, dos leucócitos. Outra possibilidade é a ocorrência da plaquetopenia, ou púrpura trombocitopênica idiopática, uma lesão provocada por anticorpos contra as plaquetas que não tem etiologia definida e que pode preceder, em alguns anos, a instalação do lúpus.

O nono critério: é o imunológico. Pacientes lúpicas apresentam uma reação falsamente positiva para sífilis e manifestam a síndrome anticoagulante lúpica que se caracteriza por trombose, embolias e abortos de repetição.

O décimo critério: é a incidência de pericardites (inflamação do pericárdio, membrana que envolve externamente o coração) e de pleurites (inflamação da pleura, membrana que recobre o pulmão) também podem ocorrer em pacientes com lúpus.

O décimo-primeior critério – primeiro critério: é o fator antinúcleo.

Drauzio – Você citou formas de evolução mais lenta e mais acelerada do lúpus. O que determina tal diferença?
Samuel Kopersztych – Quanto mais jovem for a mulher, pior será o diagnóstico. Lúpus dificilmente aparece em meninas que ainda não menstruaram. Em geral, o acometimento coincide com a época da menstruação e atinge mulheres na faixa entre 15 e 30 anos. Se não há lesão renal e cerebral no primeiro surto, trata-se de uma forma benigna de lúpus caracterizada por lesões de pele, asa de borboleta, dor nas juntas, sintomas facilmente controláveis com medicação. É também provável que a paciente não apresente os problemas correlacionados com o passar da idade e morra de outra causa que não o lúpus. Mas, se no primeiro surto, porém, ela manifestar lesão renal ou cerebral ou, o pior de tudo, as duas ao mesmo tempo, é sinal de mau prognóstico. Nos EUA, estatísticas mostram que a mulher negra tem evolução pior do que a branca. O que vimos no HC, entretanto, é que aqui há uma equivalência da doença entre mulheres brancas e negras.

Atenção: a entrevista completa sobre o assunto pode ser encontrada no seguinte endereço: http://drauziovarella.com.br/mulher-2/lupus-eritematoso-sistemico/

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