CAFEOMANCIA – A SORTE NA BORRA DE CAFÉ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A crença, conhecida com o nome de cafeomancia, de que é possível conhecer o futuro de uma pessoa através da leitura da borra de café que fica na xícara, foi desenvolvida pelos árabes, em tempos remotos, sendo usada pelas odaliscas para saber qual cairia nas graças do sultão naquela noite. Era também realizada nas cortes para decifrar e solucionar questões políticas. A leitura através da borra do café originou-se da leitura da xícara de chá, praticada pelos chineses, há centenas de anos.

A preparação do café possui um ritual todo próprio no mundo árabe, fazendo parte de sua tão difundida hospitalidade, propagando-se através das gerações. Ao contrário de nosso cafezinho, onde entra apenas o açúcar, ao café árabe são acrescidas algumas especiarias, sendo a mais comum o cardamomo. E a Turquia, apesar de não ser um país árabe, herdou as mesmas tradições dos povos vizinhos. Nos dias de hoje, os ciganos têm contribuído para difundir essa tradição milenar.

Nos países que creem na cafeomancia, as mães ainda leem a sorte da família, principalmente das filhas e filhos casadoiros, buscando a revelação da sorte que lhes aguarda, ou quais caminhos deverão trilhar em busca dela.

Para fazer a leitura na borra do café, o primeiro passo é fazer um bom café turco, em que o pó deve estar moído o mais fino possível. Ao contrário do nosso café, a bebida turca não é coada. Por isso, deve ser bebida devagar, para que a borra seja decantada no fundo da xícara. Quando a pessoa começar a notá-la na boca, está na hora de parar. A leitura é feita imediatamente.

Observações a serem seguidas na leitura da sorte:

Antes é preciso purificar o ambiente com incenso e sobre a mesa, aonde irá se realizar a leitura, botar um copo com água e sal, para afastar energias negativas.  A leitura só deverá ser feita quando a pessoa, que busca conhecer sua sorte, estiver tranquila. Passos a seguir:

1 – O interessado em conhecer seu futuro deverá beber o café, calmamente, para que esfrie e os desenhos da borra fiquem formados.

2 – Retirar a xícara do pires, tapando-a com o mesmo.

3 – Fazer dois ou três movimentos leves e circulares com a xícara e pires a fim de que a borra se movimente.

4 – Emborcar a xícara no pires.

5 – Começar a fazer a leitura da borra que ficou na xícara.

6 – Após ler a xícara, pegar o pires e derramar a borra sobre a xícara. Logo após, interpretar os desenhos do pires.

Os desenhos formados ao redor da xícara requerem imaginação para serem decifrados, pois cada um possui um significado. Por exemplo: peixe (felicidade ou dinheiro), cachorro (fidelidade), cobra (traição), gato (egocentrismo), anel (casamento), criança (nascimento), pássaro (boas notícias), traço comprido (pessoa), etc.

Símbolos e significados que podem ser encontrados na borra de café

  • Animal doméstico = amigo está com problemas
  • Árvore = projetos se realizando
  • Casa (prédio) = união futura
  • Chapéu (boné) = encontro com um homem
  • Chave = problemas resolvidos
  • Coração = novo relacionamento.
  • Cruz = necessidade de ser solidário com as pessoas
  • Escada que sobe = problemas temporários
  • Estrada (rua) = Problemas sendo resolvidos.
  • Estrela = aproveite o momento
  • Ferradura = sorte.
  • Flecha = foque-se nos objetivos
  • Foice (faca) = cuidado, sinal de perigo
  • Laço (corda) = bons momentos chegando
  • Letras = mensagens vindo
  • Lua = bens materiais
  • Mão = brigas
  • Montes = reformas
  • Muro = obstáculo
  • Números = espera
  • Nuvens = necessidade de ser realista
  • Olho = proteção
  • Pássaro = problemas na profissão
  • Peixe = segredos
  • Pena = proteção, realização de projetos
  • Pente = surpresa
  • Pés = sucesso recompensado
  • Pomba = confirmação
  • Quadrado =bons relacionamentos
  • Raios = energia
  • Relógio = concentração no trabalho
  • Rosto feminino = mulher vindo
  • Rosto masculino = homem chegando
  • Sol = aproveite
  • Vários círculos = momento de reorganizar
  • Vários riscos = momento de repensar o seu estado
  • Vaso = cuidado com a generosidade de desconhecidos

Fontes de pesquisa:
http://www.business-with-turkey.com/guia-turismo/artigos-turquia.shtml
Wikipédia

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OS BELOS TAPETES TURCOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O tapete oriental não nasceu com a finalidade ornamentista que tem nos dias de hoje, sendo usado em tempos idos para proteger as pessoas contra o frio, durante os rigorosos invernos. Sua tecelagem, característica da cultura e arte persas, remonta à antiga Pérsia, atual Irã, entre as tribos nômades que empregavam barro, insetos, plantas, raízes e cascas na confecção dos mesmos. A partir do século XVI, a tecelagem de tapetes acabou se transformando em arte. Atualmente, riquíssimos em cores e em motivos empregados, os tapetes ornamentam os mais diferentes lugares.

Estudiosos acreditam que o tapete Pazyryk, o mais antigo de que se tem notícia, tenha sido feito por volta de 500 antes de Cristo. Alguns cientistas creem que a confecção de tapetes surgiu na era do paleolítico (7000 a.C).  Com o passar dos tempos, materiais decomponíveis foram sendo empregados na confecção de tapetes, tais como lã, seda e algodão, o que impede os arqueólogos de encontrá-los nas escavações para estudos.

A revolução islâmica foi responsável pela queda da produção de tapetes persas, pois considerava que esses eram um “tesouro nacional”, vedando a sua exportação para o Ocidente. Mas, com a queda de tão importante fonte de renda, os responsáveis por tal política acabaram capitulando em 1984  e o mercado de tapetes orientais entrou em alta, sendo a maior parte de sua produção, nos dias de hoje, totalmente mecanizada, embora as técnicas tradicionais de tecê-los à mão, ainda convivam com as modernas. Mas os tapetes manuais são caríssimos.

O tapete turco é também chamado de tapete da Anatólia. O que o difere do tapete persa é apenas a técnica usada na sua tecelagem e o emprego dos motivos que o decoram, embora já se possa encontrar no Irã o mesmo tipo de técnica empregada na Turquia. Em Istambul existem vários comerciantes que produzem artesanalmente seus tapetes, em teares verticais, usando lã de carneiro como matéria prima e que possuem uma grande diversidade de cores e desenhos.

Os quatro principais tipos de tapetes turcos, de acordo com o material usado, são:

  • Seda sobre seda
  • Lã sobre algodão
  • Lã sobre lã
  • Viscose sobre algodão

Contrastando com os tapetes indianos, os turcos não possuem desenhos de figuras humanas, após Maomé, de acordo com as regras muçulmanas. Seus motivos geométricos representam as tradições de uma tribo ou o gosto artístico de quem o confecciona. São ornados com linhas verticais, horizontais e oblíquas, formando desenhos simples, muitas vezes criado pela repetição de um mesmo motivo, transmitido de geração em geração.

Fonte de pesquisa:
Wikipédia

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Mit. – GLAUCO, SILA E A FEITICEIRA DIRCE

Recontado por Lu Dias Carvalho

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O jovem Glauco pescava todos os dias. Normalmente voltava para casa com pesadas fieiras de peixe. Certa vez, depois de ter apanhado a cota de peixes do dia, notou que esses, até então jogados na relva, começaram a voltar à vida e, subitamente, todos pularam na água ao mesmo tempo. Perplexo com a situação, chegou a imaginar que fosse a erva usada para apanhá-los ou a ação de algum deus.

Para tirar suas dúvidas, Glauco colocou algumas folhas da erva usada na própria boca. Imediatamente sentiu-se excitado por uma vontade incontida de cair na água. Não mais aguentando refrear seu desejo, pulou nas águas, mergulhando profundamente. Bem no fundo, moravam os deuses da água (Oceano e Tétis), que o receberam carinhosamente, sendo, inclusive, retirado de si qualquer vestígio de humanidade, transformando-o num ser imortal. Agora, não seria mais necessário dedicar-se à pesca.

O imortal Glauco, em um de seus constantes passeios pelas águas, observou na praia uma linda jovem de nome Sila, protegida das ninfas da água. Ela procurava um local menos íngreme, onde pudesse entrar no rio. Mas ao notar a presença de Glauco, voltou, repentinamente, à procura de um local seguro, a fim de avaliar se era ele um deus ou um animal marinho. Quando esse lhe disse que era um deus, acima de Tritão e Proteu, ela se acalmou. A seguir, contou-lhe sua história de humano até transformar-se em deus. Porém, reclamou por não possuir o coração de Sila, por quem havia se apaixonado assim que a vira. Ela fugiu amedrontada diante de tais palavras.

Glauco, apaixonado, resolveu pedir ajuda à feiticeira Circe, que morava numa ilha, a mesma em que Ulisses havia desembarcado. E falou-lhe de seu grande amor por Sila, pedindo-lhe que usasse suas ervas para fazer com que a jovem retribuísse sua paixão. Mas o fato é que a feiticeira também se sentiu atraída pelo deus, e, portanto, aconselhou-o a gostar de quem dele gostasse, assim como ela. Deveria retribuir o desprezo de Sila com o mesmo desprezo recebido, devendo procurar alguém que também dele gostasse, pois não valia a pena sofrer por quem nos desmerecia.

Diante dos conselhos de Circe, Glauco reafirmou-lhe que jamais poderia deixar de amar Sila, deixando a deusa feiticeira indignada. Como não podia castigá-lo por ser ele um deus, e também por amá-lo, resolveu supliciar Sila. Mesmo os deuses, tomam sempre os pobres como vítimas e neles descontam suas decepções. Portanto, às plantas de poderoso veneno, Circe acrescentou feitiçarias e encantações, e partiu para a Sicília, em busca de Sila. E na baía, onde a jovem banhava-se, jogou a mistura venenosa, acompanhada de palavras mágicas.

Ao chegar ao lugar costumeiro, Silas enfiou-se na água, cobrindo-se até a cintura. Mas para seu horror, notou que havia uma ninhada de serpentes e monstros à sua volta. Ao tentar fugir deles, notava que continuavam perto dela. Por fim, observou que eram parte de si. E ali teve que permanecer, para sempre, como castigo. Revoltada, e com toda a razão, passou a devorar os marinheiros que dela se aproximavam, dentre eles seis companheiros de Ulisses. Os deuses transformaram-na em rochedo, tentando minimizar seu ódio. E ainda assim, o rochedo a que deu forma, continua a amedrontar os marinheiros que passam perto dele.

Nota: Glauco e Sila, pintura de Bartholomäus Spranger

Fontes de Pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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A ESCRAVIDÃO NO IMPÉRIO ROMANO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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De todos os lados, a morte pode te surpreender: um naufrágio, bandidos, e, para não falar de um poder mais alto, o último de teus escravos tem um direito de vida e morte sobre ti. (Sêneca)

Meu pai sempre me ensinou a não encarar tragicamente as perdas materiais; se me morre um boi, um cavalo ou um escravo, eu não faço disso um drama. (o médico Galeno)

Os escravos estavam presentes em todo o Império Romano. Os romanos estavam certos de sua superioridade em relação a eles. Tinham-nos como crianças, ainda que fossem velhos, e sujeitos à decisão do tribunal doméstico, presidido pelo amo. Quando levados aos tribunais públicos, sofriam castigos físicos e até mesmo a morte, fato inimaginável para um homem livre daquela época. Seus senhores nutriam por eles um grande medo, pois, embora tidos como inferiores, tinham contato íntimo com seus amos, numa relação de amor e ódio. E nunca se sabia quando esse ódio viria à tona. Eram tidos e tratados como um bem material, pertencente aos donos, fazendo parte de seu patrimônio. Ainda que fossem vistos como inferiores, executavam diferentes funções na economia, na política na sociedade e na cultura do Império Romano. Os povos vencidos, que se transformavam em escravos, eram muitas vezes mais sábios do que seus senhores, como foi o caso dos gregos.

Os filhos de escravas eram considerados escravos e, consequentemente, pertenciam ao mesmo senhor, que detinha sobre eles todos os poderes. Tanto podia criá-los como enjeitá-los, ou até mesmo afogá-los, se assim lhe aprouvesse. A tradição de rejeitar filhos ainda bebês era tão comum, e não apenas entre os pobres, que havia mercadores de escravos que iam buscar os enjeitados nos monturos públicos, para vendê-los depois. Os pobres, sem quaisquer meios para criá-los, muitas vezes vendiam-nos diretamente a tais mercadores, mal acabavam de deixar o útero da mãe, ainda envoltos em sangue. Havia também os adultos que se vendiam para não morrerem de fome, tamanha era a miséria em que viviam.

Ao vender sua carga humana, o mercador era obrigado a prevenir o comprador sobre seus defeitos, dentre esses estavam:

• fanatismo religioso;
• fascinação exagerada para o amor;
• gosto exagerado pelos espetáculos e pinturas (cartazes).

O fato de ser escravo era um estigma, pois não importava a função que executava ou a instrução que tivesse, ele podia ser vendido a outrem, a qualquer momento. A situação era tão absurda, que se o dono de um escravo cometesse um crime, era o infeliz que seria torturado diante dos tribunais públicos, para que revelasse o crime de seu amo, uma vez que um homem livre não poderia sofrer tortura. O senhor também tinha direito a deflorar o hímen de suas escravas. Os filhos dos escravos eram vistos como crias de um rebanho, não sendo dada nenhuma importância à vida deles. Viver ou morrer dependia dos objetivos do amo.

Um senhor podia libertar seu escravo, tornando-o um homem livre, tanto em vida quanto através de testamento. Em caso de dúvida quanto ao testamento, o direito romano decidia em favor da libertação do escravo. Depois de alforriado, seu senhor, se ainda vivo, não podia voltar atrás. Não se tratava de uma preocupação humanitária com a vida dos escravos, pois isso só acontecia em caso de dúvida. Nenhuma voz defendia essa gente. Se se podia dizer que havia humanitarismo, esse estava ligado à exortação aos senhores para serem bons amos. O que não equivalia a nenhuma penalidade, caso fossem tratados com desumanidade.

Quando fora da casa de seu senhor, os escravos podiam frequentar seitas religiosas, pois eram esses os poucos lugares em que eram aceitos. Nos dias de festa, obtinham folga para assistirem aos espetáculos públicos (teatro, circo de arena, etc.). E com o passar dos tempos, certas mudanças foram sendo introduzidas na vida dos escravos, como:

• casar-se;
• dedicar-se à mulher e filhos;
• vender a família junta.

Contudo, isso também não significou que a sociedade romana estivesse imbuída de qualquer laivo de conscientização quanto à vida miserável daquela gente, pois a má nutrição, a perversidade dos castigos, a opressão, o sentimento de inferioridade, a miséria material e moral continuavam incólumes.

Nota: Mercado dos Escravos, obra de Jean-Léon Gérôme

Fonte de pesquisa
História da Vida Privada/ Companhia das Letras

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A BELEZA DE MACHU PICCHU

Autoria de LuDiasBH

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Acreditará alguém no que eu encontrei? (Hiram Bingham)

Machu Picchu significa “velha montanha” na língua quíchua, ainda falada por grupos étnicos que vivem ao longo da Cordilheira dos Andes. Trata-se de uma cidade pré-colombiana, também conhecida como a “cidade perdida dos Incas”, sendo considerada como um dos monumentos arquitetônicos e arqueológicos mais importantes do mundo. Essa cidade maravilhosa obedeceu a um plano muito rigoroso de construção, sendo por isso uma das criações mais fantásticas do Império Inca. E graças à sua altitude e às montanhas que a rodeiam, permaneceu oculta durante centenas de anos, até ser descoberta. Alguns estudiosos acham que ela foi construída com fins religiosos, pois o povo inca adorava vários elementos da natureza tais como o sol, a lua, o raio e a terra.

Machu Picchu situa-se no topo de uma montanha, no meio de uma floresta tropical, no Peru, a cerca de 2430 metros de altitude e a 112 quilômetros de Cuzco, possuindo a seu redor abismos gigantescos de até 400 metros de profundidade. No século século XV, Pachacuti, nono governante do Império Inca, ordenou a sua construção. Apesar dos desgastes ocasionados pelo tempo, a cidade ainda possui 30% de sua construção original, mostrando pedras unidas milimetricamente e sem nada que pudesse fazer tal ligação, enquanto 70% dela foram reconstruídas. Através do encaixe das pedras, é possível distinguir a parte nova da velha. A cidade foi construída numa região muito alta, para que os incas assim pudessem ficar perto dos deuses, conforme acreditavam.

O historiador norte-americano Hiram Bingham, à frente de uma expedição da Universidade de Yale, anunciou a descoberta da cidadela de Machu Picchu em 1911. Com sua arquitetura genial, a cidade passou a ser considerada, em 2007, como uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo. Machu Picchu foi elevada à categoria de Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela UNESCO, sendo um dos pontos mais visitados do país, o que também não deixa de ser preocupante em relação à sua integridade física. O fluxo de turistas tem sido cada vez maior, vindos das mais diferentes partes do mundo, sendo visível a degradação do lugar. Por isso, o governo peruano tem tentado limitar o número de pessoas no local. Quem vai àquele lugar através de agências, já tem a reserva de ingressos feita pela própria agência, mas quem viaja por conta própria, terá que procurar as autoridades para obter o ingresso.

Pode se chegar até Machu Picchu, partindo da cidade de Cusco, numa viagem de trem que dura entre três a quatro horas até o povoado de Águas Calientes, local só acessível através da ferrovia, onde se pode pegar um micro-ônibus, que gasta 30 minutos para chegar até a cidade inca. A ausência de uma rodovia, que ligue diretamente a cidade histórica a Cusco, tem como objetivo proteger Machu Picchu do turismo desordenado e predador. No entanto, Águas Calientes vem crescendo desordenadamente, uma vez que vive do turismo, sem nenhuma preocupação por parte das autoridades. Outro meio de chegar a Machu Picchu é seguir pelo caminho Inca, numa longa caminhada de quatro dias, chegando ao local pela “porta do sol”. Inicia-se a caminhada no km 82 da ferrovia Cusco-Águas Calientes. E, para quem quer mais comodidade e menos contato com o povo e a natureza, pode-se ir de helicóptero, partindo de Cusco, em um voo que dura trinta minutos.

Fontes de pesquisa:
Portal São Francisco
http://www.universitario.com.br/noticias/n.php?i=11863

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DOAÇÃO E TRANSPLANTE DE FÍGADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Em todo o mundo, inúmeras pessoas encontram-se na fila para um transplante de fígado, mas poucos sabem o modo como se dá o transplante de tal órgão. Pesquisando, tive acesso a uma entrevista do conhecido médico Dr. Dráuzio Varela com o Dr. Telesforo Bacchela (Professor de cirurgia, presidente da Comissão de Transplantes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro do conselho da ABTO.), que me pareceu muito esclarecedora. Vou postar as partes mais interessantes, que julgo necessárias para o conhecimento do leitor. Porém, seria bom que tomassem conhecimento de todo o artigo, cujo endereço eletrônico encontra-se ao final deste texto.

Mas o que é o fígado? O fígado é uma glândula constituída por milhões de células – os hepatócitos –, localizada no lado direito do abdômen, que produz substâncias essenciais para o equilíbrio do organismo.

Se o fígado possui uma capacidade extraordinária de recuperação, por que adoece? Certas doenças provocam insuficiência hepática aguda ou crônica grave que podem levar ao óbito. Nesses casos, o único recurso terapêutico é a substituição do fígado doente por um fígado sadio retirado de um doador compatível com morte cerebral ou de um doador vivo que aceite doar parte de seu órgão para ser transplantado.

Onde foi realizado o primeiro transplante de fígado na América Latina e qual é a taxa de sobrevidas nos casos de transplantes? O primeiro transplante de fígado foi realizado com sucesso no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1968. A taxa de sobrevida nesses casos, que era de 30% nos anos 1970, passou a 90% no final da década de 1980.

Drauzio – Em linhas gerais, tecnicamente como é feito o transplante de fígado?
Telesforo Bacchella Existem duas modalidades principais de transplante de fígado:
1º caso – usando o fígado de um doador em morte encefálica ou parte do fígado de um doador vivo. Depois de obter a autorização da família para utilizar o órgão, uma equipe especializada retira o fígado, que é preservado em soluções especiais a quatro graus centígrados e transportado para o hospital onde será transplantado no receptor doente indicado pela Secretaria de Saúde. A colocação envolve suturas nas principais vias sanguíneas que passam pelo fígado (veia cava, veia porta e artéria hepática) e o restabelecimento do fluxo da bile, que é produzida no fígado e lançada no intestino.

2º caso – No transplante intervivos (entre pessoas vivas), idealizado para atender receptores pediátricos por causa da escassez de órgãos nessa faixa de idade, o doador é um adulto do qual é retirada parte do lobo esquerdo ou do lobo direito do fígado. Apesar de mais complexa e envolver risco para o doador, como essa técnica cirúrgica mostrou-se bem indicada e bem aceita nas crianças, acabou sendo utilizada também em pacientes adultos, uma vez que a falta de órgãos para transplante não ocorre apenas na infância.

Drauzio – Qual é a duração dessas cirurgias?
Telesforo Bacchella O transplante de fígado de cadáver, que pressupõe apenas a cirurgia do receptor, em média, leva de 6 a 8 horas, mas pode chegar a dez, doze horas, às vezes. Atualmente, essa técnica está bem padronizada e controlada, e é raro os receptores necessitarem de muito sangue. Já o transplante intervivos é um procedimento mais demorado. Leva de 10 a 12 horas porque, além da hepatectomia (retirada de parte do fígado do doador vivo, e do fígado doente do receptor) e da colocação do fígado sadio no lugar do fígado doente, a técnica envolve a utilização de microcirurgia, tendo em vista que os vasos sanguíneos são muito finos.

Drauzio – É a mesma equipe profissional que realiza a cirurgia do começo ao fim?
Telesforo Bacchella – Existem centros em que a mesma equipe realiza as duas cirurgias: a do doador e a do receptor. No Hospital das Clínicas, uma equipe faz a cirurgia no doador e só depois de verificar que, do ponto de vista anatômico, o fígado é viável, outro grupo de profissionais inicia a cirurgia no receptor. O objetivo em buscar certa sincronia nos dois procedimentos é reduzir o tempo da operação.

Drauzio – O pós-operatório dos transplantes de fígado é muito complicado?
Telesforo Bacchella Tudo depende das condições do receptor antes do transplante e da qualidade do órgão transplantado. Se o receptor se encontra em condições clínicas favoráveis, sob o ponto de vista nutricional e da doença hepática de base, suporta melhor a cirurgia. Se o órgão veio de um doador considerado ideal, a recuperação do doente é rápida. No primeiro dia depois do transplante, ele fica na UTI e já, no dia seguinte, começa a alimentar-se. Se o fígado veio de um doador não ideal, se a cirurgia foi mais complexa porque o doente já havia sido operado anteriormente e apresentava aderências de tecidos ou doença hepática em estágio mais avançado, por exemplo, as complicações são mais frequentes. Quanto ao funcionamento do órgão transplantado, o tempo independe do tipo de transplante (de cadáver ou intervivos). No entanto, quanto maior for a demora em o órgão transplantado começar a funcionar, mais prolongado será o período de internação na UTI e mais arrastada a recuperação.

Drauzio – Em que casos, o transplante de fígado deve ser indicado?
Telesforo Bacchella A principal indicação em criança é um defeito anatômico congênito chamado atresia das vias biliares. Nesse caso, como o canal da bile não se desenvolve, ela fica represada no fígado, que evolui para cirrose. Quando não se consegue corrigir esse defeito por outros meios, o jeito é fazer o transplante. Também são candidatas ao transplante de fígado as crianças com defeitos metabólicos, isto é, com doenças congênitas hereditárias que determinam alterações metabólicas graves. Noventa por cento dos candidatos adultos ao transplante hepático são cirróticos. Desses 90%, metade tem cirrose porque foi infectada pelo vírus da hepatite C. Nos outros, a causa da cirrose pode ser o vírus da hepatite B, o álcool, o vírus da hepatite C associado ao álcool,  o vírus da hepatite B mais hepatite Delta, hepatites autoimunes, cirrose biliar primária, colangite esclerosante e cirrose biliar secundária.

Drauzio – Que riscos correm os doadores vivos que se propõem doar parte do fígado para transplante?
Telesforo Bacchella Como dissemos, o transplante intervivos foi idealizado inicialmente para os receptores pediátricos, por causa da escassez de doadores nos primeiros anos de vida. O grau de complexidade dessa cirurgia varia bastante. Ela pode ser relativamente simples e de pouco risco para o doador adulto, quando se utiliza um pequeno segmento – o segmento lateral esquerdo – de seu fígado para transplantá-lo em crianças menores. No entanto, a cirurgia torna-se muito mais complexa, se for necessário transplantar todo o lobo esquerdo ou todo lobo direito do fígado do doador adulto, porque o receptor tem tamanho maior. Atualmente, o transplante intervivos faz parte da rotina no tratamento das doenças hepáticas. Os riscos existem para o doador adulto, e vão desde complicações simples, como infecção da ferida cirúrgica e demora em voltar ao trabalho, até o óbito.

Drauzio – O doador tem de ser histologicamente compatível com o receptor? Isso obriga que seja escolhido entre os familiares da pessoa doente?
Telesforo Bacchella Diferente dos transplantes de rim que exigem compatibilidade maior por HLA ou por prova cruzada, o transplante de fígado requer apenas a compatibilidade ABO do tipo sanguíneo, porque ele é um órgão de maior tolerância imunológica, ou seja, que se adapta mais facilmente ao novo receptor, apesar da agressão imunológica a que está exposto. Exceção feita aos irmãos univitelinos, isto é, aos gêmeos idênticos, está provado que não faz diferença o doador ser um parente próximo ou distante ou um cadáver.

Drauzio –Nos transplantes de fígado, como fazer o organismo aceitar esse corpo estranho e harmonizar esse convívio?
Telesforo Bacchella Essa é uma questão-chave na tecnologia dos transplantes. Convém lembrar que a rejeição é uma das reações imunológicas que nos mantêm vivos. Nosso organismo é diariamente atacado por vírus, bactérias e fungos. Através do sistema imunológico, ele reconhece esses microrganismos como agressores e os elimina. Com o órgão transplantado, comporta-se da mesma forma. Como com o novo órgão entra no organismo do receptor uma carga enorme de proteína e de antígenos, seu sistema de defesa não sabe se aquilo é um vírus ou uma bactéria e começa a desenvolver clones celulares e anticorpos específicos para destruir o corpo estranho. Felizmente, a ciência progrediu muito e foram descobertas substâncias capazes de “enganar” o sistema imunológico a fim de que o órgão do doador seja tolerado pelo organismo do receptor. Embora o maior medo do transplantado seja a rejeição, o risco de perda do órgão por esse motivo é de 1%, portanto, muito baixo.

Atenção: a entrevista completa pode ser encontrada em
http://drauziovarella.com.br/clinica-geral/transplante-de-figado/

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