Cézanne – AS CASTANHEIRAS…

Autoria de Lu Dias Carvalho

ASCAST

A composição As Castanheiras de Jas de Bouffan no Inverno é uma das belas paisagens do pintor francês Paul Cézanne.

Nove altos troncos de castanheiras, com os seus galhos entrelaçados uns nos outros, criam um maravilhoso trançado, através do qual é possível ver parte da fazenda de Jas Bouffan, propriedade da família do pintor, uma casa sobre a colina e a majestosa montanha azulada, ao fundo, tão amada por ele.

Pela cor do céu, presume-se que seja um dia de inverno. Da sua paleta o pintor tirou o marrom-escuro dos troncos, o verde do prado, que se espalha por toda a paisagem, o azul da montanha e o ocre das casas.

Ficha técnica
Ano: c. 1885-1886
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 71,1 x 90,2 cm
Localização: Institute of Arts, Mineápolis, EUA

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen

Views: 12

DEPRESSÃO – ESPERANÇA, AINDA QUE TARDIA!

Autoria de Celina Telma Hohmann

tar12
Ganhei o dia!
Em minhas eternas buscas pelo tão sonhado sossego mental, que, diga-se, parece algo tão inatingível quanto viver eternamente, eis que descubro este blog e, opa, descubro algo ótimo, fácil, gostoso de ler e com uma descrição que por si só nos faz ter uma melhora, enquanto o lemos! Desnecessário dizer que quem busca informações sobre medicamentos, o faz porque necessita do bendito, mas sempre fica a dúvida, e hoje, diferentemente do passado, onde o médico prescrevia, comprávamos e só descobríamos se servia exatamente ao nosso problema após ler o que descrevia a bula, contamos com a bênção da internet.

Bem, saí ontem da psiquiatra, meio que desconfiada, pela enésima vez, com uma nova prescrição, haja vista que outros medicamentos já não fazem efeito algum, se é que o fizeram em alguma fase. Foram sempre um apoio, jamais a solução! Já usei tantos ansiolíticos e que tais, que acredito, os laboratórios deveriam me dar um prêmio pelos gastos contínuos com medicação. Dos indutores do sono, passando pelos temíveis antidepressivos, que só aumentaram meu peso e, por consequência, meu sufoco, pois engordar é terrível, quando se foi sempre magra, e perceber que aquele inchaço é como o reflexo da nossa incapacidade de controle emocional.

Tenho uma vida que em hipótese alguma posso julgar ruim, mas mesmo assim, eis que a fortaleza por vezes se faz pó! Em verdade, pó é luxo, pois viro lixo em mais de um terço de minha doce existência. Ontem, obrigada por filha e irmã, fui novamente à psiquiatra, pois, juro, já nem desejo mais essas visitas que a mim parecem uma perda de tempo. Com tentativas de novas fórmulas, vem o desconforto, pouquíssimas vezes o equilíbrio que até vem, mas num delirante vaivém de melhora/não melhora/resolve e não resolve.

Dormir sempre foi o luxo que busquei na vida, e, por essas coisas que não se explicam, o que mais me faz falta é o tal sono. E, incrível, por vezes, transformo-me num animal hibernando… Durmo e durmo, mas, claro, nas horas mais impróprias, ou seja, quando o mundo está acordado e a vida pulsando… Meu boicote contra minha própria vontade de viver, conversar, ser feliz, ou algo próximo a isso.

Minha depressão é um terror! E sei, como é com todos que por desventura a sentem, ou sentiram. Vivenciam ou vivenciaram esse pavor, que a alguns é decorrência de um episódio, uma fase ruim, mas quem é depressivo desde a infância, torna-se, com o passar do tempo um desacreditado em si próprio. É o meu caso! Cheguei a casa – nem passei pela farmácia, pois sabia de antemão que o tal composto custa um pouquinho além do que eu tinha na bolsa – e somente hoje fui ler a tal prescrição. Descubro que é para o oxalato de escitalopram. Não conhecia, ou se o conhecia não havia, ainda, ingerido.

Bem, lá vai pesquisa e nessa, lá veio o blog e a doce aventura de lê-lo. Gostoso, agradável, brincalhão sem ser desrespeitoso, aliás, o desrespeito com a depressão deveria ter, também uma Lei que o colocasse entre os crimes contra a humanidade! Vou iniciar meu tratamento somente na segunda-feira, quando a grana estiver disponível. Então, acho que será na terça, pois a compra será à tarde. Serão7 dias com dosagem de 10 mg nos primeiros 7 dias, e a partir do 8º dia, 20 mg, pela manhã.

Estou esperançosa, pois, juro, por tanto tempo entupindo-me de remédios, porque, para ajudar, já passei por seis cirurgias renais. Sou fábrica de cálculos renais e daqueles resistentes, que não explodem, não quebram, não saem… E dê-lhe morfina, internações, cirurgias e outros incômodos, além do medo de que tudo volte. Por ora, com três últimas intervenções cirúrgicas no final do ano (quem disse que comigo a coisa funciona?) Nada! Sempre há intercorrências… Ainda a tal depressão sempre presente e eu tentando disfarçá-la, ou, por vezes, me afundando nela. Cheguei ao transtorno alimentar. Mais uma para somar! Odeio comida! Fujo dela, disfarço, como escondido para que não me cobrem e aí posso comer bem pouco, entre um engasgo e uma vontade de chutar o prato.

Eis-me! Por sorte, mas sorte mesmo, não sou explosiva – mas já fui – tenho uma fé que auxilia e um cansaço que dá pena. Não nasci assim e quero, preciso e mereço melhorar. Não sei ainda se a medicação surtirá os efeitos que espero, mas escrever é tão bom e descobrir o blog foi tão prazeroso que acho que o fulaninho escitalopram já deu sinais de que valerá a pena! Assim Seja! Não espero o milagre, pois esse, não pertence às fórmulas farmacológicas, mas espero que dessa vez dê certo. Cansei e quero um pouco de sossego, quero serotonina, adrenalina e paz! Mas a paz dos que estão vivos, não a paz dos zumbis!

Nota:  Melancolia, obra de Edvard Munch

Views: 77

CECIL, O HOMEM E A NATUREZA

Autoria de Edward Chaddad

tar1

Não sou agnóstico, sou deísta, mas penso que nós podemos, todos unidos, fazer a diferença, com nossa atuação no seio da sociedade. Pelo que sei “maktub” é uma expressão do fatalismo muçulmano, que acredita que tudo o que está acontecendo já estava escrito, ou seja, iria acontecer. Porém, eu não acredito que assim seja. Na vida,  há o nascer, o viver e o morrer. É a lei da vida, com seus desígnios. Jamais existe uma posição preconcebida, premeditada e construída por Deus, ou seja, Ele não dirige nossos destinos, longe disto. O  fatalismo existe no sentido de que não podemos nos afastar de nossa natureza humana, como por exemplo, o fato de que um dia iremos morrer.  Assim, “maktub” para mim, é a expressão resultante apenas de nossa resignação diante dos ditames da própria vida.

Penso que o fatalismo está presente na vida, pois é uma determinante dela, porém, jamais estará no plano superior de Deus. Seria “maktub” as duas bombas atômicas jogadas em Hiroshima e Nagasaki? Com certeza, Deus criou o universo – a vida é o dom de Deus – e não iria escrever uma página tão cruel e odiosa como esta, onde milhares de seres humanos, inocentes, morreram. E é claro que houve culpados, seres desumanos que planejaram a feitura das armas e dos ataques nucleares aos japoneses. Esses ataques foram planejados, arquitetados por seres humanos e não podemos colocar Deus nisto. A vida é sempre um paradoxo. Ela contraria, pelos acontecimentos, toda a lógica que orienta nossos pensamentos, ou seja, tudo em que acreditamos. Diante desta contradição, podemos enfrentá-la ou deixar tudo nas costas largas do Criador, o que é muito fácil. Ah, o Leão um dia iria morrer. Que fazer? Vamos nos resignar e pronto: “maktub”, estava escrito! É claro que não! Se assim fosse, não haveria crescimento para nosso espírito.

A morte do Leão – na forma que ocorreu – deixou grande parte da humanidade totalmente consternada e revoltada, diante da agressão perpetrada por um ser humano, que se diz inteligente e civilizado. O animal foi atraído para fora da área de proteção, por guias locais, que ajudaram o caçador. E lá ele o matou. Fez isso apenas para se divertir, por prazer, por um passatempo. Era um caçador viciado em matar animais raros. O leão Cecil foi degolado e teve a pele arrancada, depois de ferido por uma flechada. O caçador norte-americano deve ter levado a cabeça do Leão para colocá-la na sala de troféus, por orgulho. Ah, isto estava escrito. Iria acontecer, pois tudo que acontece é vontade de Deus. Renito: é claro que não.

A morte de Cecil foi vontade de Deus? Não! Foi obra e vontade de uma pessoa, ajudada por outras, seus guias locais, que gastou muito dinheiro – mais de 50 mil dólares – para contar ao mundo, como símbolo de sua aventura e vaidade, como matara um animal, o leão Cecil, símbolo do Zimbábue. Foi uma maldade imperdoável, praticada por uma pessoa totalmente desprovida de valores humanos. É de todo evidente que a comoção pela qual passa o mundo, com este caso, não está ligada apenas à morte de Cecil, mas à caça irracional de animais, muitos deles em extinção, colocando em risco a existência das espécies. E o extermínio é para todo o sempre.

Aí está, no caso, um dos exemplos da fúria com que seres humanos agridem a natureza – representada aqui pelo leão Cecil. No caso, nem foi motivada por ganância e certamente por ignorância. Foi mesmo um ato de crueldade, a pretexto de diversão e vaidade. E, é claro, cabe a todos nós, onde o mal estiver acontecendo, combatê-lo, com todas as forças de nossos ideais de vida. O homem é uma das espécies de animal que habita o planeta, mas talvez a única que pode romper o equilíbrio delicado deste.

No pensamento do filósofo Martin Heidegger, é importante refletirmos que não é muito claro o entendimento que coloca o homem como sujeito e a natureza como objeto. Se compreendermos que todos nós somos frutos da natureza, portanto, parte integrante dela, não não podemos levar o mundo ao desequilíbrio. É a nossa racionalidade que deve buscar manter a fusão entre a natureza e nós, seres humanos. Se ela não existir, todos iremos perecer. Temos que preservá-la, mantendo equilibradas a vida vegetal e animal, para que possamos tornar a vida possível, usando corretamente os recursos de nosso planeta.

Lembro-me de ter assistido a um filme, relativo à vida de Noé, onde ele chama a atenção de seu filho, ainda menino, que estava arrancando flores em um campo. Ele lhe perguntou sobre o que faria com as flores, sabendo que as iria jogar fora. E aí emendou: Sirva-se da natureza apenas para as suas necessidades. As flores são vida. Elas irão se espalhar por todo o mundo. Quem ama a vida, ama a natureza. Como parte do mundo – criação divina – ela deve ser venerada pelo homem e, certamente, defendida com unhas e dentes. E é claro que os esforços de todos nós, unidos, tendo como suporte o amor, podem fazer a diferença em prol de uma humanidade muito mais feliz.

Nota: imagem copiada de www.jornalnh.com.br

Views: 16

Cézanne – O MAR EM L`ESTAQUE

Autoria de Lu Dias Carvalho

MARENLEST

A composição O Mar em L´Estaque, uma aldeia de pescadores, é tida como uma das mais belas paisagens feitas por Cézanne, que deixa visível os ensinamentos do amigo Camille Pissarro.

O lugar mostra-se tranquilo. As cores vivas estão no vermelho do tijolo dos telhados, no verde da folhagem, no azul do céu e da água. Não é possível vislumbrar nenhuma fonte de luz, excetuando a chaminé vermelha, que parece receber um foco de luz do sol poente. Toda a luz do quadro é retirada das cores e pela modulação, levando o observador a viajar por toda a tela.

Os telhados vermelhos das casas destacam-se com a presença do sereno mar azul.

Ficha técnica
Ano: c. 1876
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 42 x 59 cm
Localização: Fondation Rau pour la Tiers-monde, Zurique, Suíça

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Taschen
Cézanne/ Girassol

Views: 9

DEUS, DETERMINISMO, CECIL E BONDADE

Autoria de Lu Dias Carvalho

tar

Recebi um e-mail de um leitor, que me parabeniza pelo trabalho humanitário que faço aqui no blog, mas, que também me diz ser em vão o fato de eu me preocupar com esse tipo de coisa, como a morte do leão Cecil, pois tudo o que acontece é com a permissão de Deus, Alá, Brahma, Javé, em suma, de um ser responsável por tudo que ocorre no planeta Terra ou em qualquer parte do Universo. Acrescentou que o mal é responsável pela evolução de nosso espírito, pois tudo é matéria física. Que o leão Cecil morreu na hora exata. E parar ou não com o meu trabalho, era decisão minha. Confesso que o meu amigo virtual não teve nenhuma intenção de me magoar. Mas também não poderia ficar calada, sob a possibilidade de jogar por terra todas as minhas verdades, que busco durante anos a fio. Respondi-lhe:

O que move o mundo é o paradoxo de pensamentos tão díspares. Ou, seja, eles são o reflexo daquilo que somos: seres humanos complexos, ainda que muitos de nós estejam cheios das melhores intenções, ou pensem conter as verdades da vida. Não creio em dogmas ou em religião. Conheço um pouco de algumas. Delas absorvo aquilo que considero louvável e desprezo o que concebo como um atraso para a vida no planeta Terra. Sou agnóstica, e vejo nisso algo humanamente recompensador para minha existência humana. Tento ser generosa comigo e com a vida, não em função de uma crença, que me ofereça a eternidade, numa espécie de barganha, mas, porque quero ser alguém melhor, a serviço de um planeta melhor, ainda que minha vida reduza apenas a essa passagem fugaz pela Terra.

Não acredito que a existência de um ser divino, quer tenha o nome de Deus, Alá, Brahma, Javé (ou o que quer que seja), direcione a vida dos seres terrestres, até porque, se assim fosse, eu o teria como diabólico, sem magnanimidade, parcial e mesquinho, que a uns envia o sofrimento e a outros compraz com uma vida de benesses. Não! Eu jamais aceitaria um ser manipulador e determinista, que me obrigasse a cruzar os braços diante das atrocidades do mundo, criado para ser um Paraíso. Se assim fosse, melhor seria ter nascido árvore, pedra, ou água, que se move empurrada pela corrente, rumo ao mar.

Se houver um Deus, o meu Deus será muito diferente. Terá criado a vida, posto o homem na Terra, dado-lhe o livre-arbítrio (embora a Ciência esteja a provar que não o temos tão livre assim, uma vez que a genética é responsável por grande parte daquilo que somos) para agir como quiser. Caso contrário, o homem, não deveria passar pelo tão conclamado Juízo Final, visto na maioria das crenças, pois, coitado, seria apena uma marionete manipulada por um ser superior. Que culpa carregaria diante da manipulação de um ser que lhe é superior? Se assim for, todos os seres humanos já são puros por antecipação. Não deveria nem mesmo haver a Justiça terrena, se todos servem a um Ser Determinista Superior. Eu o abominaria com todas as forças de meu ser, pois, para mim, Deus só poderia ser o mais puro e profundo amor.

Se houver um Deus, penso que apenas observa a trajetória humana na Terra, onde colocou cada homem. A cada um, nessa “outra” proclamada Vida, julgará conforme o merecimento. Levará em conta sua genética, o país em que viveu, as condições que recebeu ao nascer, as oportunidades que teve, a crença em que nasceu e, sobretudo, sua generosidade para com o planeta. Peste, vírus, maremoto, terremoto, furacão e todas as desgraças seriam advindas da própria condição planetária, em suas constantes transformações, pois a morte e tais mudanças também são renovação, não apenas para o bem, mas também para o “mal”.

Não imagino como o espírito possa evoluir, com o corpo cruzando os braços, omisso, vendo tudo como determinado. Sua evolução está no modo como cada ser reage diante das desgraças, quando essas não se perpetuam, pois o sofrimento tende a trazer nosso melhor lado. Mas, se contínuo, a revolta pela miserabilidade torna os homens ainda mais cruéis uns com os outros,  com os animais e com a Terra. Acredito firmemente na teoria de que a “generosidade tende a duplicar o amor”.

Se houver um Deus, a Terra é uma escola de vida, onde temos a oportunidade de nos aprimorarmos. E é aí que entra a necessidade do sofrimento, que atinge a prepotência e o egoísmo humano no seu cerne. Se o aprimoramento não vem através de nossa interação com as adversidades, vistas e sentidas na Terra, como iremos aprimorar nosso espírito? Decorando um monte de verborreia encontrada nos chamados “livros santos”, muitas vezes mais bélicos do que o próprio homem?

O que aconteceu com o leão Cecil, ao unificar os corações de um monte de pessoas, em todas as partes do mundo, unindo-os em prol de outros leões e animais, num sentimento maravilhoso de humanidade, é a parte boa de sua morte. Mas, se ninguém se importasse, teria sido o xeque-mate de nossa inutilidade aqui na Terra. Saber que ele iria morrer mais cedo ou mais tarde não justifica a deplorável ação do dentista americano e comparsas. Que morresse conforme os desígnios da natureza.

Se alguém entrar em sua casa, meu amigo, e assassinar sua família, você aceitaria normalmente como ordem divina, já que todos vão morrer mais cedo ou mais tarde, por que são matéria física? Se arrancarem todas as árvores de sua rua, você não se importaria, pelo fato de que elas irão morrer um dia? Se o vizinho matar o seu cão, você não se importará, pois trata-se de matéria física e foi ordem divina? Que Deus é esse que não induz à ordem, se o Universo, apesar de, à primeira vista parecer complexo e caótico, é altamente ordenado?

Você diz que o leão morreu na hora exata. Como prova isso? Como responde ao crescente aumento da vida humana através dos tempos, em razão da melhoria de sua qualidade, sobretudo em função dos muitos avanços científicos (tome a penicilina como exemplo)? Deus separou o homem, bichos e plantas em compartimentos estanques? De ano tal a ano tal, o homem viverá apenas 30; de tal a tal, 50; de tal a tal, 80… E ainda, no Japão e Coreia do Sul nascerão os que viverão mais tempo, na África, sobretudo na Somália, nascerão aqueles que terão o menor índice de vida? Quão cruel é esse seu Deus! Abomino-o! Mais parece o deus hindu (Brahma) dividindo o mundo em castas, além de criar os conhecidos “dalits” (intocáveis), a poeira da Terra, mas também a vergonha da humanidade.

Ainda que não carregue nenhuma crença, eu me preocupo muitíssimo com meu espírito (ou mente). Não para ganhar o paraíso, num escambo maquiavélico (ser bom por recompensa), mas para me sentir melhor como pessoa, pois isso me faz bem, torna-me mais completa e feliz. E olhe que recebo mais da Vida do que mereço. Ajudar, trabalhar como voluntária e sentir-me útil é um bem dirigido, sobretudo, a mim mesma e, por consequência ao planeta, pois bondade gera bondade. Não se trata de algo feito para Deus, pois ele não deve precisar disso para existir, tamanho é o seu poder.

Eu devo continuar o meu trabalho de crescimento espiritual (ou mental) em meu benefício e em prol de meu planeta, pois tenho certeza de que preciso dele para NÃO me transformar num autômato, num ser robótico, numa mera carcaça perambulando pela Terra. Eu quero ser GENTE! De carne e osso, também. Eu quero que esse Deus, se houver, julgue-me por minhas ações e não apenas por meus pensamentos. Ação é vida! Pensamento é a alavanca da ação, se posto em execução. Fora disso não passa de palavras tolas jogadas ao vento.

Mas eu lhe faço uma pergunta. Outros homens deveriam trabalhar para que você viva? O agricultor, o lixeiro, os funcionários dos supermercados, dos laboratórios, das farmácias, dos hospitais, das fábricas de tecido e das usinas de água, num ínfimo exemplo? Já imaginou quantas pessoas trabalharam para que pudesse tomar uma única xícara de café ou chá? Comece pelo operário que, com seu trator, abriu os sulcos na terra e chegue até a caixa do supermercado, que o atendeu. Não se esqueça de passar, se estiver de carro, por todos os homens que contribuíram para que usasse seu automóvel, sem se esquecer dos que trabalharam para que tivesse gasolina ou álcool e dos que fizeram a rua por onde passou, até chegar a seu lar, pelos que trabalharam na confecção do fogão ou micro-ondas, do açúcar ou adoçante, da xícara e dos talheres usados… Infinitos seres humanos trabalham para que você viva, todos os dias de sua existência, e ainda assim acha que não deve trabalhar por outrem, numa visão determinista é egóica de que Deus, Alá, Javé (e não sei mais o quê) tem tudo escrito, nos mínimos detalhes, sendo, portanto, necessário apenas que cruzemos os braços e deixemos tudo acontecer a bel-prazer?

Não, meu amigo, eu não compactuo com a existência desse seu Deus. É mesquinha demais para meus parcos neurônios. E, se assim fosse, ainda estaríamos vivendo nas cavernas, sem crença em Deus, Alá, Javé, Brahma… Mas, se acha que é assim, isso é com você! O que torna a vida ímpar é essa diversidade de pontos de vista, num mundo laico. Sei que tentou me preservar das minhas emoções, mas sem elas eu viro apenas casca. Agradeço-lhe. Eu seria muito infeliz se abraçasse sua crença. Ainda mais porque tenho certeza absoluta de que você, quando adoece, vai ao médico e toma remédio, em vez de deixar sua saúde nas mãos desse ser que determina tudo. Partindo desta premissa, em relação ao que diz sobre a morte do leão, não segue a risca o que prega. Como só acredito em ação, tenho as suas palavras como discordantes. Desculpe-me a sinceridade!

Nota: Religião Brasileira, obra de Tarsila do Amaral

Views: 32

Cézanne – MONTAGNE SAINTE-VICTOIRE…

Autoria de Lu Dias Carvalho

MONSAVIC
O olho não é suficiente. É preciso refletir. (Cézanne)

Tomo essas cores, essas gradações cromáticas e fixo-as, combino-as. Formam linhas, convertem-se em objetos, rochas, árvores, sem que eu pense. (Cézanne)

A composição Montagne Sainte-Victoire Vista de Tholonet é de autoria do pintor francês Paul Cézanne. Em muitas de suas paisagens, principalmente nos seus últimos anos de vida, A Montagne Sainte-Victoire, em Aix, foi a sua principal personagem, sempre exercendo sobre grande fascinação.

A Montagne Sainte-Victoire é vista na composição começando pela estrada de Tholonet, como vista no centro, em primeiro plano, perto da serra. Esta era a sua montanha amada. Predominam na composição os tons alaranjados dos reflexos do sol no chão, confrontando-se ao verde das plantas, ficando no centro a imponente montanha.

No meio da paisagem é possível observar com exatidão a presença de uma casa com suas janelas verdes, totalmente inserida na paisagem. Ela, juntamente com as árvores situadas em primeiro plano, tem seus contornos bem definidos. À esquerda, no ângulo inferior, há um conjunto de árvores, possivelmente oliveiras.

À direita, na parte superior, as marcas são indicativas de estragos na pintura. É interessante notar que o pintor não se preocupava em pintar a paisagem tal como era, mas exteriorizava-a assim como a sentia.

Ficha técnica
Ano: c. 1896-1898
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 78 x 99 cm
Localização: Hermitage, São Petersburgo, Rússia

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen

Views: 8