Mestres da Pintura – HUGO VAN DER GOES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O pintor Hugo van der Goes (1443-1482) é tido como um dos mais importantes pintores flamengos da segunda metade do século XV. Não se sabe muito sobre os primeiros anos de sua vida. Trabalhou como mestre na associação dos pintores de Gante, onde nasceu. Participou da decoração do casamento de Carlos, o Temerário, possivelmente ao lado de Hans Memling e Petrus Christus. Suas pinturas atendiam especificamente ao que era definido pelos clientes, quer eclesiásticos ou seculares. Entrou para o Convento de Roode, sendo ordenado como irmão laico, local em que passou os últimos anos de sua vida. Mesmo tendo feito votos de pobreza, castidade e obediência, não abandonou a pintura. Segundo o irmão Gaspar Ofhuys, ele tinha crises de melancolia, possivelmente depressão, acompanhadas de crises de culpa, tendo sido acometido também por alucinações religiosas. Alguns estudiosos aludem a isso, o fato de sua arte mostrar tensão e austeridade.

Hugo van der Goes foi responsável por criar mais expressividade na fisionomia e nos gestos das figuras humanas que pintava, embora a corte borgonhesa coibisse os gestos descomedidos e a exposição dos sentimentos. Também gostava de usar cores brilhantes. Através de seu Tríptico de Portinari, concluído na Florença, ele exerceu grande influência nos artistas italianos, dentre eles estavam Domenico Ghirlandaio e Leonardo da Vinci. Em razão dessa obra, a Itália recebeu novas técnicas de pintura a óleo e alguns elementos compositivos da arte flamenga, até então desconhecidos ali.

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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A MULHER FOI SEMPRE A VÍTIMA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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As religiões, de um modo geral, sempre procuraram limitar as mulheres, talvez porque sejam dominadas por homens que procuram impor suas regras e ideologias. (Geraldo Magela Cordeiro)

A mulher foi sempre a grande vítima na história da humanidade, perseguida pela maioria das religiões e pelos governantes ginofóbicos. Por detrás de tal domínio sempre existiram interesses escusos, dentre eles o manejo da família, que sempre circundou a fêmea. Adestrando-a, pensavam e ainda pensam alguns, todo o resto viria junto na rédea curta, excetuando o macho.

Posto aqui algumas passagens retiradas de certa religião para a apreciação do leitor e indignação da leitora.

  • A beleza em uma mulher vazia é como uma argola de ouro no focinho de um porco.
  • É natural que seja o homem que corteje a mulher e não a mulher o homem. Porque a mulher foi uma parte do homem e aquele que perdeu busca a sua parte.
  • Uma mulher virgem deve se casar na quarta-feira e uma viúva na quinta, porque o tribunal de justiça reúne duas vezes por semana nas cidades: nas segundas e quintas-feiras. De modo que se o noivo tiver alguma reclamação a respeito da virgindade da mulher, pode ir à manhã seguinte ao tribunal.
  • Para escolher uma esposa, desça um degrau. Porém, suba um degrau para escolher o amigo.
  • Quando um homem divorciado se casa com uma mulher divorciada, há quatros pessoas neste leito conjugal.
  • Um homem tem o direito de divorciar-se da sua mulher simplesmente por ela estragar a comida.
  • Se a mulher chegar ao prazer antes do homem, conceberá um menino. Porém, se o homem chegar ao prazer antes, ela conceberá uma menina. Portanto, aqueles, que se controlam na relação, adquirem grande mérito, por permitir que suas esposas fiquem satisfeitas. E quem deseja que todos os seus filhos sejam homens, deve fazer o sexo com sua mulher, duas vezes seguidas, em sequência imediata.
  • A mulher prefere pobreza com amor, a riqueza sem amor.
  • O homem deve ser rápido para comprar um terreno, mas lento para escolher a  mulher.

A Lei (da época) exigia que o homem cumprisse com os seus deveres conjugais da seguinte maneira:

  • os ociosos: todos os dias;
  • os trabalhadores: duas vezes por semana;
  • os carregadores: uma vez por semana;
  • os cameleiros: uma vez a cada trinta dias;
  • os marinheiros: uma vez a cada seis meses.

E assim caminhou a humanidade até os dias de hoje.

 Nota: imagem do Artesanato do Vale do Jequitinhonha

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Klimt – AS TRÊS IDADES DA MULHER

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Após a perda de seu pai e do seu irmão Ernst, grande companheiro nas artes, Gustav Klimt sentiu-se muito abalado. Afastou-se da atividade pictórica por um tempo, para a reflexão. Ao retornar à carreira, o artista trazia uma nova visão da vida, na qual incluía a morte. Desse modo, o ciclo natural da vida passou a fazer parte de seu trabalho, ainda que indiretamente.

Na composição As Três Idades da Mulher a temática sobre o ciclo da vida é mostrada diretamente. Para muitos estudiosos de arte, o artista inspirou-se no quadro “As Três Idades da Mulher e a Morte”, obra do pintor renascentista alemão Hans Baldung Grie.

As figuras de Klimt estão dispostas verticalmente: uma mulher idosa, uma jovem e uma garotinha, todas nuas, com o objetivo de mostrar a passagem do tempo. A mulher idosa encontra-se de perfil, com os cabelos a tapar-lhe o rosto. Além dos seios caídos, da pele flácida, costas encurvadas e da protuberante barriga, chamam a atenção as veias que se espalham pelo braço, mão, perna e pés direitos da anciã. Próxima a ela, está a jovem mãe, com seu corpo rijo e pele rósea, com sua filhinha adormecida nos braços. O enlevo que se vê na figura da mulher jovem contrasta com o isolamento em que se encontra a da idosa. Como em todos os quadros do artista, a decoração cumpre o seu papel. Mãe e filha parecem unidas sob um mesmo manto.

Klimt não atribui à figura da mãe a sensualidade característica de suas mulheres, embora ela possua os mesmos atributos dessas: cabelos ruivos, lábios carnudos e rosto carmesim. A presença da criança e o seu aconchego à mãe, assim como os olhos fechados da mulher jovem, inibem qualquer tipo de sensualidade.

Ficha técnica
Ano: 1905
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 180 x 180 cm
Localização: Galleria Nazionale d’Arte Moderna, Roma, Itália

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha

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Klimt – A VIDA E A MORTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição A Vida e a Morte, obra do artista austríaco Gustav Klimt, ganhou a medalha de ouro na Exposição Internacional de Arte de Roma, no ano de 1911. Após guardá-la por um tempo, Klimt resolveu retocá-la, fazendo diversas mudanças na obra, inclusive com a adição de mais figuras e rostos.

Em seu quadro o artista apresenta a Morte à esquerda, observando um grupo de pessoas das mais variadas idades, situadas à direita, representando a Vida. Enquanto a morte é representada em cores frias e sombrias, as pessoas possuem cores quentes e exuberantes.

A Morte é representada por um esqueleto, usando uma longa túnica azul, entremeada de cruzes negras em diversos formatos e tamanhos. Ela segura firmemente um cetro vermelho nas mãos, simbolizando o seu poder sobre a Vida. Ao mirar o conjunto de humanos,  ela parece rir do fim que os aguarda, mais cedo ou mais tarde. Está ali como um predador feroz, à espera de sua presa, não importando qual seja o tempo de espera.

As figuras humanas formam um conjunto oval. A personagem mais velha encontra-se no meio, com a cabeça baixa, como se tivesse rezando. Seu rosto revela uma certa tristeza, pois a Morte está mais próxima para ela. Os demais seres humanos parecem se encontrar dormindo, como se a Morte não existisse para eles. Apenas uma mulher, na parte superior esquerda da coluna, fita a Morte com visível surpresa, como se dela nunca tivesse ouvido falar.

É possível perceber que a sinuosidade da túnica da Morte encaixa com a do grupo, numa junção perfeita, como se o artista quisesse dizer que Vida e Morte complementam-se.

Ficha técnica
Ano: 1910-1915
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 178 x 198 cm
Localização: Leopold Museum, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha

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Klimt – A VIRGEM

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Em suas obras, Gustav Klimt quase sempre mostrava as mulheres sob o véu do erotismo. A sua composição A Virgem diz respeito à passagem do artista da fase dourada para um estilo diferente, quando começou a se inspirar nas obras impressionistas de de Schielle e Kokoschka.

Os elementos do quadro estão unidos numa forma ovalada, que se posiciona na tela em diagonal, devendo ser observados a partir do ângulo direito superior para o inferior. Tem-se a impressão de que o grupo gira no sentido anti-horário, como uma bacia num redemoinho. Uma das figuras, à esquerda, encontra-se de costas para o observador

As figuras femininas encontram-se assentadas num acolchoado florido, estando os corpos uns sobre os outros. A figura da virgem é o elemento principal da composição. Ela se encontra deitada no centro, numa atitude de pleno relaxamento, com os braços esticados para cima. Uma manta azul com desenhos em espiral cobre seu corpo nu. Em torno dela, suas companheiras encontram-se despertas, como se velassem por seu sono.

O fundo escuro da composição intensifica o colorido do conjunto ovalado, que está circundado por um círculo vermelho.

Ficha técnica
Ano: 1913
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 190 x 200 cm
Localização: Národní Galerie, Praga, República Tcheca

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha

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Klimt – RETRATO DE ADELE BLOCH-BAUER I

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Gustav Klimt tornou-se o retratista preferido das mulheres da aristocracia vienense e da burguesia endinheirada. A sua retratada, Adele Bloch-Bauer, era filha de um banqueiro, que também era dono da companhia ferroviária responsável pelo famoso Orient Expresse. Era uma mulher importante que frequentava o mais alto círculo de Viena, inclusive, sendo amiga do psicanalista Sigmund Freud.

Ferdinand Bauer, o milionário esposo de Adele, encomendou a Klimt um retrato dela, então com 21 anos de idade. Talvez tenha sido uma das obras mais trabalhosas e demoradas do artista, tamanha era a complexidade do trabalho, elaborado em óleo, prata, ouro e gesso.

A posição de Adele na composição é ambígua, pois tanto parece que está sentada como de pé. Ela se encontra luxuosamente vestida, como se fosse uma rainha, mas parece sufocada em meio a tanto ornamento e riqueza. O tecido do vestido, composto por desenhos abstratos, formas geométricas e motivos oculares, mistura-se com o do espaldar da cadeira.

A postura das mãos de Adele tem como finalidade disfarçar uma malformação que ela tinha em um dos dedos. Seu braço esquerdo está coberto por duas belas pulseiras. O ouro compõe o vestido da retratada e o fundo da composição.

Quando a Áustria foi anexada à Alemanha, esta obra foi parar na mão dos nazistas, mas no pós-guerra, passou a pertencer ao governo austríaco. Os herdeiros só tiveram acesso à obra depois de uma longa batalha de 12 anos.

Cinco anos depois, Klimt voltou a pintar outro retrato de Adele por encomenda de Ferdinand, de modo que ela foi a única modelo a fazer parte, duas vezes, da obra do artista. A obra Retrato de Adele Bloch-Bauer I é o retrato mais célebre de Klimt, e juntamente com O Beijo, diz respeito ao apogeu do pintor em sua fase dourada.

Ficha técnica
Ano: 1907
Técnica: óleo e folha de ouro e prata sobre tela
Dimensões: 140 x 140 cm
Localização: Coleção particular

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha
Aventuras na História/ Editora Abril
História da arte no ocidente/ Editora Rideel

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