Mestres da Pintura – FERNANDO BOTERO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O artista é universal apenas quando está fortemente enraizado na própria comunidade onde nasceu. (Fernando Botero)

Quando se é jovem, deseja-se ligar a tudo. Passou-se o mesmo comigo. Queria a cor de Matisse, a construção de Picasso, a pincelada de Van Gogh. (Fernando Botero)

Para mim, uma personalidade como Rivera era sempre da maior importância. Mostrou-nos, a nós jovens pintores centro-americanos, a possibilidade de criar uma arte que não precisava ser colonizada pela Europa. Sentia-me atraído pelo caráter do mestiço, a mistura das culturas indígena e espanhola. (Fernando Botero)

O artista figurativo e escultor colombiano Fernando Botero Angulo nasceu em Medellín, na Colômbia em 1932. É o segundo dos três filhos do vendedor Davi Botero e da costureira Flora Angulo. Aos quatro anos de idade Fernando perdeu seu pai, vitimado por um ataque cardíaco, ficando aos cuidados da mãe e de um tio que teve um papel fundamental em sua vida, tendo o colocado numa escola para toureiros por um período de dois anos, embora ele preferisse a arte no papel. Enquanto crescia, o garoto sentia-se cada vez mais fascinado pelo Barroco, estilo que via nas igrejas coloniais e na vida de Medellín. Já aos 16 anos o jovem viu suas primeiras ilustrações serem publicadas no suplemento dominical do jornal “El Colombiano”, um dos mais destacados de Medellín. Com o dinheiro recebido Botero pagou o Ensino Médio.

Fernando exibiu seu trabalho pela primeira vez quando tinha 16 anos de idade, ao lado de outros artistas de sua região. No período de 1949 e 1950 ele trabalhou como cenógrafo. Mudou-se para Bogotá em 1951, época em que 25 de suas obras foram expostas pelo fotógrafo Leo Matiz em seu atelier. Eram desenhos, pinturas a óleo e aquarelas de um jovem pintor desconhecido que acabara de chegar da província. É fato que sua obras não fizeram grande sucesso, mas Fernando continuou firme no seu desejo de seguir a carreira artística. Antes de completar um ano em relação ao evento anterior, Leo Matiz fez nova exposição com obras do artista, obtendo grande sucesso, sendo vendidas todas as  que se encontravam expostas. Fernando Botero estava com 19 anos. O mundo da arte que o aguardasse!

Fernando Botero morou em Madri/Espanha, onde permaneceu um ano e estudou os mestres espanhóis. Ali teve contato com a composição “Danae” de Ticiano, quadros de Tintoretto e Velázquez, pintor espanhol que sempre admirou. Depois foi para Paris/ França, onde estudou as obras do Louvre, atraído pelos grandes mestres do passado. A seguir foi para Florença/Itália, estudar os grandes mestres do Renascimento e a técnica da pintura de afrescos. Em Arezzo encantou-se com os frescos de Piero della Francesca. Em Assis de Pádua ficou fascinado pelos trabalhos de Giotto. Em Siena estudou Carpaccio. Em Veneza estudou Giorgone e Ticiano. Em Roma mostrou sua preferência por Piero della Francesca e Paolo Ucello. Ao final foram quase quatro anos passados na Europa, dedicados ao estudo da arte.

O retorno a Bogotá desiludiu o artista que não era não festejado como antes. O público tomava suas obras como excessivamente clássicas. Botero então partiu para o México, país dono de uma tradição cultural magnífica, onde se encontravam Frida Kahlo, Diego Rivera, Alvaro Siqueiros e José Clemente Orozco que acabaram deixando marcas na arte de Botero, principalmente Diego Rivera (falecido no ano em que ele chegou àquele país). Depois passou uma temporada nos Estados Unidos da América, tendo uma exposição de suas obras em Washington, oportunidade em que conheceu a arte contemporânea feita ali. Voltou a seu país aos 26 anos de idade, sendo nomeado professor de pintura da Academia. Era a glória!

Em 1960, ao expor pela segunda vez em Washington/EUA, Botero resolveu ali permanecer para fazer evoluir sua carreira artística. De lá foi para Nova York. É dessa época que ele guarda memórias muito sofridas, quando tinha que lutar arduamente para sobreviver, além de ter que lidar com a solidão, rejeição, críticas ácidas e ainda com o fato de ser latino (hoje chamados de hispânicos) tidos como uma comunidade inferior no meio artístico. Mas ao ter uma de suas pinturas adquiridas pelo Museum of Modern Art e ter feito uma exposição de pinturas no seu hall, tornou-se famoso de uma hora para outra. Segundo alguns críticos, as obras do artista colombiano nos seus primeiros anos em Nova York, ladeado pela solidão e sofrendo grande privação material, estão entre as mais belas.

Botero já fez mais de 50 exposições individuais em todo o mundo e seus quadros atingem altas cifras no mercado, sendo encontrados nas mais diferentes partes do planeta, sempre imbuídos de grande qualidade artística. Na produção de suas primeiras obras, o artista foi influenciado pelos pintor francês Paul Gauguin e pelos mexicanos Diego Rivera e José Clemente Orozco, através de livros e reproduções. Na casa de um amigo ele gostava de apreciar a reprodução de Picasso intitulada “Mulher em Frente ao Espelho” e outra de um quadro de Giorgio Chirico.

As características inconfundíveis da arte de Botero receberam o nome de “boterismo”, pois retrata figuras rechonchudas, sempre com um volume exagerado, podendo denotar crítica política ou meramente humor. A sua escultura critica, principalmente, a ganância humana. A obra do artista é estimada em cerca de 3.000 pinturas, 200 esculturas e incontáveis desenhos e aquarelas. Embora trabalhe mais com retratos, naturezas-mortas e paisagens também fazem parte de sua obra, assim como a escultura.

O artista é sempre questionado sobre o porquê de pintar pessoas gordas, ao que ele responde: “Eu não pinto pessoas gordas!”. À primeira vista, podemos até achar que ele esteja brincando conosco, pois em sã consciência não podemos dizer que as pessoas nas suas obras sejam esbeltas. Muito pelo contrário. Mas ao nos aprofundarmos na sua análise, veremos que ele está coberto de razão. O artista quer dizer que possui um estilo próprio, o de pintar todas as coisas volumosas, quer sejam pessoas, animais ou objetos. Embora ele seja um pintor figurativo e suas imagens direcionadas pela realidade, não tem o compromisso de transmiti-la. Portanto, o exagero nos tamanhos trata apenas de uma escolha de estilo, da forma como ele apresenta sua arte. Já vimos essa deformação na arte de El Greco, com suas figuras sinuosas e alongadas, no cubismo de Picasso, etc. E mesmo na deformação está presente o seu desejo de mostrar a sensualidade de suas figuras.

Atualmente Botero vive em Paris, sendo que em razão das drogas não tem mais voltado à sua Medellín. Mas onde quer que esteja, ela está sempre presente em suas obras, ao recordar de sua gente, suas paisagens e tradições.

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A INTELIGÊNCIA DO BESOURO ROLA-BOSTA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O besouro rola-bosta tem um cérebro mais ou menos do tamanho de um grão de arroz, e, ainda assim, pode fazer coisas que não poderíamos nem imaginar. Basicamente, ele é todo desenvolvido para lidar com sua fonte de comida, que é o estrume. (Marcus Byrne)

O zoólogo e entomologista Marcus Byrne, professor em Joanesburgo, África do Sul, possui uma verdadeira paixão pelo modo como os insetos resolvem os problemas inerentes ao meio ambiente onde vivem. Dentre esses, o besouro rola-bosta (também conhecido como escaravelho) é o que mais o fascina. Marcus procura, através dos truques dos insetos, encontrar ideias para aplicar na solução dos problemas humanos, mostrando que eles têm muito a ensinar aos homens, apesar de esses se sentirem como os senhores do planeta Terra.

Apesar de carregar um cérebro diminuto, o besouro rola-bosta demonstra grande inteligência ao carregar para casa seu alimento – excremento animal. O pequeno inseto causa surpresa pela precisão que possui, ao levar o alimento até sua toca. Em razão de um apurado sistema de navegação visual, ele rola o excremento animal, com extrema precisão, mesmo que seja na escuridão noturna.

O excremento expelido por outros animais ainda tem nutrientes para o besouro rola-bosta e suas larvas são criadas dentro de uma bola de esterco. Em todo o mundo existem cerca de seis mil espécies de tal besouro. A maioria delas enrola seu alimento em um tipo de embalagem. Apenas 10% das espécies fazem uma bola com o excremento, saem rodando com ela em linha reta e a soterram distante do local, onde foi encontrado o alimento.

O besouro rola-bosta, com sua cabeça abaixada, caminhando para trás, empurra sua carga preciosa com muita atenção e cuidado. Segundo o zoólogo Marcus Byrne, a competição acirrada é a responsável, possivelmente, pelo fato dele levar seu fardo alimentar para longe. Se encontra algum obstáculo pelo caminho, dribla-o e volta a seguir na mesma direção para onde se dirigia antes. Ou seja, como diz o zoólogo “ele sabe para onde está indo e sabe para onde quer ir”. De quando em vez, o inseto sobe no topo da bola de estrume e olha para o Sol, sua fonte de sinalização. Mesmo quando esse não se encontra visível, o besouro é capaz de seguir o padrão de luz polarizada no firmamento, invisível para nós humanos.

Ecologicamente falando, esse inseto coprófago tem muita importância para a natureza, pois aduba a terra com os excrementos que enterra, diminui a liberação de amônia,  aumenta sua aeração, é um agente controlador  de ectoparasitas dos bovinos, contribui para a limpeza das pastagens, etc. Para quem não sabe, coprófagos são aqueles que se alimentam de fezes. Isso mesmo, os besouros “rola-bosta” comem excrementos de mamíferos herbívoros.  Também é conhecido por capitão, coró, carocha, vira-bosta e bicho-carpinteiro.

Nota: imagem copiada de diariodebiologia.com

Fonte de pesquisa
Revista Oásis http://www.brasil247.com/

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O GAROTINHO DOWN E O CÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Em certas situações, comporte-se como uma criança e aja como um cão.
(Parte que veio escrita no videoclipe)

Meus amados leitores, este videoclipe literalmente levou-me às lágrimas. E tenho a certeza de que a maioria de vocês, ao vê-lo, fará como eu, pois é impossível ver tanta ternura por parte de um animal, sem se comover. Desde que iniciei o Vírus da Arte & Cia., tudo que vejo de belo experimento uma imensa vontade de dividir com vocês. Sinto-me como a hospedeira que quer dar o melhor de si àqueles que chegam à sua casa. Vocês são meus visitantes mais diletos!

Este videoclipe joga diante de nossos olhos o quão maravilhosa é a amizade que liga um garotinho com Síndrome de Down a um animal. Normalmente, as crianças possuem esse dom maravilhoso de se comunicarem com os animais. É a pureza encontrando a inocência, sem nenhum tipo de barreira, num mundo que se torna paraíso, ainda que por alguns instantes, o que, infelizmente, não é de longe a regra geral, pois vimos, recentemente, uma mãe incitar seu filhinho de três anos a maltratar um filhotinho de poodle, a ponto de jogá-lo na parede e o bichinho cair desmaiado. O bicho homem sabe ser mau, quando quer.

O grande cão parece perceber a fragilidade do menininho em suas limitações. Ele o olha com um carinho que salta nos nossos olhos e, com ternura, delicadamente, toca-o sem que o machuque, levando em conta a diferença de tamanho entre os dois. Em nenhum momento o cão se impõe. Seus movimentos são pausados e cuidadosos. Apenas vai se aproximando lentamente do garoto, fazendo gracinhas para lhe chamar a atenção, ganhar confiança, ou talvez para lhe dizer que é um amigo que jamais lhe fará mal, até que pressente o momento exato de uma aproximação mais calorosa.

O menininho, a princípio temeroso, vai se entregando ao contato com o animal que mais parece um pai encorajando o filhinho a brincar, a aceitar o afago e o grande amor que tem para lhe oferecer. O pequenino, aos poucos, vai entendendo a conversa silenciosa travada entre eles, até que se entrega por completo ao amigo. O ápice do encontro entre o animal e o pequenino humano acontece quando se unem num abraço afetuoso. Aí o coração da gente desaba de tanto afeto pelos dois.

Nós, gente grande, temos muito a aprender com os animais. Quiçá este videoclipe mude o modo como certas pessoas veem os bichos, nossos companheiros de planeta, e passem ter por eles mais admiração, respeito e amor.

Parabéns ao criador do videoclipe!

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Filme – RIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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“Sempre gostei de araras. Acho um pássaro fascinante. Queria uma espécie que estivesse realmente em extinção. Foi aí que escolhi a ararinha-azul.” (Carlos Saldanha)

É impossível não se apaixonar por Blu, uma arara-azul brasuca, mas naturalizada americana por acaso. (Gustavo Cheluje – A Gazeta)

O filme Rio é a maior estreia da história do cinema no Brasil. Embora tenha sido escrito e dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, trata-se de uma animação americana, com toda a riqueza própria de Hollywood. Foi lançado primeiro nos cinemas do Kazakistão em 3 de abril de 2011, depois na Argentina e mais 14 países em 7 de abril. Seu lançamento no Brasil aconteceu em 8 de abril. Abrangeu mil salas em todo o país, suplantando Eclipse (ano passado). Em Portugal a estreia foi em 14 de abril e nos EUA foi lançado em 15 de abril.

Mesmo sendo uma produção estrangeira, não é possível negar seu gostinho bem brasileiro, a começar pelo nome do filme e do diretor. Carlos Saldanha diz se tratar de uma homenagem à sua cidade, Rio de Janeiro, embora, para isso, tenha cometido alguns errinhos de geografia (como o fato de a ararinha-azul nunca ter vivido no Rio, pois era restrita às matas na beira dos rios do sertão baiano) e de biologia (os pés não correspondem aos da ave em questão, que são mostrados como se fossem pés de galinha). As músicas são inspiradas em ritmos nacionais e os desenhos maravilhosos. É, sobretudo, um panfleto em favor da ecologia.

O roteiro e o cenário de Rio são também cariocas. Conta a história de uma ararinha-azul, o macho Blu, que nasceu numa floresta carioca, mas que foi capturado ainda novinho, e levado para os Estados Unidos. Ali é domesticado, sem nunca ter aprendido a voar. Blu vive com sua dona e grande amiga Linda. A princípio, os dois pensavam que Blu fosse o último exemplar de sua espécie, mas depois descobrem que no Rio de Janeiro vive outra ararinha-azul. Era preciso encontrá-la para dar continuidade à sua linhagem, quase que totalmente extinta. E, assim, os dois partem para o exótico país, Brasil, onde encontram a única fêmea da espécie, a bela Jade.

Ao chegar ao Brasil, Blu encontra-se com a fêmea sonhada. É aí que começam as aventuras da dupla, que é seqüestrada por contrabandistas, indo parar em uma favela e se metem em várias confusões. Blue e Jade passam a viver uma agitada aventura, fugindo dos traficantes de aves em pleno Carnaval. Os dois voam de asa delta e viajam de bodinho. Outro personagem interessante do filme é Pedro, um cardeal-de-topete-vermelho.

A geografia do Rio de Janeiro está reproduzida com primor no filme: ciclovia de Copacabana, os vôos da Pedra Bonita, as Paineras, na Floresta da Tijuca, os passeios de bondinho do bairro da Lapa até Santa Tereza e muito mais da beleza que a Cidade Maravilhosa oferece.

“Como cenário, temos um Rio de cartão-postal, uma cidade exuberante, de cores fortes, que emana uma energia cultural intensa. Não à toa, uma das melhores sequências mostra um balé composto por aves tropicais, com muito vermelho, samba, e a paixão típica do carioca”, exemplifica seu diretor.

Junto com o desmatamento, o tráfico de aves em nosso país, e em grande parte do planeta, são as principais causas da extinção dessas maravilhas aladas que povoam a Terra. Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, 35 mil aves são vendidas ilegalmente a cada ano no Brasil. Sendo que a maioria vai de avião para países estrangeiros, como se vê na animação. O filme Rio mostra como o tráfico levou a ararinha-azul a ser extinta na natureza.

“Mostramos vários pontos positivos da cidade, mas o filme também precisava abordar os problemas sociais. Para retratar as passagens na favela, por exemplo, um grupo de desenhistas veio ao Brasil por várias vezes. Estudamos cada detalhe das casas e procuramos nos informar sobre a realidade dos moradores”, diz Saldanha..

O ornitólogo, Luís Fábio Silveira/ USP, lamenta que o diretor tenha perdido a oportunidade de transmitir informações corretas sobre a fauna brasileira. Apesar disso, ele se encantou com a animação da fauna, da flora e da geografia brasileiras.

Para a Save (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil), a mensagem, que o filme traz, suplanta os deslizes científicos. E, em se tratando de uma animação em que os bichos falam, não é imperativo ser fiel à sua distribuição geográfica. A imaginação dá as cartas, uma vez que não se trata de um documentário, o que permite liberdades criativas. Parte da renda do filme deverá ser usada em projetos de conservação e os personagens usados em campanhas educativas.

A trilha sonora tem a participação de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown. Há samba, bossa nova, funk, rock e reggae nacionais. Rio também se destaca por sua trilha sonora, concebida pelo músico Sérgio Mendes, radicado nos EUA. A seleção inclui gravações de Bebel Gilberto (“Samba de Orly”), Carlinhos Brown (“Sapo Cai” e “Let me Take You to Rio”, com Ester Dean) e Will.I.Am (do grupo Black Eyed Peas). O próprio Mendes está entre os selecionados, com “Valsa Carioca” e uma versão de “Mas que Nada”, em que canta ao lado da mulher, Gracinha Leporace.

Não há quem não se apaixone por Blu, a ararinha-azul, brasileirinha da silva, por sua namorada Jade e pelos demais personagens. Feita em 3D, a produção chama a atenção pela qualidade técnica, tanto na reprodução de paisagens da cidade carioca, quanto nos detalhes técnicos na composição dos protagonistas, como a movimentação realista das penas dos pássaros.

O cineasta Carlos Saldanha, 46 anos, deixou o Rio de Janeiro em 1991 para estudar animação nos EUA. Em 1993 ele se juntou à equipe da Blue Sky Studios, onde dirigiu sucessos como a Era do Gelo 2 e 3. Sendo que A Era do Gelo 3 teve a maior bilheteria de 2009 no Brasil. Saldanha é o maior nome brasileiro em Hollywood nos dias de hoje. Mesmo assim, o cineasta diz que o sucesso não modificou a sua rotina.

Prestes a sediar as Olimpíadas de 2016, o Rio de Janeiro tem em Blue um excelente cartão de visitas. A Cidade Maravilhosa agradece. E o Brasil também.

Sinopse:

O filme começa numa floresta próxima à cidade do Rio de Janeiro, quando são vistos pássaros de várias espécies. Um filhote de ararinha-azul não consegue voar e acaba caindo de seu ninho. Em certo momento, várias dessas aves são engaioladas, inclusive a ararinha-azul. São levadas para Minnesota, nos Estados Unidos, durante o inverno, sendo muitas delas abandonadas, inclusive a ararinha-azul, cuja gaiola cai na rua. Uma garota chamada Linda encontra o pássaro e o leva para sua casa, dando-lhe o nome de Blue. Ao longo de vários anos, Linda e Blue crescem e se tornam grandes amigos.

Quinze anos depois, um cientista do Rio de Janeiro, Túlio, entra na livraria e conta para Linda, que Blue é uma ave rara, o último macho de sua espécie. Diz que ela precisa levá-lo ao Rio de Janeiro, onde se encontra a última fêmea, para que se acasalem e preservem a espécie. No início, Linda rejeita a proposta, mas acaba partindo para o Rio de Janeiro.

Blue conhece Jade e se apaixona por ela. Mas o local é invadido por contrabandistas de animais, que sequestram o casal, com o intuito de vendê-lo. Jade e Blue conseguem fugir, mas têm Niguel, o pássaro fiel aos contrabandistas, no encalço. É aí que a aventura começa. O pai de uma família de tucanos tenta ensinar Blue a voar.

Linda e Túlio espalham vários cartazes pela cidade, até conseguir uma pista do casal. Depois de muitas peripécias, descobrem que Blue e Jade serão levados num vôo, mas não conseguem impedir. Durante o voo, Blue consegue libertar várias aves presas, que fogem voando.

E quanto a Blue, conseguirá superar o medo de voar? O casal dará prosseguimento à linhagem? Bem, agora é preciso ver o filme para saber o final.

Nota: Blue significa azul em inglês, que se pronuncia Blu.

Fontes:
Revista Veja/ 4 de abril de 2011
Gazeta Online

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Hugo van der Goes – A MORTE DA VIRGEM

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição intitulada A Morte da Virgem, obra do holandês Hugo van der Goes, um dos mestres dessa época, apresenta a Virgem em seu leito de morte, rodeada pelos 12 apóstolos. Sobre o artista sabe-se que viveu seus últimos anos num mosteiro, onde, deprimido, vivia por grandes acessos de melancolia (depressão).

É admirável o modo como o artista apresentou as diferentes reações dos apóstolos, enquanto presenciavam o falecimento da Virgem. Nenhuma parte da composição mostra-se sem significado.  Cada um dos seguidores de Cristo mostra uma reação diferente diante do acontecimento que testemunha. Alguns meditam silenciosamente ao lado da cama de Maria, outros trazem dor na expressão, enquanto outros mostram-se consternados. Dois deles estão desalentados, assentados em primeiro plano, aos pés da cama.

A Virgem agonizante tem a visão de seu filho Jesus com dois anjos a segurar o seu manto vermelho, trazendo os braços abertos para recebê-la. Eles se olham fixamente. Nenhum dos apóstolos participa da visão que só é presenciada por Maria.

Ficha técnica
Ano: c. 1480
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 146,7 x 121,1 cm
Localização: Groeninge Museum, Bruges, Bélgica

Fonte de pesquisa
A História da Arte/ E.H. Grombrich

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Van der Goes – O TRÍPTICO PORTINARI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O Tríptico Portinari, obra do artista Hugo van der Goes, é tão grande, que necessitou de 16 homens para depositá-lo na igreja de Santo Egídio, fundada em 1288 por Folco Portinari, onde foi definitivamente alojado em 1483. Foi doado por Tommaso Portinari, parente do fundador da igreja. O tríptico (Aurélio: Obra de pintura ou de escultura, constituída de um painel central e duas meias-portas laterais capazes de se fecharem sobre ele, recobrindo-o completamente) apresenta três histórias, ocorridas em diferentes lugares e tempos. Nele estão presentes: o nascimento de Cristo (no centro), a viagem de Maria e José a Belém (no fundo, à esquerda) e  a jornada dos três Reis Magos desde o Oriente (no fundo, à direita).

Como era comum à época, o artista representou o doador e sua família no tríptico,  protegidos por seus santos de devoção, em tamanho bem superior ao dos membros da família, conforme tradição medieval.

Na parte direita do tríptico encontra-se Maria, esposa de Tommaso, ajoelhada, tendo logo atrás de si a filha Margherita. Ela usa um rigoroso traje escuro, com chapéu cônico e arranjos em dourado, próprios da corte de Borgonha, à época. Mostra-se melancólica e cansada. A filha usa trajes parecidos, e traz os cabelos doirados a cair-lhe pelas costas. Santa Margarida, usando um manto vermelho, traz um livro nas mãos e sob um dos pés a cabeça do dragão, que, conforme a lenda, tentou devorá-la. Ela é a padroeira de Maria, enquanto Maria Madalena, com seu principal atributo, o frasco de unguento com o qual untou os pés de Jesus, é a protetora da pequena Margherita.

À esquerda está o patronoTommaso Portinari, ajoelhado, vestindo um longo manto escuro, com os filhos Antonio e Pigello, também ajoelhados atrás de si. São Tomás, carregando a lança, que o transpassou , é o protetor de Tommaso Portinari; Santo Antônio, portando um sino e um rosário, é o responsável por Antonio, enquanto o pequeno Pigello não possui um protetor, o que leva a crer que não tinha nascido, quando o projeto da obra já havia sido terminado, sendo acrescido depois.

A paisagem apresentada por Hugo van der Goes retrata um inverno nórdico, onde se vê um céu cinzento e árvores nuas, na meia-porta à direita, e uma rocha hostil, onde se encontra Maria, apoiada por José, e o burro, na meia-porta à esquerda. O caminho dificultoso representa o sofrimento pelo qual passará a Virgem. O painel central , denominado Adoração dos Pastores, retrata o nascimentodo Menino.

Nota: Conheça o painel central A ADORÇÃO DOS PASTORES

Ficha técnica (totalidade do painel)
Ano: c. 1475
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 253 x 586 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

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