O RIO CHÔFU TAMA…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa O Rio Chôfu Tama na Província de Musashi faz parte da série Seis Rios Tama de Várias Províncias, e é uma obra do artista japonês Hiroshige.

Em primeiro plano estão duas lavadeiras batendo roupas dentro de uma tina. Uma delas traz um bebê às costas, enquanto uma garotinha, com uma chaleira na mão, está atrás da segunda mulher. Mais adiante, outras duas mulheres lavam suas roupas também. Uma delas encontra-se dentro do rio.

Várias montanhas destacam-se na composição, à esquerda, enquanto o Monte Fuji, todo coberto de neve, embeleza o fundo da estampa, à direita.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1835-1836
Dimensões: 22,5 x 34,8 cm

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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Bosch – O CHARLATÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O pintor holandês Hieronymus Bosch era um artista profundamente preocupado com a maldade humana, como comprovam suas obras. Levava consigo uma visão pessimista do ser humano, que, segundo ele, já vivia em pecado desde a expulsão de Adão e Eva do Paraíso, estando a maioria já condenada aos horrores do Inferno. Em sua pintura O Charlatão, também conhecida como O Ilusionista ou O Prestidigitador, feita em sua juventude, o artista traz como tema as ardilezas humanas. Ele estava com 25 anos à época, e talvez por isso, ela seja bem menos aterradora do que as que viriam. Foram encontradas cinco versões desta pintura e também uma gravura, sendo a vista acima a mais aceita como original. Nesta obra, Bosch já dá mostras de sua visão perspicaz e crítica, ao demonstrar como as pessoas podem ser crédulas no trato com os vigaristas, e como sempre há quem queira passar o próximo para trás.

Um espertalhão armou sua banca próxima a um velho muro. As pessoas observam-no embasbacadas. Estão presentes: uma mesa central, e sobre ela uma varinha mágica, copos, bolas e uma rã. De um lado está o enganador e do outro se encontram nove adultos e uma criança. O grupo está separado da parte externa do local pelo muro alto.

A enorme figura do velho, que se encontra curvada sobre a mesa, parece ter a impressão de que está a expelir rãs pela boca, tamanha é a sua perplexidade, assim como confirma o olhar e a postura curiosa do garotinho. Somente um jovem, que pousa a mão no ombro da mulher, parece indiferente, enquanto sua acompanhante segura seu colar, possivelmente com medo de ser roubada. Por sua vez, o homem que se encontra à sua direita, fingindo olhar para cima, está prestes a cortar a bolsa, que se encontra pendurada na cintura do velho. Poderia ser um cúmplice do embusteiro.

Dentre as figuras que se encontram na composição, apenas o charlatão possui um chapéu preto, modelo que era usado anteriormente pelos nobres e posteriormente pela burguesia cheia de dinheiro. O ilusionista usa-o com o intuito de aparentar respeitabilidade. À sua frente está seu cachorrinho, e encostado à mesa, e de frente para o observador, encontra-se um aro, o que nos leva a supor que o animal salta através dele.

O espertalhão traz na mão direita uma bolinha e na esquerda uma cesta. Dentro dessa é possível ver a cabeça de um animal, que tanto pode ser um macaco quanto uma coruja, esta última presente em muitas obras do pintor. Por sua vez, à época, o macaco simbolizava a esperteza, a inveja e a malícia.

Como o leitor poderá perceber, não é de hoje que se fazia o truque de passar bolas (pedras, moedas…) de um copo para outro, sem que o público notasse. E, apesar disso, muita gente ainda continua sendo enganada.

Ficha técnica
Ano: c. 1502
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 53 x 65 cm
Localização: Museu Municipal, Saint-Germain-en-Laye, França

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
Bosch/ Abril Coleções

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NASCER DO SOL NO ANO NOVO…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa Nascer do Sol no Ano Novo perto de Suzaki faz parte da série Vistas Famosas do Edo, obra do artista japonês Hiroshige.

Três mulheres, que se encontram muito bem agasalhadas por causa do frio, encontram-se numa pequena ponte, de onde observam o nascer do sol. A neve é vista por toda parte.

Mais ao longe, na praia, é possível divisar grupos de pessoas que também observam o nascimento do astro-rei, que é tão admirado pela cultura japonesa, a ponto de o país ser chamado de O País do Sol Nascente.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1853
Dimensões: 21,8 x 34,4 cm

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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El Greco – SÃO MARTINHO E O MENDIGO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição São Martinho e o Mendigo foi pintada para ornamentar a capela de São José de Toledo.

São Marinho, vestindo uma reluzente armadura, está montado num belo cavalo branco, com ricos arreios. O santo é ainda muito jovem, com seus cabelos dourados e encaracolados, e dono de um olhar tristonho. Com a mão esquerda, ele segura as rédeas do animal e com a direita a espada, com a qual cortou um pedaço de sua capa verde para cobrir o corpo seminu do mendigo.

O pedinte é um jovem alto e esguio. Sua perna direita possui um ferimento que se encontra envolto numa atadura. Vê-se que nada possui. Suas longas pernas encontram-se rentes com as pernas traseiras do cavalo. Seu rosto está levantado para o santo que o olha com visível compaixão.

O cavalo branco e vigoroso mostra-se impaciente para continuar a jornada, como mostra sua pata esquerda já levantada, mas é contido pelo santo.

Um azulado, com nuvens densas, cobre a cena, enquanto embaixo, ao fundo, vê-se a silhueta da cidade de Toledo, banhada pelo Rio Tejo. Do outro lado do rio encontram-se a Virgem, Santa Martina e santa Inês.

Ficha técnica
Ano: 1597-1599
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 193 x 103 cm
Localização: Galeria Nacional, Washington, EUA

Fonte de pesquisa
El Greco/ Editora Girassol

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A ÁGUA E O CHAFARIZ DE SÃO JOSÉ

Autoria de Luiz Cruz

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O Chafariz de São José, em Tiradentes, é um dos monumentos civis mais interessantes de Minas e do Brasil. Foi edificado pela Câmara em 1749, todo em pedra arenítica, e juntamente com a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Prados, são considerados exemplares muito significativos da região, exatamente pelo trabalho artístico em pedra de grande rigidez. Sua construção tem um pátio cercado por muretas com bancos; em sua fachada há um tanque abaulado, bem ao gosto barroco, que recebe a água jorrada por três carrancas. Um oratório abriga a imagem do padroeiro São José, escultura em terracota setecentista (que no momento precisa de restauração e de retirada do blindex que não permite a circulação de ar, o que compromete a conservação da obra de arte). Pouco acima, o brasão português e encimando a edificação uma cruz. Na lateral esquerda encontra-se o tanque para as lavadeiras e à direita o que era usado pelos tropeiros, para dar águas aos animais. A água que abastece o chafariz nasce no Bosque da Mãe D’Água e é conduzida em um aqueduto rústico de pedra. Por suas características, valor artístico e cultural é tombado pelo IPHAN, desde 1949, através do processo 431-T-50. O chafariz é o único monumento protegido individualmente, inserido na APA ? Área de Proteção Ambiental Estadual da Serra de José.

O Chafariz de São José prova-nos que os tempos estão mudando e que precisamos estar atentos aos sinais da natureza. A seca é um fenômeno que está aí e a nos cobrar novas atitudes ambientais. Há muitos anos não se registrava um verão tão atípico e com o chafariz sem água durante meses consecutivos. Inclusive com o Córrego do Chafariz totalmente seco. Muitos dos córregos da Serra de São José secaram completamente. A água da Cachoeira do Bom Despacho desapareceu. Infelizmente! Diversas lagoas estão com seus fundos expostos e o solo ressecado. Cai uma chuva e logo tudo fica seco novamente.

Não há apenas um culpado! Todos nós somos culpados, por achar que a água é um recurso infindável e que temos um lençol freático imensurável. Nós nos enganamos, com certeza. Minas se enganou por que quis. O Governo (passado) do Estado de Minas Gerais não prestou informações concretas sobre a situação da água no nosso Estado por causa dos resultados eleitorais. Depois, demorou em informar devidamente à população devido ao impacto pós-eleitoral. A desinformação é comprometedora! Enquanto o drama de São Paulo era exposto aos poucos, também por motivos eleitorais, assistíamos a tudo, achando que o problema era só daquele Estado. Não. A seca é um problema sério que atinge a todos, portanto, diz respeito a todos nós. Em tempos de elaboração do Plano Diretor da Cidade de Tiradentes, quem pode acompanhar as oficinas obteve informações de que a gravidade é ampla e comprometerá seriamente o abastecimento de água.

A cidade mineira de Tiradentes recebe grande fluxo turístico e, consequentemente, precisa de muita água. Atualmente consumimos a água que a Copasa retira do Rio Elva, mas suas nascentes estão em outra localidade, sem os devidos cuidados para a sustentabilidade e sem mata ciliar para a proteção de suas margens e fluxo. O Rio das Mortes está altamente poluído, figurando entre os 10 mais poluídos de Minas Gerais e sem as matas ciliares, a cada dia correndo risco de diminuir mais ainda seu volume de água.

Assistimos a buscas individuais para a solução de abastecimento com a perfuração de poços artesianos, mas isso não resolve o problema. Um poço artesiano pode poluir todo o sistema freático e contaminar a reserva. Como a fiscalização no Brasil não funciona, a ANA – Agência Nacional de Águas, sediada em Brasília, ainda não acordou. O ideal seria a mobilização da população (incluindo as autoridades e órgãos devidos) e investimentos expressivos em campanhas, com propostas para proteção concreta das nascentes, matas ciliares, economia tanto de água quanto de energia elétrica. Enfim, fazer a proteção de nossos córregos, rios e lagoas, cumprindo o previsto na legislação vigente do Novo Código Florestal Brasileiro, Lei Nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Assim, teríamos um enorme impacto positivo sobre os recursos hídricos.

Assistimos a agonia dos peixes do tanque do Chafariz de São José por falta de água. Alguns cidadãos estavam levando água em baldes para o tanque, até que a situação ficou grave. A solução foi pedir socorro ao Corpo de Bombeiros Voluntários de Tiradentes, que levou água no caminhão auto bomba. Pequena ação merecedora de reconhecimento, mas que requer atenção, pois a água precisa ser renovada.

A seca é grande e as queimadas retornaram, em plena estação das águas. Todo cuidado é pouco, principalmente com as pontas de cigarros atiradas ao longo das estradas. E atenção, em caso de fumaça em unidades de conservação, como a Serra de São José, que é um Refúgio Estadual de Vida Silvestre, ligue imediatamente para o IEF – Instituto Estadual de Florestas, através 0800-283 23 23. As queimadas além de destruírem a fauna e flora, comprometem drasticamente nossos recursos hídricos.

Nota: Fotos do autor e de César Reis

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AS MARAVILHAS DA FOLHA DE BETERRABA

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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As frutas e os vegetais geralmente estão sempre na lista dos alimentos mais nutritivos. Mas o que não se sabia, até há pouco tempo, quais os tipos eram os mais benéficos levando-se em consideração um critério: a relação nutriente/caloria. O resultado da pesquisa foi publicado ano passado na revista “Preventing Chronic Disease”.

O referido estudo criou e validou uma lista de alimentos em que são considerados mais potentes os que possuem a maior proporção de nutrientes básicos por 100 calorias. Foi analisado um total de 47 alimentos. A importância para a saúde pública desses nutrientes foi definida pela Organização de Alimento e Agricultura e pelo Instituto de Medicina dos Estados Unidos. São eles: o potássio, fibras, proteína, cálcio, ferro, tiamina, riboflavina, niacina, folato, zinco e as vitaminas A, B6, B12, C, D, E e K.

De um total de 47 alimentos, foram listados os top 10. O primeiro lugar, o alimento mais poderoso considerando esse critério da relação nutriente/caloria, é o agrião, seguido, em ordem decrescente, pela couve chinesa, acelga, folhas de beterraba, espinafre, chicória, alface (crespa, lisa), salsa, alface romana e couve verde. Todos contêm altos níveis dos 17 nutrientes considerados como principais do estudo. O curioso é que, no Brasil, alguns deles são pouco valorizados, como o agrião, a acelga e a chicória, e pelo menos um chega a ser desprezado, pois na maioria dos mercados e feiras é jogado no lixo. Trata-se da folha de beterraba, que ocupa nada menos que o quarto lugar na lista. Um importante alimento desprezado por questões culturais. Não sei o motivo!

As folhas da beterraba são ricas em minerais e trazem benefícios importantes para a saúde do organismo. É pouco calórica, com 100 gramas das folhas contendo somente 32 calorias. Contando com vitaminas A, C e do complexo B e alto teor de ferro, as folhas de beterraba agem no combate à anemia, além de ter efeito diurético e laxante.

Graças à presença do pigmento natural carotenóide, as folhas ajudam também a proteger contra o envelhecimento da visão, a chamada degeneração macular senil. Não há contraindicação para seu consumo. Somente quem tem a tendência ao desenvolvimento de pedras nos rins devem consumi-la de forma moderada (possui altas concentrações de oxalatos).

Todos os alimentos listados podem ser feitos de diversas maneiras. Refogados, assados, crus em uma salada, misturados entre si, etc. Comendo o alimento fresco, em sua forma natural, absorve-se a totalidade de suas vitaminas e minerais. Ao cozinhá-los, seja refogando, no vapor ou assando, muito pouco das suas propriedades nutritivas é perdido. O meio de cozimento que deve ser evitado é a fervura, esta sim, produzindo perdas significativas de nutrientes. Caso você ferva o vegetal, recomenda-se usar a água da fervura para molhos ou caldos. Então não perca tempo, peça já a seu verdureiro as folhas de beterraba. Faz bem para a saúde e para o bolso.

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