O DESFILADEIRO DE YAMABUSHI…

Autoria de Lu Dias Carvalho

 odeyaA estampa O Desfiladeiro de Yamabushi na Província de Mimasaka faz parte da série Vistas Famosas de 60 e Tal Províncias, obra do artista japonês Hiroshige.

 Na composição, uma chuva cai torrencialmente, em diagonal, sobre o lugar onde se encontram dois ascetas da montanha, que tentam escapar, e um barqueiro amedrontado, tentando conduzir seu barco.

 Árvores dobram-se e roupas levantam-se diante da ventania. O chapéu de um dos ascetas voa e ele tenta pegá-lo, enquanto o seu companheiro segura firmemente o seu.

 Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1853
Dimensões: 34,5 x 23 cm

 Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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POMAR DE AMEIXEIRAS EM KAMEIDO

Autoria de Lu Dias Carvalho

poameka A estampa Pomar de Ameixeiras em Kameido faz parte da série 100 Vistas Famosas do Edo (atual Tóquio), obra do artista japonês Hiroshige.

 Dentre as ameixeiras (umeyashiki) plantadas em Kameido, na margem do Rio Sumida, uma era particularmente famosa, sendo denominada de “a ameixeira do dragão que dorme”.

 Na estampa, a referida ameixeira encontra-se em primeiro plano. Através de seus ramos é possível notar a cena que se desenrola mais distante, onde várias pessoas passeiam entre as árvores floridas.

 Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1857
Dimensões: 36,3 x 24,6 cm

 Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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Filme – O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

burguesia

O filme não é rude nem amargo, mas desconcertante e cínico. (Roger Ebert)

Os filmes de Buñuel constituem um dos mais importantes conjuntos de obras do primeiro século do cinema. Ele era cínico, mas não deprimido. (Roger Ebert)

O cineasta francês Luis Buñuel apresenta-nos no seu filme O Discreto Charme da Burguesia (1972) uma interessante comédia, que faz dançar a cabeça do espectador, pois, como diz o aclamado crítico de cinema Roger Ebert, já falecido, “mais parece uma punhalada, fingida e dolorosa”, pois três casais, por mais que tentem, jamais conseguem se sentarem e comerem juntos.

Assim como em O Anjo Exeterminador (1962), considerado um dos melhores filmes do diretor Buñuel, onde os convidados chegam para o jantar e, em razão do divertimento, não mais conseguem deixar a casa do anfitrião, sendo que a permanência de tantos dias, juntos, dilui todo o verniz de civilidade do grupo, mostrando a verdadeira face de cada um, o assunto em O Discreto Charme da Burguesia é semelhante, só que os convidados não conseguem comer, movidos pelas mais díspares razões: enganam-se quanto ao dia do convite, ou encontram o cadáver do dono do restaurante sendo velado numa sala contígua, ou são importunados por um grupo de militares que fazem manobras próximas ao local onde vão comer, etc.

Buñuel apresenta o jantar como o mais importante rito social da classe média, que o usa como um meio de ostentar suas posses e mostrar o quanto é civilizada. Ao trazer “o ato de comer” como tema, fazendo da comida o assunto central, o diretor mostra como é vazia e tola a classe burguesa, desprovida de assuntos interessantes, e aqueles, que possui, são tão escabrosos, que faz tudo para mantê-los ocultos.

O filme enfoca a decadente aristocracia europeia, composta por políticos, militares e ricaços, deixando à vista os segredos velados, adultérios, drogas, corrupção, depravação, golpes militares e, sobretudo, o aborrecimento e o fastio que toma conta dela, que nada de útil tem para fazer. Para demonstrar o seu descontentamento com a Igreja, o cineasta acrescenta ao elenco um bispo, cujo prazer é se vestir de jardineiro e trabalhar  nos jardins dos milionários.

Os personagens de O Discreto Charme da Burguesia andam muito bem vestidos, são autoconfiantes e fazem uso da posição que ostentam na sociedade. Dentre os personagens principais estão presentes: o pomposo embaixador (Fernando Rey), a anfitriã ricaça (Stèphane Audran), a sempre enfadada e neurótica filha (Bulle Ogier) e o bispo cheio de fetiche (Julllien Bertheau), que ora se apresenta como jardineiro e ora como um eminente convidado.

O filme francês, que se tornou um dos grandes sucessos de Buñuel, e, que acabou ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro, o único Oscar do autor, estreou no auge na Guerra do Vietnã, época em que a classe média alta, apesar de se encontrar na moda, era alvo de desprezo de parte da sociedade. E nele, o diretor mais uma vez demonstra o seu não acatamento das ditas autoridades constituídas e sua descrença em relação à natureza humana, sempre cheia de máscaras. Com uma visão ferina, ele demonstra a superficialidade que existe nessa sociedade que se julga bem-educada, mas que é marcada pela luxúria e pelo valor que dá à riqueza.

O filme inicia-se com um casal esperando seus convidados para o jantar, mas, enquanto isso, marido e mulher deixam-se levar pelo prazer do sexo. A chegada dos convidados não é capaz de interromper a avidez amorosa. Como a mulher faz muito barulho durante o sexo, o casal desce pela janela e vai para o jardim terminar o coito iniciado. Faz o retorno do mesmo jeito, só que um dos convidados repara que ela tem grama nos cabelos.

Uma cena engraçada é aquela em que o bispo, em trajes de jardineiro, bate à porta de uma das famílias procurando emprego, e é logo despachado, sem obter coisa alguma, mas ao voltar, todo metido em suas roupas clericais, tentando se explicar, é recebido com veemência. Além de obter o serviço, ainda passa a fazer parte do grupo. Outra cena hilária é a que mostra um dos convidados debaixo da mesa, escondendo-se dos soldados que abrem fogo contra o grupo, mas ainda assim tenta pegar seu prato de comida. Também não é possível esquecer o encontro das mulheres em um café, com um tenente que narra a sua infância. Noutra, durante um jantar, os frangos assados que o criado põe à mesa não passam de objetos de cena, ocasião em que a cortina se levanta e os convidados encontram-se diante de uma plateia. Tudo para diversão de Buñuel, que dá vasão às suas fantasias.

Sugestão:
Outros bons filmes do diretor: O anjo exterminador, Tristana, Um cão andaluz, Esse obscuro objeto do desejo, O diário de uma camareira, O estranho caminho de São Tiago ou Via Láctea, O fantasma da liberdade, etc.

Fontes de pesquisa
Grandes filme / Roger Ebert
1002 filmes para ver…/ Editora Sextante

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GRANDIOSO ESPETÁCULO PIROTÉCNICO…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O tríptico Grandioso Espetáculo Pirotécnico perto da Ponte Ryôgoku traz, em primeiro plano, três belas gueixas, e se trata de uma obra do artista japonês Hiroshige.

Os meses de verão eram muito quentes, o que levava as pessoas a fazerem passeios de barco pelo Rio Sumida, a fim de se refrescarem.

No 28º dia do 5º mês, no Japão, havia um ritual de purificação, chamado Kawabiraki (abertura do rio), que era seguido de um belo espetáculo pirotécnico. Nesse dia, as pessoas deslocavam-se para o rio, e muitas delas alugavam barcos de passeio para assistirem à cena. As gueixas e as instrumentistas faziam-se presentes, oferecendo entretenimento, comida e bebida aos convidados.

Tais atividades eram realizadas nas vizinhanças da Ponte Ryôgoku.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1847-1850
Dimensões: 38,1 x 77,1 cm

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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MUSEU BOULIEU – CAMINHOS DA FÉ

Autoria de Roque Camêllo

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Cada peça traz a sua história, fazendo-nos viver aventuras pitorescas e espirituais, e conhecer pessoas de grande riqueza humana. (Maria Helena Boulieu)

O esplêndido conjunto caracteriza as irradiações no barroco do mundo, enfatizando o primado da visualidade nas expressões do estilo e a sua dimensão religiosa, voltada, por inteiro para a exaltação da fé católica. (Ângelo Oswaldo)

A Arquidiocese será eternamente grata aos Boulieu pela doação. Esta gratidão haverá de se expressar, sobretudo, no desvelo como fiel guardiã e zeladora, juntamente com o Instituto Cultural Divino Espírito Santo, deste tesouro, garantindo o cumprimento da vontade de seus doadores. (Dom Geraldo)

O casal franco-brasileiro, Jacques Boulieu e Maria Helena, assinou com Dom Geraldo Lyrio, o protocolo de doação de seu acervo de arte sacra à Arquidiocese de Mariana. São 1.200 peças brasileiras e de outros países. O conjunto é fruto de 50 anos de suas viagens pelo mundo. Os Boulieu decidiram pela doação para que os brasileiros conheçam, pela arte, os “Caminhos da Fé”.

O território arquidiocesano de Mariana (79 municípios) detém mais da metade do patrimônio barroco e rococó do Brasil. O novo acervo integrará o sistema arquidiocesano de Museus sob a diretriz da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese (FUNDARQ), e contará com a responsabilidade técnica e museológica do Instituto Cultural Brasileiro do Divino Espírito Santo. Participa do projeto a Prefeitura de Ouro Preto, que se comprometeu a ceder espaço para sua implantação.

Os Boulieu começaram esta história de amor às artes no início de 1960, visitando China, Índia, Indonésia, Filipinas, Peru, Bolívia, México, Itália, França, Espanha e América Central. O acervo retrata a expansão da fé cristã. Diferencia-se dos Museus de Arte Sacra de Mariana e do Aleijadinho, cujo foco principal é a arte sacra brasileira, com proeminência de obras de Athayde, Aleijadinho, Vieira Servas e outros dos séculos 18 e 19.

O “Museu Boulieu – Caminhos da Fé” reunirá arte colonial, escultura, pintura e prataria provenientes daqueles diferentes países visitados. Em sua sensibilidade, Maria Helena Boulieu nos deixa sua visão: “Cada peça traz a sua história, fazendo-nos viver aventuras pitorescas e espirituais e conhecer pessoas de grande riqueza humana.”.

A generosidade do casal, dispondo de um patrimônio de valor incalculável, revela seu alto grau de desprendimento e enlevo espiritual e seu compromisso de tornar patente e perene a História da Igreja na missão de evangelizar os povos.

Disse o Secretário Ângelo Oswaldo: “O esplêndido conjunto caracteriza as irradiações no barroco do mundo, enfatizando o primado da visualidade nas expressões do estilo e a sua dimensão religiosa, voltada, por inteiro para a exaltação da fé católica”.

Dom Geraldo afirmou: “A Arquidiocese será eternamente grata aos Boulieu pela doação. Esta gratidão haverá de se expressar, sobretudo, no desvelo como fiel guardiã e zeladora, juntamente com o Instituto Cultural Divino Espírito Santo, deste tesouro, garantindo o cumprimento da vontade de seus doadores”

Algo tão valioso e de complexas características contou com a boa vontade de pessoas muitas, entre as quais o prof. José Anchieta da Silva, que elaborou todos os documentos indispensáveis à transação, praticando com esmero a advocacia “pro bono”.

Assim se deve construir o mundo com generosidade e amor, superando o egoísmo e incompreensões. Todos os envolvidos no projeto “Caminhos da Fé”, a começar pelos Boulieu, principais protagonistas, estão imbuídos deste compromisso para o bem da Humanidade. São exemplo a ser seguido. O Brasil agradece!

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ARIRANHA – UMA FAMÍLIA MUITO UNIDA

Autoria de Antônio Messias Costa

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No mundo animal, a ariranha (Pteronura brasiliensis) ocupa um lugar de destaque, em razão de suas características comportamentais diferenciadas e muito interessantes. Trata-se de uma espécie ameaçada de extinção tanto pela destruição do seu habitat quanto pela competição com o homem, pelo seu principal alimento, o peixe. Na Amazônia, existe ainda a cruel crença de que, amarrando as vibrissas (bigodes) da ariranha na rede, os peixes são atraídos.

A ariranha pertence à mesma família do furão, um inquieto carnívoro de não mais de quatro quilos, adaptado ao meio terrestre, enquanto ela é semiaquática, chegando a 30 quilos de peso corporal. Possui um corpo longo e maleável, membranas interdigitais e uma longa cauda, cujo terço final, achatado, lembra um remo, um equipamento perfeito de natação e propulsão.

Essa espécie animal dorme cedo, logo ao escurecer, em tocas subterrâneas nos barrancos, à beira d’água, cuja entrada é protegida por um emaranhado de galhos. Vive em grupos familiares de até 12 indivíduos, e pare, em média, três filhotes por vez, cuidados inicialmente pela mãe e depois por todos do grupo. Todo o agrupamento é proveniente de um só casal, e a mãe, matriarca, é quem o gere, cuidando e ensinando os filhotes a nadar, um empreendimento pesado, mas, com o crescimento dos filhotes ela passa a receber apoio de todos da família.

A despeito dos cuidados da mãe e do grupo com os filhotes, ainda ocorre o infanticídio, tanto motivado por fatores de estresse por ameaças e causas que imagino estarem relacionadas ao alto gasto energético nessas atividades, como é o caso da prole muito numerosa (pode chegar a cinco filhotes) e poucos membros familiares para ajudar. É curioso notar o empenho do grupo em induzir os filhotes a ingerir alimentos sólidos, muito cedo, buscando se livrar do alto investimento em cuidados.

O alto metabolismo da ariranha obriga-a a ingerir bastante alimento, o que a torna muito voraz. Este comportamento alimentar insaciável, associado à ocorrência de um acidente humano acontecido em um zoológico brasileiro (invasão do recinto por particular para retirada de uma criança) envolvendo a espécie, estigmatizou-a, de modo que esta é a imagem que ainda perdura. Entretanto, o ocorrido deu-se em defesa de seu território, marcado com almíscares de suas glândulas perianais, que têm uma função social muito importante.

No mês de novembro, dois filhotes de ariranha, fêmeas, com cerca de três meses de idade e pesando três quilos, chegaram ao Parque Zoobotânico (Belém/PA), provenientes de resgate na área de construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará, criando uma oportunidade única do acompanhamento das duas irmãs, em sua fase inicial de vida. No início, eram arredias, entretanto, após as primeiras alimentações já procuravam estreitar aproximações com os tratadores, que receberam a orientação de desestimulá-las, pois a aproximação geraria dependências psicológicas a elas desfavoráveis.

A cada dia aumenta o vínculo familiar entre as duas irmãs, exceto, como era de se esperar, na hora de comer, quando aconteciam as encenações e escaramuças de que “tudo é meu”. Após a alimentação, os ternos laços voltavam através de brincadeiras, cheiros e um vasto repertório de sons. Hoje, para evitar o risco de se engasgarem na competição, ambas comem separadamente, recebendo pedaços maiores de peixe. Elas percebem e aprendem tudo muito rapidamente, adequando-se, e facilitando todo o manejo a elas dedicado.

As duas ariranhas têm crescido rapidamente e merecido todo o zelo da equipe do Parque Zoobotânico, mas a primeira morada, toda revestida de borracha, e o pequeno tanque estão ficando pequenos e brevemente deverão ir para um ambiente maior, anexo ao espaço de exposição, onde se encontra o macho Erê, infelizmente ainda solitário. Será um grande desafio, após 11 meses de idade, tentar uma aproximação entre eles, porque os grupos familiares geralmente são formados quando são mais jovens. Entretanto, todos os cuidados serão tomados para que tudo transcorra bem e esses fantásticos animais formem um grupo familiar no Parque.

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