AS SENHORITAS BOOTH

Autoria de Lu Dias Carvalhotici12345

O fotógrafo e diplomata francês Camille Silvy (1834-1910) começou a trabalhar com fotografia após ser enviado à Argélia, onde fotografou naturezas-mortas, obras de arquitetura e paisagens. Chegou a abandonar a diplomacia para trabalhar com a fotografia.

O fato de ter sido diplomata transformou Silvy num fotógrafo especial, que retratava pessoas da aristocracia e da realeza. Acostumado a viver em ambientes requintados, conta-se que Silvy usava luvas brancas para tocar seus clientes, quando lhes consertava a pose. Além disso, tinha sempre o cuidado de arrumar o cenário do estúdio de acordo com a profissão do retratado.

O espelho era visto na pintura, desde a Renascença, como símbolo da vaidade e da futilidade, pois refletia a beleza que, tal como um reflexo no espelho, era por demais passageira.

A fotografia acima retrata duas jovens irmãs diante de um espelho veneziano. Os espelhos usados no século XIX eram tidos como objetos de luxo e, por isso, estavam muito presentes nas fotografias das mulheres, com o intuito de realçar-lhes a beleza.

Na época, era comum irmãs serem fotografadas juntas. O reflexo do rosto de uma das fotografadas no espelho dá a ilusão de que elas sejam três. A classe social a que pertencem pode ser medida pela riqueza dos vestidos, pelas joias e pelo espelho. Ambas usam o mesmo penteado.

A mulher, que fita o observador, segura delicadamente a mão de sua irmã, que se encontra de costas, aparentando timidez. A cena retratada remete à mitologia clássica das Três Graças.

Nota: Fotografia feita em 1861.

Fonte de pesquisa:
Tudo sobre fotografia/ Editora Sextante

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A CAMA QUE DEU CRIA

Autoria de Lu Dias Carvalhoathena1

Não é preciso muito esforço para tomarmos conhecimento das boas ações que acontecem em torno de nós. O triste é que estamos nos acostumando demais em ver apenas o mal em tudo que nos rodeia, e perdemos a chance de nos depararmos com o bem. Existem pessoas que desenvolveram um medo excessivo no contato com o estranho, medo esse que tem virado uma desculpa para a omissão. Elas estão ficando neuróticas e entorpecidas e, por que não dizer “maléficas”, em seus julgamentos preconcebidos? São perigosas, pois, se tiverem uma arma à mão, puxarão com facilidade o gatilho, à vista de qualquer temor, ainda que infundado.

Hoje, eu tive o prazer de conversar com meu amiguinho Jadilson, que há muito tempo eu não via. Conversa vai, conversa vem, acabamos falando sobre o pavor que vem acometendo as pessoas, o que as torna cada vez menos compassivas. Daí pulamos para o fato de que, ao nos desfazermos de coisas que não mais usamos, estaremos ajudando muitas outras pessoas. Ele então me narrou um fato muito interessante, que ora repasso ao leitor, e espero que sirva de estímulo para que ele possa se desfazer de tudo aquilo que abarrota seu lar, e, que tem certeza de que nunca fará uso, pois é preciso abrir espaço para que energias novas entrem em nossa casa e em nossa vida.

Cerca de seis meses atrás, contou-me Jadilson, ele foi chamado por seu patrão, que lhe perguntou se queria a cama de solteiro de seu filho, que fora trocada por outra que ele ganhara de presente da madrinha. O porão estava cheio e ele não tinha onde guardar mais coisas.

Jadilson aceitou-a com um sorriso largo, pois uma cama melhor seria muito bem vinda em seu pequeno quarto. Após o serviço, foi até à casa do patrão, desmontou a dádiva e a levou para casa com sacrifício, já que não tinha carro, mas bem feliz da vida. É fato que teve que esperar que ficasse mais tarde, para que a acomodasse com facilidade no lotação, que viaja bem vazio após a meia-noite.

No final de semana, montou sua nova cama, até botou colcha nova, e se sentiu o homem mais abençoado do mundo. Olhou para sua caminha antiga, companheira de tantos momentos de cansaço, tristeza e alegria, e agradeceu. Ele lhe daria um novo destino. Não um porão, mas um lugarzinho bem aprazível, onde seria bem tratada.

Ofertou a Ivani, sua sobrinha, sua antiga cama, que se encontrava bem superior à dela. A adolescente deu pulos de alegria, pois não é todo dia que se ganha um presente tão necessário ao corpo. Como ela crescera, sua velha cama estava com um rangido que a incomodava à noite.

A mãe de Ivani, por sua vez, deu a cama usada pela filha para a faxineira de um prédio vizinho. Dois dias depois, a mulher apareceu no seu portão, e era pura satisfação, contando-lhe que o filho estava todo festivo com seu novo presente. Contou também que ela havia repassado a cama do filho para dois menininhos, filhos de sua vizinha, que não tinham cama e, por isso, dormiam no chão.

Mas o caso não termina por aqui, meu caro leitor… Alguns dias depois, o patrão de meu amiguinho Jadilson travou com ele o seguinte diálogo:

– Como é, já se acostumou com a nova cama ou passou-a para frente? – questionou o patrão

– O senhor nem imagina o milagre que aquela cama fez! Ela deu muitas crias. – respondeu Jadilson

– Como assim? – questionou o patrão.

– Eu fiquei com ela, dei a minha para uma sobrinha, que deu a sua para uma faxineira, que deu a do filho para dois meninos que dormiam no chão. Como vê, o senhor ajudou cinco pessoas. – explicou Jadilson.

Seu patrão encheu os olhos de água, e lhe disse que iria esvaziar o porão assim que tivesse um tempinho, pois ali havia coisas que a família jamais usaria, mas que poderiam estar fazendo falta para outras pessoas. E arrematou:

– Obrigado por me fazer menos egoísta!

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TEMPO A MELHORAR…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa Tempo a Melhorar após a Queda da Neve na Estação Kameyama faz parte da série Estações de Tôkaidô, e corresponde à 47ª estação, obra do artista japonês Hiroshige.

Camadas grosas de neve cobrem as casas, à esquerda, e as folhas das árvores que se curvam sob o peso.

A estação está situada no alto do penhasco, para onde se dirigem as pessoas com seus chapéus amarelos, palanquins e animais de carga.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1832-1834
Dimensões: 22,5 x 34,7

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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UM BEIJO EM TIMES SQUARE

Autoria de Lu Dias Carvalho viet1

Eu estava no primeiro encontro com a minha atual esposa, quando eles anunciaram o fim da guerra. Fomos para um bar e eu bebi um pouco. Estava excitado pelo fim do conflito e animado por causa da bebida. Quando vi a enfermeira na rua, agarrei-a e a beijei. (George Mendonça)

Ele era muito forte. Eu não o beijei. Foi ele quem me beijou. (Greta Zimmer Friedman).

O fotógrafo e fotojornalista judeu-alemão Alfred Eisenstaedt (1898-1995), que trabalhou como freelance na Alemanha, é responsável por uma das imagens mais conhecidas, comemorando o término da Segunda Guerra Mundial. Trata-se da fotografia de um marinheiro norte-americano beijando uma enfermeira na Avenida Times Square, logo após a vitória dos Estados Unidos sobre o Japão.

Alfred Eisenstaedt nasceu na antiga Prússia, mas mudou ainda criança para Berlim, Alemanha, de onde partiu dois anos depois da chegada de Adolf Hitler ao poder, migrando para os Estados Unidos a fim de fugir do antissemitismo. Ainda na Alemanha, ao ser recrutado pelo exército alemão para servir na Primeira Guerra Mundial, teve as pernas afetadas pela explosão de uma granada que o impediu de andar sozinho pelo período de um ano. Fato que não tirou o seu interesse pela fotografia. Após se naturalizar norte-americano, Alfred Eisenstaedt viajou por diversos países, documentando as consequências trágicas da guerra. Por seu trabalho de fotógrafo recebeu inúmeros prêmios.

Dia V-J em Times Square é a fotografia mais famosa de Alfred Eisenstaedt e uma das imagens mais icônicas festejando o final da guerra.  A imagem capta a alegria dos Aliados e simboliza a presença dos soldados e do corpo médico de apoio no conflito que chegava ao fim, momento imortalizado pelo fotógrafo.

A revista Life, à época, publicou uma série de fotografias celebrando o final da guerra, em uma seção de doze páginas, chamada Victory. Os fotógrafos que cobriram a guerra elegeram a foto do beijo como a predileta. Muitas pessoas tiraram foto imitando aquela pose.

Por muito tempo se perguntou quais eram os protagonistas daquela cena. Vários casais apareceram para dizer que eram eles, até surgirem os verdadeiros personagens. Sessenta e sete anos depois de terem sido clicados para a foto consagrada, George Mendonça, o marinheiro, e Greta Zimmer Friedman, a enfermeira, voltaram a se reencontrar.

Segundo Greta, assim que a fotografia foi publicada na revista Life, ela se reconheceu. O que não aconteceu com George, que só se convenceu de que o marinheiro era ele, muitos anos depois. Sua mulher, Rita Mendonça, que aparece no plano de fundo, na altura do ombro, foi a prova cabal.

Olhando a fotografia, tudo nos leva a crer que se trata de um casal enamorado. Até porque a garota entrega-se por inteiro ao rapaz. Nada há nela que indique repulsão. Toda a sua postura é de aceitação e compartilhamento. Sem falar que é difícil imaginar que alguém possa nos abraçar e beijar (na boca) na rua sem a nossa permissão. Mas nos situemos na época do acontecimento. Imaginemos o sofrimento das pessoas diante de uma guerra tão longa. Coloquemo-nos no lugar do marinheiro, talvez prestes a partir para alguma missão, assim como a enfermeira. Não poderia haver euforia maior do que receber a notícia de que a guerra findara, e mais, com a vitória dos Aliados. Numa hora dessas todos se sentem como irmãos, se antes, vítimas do mesmo sofrimento, depois, tomados pela mesma alegria.

Lembro-me de ter participado de finais de apuração política, em frente ao comitê geral do partido em questão e, ao final, quando vitoriosas, milhares de pessoas presentes punham-se a abraçar umas às outras, numa alegria generalizada, sem que se conhecessem antes. Agora, imaginemos tal acontecimento no final de uma guerra! Portanto, nada mais normal que o procedimento do marinheiro George Mendonça ao abraçar a enfermeira que passava pela rua, na hora do anúncio da vitória, pessoa que também representava uma participação mais efetiva no conflito. Ou seja, ambos estavam no mesmo barco, logo, em maior sintonia. Sua mulher, Rita Mendonça, deve ter perdoado os arroubos do marido, pois deveria estar tão feliz quanto ele.

Fontes de pesquisa:
Tudo sobre fotografia/ Editora Sextante
Revista Alfa

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TERAPIA EMDR APONTA NOVOS CAMINHOS

Autoria de Vívian Stipp

EMDR

A terapia EMDR, ainda pouco conhecida no Brasil, é uma psicoterapia baseada no cérebro, desenvolvida há 25 anos pela psicóloga norte-americana Dra. Francine Shapiro, com a colaboração de pesquisadores de diversas partes do mundo.

A sigla EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) significa, em português, “Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares”. Através da estimulação bilateral ocorre uma mudança enorme na forma como as pessoas percebem emocionalmente seus problemas. Vivências dolorosas são reprocessadas pelo cérebro do paciente e situações, que causavam dor e sofrimento, passam a ser vistas de uma maneira diferente, sem a carga emocional e dor que muitas vezes paralisavam a pessoa.

A terapia EMDR vem sendo aplicada com sucesso em cerca de 70 países. É recomendada como tratamento eficaz para trauma e transtorno de estresse pós-traumático, por várias organizações internacionais, inclusive a Organização Mundial da Saúde (OMS), que reconheceu o método como o mais indicado para esses transtornos.

Uma das vantagens apontadas no uso da terapia EMDR, em particular, é que ela acelera a recuperação emocional, sendo mais rápida e mais eficaz do que a terapia convencional, em muitos casos. É até o momento uma das únicas terapias que apresenta resultados capazes de serem observados em exames de imagem do cérebro, como os vistos na ilustração do texto.

Na foto à esquerda, antes do tratamento, é possível ver uma grande ativação do cérebro em áreas de forte repercussão emocional, quando a pessoa recordava uma situação dolorosa. Após o tratamento, a mudança na ativação, ao evocar a mesma memória, indica mudança de percepção e a tranquilização do cérebro e das reações emocionais.

A realização e publicação de novos estudos, além da experiência clínica de diversos profissionais (a minha, inclusive) vêm indicando que a terapia EMDR está sendo muito eficaz em muitos tipos de problemas psicológicos além do trauma, como, por exemplo, ansiedade, depressão, fobias, síndrome do pânico, compulsão, uso de drogas, fibromialgia, dores crônicas, transtornos alimentares, doenças psicossomáticas (doenças com fundo emocional, como gastrite, por exemplo), dentre outras.

A terapia EMDR processa memórias que ficaram bloqueadas e tornaram-se lembranças dolorosas e disfuncionais. Essas informações normalmente são decorrentes de um ou vários eventos traumáticos, ou de situações difíceis, vivenciadas no passado. Tal terapia  promove alívio da perturbação emocional e física, e possibilita que o paciente consiga superar o sofrimento, e passe a viver de uma maneira mais saudável e integrada.

Durante o procedimento, o paciente é estimulado a mover os olhos de um lado para o outro, enquanto associa livremente, a partir de uma situação “alvo”, que foi previamente definida no início da sessão. Os movimentos oculares podem ser substituídos por estímulos táteis ou sonoros. A duração das sessões da terapia EMDR varia de 50 a 120 minutos, e só pode ser conduzida por psicólogos ou psiquiatras com formação específica, treinados por organizações autorizadas a promover o ensino e prática dessa terapia. Como profissional, desde que comecei a utilizá-la, observei mudanças fantásticas nos pacientes, muitos dos quais sofriam há muitos anos e estavam até desesperançados.

Aqui no Brasil, somos um grupo ainda pequeno (cerca de 1000 e poucos profissionais) treinado e apto para aplicar a terapia EMDR, mas em expansão, devido aos excelentes resultados obtidos.

Existe matéria disponível na internet sobre o assunto, e eu recomendo três livros para quem quiser saber um pouco mais a respeito: Curando a Galera que Mora lá Dentro, de Esly Regina de Carvalho, que é super didático e escrito numa linguagem bem informal, A Revolução EMDR: Mude Sua Vida Uma Lembrança de cada Vez – O Guia para Cliente, de Tal Croitoru, e Cura Emocional em Velocidade Máxima: O Poder do EMDR, de David Grand. O livro Curar – o Stress, a Ansiedade e a Depressão Sem Medicamento Nem Psicanálise, de David Servan-Schreiber também traz um capítulo sobre o EMDR. Mais informações são encontradas no site oficial www.emdrbrasil.com.br, que contém, inclusive, a relação de terapeutas habilitados em todo o Brasil.

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O DESFILADEIRO DE SATA…

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa O Desfiladeiro de Satta perto da Estação Yui faz parte da série Estações de Tokaidô, correspondendo a 17ª estação, obra do artista japonês Hiroshige.

Abaixo do desfiladeiro está a Baía de Kiuomi e, ao fundo, o Monte Fugi, cartão postal do Japão, todo coberto pela neve.

Somente com muita atenção, o observador poderá ver, na parte esquerda superior da composição, próximos à rocha, dois viajantes, que se inclinam para baixo, olhando a baía. Um deles parece acenar ao longe. O carregador, por sua vez, sobe a montanha, de costas para o mar.

Quatro embarcações, com suas velas brancas, parecem singrar na mesma direção.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1855
Dimensões: 34,3 x 22,6

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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