SALGANTE SUBSTITUI O SAL DE COZINHA

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova categoria de alimento que foi batizada de salgante. Com a promessa de substituir o sal de cozinha, o produto salga as refeições, mas com 0% de sódio. Portanto, salgante não é sal, pois não tem sódio. É salgante, simples assim.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é recomendado o consumo de 2 g por dia, podendo chegar ao máximo de 5 g de sal, ou seja, do que contém o cloreto de sódio. Ao mesmo tempo, pesquisas apontam que o brasileiro consome mais do que o dobro desse limite. Isso por que temperos industrializados, caldos e cubos de carne, galinha e afins, sucos industrializados, energéticos, etc, são alguns dos itens que possuem altas concentrações do mineral.

Como cerca de 20% da população é hipertensa, contando com mais de 44 milhões de brasileiros, são recomendadas as dietas hipossódicas. Portanto, o salgante vem como uma novidade bem-vinda para essa parcela da população. O produto foi testado por pesquisadores da Unifesp em ratos não hipertensos e hipertensos. Após uma semana ingerindo salgante, ambos não apresentaram aumento na pressão arterial. Já após uma semana consumindo sal, o aumento na pressão foi significativo, demonstrando claramente que a presença do sódio na nossa dieta mexe diretamente com os níveis de tensão arterial.

Os grãos têm cor e textura de sal e servem para salgar os alimentos, mas a grande diferença está na composição: no lugar do sódio, entra o potássio. O mesmo já é comercializado há cerca de uma década nos EUA e na Europa. No Brasil, recebeu aprovação neste ano. A comercialização parece ocorrer, inicialmente, só pela internet. Em alguns meses, deverá estar no varejo. Um ponto que parece negativo será a adaptação ao gosto, pois como no sal light (tem 50% de sódio e 50% de potássio), deixa um gosto amargo residual na boca. A empresa que comercializa o produto defende que, “em testes duplos cegos”, o gosto foi plenamente adaptável e não houve necessidade de se aumentar a dose para salgar os alimentos. É aguardar para ver.

O preço tem também um inconveniente, não é acessível pra boa parte da população. Cem gramas do produto saem por R$ 16,90. Da mesma forma, não podemos sair usando esse produto de qualquer forma. Existem contraindicações formais ao seu consumo a pessoas com problemas renais, ou que utilizam medicações poupadoras de potássio, ou qualquer outra condição clínica que possa elevar o potássio no sangue. Isso por que o potássio, se ingerido em excesso, pode ser fatal quando se tem problemas renais. Quando os rins não conseguem eliminar o mineral pela urina, ele se acumula no sangue e pode provocar arritmias cardíacas. Portanto, devemos consultar o médico assistente antes do consumo.

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Filme – A BELA DA TARDE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O filme A Bela da Tarde (1967), que tem por base um romance publicado em 1928, de Joseph Kessel, é uma obra-prima perspicaz, subversiva e erótica do cineasta espanhol Luis Buñel, que narra a história complexa de Séverine Serizi (Catherine Deneuve), uma bela burguesa de 23 anos, esposa de um conceituado e convencional cirurgião, Pierre (Jean Sorel), que se orgulha das qualidades virtuosas de sua mulher. Embora ele se mostre apaixonado, a relação entre os dois é insossa, com ela sempre recusando um contato físico com o marido. Séverine é dona de uma beleza fria e distante, e se mostra visivelmente frígida. A narrativa do filme desenvolve-se sob a perspectiva dela.

Séverine equilibra-se numa vida dupla, pois ao mesmo tempo em que é uma respeitável senhora, é também uma prostituta que, secretamente, trabalha num bordel de classe alta, no centro da capital francesa, durante algumas tardes por semana, enquanto o marido encontra-se no trabalho. Importa a ela apenas o sexo, ou seja, a sua própria satisfação, sem nenhum compromisso com o amor. Nas aparências de seu comportamento virtuoso, esconde-se uma vida cheia de fantasias e desejos, muitas vezes expressos através de seu sorriso enigmático. É no bordel que Séverine encontra segurança e liberdade para vivenciar suas fantasias masoquistas, que ela mesma diz serem impossíveis de controlar.

Embora A Bela da Tarde trate-se de um filme altamente erótico, é surpreendente a sutileza com que Buñel trata seu erotismo, visto de uma maneira totalmente diferente daquela a que estamos acostumados a acompanhar no cinema nos dias de hoje. O filme é muitas vezes também poético. Em sua obra, o diretor deixa as cenas libidinosas por conta da imaginação do espectador. Ele apenas as sugere. Tudo acontece por trás das portas fechadas do bordel. Há, até mesmo, um cliente debaixo de um esquife, local em que busca satisfazer suas fantasias eróticas, fazendo Séverine passar por morta. Tampouco o cineasta põe às claras a psicologia dos personagens ou o cotidiano dos mesmos.

O simples fato de Séverine entrar num quarto de bordel, indiferentemente daquilo que ali venha a se desenrolar, ou com quem se encontre, já é suficiente para despertar um alto grau de erotismo, tornando-se desnecessário explicitá-lo. Portanto, não existe nenhuma cena de sexo expresso formalmente no filme, elas são apenas insinuadas. E, como a imaginação é sempre muito mais intensa, o filme acaba ganhando em densidade.

Henri (Michel Piccoli), amigo do casal, também se sente atraído pela beleza e discrição de Séverine, que faz questão de demonstrar um gélido desinteresse por ele, sempre que se encontram. E é Henri que, indiretamente, dá-lhe o endereço do bordel de Madame Anais, pois ao tomar conhecimento de que donas de casa trabalham em bordeis, à tarde, enquanto seus maridos estão fora, a fim de ganhar um dinheiro extra, Séverine vê-se seduzida por esse tipo de lugar.

Séverine veste-se toda de preto, usando grandes óculos escuros, para ir à busca do bordel de Madame Anais (Geniéve Page), que parece não ter interesse por homem, mas apenas por mulheres. Trata-se de uma mulher experiente no seu ofício, que logo aprende a lidar com a novata, que foge no seu primeiro dia de trabalho, mas não tarda a voltar. Séverine também tenta escolher seus clientes, mas Madame Anais mostra-lhe que isso não é possível, pois a escolha é do freguês e, com dinheiro, todos eles são iguais.

Além de ser masoquista, pois gosta de ser tratada rudemente pelos clientes do bordel, Séverine também possui fetiches particulares, como se excitar com o miado dos gatos e com o barulho de sinos de carruagens. Em suas fantasias eróticas, esses sons aparecem, como acontece logo no início do filme, quando ela imagina estar sendo violentada pelos dois condutores da carruagem, a mando do marido, que a pune por ser fria com ele. O mesmo acontece na cena em que, usando um vestido branco, ela se imagina sendo violentamente amarrada, com os homens a lhe atirar lama, incluindo o marido. Outra cena que chama a atenção é aquela em que um cliente de origem asiática mostra algo dentro de uma caixinha a uma das companheiras de Séverine que o recusa, e depois a ela, que o aceita. Ao espectador não é dado saber o que a pequena caixa contém. Ele ouve apenas um zumbido saindo de dentro dela. Deduz-se que na caixinha havia algo de grande magnetismo erótico.

Dois clientes chegam ao bordel de Madame Anais, ambos criminosos. Um deles, o mais velho, já é conhecido da casa, enquanto o outro, Marcel (Pierre Clémenti), é novo ali. Ele é um jovem impetuoso, arrogante e convencido. Usa um casaco preto de couro, tem a boca cheia de dentes de aço e carrega uma bengala cortante. E é exatamente pelas maneiras rudes e pelos insultos de Marcel que Séverine sente-se atraída. Os dois passam a ter um relacionamento mais intenso, e ele se vê no direito de tê-la quando bem quiser, como sua propriedade. Fica enlouquecido, quando a bela não aparece no bordel. É incapaz de compreender que não é dele que Séverine depende, mas daquilo que ele representa, ou seja, ele é apenas uma vazão para suas fantasias, aquilo que de melhor pode encontrar para realizá-las, mas sem nenhum vislumbre de amor.

Séverine é surpreendida por Henri no bordel, onde é impiedosa com ele, apesar de lhe pedir para não contar nada a seu marido, alegando que fora ele quem lhe dera o endereço. Mas acontece uma reviravolta, quando Marcel, insatisfeito com o sumiço dela, descobre seu nome e endereço e vai até sua casa, no momento em que seu marido está prestes a chegar do trabalho. Ela o convence a sair, mas ele fica de tocaia na rua. Ao descer de seu carro, Pierre é baleado por Marcel, que, em seguida, é cercado e morto pela polícia, enquanto fugia.

Pierre vai para o hospital e depois volta para casa numa cadeira de rodas. Ele não fala, não enxerga e não anda. Séverine toma conta dele. Mas Henri vai visitar o amigo e diz a ela que vai lhe contar tudo. Não fica claro se isso acontece. O filme termina com Séverine tendo outras de suas fantasias, ao ouvir o som da sineta da charrete que passa na sua rua, vendo Henri levantar-se e abraçá-la.

A Bela da Tarde é sem dúvida o filme mais conhecido e icônico de Luiz Buñel, em que ele retoma seu ataque à hipocrisia da classe burguesa, aqui retratada por Séverine, uma mulher jovem, rica, elegante e bem casada, mas, que vai à procura de um bordel para vivenciar suas fantasias eróticas, onde convive com a humilhação, num grande contraste com a sua vida de burguesa. O diretor também faz presente o seu posicionamento anticlerical, ao mostrar, num rápido flashback, Séverine, ainda criança, rejeitando a hóstia durante a comunhão. Outro momento de flashbacks é mostrado quando ela sobe as escadas do bordel e vê imagens de sua infância, inclusive sendo molestada.

Embora alguns possam entender que o filme seja um caminho para a liberação feminina, as coisas não são bem assim, pois Séverine é uma mulher triste, que tem por companhia apenas homens cruentos, hostis e criminosos. Seu jovem marido Henri, a quem ela ama, é incapaz de realizar suas fantasias, ou talvez ela não tenha coragem de expô-las para ele, por timidez ou medo de ser censurada. É também difícil saber qual é a verdadeira Séverine. Seria ela a mulher muito bem vestida com roupas de grife e impecavelmente penteada ou aquela de cabelos soltos e roupas mínimas? A esposa linda, mas distante, ou a amante submissa e realizada? Talvez seja ela a junção das duas, onde uma necessita da outra para sobreviver.

Para que o espectador possa entender melhor o filme, pois muitas vezes realidade e sonhos confundem-se, é bom que preste atenção na presença de sinos, que é o sinal dado para nos advertir que Séverine está fantasiando. Fica também a consideração de que o diretor não teve nenhum interesse em mostrar respostas. Trata-se de uma obra aberta, de modo que cada um possa fazer a sua própria interpretação.

Sugestão
Outras obras do diretor: Um cão andaluz/ A idade do ouro/ Os esquecidos/ Nazarin/ Viridiana/ O anjo exterminador/ Diário de uma camareira/ Tristana – uma paixão mórbida/ O discreto charme da burguesia, etc.

Para quem gostou do filme fica a sugestão de assistir a “De Olhos Bem Fechados” (1999) – Stanley Kubrich.

Fontes de pesquisa
A Magia do Cinema/ Roger Ebert
Tudo sobre Cinema/ Sextante
Cinema com Rubens Edwald Filho

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A TROMBOSE E AS VIAGENS

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Chegaram as férias, as viagens e, com elas, um problema de saúde que merece atenção. Nas viagens mais longas, em especial nos aviões, pode ocorrer uma condição conhecida por trombose venosa profunda (TVP), que em última instância corresponde à formação de um coágulo sanguíneo nos membros inferiores. O desprendimento desses coágulos pode chegar aos pulmões, o que faz com que essa condição seja extremamente grave e perigosa.

Já se sabe que um dos maiores fatores de risco para ocorrência das tromboses são os períodos prolongados de imobilidade, como o tempo que os passageiros ficam sentados, durante o trajeto, em viagens mais longas. Outros fatores de risco incluem os distúrbios de coagulação, câncer, idade avançada, tabagismo, obesidade, doença cardíaca, uso de contraceptivos orais, histórico pessoal ou familiar de TVP, gravidez, etc.

A TVP pode não apresentar nenhum sintoma que dê o alerta, porém, em outros casos, ela pode dar sinais bem característicos de sua ocorrência. Os sintomas incluem dor, inchaço e vermelhidão na perna afetada. Caso o coágulo chegue até os pulmões, podem ocorrer fortes dores no peito e dificuldade para respirar. A manifestação desses sintomas pode resultar em óbito e, portanto, deve ser encarada como uma urgência médica.

A melhor forma de lidar com o problema é tentar evitá-lo. Antes de fazer longas viagens de avião, a pessoa deve conversar com seu médico para tirar suas dúvidas. Frequentemente, não é possível identificar a causa da TVP, o que faz com que não se saiba ao certo qual é a melhor forma de prevenir esse evento, o que torna mais difícil lidar com essa condição.

Não há consenso em relação ao uso do AAS, que ajuda a deixar o sangue “mais ralo”, porém, é de suma importância minimizar a inatividade durante o percurso. O passageiro deve mudar regularmente de posição, buscando alongar os membros. Da mesma forma, deve evitar cruzar as pernas e tentar andar um pouco durante a viagem – claro que sem a inconveniente turbulência. A hidratação pode ajudar bastante, devendo o viajante tomar água e sucos. Cafeína e bebidas alcoólicas devem ser evitadas. Escolher roupas largas e confortáveis para a viagem e conversar com seu médico sobre a possibilidade de usar meias compressivas são atitudes de boa prevenção.

Exercícios durante a jornada podem ser feitos, como:
• erguer os pés e movimentar o tornozelo em círculos;
• fazer bombeamentos com os calcanhares no chão, erguendo as pontas dos pés, apontando-os para o alto, ao máximo. Depois, colocar todo o pé no chão e repetir o movimento, mas dessa vez deixando o pé no chão e erguendo o calcanhar;
• erguer os joelhos enquanto sentado, “marchando” no mesmo lugar (repetir por 30 segundos);
• elevar o joelho ao peito, segurando-o na posição por 15 segundos e retornando a perna lentamente;
• repetir o movimento com o outro membro, dez vezes cada.

São medidas simples que podem salvar não só sua viagem, mas sua vida.

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Dierick Bouts – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Este painel sobre a Anunciação faz parte do Retábulo da Virgem, obra do pintor Dierick Bouts, o Velho.

A Virgem Maria encontra-se em seu quarto, ajoelhada próxima a um banco, onde está seu livro de orações, quando recebe a visita de um anjo, que vem anunciar que ela será a mãe de Jesus, o Salvador. O quarto simboliza o mistério da noite de núpcias.

A Virgem usa vestes escuras que se espalham pelo chão. Seu corpo volta-se levemente para o anjo, enquanto ela ouve o anúncio que ele lhe traz.

O quarto da Virgem é muito bem arrumado, mostrando que a sua família goza de algumas posses. Uma bonita cama, com travesseiros e colcha vermelhos, destaca-se ao fundo. À direita, um armário traz alguns objetos em cima. Duas lamparinas descem do teto. Duas janelas apresentam-se no quarto, enquanto uma porta dá passagem para outro aposento. Pequenas esculturas ornamentam o portal que conduz ao quarto.

O anjo está ricamente vestido. Suas enormes asas ultrapassam sua cabeça. Com a mão direita, ele aponta para a Virgem e com a esquerda segura o próprio manto.

Ficha técnica:
Data: c. 1445
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 80 x 56 cm
Localização: Museo del Prado, Madrid

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Da Vinci – A ANUNCIAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A Anunciação, composição do pintor italiano Leonardo da Vinci, está dividida em três níveis de profundidade. Ao fundo, estão dispostos quatro ciprestes cônicos. Entre o primeiro, à direita, e o segundo, existe um grande espaço, através do qual passa  a luz que ilumina o local do terraço, onde se encontram a Virgem e o anjo. A distância entre eles é muito grande, como se se tratasse de duas cenas diferentes, mas o cruzamento do olhar entre  os dois unifica as duas partes, assim como a luz que vai do mensageiro para o rosto da Virgem.

Entre o segundo e o terceiro cipreste, assim como entre o terceiro e o quarto, apesar da presença de outras árvores com forma irregular, há também espaços por onde passa a luz. Montanhas azuis aparecem ao fundo.

A Virgem está confortavelmente assentada em sua cadeira, no terraço do palácio, quando recebe a visita do anjo mensageiro. Ela parece muito surpresa com a mensagem que recebe. À sua frente, estende-se um tapete de ervas e flores, enquanto às suas costas, uma porta abre-se para um quarto, sendo possível observar um pedaço da cama coberta com uma colcha amarela.

O anjo, com seu belo perfil, tem uma perna ajoelhada e a outra dobrada, na qual descansa a mão que carrega um galho de lírios brancos, símbolo da pureza de Maria. A mão direita ergue-se em saudação à Virgem. Suas asas levantadas parecem prestes a alçar voo. As flores do local, onde ele se encontra, são bem detalhadas.

Anjo e Virgem estão suntuosamente vestido, tendo as dobras de suas vestes minuciosamente trabalhadas. A arquitetura do porta-livros de mármore é finamente acabada. A associação da Virgem Maria com os livros simboliza a sua sabedoria.

Ao pé da última montanha é possível ver uma cidade com seu porto e barcos.

Ficha técnica
Data: c. 1472/1475
Técnica: óleo e têmpera sobre madeira
Dimensões: 98 x 217 cm
Localização: Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

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VIAGEM DE TREM A PARANAGUÁ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Meu amor e eu no trem,
descendo a Serra da Graciosa
em direção a Paranaguá.
Eis mais uma curva nervosa:
– Venha pra cá, meu bem!
Vá pra lá, minha sogra!

Virgem Maria, oops!,
que curva mais fechada!
A máquina até cheira o rabo
do último vagão desregulado.
Ele me enche de afeto na janela.
– Meu bem, isso não é nada!

E o trem cabriola abrutalhado,
jogando de um lado pra outro.
– Meu amor, vá pra sua janela,
Ai meu Deus, o trem vai virar!
Piuípiuípiíishishishapshashap
Já estou vendo Paranaguá!

Hmm! Que viagem mais ligeira!
Que pressa do trem no chegar!
Não precisava descer tão rápido!
A excitação foi tamanha, diante
de tanta beleza, que nem deu
tempo da gente se beijar.

Sssssssssssssssssssmack!

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