Segall – SOBRE SUA NOVA PÁTRIA

Autoria de Lu Dias Carvalhosegall1

Escolhi o Brasil, que já havia visitado, e onde encontrei um acolhimento cordial. O Brasil se tornou minha pátria. (Segall)

“O Brasil é talvez o único ambiente onde se pode ainda respirar livremente. Vi-me transportado sob a fulgência de um sol tropical cujos raios iluminavam a gente e as cousas em seus recantos mais remotos e recônditos, emprestando até ao que se encontrava na sombra uma espécie de resplandescência, pois tudo dava por sua vez a impressão de irradiar reverberações de luz; vi terra roxa, terra cor de tijolo e terra quase negra, uma vegetação luxuriante desdobrando-se em fantásticas formas ornamentais, vi danças executadas pelo povo com exaltação quase religiosa, dum ritmo alucinante e contagioso, que realizava espontaneamente, sem teorias e pesquisas intelectuais, o que as modernas tendências do bailado na Europa se esforçavam por elaborar como criações revolucionárias e inovadoras no domínio da dança. Vi homens e mulheres com os quais, não obstante a estranheza de sua língua e costumes, me sentia irmanado.”. (Segall em carta a Kandinski)

“O Brasil revelou-me o milagre da cor e da luz. Sinto que neste país todas as coisas parecem mais leves e mais altas. Eleva-nos da terra. Ensina a alegria. Considero uma aquisição essencial para a minha arte essa alegria que o Brasil me revelou. Não é uma alegria superficial, que se oponha à tristeza, mas uma alegria ampla e compreensiva que abrange o seu contrário, e que, sobretudo, nos exalta para um mundo mais elevado.”. (Segall)

Fonte de pesquisa
Lasar Segal/ Coleção Folha

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Pintores Brasileiros – LASAR SEGALL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Escolhi o Brasil, que já havia visitado, e onde encontrei um acolhimento cordial. (Lasar Segall)

Na arte brasileira, Segall é o artista que dela se ocupou com mais profundidade. (Olívio Tavares de Araújo)

Nunca foi maior e mais sincero o artista do que quando retratou os desamparados e os perseguidos, numa palavra os desvalidos da sorte, tangidos como gado à mercê das circunstâncias. Nessas enormes composições não há revolta ou desespero […]. Em tais momentos, sua pintura alça-se por sobre o plano meramente estético, para atingir a esfera da moral. (José Roberto Teixeira Leite)

O pintor Lasar Segall (1891-1957) era o sexto dos oito filhos do casal Abel Segall e Ester Segall, tendo nascido em Vilna, na Lituânia, quando o país ainda se encontrava sob o jugo do império russo. Mas no decorrer da Primeira Guerra Mundial, Vilna foi invadida pelos alemães, que ali permaneceram três anos, e, após esse período, os russos retomaram a cidade. Segundo o próprio pintor, houve lutas entre lituanos, poloneses e russos pelo domínio de Vilna, que ora estava nas mãos de uns, ora nas de outros, até ser incorporada à Polônia definitivamente. E, por isso, ele sempre se sentiu como um apátrida. A família de Lasar Segall era judia e, como as demais, vivia à margem da sociedade, no gueto. E foi ali, instruído pelo pai, escriba do Torá (livro sagrado do judaísmo), com quem o artista viveu até os 15 anos de idade.

O interesse do garoto pela pintura brotou muito cedo, ao ajudar o pai a preparar suas próprias tintas para ornar as letras capitulares. E, aos 15 anos, seguindo orientação de seu professor de desenho, Le Antokolski, deixou Vilna, rumando para Paris, porém, com os poucos recursos de que dispunha, parou em Berlim, onde permaneceu. Aos 19 anos, Segall foi estudar na Academia de Belas-Artes, de Dresden. Dois anos depois, esteve no Brasil, expondo seus trabalhos em São Paulo e Campinas, depois de obter o apoio do senador José Freitas Valle na divulgação de seu trabalho.

Dois anos após seu retorno a Dresden, Segall foi expulso da Academia sob a justificativa de que era um cidadão russo. Era a época da guerra. Mesmo assim, permaneceu em Dresden, enquanto via muitos de seus amigos serem enviados para Meissen, onde eram confinados por serem judeu-russos. O artista já era um nome reconhecido na Alemanha, sendo os seus trabalhos procurados por museus e colecionadores. Mas em 1923, época em que o país alemão passava por uma grave crise econômica, o pintor, aos 32 anos de idade, escolheu o Brasil como nova pátria, onde já viviam seus irmãos Luba, Oscar e Jacob. Quando para aqui veio, Segall estava casado com a alemã Margarete Quack, que retornou à Alemanha no ano seguinte. Logo depois, ele se casou com Jenny Klabinn, com quem teve os filhos Maurício e Oscar.

Segall naturalizou-se brasileiro em 1927, tornando-se um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento e divulgação da arte moderna na sua nova pátria. Junto com Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Mário de Andrade, John Graz, entre outros, fundou a Sociedade Pró-Arte Moderna, conhecida como SPAM, até que, em 1933, o antissemitismo, encontrado dentro mesmo da própria associação, aliado às dificuldades financeiras, fez com que tal sociedade começasse a desmanchar. Mesmo dez anos depois, em plena guerra, Segall, ao inaugurar uma exposição no Rio de Janeiro, viu-se vítima do mesmo antissemitismo, mas muitos intelectuais saíram em sua defesa à época.

Lasar Segall, gravurista, escultor e pintor, tinha predileção pelas figuras marginalizadas, imbuídas do sofrimento humano: mendigo, prostituta, velho abandonado, errante, mãe viúva, negro, emigrante, etc. Sentia-se como se fosse uma delas. Segall era um homem dotado de extremo humanismo. Preocupavam-lhe a violência, a miséria e as injustiças sociais. Sofrimento moral que o acompanhou ao longo de sua carreira, como podemos observar em toda a sua trajetória artística. Suas obras não diziam respeito especificamente aos aspectos sofridos de sua vida, mas tratavam de temas  universais.

O trabalho do artista, que queria ser universal, baseia-se, sobretudo, no humano e no social, embora também se dedicasse à paisagem. Para ele, os problemas socias são os mesmos, em qualquer lugar do mundo, pois a desgraça e a miséria humana são apátridas. Sua obra está repleta, portanto, de sofrimento.

Segall recebeu influências do impressionismo, do expressionismo e do modernismo. Morreu aos 66 anos de idade, de problemas cardíacos, na cidade de São Paulo, Brasil.

Fontes de pesquisa
Lasar Segall/ Coleção Folha
Brazilian Art VII

Nota: Autorretrato II

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TRANSTORNO EXPLOSIVO INTERMITENTE

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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É recomendado contar até cem para acalmar os ânimos e evitar reações de impulsividade. Porém, existem pessoas que só conhecem os primeiros números. Vários de nós podem ter um dia ou outro de piora no estado de humor. Entretanto, o popular “pavio curto” ou aquele “esquentadinho” pode estar sofrendo de uma doença psiquiátrica conhecida por Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), que afeta cerca de 3% dos brasileiros. Os primeiros sintomas aparecem na adolescência e diminuem a partir dos 60 anos. Entre os que sofrem do transtorno, 70% são do sexo masculino.

O TEI está na lista das doenças dos impulsos. A característica do transtorno é que a explosão da pessoa é desproporcional às situações que as motivaram. Sem conseguir se controlar, o indivíduo grita, xinga, bate, atira objetos, quebra etc. Por causa disso, muitas vezes, a pessoa acaba tendo problemas de relacionamento na família, no seu meio social e no trabalho. São pessoas sempre dispostas a “brigar por pouca coisa” e estão sempre “preparadas para guerra”. Não é qualquer sinal de raiva que indica o transtorno. Ataques de raiva podem ser um sinal de problemas de personalidade, bipolaridade e/ou depressão. Portanto, o diagnóstico diferencial deve ser feito. Claro que não podemos confundir este transtorno ou outros distúrbios psiquiátricos com “raivas rotineiras”, que eventualmente todos nós passamos, como em uma fechada no trânsito ou com aquele vizinho impertinente e chato por natureza.

Atualmente, o diagnóstico é feito exclusivamente pelo médico ou por psicólogo, a partir do histórico clínico, historia familiar e pelos sintomas associados. Existem critérios bem estabelecidos para caracterizar o transtorno, como o registro de ataques de agressividade em média duas vezes por semana, por um período de três meses, ou a ocorrência de três explosões de fúria envolvendo dano ou destruição de propriedades e/ou agressão física, resultando em lesão corporal contra pessoas, ou mesmo animais domésticos, em um período de um ano. As crises não podem estar relacionadas com abuso de álcool ou drogas. Caso as crises sejam esporádicas, podem ser reflexo de outros distúrbios ou mesmo de um estresse crônico.

A boa notícia é que a irritabilidade pode ser reduzida e “o elástico da tolerância” pode ser melhorado. O tratamento inclui a introdução de medicamentos antidepressivos e/ou estabilizadores de humor associado à terapia cognitivo comportamental, voltada à mudança de hábitos, bem como estímulo à redução do estresse no trabalho e à pratica de exercício físicos. Os resultados são ótimos, desde que haja boa adesão do paciente ao tratamento.

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DO VALE AO PARAÍSO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A saga dos colonizadores do Mucuri, Pampã, Norte e Umburanas

O escritor e historiador Adevaldo Rodrigues de Souza acaba de lançar o seu primeiro livro, Do Vale ao Paraíso, que conta a história da migração das famílias que deixaram outrora as terras férteis do Vale do Jequitinhonha, ressequidas por bravos períodos de seca, em busca do ainda verdejante Vale do Mucuri, em Minas Gerais.

Na introdução de seu livro, o escritor fala com carinho sobre a figura do historiador e de sua importância para a História: “O historiador, viajante do tempo pretérito, devolve a vida às raízes do passado, ao transportar os fatos para o presente, não permitindo que eles morram, mas que se transformem em sementes de exemplos para as gerações de hoje e de amanhã, pois a palavra escrita cria vida e serve de candeeiro para iluminar a existência de pessoas valorosas que ajudaram a compor a história de sua cidade, região ou país. Sem a figura do historiador, esses fatos e tais pessoas seriam apenas como raízes ressequidas e ocultas pelo tempo. Lamentavelmente, vemos isso ocorrer ao longo de nossa história, fazendo valer a expressão de que ‘um povo sem memória é um povo pobre’.” E, infelizmente, assim tem sido com a história do povo brasileiro.

Como Adevaldo Rodrigues mesmo explica: “Do Vale ao Paraíso propõe contar a história dos colonizadores que chegaram ao Vale do Mucuri, depois de deixar o Vale do Jequitinhonha em razão dos períodos hostis de seca, quando até a esperança minguava.” Mas, para localizar o leitor dentro da história de nosso país, o escritor dá-nos uma visão geral da colonização pela qual passou o Brasil, desde a chegada dos navegadores portugueses, passando pela criação das Capitanias Hereditárias, pelo nascimento dos primeiros povoados, sem se esquecer do “Ciclo do Ouro” e de como a coroa portuguesa usou e abusou de nossas riquezas. Também traz à tona a economia da poaia, o trabalho dos corajosos tropeiros, a história de algumas cidades do Vale do Mucuri e, como não podia deixar de ser, conta a história de Teófilo Benedito Ottoni, uma das figuras mais ilustres de Minas Gerais, que sempre esteve um passo à frente de seu tempo.

Do Vale ao Paraíso trata-se de um livro dinâmico e de leitura fácil em que o escritor, como um jardineiro responsável e amoroso, como ele mesmo explica “revolve a terra em busca das raízes do passado de sua gente”. É fato que “Às vezes, elas estão tão profundas que exigem muito trabalho. Noutras, são tão frágeis, pois ficaram tanto tempo escondidas, que se tornam necessários muitos cuidados para recuperá-las, pois a cada ano vivido mais distantes ficam as marcas de um tempo que se foi.”. Fica aqui a sugestão de um livro que muito tem a nos ensinar.

Contato: adevaldoparaiso@hotmail.com

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Anônimo: A TAPEÇARIA DE BAYEUX

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A propaganda traduzida para o bordado.

A Tapeçaria de Bayeux, de artista anônimo, datada de 1066, mede 70,34 metros de comprimento e 50 centímetros de altura, sendo formada por diversos pedaços de tecido unidos. Infelizmente falta sua parte final, que deveria medir mais alguns metros. Foi feita em linho, bordado com fios de lã, num total de oito cores. Presume-se que tanto os desenhos quanto os bordados foram feitos por freiras. Apareceu pela primeira vez na Catedral de Bayeux, na Normandia, em 1077. E foi redescoberta por estudiosos, em 1729, quando estava sendo exibida no mesmo local. Os bordados narram a vitória de Guilherme, o Conquistador sobre os ingleses, na Batalha de Hastings, em 1066.

A igreja em 1025, através do Conselho da cidade francesa de Arras, propôs ornamentar as igrejas com panos com representações de personagens e eventos históricos cuja finalidade era ajudar, principalmente, a ampliar o conhecimento dos fiéis que não sabiam ler. A Tapeçaria de Bayeux é o exemplo mais importante desse tipo de educação usada na Idade Média. Possui um imensurável valor tanto histórico quanto artístico. A presença dessa tapeçaria na catedral de Bayeux tinha dupla finalidade: a narração de fatos políticos da época e a edificação religiosa.

A Tapeçaria de Bayeux representa a pequena cidade normanda no detalhe superior, apresentando uma colina e um grande edifício que tanto pode ser uma igreja ou um castelo. Frases em latim ajudam a contar a história. Também são mostrados animais simbólicos que nada tem a ver com o relato. As cenas de batalha mostram corpos nus e mutilados. É interessante acompanhar uma série de detalhes documentais da época: escudos, esporas e veios das selas que serviam para prender o cavaleiro durante o combate. O personagem principal da tapeçaria é Guilherme, o Conquistador, e todos os acontecimentos são contados mediante seu ponto de vista.

A Tapeçaria de Bayeux foi usada como instrumento de propaganda por Napoleão, ao tentar conquistar a Inglaterra, e por Adolf Hitler, quando planejou a invasão da ilha. Atualmente a obra encontra-se no Musée de la Tapisserie de Bayeux, na Normandia.

Vejam essa tapeçaria na animação:
https://www.youtube.com/watch?v=KfMekHN6x7w/

Fontes de pesquisa:
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
Blog Café com Ciência

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HISTÓRIA DA CARICATURA BRASILEIRA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Muito se tem dito sobre a criatividade do brasileiro e sobre a facilidade que possui para fazer piada sobre qualquer tipo de acontecimento. Isso fica evidente na sátira gráfica feita no Brasil, destacada e elogiada em todo o mundo. Sua tradição vem das campanhas que objetivavam abolir a escravatura em nosso país e da luta pela proclamação da República, ou seja, desde o século XIX, destacando-se os nomes de Agostini e Bordalo Pinheiro.

O Brasil, há mais de dois séculos, tem sido um celeiro de grandes nomes da caricatura, que vêm espalhando humor através dos tempos, num criatividade de fazer inveja. O livro História da Caricatura Brasileira, obra do historiador, pesquisador, caricaturista, editor e sociólogo brasileiro, Luciano Magno, faz uma deliciosa viagem através dos tempos, mostrando a caricatura no Brasil no século XX, com o objetivo de resgatar e revisar a história desta arte, desde os seus primórdios aos dias de hoje. São 25 anos de muita pesquisa e criatividade. O autor traz à tona diversos artista da caricatura no país.

Segundo o escritor Luciano Magno, 25 de julho de 1822 foi o marco da caricatura no Brasil, quando “um anônimo, mas patriótico desenhista publicou a primeira caricatura brasileira, agora, também pela primeira vez, apresentada e reconhecida num estudo profundo e abrangente”.

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