A IMPERATRIZ TEODORA E SEU SÉQUITO

Autoria de Lu Dias Carvalho

                      teo    

O mosaico mostrado acima representa  a  Imperatriz Teodora, mulher de Justiniano, imperador do Império Bizantino e seu séquito. Juntamente com o marido, ela é santa da Igreja Católica Ortodoxa, cuja comemoração dá-se no dia 14 de novembro. A obra pode ser assim analisada:

  • Teodora é a figura mais alta do grupo e é a única a ter a sua imagem totalmente destacada, o que evidencia a sua real importância, embora a tradição reze que ela era uma mulher pequena e graciosa. Sua touca alta e a posição em primeiro plano ampliam o seu tamanho.
  • A imperatriz usa um majestoso manto sobre o vestido branco, coberto por muitas joias, sendo que nas suas bordas estão bordados em ouro os três reis magos entregando seus presentes.
  • À direita da imperatriz um dos presentes segura a cortina da porta, tornando visível a escuridão do ambiente por detrás da porta, o que contrasta com a claridade do local ao ar livre, onde se encontra a comitiva.
  • Teodora encontra-se sob um dossel sustentado por colunas de pedra. Ela está encabeçando uma procissão e levando nas mãos um cálice para a igreja.
  • Justiniano, esposo de Teodora, era considerado líder religioso e sacerdote de Cristo na Terra. Por isso, a imperatriz traz um halo dourado, reflexo da luz divina, atrás da cabeça, igualando-se aos santos e apóstolos.
  • A mulher mais próxima à imperatriz, presumivelmente é Antonina, mordoma do palácio, casada com o general Belisário, e tem a seu lado a filha Joanina. Ambas se destacam em relação ao grupo de cinco mulheres na parte direita da composição.
  • Determinados tons de cores eram de exclusividade da família real. Quem usasse alguma delas sem autorização era condenado à morte. Por isso, a mulher à esquerda da imperatriz é tida como Antonina, pois usa um manto de cor semelhante ao de Teodora.
  • A imperatriz traz a insígnia do poder: a tríplice coroa de pedras preciosas com longas fieiras de pérolas, muitas joias adornando a touca, pescoço e ombros e o manto de púrpura.
  • Os dois personagens vistos à direita de Teodora vestem uma indumentária dos dignitários bizantinos. A cor do manto e do pedaço quadrado de pano costurado sobre este determina a classe a que pertencem. Os sapatos branco com preto fazem parte do uniforme.
  • Antonina e as demais cortesãs trazem a cabeça coberta com toucas estampadas, bem de acordo com a moda oriental da época.
  • O mosaico apresenta a única imagem conhecida da Imperatriz Teodora com seus olhos grandes e escuros e seu rosto fino, quando deveria ter cerca de 50 anos.

(Mosaico, século VI d.C., Igreja de San Vitale, Ravena, Itália)

Curiosidades

Mosaico, ou arte musiva, é uma palavra de origem alemã, embora a técnica seja antiquíssima. É um embutido de pequenas peças (tesselas) de pedra ou de outros materiais como (plástico, areia, papel ou conchas), formando determinado mosaico. O objetivo do desenho é preencher algum tipo de plano, como pisos e paredes.

A técnica da arte musiva consiste na colocação de tesselas, que são pequenos fragmentos de pedras, como mármore e granito moldados com tagliolo e martellina, pedras semipreciosas, pastilhas de vidro, seixos e outros materiais, sobre qualquer superfície. Nos dias de hoje, o mosaico ressurgiu, despertando grande interesse, sendo cada vez mais utilizado, artisticamente na decoração de ambientes interiores e exteriores. Hoje, entre as principais figuras do mosaico contemporâneo, destacam-se Marcelo de Melo (Brasil), Sonia King (E.U.A.) e Emma Biggs (Reino Unido).

Fontes de pesquisa:
Tudo sobre arte/ Sextante
A história da arte/ E.H. Gombrich
Los secretos de las obras de arte/ Taschen

Views: 43

Eça de Queiroz – ODE AO POVO

Autoria de Eça de Queiroz

ostra1

Há no mundo uma raça de homens com instintos sagrados e luminosos, com divinas bondades do coração, com uma inteligência serena e lúcida, com dedicações profundas, cheias de amor pelo trabalho e de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão.

Estes homens são o povo.
Estes homens estão sob o peso do calor e do Sol, transidos pelas chuvas, roídos do frio, descalços, mal nutridos; lavram a terra, revolvem-na, gastam a sua vida, a sua força, para criar o pão, o alimento de todos.
Estes são o povo, e são os que nos alimentam.
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem família, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam o linho, o pano, a seda, os estofos.
Estes homens são o povo, e são os que nos vestem.
Estes homens vivem debaixo das minas, sem o Sol e as doçuras consoladoras da Natureza, respirando mal, comendo pouco, sempre na véspera da morte, rotos, sujos, curvados, e extraem o metal, o minério, o cobre, o ferro, e toda a matéria das indústrias.
Estes homens são o povo, e são os que nos enriquecem.
Estes homens, nos tempos de lutas e de crises, tomam as velhas armas da pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, à neve, à chuva, ao frio, nos calores pesados, combater e morrer longe dos filhos e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós conservemos o nosso descanso opulento.
Estes homens são o povo, e são os que nos defendem.
Estes homens formam as equipagens dos navios, são lenhadores, guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados.
Estes homens são os que nos servem.

E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes homens que o vestem, que o alimentam, que o enriquecem, que o defendem, que o servem?

Primeiro, despreza-os; não pensa neles, não vela por eles, trata-os come se tratam os bois, deixa-lhes apenas uma pequena porção dos seus trabalhos dolorosos; não lhes melhora a sorte, cerca-os de obstáculos e de dificu1dades; forma-lhes ao redor uma servidão que os prende e uma miséria que os esmaga, não lhes dá proteção, e, terrível coisa, não os instrui: deixa-lhes morrer a alma.

É por isso que os que têm coração e alma, e amam a justiça, devem lutar e combater pelo povo.
E ainda que não sejam escutados, tem na amizade dele uma consolação suprema.

                                                                                                                           (Distrito de Évora)

Fonte de pesquisa
Eça de Queiroz
Citações e Pensamentos/ Editora Leya
Organização de Paulo Neves da Silva

Views: 9

Arte de Rua – TOZ

Autoria de Alfredo Domingos

alf3
Em plena zona portuária do Rio, RJ, o artista baiano Toz (Tomaz Viana) pintou, a partir de janeiro de 2013, o maior mural de grafite da cidade, com 30 metros de altura e 70 de largura, usando totalmente a lateral do prédio da Rua Coelho e Castro, na Saúde, próximo à Praça Mauá.

Gente, esta é uma obra maravilhosa! O artista realmente saiu do sério e entrou no lúdico, sem dó e piedade! Embriagou-se nas formas e cores. Perdeu o rumo para achar a arte, caramba! Toz compôs um painel universal para todos os gostos. Reuniu em colagem, não misturou, diga-se de passagem, uma boa quantidade de figuras, vejamos, a começar lá pela esquerda:

  • boneca moderna de cabelo vermelho;
  • perto dela a loura sinistra;
  • a quase Santa de mãos postas, mais ou menos no centro, trajando azul e adornada pelo cabelo roxo;
  • dois bonecos coloridos, um em cada ponta, desfigurados de cabeça, onde apresentam um punhado de bolas com aspecto de ovos de Páscoa;
  • cão de cara do tipo mau, com traços de gozador, no entanto, voltado para a direita, meio que central na composição;
  • personagem oriental, chegado a samurai, bem no cantinho à direita; várias carinhas de quadrinhos infantis;
  • olhos misteriosos espalhados;
  • boca solta e risonha, posicionada abaixo do cão;
  • caixa d’água azul, no alto, de intrometida, assumindo papel de chapeuzinho de tudo ali;
  • e espaços preenchidos de tons de azul e de amarelo para compor a arte. Ufa, muita coisa!

O artista fez uma positiva conspiração em nome da cor para derrubar o cinza-pedra da cidade. O concreto aparente transformou-se em galeria policromática a céu aberto, desafiando e ganhando do feio. Que árdua luta travou o Toz para abrandar anos de obscuridade e rigidez, hein! Valeu!

As armas usadas na batalha, porém, foram pacíficas: andaimes, grua, mais de 1.500 latas de tinta e incontáveis rolos, broxas e pincéis. Participou, ainda, uma tropa de 8 obstinados guerreiros, inclusive o autor do projeto esteve empenhado. E assim, o que já foi maldito, tido há tempos como enganação de vagabundos, ganhou destaque, conquistando a sociedade. Grafitar é fazer arte e das boas. Bem comparando, este painel contém a mesma importância artística daquele de Portinari, Guerra e Paz, claro, considerando que cada um ocupa o seu quadrado, dentro de sua época!

Fonte de pesquisa:
oglobo.globo.com

Views: 20

Mestres da Pintura – AMEDEO MODIGLIANI

Autoria de Lu Dias Carvalho

modi

Figura extraordinária e arrebatadora a de Modigliani! No decorrer de sua existência desordenada, esse pintor-escultor conseguiu produzir nus maravilhosos e retratos não menos talentosos. (C. Coguiot)

Os grandes nus deitado de Modigliani, executados por meio de uma sucessão de linhas curvas e ondulantes, são quase sagrados em sua simplicidade. (W. Geoge)

Modigliani teve uma notória preferência por mulheres nuas como objeto – e suas imagens de mulheres anônimas deitadas são altamente sensuais. (N. Bezerra)

O pintor italiano Amedeo Modigliani (1884 – 1920) era o mais novo dos quatro filhos de uma próspera família judia. Ainda na infância, ele foi vitimado pela tuberculose, enfermidade que o acompanhou ao longo de sua curta e conturbada existência de apenas 35 anos. Além da doença, o pintor também fazia uso de álcool e drogas, principalmente do haxixe, e tinha grande atração pelas mulheres. A cultura visual de Modigliani foi grandemente favorecida em sua adolescência, pelas viagens que fazia às cidades italianas, em companhia de sua mãe, na tentativa de encontrar cura para o tifo e a tuberculose que o maltratavam. Apesar da doença, tornou-se um homem charmoso e elegante , dono de uma atração magnética que encantava homens e mulheres.

Durante a sua vida, Modigliani teve que conviver com o pouco caso da crítica e do mercado por sua pintura. E o fato de ser obrigado a abandonar a escultura, em razão de seu péssimo estado de saúde, arte que ele elevava acima da pintura, tornou sua vida ainda mais atribulada. O mais paradoxal é que, logo após a morte de Modigliani, os colecionadores arrebataram suas obras, dando-lhe a atenção que não lhe dispensaram em vida. Sua pintura, dona de formas sinuosas e estilizadas, possuía uma elegância ímpar. Embora o pintor tivesse tido uma existência dramática, sua obra repassava pureza formal, perfeição e calma.

Na escultura, o artista recebeu um número enorme de influências, no contato com várias culturas definidas à época, como primitivas. Além disso, era incansável frequentador do antiquário e galeria Brummer, onde eram comercializadas objetos de arte africanos, dentre outros. Aos amigos, ele confessava que no íntimo era um escultor. Produziu 20 obras de pedra, representando cabeças femininas e cariátides. Modigliani trabalhava a escultura com plena liberdade, pois, por não ter estudo escultórico, mas somente pictórico, podia usar de plena liberdade criativa, sem se ater aos preceitos acadêmicos. Fazia vários esboços antes de esculpir uma obra tridimensional. Segundo alguns estudiosos do artista, a causa principal de Modigliani ter deixado a escultura foi a falta de dinheiro, pois o material era muito caro e ele não sabia gerir o dinheiro enviado pela família. Além disso, era realmente muito doente, e o pó da pedra fazia-lhe um grande mal, sem falar que cada vez mais lhe faltavam forças para manejar o cinzel.

Em Paris, ainda no início de sua carreira, o artista recebeu influência de Paul Cézanne, o pai da pintura moderna, cujo uso da cor indicou-lhe caminhos. Também admirava os arabescos de Toulouse-Lautrec. Mas ele não era chegado às correntes, equilibrando-se com êxito entre as referências vanguardistas e a arte antiga. Modigliani fez do retrato a sua marca registrada, e aí se encontra a maior parte de sua produção pictórica. Ele se mostrava fascinado pela figura humana, tendo criado belos nus femininos. Sua arte, com seu traço sinuoso e lírico, foge a qualquer classificação de estilo.

Modigliani tinha predileção pelos marginalizados sociais, a quem dedicava um grande amor fraternal, pois, embora pertencesse a uma família de classe média alta italiana, deles sentia fazer parte em Paris. Fez de seus amigos de ideias e de copos, das namoradas e das crianças esfomeadas os seus modelos, em sua maioria.

Paul Alexandre, médico e colecionador de artes, foi muito importante na vida do artista. Além de uma profunda amizade que os unia, ele admirava o artista e sua arte, quando ninguém se importava com ele. Paul comprava seus trabalhos, encomendava-lhe retratos a óleo de si e de sua família. Afora isso, Modigliani, para se sustentar, precisava receber ajuda da família, na Itália.

Para fechar a vida de tragédias do artista, dois dias após sua morte, Jeanine, sua última e jovem companheira, que já tinha com o artista uma filha de mais de um ano, e se encontrava grávida de nove meses, suicidou-se. Modigliani realizou mais de 30 retratos dela, sendo ela a mulher mais retratada pelo artista.

Fonte de pesquisa
Modigliani/Abril Coleções
Arte/Publifolha
A Arte do Século XX/ Taschen

Nota: autorretrato de Amedeo Modigliani

Views: 12

ARTE DE RUA – BASK

Autoria de Lu Dias Carvalho

avaaz12

Bask é um artista tcheco que, aos oito anos de idade, conseguiu fugir do regime comunista de seu país, então Tchecoslováquia, juntamente com sua família, composta por seus pais, ele e uma irmã, e se refugiar nos Estados Unidos, em 1984. Segundo conta, sua família viveu num campo austríaco de refugiados, durante seis meses, antes de obter ajuda para emigrar. E o dia em que a família escapou, a tia, irmã do pai, foi assassinada. E tudo isso foi muito traumático para ele. Somente na sua adolescência foi ler o livro 1984, de George Orwell, que mudou a sua vida. Também ama A Revolução dos Bichos, do mesmo autor. Tem predileção pelos autores: Orwell, claro, Joseph Campbell, Allan Watts, Noam Chomsky, Howard Zinn, Charles Bukowski, e até mesmo por Sun Tzu (A Arte da Guerra).

Os desenhos de Bask, que se inspirou em culturas e paisagens urbanas, para criar o seu estilo de pós-grafite, trazem sempre um cunho social ou político, com o objetivo de levar o observador a ter uma atitude crítica. Ele usa respingos de tintas, texturas espessas e estênceis para criar seus personagens e outras formas de desenho, bem parecidos com rascunhos infantis. A estética de seus desenhos parece sempre inacabada ou imperfeita. Mas o fato de as imagens parecerem inacabadas tem como objetivo fazer com que o observador concentre seu olhar ali e, mentalmente, preencha as linhas ausentes, numa interação mais profunda. Quase nunca faz um esboço daquilo que vai fazer, mas possui uma visão geral da obra, um layout, na cabeça, antes de começar a pintar. Mas acontece de mudar, acrescentando ou subtraindo algum elemento, de acordo com seu impulso criativo. Ele se diz autodidata e, por isso, está sempre aberto às novas experiências.

Bask diz-se cético em relação a cada “nova grande coisa” lançada pelo mercado consumidor, pois isso o faz lembrar-se da mesma propaganda de lavagem cerebral que sofreu em seu país. É preciso não se submeter à pressão da sociedade, alimentada pelo marketing, de viver uma determinada maneira, ainda que isso não tenha um real benefício para a nossa vida cotidiana. Segundo o artista, ele possui uma relação de amor e ódio com os anunciantes. Ele odeia o controle e a influência que eles exercem sobre a sociedade, mas também admira as propagandas inteligentes e eficazes. É fato que a publicidade está em toda parte, mas a maioria dela é um lixo, uma poluição visual.

O tcheco afirma que o artista de rua continua se escondendo da polícia e que sua arte não pode se tornar muito comercial para não perder sua juventude e rebeldia. Ele gosta de trabalhar em murais, com permissão, onde faz experimentações de imagens e técnicas. Mesmo assim, por pura nostalgia, vez ou outra faz uma pintura proibida. Ele diz gostar de incorporar marcas e imagens em sua arte, pois, para ele, a cultura popular é tudo que nos rodeia, mas de um modo que não se torna plágio, sempre acrescentando algo mais, tornando-as originais.

Ultimamente, segundo Bask, tem aparecido uma grande quantidade de artistas incríveis que fazem arte de rua, com Barry McGee, Revok, Os Gemeos, Roa, Rime, Retna, e muitos outros.

Fontes de pesquisa:
O mundo do grafite/ Nicholas Ganz
http://tampareviewonline.org/art/the-art-of-bask

Views: 10

O “PAPAI-MAMÃE” NO SEXO E A 1ª MULHER

Autoria de Lu Dias Carvalho

 lilith

Mulheres e homens são vistos sob diferentes prismas em culturas onde “eles” se opõem a “elas”. Quanto mais a sociedade em que vivem oferece aos dois gêneros uma educação diferenciada, mais gigantescas são as dessemelhanças apresentadas. Mesmo em muitos lugares de nosso planeta, onde homens e mulheres já recebem uma educação igualitária, ainda é possível enxergar, através dos provérbios, as cicatrizes do passado, quando as diferenças entre os gêneros impunham-se de uma maneira contundente.

A mulher é vista como a fonte da discórdia nos mitos da criação. Um deles conta a história de Lilith, a primeira mulher criada por Deus. Segundo o mito, o homem e a mulher foram criados igualmente, frutos do mesmo barro, de modo que nenhum era superior ao outro. E foi por isso que Adão amargou os mais terríveis dissabores, pois a Lilith queria ficar por cima de seu companheiro durante o coito, infringindo a lei do “papai-mamãe”. Mas Adão negou-se a ficar em posição tão subalterna, uma vez que não queria se passar por cavalo, e sim por cavaleiro. Eis o diálogo que aconteceu entre os dois:

– Por que devo me deitar embaixo de ti e me abrir sob teu corpo? Por que ser dominada por ti?  Eu também fui feita de pó e por isso sou tua igual. – disse Lilith.

– Eu não vou me deitar abaixo de ti, mas por cima. Pois tu estás apta, apenas, para ficar numa posição inferior, enquanto eu sou um ser superior. – retrucou Adão.

– Nós somos iguais um ao outro, considerando que ambos fomos criados a partir da terra. – rebateu Lilith

Não tendo o casal chegado a um consenso, Adão acabou se separando da “voluntariosa” mulher. Como na vida tudo tem seus pontos e contrapontos, dizem outras versões que foi a bela quem abandonou o radical varão. Mas não pense o meu querido leitor que a história acaba por aqui para a independente Lilith. Conta ainda a lenda que Adão, insatisfeito com o comportamento intempestivo de sua mulher, foi reclamar com o Criador que ela fugira. Deus, então, mandou que uma legião de anjos trouxesse de volta a insubordinada, que bateu o pé, recusando-se a voltar para os braços do companheiro. Como castigo, centenas de seus filhos passaram a ser mortos todos os dias. Mas Lilith deu o troco, vingando-se de sua rival Eva, esganando bebês e sorvendo o esperma dos homens que dormem sozinhos durante a noite. Uau!

Ao estudarmos os provérbios referentes à mulher, notamos que, assim como Lilith, ela é, na maioria das vezes, vista como uma víbora sempre que não se coloca submissa ao homem. É tentadora e fascinante, mas extremamente perigosa. Podemos concluir através deste mito que, ao ficar por cima durante uma relação sexual, o homem reafirma o seu poder de mandachuva, nas culturas em que a educação entre “eles” e “elas” é díspar.

Fontes de Pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
http://www.fatosinteressantes.com.br/2012/05/lilith-mulher

Nota: Imagem copiada de s458.photobucket.com

Views: 36