Portinari – GUERRA E PAZ

Autoria de Lu Dias Carvalhoportinari                                                              Clique nos painéis para ampliá-los.

 Os painéis Guerra e Paz são o melhor trabalho que já fiz. Dedico-os à humanidade (Portinari)

… O universo portinariano, se às vezes dói, sempre fulgura: entrelaça como num verso o que é humano ao que é pintura… (Carlos Drummond de Andrade)

Quais são as coisas comovedoras neste mundo de hoje? Não são por acaso as guerras, as tragédias provocadas pelas injustiças, pela desigualdade e pela fome? Haverá na natureza algo que grite mais alto no coração do que isto? É preciso haver uma mudança. O homem merece uma existência mais digna. Minha arma é a pintura. (Portinari)

Os painéis Guerra e Paz, conhecidos internacionalmente e tidos como duas das mais belas obras do artista brasileiro Candido Portinari, ornamentam a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York/EUA, desde 1957

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Portinari – O MASSACRE DOS INOCENTES

Autoria de Lu Dias Carvalho

massacre dos inoc. port.

Em 1943, o pintor brasileiro Candido Portinari retomou o estudo da obra do artista espanhol Pablo Picasso. Visivelmente inspirado na obra mais famosa do mestre, Guernica, com seus planos cinzentos, Portinari criou a “Série Bíblica”, composta por A Ressurreição de Lázaro, Eremita Penitente (ou O Profeta), O Sacrifício de Abraão, As Trombetas de Jericó, A Justiça de Salomão, O Pranto de Jeremias e o Massacre dos Inocentes, entre 1942 e 1944.

Esta série cubista foi encomenda pelo empresário de comunicação Assis Chateaubriand, para ornamentar a sede da Rádio Tupi, na capital paulista. Ela engloba tanto passagens do Antigo quanto do Novo Testamento.

Ficha técnica
Ano: 1943
Técnica: têmpera sobre tela
Dimensões: 149 x 149 cm
Localização: Museu de Arte de São Paulo – MASP – São Paulo, Brasil

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Portinari – ENTERRO NA REDE

Autoria de Lu Dias Carvalho

enterro na rede port.

A composição Enterro na Rede, do artista brasileiro Candido Portinari, faz parte da “Série Retirantes”, e se trata de uma denúncia social, com influências expressionistas, composta por Emigrantes, Retirantes e Criança Morta. Em 1944, o pintor demonstrou preocupação em representar a situação social do trabalhador brasileiro.

A tela apresenta, em destaque, quatro figuras, sendo duas masculinas e duas femininas. Dois gigantescos homens carregam a rede com o morto, enquanto uma mulher, de costas para o observador, ajoelhada, ergue os braços para os céus, em visível desespero, sendo possivelmente a esposa do morto. Ela ocupa a parte central da composição. Um pouco à frente do cortejo, ajoelhada e com as mãos em forma de preces, encontra-se uma segunda mulher. A rede, por sua vez, não mostra o volume de um corpo normal, levando a crer que se trata daquilo que dele sobrou, em razão da miséria vivida.

Os personagens são visivelmente pobres, com suas roupas esfrangalhadas e mal ajambradas. Os dois homens, embora gigantescos, apresentam cabeças miúdas, desproporcionais ao tamanho do corpo, o que leva o observador a deduzir que se trata de trabalhadores rurais, munidos de muita força, mas de pouca sabedoria. Enquanto o primeiro deles segura o fardo com as duas mãos, o segundo retém a rede no ombro, deixando a mão direita cair sobre o corpo, em sinal de cansaço, e, com a esquerda, segura no meio o pau que a sustém, marcando o meio exato da composição. Os homens mostram uma ossatura descarnada.

O mais interessante na composição, que é composta por linhas retas e curvas, sendo possível encontrar várias figuras geométricas, é que a forma triangular está muito presente:

• na rede carregada pelos dois homens;
• nos braços abertos da mulher (de costas para o observador) e no espaço formado entre os seus pés;
• nos espaços formados pelas pernas dos dois carregadores;
• no espaço formado pelo braço direito da mulher em atitude de prece, etc.

Ficha técnica
Ano: 1944
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 180 x 220 cm
Localização: Museu de Arte de São Paulo – MASP – São Paulo, Brasil

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Portinari – CRIANÇA MORTA

Autoria de Lu Dias Carvalho

criança morta port.   (Faça o curso gratuito de História da Arte, acessando: ÍNDICE – HISTÓRIA DA ARTE)

O artista plástico brasileiro Candido Portinari (1903-19620) demonstrou em 1944 preocupação em representar a situação social do trabalhador brasileiro, tanto é que criou a “Série Retirantes” como uma denúncia social com influências expressionistas, composta por Criança Morta, Emigrantes, Retirantes e Enterro na Rede.

Na tela Criança Morta uma gigantesca mãe encontra-se curvada sobre o filho morto que carrega. Essa colossal mãe, com suas pernas flexionadas e com o filho nos braços, que mais se parece com uma estátua, lembra a figura da Pietá do pintor italiano Michelangelo. Quatro personagens espalham-se em torno da mãe dolorosa.

A criança morta, com seu corpo despido e esquelético — o que intui que tenha morrido de fome — tem a cabeça caída para frente, enquanto o braço direito despenca-lhe do corpo em direção ao chão, como o de Jesus na Pietá e em outras composições da Renascença.

Todas as figuras ao redor da mãe e de seu filho são cadavéricas. À esquerda o homem segura a esposa pelo ombro, também com o corpo curvado e com os cabelos a tocar-lhe as costas, como se lhe quisesse repassar consolo. Uma mulher segura com as duas mãos a cabeça do menino morto. À direita outra mulher segura a mão de uma criança, cujo rosto envelhecido parece o de um adulto.

Excetuando a mãe, de quem não é possível ver o rosto e a criança segura pela mão, tanto o homem quanto as duas mulheres vertem lágrimas de pedras, simbolizando a crueza da seca e a dureza do sofrimento.

A paisagem é seca e cheia de pedregulhos. Não se vê uma única plantação. No chão, descansa uma cabaça cujo objetivo é carregar água. O azul do céu é carregado, reforçando o amargura da cena. Haja sofrimento neste grupo de seres humanos, sofrimento esse que nos parece tão palpável.

Ficha técnica
Ano: 1944
Dimensões: 180 x 190 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo do MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Fonte de pesquisa
Portinari/ Coleção Folha

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CADELA VAI À JUSTIÇA

Autoria de Alfredo Domingos

Pretinha

A cadela “Pretinha” está nas barras do Tribunal! Como?! Ela foi acusada, a princípio, injustamente. Seu dono recebeu a intimação gerada pelo vizinho. O teor do documento assinala que “Pretinha” matou doze galinhas de Julião, o desesperado proprietário das penosas. A confusão ocorreu no interior do Rio de Janeiro. A Defensoria Pública do Estado alega que as galinhas são o ganha-pão do reclamante, e, em decorrência, solicita conciliação pecuniária.

A qual ponto nós chegamos! Há tanto bandido solto, e querem trancafiar a “Pretinha” ou levar dinheiro do seu dono! A Justiça já anda emperrada sobremaneira, não necessitando de mais procedimentos para lhe atravancar os trâmites.

Américo alega em defesa da cadela que o seu animal não invade terreno alheio, em função de robusta cerca. Em acréscimo, oferece como prova a inexistência de penas no quintal. Ainda, rebate a ofensa, indicando que as galinhas são abandonadas à própria sorte por Julião, que, na verdade, não cuida como deveria daquelas que lhe dão o sustento.

– Elas são umas rueiras, isso sim! – pragueja Américo, danado da vida.

Exageros à parte, confesso ter lido notícia sobre ladrão de galinhas, mas envolvendo comedora das próprias é novidade. Quer saber? Lamento a situação dos dois lados. Coitadas das galinhas, devoradas! E coitada da “Pretinha”, se tiver levado má fama sem proveito! Em consequência, os dois “patrões” terão que seguir o caminho da rinha. Cada “galo” buscará o seu direito, afinal a culpa sempre é de gente tamanhona.

Pesquisa: feita no jornal EXTRA, de 17/10/2014, página 4, artigo de Igor Ricardo.
Imagem copiada de: adotacao.blogspot.com.br

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Portinari – RETIRANTES

Autoria de Lu Dias Carvalho

os retirantes port.

O pintor brasileiro Candido Portinari (1903-1962) demonstrou no ano de 1944 uma grande preocupação com a situação social do trabalhador brasileiro, tanto é que criou a “Série Retirantes”, uma denúncia social com influências expressionistas, composta por Criança Morta, Emigrantes, Retirantes e Enterro na Rede (presentes no site). Essa série mostra o sofrimento dos trabalhadores nordestinos que eram sempre açoitados pela seca.

Na obra Retirantes, ilustrada acima, o conjunto de personagens é formado por quatro adultos e cinco crianças, todos esquálidos. O grupo é composto por imensas figuras que ocupam o primeiro plano da composição. A obra possui o formato piramidal, cujo vértice superior é formado pela trouxa que a mulher carrega na cabeça. A fisionomia dos personagens demonstra tão profundo abatimento que chega a doer no coração de quem as observa.

A figura do velho que leva um cajado e a do bebê escanchado na cintura da mulher à sua frente são descarnadas, lembrando esqueletos ambulantes. O homem idoso é retratado como se fosse um santo penitente, tamanha é tristeza e o desalento que repassa. Na parte direita da composição um garotinho, vestido apenas com uma camisa, traz à vista uma enorme barriga, evocando a presença de vermes. No centro do grupo uma mulher carrega uma trouxa na cabeça, enquanto traz no braço esquerdo um desmilinguido bebê, cujo rostinho repassa uma extrema piedade.

O homem de chapéu traz um saco na ponta de um pau escorado em seu ombro esquerdo. Com a mão direita ele segura um desalentado garotinho, usando também um imenso chapéu. À sua esquerda estão presentes duas outras crianças. Homem e crianças parecem fixar tristemente o observador, como se lhes pedissem socorro. Todas as gerações são mostradas na composição, sendo afetadas pela seca.

A terra escura está salpicada de ossos, enquanto aves negras de rapina espalham-se pelo céu esquisito. Todo o grupo é composto por tipos magérrimos e acinzentados, aparentando sujeira, e descalços. O sol mostra-se tão feio e sujo quanto os retirantes, figuras que nos trazem a impressão de serem palpáveis.

A paisagem, atrás dos retirantes, é seca, triste e desolada, onde não se vê uma folha verde. Mais ao longe montanhas nuas e ressequidas complementam-na. Existem poucas tonalidades fundamentais na tela (brancas, cinzas e pardas) que têm por objetivo colocar em evidência o contexto estrutural, avivado em poucos pontos  com tons mais quentes que possuem valor meramente decorativo.

Ficha técnica
Ano: 1944
Dimensões: 190 x 180
Técnica: Óleo sobre tela
Localização: Acervo MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Fontes de pesquisa
Portinari/ Coleção Folha
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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