Hamen – NATUREZA-MORTA COM FRUTAS…

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor espanhol Juan van de Hamen (1596–1631) teve uma boa educação, juntamente com seus dois irmãos, pois era filho de um nobre flamengo. Ele escolheu a pintura como arte. Não tardou muito para que viesse a criar naturezas-mortas, tendo estudado tal gênero tanto no que diz respeito aos artistas espanhóis quanto aos flamengos. Logo cedo começou a produzir naturezas-mortas para a corte espanhola. Suas pinturas apresentavam suntuosos objetos, o que o tornava muito admirado pelas classes mais altas. Suas naturezas-mortas, com o passar dos tempos, iam se tornando cada vez mais complexas, pois além de mostrar os objetos em níveis diferentes, o pintor brincava com contrastes e harmonias de formas, texturas e cores. Hamen, que morreu muito cedo, tornou-se conhecido, sobretudo por seus retratos e naturezas-mortas que se encontram entre as mais apuradas até então criadas.

A composição intitulada Natureza-morta com Frutas e Objetos de Cristal é uma obra do artista em que dispõe os objetos em composições assimétricas e em três diferentes níveis, representando-os magistralmente. Ele se concentra na reprodução de cada coisa em particular, aumentando a sensação de corporalidade e textura. Uma cesta com romãs está posicionada no patamar mais alto. Abaixo estão dois recipientes de cristal, um prato com cachos de uvas e um galho de ameixa. No patamar inferior encontra-se um melão e duas romãs. Os objetos estão colocados diante de um fundo escuro e capturados por uma luz poderosa. Uma das características da pintura de natureza-morta pela qual Hamen era mais conhecido encontra-se na representação de artigos de vidro caros e luxuosos, como as duas peças vistas aqui.

O observador deve sempre se lembrar de que a habilidade do artista em pintar naturezas-mortas, à época, não lhe conferia status, uma vez que tal gênero, embora interessante, era tido como uma arte menor.

Ficha técnica
Ano: 1626
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 84 x 111 cm
Localização: Museum of Fine Arts, Houston, EUA

Fontes de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Juan_van_der_Hamen

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MULHER BONITA NÃO TEM INTELIGÊNCIA

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Autoria de Lu Dias Carvalhomulher feia

Como já vimos nos textos anteriores, os provérbios não são nada condescendentes com a mulher, nem mesmo quando dotada de beleza física, uma vez que, mesmo bela, ela jamais superará o homem, segundo eles. Quanto mais beleza tiver, menos inteligência terá, pois beleza e inteligência não podem coabitar na mesma pessoa, já que “Deus não uniu o cérebro à beleza.”, como reza um provérbio polonês. E se ela tem o cabelo comprido, a burrice ainda é maior, pois “Cabelo comprido, cérebro curto”.

Ao valorizar a beleza, a mulher mostra o quanto é artificial, dizem os provérbios. Ela nem se dá conta de que “Os encantos apagam-se, o dinheiro dissipa-se e a fealdade perdura na cama”, pois “A forma bela logo se esvai”, já que “Não há sapato bonito que não se transforme em chinelo”. E um provérbio indonésio ainda é mais ácido no ataque: “Quando o sabor desaparece, cospe-se o chiclete fora.”, enquanto um brasileiro vem em socorro da mulher, quando diz que “Não importa se ela é coroa, panela velha é que faz comida boa”. O fato é que a beleza do homem não o afeta em nada. Haja escárnio!

Para fugir das armadilhas de uma mulher bonita, o homem precisa ter em mente que “A fealdade é a guardiã da mulher e de sua castidade”, sem falar que “A mulher feia é a melhor dona de casa”, e sem se esquecer de que “Quem ama o feio, bonito lhe parece”, como ensina um provérbio brasileiro. Homem algum aguenta a chatice de uma mulher bonita, pois “É melhor uma feia divertida do que uma bonita maçante”. Que absurdo!

O homem sábio, ao escolher uma esposa, não se deixa levar pelas aparências, pois ele não leva vantagem ao se casar com uma mulher bonita. A feia, além de exigir um dote mínimo, é mais trabalhadora e não lhe traz nenhum perigo, pois “Um porco-espinho que oferece paz é melhor do que uma gazela que mata”.

O homem, por sua vez, não tem nenhum problema em ser feio ou bonito, pois o que conta é a sua inteligência, coisa que mulher não tem. “Até mesmo um homem feio como o demônio persegue as jovens belas” e, além do mais, “Homem e urso, quanto mais feios, melhores são.”. Quem mandou nascer fêmea? Agora aguente o tranco do machismo.

Fontes de pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

Nota: Imagem copiada de insaltoalto.blogspot.com

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Zurbarán – A TENTAÇÃO DE SÃO JERÔNIMO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor barroco, desenhista e gravador espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664) foi aluno de Pedro Diaz de Villanueva em Sevilha. Ele fez inúmeras obras para o Convento de Sevilha. Sua fama levou-o a receber o título de pintor honorário dessa cidade. Trabalhou para a corte de Madri no governo de Filipe IV. É tido como um dos mais importantes pintores espanhóis do século XVII, ao lado de Velázquez, Ribera e Murillo. Ele se tornou conhecido sobretudo por suas obras religiosas que descrevem monges e mártires e também pelas suas maravilhosas naturezas-mortas. A maioria de suas pinturas era destinada às ordens religiosas espanholas, tendo criado muitas pinturas religiosas durante a era barroca.

A composição intitulada A Tentação de São Jerônimo é uma obra do artista que faz parte de um grupo de pinturas feitas para a ordem dos hieronimitas com a finalidade de ornamentar a capela dedica a São Jerônimo em Guadalupe. Trata-se de um trabalho magnífico do pintor e um dos mais famosos. Apresenta São Jerônimo, já bem velho, com grande intensidade de sentimento, sendo posto à prova em sua fé.

Na obra em estudo é empregada a técnica tenebrista, sendo que a escuridão da boca da caverna cria um pano de fundo para que as figuras e a natureza-morta no centro – uma espécie de “Vanitas” – sobressaíam. A magistral interação entre luz e sombra faz com que as áreas iluminadas que mais o interessam ao artista destaquem-se com grande força (o corpo magro do santo, as páginas amareladas dos livros e a pele das mulheres, bem como suas roupas e instrumentos, sendo que estes últimos são tradicionalmente associados à luxúria).

A cena acontece no deserto, diante da caverna onde o santo havia se isolado para fazer penitência e meditar, depois de abandonar os prazeres mundanos. Ele se encontra ajoelhado, com o tronco nu, coberto da cintura para baixo com um manto vermelho, parte de suas vestes de cardeal. Seu corpo é magérrimo e suas feições francas. À sua frente encontra-se um grupo de mulheres, carregando instrumentos musicais, que ali se encontram para tentá-lo. Ele faz um largo gesto de repulsa diante da insinuação das visitantes. Na pedra à sua frente estão os seus objetos de oração e penitência, os livros simbolizando o conhecimento e o crânio como símbolo da morte.

Ficha técnica
Ano: c.1640
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 235 x 290 cm
Localização: Mosteiro de Guadalupe, Espanha

Fonte de pesquisa
Pintura na Espanha/ Cosac e Naify Edições

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Daumier – OS EMIGRANTES

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor realista francês Honoré Daumier (1808-1879) entrou aos 14 anos de idade para o atelier de Alexandre Lenoir, um antigo aluno de Jacques-Louis David. Também estudou escultura antiga no Louvre e as obras de Ticiano e Rubens. A liberdade de expressão chegou à França após a Revolução de 1830, o que sinalizou para que a arte da caricatura política se tornasse livre e ganhasse grande importância. Como era um grande admirador da República, Daumier passou a trabalhar com esse tipo de caricatura, principalmente com as que satirizavam o rei Luís Felipe. Ficou seis meses na prisão por causa de uma delas.

Daumier iniciou a pintura de quadros aos 37 anos de idade, vindo a transformar-se no maior representante do Realismo Social na pintura. Sua capacidade de síntese era tamanha que nenhum outro pintor do século XIX conseguiu igualá-lo. Morreu na miséria e quase cego numa casa que lhe foi dada por Jean-Baptiste Camille Corot. Apesar de ser visto como um exímio gravurista, foi também um dos mais importantes pintores do século XIX.

A composição intitulada Os Emigrantes, também conhecida como Os Fugitivos, é uma obra do artista que apresenta um grupo de esmolambados numa paisagem isolada, árida e com altas dunas. O grupo caminha debaixo de um céu pesado de nuvens criadas em sombreados de castanho. Tudo ali remete ao isolamento, desamparo e desespero. Não se sabe quem são ou para onde vão aquelas pessoas. A marcha inicia-se à direita em diagonal, passando pelo meio e atingindo a lateral esquerda da composição, repassando a impressão de que se estenderá para muito longe, bem além da moldura do quadro. O que o observador sente é que existe naquele grupo um profundo sentimento de abandono e inquietação.

Daumier, minimalista como sempre, elimina todas as convenções artísticas em sua obra. Busca apenas o estritamente necessário para se fazer entendido. Suas figuras se reduzem a nevoentas e toscas massas sem formas definidas, parecidas com o barro da paisagem onde se inserem. O observador depara-se apenas com o grosso perfil preto e o contraste de luz e sombra, tornando irreconhecível e anônimo cada membro do grupo. A coluna de figuras recurvadas, toscamente desenhadas, atravessa a paisagem de dunas. Na composição predominam os tons de amarelo e castanho. O claro-escuro aguça a dramaticidade da cena.

A origem deste quadro pungente, juntamente com Os Refugiados e Os Prisioneiros, está na crueldade com que o monarca francês Luís Filipe esmigalhou a rebelião de trabalhadores em junho de 1848, levando à morte milhares de pessoas e fazendo outras tantas prisioneiras. Cerca de quatro mil indivíduos foram deportados para Argélia.

Ficha técnica
Ano: 1852/1855
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 16,2 cm x 28,7 cm
Localização: Museu Nacional do Louvre, Paris, França

Fonte de pesquisa
Obras-primas da pintura ocidental/ Taschen
https://www-artble-com.translate.goog/artists/honore_daumier/paintings/don_quixote?_x_tr_sl=en&_x_tr

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OS PROVÉRBIOS E AS MULHERES

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Autoria de Lu Dias Carvalho

mulher

Teme a mulher e brinca com as víboras.
Mulher é como bolacha, pois em todo lugar se acha.

Os provérbios são o mais sintético dos estilos literários e trazem no seu bojo uma parte de nossa história ao longo dos tempos. Possuem um cunho moral, ensinando qual é a maneira correta de pensar ou agir em determinadas ocasiões, mas de acordo com a cultura desse ou daquele povo, o que não significa que sempre estejam corretos. Também fantasiam, exageram e debocham. Mostram as dessemelhanças entre homens e mulheres, quase sempre defendendo a superioridade e o privilégio dos primeiros, ou seja, em sua maioria são machistas, uma vez que retratam a sociedade.

Ao se remeterem à história da humanidade, os provérbios deixam clara a posição do homem e da mulher, através dos tempos, dentro das diversas sociedades, principalmente naquelas mais fechadas em que predomina a oralidade. Retratam os pontos de vista de uma determinada cultura e, por sua vez, reforçam-nos. E como a mulher é malvista desde o surgimento de Eva, não seria de esperar que fossem generosos para com ela, na imensa maioria das vezes. Poucas são as sociedades que evoluíram a ponto de rebater, e até mesmo eliminar, os provérbios de cunho machista.

Revendo a história da fêmea humana através dos tempos é possível certificar-se de que o homem sempre esteve no comando, quer no âmbito familiar, do trabalho, político ou religioso, enquanto à mulher coube a tarefa de cuidar dos filhos e da casa. São poucas as culturas que, mesmo nos dias de hoje, fogem a tais ditames,  ainda que muitas mulheres trabalhem fora de casa para ajudar no orçamento doméstico.

É interessante notar que a diferenciação entre o homem e a mulher, que vem desde as culturas mais remotas, originou-se em razão da forma que possui o corpo feminino, de modo que, inconscientemente, isso acabou por definir a posição social que um e outro deveriam ter dentro da sociedade. Mesmo em países onde se prega a igualdade entre os sexos é possível notar vestígios da submissão feminina. Contudo, existem sociedades hoje, como a espanhola, que possuem leis severas que coíbem qualquer forma de machismo, não importando a classe social do agressor.

Será que a mulher vem fazendo uma releitura de sua posição dentro da sociedade, ou continua seguindo o comportamento que seus antepassados preconizaram para ela? Para responder tal pergunta, teríamos que dar um giro pelo planeta. Mas já sabemos que, quanto maior for o acesso à educação, mais os papéis executados pelo homem e pela mulher tornam-se mais coincidentes, partilhando os mesmos deveres e as mesmas responsabilidades. No Brasil, homens e mulheres exercendo a mesma função, têm direito a um salário semelhante, sob pena de multas severas ao empregador. O que já é um bom começo rumo à igualdade.

O provérbio ruandês, direcionado ao homem, que reza “Um mau lar, obriga-te a buscar água e lenha”, mostra o quanto a mulher ainda é discriminada em certas culturas. Lenha e água simbolizam o trabalho doméstico, tido como serviço inferior em tais sociedades, e que cabe à mulher fazer, mas jamais ao homem.

Exemplos de provérbios sobre mulheres:

  • Um mau marido às vezes é um bom pai, mas uma má esposa nunca é uma boa mãe. (Provérbio espanhol)
  • As mulheres são como sapatos, sempre podem ser trocadas. (Provérbio indiano)
  • As mulheres são como ônibus: quando um parte, outro chega. (Provérbio venezuelano)
  • Sabedoria de mulher, sabedoria de macaco. (Provérbio japonês)
  • O barco segue o leme, a mulher segue o homem. (Provérbio vietnamita)
  • As mulheres e os bifes, quanto mais batidos, melhores. (Provérbio alemão)
  • Mulher é como cabra: amarra-a onde crescem os espinhos. (Provérbio ruandês)
  • Nunca confies numa mulher, mesmo que tenha te dado sete filhos. (Provérbio japonês)
  • Ter uma única esposa é viver com um único olho. (Provérbio congolês)
  • A galinha sabe quando é manhã, mas olha para o bico do galo. (Provérbio ganês)

Obs.: Temos aqui neste espaço uma seleção de provérbios relativos às mais diferentes vivências das mulheres.

ÍNDICE – DITOS POPULARES

Fontes de pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

Ilustração: Artesanato do Vale do Jequitinhonha

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VOLTANDO À VACA FRIA…

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Autoria de Lu Dias Carvalho

vaca

Dona Faustina Borges, carne com unha com a minha avó, era uma mulher e tanto, alicerçada pelos mais altos valores da fé cristã. Ia à igreja dia sim e outro também. Ajoelhava-se no seu genuflexório feito de peroba, enfeitado com uma almofadinha de seda vermelha e rodeada de crochê, e ali descansava os joelhos já gastos pelo reumatismo. Era daquele tipo de devota que levava o sermão aprendido na igreja para dentro de sua vivência. Por uma palavrinha dita fora do lugar, ela catequizava o desatento por horas a fio, com sua vozinha baixa e arrastada.

De uma feita, surgiu na cidadezinha de Miratonga o boato de que o senhor Horácio Borges, esposo da personagem tão glorificada acima, estava encafifado com certa sirigaita da roça. Ninguém sabe se aquilo era verdade ou invenção, ou como fora cair nos ouvidos de dona Faustina, sempre tão preocupada com a vida religiosa. O fato é que ela transformou o assunto num sermão diário, onde quer que se encontrasse, e quem quer que fosse o pobre ouvinte.

A nossa fervorosa personagem não tinha outro tema para versar, a não ser falar sobre o “santo sacramento do matrimônio” e sobre as punições que aguardavam no inferno o adúltero.  Se o senhor Horácio Borges estivesse por perto, tudo tomava um ar de indiretas, deixando o visitante corado de vergonha, sem saber onde enfiar a cara, uma vez que o suposto infiel era um homem sério, autoridade na cidade e membro de disso e daquilo outro.

Quem tentasse desviar o rumo da conversa enviesada de dona Faustina, cujo sujeito da observação era o seu cônjuge, dava com os burros n’água. Minha avó era uma dessas. Ela interrompia o falatório da amiga, quando se encontra perto do Sr. Horácio Borges, direcionando-o para outros assuntos, de modo a descansar o ouvido do sermão indireto da mulher, para não cair numa saia justa. Dona Faustina ouvia tudo atentamente, sem demonstrar a menor impaciência. Mas assim que minha avó se calava, ou por falta de assunto ou para respirar, a supostamente traída senhora recomeçava:

– Voltando à vaca fria, existe homem que desrespeita um sacramento divino, não sabendo que as portas do inferno estão abertas para ele…

Como pode observar o meu querido leitor, a antiquíssima expressão “voltar à vaca fria” é usada quando, por um motivo ou outro, alguém saiu do assunto principal da conversa e quer retomá-lo. Os franceses usam a palavra “moutons” (carneiros) que na tradução para o português virou “vaca”. O uso da palavra “vaca” pode estar ligado ao fato de que em Portugal era costume servir, antes das refeições, um prato frio feito com carne de gado. Há também uma versão de que um advogado de defesa, para defender seu cliente, fazia longas digressões, viajando pela mitologia greco-romana, quando o juiz, já cansado de tanta embromação, cortava o palavrório:

– Tudo isto é muito bonito, mas voltemos à vaca fria.

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