Arquivos da categoria: Janelas pro Mundo

Artigos excêntricos de diferentes partes do mundo

ÍNDIA – A PERIGOSA TROCA DE “NUDES”

Autoria de Ana Emília Souto

Eu sempre usei muito o Facebook e sempre aceitei pessoas de todos os países, mas nunca tinha conversado com ninguém, porque não entendia a língua delas que sempre tentavam começar a conversa do mesmo jeito, ou seja, sempre com sexo, até conhecer certo indiano que logo depois comecei a chamar de “meu príncipe indiano”.

Ele era doce, bonito, muito educado e romântico, dizia me respeitar e sempre foi muito atencioso. Eu o conheci no ano passado, em novembro se não me engano. Estava separada do meu marido, carente e com problemas no casamento. Comecei a ficar amiga do rapaz, acreditando em tudo que ele dizia. Passamos a ficar mais e mais íntimos. Ainda que virtualmente, passei a sentir muito desejo por ele, mas hoje sei que era em razão da vida problemática que estava vivendo. O indiano funcionava como um apoio emocional, preenchendo todo o meu vazio.

Não demorou muito para que nós começássemos a trocar “nudes” e a fazer chamadas de vídeos. Sei que muitos vão me julgar e se perguntarem como eu pude cair nessa. Para dizer a verdade, acho que a minha idiotice foi em razão da insegurança em que me encontrava, sentindo-me muito infeliz. Eu estava realmente apaixonada pelo sujeito.

Em meio ao sobe e desce de minha vida conjugal, meu marido resolveu retomar o nosso relacionamento, refazer nossa vida juntos. Depois de muito pensar, resolvi aceitá-lo de volta para que juntos criássemos nossos filhos. Pensei também no meu relacionamento virtual com o tal indiano, pessoa de quem eu gostava muito, ainda que virtualmente. E doeu pensar em parar de falar com ele, mas tinha que fazer essa opção, pois meu marido era real, assim como nossos filhos que necessitavam muito de nós. No fundo eu sabia que o indiano era uma ilusão e que eu tinha que tentar ser feliz com o pai dos meus filhos. Mas as coisas não seriam tão fáceis assim.

O “meu príncipe indiano” transformou-se num verdadeiro demônio quando eu lhe disse que não podia mais conversar com ele, explicando-lhe os fatos. Bloqueei-o e o exclui do meu Facebook, mas como ele mesmo me disse, isso não era nada, pois poderia me achar de 1001 formas. Foi aí que começou a me chantagear, dizendo que ia jogar minhas fotos na rede e acabar com a minha vida. Ele me xingava e agia como um louco, dizia que se não falasse com ele iria infernizar minha vida. Ligava-me e me mandava mensagem o tempo inteiro, me chantageando e dizendo que não se importava com meus filhos ou com meu marido e muito menos com minha família, que só queria me destruir, que eu não conhecia o poder de um indiano quando tomava uma decisão.

Eu estava com muito medo de que meu marido e sua família, meus filhos e a minha família  me vissem nua, como se fosse uma vadia na  internet. Desesperada, entrei no Google e comecei a pesquisar sobre os indianos e encontrei este blog maravilhoso. Li os comentários e uma matéria que falava exatamente do que eu estava passando. Eu só sabia chorar até que fiz um curto comentário para Lu e pedi para ela falar comigo por e-mail. Ela entrou em contato comigo imediatamente, com muita paciência e atenção. Expliquei tudo para ela que me pediu para ficar calma e me orientou no que fazer. Pediu-me para não demonstrar medo em nenhum momento ao falar com o sujeito. Deveria entrar em contato com a PF (Polícia Federal) e com a embaixada indiana, caso ele não parasse com a chantagem, e que lhe informasse sobre o que estava disposta a fazer. Agi em conformidade com a orientação dela. Não demorou para que o “meu ex-príncipe indiano” me pedisse “por tudo que era mais sagrado” para esquecer o ocorrido, dizendo que nunca mais iria me incomodar. Ele mesmo me bloqueou nas redes sociais.

Mulheres, estou escrevendo este depoimento para alertá-las. Não sejam ingênuas como eu fui. Não caiam nesse conto de fadas, pois por pouco não perdi minha família. Eu só tenho a agradecer a Deus e a Lu, um anjo na minha vida, porque se Deus não a tivesse colocado no meu caminho, não sei como esta história teria terminado, com certeza não teria sido bem. Abram os olhos e não cometam o erro que eu cometi.

Nota: Nu Vermelho, obra de Modigliani

INDIANOS E CIA. – CASÓRIO OU ARRANJO SOCIAL?

Autoria de Gisella Antunes

Na Índia, no Paquistão e em outros lugares em que há uma grande desigualdade entre homens e mulheres, os casamentos costumam ser arranjados pela família. Quando os homens originários de tais países dizem que querem se casar, que amam loucamente as mulheres com quem engatam uma relação virtual, não é como o casamento e o amor que estamos acostumados aqui no Ocidente, onde as pessoas se conhecem, namoram e depois decidem se casar. O casamento para indianos, paquistaneses, afegãos, egípcios, etc., não é nada mais do que um arranjo social. Muitas vezes, o indivíduo só vai conhecer a noiva no próprio dia do casório, sendo que raramente rola envolvimento físico antes (até mesmo um beijo). Não existe entre eles romantismo ou aquele sentimentalismo piegas usado para enganar as mulheres ocidentais.

Não existe amor por parte deles em relação às mulheres que conhecem virtualmente. O casamento por amor, além de raro, é bem mal visto por aqueles cantos. Sendo assim, as palavras de amor usam e abusam através da internet não têm como ser sinceras, por que o amor que conhecem é aquele da TV, dos filmes ocidentais e afins, e a gente sabe que isso tudo é falso, não passando de uma brincadeira de mau gosto, pois o casamento nas bandas de lá é bem diferente do das bandas de cá. Como vão amar se foram educados dentro de princípios que apregoam que é o dote, a condição social da noiva (inclusive a virgindade) que importam?

Existem caras diferentes dos que seguem a cultura do casamento por arranjo? Existem, mas isso depende de muitos fatores. O grau de escolaridade é um deles. Pessoas que têm mais acesso a informações vão ter uma tendência maior a ir contra a tradição de seu país e a ser mais bem sucedidas, porém, esses caras não vão ficar na internet conversando com mulheres desconhecidas, perdendo seu tempo e nem vão precisar dar golpes também, pois já possuem uma boa posição social.

Muitos desses caras que ficam adicionando mulheres ocidentais nas redes sociais também fazem isso para exibirem-se. Para eles é sempre vantajoso, porque podem dizer aos amigos que têm uma namorada estrangeira (muitos têm uma dúzia delas) e ficarem brincando com ela, usando aquele romantismo barato que veem nos filmes. Alguns até conseguem fazer sexo virtual, ganhar presentes, passagens e dinheiro.  Nesses países, a mulher, na maioria das vezes, não pode trabalhar e é obrigada a ficar em casa cuidando de toda a família do marido. É exatamente isso que eles querem quando se casam: mulheres submissas que fazem tudo o que eles exigem. Normalmente, os tais virtuais são homens jovens, cheios de hormônio, mas que ainda não têm dinheiro para se casar, à cata de quem lhes pode dar uma vida melhor.

Esses indivíduos criam personagens para viver a fantasia que têm com as mulheres estrangeiras, por que na vida real eles não teriam essa oportunidade. Os personagens criados são, quase sempre, bem educados, de família rica e bem sucedidos. Agora, mulheres, façam uma comparação com a nossa sociedade e se perguntem: homens assim ficam dando sopa por aí? Pessoas assim passam tanto tempo (dia e noite) na internet com pessoas quem nem conhecem? É claro que não! Essa lógica já é bastante para desconfiarem, não é mesmo?

Uma última coisa a se considerar é que a Índia é um país extremamente populoso, onde as condições de vida são muitas vezes piores do que as que temos aqui. Muito indiano quer imigrar para algum país ocidental, mas poucos são os que conseguem dinheiro para ir para os EUA (normalmente os imigrantes indianos por lá precisam ter certa escolaridade) ou para a Inglaterra ou então querem vir para o Brasil. É muito interessante para eles ter uma mulher que possa bancá-los aqui, em nosso país.

As mulheres precisam entender que esses caras não estão apaixonados por elas, pois nem ao menos sabem o que é isso, estão apenas interpretando uma personagem. A única coisa que eles querem saber é o que elas podem lhes proporcionar. A cultura é muito diferente, e mesmo que a mulher aceite esse arranjo e se case com um indivíduo desses, para eles sempre vai ser um arranjo, pois é assim que veem uma relação a dois. A vida vai ser muito complicada para a mulher, pois são machistas e vão exigir muito dela. Será um inferno!

O conselho que dou é que não caiam na mão desses golpistas. Observem que são sempre nativos de países pobres, desesperados por dinheiro ou para irem embora de lá. Ninguém vê gente de países desenvolvidos nessa. E não facilitem a chegada desses caras para cá através de cidadania por casamento, pois podem se arrepender amargamente.

Mulheres, vocês são valorosas demais para cair em elogios e promessas vazias.

BRASIL – ESCOLAS DE SAMBA / JULGAMENTO

Autoria de LuDiasBH cas123

O carnaval é uma das mais animadas festas brasileiras. Muito tempo antes de ter início a festa carnavalesca, as escolas de samba já começam a esquentar seus  tamborins. Elas trabalham com esmero para brilharem nos desfiles, pois a competição é acirrada. Iniciam com os ensaios nos barracões e, posteriormente, com os chamados “ensaios técnicos”, para que possam cronometrar o desfile e fazer o posicionamento das alas. Elas são divididas, em quatro grupos:

  • Grupo Especial (onde estão as principais escolas)
  • Grupo A (grupo de acesso)
  • Grupo B
  • Grupo C

Atualmente, o desfile é feito em dois dias (sábado e domingo), porque houve um grande crescimento no número de escolas. A campeã é declarada, na quarta-feira, logo após a contagem dos votos dos jurados. Também anuncia-se a escola do Grupo Especial que foi rebaixada para o Grupo A. No sábado seguinte, a campeã e as colocadas em segundo, terceiro e quarto lugares, e a primeira do Grupo A, voltam ao Sambódromo para o Desfile das Campeãs.

Dez quesitos são levados em conta, no julgamento das escolas de samba, de acordo com o estabelecido pelo regulamento oficial. São eles:

1-  Bateria
2- Samba-Enredo
3- Harmonia
4- Evolução
5- Enredo
6- Conjunto
7- Alegorias e Adereços
8- Fantasias
9- Comissão de Frente
10-Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

Os jurados são indicados pela LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do RJ), de cuja entidade participam trinta membros. E, logo após a escolha, eles passam por um curso de treinamento ministrado pela liga das escolas. Durante o desfile, eles devem permanecer incomunicáveis, dentro de suas cabines, espalhadas pela avenida. Não podem, nem mesmo, fazer uso de celulares. As notas só podem ser reveladas após a apuração dos resultados. Cada nota deve ser justificada por escrito. Cada quesito é avaliado por quatro jurados. Portanto, ao todo, são 40 jurados. E para quem gosta de acompanhar os desfiles das escolas, nada como conhecer um pouco sobre o processa de julgamento dessas:

Comissão de frente – É responsável por saudar o público e apresentar a escola na avenida. Deve se exibir de forma coordenada e criativa. Quedas ou perdas de acessórios, durante o desfile, são levadas em conta pelos jurados. Funciona como a introdução, o preâmbulo da escola. Por isso deve estar em sintonia com o enredo.

Bateria – É o coração pulsante da escola. E, dentro dela muitos quesitos são levados em conta, tais como ritmo, criatividade, capacidade de empolgar os foliões, etc. A criatividade e a versatilidade são fundamentais, assim como a sua cadência, que deve estar em perfeita sintonia com o samba-enredo da escola. De modo geral as baterias estão chegando a um nível tal de perfeição e criatividade que abocanham a totalidade da nota entre os jurados. O diretor de bateria é chamado de Mestre. Ter uma madrinha na bateria não é essencial, mas ajuda a escola a brilhar. Embora conste na bateria um grande número de instrumentos, é o conjunto do som, emitido por eles que é avaliado. A bateria não é julgada pela quantidade de participantes inclusos nela. Aquele recuo que todas (ou quase todas) fazem, já tendo um espaço destinado a elas, assim como a parada, em frente ao local, onde se encontram os jurados, não é obrigatório.

Samba-enredo – Leva-se, em conta, a letra e a melodia do samba. A letra precisa estar em perfeita harmonia com o enredo, sem falar na riqueza dos versos. E deve ser cantado por toda a escola durante o desfile. Na melodia devem constar as características rítmicas inerentes ao samba. Ele também deve ser capaz de ajudar os sambistas a fluírem com facilidade e leveza. Atualmente os sambas têm sido cantados num ritmo muito rápido, talvez pelo tempo exíguo para o desfile. Problemas com o carro de som não tiram pontos da escola.

Harmonia – Leva em conta o entrosamento entre o ritmo da música, a bateria e o canto de quem interpreta o samba. Os participantes da escola têm a obrigação de cantar a música junto com o puxador do samba. A alegria dos foliões é fundamental para a harmonia.

Evolução – É o quesito que julga a empolgação e a agilidade dos foliões, durante a passagem da escola pela avenida. É importante que as alas estejam bem definidas. A escola precisa estar compacta, ordenada e coesa no seu deslocamento, sem correrias ou retornos. A alegria dos foliões é fundamental. Não pode haver buracos entre as alas.

Enredo – É a apresentação do tema desenvolvido pela escola, assim como a sintonia entre esse e as alas. As fantasias e alegorias devem estar de acordo com o enredo. Antes de entrar em cena, a escola apresenta um roteiro de disposição de suas alas que deve ser rigorosamente seguido. A escola tem que se fazer entendida através de seu enredo.

Fantasias – Devem estar de acordo com o enredo da escola, além de ostentarem beleza, originalidade e criatividade. Devem ajudar a contar a história proposta pela escola.

O material usado também é avaliado.

Alegorias e adereços – Assim como as fantasias, devem ajudar a desenvolver o tema da escola cantado em seu samba-enredo. Material usado, disposição das cores e significados são importantes no julgamento. Objetos que não fazem parte do tema do desfile (isopor, caixas, papelões, etc.) não podem estar à vista. Todos os carros devem ser empurrados ou puxados.

Mestre-sala e porta-bandeira – É o casal mais importante da escola. Os dois devem se apresentar com harmonia, graça e leveza, apresentando movimentos clássicos da dança. A porta-bandeira leva o símbolo mais importante de sua escola, conhecido como Pavilhão. Ao casal cabe a tarefa de apresentá-lo ao público. O mestre-sala não pode pisar na roupa da porta-bandeira e ela não pode encostar a bandeira em seu rosto.

Conjunto – É a harmonia, a uniformidade e o equilíbrio artístico da escola. É o corpo da escola, responsável pela definição de sua nota.

Escolas empatadas, em primeiro lugar, serão desempatadas por sorteios, que determinarão qual quesito terá a nota válida para o desempate.

Observação: Como o Carnaval é dinâmico, algumas das informações podem mudar de ano para ano. Mas, o núcleo da disputa continua o mesmo.

Fonte de Pesquisa:
 http://flexus.wordpress.com

MÉXICO – LA SANTA MUERTE

Autoria de LuDiasBH

santa mort

A morte, que foi sempre temida em toda a história da humanidade, agora ganha culto no México e já se espalha pelo mundo. Ela é cultuada como uma entidade milagrosa, que vela pelos piores e mais desvalidos pecadores, quando esses já não têm mais com quem contar e, quando tudo no mundo se torna um inimigo à espreita. Mas tal ser sobrenatural também exige o seu quinhão em troca, afirmam os seus fiéis. Enquanto o devoto honrar os compromissos feitos com “La Santa Muerte” contará com a sua acolhida e proteção, seja lá quais forem os pecados que carregar consigo. O pagamento deve ser proporcional ao tamanho do milagre. Ou seja, quem pede mais, paga mais. O que não deixa de ser muito justo. De modo que a punição para o velhaco, que não paga seu débito é terrificante. O que nos leva à dedução de que os políticos mexicanos não são de fazer promessas vãs, senão a foice come solta. Será?

Estátuas de Santa Morte são feitas em vermelho, branco, verde e preto, com pedidos de amor, sorte, sucesso financeiro e proteção pessoal. Entre suas oferendas incluem-se rosas, maconha, cigarros, frutas, doces e tequila. Os santuários em sua homenagem são adornados com rosas vermelhas, cigarros e garrafas de tequila, enquanto as velas queimam em adoração. Não resta dúvida de que nos tornamos mais piedosos, quando os problemas se abatem sobre nós. O mesmo acontece com os países, quando passam por severas crises. De modo que o culto à morte e a outras figuras incomuns, no México, pode estar ligado aos problemas enfrentados pelos mexicanos: seca, surto de gripe suína, colapso no turismo, crescimento do comércio de drogas, redução nas reservas de petróleo e crise econômica que redundam em violência.

Estatísticas comprovam o aumento do estresse e da depressão em todo o mundo, pois conviver com as pressões sociais e as tensões do dia a dia não tem sido fácil num mundo extremamente capitalista, onde os valores humanos passam por uma inversão nunca vista. Portanto, toda ajuda é sempre bem vinda, independentemente do nome do santo. No Méxicono até mesmo um bandido mitológico de nome Jesús Malverde anda fazendo “milagres”. O mais bizarro é que a preocupação com a salvação está cada vez mais démodé, enquanto a busca pelo sucesso sobe. Mas, apesar do culto a tantas deidades bizarras que vêm aflorando pelo mundo espiritual, nos nossos dias, adorar um conjunto de ossos é deveras “sui generis”. A morte é representada por um esqueleto com um alfanje na mão, vestindo longas vestes e coberta por penduricalhos. Os altares da Santa Muerte (também conhecida por La Santíssima Muerte ou Doña Sebastiana) estão espalhados por todo o México, principalmente nos lares dos pobres. Também podem ser encontrados na Califórnia (EUA) e em países da América Central. Os devotos mais fervorosos tatuam sua imagem no corpo.

O governo mexicano, anos atrás, invalidou o registro do culto à nova santa, mas de nada adiantou. É possível comprar, em bancas de jornal, vídeos que ensinam todos os passos de  apelar à Santa Muerte, com resultados garantidos. Em 24 de março de 2009, autoridades mexicanas destruíram 30 capelas dedicadas a ela nas cidades de Nuevo Laredo e Tijuana, sob a alegação de que existe uma forte associação entre o culto e os traficantes de drogas. A Igreja Católica vê no culto à Santa Muerte um ritual pagão, argumentando que Cristo derrotou a morte, e lamenta o fato de que muitos traficantes pedem à santa que elimine seus inimigos.  Segundo alguns sociólogos, os cartéis de droga, que proliferam por todo o país mexicano, são os maiores responsáveis pelos cultos exóticos, pois desestruturam a sociedade, fomentando a devoção religiosa em tempos tão difíceis para o povo. Eles recrutam sua mão de obra barata principalmente entre os jovens pobres, que sonham em pertencer ao mundo das grifes e do poder, enquanto vendem a droga ilícita para os consumidores ricos, com um retorno imensurável. Alguns devotos da Santa Muerte justificam-se, dizendo que “ela está sempre ao lado e que jamais os deixará”. O que não deixa de ter certa dose de verdade. O Dia de Los Muertos é o feriado mais importante do México.

Nota: Imagem copiada de http://www.fotolog.com.br

Fonte de pesquisa
National Geographic/ Maio/2010

ÍNDIA – A CULTURA DO DOTE

 Autoria de LuDiasBH

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A vela do pai que tem filhas queima a noite toda. (Provérbio)

 Dentre os países, em que os pais ainda se utilizam do “dote” para casar suas filhas, encontra-se a Índia, apesar de este costume ter sido abolido em 1961. Mas como acontece em todos os países em que a Justiça é fraca, para não dizer corruptível, as leis costumam ficar apenas no papel, num eterno faz de conta. Em razão disso, pesquisas mostram que mais de 80% das dívidas contraídas pelas famílias indianas dizem respeito a esse perverso “dote”, o que tem gerado graves pendências e inimizades, que muitas vezes acabam em mortes ou na devolução da filha já casada, ainda que com filhos. Para muitas pessoas de outras culturas é difícil compreender como se desenrola esse “comércio matrimonial”, uma vez que existe o “dote” e também “o preço da noiva”.  Saibam, portanto, que as duas ações são simultâneas, como se se tratassem da venda de uma propriedade, onde as duas partes devem sair plenamente satisfeitas. Muitos casamentos são tratados quando os nubentes ainda são crianças.

A família da noiva faz um pagamento oficial, que pode ser em dinheiro, gado, joias ou qualquer outro bem valioso, à família do noivo, para confirmar o casamento.  Por sua vez, a família do noivo “presenteia” a família da futura esposa, não como pagamento, mas como forma de garantir certos direitos sobre o novo membro da família. Nesse tipo de acordo, ainda que velado, estão inclusas duas normas importantes: a família da moça não mais exercerá qualquer controle sobre ela, fazendo valer o provérbio coreano que reza que “A jovem que se casa perde o parentesco”, e seus filhos estarão ligados aos laços paternos. Tal acordo tem por finalidade reduzir o risco de divórcio, por parte da mulher, e ampliar a indenização, caso ela cometa adultério. Ou seja, de qualquer forma os bens do casal acabam ficando para o marido e sua família de sangue.

O “dote” tem contribuído para que o desprezo pelo nascimento de meninas seja uma constante nas sociedades em que existem tais transações matrimoniais. Não é à toa que certo provérbio apregoa que “A vela do pai que tem filhas queima a noite toda”, aludindo à sua preocupação. Para casar suas filhas, uma família pobre ou remediada, tem que fazer pesados sacrifícios, muitas vezes contraindo empréstimos que jamais poderá pagar. Além dessa tradição totalmente estranha para nós ocidentais, e que só leva em conta a transação comercial, sem nenhum espaço para o amor ou a escolha própria, ainda existe a festa de casamento, que jamais pode faltar. Isso acaba onerando ainda mais a família da jovem esposa. E se há muitas filhas, o problema torna-se insolúvel, na maioria das vezes, arrastando a família para o desastre financeiro. Em razão do “dote” a desconsideração pelas filhas é tão grande que um provérbio árabe diz: “Antes dois escorpiões em casa do que duas filhas”, e um turco reza: “Quem tem filhas envelhece rápido”. Não se esquecendo de que a virgindade é sempre exigida da mulher.

O sistema do “dote” só faz aumentar a predileção pelos filhos homens. Mesmo na morte, é possível notar a diferença entre se ter meninos ou meninas. A morte de uma filha funciona como um tipo de alívio para sua família, enquanto a de um menino significa dias e dias de choro e lamentações. Assim se expressa um provérbio libanês: “A morte de uma jovem é bem-vinda, ainda que seja núbil”. A preocupação com os bens materiais é tamanha que, em certas culturas, o casamento é combinado dentro da própria família, entre primos, de modo que o patrimônio não caia em mãos estranhas. Tanto é que um provérbio tunisiano proclama: “A filha de um tio materno não custa nenhum dinheiro”, ou seja, tudo fica em casa.

As culturas do “dote” e da “compra da mulher”, apesar das críticas recebidas, ainda prosperam em vários pontos do planeta. Quando se fala sobre o “dote” está se referindo à compra, por parte dos pais, de um marido para a filha. Tal procedimento é mais comum na Ásia, onde se encontra a Índia, e em algumas regiões africanas. Já a “compra da mulher” é um costume essencialmente africano, em que o dinheiro recebido, através da venda da filha, permite que os filhos comprem mulheres para si. Nas culturas em que acontece a “compra da mulher”, essas gozam de maior estima, ao contrário daquelas que fazem uso do “dote”, pois, se os pais não cumprirem o prometido, a filha pode ser devolvida mesmo depois de anos de casada, o que se torna uma desonra para ela e toda a família.

Nota: imagem copiada de Te interesa

 Fonte de pesquisa
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper

MÉXICO – A VIRGEM DE GUADALUPE

Autoria de LuDiasBH

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Você não pode ser considerado um verdadeiro mexicano se não acredita na Virgem de Guadalupe. (Carlos Fuentes – romancista)

 A Virgem é o consolo dos pobres, fracos e oprimidos. Em suma, é a Mãe dos órfãos. Todos os homens nascemos deserdados e nossa condição verdadeira é de orfandade, mas isso é particurlarmente verdadeiro para os pobres do México. (Octavio Paz – escritor)

Ao forte nacionalismo do povo mexicano alia-se a fé católica, que pode ser sentida nos mais diferentes pontos do país, quer seja numa rua ou esquina, numa casa humilde ou numa mansão. Nenhuma festa é mais importante do que a comemoração do dia da padroeira do povo mexicano – Nossa Senhora de Guadalupe, realizada no dia 12 de dezembro, quando milhões de romeiros convergem-se dos mais diferentes locais do país para a Basílica de Guadalupe, na Cidade do México, onde se encontram “o manto sagrado da Virgem de Guadalupe” e a imagem da Virgem nele impresso.

As procissões, que antecedem o dia da padroeira, são um espetáculo, onde se misturam imagens da Virgem, seus retratos em diferentes formatos, cores e dimensões, assim como esculturas de Jesus Cristo e santos, estandartes, bandeiras, faixas, velas, flores e… Muita fé! Grupos de quatro homens carregam altares iluminados que, à distância, criam um clima de magia, parecendo que flutuam no ar. Muitas pessoas vêm em romaria, partindo de suas cidades, caminhando muitos quilômetros, até à Basílica de Guadalupe. Em meio a essa gente fervorosa encontram-se bebês e idosos em cadeiras de roda improvisadas. Cânticos, ladainhas e rezas são entoados pelos devotos no percurso da longa romaria. Essa festa chega a ser mais importante do que o próprio Natal.

A Virgem de Guadalupe encontra-se presente no dia a dia do povo mexicano. Sua fotografia encontra-se, inclusive, nas carteiras e bolsas de homens e mulheres. Não se pode dar um passo sem ela. Outra prova do amor dos mexicanos à Virgem está no número de peregrinos que visitam a Basílica de Guadalupe todos os anos (mais de dois milhões), onde há espaço para 10 mil pessoas, mas abriga até 40 mil, todos unidos na fé.

Segundo a lenda, a Virgem de Guadalupe apareceu pela primeira vez em 12 de dezembro de 1531, a Juan Diego, um modesto indígena. Ela lhe pediu que naquele local fosse erguida uma igreja. O agraciado com tal visita levou seu pedido ao frei Juan de Zumárraga, arcebispo da Cidade do México à época. Como São Tomé, esse pediu ao índio que voltasse ao local e pedisse à Virgem algum sinal de sua identidade divina. Ela então ordenou a Juan Diego que colhesse rosas de Catilha, no monte Tepyac. Ao entregar as flores ao arcebispo, esse viu a imagem da Virgem gravada nessas.

A Virgem de Guadalupe, com sua pele morena, semelhante à dos indígenas, é um símbolo da miscigenação racial, cultural e religiosa do povo mexicano. Ela ocupa, no coração dos nativos, o lugar que antes foi dedicado a Tonantzin, deusa da fertilidade, cujo templo foi destruído pelos espanhóis, entre 1519 e 1521.  Alguns peregrinos índios chamam a Virgem com o nome de Guadalupe-Tonantzin.

Fonte de pesquisa
Mexicanos/ Editora Contexto