Arquivos da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Constable – A CATEDRAL DE SALISBURY

Autoria de LuDiasBH

A composição Catedral de Salibury, vista do Jardim do Bispado, foi realizada a pedido do bispo anglicano de Salisbury, John Fisher, amigo do pintor, que assinalou a perspectiva e o enquadramento da cena que queria pintada.

Esta é uma versão anterior e homônima (1821 – 1822) da pintura que se encontra em Victoria Albert Museum, Londres, Grã-Bretanha. Dizem que Fisher, vendo suas cores sombrias e graves, não gostou e pediu por uma pintura mais leve e feliz. Faz parte do acervo do MASP desde 1851. Uma versão da pintura também se encontra na Coleção Frick, em Nova York. Outra pequena versão da pintura está na Biblioteca Huntington, em Samarino, Califórnia.

A grande diferença entre as versões reside, principalmente nas nuvens, na cor e na intensidade. Diferenças também podem ser notadas no formato das árvores e no estilo da pintura, sendo esta que se encontra no MASP de estilo bem próximo ao impressionista. Apesar de tais dessemelhanças, todas são belíssimas.

A cena retratada acontece no meio rural. Na parte esquerda da tela, em primeiro plano, o pintor retratou o bispo e sua esposa, próximos a uma cancela aberta, como se estivessem admirando a catedral, para a qual aponta o religioso com a sua bengala. Um pouco mais à frente, um casal observa a natureza.

A catedral de estilo gótico, com suas paredes de pedra e uma enorme torre, está sendo banhada pela luz do sol. Duas grandes árvores em forma de arco enquadram-na. Abaixo delas corre um riacho de águas límpidas, onde duas vacas bebem água, enquanto outras quatro pastam próximo. O céu azul está coberto de nuvens brancas e algumas escuras começam a aparecer.

Segundo Constable, esta foi uma das paisagens mais difíceis pintadas por ele. A obra demonstra a harmonia entre as influências naturais e as humanas. A enorme torre, que se ergue majestosa, apontando para o céu, sugere que tal harmonia é uma bênção de Deus.

Ficha técnica
Ano: c. 1623
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 90 x 114 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Romantismo/ Editora Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann

Hans Memling – A VIRGEM EM LAMENTAÇÃO…

Autoria de LuDiasBH

O pintor alemão Hans Memling (c.1433 – 1494) tem a sua arte situada no ponto de transição do Gótico para o Renascimento. É possível que tenha estudado com o mestre Rogier Vander Weyden, em Bruxelas. Era dono de um estilo pessoal, sendo suas obras ricamente detalhadas e harmoniosas. Nos seus últimos anos de vida, o artista foi seduzido pelo Renascimento italiano.

A composição religiosa denominada A Virgem, São João e as Santas Mulheres, também conhecida como A Virgem em Lamentação e as Pias Mulheres da Galileia, é obra do artista. Apresenta quatro figuras, sendo três mulheres e um homem.  Esta obra faz parte do Acervo do MASP desde 1954.

A Virgem Maria, com as mãos cruzadas sobre o peito, encontra-se amparada por São João Evangelista que usa um manto vermelho e traz os olhos chorosos voltados para sua direita. Atrás da Virgem encontram-se as santas mulheres. Maria de Cleofas, Maria Salomé (mãe de Tiago) e Maria Madalena, segundo os textos sagrados cristãos, acompanharam a Virgem até o túmulo de seu filho Jesus Cristo.

As cinco figuras repassam ao observador um sentimento de profunda dor. Todas elas trazem lágrimas escorrendo pelo rosto. Maria Madalena, com seu vestido minuciosamente trabalhado, tenta enxugar o olho direito. Pelo gesto e olhar das duas mulheres que trazem as mãos levantadas, pelos olhos parados da Virgem e pelo olhar de São João Evangelista têm-se a impressão de que o grupo encontra-se diante do sepulcro de Cristo.

A composição, com suas figuras verticais e ricas cores, é muito delicada. Atrás do grupo, em segundo plano, vê-se uma calma paisagem sob um céu azul com nuvens brancas.

Ficha técnica
Ano: 1485 a 1490
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 54 x 40 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Belmiro de Almeida – DOIS MENINOS JOGANDO…

Autoria de LuDiasBH

O pintor, caricaturista, escultor, jornalista e professor Belmiro de Almeida (1858-1935) nasceu na cidade do Serro, em Minas Gerais, e morreu em Paris, França, aos 77 anos de idade. O artista iniciou seus estudos artísticos no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, indo depois para a Academia Imperial de Belas-Artes, também na mesma cidade. Teve como professores Agostinho José da Mota, Zeferino da Costa e Souza Lobo. Ao formar-se na Academia Imperial de Belas Artes, o jovem passou a expor suas obras no Brasil e na Europa.

A composição com motivo infantil intitulada Dois Meninos Jogando Bilboquê é obra do artista que além do retrato também se dedicou à pintura de gênero, ou seja, a retratar o cotidiano. Esta obra faz parte do acervo do MASP desde 1947.

O quadro mostra dois garotos entretidos com o jogo de bilboquê (brinquedo que consiste numa bola de madeira com um furo, amarrada por um cordel a um bastonete pontudo, no qual ela deve se encaixar ao ser impulsionada). Parecem se encontrar na lateral de uma casa, ao ar livre, como mostra o vaso de planta encostado à parede, à direita, e o arbusto e plantas floridas atrás do garoto, à esquerda. Ao fundo, logo depois das grades que se encontram fixas a três pilares, divisa-se o jardim com grandes árvores.

Pelas vestimentas é possível deduzir que os dois meninos pertencem a classes sociais diferentes. O que se encontra com o objeto do jogo apresenta-se bem vestido, com um casaco sobre a camisa e a calça curta, além de usar meias e sapatos. O outro, um pouco maior, usa uma calça que parece ter sido cortada no joelho e encontra-se descalço.

Os garotos mostram-se compenetrados no jogo. O maior, até mesmo cruzou as mãos atrás, como se estivesse magnetizado pela brincadeira. O outro, com certeza o dono do brinquedo, mostra ao amigo a sua habilidade no encaixe da bola de madeira.

Ficha técnica
Ano: sem data
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 40 x 30 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Segall – INTERIOR DE INDIGENTES

Autoria de LuDiasBH

O pintor Lasar Segall (1891 – 1957) era o sexto dos oito filhos do casal Abel Segall e Ester Segall, tendo nascido em Vilna, na Lituânia, quando o país ainda se encontrava sob o jugo do império russo. No decorrer da Primeira Guerra Mundial, Vilna foi invadida pelos alemães, que ali permaneceram três anos e, após esse período, os russos retomaram a cidade. Segundo o próprio pintor, houve lutas entre lituanos, poloneses e russos pelo domínio de Vilna que ora ficava nas mãos de uns, ora nas de outros, até ser incorporada à Polônia definitivamente. E, por isso, ele sempre se sentiu como um apátrida. Sua família era judia e, como as demais, vivia à margem da sociedade, no gueto. E foi ali, instruído pelo pai, escriba do Torá (livro sagrado do judaísmo), com quem viveu até os 15 anos de idade.

A composição intitulada Interior de Indigentes é obra do artista que era muito sensível às questões sociais, dono de uma vocação humanitária e religiosa. Encontra-se no acervo do MASP desde 1950. O quadro em questão pertence ao seu período expressionista em que ele exterioriza os estados íntimos de sofrimento, usando uma dramática simplificação das linhas e das tonalidades principais da composição.

O casal encontra-se numa casa muito humilde com o chão assoalhado. Em primeiro plano está a mulher, encarando o observador, como se lhe mostrasse sua miséria, trazendo o filho nos braços. Em segundo plano encontra-se o homem sentado diante de uma pequena mesa, com o braço esquerdo descansando sobre ela, perdido em seus pensamentos.

A mulher é magra e seus olhos díspares repassam um grande sofrimento. Seus seios caídos são perceptíveis através do vestido de mangas compridas. Sua boca fechada traz a sensação de que não tem mais voz para alardear sua pobreza. Ela apenas mostra o filho raquítico, talvez morto, enquanto faz um gesto com a mão direita.

O homem traz o rosto sério, mergulhado na sua própria impotência, aniquilado diante da miséria. Seu olhar de desesperança está voltado para a direita. Sua postura é de conformismo, como se não houvesse mais nada a fazer, senão aceitar e aceitar.

A sensação repassada ao observador é a de que ele também faz parte deste drama, caso traga consigo um rasgo de sensibilidade.

Ficha técnica
Ano: 1920
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 83,5 x 68,5 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Anita Malfatti – ESTUDANTE RUSSA

Autoria de LuDiasBH

A futura pioneira da arte moderna no Brasil, Anita Catarina Malfatti (1889 – 1964), que seria conhecida depois como Anita Malfatti, nasceu na cidade de São Paulo. Era a segunda filha do engenheiro civil italiano, Samuel Malfatti, e da estadunidense Elizabeth Krug, descendente de irlandeses e alemães, apelidada de Bety. Da capital paulista a família Malfatti mudou-se para Campinas, no interior do mesmo Estado. E em 1892, já naturalizado, o pai de Anita tornou-se deputado estadual e representante da colônia italiana.

A composição intitulada A Estudante é obra da artista. Encontra-se no acervo do MASP desde 1949, tendo sido doada pela própria pintora. É uma das poucas obras da artista em que ela bota sua assinatura na parte superior. É possível que o fundo da obra em razão do tipo das pinceladas e cores, tenha sido pintado depois.

A mulher está sentada numa cadeira de frente para o observador, com o corpo levemente voltado para frente. Veste uma blusa muito colorida que contribui para dar luminosidade à tela. Sua saia roxa só é percebida até o joelho, pois a pintora não mostra os membros inferiores. As duas mãos estão cruzadas no colo, sendo que a direita fica oculta. A artista trazia uma atrofia congênita na mão direita, talvez, por isso, tenha ocultado a mão direita, ainda que sem perceber a relação consigo.

Ficha técnica
Ano: 1915 – 1916
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 76,5 x 61 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Matisse – TORSO DE GESSO

Autoria de LuDiasBH

O pintor Henri-Émile-Benoit Matisse (1869 – 1954), uma das principais figuras francesas da arte moderna, nasceu no norte da França, numa família de pequenos comerciantes de cereais. Seus pais mudaram pouco tempo depois para Paris, onde seu pai tornou-se funcionário de uma loja de tecidos e sua mãe costureira em Passy. Para melhorar sua situação financeira, a família mudou-se para Bohain-en-Vermandois onde prosperou, vindo a ser dona de um armazém de tintas e grãos. Henri Matisse teve uma infância tranquila, estudando numa boa escola em Saint-Quintin, onde foi um aluno mediano.  O futuro artista nutria um especial pendor pelos tecidos, fazendo ele próprio a escolha de suas roupas, vindo mais tarde a pintar panos e a criar tapeçarias e vestuários para os espetáculos de teatro coreográficos.

A composição intitulada Torso de Gesso, e também Torso de Gesso e Buquê de Flores, foi pintada no interior da casa do artista. Trata-se de uma de suas maravilhosas criações em que ele equilibra harmonia e arte decorativa. Encontra-se no acervo do MASP desde 1958.

O quadro apresenta uma mesa simples de madeira, despojada de forro, sobre a qual se encontram um vaso de cristal com flores amarelas e cor-de-rosa e, ao lado, um torso feminino em gesso branco, meio inclinado para o observador. À esquerda, uma única cadeira de madeira compõe-se com a mesa.

Na parede azul-celeste, ao fundo, estão dois quadros. O maior apresenta o corpo de uma mulher nua (Vênus), agachada, como se fosse ela o modelo do torso, compondo, assim, um diálogo entre os elementos presentes no primeiro plano com os que se encontram em segundo. É possível observar que o corpo da mulher que se mostra no quadro da parede está na mesma posição do torso (excluindo a pequena parte das coxas), só que ao contrário,

A cortina branca e azul detrás da cadeira apresenta arranjos florais. Dois outros quadros estão no chão, recostados na parede. Não há nenhuma preocupação do artista com a perspectiva, pois para ele as cores eram a parte primordial da pintura. A representação do torso de gesso e a figura de Vênus presentes na composição são vistos como elementos clássicos da expressão realista, porém idealizada, do corpo humano, característica da arte renascentista.

Ficha técnica
Ano: 1919
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 113 x 87 cm
Localização: Museu de Arte, São Paulo, Brasil

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Plaster Torso with Bouquet of Flowers