Arquivos da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Rosseli – MOISÉS RECEBENDO AS TÁBUAS…

Autoria de LuDiasBH

O afresco intitulado Moisés Recebendo as Tábuas da Lei, também conhecido como A Descida do Monte Sinai e o Bezerro de Ouro, é uma obra do pintor renascentista italiano Cosimo Rosselli com a participação de seus assistentes. Faz parte da ornamentação da Capela Sistina, em Roma, Itália, cujo objetivo era fazer um paralelo entre a vida do profeta Moisés (Antigo Testamento) e a de Jesus Cristo (Segundo Testamento). A composição apresenta inúmeros personagens e refere-se a passagens bíblicas relativas a Moisés e as “Tábuas da Lei”, ou seja, os “Dez Mandamentos”. Aqui ele já se mostra bem mais velho, com barba e cabelos brancos. As cenas são as seguintes:

  • na parte superior central da composição, Moisés com sua túnica amarelo-ouro encontra-se ajoelhado no Monte Sinai, com as mãos estendidas em direção a Deus e seus anjos, vistos numa nuvem luminosa, recebendo as “Tábuas da Lei”. Abaixo dele, seu irmão Josué, que o acompanhara, dormita com a mão esquerda segurando a cabeça;
  • em primeiro plano, à esquerda, Moisés, usando um manto verde sobre sua túnica, e acompanhado de Josué, apresenta a seu povo exultante as “Tábuas da Lei”. Mais acima são vistas as tendas do acampamento e pessoas em torno delas;
  • ao fundo, mais à direita, diante de um altar de mármore branco, um bezerro é adorado, sob o estímulo de Aaron, enquanto Moisés encontrava-se ausente;
  • no centro da composição, dividindo-a ao meio, Moisés, encolerizado com o que acontecera, está prestes a quebrar as “Tábuas da Lei”;
  • ao fundo, à direita, os adoradores do ídolo estão sendo castigados.

Ficha técnica
Ano: 1481/1482
Técnica: afresco
Dimensões: 350 x 572 cm
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.wga.hu/html_m/r/rosselli/cosimo/tables.html

Rubens – A CABEÇA DE CIRO LEVADA…

Autoria de LuDiasBH

 Peter Paul Rubens (1577 – 1640), filho de Jan Rubens, advogado, e Maria Pypelinckx, nasceu em Siegen, na Vestfália. Os primeiros onze anos de sua vida foram passados em Colônia, na Renânia, pois sua família teve que fugir da Antuérpia, para escapar da guerra entre católicos e calvinistas. Após a morte do pai, a mãe retornou com os filhos para Antuérpia, onde Rubens, católico devoto, estudou latim se tornou-se pajem na família real. Aos vinte e um anos foi inscrito como pintor na corporação de São Lucas, vindo a  tornar-se mestre. Quando estava prestes a completar trinta anos, Rubens partiu para a Itália, onde ficou a serviço de Vicenzo I Gonzaga, Duque de Mântua, de quem recebeu um missão diplomática na Espanha.

A monumental composição denominada A Cabeça de Ciro Levada à Rainha Tomyris é uma obra do artista. Foi executada quando o pintor trabalhava na série comemorativa da vida de Maria de Médici. Apresenta a rainha dos messegetas (povo dos medas) que derrotou Ciro, recebendo a cabeça do grande imperador que tornou o Império Persa um dos mais importantes do mundo.

Rubens apresenta o momento em que a rainha em conformidade com a promessa de vingança feita pelo filho morto, faz banhar no sangue a cabeça do imperador persa. Treze cortesãos, exoticamente vestidos, assistem à vingança que é executada por um serviçal seminu e descalço. Duas crianças, postadas como pajens, seguram a cauda do suntuoso vestido da rainha (servem de modelo os dois filhos do pintor: Albert e Nicolas).

A rainha, à esquerda, encontra-se de pé debaixo de um dossel escuro, com a cabeça voltada para baixo. Sua mão direita mostra-se crispada e a esquerda fechada. Ela olha fixamente para a cabeça de Ciro. Seu rosto denota satisfação ao aguardar o momento de vê-la mergulhada num imenso vaso com sangue. Uma cortesã, à sua esquerda, mostra curiosidade. Dois cães estão presentes na cena, um deles nos braços de uma das quatro cortesãs. O acontecimento parece ocorrer a céu aberto.

Esta pintura foi provavelmente projetada por Peter Paul Rubens, mas em razão do excesso de encomendas que ele recebia, foi executada em grande parte pelos assistentes de seu estúdio, porém sob sua supervisão, como aconteceu com inúmeros trabalhos do artista. Ao fundo veem-se duas colunas retorcidas à direita e duas à esquerda, trazendo desenhos angelicais em alto relevo.

Ficha técnica
Ano: c. de 1622 – 1623
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 205,1 x 361 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/head-of-cyrus-brought-to-queen-tomyris-32755

Courbet – A CAÇA

 Autoria de LuDiasBH

O francês Gustave Courbet (1819 – 1877) nasceu em meio a uma bem-sucedida família de agricultores. Estudou com Flajoulat que fora aluno do famoso pintor Jacques-Louis David. Aos 20 anos de idade foi para Paris, onde estudou com o pintor Steuben e também fez inúmeras cópias no Louvre. A primeira pintura de Courbet, aceita pelo famoso Salão de Paris, foi “Autorretrato com Cão Preto” , feita em 1844, aos 25 anos de idade. Quatro anos depois, o artista expôs 10 telas no Salão, chamando para si a atenção de um crítico de arte. Foi o grande líder do realismo na arte francesa, sem nenhuma queda pelo trabalho dos românticos ou classicistas.

A composição intitulada A Caça é a primeira obra do artista sobre este tema.  Nela predominam os elementos da natureza: árvores e animais. Naquela época, as caçadas eram uma temática comum na pintura, ao contrário de hoje, felizmente, pois mostra insensibilidade para com a vida animal e desrespeito para com a natureza.

O próprio pintor, vestindo roupa escura e chapéu preto, retratou-se recostado a uma grande árvore, próximo ao veado morto, dividindo a pintura ao meio. Ele ocupa o centro real e metafórico. Mostra-se retraído e pensativo. Dois grandes e vigorosos cães malhados são vistos em frente a Courbet. Um rapaz, assentado num tronco de árvore, toca uma corneta.

A pintura em foco era inicialmente menor, acabando um pouco acima da cabeça de Courbert, quando foi exposta no Salão de 1857. Em razão das críticas, o artista resolveu ampliá-la. Ele fez um acréscimo na parte superior e acrescentou 15 cm do lado esquerdo.

Ficha técnica
Ano: 1856
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 210 x 183,5 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Chardin – NATUREZA-MORTA E CACHIMBOS

Autoria de LuDiasBH

O francês Jean-Baptiste-Siméon Chardin é tido como um dos mais importantes pintores de naturezas-mortas da arte europeia, sendo suas obras muito estudadas pelos artistas do gênero, posteriores a ele. O gênero usado por Chardin surgiu como uma grande novidade na pintura do século XVIII, embora as academias torcessem o nariz, achando que se tratava de uma arte menor. As suas naturezas-mortas, assim como sua pintura de gênero, são elementos importantes da arte francesa.

A composição acima, conhecida como Natureza Morta e Cachimbos, ou ainda Natureza Morta com Cachimbos e Jarros, é uma das obras-primas do artista. Trata-se de um trabalho relativo aos seus últimos anos de carreira, que mostra a evolução de sua pintura. Diderot, filósofo e escritor francês, escreveu sobre Chardin: “A magia de seu trabalho é difícil de compreender-se. Usa espessas camadas de cores, uma sobre as outras, com o efeito final filtrando do interior. Alguma vezes parece que uma nuvem de vapor foi soprada através da tela, outras como se espuma de luz tivesse sido arremessada contra ela… Se se olha de perto, tudo se torna confuso, comprime-se, desaparece; quando se afasta, as formas reaparecem e revivem.”.

Sobre uma mesa retangular de madeira, com o tampo aparentemente de mármore, estão dispostos vários objetos de diferentes texturas: uma mala aberta com o fundo da tampa azul, cheia de inúmeros objetos aparentemente de vidro; um jarro pintado de branco com flores, destampado, e o copo e a tampa do mesmo jarro; dois cachimbos, um à esquerda, maior, e outro à direita, menor; um cálice cheio com o que parece ser uma substância cremosa; um recipiente de metal e um copo do mesmo material. Os elementos verticais contrastam com os horizontais. A impressão que se tem é que os objetos foram arrumados sem obedecer nenhum critério.  Os elementos verticais contrastam com os horizontais. Uma luz delicada banha-os, gerando uma sensação aprazível.

Ficha técnica
Ano: c. 1762
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 32 x 42 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Tintoretto – A NATIVIDADE

Autoria de LuDiasBH

A composição A Natividade é uma obra do pintor italiano Jacopo Tintoretto (1518 – 1594), cujo nome de batismo era Jacopo Robusti. Embora não haja clareza em relação a seus mestres, presume-se que entre eles estejam Ticiano, Andrea Schiavone e Paris Bardone. Além de ser considerado o mais importante pintor do estilo maneirista, Tintoretto também se apresenta entre os melhores retratistas de sua época.

A obra em estudo é monumental (ver dados abaixo). As figuras de São José, da Virgem Maria, de uma mulher e a de um pastor adorando o Menino Jesus saltam à vista. São imensas. Halos circundam a cabeça das figuras divinas. Não se sabe quem seja a mulher ali presente com a aparência de uma sibila. Ela tanto pode ser Santa Ana, ou uma pastora, ou a parteira da lenda segundo a qual ela atendeu Maria. De qualquer forma foi uma das ousadas criações do mestre Tintoretto.

À esquerda da composição, em segundo plano, observamos a comitiva dos Reis Magos que se aproxima do local, onde se encontra a Sagrada Família. Eles chegam a cavalo. Já no lado direito da pintura, ao fundo, os pastores, ao lado do rebanho, recebem a visita de um anjo que lhes dão a notícia do nascimento do Menino Jesus.

Muitos animais domésticos apresentam-se na cena: ovelhas, coelho, cachorro, galo, boi, burro, cavalos, etc. Contudo, o cordeirinho que aparece próximo ao Menino Jesus em sua manjedoura tem um significado especial: é o símbolo do sacrifício pelo qual a criança que acabara de nascer irá passar.

É interessante notar que Tintoretto foge à tradição, ao mostrar o estábulo com alguns postes, sendo reforçado pela presença do boi e do burro. A influência de Michelangelo na obra é visível, principalmente na modelagem das mulheres e na grandiosidade dos participantes do nascimento.

Uma radiografia desta obra mostrou que ela é muito complicada, pois o artista aproveitou a parte inferior de uma pintura que ele fizera cerca de vinte anos antes. As duas cenas de fundo esboçado (a chegada dos Reis Magos e a anunciação do Anjo aos pastores) foram adicionadas à pintura, quando a tela ganhou um formato horizontal, por um assistente do pintor. Não se sabe o porquê da mudança do formato.

Ficha técnica
Ano: 1567
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 155,6 x 358 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/the-nativity-32992

Fragonard – A LIÇÃO DE MÚSICA

Autoria de LuDiasBH

O pintor francês Jean- Honoré-Fragonard (1732 – 1806) deu início aos seus estudos artísticos com o mestre Jean-Siméon Chardin, famoso por suas naturezas-mortas e pinturas de gênero. Depois estudou com François-Boucher, que muito o impressionara e de quem herdou muitas influências. Sua ida para Roma em razão de uma bolsa de estudos ganha como prêmio, possibilitou-o estudar na Academia de França em Roma, onde estudou pintura barroca e Pietro da Cartona, ali permanecendo cerca de cinco anos. Continuou suas viagens pelos grandes centros de arte, aumentando seus conhecimentos. Ao lado de Antoine Watteau e François Boucher, o artista é tido como um dos mais importantes pintores de gênero de antes da Revolução Francesa. Como típico representante do Rococó francês, Fragonard não aderiu à revolucionária arte neoclássica.

A composição acima é uma pintura de gênero, pertencente ao estilo Rococó, intitulada A Lição de Música, obra do artista. Ela parece inacabada, com toques muito leves, não trazendo o colorido das pinturas do pintor. É por isso que alguns críticos dizem que se trata de um croqui, ou seja, de um estudo para uma pintura. A cena apresenta dois jovens personagens. A garota, bem séria, encontra-se diante do piano, com as mãos no teclado, enquanto o rapaz, aparentemente muito novo, parecendo ser seu professor, encontra-se à sua esquerda, com a mão esquerda sobre o livro de pautas e a direita sobre o espaldar da cadeira da garota.

Além do caderno de pautas sobre o piano vê-se também um candelabro. Sobre a cadeira almofadada, à direita, há um gatinho olhando para o observador, um instrumento musical e algumas folhas soltas. O enquadramento apertado da obra parece comprimir os personagens na tela.

Ficha técnica
Ano: c. 1769
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 110 x 120 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann