Arquivos da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Andrea del Sarto – O SACRIFÍCIO DE ABRAÃO

Autoria de LuDiasBH

O gracioso e delicado Isaque, totalmente nu, treme de medo da morte. (Giorgio Vasari)

A composição O Sacrifício de Abraão é uma obra religiosa do pintor italiano Andrea del Sarto (1486-1531), cujo nome de nascimento era Andrea d’Angiolo di Francesco, sendo que “Sarto” foi acrescentado ao seu primeiro nome por ele ser filho de um alfaiate (que em italiano escreve-se sarto). Seu primeiro aprendizado deu-se com um ourives, continuando sua formação provavelmente com Piero di Cosimo. Dividiu sua oficina de trabalho com o pintor Jacopo Sansovino e, provavelmente, com Franciabigio. Pintou afrescos e retábulos. É tido, ao lado de Fra Bartolommeo, como maior mestre da Alta Renascença Italiana, e um dos pioneiros do Maneirismo. Ganhou de Giorgio Vasari o apelido de “pintor sem erros”.

A cena acontece ao ar livre, tendo como personagens Abraão, o primeiro patriarca do povo de Deus, e Isaque, seu filho, segundo a Bíblia (Gênesis 22, 1-19). Os dois personagens principais encontram-se em primeiro plano. O artista retrata o momento em que o patriarca, obedecendo a ordem de Deus, vai sacrificar seu filho. Mas antes de matá-lo, surge o anjo Gabriel pedindo-lhe para que pare o sacrifício e mate um cordeiro no lugar do garoto.

O menino Isaque encontra-se nu, com o joelho esquerdo dobrado sobre o altar sacrificial e a perna direita apoiada no chão. Traz um semblante de surpresa e desespero. Seus dois braços estão seguros nas costas pelo pai, que lhe impede qualquer atitude de defesa, e força seu corpo, dobrando-o para frente. Sua vestimenta vermelha e branca está no chão, ao lado do altar do sacrifício. Por sua vez, o gigantesco Abraão traz o braço do crime voltado para sua direita, com uma faca na mão, prestes a matar o próprio filho. Ele interrompe a execução, voltando o rosto para trás, ao ouvir a voz do anjo.

O inocente cordeiro, que será sacrificado no lugar da criança, está pastando à esquerda, debaixo de uma alta árvore. Ao fundo encontra-se uma bela paisagem, onde se vê a entrada de uma cidade, duas pessoas a cavalo na estrada, árvores, montanhas, e uma pessoa nua, à direita, tomando banho, de costas para o observador, sentada sobre panos brancos e próxima a um jumento arreado, que bebe água ou pasta.

Segundo o crítico de arte Georgio Versari, Sarto fez três versões desta narrativa bíblica,  sendo esta a segunda.

Ficha técnica
Ano: c. 1528

Técnica: óleo sobre tela transferido de painel de madeira
Dimensões: 98 x 70 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the-sacrifice-of-

El Greco – A ADORAÇÃO DOS PASTORES

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada A Adoração dos Pastores é uma obra-prima do pintor, escultor e arquiteto grego Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido por El Greco, que passou grande parte de sua carreira na Espanha. Esta obra, relativa à fase final da vida do artista, é uma das mais comoventes. Ele a executou para ornar o túmulo de sua família, na igreja de Santo Domingo del Antiguo, na cidade espanhola de Toledo.

Esta cena noturna, baseada na temática da Natividade, acontece ao ar livre, diante de uma gruta, composta por dois arcos semicirculares, onde se deu o nascimento do Menino. O artista fez uma encantadora formação espacial no centro do quadro. Na parte de cima estão as figuras dos anjos sobre densas nuvens. Os dois anjos maiores, com suas asas abertas, um envolto num manto vermelho e o outro num amarelo, formam um meio círculo. Um deles carrega uma faixa com dizeres em latim. Entre eles estão três pequenos anjos, nus, que, por sua vez, esvoaçam em torno de três cabecinhas com asas. Todos voluteiam como se estivessem sendo movidos pelo vento que enfuna as nuvens atrás deles.

A Sagrada Família e os pastores encontram-se no espaço abaixo, formando um círculo menor. O Menino Jesus, deitado sobre um pano branco, no colo da mãe, é a personagem central do encontro. Ele emite uma intensa luz que banha tudo à sua volta. A Virgem Maria, com seu vestido vermelho e manto azul, segura delicadamente as pontas de seu pano. À sua direita, vestindo uma túnica azul e um manto amarelo, seu marido José abre os abraços em sinal de adoração. Os pés do anjo de vermelho, acima, estão em direção à sua cabeça, servindo de ligação para compor o círculo maior, à esquerda.

Três humildes pastores, com seus pés descalços e pernas à vista, acorreram à gruta para ver a criança que acabar de chegar ao mundo. Um deles, de verde, encontra-se à esquerda da Virgem, com as mãos na mesma postura das de José. Ao seu lado, o maior deles, de pé, usando roupas azul e vermelha, traz os braços cruzados no peito, em sinal de adoração. Ele serve de elo na formação da parte direita do círculo maior, unindo-se ao anjo acima, que faz o mesmo gesto que ele, e também usa uma vestimenta amarela. De costas para o observador, um homem mais idoso, traz as mãos em postura de oração.

O boi está deitado no meio do grupo, separando os dois pastores do recém-nascido. Sua cabeça levantada, em direção à criança, permite ver seu chifre torneado. O jumento, como uma mancha escura, encontra-se atrás do gigantesco pastor, à direita, sendo possível divisar seu focinho. Todos os elementos parecem vaguear, como um redemoinho, em volta do pequenino e reluzente Menino Jesus, e também girar em torno de si mesmos, como numa dança. As cores, formas e poses da composição contribuem para criar um grande êxtase.

Ficha técnica
Ano: c.1612/1614

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 320 x 180 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/the-adoration-of-the-shepherds/4fb170c0-d4cf-4c3e-8293-a8d7152aff78

Domenico Ghirlandaio – ADORAÇÃO DOS MAGOS

Autoria de LuDiasBH

adoma

A pintura Adoração dos Magos é obra do pintor italiano Domenico Ghirlandaio (1449-1494), o principal pintor de afrescos do Renascimento, em Florença, sua cidade natal. Depois de estudar a arte da ourivesaria, ele se tornou aluno do pintor Alessio Baldovinetti. Seu trabalho recebeu influência da arte da Antiguidade e da holandesa, em especial da obra de Andrea de Castagno, Fra Lippi e Andrea del Verochio. Uma tridimensionalidade forte e contornos definidos fazem parte de seu estilo. Suas cenas, normalmente, possuem muitas figuras. O pintor Michelangelo foi aluno de sua oficina.

Muitos artistas tentaram inserir a temática sobre os Reis Magos em um formato redondo (tondo), como Fra Angélico, Domenico Veneziano e Botticelli. A tentativa de Dominico aconteceu no final de sua carreira. Em sua obra, as caracterizações de suas figuras são bem mais nítidas, podendo o observador acompanhar melhor a cena (ou cenas).

A Virgem Maria, entronizada numa espécie de pedestal clássico, com seu Menino no colo, recebe a visita dos Reis Magos e de uma comitiva que os acompanha. Ela traz na cabeça um véu translúcido e um halo. Sua cabeça está inclinada para frente, com os olhos voltados para o Menino. José, postado à sua direita, usa um manto azul e demonstra júbilo. Sua cabeça descansa na mão direita e o cajado na esquerda. Atrás de Maria há um grande espaço circular vazio. O Menino Jesus, envolto por um tecido transparente, na altura dos quadris, observa o Mago mais velho à sua frente, com a mãozinha direita em pose de bênção.

Em primeiro plano estão as coroas dos reis visitantes, assim como uma pedra branca, com a data da obra, sobre um relvado florido. Ao lado encontram-se um saco de aniagem e um frasco com água, lembrando a jornada de Maria e José, antes de o Menino Jesus nascer. Embora se encontre aqui a presença de um mouro negro, com vestes listradas e coloridas, colocando a coroa em um dos reis, não há a presença de um Mago negro. Os Magos são quase sempre representados como as fases da vida: juventude, maturidade e velhice.

O grupo da Virgem possui a forma piramidal, cujas bordas inferiores são compostas pelos dois magos ajoelhados. Um deles está voltado para o observador, como se o chamasse para ajuntar-se ao grupo. O próprio pintor retratou-se no grupo à direita, ajoelhado, próximo a uma figura de amarelo. Ele aponta para trás com o dedo, possivelmente para o doador da obra. Alguns personagens da classe média de Florença também estão aqui representados, usando, como disfarce, alguns detalhes orientais. Além dos visitantes ajoelhados, vê-se também um grupo de pé. Soldados, usando armaduras com capacetes e lanças, são vistos à direita e à esquerda, assim como inúmeros cavalos, inclusive no centro, onde também se encontram um boi, um jumento e duas ovelhas deitadas.

O pintor dividiu a história, em segundo plano, em episódios: os pastores nas rochas, à esquerda, em meio às suas ovelhas, recebem as boas novas através de um anjo, numa nuvem próxima; os cavaleiros na colina, à direita, cavalgando; o ancoradouro da baía, ao centro, lembrando Veneza. Ao fundo estão as ruínas de um edifício clássico, com sua arquitetura em arcos, sustentados por magníficas colunas. Uma cabana lembra a gruta onde se abrigou a Sagrada Família, acompanhada de um boi e um burro.

 Ficha técnica
Ano: 1487

Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 172 cm de diâmetro
Localização: Galleria deglu Uffizi, Florença, Itália

Fontes de pesquisa
A Enciclopédia dos Museus/ Mirador

1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html_m/g/ghirland/domenico/7panel/06tondo.html
https://it.wikipedia.org/wiki/Adorazione_dei_Magi_Tornabuoni

Renoir – MENINA COM REGADOR

Autoria de LuDiasBH

A extraordinária composição intitulada Menina com Regador é uma obra-prima do pintor impressionista francês Pierre Auguste Renoir, que pintou inúmeros e maravilhosos retratos de crianças. Este é um dos primeiros retratos do artista. Trata-se de um trabalho modesto em seu objetivo, sem falar na singeleza do cenário e da composição, se levarmos em conta outras de suas obras, mas que encantou e continua maravilhando pessoas em todo o mundo.

Uma doce menininha de cabelos dourados e enfeitados com um laço de fita vermelho está parada no caminho de um jardim. Seus olhos azuis parecem emitir faíscas. Suas bochechas são rosadas e a boca carmesim mostra um delicado sorriso. Ela usa um vestido azul, que parece aveludado, todo enfeitado com rendas brancas, fechado com enormes botões. Calça botinhas pretas, adornadas com metais, e meias rendadas. Na mão direita traz um regador verde, preso pela alça, e na esquerda um galho de flores brancas e amarelas.

A garotinha, que ocupa a parte central da tela, tem à sua direita um canteiro de flores e às costas um segundo canteiro, ambos separados por um gramado verde. As flores vermelhas às suas costas têm o mesmo tom de seu laço de fita.

A pintura emana pureza e alegria. As cores cintilantes, que refletem a beleza da paleta impressionista, são banhadas por uma luz morna que parece filtrada por uma suave névoa. O uso das cores nas composições figurativas do artista apresenta mais regularidade nas pinceladas do que em suas paisagens. Esta menininha, por exemplo, é pintada com pinceladas delicadas, principalmente em seu delicado rosto.

Ficha técnica
Ano: c. 1876

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 100 x 73 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.46681.html
http://www.aaronartprints.org/renoir-agirlwithawateringcan.php

Chardin – O CASTELO DE CARTAS

Autoria de LuDiasBH

A composição intutulada O Castelo de Cartas, também conhecida como A Casa de Cartas, é uma obra do pintor francês Jean-Baptiste-Siméon Chardin que, usando temas realistas da vida cotidiana, tão a gosto do estilo rococó, apresentava coisas simples, mas graciosas, sem apelar para os assuntos galantes e frívolos. Antes de introduzir a figura humana em seu trabalho, o artista era conhecido por suas naturezas-mortas. Ele pintou quatro versões com tal temática, sendo esta a última delas. A caracterização física e psicológica do menino lembra-nos as conhecidas pinturas de Paul Cézanne, intituladas “Jogadores de Cartas”.

A cena em questão, uma pintura de gênero, é tranquila e de grande intensidade poética. Um garoto de bochechas rosadas, sentado de perfil, encontra-se diante de uma mesa de madeira, com os olhos voltados para baixo, colocando cartas de baralho em pé, depois de dobrá-las ao meio. Ele se mostra absorto e calmo. Apesar de próximo, não tem nenhum contato com o observador, como se não quisesse ser interrompido em seu jogo ou brincadeira. Já colocou nove cartas de pé, trazendo na mão esquerda outas três já dobradas. Está vestido de acordo com sua época.

A mesa de fundo verde traz uma gaveta semiaberta, com puxador em formato de bola na ponta, onde se vê um valete de copas e outra carta desconhecida, pois se encontra de costas para o observador. Sobre a mesa são vistas três moedas e dois outros objetos indecifráveis. A assinatura caprichosa do pintor encontra-se no corpo da mesa, à esquerda.

Ficha técnica
Ano: c.1735

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 82 x 66 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.wga.hu/html_m/c/chardin/1/09h_card.html

Modigliani – CIGANA COM FILHO

Autoria de LuDiasBH

O pintor italiano Amedeo Modigliani (1884 – 1920) teve que conviver com o pouco caso da crítica e do mercado por sua pintura. E o fato de ser obrigado a abandonar a escultura, em razão de seu péssimo estado de saúde, arte que ele elevava acima da pintura, tornou sua vida ainda mais atribulada. O mais paradoxal é que, logo após sua morte, os colecionadores arrebataram suas obras, dando-lhe a atenção que não lhe dispensaram em vida. Sua pintura, dona de formas sinuosas e estilizadas, possuía uma elegância ímpar. Embora o pintor tivesse tido uma existência dramática, sua obra repassa pureza formal, perfeição e calma.

A composição intitulada Cigana com Filho, ou ainda Cigana com um Bebê, é uma obra do pintor, dono de um estilo muito peculiar. Trata-se uma composição simplificada na linguagem das formas, cor e traço. Presume-se que haja um protesto social em seu conteúdo, apesar do lirismo que o tema traz em si.

O artista apresenta em sua pintura uma jovem mulher, de frente para o observador, sentada numa cadeira, tendo ao colo um bebê. Sua expressão fisionômica é séria, sendo que seus olhos azuis transmitem uma grande tristeza. Ela veste uma blusa branca com gola de marinheiro vermelha e traz no pescoço um lenço em forma de gravata. Sua saia de um verde-acinzentado vai até a base inferior da tela, não permitindo que se veja o restante de seu corpo.

A cigana traz as mãos cruzadas em torno do corpo de sua criança de bochecha rosada, e envolto numa manta azul-escuro, e também usa um gigantesco gorro cor-de-rosa, com listras nas extremidades, e com o formato de um cone.

Ficha técnica
Ano: 1918

Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 116 x 73 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador