Arquivo da categoria: Pinacoteca

Pinturas de diferentes gêneros e estilos de vários museus do mundo. Descrição sobre o autor e a tela.

Joachim Patenier – O BATISMO DE CRISTO

Autoria de LuDiasBH

A composição denominada O Batismo de Cristo é uma obra do pintor Joachim Patenier (c.1485 – 1524), também conhecido como Joachim Patinir, que foi um grande mestre em Antuérpia. É tido como o pioneiro na pintura de paisagens na arte ocidental. O artista gostava de apresentar detalhadas descrições pictóricas com vários elementos naturais como rochedos, florestas, rios, mares. Trata-se de uma de suas poucas telas sobreviventes e assinadas por ele, sendo um de seus trabalhos mais conhecidos.

A tela mostra Cristo, imerso na água até quase os joelhos, sendo batizado por João Batista, ajoelhado sobre um rochedo onde se encontra o manto azul de Jesus. O Mestre encontra-se de frente para o observador, enquanto João Batista é visto de perfil. As duas figuras são rígidas e bem convencionais.  Em meio a uma nuvem azulada está a figura de Deus Pai, banhado em luz, apontando para a pomba branca, logo abaixo, simbolizando o Espírito Santo. Ela paira acima da mão de João Batista e a cabeça de Cristo.

Um grupo é visto em segundo plano, à esquerda, ouvindo o sermão de João Batista. Cristo é também repetido. Sua pequena figura encontra de pé em meio à vegetação, usando um manto azul, observando a cena de longe.

A paisagem meio sobrenatural, unida por uma inteligente modulação de cores, é preponderante na pintura, ocupando a maior parte da tela.

Ficha técnica
Ano: 1510-1520
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 59,7 x 76,3 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

Boucher – MULHER NUA

Autoria de LuDiasBH

Boucher possui todos os talentos que um pintor pode ter e é bem sucedido em todos os níveis. Nenhum pintor dos dias é capaz de igualá-lo quanto à graciosidade, mas ele pinta por dinheiro e isso corrompe seu talento. (Diderot)

O gravador, desenhista e pintor rococó francês François Boucher (1703 – 1770) era filho de um artista que criava padrões para bordados e ornamentos. Iniciou sua vida artística ainda muito jovem, como aprendiz de Fraçois Lemoyne, com quem ficou por um breve tempo, vindo depois a trabalhar para Jean François Cars, um gravador de cobre. Aos 20 anos de idade recebeu o “Grand Prix de Rome” – um incentivo aos novos artistas.

A composição intitulada Mulher Nua – também conhecida como A Odalisca Loura ou Rapariga em Repouso ou ainda Nu num Sofá – é uma das famosas obras do artista. Para esta pintura, segundo alguns, ele tomou como modelo uma jovem irlandesa (Marie-Louise O’Murphy) que foi, por um tempo, a amante preferida do rei francês Luís XV. Outros estudiosos, no entanto, dizem se tratar de outra cortesã, o que para nós não vem ao caso. Este tipo de pose era um dos preferidos do pintor, sendo que quadros como este eram bastante requisitados para ornamentar os ricos aposentos particulares da nobreza.

A garota encontra-se num ambiente luxuoso, em meio a pesadas cortinas de veludo e roupa de cama de seda. À esquerda, no chão, vê-se um braseiro fumegante próximo a uma almofada com fitas. Ela se mostra numa postura provocativa, reclinada sobre um sofá (chaise-longue), mas não se trata aqui de uma mulher exuberante. A delicadeza das cores usadas na pintura e o rosto terno da garota tornam-na aparentemente irreal. Apesar de encontrar-se nua, de costas para cima, a garota mostra-se meiga e absorta em seus pensamentos.  Segura uma fita azul que aparentemente prende seus cabelos loiros e desce pelo ombro direito, quase tocando o sofá que, em desordem, pode esconder um convite disfarçado.

A retratada, apesar de encontrar-se numa pose provocante, não tem por objetivo usar o apelo sexual, mas, sim, mostrar seus atributos de garota ingênua, uma vez que ainda é uma adolescente. A posição de suas pernas abertas deixa suas nádegas bem separadas. Ela se encontra em primeiro plano, mas distante do alcance do observador, uma vez que a coloração mostra-se bastante artificial, tornando tudo irreal.

François Bouchet não recebia apenas elogios em sua arte, pois críticos, a exemplo do filósofo Diderot, não aceitavam a sua maneira de retratar seus nus que deveriam ser apresentados dentro de um contexto mitológico ou alegórico – remetendo à beleza clássica. Achavam-no um imoral por representar “crianças-mulheres” em posturas provocantes, sendo muitas delas menores de idade. Segundo pesquisas, esta pintura foi encomendada quando a garota tinha somente 14 anos, época em que o rei tornou-a sua cortesã.

Ficha técnica
Ano: c. 1752
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 59 x 73 cm              
Localização: Alte Pinakothek, Munique, Alemanha

 Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.orientalist-art.org/french/boucher-omurphy-1751.html&prev=search

Greuze – LAMENTO PELA PASSAGEM…

Autoria de LuDiasBH

Deixem a moral exprimir-se na arte. (Diderot)

O pintor francês Jean-Baptist Greuze (1725 – 1805) era filho de um mestre talhador. Desde pequeno mostrou interesse pelo desenho, vindo a estudar com Charles Gardon. Em Paris estudou na Academia com o professor Natoire. Foi influenciado pela pintura de gênero holandesa do século XVII, após contato com Phillippe Le Bas e Pierre Étienne Moitte. É tido como um grande representante da pintura de gênero moralizante (peinture morale), aclamado até mesmo pelo crítico Didorot, uma vez que o público da época exigia que a pintura primasse por mais moralidade, aparentemente cansada do estilo Rococó que dava mais ênfase à sensualidade.

A composição intitulada Lamento pela Passagem do Tempo – também conhecida como A Queixa do Relógio – é uma obra do artista. Embora tenha por objetivo o uso de um tema moralizante, a obra é também cheia de erotismo, mas não se limita apenas ao aspecto erótico, trazendo em seu bojo uma mensagem de cunho moral.

Uma jovem mulher mostra-se extremamente abatida, perdida em seus pensamentos. Ela se encontra em um quarto triste – aparentando ser um sótão –, sentada numa cadeira próxima à sua cama ainda desfeita, onde jaz a sua touca. Ela veste uma camisola, aparentando ter acabado de levantar-se. Fitas descem pelo espaldar de sua cadeira de madeira e palhinha. Seu seio esquerdo – semi despido – chama a atenção para o seu colo. Em volta dele o artista conduz a narrativa que leva ao título da obra.

A mulher traz um pequeno relógio redondo na palma da mão esquerda, possivelmente um presente da pessoa que a deixara. Como o relógio representa na simbologia da arte a transitoriedade do tempo, significa que ela rememora uma aventura amorosa desfeita, como reforça a carta aberta, cortando a relação amorosa, que se encontra sobre a mesinha dobrável, ao lado de um buquê de flores e de um cesto de trabalhos manuais.  Tênues raios de sol entram pela direita. Uma parede acinzentada serve de fundo. No chão, em primeiro plano, está um braseiro que aquece o ambiente humilde.

Ficha técnica
Ano: c. 1775
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 79 x 61 cm 
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://www.townsends.us/blogs/blog/the-complain-of-the-watch-by-jean-baptiste-greuze

Boucher – O PEQUENO ALMOÇO

Autoria de LuDiasBH

O gravador, desenhista e pintor francês François Boucher (1703 – 1770) era filho de um artista que criava padrões para bordados e ornamentos. Iniciou sua vida artística ainda muito jovem, como aprendiz de Fraçois Lemoyne, com quem ficou por um breve tempo, vindo depois a trabalhar para Jean François Cars, um gravador de cobre. Aos 20 anos de idade recebeu o “Grand Prix de Rome” – um incentivo aos novos artistas.

A composição intitulada O Pequeno Almoço ou ainda Café da Manhã é uma cena de gênero, obra do artista. Apresenta uma pequena família fazendo seu lanche matinal. Presentes numa sala de interior burguês, em volta de uma pequena mesa de laca que remete ao estilo Luís XV, encontram-se duas mulheres, um homem e duas crianças.

A sala está adornada com uma lareira, sobre a qual se encontra um enorme espelho, encimado por um medalhão que representa uma paisagem. Um luxuoso relógio encontra-se na parede, próximo à alta janela de vidro. A figura de um Buda está bem visível num pequeno nicho, logo abaixo de um bule de prata. A porcelana sobre a mesa é branca. Tudo ali reflete luminosidade e brilho. A mãe é a mulher elegante que se vira para trás, mostrando uma colher à criança que usa uma bandana e encontra-se sentada num banco. Ela traz no colo um cavalinho e rente às pernas uma boneca vestida de azul. A mulher sentada de costas para o observador – trazendo uma criança no colo – é a ama. Ela alimenta a pequenina que fita o observador. O homem de pé é o criado. Ele parece ter acabado de colocar a cafeteira (ou um recipiente com chocolate), envolta numa toalha branca, sobre a lareira.

Nota: algumas pessoas acham que Boucher está retratando sua própria família. A mulher sentada à direita seria Madame Boucher; à esquerda estaria a irmã do pintor, alimentando a sobrinha; as duas crianças seriam filhas do artista. A família estaria tomando café num clima de aparente intimidade.

Ficha técnica
Ano: 1739
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 81,5 x 65,5 cm        
Localização: Museu Nacional do Louvre, Paris, França

Fontes de Pesquisa:
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Rococó/ Editora Taschen
https://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/morning-coffee

Boucher – A ODALISCA LOIRA

Autoria de LuDiasBH

O pintor francês François Boucher (1703 –1770) é tido como um dos mais importantes artistas do estilo Rococó na França. Dentre as influências recebidas estão as de seu mestre François Lemoyne, as Antoine Watteau e as de Peter Paul Rubens. Na Itália também aprendeu muito com os artistas da época. Suas obras decorativas primam, sobretudo, pelos temas sociais ou mitológicos. Gostava de retratar, através de suas pinturas eróticas, a elegância dos ambientes requintados de sua época. Foi o principal pintor da corte francesa do rei Luís XV e o principal desenhador das porcelanas reais. Possuía uma técnica virtuosa e refinada, sendo muito popular na corte francesa – pintor favorito de Madame de Pompadour, famosa amante do rei. Sua carreira profissional foi muito bem sucedida.

A composição A Odalisca Loura – também conhecida como Mulher Nua ou ainda Nu num Sofá – é uma das famosas obras do artista. Para esta pintura, segundo alguns, ele tomou como modelo uma jovem irlandesa (Marie-Louise O’Murphy) que foi por um tempo a amante preferida do rei francês Luís XV. Outros estudiosos, no entanto, dizem se tratar de outra cortesã, o que não vem ao caso. Este tipo de pose era um dos preferidos do pintor, sendo que quadros como este eram bastante requisitados para ornamentar os ricos aposentos particulares da nobreza.

A moça encontra-se numa postura provocativa, reclinada sobre um sofá (ou seria cama?), mas não se trata aqui de uma mulher exuberante. A delicadeza das cores usadas na pintura e o rosto terno da garota tornam-na aparentemente irreal. Apesar de encontrar-se nua, de costas para cima, ela também parece meiga e absorta em seus pensamentos. Segura uma fita azul que aparentemente prende seus cabelos loiros e desce pelo ombro direito, quase tocando o sofá que, em desordem, pode esconder um convite disfarçado. No piso encontram-se um objeto de bronze, uma almofada, um fino lenço e uma flor.

François Bouchet não recebia apenas elogios em sua arte, pois críticos como o filósofo Diderot não aceitavam a sua maneira de retratar seus nus, sob a alegação de que deveriam ser apresentados dentro de um contexto mitológico ou alegórico, remetendo à beleza clássica. Achavam-no um imoral por representar “crianças-mulheres” em posturas provocantes, sendo muitas delas menores de idade.

Ficha técnica
Ano: 1752
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 59 x 73 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

 Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

A PONTE DE UJI

Autoria de LuDiasBH

A pintura tem como destaque uma ponte e um salgueiro – assunto favorito dos artistas do período Momayama. Faz parte de uma série de “pontes do Uji”, inicialmente pequenas composições, mas que foram sendo alargadas a fim de adaptar-se aos biombos de dobrar. Esta ponte que passa sobre o rio Uji foi palco de várias batalhas.

Esta primorosa vista mostra as águas do rio formando redemoinhos em torno dos pilares da ponte e fazendo a roda – situada na parte inferior esquerda – girar. Este tipo de tema tornou-se muito popular entre os japoneses, ficando conhecido em todo o Japão.

A ponte que atravessa a composição traz ao lado duas grandes árvores. As ondas quebram a rígida arquitetura geométrica e as formas delicadas e luxuriantes das árvores.

Ficha técnica
Ano: fim do séc. XVI a início do séc. XVII
Autor: Anônimo
Período Momoyama ou Edo
Dimensões: 154,8 x 317,5 cm
Localização: Museu Nacional de Tóquio, Japão

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
O Japão/ Louis Frédéric