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Teste –  A ARTE DO BARROCO

(Faça o curso gratuito de História da Arte, acessando: ÍNDICE – HISTÓRIA DA ARTE)

Quatro estilos de arte surgiram na Idade Moderna: Renascimento, Maneirismo, Barroco e Rococó. O estilo denominado Barroco surgiu entre o início do século XVII e o XVIII. Uma de suas características era o interesse pela Antiguidade clássica, tornando-se, assim, uma continuidade do Renascimento. Embora o termo “barroco” (palavra portuguesa que significa pérola imperfeita) já estivesse em uso desde a Idade Média, significando um raciocínio equivocado que confundia o falso com o verdadeiro, nas artes ele teve um objetivo diferente, sendo usado para criticar os excessos de um estilo visto como a degeneração dos princípios clássicos.

  1. São características do estilo Barroco, exceto:

    1. Predominância das emoções sobre a razão.
    2. Intenso contraste entre luz e sombra.
    3. Uso de efeitos ilusórios de profundidade.
    4. Total desinteresse pela Antiguidade clássica.

  2. A __________, embora se encontrasse politicamente enfraquecida, continuava sendo a maior potência cultural na Europa.

    1. Itália
    2. Alemanha
    3. França
    4. Espanha

  3. O Barroco chegou ao continente americano levado:

    1. pelos pintores e escultores portugueses.
    2. por D. João VI e sua numerosa corte.
    3. pelos colonizadores portugueses e espanhóis.
    4. pelas Cruzadas vindas de Portugal.

  4. Todas as alternativas relativas à arquitetura barroca estão corretas, exceto:

    1. Substituição da verticalidade praticada na Idade Média.
    2. Busca de efeitos teatrais causados por combinações de luz e sombra.
    3. Contrastes entre o cheio e o vazio e entre formas côncavas e convexas.
    4. Uso de proporções geométricas.

  5. Um dos grandes nomes da pintura barroca, responsável por adotar em suas obras grande dramaticidade com fortes contrastes de luz e sombra foi:

    1. Plabo Picasso.
    2. Caravaggio.
    3. Rafael Sanzio.
    4. El Greco.

  6. A escultura barroca repassa:

    1. grande sobriedade.
    2. racionalidade nas formas.
    3. um sentimento de paz.
    4. intensa dramaticidade.

  7. O Barroco foi trazido ao Brasil por missionários e tinha por objetivo:

    1. Enriquecer a Academia Brasileira de Artes.
    2. Doutrinar os devotos da fé cristã.
    3. Criar decoração para o palácio da família real portuguesa.
    4. Dar maior credibilidade à arte brasileira.

  8. O Barroco em sua versão brasileira tem como destaque o escultor e arquiteto mineiro Antônio Francisco Lisboa, cujo apelido era:

    1. Mestre Chico.
    2. Mão de Ouro.
    3. Aleijadinho.
    4. Tiradentes.

  9. A vasta obra do artista da pergunta anterior encontra-se nas cidades mineiras de:

    1. Congonhas, Ouro Preto, São João Del Rei e Sabará.
    2. Ouro Preto, São João Del Rei, Sabará, Congonhas e Diamantina.
    3. Diamantina, Ouro Preto, Tiradentes, Congonhas e Mariana.
    4. Sabará, Ouro Preto, Diamantina, Congonhas e São João Del Rei.

  10. O nome do complexo arquitetônico e paisagístico, obra de Aleijadinho, patrimônio nacional, tombado em 1939 e considerado Patrimônio Mundial pela Unesco em 1985 é:

    1. Complexo Nossa Senhora do Brasil.
    2. Complexo de Bom Jesus de Matosinhos.
    3. Complexo de São Judas Tadeu.
    4. Complexo de São José dos Campos.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
A ARTE DO BARROCO
Caravaggio – A CONVERSÃO DE SÃO PAULO
Rubens – A DEPOSIÇÃO
Vermeer – MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA

Gabarito
1d  / 2a / 3c / 4a / 5b / 6d / 7b / 8c / 9a / 10b

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A ARTE DO BARROCO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O estilo Barroco surgiu entre o começo do século XVII e o meio do século XVIII e, assim como o Renascimento, mostrava interesse pela Antiguidade clássica. Nascido em Roma, na Itália, espalhou-se por toda a Europa, principalmente pelos países católicos, tendo fortes laços com a Contrarreforma religiosa (resistência da Igreja Católica à disseminação da Reforma Protestante).

O termo “barroco” — palavra portuguesa que significa pérola imperfeita — era usado desde a Idade Média, com uma intenção ofensiva, ao referir-se a um raciocínio ilógico que confundia o falso com o verdadeiro, mas ao transferir-se para as artes, passou a ser usado para criticar os excessos de um estilo visto como uma degeneração dos princípios clássicos. Assim fizeram os classicista do século XVIII, ao mostrar seu desprezo ou o desafio das regras clássicas pelos pintores do século XVII, principalmente os escultores e arquitetos com suas obras excêntricas e extravagantes. Contudo, no século XIX, os estudiosos da arte alemães passaram a fazer um uso imparcial do termo “barroco” para descrever a arte do século XVII.

Os papas e os cardeais do século XVII foram os grandes mecenas de uma arte que objetivava expressar fervor religioso. Em razão disso, a glória do martírio, as visões e êxtases dos santos tornaram-se temas dominantes, principalmente na pintura e na escultura (ver ilustração acima: O Êxtase de Santa Tereza, 1652, escultura de Bernini). Essa intensa gama de emoções foi mostrada com todos os recursos de uma linguagem retórica de gestos e expressões. A Igreja Católica criou diretrizes para os artistas, impulsionando-os a criar obras realistas, capazes de tocar o sentimento das pessoas. No que diz respeito ao mundo secular, os monarcas, imbuídos da doutrina do direito divino dos reis, também abraçaram o novo estilo.

Ao deixar para trás a arte renascentista, os artistas barrocos passaram a mostrar o brilho mais radiante das cores, a usar uma pincelada mais livre e expressiva, criando mais riqueza de contrastes, texturas e a fazer um intenso uso de luzes e sombras. Além da temática religiosa, os retratos ganharam espaço nessa época, assim como a paisagem. Os temas alegóricos e mitológicos foram os mais buscados pelos mecenas mais sofisticados e a pintura de gênero ganhou vida, principalmente na Holanda.

O objetivo da escultura barroca era elevar os pensamentos dos fieis à glória do céu, como mostra o interior de uma igreja barroca com suas inúmeras esculturas, pinturas decorativas, o uso do dourado, do estuque e dos mármores de cores vistosas. O trabalho dos artistas barrocos era o de apelar pelas emoções do observador, o de convencê-lo em relação à fé. Por isso, as cenas eram representadas de maneira a capturar o momento mais importante da ação dramática que se destacava em razão de contrastes chamativos de luzes e sombras, o que tornava o efeito de uma obra barroca imediato e extasiante.

Os artistas barrocos criaram ousados efeitos assimétricos e movimentos diagonais. Na arquitetura barroca formas e espaços são organizados com maior força, tendendo a fluir e a fundir-se. Além disso, há a combinação de três artes — pintura, escultura e arquitetura — produzindo um efeito único, o que pode ser visto nas igrejas erguidas com tal estilo.

Embora o Barroco tenha se oposto ao Maneirismo do final do século XVI — quando os artistas preocupavam-se mais com o virtuosismo de que com os sentimentos — dele conservou certos elementos, como a intensa emoção e o senso de movimento, mesclando-os com mais dinamismo.

A arte barroca em sua forma mais pura apresentou-se apenas nos países católicos, principalmente na decoração das igrejas. Os principais países católicos em que este estilo floresceu foram: Itália, Espanha e as Flandres (que hoje são mais ou menos a atual Bélgica). Entre os países protestantes a Holanda e a Inglaterra tiveram um papel de destaque neste estilo, principalmente na pintura.

Roma foi a cidade italiana mais ligada ao Barroco, tendo se transformado num centro de produção e debate artísticos. Para lá convergiam artistas de toda a Europa, com a finalidade de estudar as antiguidades clássicas e a arte da Alta Renascença. Michelangelo Meresi da Caravaggio e Annibale Carraci — dois mestres italianos — foram os grandes responsáveis pelo início do período barraco. O mais influente pintor flamengo foi Peter Paul Rubens. O escultor, arquiteto, decorador, pintor e desenhista Gian Lorenzo Bernini foi um dos nomes de destaque da escultura barroca.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
Caravaggio – A CONVERSÃO DE SÃO PAULO
Rubens – A DEPOSIÇÃO
Vermeer – MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA
Teste – A ARTE BARROCA>

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

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Mestres da Pintura – PONTORMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor e retratista italiano Jacopo Carucci (1494–1556), pertencente à escola florentina, nasceu na cidade de Pontormo, na Toscana, nome que usaria como apelido e que viria a dotar em sua arte. Seu pai, Bartolomeo di Jacopo de Martino Carucci, era pintor profissional e sua mãe, Alessandra di Pasquale di Zanobi, dona de casa. Segundo Giorgio Vasari, Pontormo ficou órfão em tenra idade. Não se sabe se ele recebeu alguma educação formal ou não. Teve como mestre Leonardo da Vinci e Piero di Cosimo, vindo depois a entrar para o ateliê de Andrea del Sarto, tendo desenvolvido um estilo maneirista distinto. Em Florença teve o patrocínio da família Médici.

Em 1522 foi morar no monastério da Ordem dos Cartuxos em razão da peste, onde pintou uma série de afrescos, cujo tema era a Paixão e a Ressurreição de Jesus Cristo. Foi professor de seu filho adotivo Agnolo Bronzino e também colaborador de Michelangelo. Suas últimas obras receberam a influência das gravuras de Albrecht Dürer, por quem nutria grande admiração, e seguiu o modelo de Michelangelo. Assim como Rosso Florentino, Pontormo tornou-se o expoente máximo do Maneirismo, com seus trabalhos dramáticos e expressivos. Ficou famoso pelo uso de poses entrelaçadas, e com perspectiva ambígua. Suas figuras muitas vezes parecem flutuar em um ambiente desconhecido, sem interferência de forças da gravidade.

Tornou-se famoso pelo uso de poses contorcidas, perspectiva distorcida cores marcadamente incomuns e peculiares, que pareciam espelhar seu temperamento neurótico e inquieto. A obra intitulada A Deposição da Cruz, também conhecida como A Lamentação, é tida como uma obra-prima de Pontormo e um dos melhores trabalho do estilo maneirista, levando em conta que se afasta audaciosamente das regras da Renascença, foi criada como um dramático altar-mor para a capela Barbadori, de Filippo Bruneleschi em Florença. Pontormo tornou-se conhecido sobretudo pela arte de retratar emoções mais agitadas em suas pinturas.

Muitas de suas obras foram perdidas ou danificadas, incluindo O Julgamento Final, um afresco do qual se ocupou na última década de sua vida, e que mantinha escondido de outras pessoas. Segundo relatos, sua visão do Juízo Final era um pântano de figuras contorcidas, que tinha um efeito quase alucinógeno. Diversas obras do artista ainda sobrevivem e encontram-se em diferentes museus e galerias da Itália e de partes da Europa. Nada se sabe sobre sua vida pessoal, se teve esposa e filhos ou não. Pontormo morreu aos 62 anos de idade em Florença.

 Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte / Editora Sextante
A história da arte / E.H. Gombrich

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Pontormo – A DEPOSIÇÃO DA CRUZ

Autoria de Lu Dias Carvalho

 O pintor italiano Jacopo Carucci (1494 – 1556) nasceu na cidade de Pontormo, na Toscana, apelido que viria a dotar em sua arte. Teve como mestre Leonardo da Vinci e Piero di Cosimo, vindo depois a entrar para o ateliê de Andrea del Sarto, tendo desenvolvido um estilo maneirista distinto. Em 1522 foi morar no monastério da Ordem dos Cartuchos, onde pintou uma série de afrescos, cujo tema era a Paixão e a Ressurreição de Jesus Cristo. Foi professor de seu filho adotivo Agnolo Bronzino e também colaborador de Michelangelo. Suas últimas obras receberam a influência das gravuras de Albrecht Dürer, por quem nutria grande admiração e seguiu o modelo de Michelangelo. Assim como Rosso Florentino, Pontormo tornou-se o expoente máximo do Maneirismo, com seus trabalhos dramáticos e expressivos.

A obra intitulada A Deposição da Cruz, também conhecida como A Lamentação, tida como uma obra prima de Pontormo e um dos melhores trabalho do estilo maneirista, levando em conta que se afasta audaciosamente das regras da Renascença, foi criada como um dramático altar-mor para a capela Barbadori, de Filippo Bruneleschi, em Florença.

Embora o artista tenha usado um tema cristão comum à arte, sua interpretação foge à regra, tamanha é a dramaticidade nela presente. Mesmo se tratando da deposição da cruz, essa não se encontra presente na obra. Cristo também está ligeiramente afastado do centro da composição. Não há preocupação por parte do artista para representar o espaço tridimensional e a escala tradicional. A imagem é plana e os copos apresentam-se torcidos.

A virgem Maria está desfalecendo e seu braço direito parece buscar apoio em alguém para que não caia. Em volta dela os personagens parecem flutuar, convergindo para o centro da composição, criando efeito espiral que leva o olhar do observador no sentido anti-horário em torno da densa massa de corpos, até alcançar o corpo sem vida de Jesus Cristo.

O artista usou cores fortes, sendo um dos motivos a falta de luz na capela. A cena é cheia de emoção, o que é típico das obras maneiristas. A natureza está presente nas bordas da pintura e em razão do rosa e do azul vibrante da roupagem das figuras, ela parece desbotada.

O corpo retorcido e seminu de Cristo ganhou um tratamento escultural. A Virgem foi apresentada numa escala maior em relação às demais figuras da composição. Sua expressão está marcada por um intenso sofrimento, atingido profundamente o observador que se comove com uma mãe que perdeu seu filho amado.

A mulher à direita, de frente para a Virgem, com suas vestes de cores fortes, atrai o olhar do observador para o seu corpo em movimento, com o objetivo de oferecer apoio à mãe de Jesus. As cores vibrantes de sua vestimenta contribuem para a beleza decorativa da obra e reflete os tons da pele do apóstolo agachado que sustenta parte do corpo de Cristo, equilibrando-se nas pontas dos pés. seu olhar de súplica é direcionado ao observador, como se o convidasse a participar da intensa dor vivida pelo grupo.

Ficha técnica
Ano:  1525 a 1528
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 3,13m x 1,92m
Localização: Capela Barbadoni, Florença, Itália.

 Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte / Editora Sextante
A história da arte / E.H. Gombrich

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A ARTE DO MANEIRISMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Segundo afirma o professor E.H. Gombrich em seu livro A História da Arte, “Por volta de 1520 todos os amantes da arte nas cidades italianas pareciam concordar em que a pintura tinha atingido o ápice da perfeição. Homens como Michelangelo e Rafael, Ticiano e Leonardo tinham feito tudo o que gerações anteriores haviam tentado fazer. […] e — conforme se dizia — tinham até superado as mais célebres estátuas da antiguidade grega e romana”.

Alguns artistas, acreditando em tal afirmativa, passaram apenas a imitar o trabalho desses mestres do Renascimento, ocasionando muitas vezes resultados ridiculamente cômicos. Foi por isso que muitos críticos, entendendo que os jovens pintores erravam ao imitar tais artistas, passaram a chamar essa fase das artes de “período maneirista”. Outros, no entanto, não aceitaram a hipótese de que a arte tivesse chegado ao seu limite. E, assim, nasceu uma pintura cheia de significado, o que muitas vezes tornava-a obscura, a não ser para os mais eruditos.

O termo “maneirismo” passou a descrever todo esse período em razão de suas características estilísticas. George Vasari, pintor, escritor e arquiteto italiano, foi o primeiro a usar a palavra italiana “maniera” (maneira, estilo) em relação às obras de seus conterrâneos, entretanto a palavra “maneirismo” passou a ser usada como um termo depreciativo pelos críticos posteriores que consideravam tal estilo apenas como uma transição afetada entre o Renascimento e o Barroco. No século XX o termo “maneirismo” passou a ser usado de um modo neutro, embora às opiniões continuem divergindo quanto à definição do estilo e o seu período exato.

As raízes do Maneirismo estão fincadas na Itália, tendo ali se desenvolvido entre os anos de 1520 a 1610. A cidade de Florença foi o seu berço. Alguns historiadores da arte veem o novo estilo como uma reação ao excesso de harmonia clássica, enquanto outros enxergam-no como uma evolução. Mas de modo geral as definições deste estilo dizem respeito à distorção ou ao excesso de refinamento dos ideais da última fase do Renascimento. Quer alguns o achem um estilo refinado e emocional ou afetado e decadente, não se pode negar o alto grau de tensão e dramaticidade que alcançou, tanto no uso de figuras alongadas em poses exageradas, como por suas cores e luzes fortes, acompanhadas da distorção de escala e perspectiva.

O Maneirismo foi espalhado pela Europa em todo o século XVI através de italianos expatriados e de artistas estrangeiros que estudaram na Itália. Chegou a tornar-se o “estilo oficial” de muitas cortes, ornamentando palácios e mansões da aristocracia. Este estilo chegou ao fim, segundo alguns estudiosos do assunto, com o surgimento dos irmãos Carraci e Caravaggio por volta de 1600. As gravuras foram outra fonte da disseminação maneirista.

A pintura maneirista introduz vários pontos de vista numa mesma obra, exibindo um cenário de irrealidade. Existem muitos elementos em torno da figura principal que já não fica mais centralizada. O drama é intensificado. As figuras são alongadas e os músculos sem contornos. Os rostos são melancólicos e as vestes detalhadamente trabalhadas. Uma luz forte é jogada sobre os objetos, produzindo sombras com a finalidade de elevar a dramaticidade. Tal estilo alcançou um alto patamar tanto na intensidade emocional de Jacopo Pontormo como na sensualidade elegante de Agnolo Bronzino — dois grandes nomes da pintura maneirista.

A escultura maneirista tem como principal característica a figura serpentinata (modelo emprestado dos gregos que acreditavam que a forma sinuosa era o meio indicado para expressar movimento). Benvenuto Cellini, Giambologna e Parmegianino são três grandes mestres do campo escultural. A arquitetura passou por modificações nos padrões clássicos: alterações nos ritmos estruturais, na funcionalidade de elementos, na ilusão de perspectiva e na lógica aristotélica. Andrea Palladio é um dos mestres desse período.

Fora da Itália podem ser citadas as cortes de Fontainbleua, na França e Praga, na Boêmia, como os mais importantes cenários do Maneirismo. Alguns críticos do passado chegaram a avaliar o estilo distorcido e o ritmo fluido de El Greco (Doménikos Thotokópoulos) — arquiteto, escultor e pintor grego que desenvolveu sua carreira na Espanha — como sinais de insanidade, mas é impossível desconhecer o fervor espiritual que brota de suas obras.

Dentre as características do Maneirismo está o alongamento intencional dos corpos e das proporções, cujo grau varia de um artista para outro. Esse movimento com ideias centrais uniu um grupo de artistas. Giuseppe Arcimboldo foi um artista maneirista da corte dos Habsburgo, sendo posteriormente uma inspiração para o movimento Surrealista, ao criar retratos simbólicos de seres humanos, usando a disposição criativa de frutas e legumes, levando as excentricidades do Maneirismo a um novo patamar. Em suma, o estilo maneirista não primava por ser coerente e único, mas por ser uma maneira de vivenciar o próprio estilo como sendo uma entidade diferenciada e pessoal.

Obs.: Reforce seus conhecimentos com artigos referentes a este estilo:
Teste – A ARTE DO MANEIRISMO
Parmigianino – VIRGEM DO PESCOÇO LONGO
Pontormo – A DEPOSIÇÃO DA CRUZ

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
A história da arte/ E. H. Gombrich
Arte/ Publifolha

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Giovanni Bellini – PIETÀ (III)

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Giovanni Bellini (c.1430-1516) nasceu em Veneza numa família de artistas. Era também conhecido pelo apelido de Giambellino. Seu irmão mais velho, Gentile Bellini, era também pintor.  Teve o pai, o respeitado pintor Jacopo Bellini, responsável por levar o Renascimento a Veneza, como primeiro mestre, que se dedicou intensamente a transformar seus dois filhos em importantes pintores. Giovanni tornou-se depois aluno de Andrea Mantegna, seu cunhado, que influenciaria grandemente sua arte. O foco de seu trabalho foi Veneza, onde teve sua própria oficina, sendo nomeado pintor oficial da cidade. Teve como aluno Ticiano, Giorgione, Lorenzo Lotto, entre outros grandes nomes da pintura.

A composição piramidal intitulada Pietà é uma obra do artista Giovanni Bellini que muito prezava  esta temática. Neste trabalho, criado quando tinha 70 anos, ele enfrenta um grande desafio formal no sentido de conter o corpo adulto de Jesus no colo de sua mãe, sentada, de modo que a composição ficasse convincente. Ao postá-la no chão, com traços envelhecidos, o artista dá ênfase à sua humildade e também ao seu grande sofrimento. Ele concentra a cabeça da Virgem no centro da composição, na parte superior, enquanto na parte inferior a união do manto azul com o vestido roxo divide a parte inferior da tela.

Esta pintura tinha como objetivo a devoção pessoal e privada, relembrando a crueza da crucificação de Jesus, representada por marcas de sangue em suas mãos, pés e torso. Aqui o artista concentra toda intensidade da cena em Maria — a mãe sofredora. Ela se despede de seu filho morto, embalando-o em seu colo, momento antes de ser depositado no sepulcro.

A pintura possui proporções pequenas, mas, ainda assim, os personagens, totalmente solitários na imensa paisagem, parecem grandes. Eles se encontram em primeiro plano, separados por uma cerca viva com flores brancas do resto da paisagem que mostra ao fundo uma cidade murada e colinas que se levantam ao longe, como se delimitassem o divino do terreno.

O artista mostrou-se exímio ao criar a cerca viva atrás da Virgem. As plantas obedecem a uma simbologia específica pela relação que têm com a cura. O amaro dente-de-leão remete ao sofrimento ocasionado pela Paixão de Cristo; as flores brancas de morangueiro simbolizam as virtudes; as violetas a humildade; e os espinhos – vistos à esquerda da cabeça de Jesus – simbolizam a dor física e espiritual. A árvore com os ramos cortados à esquerda diz respeito à Árvore da Vida, cuja madeira serviu para fazer a cruz da crucificação. Mas nela ainda se vê um único galho com folhas, simbolizando a esperança. Nas pedras, situadas abaixo da árvore, está a assinatura do artista: “JOANNES BELLINVS”.

Ficha técnica
Ano:  c. 1505
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 65 cm x 90 cm
Localização: Galeria da Academia, Veneza, Itália

 Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte / Editora Sextante
A história da arte / E.H. Gombrich

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