Arquivo da categoria: História da Arte

O mundo da arte é incomum e fascinante. Pode-se viajar através dele em todas as épocas da história da humanidade — desde o alvorecer dos povos pré-históricos até os nossos dias —, pois a arte é incessante.

O CORTEJO DOS REIS MAGOS (Aula nº 42 C)

Autoria de LuDiasBH

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A introdução das leis da perspectiva na pintura não funcionou igualmente para todos os artistas. Fra Angelico, por exemplo, fez uso do novo, mas sem modificar o espírito do antigo. Paolo Uccello, por sua vez, optou por abraçar totalmente as modificações, mas Benozzo Gozzoli — díscipulo de Fra Angelico — era menos ousado, fazendo uso dos novos métodos, mas sem se preocupar em demasia com as dificuldades apresentadas, trabalhando com o melhor dos dois mundos — o antigo e o presente. Ele tinha um gosto especial pela representação do aparato suntuoso e magnífico, buscando as novas descobertas para tornar suas cenas ainda mais intensas e agradáveis.  Estudamos hoje uma de suas mais famosas obras. Primeiramente é necessário acessar o link Benozzo Gozzoli – O CORTEJO DOS REIS MAGOS e ler o texto com muita atenção, sempre voltando a esse quando se fizer necessário.

Obs.: Enriqueça a sua capacidade interpretativa das obras de arte acessando o link acima. Faz-se necessário ler o texto integralmente!

  1. A Itália foi dividida após a derrocada do Império Romano, sendo entregue a várias famílias, dentre elas a dos……………, família de banqueiros e mecenas que encomendou a Benozzo Gozzoli a tarefa de pintar as paredes da capela particular do palácio citadino.

    1. Gonzaga
    2. Sforza
    3. Medici
    4. Bórgia

  2. O artista pintou afrescos em três das paredes da capela, reproduzindo em cada uma delas a representação de um dos Reis Magos, acompanhado de seu séquito e encaminhando-se para a pintura do altar intitulada……………..

    1. A Virgem Adorando o Menino
    2. A Virgem abençoa o Rei
    3. A Família Sagrada
    4. O Menino e Sua Mãe

  3. O afresco visto acima representa o rei mago…………. e a família retratada como parte da comitiva é a dos……………., pois, conforme tradição da época os doadores de retábulos costumavam aparecer nas obras de arte, ainda que fosse numa posição discreta, mas próximos ao primeiro plano, de modo a serem reconhecidos.

    1. Melchior/ Sforza
    2. Gaspar/ Medici
    3. Baltasar/ Bórgia
    4. Todas as respostas estão incorretas.

  4. É possível ver………… — cavaleiro mais velho à esquerda — montado num cavalo castanho, ladeado por dois brancos cavalgados por dois de seus filhos — Giovanni e Piero. Ao contrário dos filhos, ele era muito discreto.

    1. Frederico
    2. Rodrigo
    3. Cosimo
    4. Nicolau

  5. Lorenzo chegou ao poder aos 21 anos e foi apelidado de…………; encontra-se mais à frente, montado num cavalo branco, cuja armação traz os símbolos da família: penas e bolas douradas. Está cercado por alguns escudeiros armados.

    1. o Grande Mecenas
    2. o Imperador de Veneza
    3. o Carrasco de Florença
    4. o Magnífico

  6. Na comitiva, entre os comerciantes florentinos sem barbas,  estão várias figuras barbudas com roupas exóticas numa referência a um cortejo…………..

    1. no Oriente
    2. na Grécia Antiga
    3. na Roma Clássica
    4. na Mesopotâmia

  7. Chamam a atenção……………….. retratados pelo pintor, os animais exóticos e a majestosa paisagem.

    1. os arreios dos animais
    2. os tecidos raros
    3. o castelo no alto
    4. as árvores esparsas

  8. O artista usou as novas realizações aprendidas com o objetivo de mostrar……………, pois a vida desse período era colorida e pitoresca.

    1. a pompa da família governante
    2. os Reis Magos e seu séquito
    3. a sua aptidão em criar belas cenas
    4. os doadores da composição

  9. A técnica usada pelo artista para decorar as paredes da capela foi:

    1. óleo sobre tela
    2. mosaico
    3. têmpera
    4. afresco

  10. O artista retratou três personagens:

    1. mitológicas
    2. bíblicas
    3. históricas
    4. científicas

Gabarito
1.c / 2.a / 3.b / 4.c / 5.d / 6.a / 7.b / 8.c / 9.d / 10.b

Obs.: Conheça outra obra do artista acessando o link abaixo:
Benozzo Gozzoli – S. DOMINGOS RESSUSCITA NAPOLEÃO…

A BATALHA DE SAN ROMANO (Aula nº 42 B)

Autoria de LuDiasBH

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O pintor florentino Paolo Uccello era tão fascinado pela descoberta da perspectiva que passava dias e noites desenhando objetos em escorço (redução de uma figura segundo as regras de perspectiva) e tentando solucionar alguns problemas impostos pelas novas leis da pintura. A sua obra acima mostra o quanto ele se dedicou a usar a perspectiva, obtendo um belo arranjo matemático. Uccello constrói um plausível palco, onde expõe suas figuras do modo a parecerem sólidas e reais, embora fique visível que ele ainda não dominava o uso dos efeitos de luz, sombra e ar de modo a amenizar os fortes contornos de uma representação perspectivada à risca. Ao artista interessava estudar e resolver os problemas suscitados pelo novo, desligando-se do espírito antigo. Estudamos hoje uma de suas obras-primas. Primeiramente é necessário acessar Uccello – A BATALHA DE SAN ROMANO e ler o texto com muita atenção, sempre voltando a esse quando se fizer necessário.

Obs.: Enriqueça a sua capacidade interpretativa das obras de arte acessando o link acima. Faz-se necessário ler o texto integralmente!

  1. A unidade política da Itália desapareceu após a derrocada do Império Romano,  sendo, portanto, a Itália da aurora do Renascimento ainda uma colcha de retalhos formada por pequenas cidades-estados independentes e beligerantes entre si, dominadas por poderosas famílias. As três composições que formam A Batalha de San Romano, portanto, referem-se à disputa entre as cidades de:

    1. Roma e Veneza
    2. Siena e Florença
    3. Ferrara e Veneza
    4. Florença e Roma

  2. O tema da obra  é a celebração da vitória de um dos lados, sendo o comandante…………………., aliado da família Medici, o principal personagem.

    1. Niccolò da Tolentino
    2. Benozzo Gozzoli
    3. Lorenzo Ghiberti
    4. Leon Battista Alberti

  3. As lanças entrecruzadas à esquerda e as plumas nos elmos dos cavaleiros e suas roupas pomposas são elementos que ornamentam a composição, tendo por objetivo:

    1. Mostrar a ferocidade da batalha de San Romano.
    2. Amenizar a brutalidade da cena representada.
    3. Esconder os contornos da representação e a falta de luz e sombra.
    4. Compensar o difícil trabalho na representação dos homens e seus cavalos.

  4. O ponto principal da obra, cujo movimento se dá da esquerda para a direita, é:

    1. o soldado morto no chão
    2. as lanças para cima
    3. o cavalo branco e Niccolò
    4. os estandartes ao vento

  5. A maioria das bandeiras medievais não era retangular, terminando em duas longas extremidades, como as do exército de Niccolò, cujo símbolo é uma coroa………….

    1. com um leão dourado.
    2. de cordame com nós.
    3. com as armas dos Medici.
    4. de ramos de oliveira.

  6. Sobre os arreios dos cavalos é possível observar a presença de belos adornos dourados que são na verdade aplicações de…………… sobre a superfície da pintura.

    1. ouro
    2. lápis lazúli
    3. malaquita
    4. azurite

  7. Para contornar a dificuldade de apresentar um plano intermediário — obstáculo próprio dos artistas do início do Renascimento —, Uccello separou o primeiro plano do fundo, colocando uma sebe com rosas brancas e vermelhas, laranjeiras e romãzeiras no meio, de modo que, no fundo da composição…………….

    1. a batalha já chegou ao fim.
    2. os perdedores estão batendo em retirada.
    3. não há presença de combate.
    4. a batalha continua acirrada.

  8. O primeiro plano parece muito estreito, com elmos, pedaços de lança, pés dos cavalos e os pés do cavaleiro morto quase saindo dos limites da tela. Uccello levou em consideração o local onde ficaria a obra, ou seja, …….

    1. no alinhamento dos olhos.
    2. abaixo do nível dos olhos.
    3. acima do nível dos olhos.
    4. Todas as respostas estão incorretas.

  9. Embora a composição represente uma cena de guerra, cavalos e homens mais se assemelham a brinquedos, contudo as figuras parecem………..

    1. muito mal desenhadas.
    2. esculpidas e não pintadas.
    3. extremamente verdadeiras.
    4. sem nenhuma solidez.

  10. Nunca uma figura fora pintada assim antes, tendo sido, sem dúvida alguma, de grande dificuldade para o pintor. Tratava-se de uma inovação na história da arte à época. A figura em destaque é:

    1. o guerreiro tombado no chão
    2. o comandante em seu cavalo branco
    3. o escudeiro com o capacete do mestre
    4. o guerreiro no cavalo preto à direita

  11. Na sua composição Uccello emprega………… pela qual era um estudioso obcecado, além de mostrar com detalhes a forma e o movimento dos personagens e animais.

    1. a luz
    2. a sombra
    3. o escorço
    4. a perspectiva

  12. A ……………… (do latim do latim temperare) significa misturar ou aglutinar, sendo a essa a tinta mais antiga usada na Antiguidade, na Idade Média e na Renascença. Foi a técnica empregada por Paolo Uccelo em sua composição.

    1. afresco
    2. aquarela
    3. têmpera
    4. guache

  13. O que essa obra tem de tão especial, se os animais parecem cavalinhos de brinquedo? A maravilha desta pintura relativa a cerca de 1450 (século XV) reside no fato de Uccello  dar destaque às suas figuras que parecem……………… em vez de…………..

    1. pintadas / esculpidas
    2. esculpidas / pintadas
    3. desenhadas / esculpidas
    4. esculpidas / desenhadas

Gabarito
1.b / 2.a / 3.d / 4.c / 5.b / 6.a / 7.d / 8.c / 9.b / 10.a / 11.d / 12.c/ 13.b

Obs.: Conheça a vida do artista acessando o link abaixo:
Mestres da Pintura – PAOLO UCCELLO

A ANUNCIAÇÃO (Aula nº 42 A)

Autoria de LuDiasBH

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O arquiteto italiano Filippo Brunelleschi foi o responsável por uma descoberta prodigiosa no campo artístico que viria a dominar toda a arte dos séculos conseguintes — a da perspectiva. O pintor Masaccio criou uma das primeiras obras de acordo com essas regras matemáticas. O grande pintor Fra Angelico — frade dominicano — aplicou os métodos usados por Masaccio em suas pinturas, a fim de exprimir as ideias da tradição da arte religiosa. Ele tinha como único objetivo narrar a história sagrada com simplicidade e beleza. Estudaremos hoje uma de suas obras-primas. Primeiramente é necessário acessar Fra Angelico – A ANUNCIAÇÃO e ler o texto com muita atenção, sempre voltando a esse quando se fizer necessário.

Obs.: Enriqueça a sua capacidade interpretativa das obras de arte acessando o link acima. Faz-se necessário ler o texto integralmente!

  1. O tema predileto do religioso italiano Fra Angelico era:

    1. a Crucificação de Cristo
    2. a Anunciação da Virgem
    3. os Mártires da Igreja
    4. o Pecado de Adão e Eva

  2. A Virgem e o anjo encontram-se num pórtico iluminado e colorido, inclinados, numa posição de ………………..

    1. modéstia e submissão
    2. alegria e louvor
    3. grandeza e regozijo
    4. humildade e tristeza

  3. Acima da coluna central do pórtico, situada entre Maria e o anjo, está presente………. que a tudo presencia:

    1. o Profeta Isaías
    2. São Pedro
    3. São José
    4. Deus Pai

  4. A pomba branca que desce numa bola de luz em direção à Virgem simboliza o Espírito Santo. E a descida do Espírito Santo simboliza o momento exato da ………..

    1. anunciação
    2. aceitação
    3. concepção
    4. bênção

  5. Com sua figura graciosa e delgada, a Virgem Maria encontra-se assentada numa cadeira vistosa e traz no colo as Sagradas Escrituras. Está vestida com singeleza e traz os cabelos cobertos por………….
     
    1. um fino véu
    2. uma tiara de ouro
    3. uma coroa
    4. um denso véu

  6. O círculo dourado e brilhante que nas imagens sacras envolve a cabeça de Cristo e a dos seres divinais e, que nesta composição circunda a cabeça de Maria e a dos dois anjos, simbolizando santidade, é conhecido como:

    1. auréola
    2. nimbo
    3. halo
    4. Todas as respostas estão corretas.

  7. À esquerda do anjo Gabriel encontra-se uma passagem coberta com uma cortina vermelha que leva ao quarto de Maria. A cobertura do passadouro simboliza…………

    1. a vida da Virgem junto a seus familiares.
    2. o recolhimento e a vida recatada da Virgem.
    3. a capacidade de acolhimento de Maria.
    4. Todas as respostas estão incorretas.

  8. Uma cerca e uma sebe florida fazem a separação entre o cenário, onde se encontram a Virgem e o anjo Gabriel, e aquele onde se vê ………………

    1. Adão e Eva
    2. S. Isabel e Zacarias
    3. Sant’Ana e Joaquim
    4.  Emerentia e Matthat

  9. A andorinha, pousada acima da coluna central, simboliza …………… de Jesus Cristo.

    1. o nascimento
    2. a morte
    3. a ressurreição
    4. a crucificação

  10. A composição de Fra Angelico apresenta duas cenas. O que chama a atenção na segunda cena é o fato de os dois personagens encontrarem-se……..

    1. totalmente nus
    2. num lugar triste
    3. muito pequenos
    4. usando roupas

  11. Fra Angelico, ao apresentar duas cenas em sua pintura, tinha por objetivo mostrar que:

    1. Todos o homens caem em sua caminhada terrena.
    2. Apesar da queda, Cristo nasceria para trazer a libertação.
    3. É bom vigiar pois o pecado ronda a humanidade.
    4. A vinda de Cristo não era sinônimo de libertação.

  12. A técnica usada pelo frade em sua obra foi ouro e……………… sobre madeira. Trata-se de uma técnica de pintura na qual os pigmentos ou os corantes podem ser misturados com um aglutinante que pode ser uma emulsão de água e gema de ovo (o ovo pode ser inteiro ou somente a clara).

    1. têmpera
    2. mosaico
    3. sfumato
    4. chiaroscuro

Gabarito
1.b / 2.a / 3.d / 4.c / 5.a / 6.d / 7.b / 8.a / 9.c / 10.d / 11.b / 12.a

Obs.: Conheça a vida do artista acessando o link abaixo:
Mestres da Pintura – FRA ANGELICO

A PERSPECTIVA NA ARTE  (Aula nº 42)

Autoria de LuDiasBH

                                                               

                                                     (Clique nas imagens para ampliá-las.)

O pintor italiano Fra Angelico (1387–1455), nascido próximo a Florença, fez uso dos novos métodos criados por Masaccio, principalmente quando expunha em suas obras as ideias tradicionais da arte cristã. Embora fizesse uso das novas descobertas de seu tempo, também foi fiel a certas ideias da arte gótica. Dentre as obras criadas pelo frade dominicano estão os afrescos pintados no mosteiro florentino de São Marcos em cerca de 1440 (século XV). Era uma obra bem extensa, sendo que cada monge possuía em sua cela uma cena sacra, assim como em cada final de corredor, para sua meditação. Essas se encontram entre as suas mais belas obras.

Uma das celas do mosteiro de São Marcos apresenta um mural intitulado “Anunciação” (ver figura acima à esquerda) em que o frade mostra sua habilidade a respeito da perspectiva. O claustro, onde a Virgem encontra-se ajoelhada, mostra como o artista fez uso perfeito desse método. Ele narra a história bíblica com simplicidade e beleza. Abre mão de qualquer demonstração exagerada de modernidade, embora conhecesse muito bem as inovações que Masaccio e Brunelleschi introduziram na arte.  É possível que tenha nascido daí o arrebatamento que suas pinturas repassam a todos os que as veem.

Outro pintor notável desse período foi o florentino Paolo Uccello (1397–1475). Sua obra mais bem conservada é conhecida como “A Batalha de San Romano”— iremos estudá-la brevemente — que alguns acham ter adornado um dos aposentos do Palazzo Medici. A figura do guerreiro caído por terra era sem dúvida de grande dificuldade de execução, ao ser representada em perspectiva, e deve ter causado um grande orgulho ao artista, pois até então nenhuma pintura fora pintada assim.

Vimos que pintores como Fra Angelico faziam uso de inovações, sem abrir mão das regras antigas. Paolo Uccello, por sua vez, mostrava-se inteiramente cativado pelos novos métodos. Contudo, havia artistas, como Benozzo Gozzoli (c. 1421–1497) — ex-discípulo de Fra Angelico — que eram menos ambiciosos em suas obras, trabalhando com leveza, usando os novos métodos, mas sem se preocupar demais com os ensinamentos antigos ou novos, como mostra a pintura intitulada “O Cortejo dos Reis Magos”, obra de Gozzoli que ainda iremos estudar. Seu compromisso, ao usar as novas realizações, era o de tornar mais agradáveis as cenas da vida de sua época.

As descobertas feitas por Donatello (escultor) e por Masaccio (pintor) no campo das artes expandiram-se, chegando até outros pintores de cidades ao norte e ao sul de Florença, deixando os artistas ávidos por implementá-las em suas criações. Dentre esses estava Andrea Mantegna (1431–1506) que havia trabalhado na cidade universitária de Pádua e posteriormente na corte dos duques de Mântua. É lamentável que uma série de murais, narrando a lenda de São Tiago — pintados por ele numa igreja de Pádua —, tenha sido quase que totalmente danificado por bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Encontravam-se entre as obras mais celebradas de todos os tempos.

Mantegna tentava imaginar o mais claro possível como seria a cena de sua composição, se caso essa fosse real. Era exigente com aquilo que chamava de realidade. Além de importar-se com a essência da história a ser expressa em seu trabalho, interessavam-lhe as circunstâncias externas. Buscava reconstituir a cena como imaginava que essa tivesse acontecido. Para melhor se exprimir, fez um estudo de monumentos clássicos, para dar mais realidade a seus trabalhos. Observem a beleza da cena acima.

Piero della Francesca (c.1416–1492) foi outro importante pintor italiano. Enquanto Mantegna introduzia os novos métodos de arte no norte da Itália, ele fazia o mesmo na região ao sul de Florença. O artista detinha total domínio da arte da perspectiva, assim como o do tratamento da luz (praticamente inexistente na obra dos artistas medievais, com suas figuras planas que não projetavam sombras). A ilustração intitulada “O Sonho do Imperador Constantino” (gravura ilustrativa à direita) é um detalhe de um afresco criado por ele em cerca de 1460 (século XV).

A pintura em questão narra a lenda que diz respeito ao sonho que levou Constantino a aceitar a fé cristã. A cena é representada à noite, quando o soberano encontrava-se dormindo em seu catre de campanha, antes de uma batalha. Sua tenda está aberta e seu guarda pessoal está sentado próximo a seu leito, encontrando-se dois soldados de sentinela. Um relâmpago ilumina o lugar, quando um anjo desce do Céu trazendo na mão o símbolo da Cruz. Observem o efeito da luz do relâmpago na tenda.

Ainda sobre a pintura acima, Piero apresenta seu total domínio da arte da perspectiva, além de ter sido ousado na forma dimensional do anjo que chega a desorientar-nos. A tudo isso ele acrescentou o tratamento da luz que ajudou a moldar as formas das figuras, o que é também importante para a perspectiva, pois repassa a ilusão de profundidade. O soldado da frente apresenta-se como uma silhueta escura diante da abertura iluminada da tenda, mostrando a distância em que se encontra do guarda pessoal do imperador, cuja figura é iluminada pelo clarão emanado pelo anjo. O jogo de luz e sombra cria um clima de mistério naquela noite tão especial em que o monarca iria mudar toda a trajetória da história da humanidade.

Nota:
Perspectiva linear — espaço tridimensional representado matematicamente sobre o plano bidimensional de um quadro. Sua técnica exata foi descoberta pelo escultor Filippo Brunelleschi.

Exercício:
1. O que você sabe sobre Fra Angelico?
2. Qual a importância de Piero della Francesca como pintor?
3. Mantegna – SÃO TIAGO A CAMINHO DA EXECUÇÃO

Ilustração: 1. A Anunciação (c.1440), obra de Fra Angelico / 2. O Sonho de Constantino (c. 1460, obra de Piero della Francesca.

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich

A PESCA MILAGROSA (Aula nº 41 A)

Autoria de LuDiasBH

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Outro importante nome da pintura que, a exemplo de Masaccio e Jan van Eyck, tentou repassar em suas obras a realidade, como essa se mostra aos olhos, foi o alemão Konrad Witz (c.1400-1446). A composição que ora estudamos tem sido descrita como a primeira paisagem topográfica na pintura do norte europeu. Ele não se contenta a representar o mar de Tiberíades com uma série convencional de linhas onduladas, como faziam os pintores medievais. Ele imagina como deve ter acontecido a presença de Jesus nas águas ao encontrar os pescadores. Ele pinta uma paisagem real. Segundo o Prof. E. H. Gombrich, “Talvez se trate da primeira representação exata, o primeiro ‘retrato’ de um panorama jamais tentado”. Ele também pintou pescadores de verdade, homens rudes do povo, meio desajeitados, buscando manter o barco em equilíbrio. Primeiramente é necessário acessar o link Konrad Witz – A PESCA MILAGROSA e ler o texto com muita atenção, sempre voltando a esse quando se fizer necessário.

Obs.: Enriqueça a sua capacidade interpretativa das obras de arte acessando o link acima. Faz-se necessário ler o texto integralmente!

  1. A composição em estudo possui uma temática:

    1. mitológica
    2. religiosa
    3. histórica
    4. científica

  2. Suas figuras esculpidas e o seu interesse…………………….. da paisagem de fundo, tornam-no um dos nomes importantes da arte renascentista.

    1. pela perspectiva e pelo realismo
    2. pelo esboço e pela imaginação
    3. pelo classicismo e pela fidelidade
    4. pela arte egípcia e pelas convenções

  3. A composição bíblica A Pesca Milagrosa é tida como uma obra-prima do artista em razão……………………. presente na paisagem.

    1. do colorido intenso
    2. dos variados tons de verde
    3. da modernidade do tratamento
    4. da posição do barco

  4. A cena é transposta do mar da Galileia para o………….. nos arredores de Mont Blanc com o Petit Salève do outro lado do lago.

    1. Lago Léman
    2. Lago Ness
    3. Lago de Constança
    4. Lago de Genebra

  5. A transposição permitiu ao artista usar sua observação das características………….. reais, ao invés de trabalhar com a imaginação, como fizeram outros pintores.

    1. celestes
    2. topográficas
    3. vegetativas
    4. aquáticas

  6. Todas as alternativas abaixo estão corretas, exceto:

    1. Jesus Cristo acompanha a pesca de seus doze apóstolos no lago.
    2. Quatro dos apóstolos retiram a rede com peixes da água.
    3. Dois discípulos — um em cada ponta do barco — remam.
    4. Pedro encontra-se na água caminhando em direção ao Mestre para saudá-lo.

  7. É possível ver……………… de Pedro dentro da água clara.

    1. as mãos
    2. os braços
    3. as pernas
    4. as vestes

  8. A auréola que circunda a cabeça de Cristo e seus seguidores simboliza sua……….

    1. humanidade
    2. bondade
    3. humildade
    4. divindade

  9. A imagem de Cristo não reflete na água como indicativo de que………………

    1. uma nuvem protege seu corpo
    2. não está sujeito às leis da natureza
    3. encontra-se muito distante da água
    4. seu manto confunde-se com a água

  10. A técnica usada pelo artista foi:

    1. têmpera sobre madeira
    2. óleo sobre madeira
    3. têmpera sobre tela
    4. óleo sobre tela

Gabarito
1.b / 2.a / 3.c / 4.d / 5.b / 6.a / 7.c / 8.d / 9.b / 10.a

Obs.: Conheça mais sobre a vida do artista acessando o link abaixo:
Mestres da Pintura – KONRAD WITZ

 

ESCOLAS DE ARTE NO SÉCULO XV (Aula nº 41)

Autoria de LuDiasBH

        

A valorização dos artistas, graças ao crescimento das cidades, foi fundamental para que a arte fosse olhada sob um novo prisma. Eles não eram mais vistos como simples prestadores de serviços ou pessoas de quem nem se sabia o nome, sendo que nem mesmo assinavam suas obras. Em razão dessa valorização o século XV viu brotar uma série de variadas escolas de arte. Elas surgiam em quase todas as cidades — fossem elas grandes ou pequenas — da Itália, de Flandres e da Alemanha. Eram motivo de orgulho para seus citadinos. Contudo, é bom saber que a palavra “escola” é um tanto equivocada para o que realmente acontecia, uma vez que naquela época não havia escolas de arte, onde jovens alunos ali pudessem frequentar suas aulas.

Ao mostrar seu desejo de ser pintor, a família do interessado pleiteava a colocação do filho como aprendiz na casa de um dos mestres da cidade. Quanto mais rica ela fosse, mais renomado seria o mestre escolhido. O garoto passava a morar com seu mestre e sua família, sempre atendendo ao que lhe fosse solicitado, fazendo de tudo para se mostrar útil e cair nas suas boas graças. Dentre as suas tarefas a serem executadas na oficina estavam: triturar o material para a obtenção das cores e ajudar na execução de painéis de madeira ou telas.

Depois de certo tempo, o aprendiz passava a fazer trabalhos sem importância, como a pintura de um pau de bandeira, por exemplo. Quando o mestre se via sob o peso de muitas encomendas, ordenava que o principiante o ajudasse no acabamento das partes mais fáceis das obras (pintar o fundo já delineado previamente na tela, acabar a pintura das roupas dos personagens secundários numa cena, etc.). À medida que o aprendiz ia expandindo seu talento, sendo capaz de imitar o modo de pintar de seu mestre, ele ia recebendo, gradualmente, tarefas mais complexas, como pintar um quadro em sua totalidade a partir do esboço feito pelo mestre e com a sua supervisão. Jamais recebia remuneração pelos serviços feitos.

Era exatamente assim que as “escolas de pintura” do século XV funcionavam. Eram excelentes centros de aprendizado, saindo dali alunos excepcionais. Essa forma de ensinar também contribuiu para desenvolver uma acentuada individualidade, sendo possível ao historiador de arte, ao analisar uma pintura desse período, saber de qual cidade era originária, a qual fase do Renascimento pertencia e, muitas vezes, descobrir até mesmo quem foi o mestre desse ou daquele pintor. E por falar em fases, é interessante saber que o Renascimento costuma ser dividido em três fases: trecento — referente ao século XIV; quattrocento — referente ao século XV; e cinquecento — referente ao século XVI.

A cidade de Florença/Itália (primeira ilustração acima) foi a grande responsável pelo início da revolução na arte. Masaccio, Brunelleschi e Donatello deixaram um maravilhoso legado do qual fez uso a geração que se seguiu, o que nem sempre era fácil, uma vez que muitos clientes faziam encomendas que ainda se mostravam inalteradas, ou seja, não haviam passado por transformações desde o período anterior, como casas e palácios. Foi o arquiteto florentino Leon Battista Alberti (1404–1472) quem encontrou a solução que é usada até os dias de hoje pela arquitetura.

A ilustração central acima mostra um palácio, construído por Leon, para uma família de ricos moradores florentinos. Ele projetou o edifício com três andares, mantendo-se fiel aos métodos de Brunelleschi e ornamentando a fachada com formas clássicas. Pintores e escultores da Florença quatrocentista muitas vezes tiveram que adequar os novos métodos aos da antiga tradição, ou seja, foi preciso que mestres de meados do século XV tivessem que misturar o velho e o novo, as tradições góticas e as formas modernas.

O escultor italiano renascentista Lorenzo Ghiberti (1378–1455) — pertencente à geração de Donatello — é tido como o maior desses mestres florentinos capazes de harmonizar as novas realizações com a antiga tradição, como mostra sua obra “O Batismo de Cristo”, conforme descrição encontrada no link abaixo. Além disso, ele permaneceu leal a algumas ideias da arte gótica, embora continuasse buscando inovações artísticas. Ele também era fundidor em metal.

Exercício:
1. Qual foi o resultado da valorização do artista no século XV?
2. Como se dava o aprendizado de um candidato a pintor?
3. Lorenzo Ghiberti – O BATISMO DE CRISTO

Ilustração: 1. Florença no século XV / 2. Palazzo Rucellai (1460), obra de Leon Battista Alberti / 3. Pintura de afresco e trituração de cores, c. 1465

Fonte de pesquisa
A História da Arte / Prof. E. H. Gombrich