Recontada por Lu Dias Carvalho
Quando o mundo começou, só existia um único casal, que passava o maior tempo cuidando da roça, onde plantava os produtos necessários para o sustento dos dois. Em volta do homem e da mulher, a natureza, com seus animais e plantas, tomava conta de todo o espaço, na maior exuberância. A Terra era um paraíso esplendoroso.
O casal gostava muito do milho, e, por isso, plantava-o sempre. Quando seco, debulhava espiga por espiga e armazenava os grãos em pequenos balaios feitos de cipó, que eram guardados com muito cuidado. Mas logo começou a notar que os patuás estavam desaparecendo um após o outro. Como não havia outras gentes, só poderia ser um bicho qualquer, que gostasse de viver debaixo da terra, como a cotia, o tatu ou a formiga. E assim, o homem e a mulher puseram-se de tocaia para pegar o gatuno.
Qual não foi a surpresa de marido e esposa ao notarem que eram gentes que viviam debaixo da terra, e não bichos a roubarem-lhes o milho? Elas espichavam o braço e enfiavam a mão por um buraco, afanando os balaios. O casal pôs o ouvido na terra e até escutou a conversa deles, disputando o alimento. Também descobriu a passagem para o mundo subterrâneo, que ficava oculta por uma gigantesca pedra. Compadecidos, os dois conseguiram remover um pouco a pedra, de modo que as gentes pudessem passar, ainda que esprimidas. Elas eram muito esquisitas, sem nenhuma parecença com o casal.
Após fechar o buraco, o homem começou a dar um conserto naquelas pessoas estranhas, dividindo-as em vários grupos. E depois ensinou uma língua e um modo de ser, diferentes, a cada um. Eles foram enviados para cada parte do mundo, para viverem nas florestas, em harmonia com os bichos e com as plantas. Eram os índios. Tudo foi maravilhoso, até o aparecimento dos brancos.
Nota: imagem copiada de comandoestrelinha.ning.com
Views: 11


Deixe um comentário