Antonello da Messina – VIRGEM DA ANUNCIAÇÃO

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 Autoria de Lu Dias Carvalho

                

A pintura denominada Virgem da Anunciação é uma obra do pintor italiano Antonello da Messina. Esta composição vem encantando as pessoas através dos tempos, sobretudo, pelo fato de o pintor usar uma reduzida paleta, formas bem simples e gestos comedidos e ainda assim transpor para sua obra um grande envolvimento emocional. Antonello estudou as obras de Piero della Francesca, o que fica aparente nesta composição, em relação à severidade da geometria empregada.

A Virgem usa um vestido azul-escuro, que pode ser visto através da gola e de seu braço esquerdo. Um manto azul cobre-lhe a cabeça, descendo pelos ombros, sendo que suas dobras convergem para suas mãos e para a dobra do livro. Abaixo do manto, ela usa uma touca fina que cobre seus cabelos. Seu olhar está direcionado para a esquerda, onde se encontra o Anjo da Anunciação. É esse o motivo de ter abandonado a leitura de seu livro de orações.

Um parapeito inclinado, forrado com uma faixa de damasco (tecido de seda encorpada de uma só cor com fundo fosco e desenhos acetinados) ampara o livro aberto, à direita, assim como um volume com capa vermelha, à esquerda, que repousa sobre o mármore amarelo. É possível que esta obra seja a metade de um díptico, sendo que o outro painel representava o Anjo da Anunciação. É uma pena que a superfície do quadro tenha perdido o esmalte, encontrando-se meio danificada.

Poucos anos depois desta obra, Antonello da Messina pintou a famosa “Virgem da Anunciação” (figura à direita), tida como uma das mais famosas pinturas da Sicília, Itália. Encontra-se na Galleria Regionale della Sicília, em Palermo, na Itália.

Ficha técnica
Ano: 1473
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 43 x 32 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

Views: 26

O CRISTO PANTOCRATOR

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Autoria de Matias José Ribeiro

“O Cristo Pantocrator”, de Wilma Steagall De Tommaso, lançamento da editora Paulus, leva o leitor a uma fascinante aventura pela história da arte no cristianismo. No livro, “o mundo que [se] cria é o mundo das representações de Cristo como Senhor do Mundo, mais especificamente, o famoso ícone bizantino do Cristo Pantocrator.” (Luiz Felipe Pondé)

No Brasil só os iniciados sabem o que é o “Cristo Pantocrator”, o tipo iconográfico mais propagado e um dos mais significativos para a fé cristã, aquele que apresenta Jesus Cristo como Mestre Soberano de todas as coisas. Da mesma forma, raros são os que fazem distinção entre “arte sacra” e “arte religiosa”. Entre nós, é como se fosse tudo uma coisa só.

  “O Cristo Pantocrator: Da origem às igrejas no Brasil na obra de Cláudio Pastro”, livro escrito pela pesquisadora Wilma Steagall De Tommaso, agora lançado pela Paulus, lança fortes luzes sobre essa questão. Em sua narrativa, a autora remonta às origens mais antigas da Igreja e do cristianismo. Percorre mais de dois mil anos de história para traçar um amplo apanhado de tudo que permeia as histórias da religião e da arte cristãs – até chegar ao Brasil contemporâneo através de análise da obra de Cláudio Pastro (1947-2016), o maior artista sacro brasileiro, aquele que, já nos anos 1980, realizava “Pantocrators” no Brasil.

 Com elevado rigor científico e precisão teológico-histórica, Wilma De Tommaso revela o significado do tipo iconográfico “Cristo Pantocrator” e sua função como arte sacra litúrgica. Ao mesmo tempo, explicita os diferentes caminhos que levaram à dicotomia “arte sacra” e “arte religiosa”. Conta que, em determinado momento da história, houve certo “esquecimento” do “Pantocrator” do tipo bizantino ou românico – que retrata Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Este foi sendo substituído, na arte das igrejas do Ocidente, pela imagem do “Cristo Servo Sofredor”, o crucificado, tendência que se disseminou a partir do período renascentista e chegou ao Brasil através do barroco e do rococó, no período colonial.  Por outro lado, acrescenta a autora, desde o final do século XIX a arte do ícone vem despertando em todo o mundo um interesse cada vez maior. Inclusive, mais recentemente, também no Brasil.

 “O Cristo Pantocrator”, de Wilma Steagall De Tommaso, está estruturado em cinco partes: “A gênese da arte cristã”, “A arte românica”, “O Pantocrator”, “Da Contrarreforma Católica ao Concílio Vaticano II” e “Um Pantocrator brasileiro: a obra de Cláudio Pastro”.

 A obra tem prefácio de Luiz Felipe Pondé e texto de apresentação pelo Padre Valeriano dos Santos Costa. São substanciosas 296 páginas, ilustradas por 60 imagens e complementadas por centenas de notas explicativas, extensa bibliografia de referência e um utilíssimo glossário.

Informações sobre o livro:

Título: O Cristo Pantocrator: Da origem às igrejas no Brasil, na obra de Cláudio Pastro
Autor: Wilma Steagall De Tommaso
Prefácio: Luiz Felipe Pondé
Apresentação: Pe. Valeriano dos Santos Costa
Editora: Paulus

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Vitale de Bologna – MADONA E MENINO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O painel denominado Madona e Menino é obra do pintor italiano Vitale de Bologna (c.1300/1310 – 1360), que viveu no início do Renascimento. O artista vem sendo redescoberto no estudo da arte, num reconhecimento ao seu excepcional trabalho. O pintor foi educado na Universidade de Bologna, tendo mantido sua herança romanesca e recebido grande influência de Giotto. Também se interessou por outras correntes tendo, inclusive, adotado elementos góticos em seu maravilhoso trabalho.

A composição acima faz parte dos primeiros anos de maturidade do artista e lembra-nos os trabalhos de Simone Martini. A Virgem detém seu crescido Menino na altura de seus ombros,  segurando-o com a mão direita que mostra seus longos dedos envolta do tronco do pequenino, enquanto, com a esquerda, sustenta seu corpinho. Ela veste um manto azul-marinho, salpicado de estrelas douradas. Seu olhar está voltado para o observador. O Menino Jesus, com um pequeno manto a cobrir-lhe o corpo, deixando o tronco e barriga de fora, olha para a esquerda e levanta os dois dedinhos em postura de bênção.

Quatro devotos encontram-se à esquerda, em segundo plano. A presença de açoites nas mãos leva-nos a crer que sejam penitentes.

Ficha técnica
Ano: c.1355
Técnica: painel
Dimensões: 98,5 x 76,5 cm
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Giovanni di Paolo – NATIVIDADE

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O painel denominado Natividade é obra do pintor italiano Giovanni di Paolo (c.1403 – 1482) que viveu no início do Renascimento. Seu estilo era próprio da refinada Escola de Siena do século XV, sendo um dos mais importantes pintores dessa época. Era um narrador exótico de acontecimentos. Privilegiava não apenas o evento, mas o tempo, as pessoas e as coisas, descritos de uma maneira contrária à razão. Sua arte, muitas vezes fantasiosa, sem nenhuma preocupação com a perspectiva, tornava seus quadros meio expressionistas. Foi esquecido após sua morte, mas seu nome renasceu no século XX.

Na obra em questão, o artista criou uma penumbra e permitiu que todos os elementos da composição ali flutuassem. Ao ar livre, na parte central do painel, estão presentes os principais personagens. A Virgem Maria, ajoelhada diante de seu Menino e coberta por um manto azul, traz a cabeça ornada por um grande halo dourado.  O pequeno Jesus, deitado nu sobre um círculo dourado que parece suspenso pelo capim iluminado, divide a composição ao meio. À direita, José, esposo de Maria, dorme encostado a um arbusto. Seu manto e halo dourados contrastam com o cor-de-rosa de sua túnica que se assemelha à cor das rosas espalhadas pela painel, à direita e à esquerda. Sua mão direita retém o cajado que se prende ao tronco. Não há comunicação entre as figuras que se mostram isoladas.

Em segundo plano, dentro de uma gruta, um burro come numa manjedoura, tendo à frente um boi avermelhado, deitado na relva. Montes de rosas ultrapassam a edificação e parecem despencar sobre o frágil telhado, à esquerda, debaixo do qual se encontram duas mulheres sentadas. Na parte superior da composição, à direita, dois pastores recebem a visita de um anjo, envolto num círculo de luz, que lhes avisa sobre o nascimento de Jesus. Um cão branco acompanha o olhar dos pastores, levantando a cabeça em direção ao anjo. Montes escuros e um céu azul complementam a cena.

Ficha técnica
Ano: c.1436/40
Técnica: painel
Dimensões: 40,5 x 33 cm
Localização: Museus do Vaticano, Roma, Itália

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Fra Angelico e Fra Filippo Lippi – A ADORAÇÃO DOS MAGOS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição em forma circular (tondo), intitulada A Adoração dos Magos, tida como uma das mais belas pinturas florentinas conhecidas, deslumbrante em suas cores e cheia de movimentos, sendo, portanto, uma obra-prima, é atribuída a dois grandes pintores italianos: Fra Angelico e Fra Filippo Lippi, uma vez que tem sido difícil precisar qual dos dois foi o autor da obra. Os críticos de arte mais recentes preferiram creditar aos dois artistas o painel, ou seja,  acreditam que este foi feito numa parceria entre os dois grandes mestres, pois é fácil distinguir a contribuição de cada um deles, ambos donos de grande afinidade espiritual. É também possível que Fra Angelico tenha dado início ao painel que ficou inacabado e, após a sua morte, cerca de 20 anos depois, Fra Filippo Lippi tenha terminado-o. Acredita-se que assistentes da oficina dos dois mestres tenham ajudado.

Dentre os temas mais representados pela iconografia cristã está em primeiro lugar aquele que se refere à crucificação de Cristo e em segundo o nascimento de Jesus, como representado na obra dos dois religiosos dominicanos, mostrando inúmeros personagens que já se encontram ou se dirigem para o local onde se encontra o Menino Jesus. Dentre eles estão os Reis Magos. Três pastores, com suas vestes pobres, encontram-se próximos a São José, estando um atrás dele e dois à sua direita, próximos ao estábulo. São tantas as pessoas em visita ao Menino — algumas a pé, outras montadas em cavalos ou camelos — que quase se fecha o círculo.

A Sagrada Família encontra-se ao ar livre, à esquerda, estando a Virgem Mãe, com seu rosto delicado, sentada com seu Menino Jesus no colo e seu esposo José, de pé, à sua esquerda. Os Reis Magos, ajoelhados diante de Maria e de seu Filho, entregam seus presentes. Atrás deles encontra-se um imenso séquito. Mais para o centro da composição está a estrebaria, próxima a uma construção em ruínas. Ali ocorreu o nascimento do Salvador, mas a manjedoura é vista fora do estábulo. São vistos um burro e um boi ao ar livre e cinco cavalos sob os cuidados de quatro cavalariços, dentro da estrebaria. Acima, no telhado da construção, encontram-se um pavão, meio fora da escala, e um casal de faisão, que deve ser visto como se estivesse em voo. Deitado em primeiro plano, olhando para trás, está o que parece ser um cão.

Alguns significados presentes na obra:

  • O pavão simboliza a imortalidade da criança, pois sua carne era tida como incorruptível.
  • O casal de faisões simboliza a vitória de Cristo sobre a morte.
  • Os nus presentes nas ruínas, ainda não muito bem compreendidos, podem representar o acolhimento dos marginalizados pela nova fé.
  • A arquitetura em ruínas refere-se ao fim do paganismo com o nascimento de Cristo.
  • O homem de vermelho, à esquerda, com os olhos espantados voltados para o céu, alude à presença da estrela que guiou os Reis Magos.
  • As sementes de romã, presentes na mão esquerda do pequeno Jesus, simbolizam o acolhimento das almas dos crentes pela Igreja.

Ficha técnica
Ano: c.1445
Técnica: painel
Dimensões: 137 cm de diâmetro
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA


Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirado
https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.41581.html

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Van Dyck – MARQUESA ELENA GRIMALDI

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Autoria de Lu Dias Carvalho

A composição intitulada Marquesa Elena Grimaldi Cattaneo é uma obra-prima do pintor flamengo Anthony van Dyck, o mais talentoso discípulo e ajudante do pintor francês Peter Paul Rubens, de quem herdou o talento na representação da textura e superfície das figuras. Ele também veio a transformar-se num dos pintores retratistas mais procurados da Europa. Esta obra é um dos muitos retratos da nobreza genovesa, pintados pelo artista, quando esse se encontrava na Itália, que chama a atenção, sobretudo, pela elegância.

A sofisticada marquesa encontra-se no terraço de seu palácio, protegida por um guarda-sol, sob um céu de nuvens densas. Seu rosto está voltado para o observador, encarando-o com certo orgulho. Nota-se que ela é extremamente alta. A sua estatura desproporcional também tem por objetivo mostrar a sua importância e sofisticação. Ela se encontra luxuosamente vestida. Usa um suntuoso e longo vestido preto, enfeitado com uma gola de rufos, botões dourados e punhos vermelhos que diminuem a austeridade de sua vestimenta, além de destacar suas finas mãos. A marquesa traz na mão direita um raminho de flores de laranjeira, numa alusão à sua castidade. Tem os cabelos presos com enfeites dourados no coque.

Um pajem negro de olhar triste e semblante fechado segura o pomposo guarda-sol vermelho brilhante, postado num ângulo oblíquo que, além de amplificar o tamanho da marquesa, formando uma espécie de auréola sobre sua cabeça, também serve para equilibrar a falta de massa da composição, em sua parte superior, e também para suavizar as verticais, presentes na colunata dourada, às costas dos dois personagens. O servo negro é também uma alusão ao tráfico de escravos que ainda existia na Itália, devendo o artista ter se inspirado nas obras de Ticiano, a quem muito admirava, e que retratou negros em suas telas.

Uma paisagem desenrola-se ao fundo, onde são vistas as montanhas e resto de edificações sob um céu nublado.

Ficha técnica
Ano: c.1460
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 37 x 27 cm
Localização: Galeria Nacional de Art, Washington, EUA

Fontes de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.nga.gov/content/ngaweb/Collection/art-object-page.1231.html

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