A ESCRAVIDÃO POR DÍVIDAS

Autoria de LuDiasBH

colo.

A palavra “draconiano” deriva do nome do legislador grego Draco, que em 621 AEC* codificou leis sobre a escravização de devedores. (Steven Spinker)

A “escravidão por dívida” vem desde os tempos clássicos e bíblicos. A pessoa que contraía uma dívida e não tinha meios de quitá-la, tanto podia ser presa ou escravizada, e até mesmo supliciada, ou seja, receber a pena de morte. Tudo ia depender da boa vontade de seu credor. Mas a partir do século XVI, aqueles que se encontravam em débito com outrem já não mais eram escravizados ou executados, mas iam para o xilindró, onde tinham que pagar a própria comida, mendigando através das janelas das cadeias. Nem é preciso dizer que a maioria morria de inanição, principalmente mulheres. As dívidas eram, muitas vezes, insignificantes. Tal prática acabou sendo abolida nos EUA, entre 1820 e 1840, e na maioria dos países europeus, entre 1860 e 1870. Mas a “escravidão por dívida” ainda é praticada em vários países do mundo, onde a Justiça fica a desejar, ainda que a Constituição tenha tal prática como crime.

No Brasil, principalmente nos Estados mais pobres da federação, isso ainda é muito comum, pois o poder de fiscalização é praticamente nulo. O mais triste é ver que políticos, que deviam fazer cumprir as leis do país, não o fazem, e grandes latifundiários descumprem a legislação vigente sem pagar por isso.  O indivíduo passa a trabalhar para um determinado patrão, só podendo comprar alimentos e outros bens das próprias mãos do empregador, por um preço duas a três vezes maior do que o do mercado, o que só faz aumentar a sua dívida com o tal senhor. E somente poderá deixar o suposto emprego após zerar o seu débito com ele, fato que nunca acontecerá, pois o que ganha jamais será capaz de pagar aquilo que deve, contabilizado com juros e correção monetária, numa cruel matemática. A vítima e sua família entram duplamente na “dívida de cabelos brancos”, pois essa se torna impagável, deixando o devedor prisioneiro,  até que seus cabelos estejam “embranquecidos pela idade.”. Nesse tempo, o pobre endividado não agregou um vintém à sua melhoria de vida. E, quando morre, os filhos ficam devedores das dívidas dos país, numa cruel roda viva. Para impedi-los de deixar o local, jagunços espalham-se pela herdade, sendo o tiro certeiro o responsável pela deserção.

Outro campo muito conhecido do trabalho forçado ou “escravidão por dívida” é o da prostituição clandestina. Muitas mulheres e homens deixam seus Estados ou países de origem em busca de trabalho nos grandes centros, e acabam em mãos de bandidos que os exploram. Ali tornam-se joguetes de cafetões que empregam o mesmo sistema descrito acima. Portanto, é sabido que a escravidão e seus tentáculos não foram extintos totalmente até o século em que vivemos. Volta e meia a mídia mundial põe em foco o expediente do trabalho forçado aqui e ali. E, infelizmente, não podemos deixar de dizer que o nosso país  está nos noticiários relativos a tal abominação. A Justiça, na maioria das vezes, faz ouvidos de mercador, pois constrange-se a punir os “grandes”, isso quando não se encontra apaniguada com eles. Tudo isso nos faz voltar aos tempos bíblicos, no pior sentindo. Resta-nos, portanto, contar com a vigilância de nações que prezam suas leis, onde predomina a Revolução Humanitária, pois pelas bandas de cá, e de muitos outros países, a “escravidão por dívida” faz parte dos Tempos Contemporâneos.

Nota: Colonas, obra de Di Cavalcanti

*AEC (Antes da Era Comum) é um termo usado por aqueles que querem evitar qualquer tipo de nomeclatura religiosa.

Fonte de pesquisa
Os anjos bons de nossa natureza/ Steven Pinker

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Ceruti – MENINO COM CESTO

 Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor italiano Giacomo Ceruti (1698 – 1767) foi um famoso artista lombardo em sua época. Pintava retratos e obras religiosas, mas as suas representações de pessoas comuns, mostrando como viviam, tornaram-no ainda mais conhecido. Ao retratar as pessoas de classe social baixa, fato incomum à época, trazia a público o modo miserável como elas viviam, criando assim um novo gênero de pintura. Em razão disso, ele foi apelidado de “Pequeno Pedinte” ou “Pequeno Mendigo”. Ao retratar as gentes de classe pobre é possível imaginar que o pintor fosse comprometido com as pessoas do povo, o que não corresponde à verdade.  A ele agradava apenas o lado pitoresco da ralé. Contudo, suas “pinturas de mendigo” servem de registro histórico para a comprovação da miserabilidade em que viviam as classes marginais da época.

A composição Menino com Cesto, também conhecida como Rapaz Carregando Cesto, ou ainda O Carregador, mostra uma imagem realista. Um garoto, aparentemente na sua fase juvenil, encontra-se sentado no que parece ser uma pedra partida ao meio (ou seria um tronco?). Ele usa roupas velhas e tem os pés descalços. Uma velha touca cinge-lhe a cabeça. Traz às costas um enorme balaio de vime, com a alça em volta de seu pescoço e ombro esquerdo. Pendurado em seu braço esquerdo está um cesto com ovos. No seu colo repousam dois galináceos, presas pelos pés. O menino pobre fixa intensamente o observador, sem esboçar qualquer sorriso.

Esta pintura mostra a vida de privações em que vive o garoto,  apesar de não ter sido essa a intenção do pintor. O pequeno vendedor ambulante parece descansar de seu cansativo trabalho, buscando forças para levá-lo a cabo, pois a família miserável espera pelos trocados.

Ficha técnica
Ano: ?
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 95 x 130 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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Filme – PONTE PARA TERABÍTIA

Autoria de Lúcio Escobar*

Em vários anos de conhecimento e estudo sobre a clínica psicanalítica, confesso impressionado que ainda não tinha visto um filme que explanasse com riqueza de detalhes os processos decorrentes da clínica psicanalítica. Utilizando a linguagem cinematográfica, Gabor Csupo, diretor da segunda adaptação para o cinema, deu vida a um clássico da literatura americana, da autora Katherine Paterson, Ponte para Terabítia (2007). Trata-se de um filme que fala sobre a amizade de Leslie Burke e Jesse Aarons, dois estudantes do quinto ano, que criam um bosque mágico, ao qual dão o nome de Terabítia, e onde vivem muitas aventuras. Esse filme é na realidade o relato extraordinário de um caso clínico, demonstrando, através de seu enredo de forma sintetizada, todo o processo analítico de crianças e adolescentes, iniciando-se na solicitação do tratamento, a autorização e início, as resistências, interpretações,  direcionando-se para o reconhecimento pelo analisando do final da análise, rumo a uma postura mais segura e confiante diante das adversidades da vida. Todos aqueles que estiverem se dedicando ao estudo sério da psicanálise, irão poder observar os referidos processos de uma forma tocante, que os marcará profundamente, deixando claro o grande objetivo do tratamento, que é trazer novamente o brilho da vida e o potencial criativo, dando assim a possibilidade da continuação da existência de forma mais plena.

Para facilitar o entendimento do filme e a visualização dos processos, eu vou intercalar o enredo (EN) com as observações clínicas (OC) em itálico. É importante que o filme tenha sido assistido pelo menos uma vez, para que fique mais claro o entendimento.

(EN) – “Ponte para Terabítia” conta a história de Jesse Aarons, um garoto do interior dos Estados Unidos, muito tímido e solitário, que sofre “bullying” na escola, meio rejeitado pelo pai e o único garoto de uma família pobre de cinco filhos. May Belle, sua segunda irmã mais nova, parece ser a única pessoa que gosta dele.

(OC) – Jesse é um garoto com sérios problemas emocionais, que adoeceu devido a grande confusão e desorganização familiar, onde os pais, por focarem nos problemas financeiros e na sobrevivência vegetativa, estavam sempre ausentes emocionalmente. O pai severo está sempre cobrando dos filhos responsabilidades e ajudas nas tarefas da casa. A mãe, juntamente com o pai, está sempre cansada demais para prestar atenção em outra coisa que não o básico para a manutenção.

Timidez e solidão são os sintomas externos além do que hoje poderia ser diagnosticado como o famoso “déficit de atenção” que na realidade escondia outros problemas estruturais mais sérios, que tinham como causa principal a negação da subjetividade e da autoexpressão de Jesse que, perante o “bullyng” sofrido na escola, era sempre passiva, aceitando sem reclamar ou revidar as agressões sofridas, buscando a evitação das situações e, quando não podia, a fuga era sempre a melhor escolha. Desenvolveu por isso a habilidade de correr, sempre vencedor dessa modalidade de esporte, destacando-se como um momento raro em que se sentia bem, e quando se podia notar um resquício de prazer, mesmo por pouco tempo. Seu adoecimento não deixava que nem ao menos distinguisse no seu lar as pessoas que ligavam ou não para ele, sendo incapaz de demonstrar sentimentos. Gostava de desenhar, porém, seus desenhos eram ligados a figuras do fundo do mar, representando sua vida num mundo afastado das pessoas. Desenhava peixes e tubarões, porém seus desenhos não tinham um fundo, estavam isolados no papel, demonstrando a falta de contexto, as relações com o meio e as inter-relações.

(EN) – Leslie Burke era uma garota bem moderna, filha única de escritores, aos quais era muito ligada. Antes morava numa cidade grande, mas mudou-se para o campo e acabou vizinha de Jesse. Ela nunca assistira à televisão, pois seus pais achavam que tevê fazia mal ao cérebro.

(OC) – Leslie era uma garota que rompia com os padrões comuns, era autêntica, tinha uma imaginação ativa e herdara dos pais a habilidade da escrita. Possuía uma vida familiar saudável, com demonstração de afetos e valorização da expressão artística e autônoma. Não trazia a alienação legada pela televisão e era bem claro que sua vida não estava embutida na vida de seus pais ou vice-versa. Na trama, ela assume o papel do analista (domínio da linguagem do inconsciente), que após a solicitação de tratamento por parte de Jesse (momento em que ele, na corrida, defende-a, demonstrando interesse pela pessoa dela, que ele juga como possuidora do suposto saber, após ela demonstrar uma possibilidade de aproximação com seu mundo oceânico através de sua redação). Leslie então dá início a uma aproximação que tem como primeira resposta dele a recusa (quando não aperta a mão dela), demonstrando assim os processos de resistência à análise que estaria preste a iniciar.

(EN) – Jesse e Leslie tornam-se amigos próximos, embora ele não tenha gostado muito dela no começo (principalmente porque ela o venceu numa corrida). Essa amizade se formou pelo fato de ambos viverem bem próximos, e também por serem perseguidos pelos valentões da escola, Janice Avery e Gary Fulcher, considerados “esquisitos”.

(OC) – O início da amizade muito próxima simboliza o tratamento analítico, uma relação bem íntima, que vai trazer à tona seus medo e projeções inconscientes. Ela venceu a corrida e é colocada na posição de um suposto saber por ele.

(EN) – Leslie tinha uma imaginação muito fértil, e Jesse, uma grande paixão secreta por desenho. Com essas duas coisas, acabam criando Terabítia, uma terra apenas para eles dois, onde se nomearam rei e rainha, num bosque próximo à casa deles.

(OC) – Terabithia é o local “diferente”, como disse ela, um campo que não era a escola nem a casa dele ou dela. Era um local que simbolizava o “setting psicanalítico”, um reino onde tudo era possível, e onde o inconsciente de Jesse poderia se expressar sem rejeição, julgamentos ou perigos, um local onde os monstros poderiam surgir sem provocar tantos medos, um lugar apenas deles dois (a dupla analítica), onde se nomearam rei e rainha. Ela mostra pra ele que os dois juntos poderiam enfrentar os monstros simbólicos, nomeando-os e criando possibilidades de enfrentamento.

(EN) – Para chegar lá, Jesse e Leslie atravessam um pequeno riacho, numa corda bem grossa, pendurada numa árvore às margens do riacho. No Natal, ele dá para a amiga um cãozinho, a que ela dá o nome de Príncipe Terian (ou P.T.), para ajudá-los a lutar contra os “monstros” que querem roubar Terabítia deles.

(OC) – Para chegar nesse reino, Jesse e Leslie encontram um obstáculo que é um rio, ou seja, a divisão da consciência para um inconsciente por ele até então desconhecido. A corda, eu vou simbolizá-la como as ferramentas técnicas psicanalíticas, que depois daria lugar a uma ponte construída pelo próprio Jesse. Inicialmente, ele demonstra a angústia do início da análise e não consegue entrar no jogo da associação livre, sendo ajudado por Leslie, que inicia lhe emprestando significantes, trazendo-o para um jogo de imaginação. Inicialmente encontra resistências por parte dele, por ter prejudicada sua capacidade criativa e de simbolizar. Mas assim que ele vai se deixando conduzir, e vai cooperando com o processo, o tesouro do inconsciente começa a aparecer. Então surgem primeiramente os guerreiros amigos, que têm a função de ajudá-los, mostrando que ele não estará sozinho para essa missão.

Os monstros vão aparecendo, trazendo consigo traços dos personagens do enredo, onde se vê claramente que Jesse está simbolizando na análise sua situação problema na escola. Junto com Leslie e um cãozinho caçador de monstros, ele vai enfrentando os monstros sem mais evitar ou fugir. Diante de algumas situações na realidade, Leslie faz interpretações psicanalíticas, fazendo uma ponte (daí o nome do filme), ou seja, ensinando-o a construir essa ponte entre sua realidade e o seu mundo inconsciente, mostrando-lhe que assim como ele enfrentou os monstros em Terabítia, ele poderia enfrentar de forma criativa seus problemas.

(EN) – Jesse tem uma paixão platônica pela sua professora de música, Miss Edmunds, que adora os desenhos que ele faz. Um dia, ela o leva a um museu (ele nunca tinha estado em um antes), mas o desenhista não quis convidar Leslie, que resolve ir a Terabítia sozinha. Quando chega a casa, Jesse descobre que sua única e melhor amiga havia morrido afogada, ao atravessar o riacho, pois a corda rebentou-se e ela caiu – naquela época o riacho estava com as águas muito altas – desmaiando e afogando-se ao bater com a cabeça em uma das pedras.

(OC) – No início, a relação de Jesse com sua professora era simplesmente platônica, demonstrando a sua incapacidade e insegurança de aproximar-se do seu objeto de desejo e obter sua gratificação tão sonhada. Inicialmente, com a ajuda de Leslie, ele inicia as primeiras aproximações com a professora, enfrentando a timidez. Aos pouco vai ganhando confiança e começando a se arriscar. Quando aceita o convite da professora para ir a um museu, sem a autorização explícita dos pais (posicionamento autônomo), vai abandonando a posição passiva em relação ao pai, começando a expressar-se mais ativamente, o que é percebido pelo pai e não rechaçado.

Durante o filme é muito interessante ver como os diretores enfocaram bem as melhorias vitais em Jesse. O olho dele vai apresentando mais brilho, seus desenhos começam a representar suas vivências de forma mais completa, com um contexto.  Começa a não mais aceitar as agressões na escola e ver com outros olhos as relações com as pessoas, que não são tão monstruosas como pareciam. Ele vai ao museu sem convidar Leslie, e isso mostra que já começa a se achar pronto para andar com as próprias pernas e lutar pelos seus objetivos. Demonstra mais confiança e maturidade, arrisca-se e começa a experimentar uma vida mais colorida. Vê que pode aprender as coisas de maneira diferente, com alegria, e não só como uma obrigação mórbida pela repressão paterna. Ele começa a desvincular-se da trama neurótica de sua família.

A morte de Leslie simboliza a necessidade de finalização do tratamento e que Jesse agora se encontra pronto para encarar a realidade de forma autônoma. No início com um pouco de angústia, passa depois a se sentir devedor, por não ter convidado sua amiga. Passado o luto da antiga condição, ele começa a se reerguer e construir a ponte, mostrando-se agora apto para amar e aceitar o amor de outras pessoas de forma madura. Sente que é hora de retribuir tudo isso ajudando sua irmã mais nova, levando-a para esse novo mundo, que agora, pela experiência vivida, já domina, deixando a posição de analisando para analista.

*Psicanalista Clínico e Didata, Membro da Sociedade Psicanalítica de Orientação Contemporânea Brasileira

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Rousseau – CRIANÇA COM MARIONETE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Criança com Marionete, também conhecida como A Criança e a Marionete, é uma obra-prima do pintor francês Henri Rousseau. É tida como um dos mais belos retratos de criança da história da pintura. Apresenta uma garotinha, pequena na idade, mas gigantesca no tamanho, que ocupa a parte central da tela. Suas formas rechonchudas e roliças conduzem o observador à arte do artista colombiano Fernando Botero.

A meninha encontra-se em meio a um campo florido, salpicado de margaridas e papoulas. Ela usa a saia de seu vestido branco, dobrada e segura com a mão direita, para arrebanhar as inúmeras flores colhidas. Com a mão esquerda a não tão pequena manipula um boneco (fantoche, mamulengo, briguela, mané-gostoso…), que muitos veem como sendo a representação do próprio artista, o que remete às indagações: Seria ele um pintor ingênuo, uma eterna criança? Ou estaria apenas ocultando uma suposta ingenuidade atrás da máscara de seu pierrô, para assim ser aceito e melhor lidar com o mundo à sua volta, no qual era desdenhado por ser um pintor amador, sem nenhuma formação acadêmica?

Atrás da criança gigantesca, semelhante a uma boneca de porcelana e, que parece chamar a atenção do observador para seu brinquedo, cujas cores estão também contidas nas flores, passa um caminho de terra, dividindo o prado em duas partes.

Ficha técnica
Ano: c.1903
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 100 x 81 cm
Localização: Kunsthalle Winterthur, Winterthur, Suíça

Fontes de pesquisa
Rousseau/ Editora Taschen
http://www.montableau.com/fr/rousseau-henri-enfant-a-la-marionnette-pv2952.html

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Rousseau – UMA NOITE DE CARNAVAL

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Uma Noite de Carnaval é uma obra do pintor francês Henri Rousseau. Com ela ele fez a sua primeira participação no Salão dos Independentes, em Paris, onde se reuniam as obras desprezadas pelo Salão oficial. Para dele participar era necessário apenas o pagamento de um uma pequena contribuição, pouco importando se o artista fosse amador ou se não tivesse qualquer conhecimento teórico sobre arte. Ali se seguia o lema do pintor Gustave Courbet, para quem a arte era um campo democrático que deveria estar ao alcance de todos.

A cena noturna Uma Noite de Carnaval e a pintura “Tarde de Domingo na Ilha da Grande Jatte”, de Georges Seurat, foram as duas obras que mais chamaram a atenção do público e da crítica, à época, embora fossem poucos os julgamentos positivos, alusivos à ingenuidade e originalidade presentes nas duas composições. A maioria das críticas eram desdenhosas, ridicularizando as duas obras.

Muitos críticos achavam que Henri Rousseau, em sua composição, não tinha nada a acrescentar à História da Arte, pois sua obra não passava de uma superfície, onde se postavam uma lua branca, tufos de nuvens em azul-noite, um embaraçado de árvores escuras cobertas de folhas, um pequeno coreto transparente e um casal fantasiado, como se fosse tirado de uma publicidade de chocolate e colado na tela. Achavam também que o artista não passava de um pintor ridículo, cuja capacidade artística igualava-se com a de uma criança de seis anos.

Rousseau chamou este tipo de pintura de retrato-paisagem, em que o retrato vem em primeiro plano e a paisagem apresenta-se ao fundo. Embora a lua apresente-se límpida num céu estrelado, tem-se a impressão de que, por trás das árvores, o sol ainda se encontre em seu ocaso. As duas figuras humanas, em suas fantasias, estão de braços dados, de frente para o observador, como se estivessem sendo fotografadas.

Ficha técnica
Ano: 1886
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 106,9 x 89,3 cm
Localização: Philadelphia Museum of Arte, Filadélfia, Estados Unidos.

Fonte de pesquisa
Rousseau/ Editora Taschen
http://totallyhistory.com/a-carnival-evening

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BRASIL – ESCOLAS DE SAMBA / JULGAMENTO

Autoria de Lu Dias Carvalho cas123

O carnaval é uma das mais animadas festas brasileiras. Muito tempo antes de ter início a festa carnavalesca, as escolas de samba já começam a esquentar seus  tamborins. Elas trabalham com esmero para brilharem nos desfiles, pois a competição é acirrada. Iniciam com os ensaios nos barracões e, posteriormente, com os chamados “ensaios técnicos”, para que possam cronometrar o desfile e fazer o posicionamento das alas. Elas são divididas, em quatro grupos:

  • Grupo Especial (onde estão as principais escolas)
  • Grupo A (grupo de acesso)
  • Grupo B
  • Grupo C

Atualmente, o desfile é feito em dois dias (sábado e domingo), porque houve um grande crescimento no número de escolas. A campeã é declarada, na quarta-feira, logo após a contagem dos votos dos jurados. Também anuncia-se a escola do Grupo Especial que foi rebaixada para o Grupo A. No sábado seguinte, a campeã e as colocadas em segundo, terceiro e quarto lugares, e a primeira do Grupo A, voltam ao Sambódromo para o Desfile das Campeãs.

Dez quesitos são levados em conta, no julgamento das escolas de samba, de acordo com o estabelecido pelo regulamento oficial. São eles:

1-  Bateria
2- Samba-Enredo
3- Harmonia
4- Evolução
5- Enredo
6- Conjunto
7- Alegorias e Adereços
8- Fantasias
9- Comissão de Frente
10-Mestre-Sala e Porta-Bandeira.

Os jurados são indicados pela LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do RJ), de cuja entidade participam trinta membros. E, logo após a escolha, eles passam por um curso de treinamento ministrado pela liga das escolas. Durante o desfile, eles devem permanecer incomunicáveis, dentro de suas cabines, espalhadas pela avenida. Não podem, nem mesmo, fazer uso de celulares. As notas só podem ser reveladas após a apuração dos resultados. Cada nota deve ser justificada por escrito. Cada quesito é avaliado por quatro jurados. Portanto, ao todo, são 40 jurados. E para quem gosta de acompanhar os desfiles das escolas, nada como conhecer um pouco sobre o processa de julgamento dessas:

Comissão de frente – É responsável por saudar o público e apresentar a escola na avenida. Deve se exibir de forma coordenada e criativa. Quedas ou perdas de acessórios, durante o desfile, são levadas em conta pelos jurados. Funciona como a introdução, o preâmbulo da escola. Por isso deve estar em sintonia com o enredo.

Bateria – É o coração pulsante da escola. E, dentro dela muitos quesitos são levados em conta, tais como ritmo, criatividade, capacidade de empolgar os foliões, etc. A criatividade e a versatilidade são fundamentais, assim como a sua cadência, que deve estar em perfeita sintonia com o samba-enredo da escola. De modo geral as baterias estão chegando a um nível tal de perfeição e criatividade que abocanham a totalidade da nota entre os jurados. O diretor de bateria é chamado de Mestre. Ter uma madrinha na bateria não é essencial, mas ajuda a escola a brilhar. Embora conste na bateria um grande número de instrumentos, é o conjunto do som, emitido por eles que é avaliado. A bateria não é julgada pela quantidade de participantes inclusos nela. Aquele recuo que todas (ou quase todas) fazem, já tendo um espaço destinado a elas, assim como a parada, em frente ao local, onde se encontram os jurados, não é obrigatório.

Samba-enredo – Leva-se, em conta, a letra e a melodia do samba. A letra precisa estar em perfeita harmonia com o enredo, sem falar na riqueza dos versos. E deve ser cantado por toda a escola durante o desfile. Na melodia devem constar as características rítmicas inerentes ao samba. Ele também deve ser capaz de ajudar os sambistas a fluírem com facilidade e leveza. Atualmente os sambas têm sido cantados num ritmo muito rápido, talvez pelo tempo exíguo para o desfile. Problemas com o carro de som não tiram pontos da escola.

Harmonia – Leva em conta o entrosamento entre o ritmo da música, a bateria e o canto de quem interpreta o samba. Os participantes da escola têm a obrigação de cantar a música junto com o puxador do samba. A alegria dos foliões é fundamental para a harmonia.

Evolução – É o quesito que julga a empolgação e a agilidade dos foliões, durante a passagem da escola pela avenida. É importante que as alas estejam bem definidas. A escola precisa estar compacta, ordenada e coesa no seu deslocamento, sem correrias ou retornos. A alegria dos foliões é fundamental. Não pode haver buracos entre as alas.

Enredo – É a apresentação do tema desenvolvido pela escola, assim como a sintonia entre esse e as alas. As fantasias e alegorias devem estar de acordo com o enredo. Antes de entrar em cena, a escola apresenta um roteiro de disposição de suas alas que deve ser rigorosamente seguido. A escola tem que se fazer entendida através de seu enredo.

Fantasias – Devem estar de acordo com o enredo da escola, além de ostentarem beleza, originalidade e criatividade. Devem ajudar a contar a história proposta pela escola.

O material usado também é avaliado.

Alegorias e adereços – Assim como as fantasias, devem ajudar a desenvolver o tema da escola cantado em seu samba-enredo. Material usado, disposição das cores e significados são importantes no julgamento. Objetos que não fazem parte do tema do desfile (isopor, caixas, papelões, etc.) não podem estar à vista. Todos os carros devem ser empurrados ou puxados.

Mestre-sala e porta-bandeira – É o casal mais importante da escola. Os dois devem se apresentar com harmonia, graça e leveza, apresentando movimentos clássicos da dança. A porta-bandeira leva o símbolo mais importante de sua escola, conhecido como Pavilhão. Ao casal cabe a tarefa de apresentá-lo ao público. O mestre-sala não pode pisar na roupa da porta-bandeira e ela não pode encostar a bandeira em seu rosto.

Conjunto – É a harmonia, a uniformidade e o equilíbrio artístico da escola. É o corpo da escola, responsável pela definição de sua nota.

Escolas empatadas, em primeiro lugar, serão desempatadas por sorteios, que determinarão qual quesito terá a nota válida para o desempate.

Observação: Como o Carnaval é dinâmico, algumas das informações podem mudar de ano para ano. Mas, o núcleo da disputa continua o mesmo.

Fonte de Pesquisa:
 http://flexus.wordpress.com

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