Baschenis – INSTRUMENTOS MUSICAIS

 Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor e músico italiano Evaristo Baschenis (1617 – 1677) é tido como um dos mais renomados representantes do neo-caravaggismo, tendo nascido numa família de várias gerações de pintores.  Antes de adentrar no mundo da pintura, o artista foi padre. Seu trabalho é dedicado quase que exclusivamente às naturezas-mortas, tendo pintado cenas de cozinha com alimentos e utensílios e instrumentos musicais. Em algumas delas chegou a acrescentar figuras humanas. Foram suas pinturas com instrumentos musicais que o tornaram conhecido, uma vez que essas eram muito apreciadas pela aristocracia da época.

Para muitos críticos de arte, o estilo poético de Baschenis fica entre o de Jan Vermeer, Chardin e o de Caravaggio. Suas naturezas-mortas situam-se entre as mais encantadoras do século XVII, tendo angariado muitos seguidores e imitadores. Ao pintor não importava dar à obra um sentido alegórico ou didático, como faziam os pintores holandeses. A ele preocupava apenas a beleza da representação. Durante sua vida, o artista acumulou uma grande coleção de instrumentos musicais, a qual usava em suas obras, dispondo os instrumentos nas mais diferentes formas. Ao estudar perspectiva arquitetônica, o pintor encantou-se com o estudo da perspectiva, o que o ajudou a representar com maestria o formato dos mais diferentes instrumentos musicais.

Em sua obra denominada Instrumentos Musicais, também conhecida por Ainda Vida com Instrumentos Musicais, Evaristo Baschenis mostra o seu virtuosismo ao apresentar um grupo de instrumentos musicais de diferentes formatos, combinando a beleza do Barroco com seu senso apurado de geometria. Os instrumentos representados sob um luxuoso dossel são: um bandolim, um clarinete, um violino e uma flauta-doce. O interessante é notar que a organização desses repassa a sensação de que  estão descansando, depois  que a música cessou.

Ficha técnica
Ano: c.1650
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 88 x 60 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://www.metmuseum.org/exhibitions/listings/2000/evaristo-baschenis

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Mestre de S. Colomba – CENAS DA VIDA DE S. COLOMBA

Autoria de Lu Dias Carvalho

O tríptico Cenas da Vida de Santa Colomba foi criado por um pintor anônimo, seguidor de Giotto, no início do século XIV. Presume-se que tenha sido executado para a catedral de Rami, dedicada à Santa Colomba, mártir da Idade Média. A catedral foi destruída em 1815 . Segundo alguns estudiosos (teoria não aceita por unanimidade), os painéis faziam parte de uma composição de face dupla, que ornamentava o altar principal da catedral. Atualmente, os outros painéis encontram-se em diferentes museus.

O tríptico retrata a vida de Santa Colomba, ou Comba, também conhecida por Virgem de Sens, que foi martirizada durante o reinado do Imperador Aureliano, que não conseguiu seduzi-la. Conta-se que, por isso, fora encerrada numa cela de um anfiteatro, sendo salva da desonra por um urso, que se lançou contra um libertino que queria ofender sua honra. Mais tarde, quando incendiaram sua cela no intuito de matá-la, juntamente com o urso, ambos foram salvos por uma chuva providencial, que apagou o fogo. O animal acabou fugindo para a floresta. Não satisfeito, o Imperador ordenou que seus soldados levassem-na para fora da cidade e decapitassem-na. O que aconteceu.

O pintor apresenta, nos painéis acima os principais acontecimentos da lenda:

  • Santa Colomba diante do Imperador
  • Santa Colomba Salva por um Urso
  • A Decapitação de Santa Colomba

O primeiro painel mostra a santa diante do Imperador, o único a encontrar-se sentado, sendo levada até ele pelos soldados. Embora o pátio seja visto de frente, ela e os verdugos encontram-se de perfil. O segundo apresenta Santa Colomba dentro de um espaço arquitetonicamente trabalhado, sendo defendida pelo urso. E o terceiro painel mostra o exato momento da decapitação da santa, com seu corpo estendido no chão.

Ficha técnica
Ano: c. 1340
Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 55 x 55 cm (cada um dos três painéis)
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2012/12/santa-colomba-de-sens-virgem-e-martir.html

Nota: alguns historiadores de arte atribuem o tríptico ao pintor italiano Giovanni Baronzio, mas não há nada concreto sobre isso.

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Gentile Bellini – S. MARCOS PREGANDO EM ALEXANDRIA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição São Marcos Pregando em Alexandria, também conhecida como A Pregação de São Marcos em Alexandria,  ou ainda, São Marcos Pregando na Praça Santa Eufêmia, em Alexandria, no Egito, é uma obra do pintor italiano Gentile Bellini. A obra foi encomendada por uma associação religiosa para ornamentar a Scuola di San Marco, uma vez que o culto de São Marcos em Veneza confundia-se com a própria cidade. Este quadro ficava na biblioteca, no primeiro andar, juntamente com seis outros relativos ao referido santo. Embora não conhecesse a cidade de Alexandria, o pintor situou o sermão do pregador ali, diante de um grupo de venezianos e orientais, propiciando um belo e exótico cenário oriental. Ao incluir-se na cena, ele a transpôs para a sua época, sem observar o enquadramento histórico.

A gigantesca tela traz em sua parte central a fachada de uma igreja, com contrafortes semicirculares a reforçá-la. O artista não retratou uma obra real, apenas idealizou grande parte dela, pois as três cúpulas e o arco superior remetem à Basílica de São Marcos, em Veneza. A obra refere-se à cidade de Alexandria, embora tenha sido pintada em Veneza. Pelos azulejos decorados das escadas e do pedestal, onde se encontra São Marcos a pregar, pode-se concluir que Gentile Bellini admirava a cidada de Constantinopla, que visitara, pois esses foram pintados de acordo com a cultura islâmica. A cidade aqui é vista como exótica, com as figuras usando toucados e enormes gorros, além da presença de dois dromedários e de uma girafa.

São Marcos apresenta-se à esquerda de uma praça retangular, de pé sobre uma espécie de púlpito, trajando um manto azul, cuja cor não está presente na vestimenta dos demais, diferindo-o, portanto, das pessoas à sua volta. Ele traz a mão direita erguida, enquanto segura um pergaminho com a esquerda, em referência ao fato de ter sido um dos quatro evangelistas. Atrás do pregador, um homem,  sentado num banco, parece ler ou fazer anotações. Uma multidão, formada por homens, mulheres árabes e crianças, composta por cristãos e pagãos, imobiliza-se para ouvir o pregador. Algumas pessoas transitam pela praça, incluindo homens montados em seus cavalos, e pequenos grupos conversam.

Artista meticuloso, Gentile Bellini retratou as roupas da época com extrema exatidão. À direita são vistos homens usando enormes gorros vermelhos, semelhantes aos da aristocracia militar circassiana. As mulheres, postadas na parte central da composição, mais próximas a São Marcos, encontram-se acocoradas, excetuando duas delas. Usam um toucado alto, encimado por uma túnica branca. São vistos também o obelisco egípcio  e os minaretes muçulmanos, assim como as casas cúbicas de telhado plano e caiadas de branco.

O artista preocupou-se em mostrar profundidade espacial, usando a perspectiva central e as listras de pedra clara. Em seu testamento, o artista delegou a seu irmão mais novo, Giovanni Bellini, a incumbência de completar esta pintura, que ainda se encontrava inacabada por ocasião de seu falecimento.

Ficha técnica
Ano – c. 131505
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 347 x 770 cm
Localização: Pinacoteca de Brera, Milão, Itália

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
Enciclopédia dos Museus/ Coleção Mirador
1000 obras-primas da cultura europeia/ Könemann

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Mestres da Pintura – GENTILE BELLINI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Gentile Bellini (c.1426-1507), nascido em Veneza, era filho do famoso pintor Jacopo Bellini, irmão do não menos renomado Giovanni Bellini, e também cunhado do reconhecido artista Andrea Mantegna. Ainda em idade precoce mostrou seu talento como retratista. Teve como primeiro mestre o próprio pai, trabalhando em sua oficina, a qual, tempos depois, passou a dirigir. Chegou a receber o título de “Conte Palatino”. Esteve em Constantinopla em missões diplomáticas no cargo de embaixador de Veneza. À época, era o único pintor ocidental famoso a viajar pelo mundo islâmico. É provável que, através de Constantinopla, também tenha chegado a Jerusalém e ao Egito. Foi tido como um dos grandes nomes da pintura veneziana.

O artista chegou a trabalhar no palácio dos Doges da cidade de Veneza, mas nada recebia por isso, pois se encontrava a cargo do Senado, num cargo honroso, pelo qual recebia uma renda fixa. Nesse tempo era tido, portanto, como um artista oficial, período em que foi enviado à Turquia. Também fez parte do grupo de artistas contratados para pintar a série narrativa de 10 pinturas denominadas “Os Milagres da Relíquia da Cruz”.

As pinturas do artista destacam-se, sobretudo, pelo modo como fazia uso da perspectiva na execução dessas, assim como pelos contornos usados nas áreas de cor mais delicada, além de ser preciso e cuidadoso nos pormenores. Por se ater às minúncias e por ser dono de um estilo narrativo, Gentile Bellini foi capaz de legar à posteridade uma visão pormenorizada da Veneza da época. É lamentável, entretanto, que grande parte dos trabalhos do artista, incluindo seus quadros mais importantes, como as telas gigantescas que ornamentavam o Palácio do Doge, em Veneza, tenham perecido num incêndio em 1577.

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
1000 obras-primas da cultura europeia/ Könemann

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Bramantino – CRUCIFICAÇÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor e arquiteto italiano Bramantino (1465 – 1530), cujo nome de batismo era Bartolomeo Suardi, foi muito famoso em Milão, cidade onde nasceu. É provável que tenha tido como mestre Bernardino Butinone, pintor renascentista. Recebeu influência da escola lombarda e do italiano Leonardo da Vinci, principalmente em relação ao “sfumato”, que consistia em esfumar o contorno dos elementos da pintura, através de uma sutil gradação de cores. Durante o tempo em que esteve em Roma, Bramantino foi ajudante do arquiteto e também pintor Donato Bramante, em vários edifícios. Trabalhou para a corte do Duque Francisco II Sforza. Ficou famoso por desenhar 12 alegorias relativas aos meses para um conjunto de tapeçarias, hoje inclusas entre as obras-primas da tapeçaria italiana. De sua oficina saíram grandes nomes da pintura, dentre os quais podem ser citados Gaudenzio Ferrari e Bernadino Luini. Em seus últimos anos de vida, sua obra passou a receber influência do Maneirismo.

A gigantesca pintura denominada Crucificação, obra do artista acima citado, deixa visível a influência maneirista no seu trabalho. Nela, inúmeras figuras austeras estão dispostas na frente de um cenário de uma cidade imaginária. É uma das últimas composições do artista. A cena representada é visivelmente abstrata.

Cristo, em sua cruz de madeira, encontra-se no meio da composição, tendo o corpo voltado para o observador. Ele está ladeado pelos dois ladrões, também cruciados. Suas cruzes encontram-se de perfil. Ambos estão voltados para o centro da pintura. O espaço, aberto entre eles e Jesus Cristo, leva ao fundo da pintura, onde se vê uma cidade imaginária, repleta de edifícios clássicos, que se erguem sob um céu crepuscular.

O sol e a lua aparecem sob o céu azul, estando o primeiro à esquerda e a segunda à direita da cruz de Cristo. Estão representados como rostos sofridos, rodeados por um meio círculo de nuvens brancas. Mais abaixo, à altura do tronco de Jesus, ajoelham-se, sobre um manto de nuvens, duas figuras representando um anjo, vestido de vermelho, e o demônio, despido e com asas escuras. A simetria existente no segundo plano é mais estruturada do que aquela vista no grupo que compõe o primeiro plano.

A postura da Virgem Maria, à esquerda, forma um círculo, ao unir-se aos santos, que fecham o círculo com as mãos que se cruzam. Um deles tem o seu olhar voltado para o observador, enquanto o outro se volta para a Mãe Dolorosa. Por sua vez, envolta por um manto vermelho, Maria Madalena ergue os braços para abraçar a cruz, onde se encontra Cristo. Um jovem apóstolo enxuga as lágrimas com seu manto. Todas as figuras humanas estão descalças.

Apenas o Mestre está crucificado, ou seja, pregado à cruz. Os dois ladrões estão amarrados com cordas.  Uma caveira, representando a morte (momento mori), encontra-se diante da cruz de Jesus Cristo, ladeada pelo grupo que assiste à crucificação.

Ficha técnica
Ano: c.1515
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 372 x 270 cm
Localização: Museu de Brera, Milão, Itália

 Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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