Gerard ter Borch – A CARTA

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O artista holandês Gerard ter Borch (1617-1681), também conhecido como Gerard Terburg, foi um reconhecido pintor de gênero. Era filho de Gerard ter Borch, o Velho, também artista, o que contribuiu para que ele desenvolvesse seu talento ainda muito jovem. Sua irmã Gesina ter Borch também se tornou pintora. É provável que o artista tenha estudado com Willem Cornelisz Duyter ou com Pieter Codde. Foi um artista muito viajado, absorvendo vários tipos de influências. Em Madri, além de ser contratado, ainda recebeu a honraria de “Cavaleiro de Philip IV”, mas acabou retornando a seu país. As obras encontradas do pintor são poucas, cerca de 80, espalhadas por diversos museus, coleções e galerias. As suas pinturas eram muito apreciadas em sua época, sendo ele mais conhecido como um pintor de gênero, especializado sobretudo em representações da vida doméstica da classe média e de seus rituais.

 A composição denominada A Carta é uma pintura de gênero, uma das obras típicas do artista. No ambiente encontram-se três personagens, todos de pé, próximos a uma mesa, sendo um homem e duas mulheres. Ali também está um cãozinho malhado, animal muito presente nos trabalhos do pintor, sobre um banco almofadado, de olho no desenrolar da cena. O grupo forma um triângulo, cujo eixo é a figura central da mulher que se encontra mais desviada para a direita.

A mulher, muito bem vestida e com as mãos escondidas por dentro de seu longo capote, encara o rapaz que gentilmente dobra-se e estende-lhe a mão direita para entregar-lhe uma carta. Atrás dela uma serviçal, visivelmente surpresa, coloca uma bandeja de metal com um jarro dentro sobre a mesa luxuosamente forrada. Ela traz uma mão no fundo da bandeja e a outra na alça do jarro, mas seus olhos estão fixos no estafeta que, pelas vestes, chegou a cavalo. Em cima da mesa também se encontram um castiçal, um tinteiro com uma caneta e um papel embaixo.

O fundo da composição é muito escuro, realçando ainda mais as figuras.

Ficha técnica
Ano: c. 1655
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 56 x 46 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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ALMA DE MINAS

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Autoria de Carlos Drummond de Andrade

Mineiro sou e mineiro continuarei, com a graça de Deus, em qualquer virada. Não me venham dizer que mineiro vivendo fora de Minas é um traidor. Viver aqui ou ali não passa de contingência, mas o essencial é ter nascido aqui e não ali ou em Singapura.

Não há nenhum mistério em ser mineiro. Há uma doce satisfação em estar ligado a paisagens, figuras humanas coisas e modos de ser, de agradável lembrança, como:

  • as montanhas que sugerem cismas altas e purificação de espírito;
  • o Rio São Francisco, que define o Brasil;
  • o alferes Tiradentes, que define a liberdade;
  • o iluminado Aleijadinho, pai geral dos artistas brasileiros;
  • Marília inconsolada e Dona Beja exuberante;
  • o místico Alphonsus de Guimaraens e o neo-jagunço Guimarães Rosa;
  • seresteiros de Diamantina e Montes Claros;
  • criadores de boi e de mula, pacientes e sóbrios;
  • cultivadores de milho, símbolos de fartura da mesa universal;
  • mineradores e garimpeiros antigos e modernos, que suam e sonham com o Eldorado;
  • o calmo andar pelas ruas e a adaptação fácil a tempos de competição industrial;
  • os crepúsculos inenarráveis de Belo Horizonte;
  • o bolo de feijão bem apimentado, a cachacinha confiável, o café adoçado com rapadura, e tanta coisa mai

Mineiro é simples, não simplório. Quando há uma conspiração mundial contra a    simplicidade, o mineiro parece esquisito. Não é não.

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CARL SAGAN – ESCRAVIDÃO x EDUCAÇÃO (XI)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Não devemos acreditar nos muitos que dizem que só as pessoas livres devem ser educadas, devíamos antes acreditar nos filósofos que dizem que apenas as pessoas educadas são livres. (Epicteto).

Um escravo deve saber apenas obedecer ao seu senhor – deve cumprir as ordens. O conhecimento o estragaria. Aprender a ler o inutilizaria para sempre como escravo. (Capitão Hugh Auld)

Os livros são essenciais para compreender o mundo e participar de uma sociedade democrática. (Carl Sagan)

A escravidão (escravatura, escravismo, escravaria, escravagismo, etc.), esta prática social abjeta, através da qual um ser humano assume os direitos de propriedade sobre outro, quer seja através da violência física, moral ou econômica, é uma mancha monstruosa na história da humanidade e que ainda se perpetua mundo afora como se fosse algo totalmente normal. Mesmo em países em que o escravismo é tido como inconstitucional, muitas vezes observamos que foi mudada apenas a sua roupagem, pois agora os cativos servem principalmente no campo da industrialização, escondidos, muitas vezes, nas barbas da lei que os ignora ou nada faz.

A subjugação de outros seres humanos em tempos idos (e ainda hoje em inúmeros países) dava-se incutindo na cabeça dos escravos a ideia de que já nasciam submissos (ver dalits e o sistema de castas na Índia). Isso era dito nos púlpitos das igrejas, nos tribunais e em toda a sociedade. Passavam-lhes a noção de que essa era a “vontade de Deus” – garoto propaganda incumbido de justificar todos os desmandos humanos. Diferentes livros sagrados, contendo as normas de cada credo, também assim apregoavam. E não pensem que a Bíblia dos cristãos ficou de fora. É possível encontrar em muitas de suas páginas a clara aceitação da servidão e da sujeição humana.

O saber era vedado a homens, mulheres e crianças escravizados, a fim de que pudessem continuar aceitando o cativeiro, mas, para isso, fazia-se necessário mantê-los analfabetos. O sistema dominante tinha a clareza de que o saber levava ao pensamento crítico – única força libertária que quebra as correntes da ignorância e do jugo, seja ele qual for. Havia, à época, severas penalidades para quem ensinasse um escravo a ler. E os que o faziam, faziam-no às escondidas.

O conhecimento, admitia os adeptos da escravatura, abriria os olhos dos escravos em relação à submissão odiosa a que eram submetidos. Por isso, combatiam tenazmente o saber, pois esse ajudaria os cativos a pensar, encaminhando-os à liberdade. Portanto, era necessário manejar o que as pessoas ouviam, viam ou pensavam. Era preciso mantê-las fechadas no cárcere da ignorância, trancafiadas nos grilhões da estupidez mental. Os livros eram um inimigo do sistema escravagista, devendo ser combatidos.

O estadunidense Frederick Douglass Bailey (1818-1895), criado como escravo – um dos maiores oradores, escritores e líderes políticos na história norte-americana – deixou claro que a alfabetização, às escondidas, foi o caminho para a sua liberdade. E foi enfático ao dizer que “O sistema dominante achava que para criar um escravo satisfeito era necessário criá-lo estúpido. Seria necessário obscurecer a sua visão moral e intelectual e, na medida do possível, aniquilar o poder da razão”.

Não nos esqueçamos nunca de que os conservadores mesquinhos, dominadores e descompromissados com as mudanças sociais sempre viram na capacidade de ler e no conhecimento advindo dos livros (e hoje da mídia progressista) um inimigo extremamente perigoso, uma ameaça ao seu poder. Possuem a convicção de que saber ler, pensar, ter autocrítica ainda é o caminho mais eficaz em direção à liberdade – não estão errados, pois a educação é um fator de libertação.

Para reflexão, deixo abaixo o pensamento de Carl Sagan:

“As rodas dentadas da pobreza, ignorância, falta de esperança e baixa autoestima se engrenam para criar um tipo de máquina do fracasso perpétuo que esmigalha os sonhos de geração a geração. Nós todos pagamos o preço de mantê-la funcionando. O analfabetismo é a sua cavilha. Ainda que endureçamos os nossos corações diante da vergonha e da desgraça experimentadas pelas vítimas, o ônus do analfabetismo é muito alto para todos os demais – o custo das despesas médicas e hospitalizações, o custo do crime e prisões, o custo da produtividade perdida e inteligências potencialmente brilhantes que poderiam ajudar a solucionar os dilemas que nos perseguem.”

Ilustração: Frederick Douglass, cerca de 1874.

Fonte de pesquisa
O mundo assombrado pelos demônios/ Companhia de Bolso

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Champaigne – EX-VOTO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor francês Philippe de Champagne (1602-1674), de origem flamenga, foi responsável pela introdução das formas artísticas flamengas na pintura francesa. Ele nasceu e estudou em Bruxelas, na Bélgica, mas mudou-se para Paris ainda bem jovem, onde se naturalizou como cidadão francês, tendo, naquele país, tornando-se um reconhecido pintor de retratos.

Champagne teve Jacques Fouquières, que trabalhava com Peter Paul Rubens, como um de seus professores. Trabalhou com Da Lorena, vindo a conhecer Nicolas Poussin, por quem foi influenciado. Também sofreu influência da Escola de Bologna. No início de sua carreira o artista tinha predileção pelas paisagens, optando depois pelas pinturas religiosas. Ficou a serviço de Luís XVIII e de Maria de Médici. Além de trabalhar no Palácio de Luxemburgo, também foi responsável pela ornamentação de igrejas.

A composição denominada Ex-voto, também conhecida por Retrato de Irmã Catherine de Champaigne quando estava Doente e Irmã Catherine Agnès Arnaud, mostra a filha do pintor que era freira da abadia de Port-Royal, sentada, tendo a seu lado, ajoelhada, a abadessa de sua congregação. A cura de Irmã Catherine de Champaigne motivou seu pai a criar esta obra, como motivo de gratidão (oferta votiva), após ela ser milagrosamente curada de uma paralisia que a acometeu por um longo tempo. Conforme relatos da época, ela ficou curada repentinamente após a abadessa ter feito uma novena em sua intenção.

As duas freiras em suas formas escultóricas encontram-se a rezar piedosamente. Catherine está ligeiramente reclinada em sua cadeira, com os pés estendidos sobre uma almofada depositada num banquinho. Traz as duas mãos no colo, próximas a um relicário, encontra-se em postura de oração. Seu rosto expressa grande serenidade, com os olhos voltados para cima (ou seria para a abadessa?). A irmã Agnès traz as mãos postas na altura do peito, sendo que seu rosto expressa o mesmo fervor. Ela traz um rosário de contas brancas na cintura, caindo à sua direita. Ambas usam hábitos (roupagem) semelhantes, maravilhosamente modelados. Uma grande cruz vermelha enfeita-lhes a indumentária de cor clara que contrasta com o preto do véu.

Uma grande cruz de madeira, marcada com pregos, adorna a parede do fundo. Abaixo dela, à direita, está uma mesinha com um breviário. Atrás da Madre Agnès, à esquerda, há uma longa inscrição em latim, dirigida a Jesus Cristo, descrevendo o milagre ocorrido com Irmã Catherine  que estivera doente por 14 meses, tendo parte do corpo paralisado. Raios celestiais descem da parte superior da pintura, incidindo sobre a freira mais idosa, responsável pelo milagre que viria a acontecer. A obra não mostra o momento do milagre, mas o que motivou o acontecimento. Os móveis escassos do ambiente austero são de madeira e corda.

Obs.: Ex-voto  significa na língua latina “de acordo com o voto feito”.

Ficha técnica
Ano: c. 1662
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 165 x 229 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
https://www.google.com.br/#q=philippe+de+champagne+ex+voto

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PROVÉRBIOS – SOGRAS x NORAS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

sogno

As turbulências entre sogras e noras têm sido uma constante na história da humanidade. E como isso não poderia deixar de ser, elas são também um prato cheio para os provérbios que deitam e rolam na criatividade, na maioria das vezes ferina, é verdade, colocando todas as sogras e noras no mesmo balaio. Sabemos que não é bem assim, pois existem sogras que são verdadeiras mães para suas noras, e noras que são verdadeiras filhas. O mais incrível é que a sogra é sempre a maior vítima, pois os provérbios direcionados a ela são em maior número.

O duro é quando o filho é obrigado a servir de anteparo entre a mãe e a esposa rixentas (isto também ocorre entre sogras e genros). O coitado se martiriza tentando não ofender nenhuma e nem outra, sempre buscando uma maneira de colocar panos quentes, mas adquirindo,com o passar dos anos, um grande estresse. Se ambas usassem uma boa dose de respeito, os netos poderiam contar com uma educação saudável e com o amor de todos da família.

Conheçamos alguns provérbios sobre o tema e a origem dos mesmos:

  1. Sogra não é parente, é castigo. (Brasil)
  2. Quem conta com a sopa da sogra dormirá sem jantar. (República Dominicana)
  3. Amizade entre sogra e nora, só dos dentes pra fora. (Brasil)
  4. Sogra nem de açúcar é boa. (Espanha)
  5. A única sogra que presta é a da minha mulher. (Brasil)
  6. Nenhuma maldade é tão ruim quanto a de uma sogra. (Grécia)
  7. A melhor sogra comeu o genro. (Chile)
  8. Sogra e madrasta só o nome basta. (Brasil)
  9. A língua da sogra má provoca divórcio. (Israel)
  10. Castigo da bigamia: duas sogras. (Brasil)
  11. A mãe do marido é o demônio da mulher. (Alemanha)
  12. Sogra e nora, cão e gato, não comem no mesmo prato. (Itália)
  13. A sogra má tem ouvidos nas costas. (Rússia)
  14. Amo muito mais a sogra da minha mulher do que a minha. (Brasil)
  15. As noras acabam por ser sogras. (EUA)
  16. Feliz Adão que não teve sogra nem caminhão. (Brasil)
  17. Lembra-te sogra, que foste nora. (Brasil)
  18. Quem na casa da mãe não atura, na da sogra não espere ventura. (Brasil)

Fontes de pesquisa:
Nunca se case com uma mulher de pés grandes/ Mineke Schipper
Livro dos provérbios, ditados, ditos populares e anexins/ Ciça Alves Pinto
Provérbios e ditos populares/ Pe. Paschoal Rangel

Nota: Imagem copiada de br.123rf.com 

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Baugin – NATUREZA-MORTA COM BISCOITOS

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Autoria de Lu Dias Carvalho

O pintor francês Lubins Baugin (c.1611-1663) era chamado carinhosamente de “Pequeno Guido” (Le Petit Guide) em razão da forte influência recebida do artista italiano Guido Reni em sua obra. Presume-se que tenha morado em Roma. Teve como professor Simon Vouet, responsável por inseri-lo na pintura italiana. Foi membro da Academia de São Lucas e pintor da corte francesa. Suas obras sobreviventes são pinturas religiosas, excluindo uma, que expressam grande delicadeza e trazem imensas figuras humanas e naturezas-mortas que receberam influências do Maneirismo tardio da Escola de Fontainbleau, muitas vezes tidas como pinturas de outro pintor. O artista usava cores claras em abundância.

A composição denominada Natureza-Morta com Biscoitos ou ainda Sobremesa com Biscoitos, atribuída ao pintor Baugin, é ao mesmo tempo muito simples, disciplinada e austera, além de refletir a influência dos artistas holandeses nos franceses à época. O espaço é composto por grandes superfícies planas e monocromáticas: o preto do fundo, as paredes de pedra à esquerda e a superfície azul da mesa. A pintura mostra uma mesa retangular, da qual se vê apenas uma parte, ocupando um pouco menos do que a metade inferior da composição. Encontra-se forrada com uma toalha azulada, que não cobre as laterais maiores e sobre a qual se encontram uma bandeja com biscoitos, uma garrafa e um copo.

A bandeja com sete biscoitos, maravilhosamente elaborados, como se fossem folhas de pergaminhos enroladas, encontra-se em primeiro plano. Traz uma pequena parte fora da mesa, como mostra sua sombra abaixo, na lateral do móvel. À direita encontra-se uma grande garrafa empalhada, contendo vinho. Mais ao fundo, atrás da bandeja com biscoitos, está um copo de vidro meticulosamente trabalhado, com vinho até o meio. À esquerda estão paredes de pedras. O fundo escuro da pintura dá grande realce aos objetos que se encontram sobre a mesa. A luz, que vem de uma fonte não conhecida, provavelmente de uma janela de frente, mas mais à esquerda, cai sobre o amarelo da garrafa empalhada, ressaltando seu entrelaçado e repassando ao ambiente uma sensação de aconchego. Chama a atenção a sombra dos objetos sobre a mesa.

Ficha técnica
Ano: c. 1633
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 41 x 52 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.louvre.fr/oeuvre-notices/le-dessert-de-gaufrettes

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