Picasso – TRÊS MULHERES NA FONTE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Três Mulheres na Fonte é uma obra neoclássica do pintor espanhol Pablo Picasso. O artista mostra em sua tela três mulheres reunidas em volta de uma fonte, com seus vestidos decotados, com saias pregueadas que remetem à arquitetura clássica, acompanhadas dos respectivos cântaros de barro.

Uma delas, sentada de lado sobre uma pedra, segurando a alça do jarro que está a encher, provavelmente o seu, dirige o olhar para a colega de frente. Seu decote, embora acentuado, cobre seus seios. Seu cabelo encontra-se preso num coque.

A segunda delas, de pé, segura na mão direita um pequeno vaso pela alça, e outro na esquerda. Seu vestido, similar ao das duas outras, tem uma das alças despencadas sobre o braço direito, mostrando o seio do mesmo lado. Seu olhar parece distante. Seu cabelo também se encontra preso.

Da terceira mulher, recostada na rocha, é vista apenas a parte superior do corpo. Tem os cabelos longos e soltos a cair-lhe pelas costas. Seu vestido traz as duas alças caídas. A alça direita desce sobre o braço, e a esquerda sobre a pedra, deixando à vista os dois seios, estando o esquerdo meio encoberto por seu braço. A mão direita, estendida, está acima da água que cai no cântaro, enquanto a esquerda apoia seu rosto. Um vaso encontra-se à sua esquerda, provavelmente o seu.

As mãos das três volumosas mulheres centralizam-se na tela. As figuras possuem traços fisionômicos avantajados, mas bocas diminutas. Elas se inserem perfeitamente no meio em que se encontram, como esculturas monumentais, pesadas e sem elegância, mas belas.

Ficha técnica
Ano: 1921
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 204 x 174 cm
Localização: Museu de Arte Moderna, Nova Yorque, EUA

Fontes de pesquisa
Picasso/ Cosac e Naify
http://www.pablopicasso.org/three-women

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Ticiano – DÂNAE E CUPIDO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Dânae e Cupido é uma obra do pintor italiano Tiziano Vacellio, conhecido por Ticiano, tendo sido encomendada pela família Farneze.

Dânae encontra-se recostada em seu leito, no alto de uma torre, recebendo a visita de Cupido (Eros), o deus do amor, que observa a chuva de moedas de ouro descendo sobre ela. Com as pernas semiabertas, a princesa recebe a chuva de ouro, que cai sobre seu regaço, fecundando-a. Trata-se do deus Júpiter metamorfoseado, para chegar ali. Ela se encontra nua, apenas com um manto jogado sobre sua coxa direita.

Segundo o mito, a bela Dânae era filha do rei Acrísio, que ambicionava ter um filho, para sucedê-lo. Assim, resolveu consultar o oráculo de Delfos sobre a chegada de um menino. Contudo, a resposta recebida deixou-o profundamente preocupado. Segundo a predição do oráculo, ele seria morto por seu próprio neto, ou seja, pelo filho de Dânae. Temeroso, Acrísio aprisionou a filha numa torre, muito bem vigiada, para que ela não tivesse contato com nenhum humano ou divindade, vindo a gerar um filho.

Zeus (Júpiter) que sempre traíra a esposa Hera (Juno), viu-se apaixonado pela princesa Dânae e, para ter acesso a ela, transmutou-se numa chuva de ouro, que se entranhou por uma rachadura no teto, engravidando-a. Ela viria a dar à luz o herói Perseu, responsável por matar a Medusa. Ao tomar conhecimento do acontecido, o rei ordenou que mãe e filho fossem postos numa arca, bem fechada, e jogados no mar. Quis o destino que a arca fosse encontrada por um pescador, que levou ambos ao rei de seu país, Polidectes, que os recebeu com muita alegria.

Ficha técnica
Ano: 1544-1546
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 120 x 172 cm
Localização: Museu Nazionale di Capodimonte, Nápoles, Itália

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Pieter Bruegel, o Velho – PAISAGEM COM QUEDA DE ÍCARO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada Paisagem com a Queda de Ícaro é uma obra mitológica do pintor Pieter Bruegel, o Velho, que faz uso de um tema muito conhecido em sua época: a queda de Ícaro, mostrando o momento exato em que o rapaz afunda no mar.

O artista dividiu sua pintura em três planos, assim organizados:

1º – um lavrado com seu arado lavra a terra para plantar;
2º – um pastor olha para os céus, de costas para o mar, enquanto suas ovelhas pastam;
3º – o imenso mar, embarcações, rochedos, uma cidade ao loge, e Ícaro.

Embora se encontre próximo a um barco a velas e a um homem pescando, ninguém testemunha a caída do pobre moço. Nem mesmo o pássaro, pousado no galho de uma pequena árvore, voa com o barulho produzido pela queda. É possível ver as pernas de Ícaro, na parte inferior da pintura, à direita, enquanto ele afunda. Tampouco foi notado pelo pastor de ovelhas e pelo camponês que faz sulcos na terra para o plantio. Nenhum ser vivo esboça qualquer movimento indicativo de que presencia o triste fim do jovem, que poderia ser salvo, já que caiu próximo àcosta.

O lavrador com seu arado, em primeiro plano, é quem se encontra mais distante de Ícaro e mais próximo do observador. Sua figura é a mais chamativa, em razão de sua camisa vermelha. Ele se encontra atento a seu trabalho. Por sua vez, o pastor está de costas para o mar, próximo a seu cachorro e rodeado por suas ovelhas. Ele observa algo no céu. O pescador, assentado no rochedo, com o corpo inclinado para baixo, observa atentamente o mexer de seu anzol.

Como era comum o fato de Bruegel repassar ensinamentos morais através de suas pinturas, muitos especulam sobre qual seriam os alusivos a esta. Alguns dizem que mostra o quanto é descabido ambicionar coisas inúteis, devendo cada um ficar satisfeito com o que tem. Outros já a interpretam como se mostrasse o quão certas pessoas podem ser indiferentes e cegas diante de novas ideias, ou ainda incapazes de prestar solidariedade a outrem.

Esta composição de Bruegel é tida como uma das mais belas já feitas. Ela nos passa a impressão de ter sido feita do alto, tendo o artista uma visão de cima para baixo, como se sobrevoasse o local. A enorme paisagem mostra-se tranquila.

Segundo o poeta romano Ovídio, em seu livro denominado “Metamorfoses”, Dédalo, um habilidoso inventor, achou ter descoberto uma maneira de voar, como as aves, através da construção de asas feitas de ceras e penas. E foi assim que pai e filho puseram-se aos céus. Ícaro, porém, não ouviu os conselhos do pai, que o advertira sobre o perigo de voar muito perto do sol, pois a cera derreteria. Dito e feito, o calor derreteu as asas do coitado, que acabou caindo no mar. Ao pai só restou gritar por ele, sem saber onde se encontrava.

Ficha técnica
Ano: 1558
Técnica: óleo sobre madeira transferido para tela
Dimensões: 74 x 112 cm
Localização: Musée Rouaux des Beaux-Arts, Bruxelas, Bélgica

Fonte de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann
Bruegel/ Editora Cosac e Naify

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Rubens e Jan Bruegel, o Velho – A NATUREZA DECORANDO AS TRÊS GRAÇAS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A belíssima e erudita composição denominada A Natureza Decorando as Três Graças é uma obra conjunta dos pintores Peter Paul Rubens e Jan Bruegel, o Velho. Este tipo de interação entre os artistas era muito comum na Antuérpia, nas duas primeiras décadas do século XVII, tendo Rubens feito uso de tal prática em algumas de suas obras.

Uma gigantesca grinalda, feita de folhas, flores, frutas e legumes, simbolizando a generosidade da Natureza, circunda as Três Graças, postadas em volta da estátua de uma mulher com quatro seios visíveis, que simboliza a pródiga Mãe Natureza. Ela se encontra sobre um pedestal. As divindades encontram-se na pose formal, nuas, estando uma delas de costas para o observador. A Graça, que se encontra à direita, está sobre as costas de um homem (ou sátiro) musculoso, que usa uma coroa de folhas. Ele se debruça para erguê-la. Ela está tirando o véu da Natureza, enquanto a Graça, que se encontra à esquerda, segura o colar de duas voltas. Ambos, colar e véu, serão substituídos por arranjos florais, que os cupidos seguram, acima, sob uma cortina formada por um manto vermelho.

Dentro da guirlanda, em forma de U, anexadas a dois imensos carvalhos, estão também um sátiro, com um archote aceso, e um homem negro logo atrás dele. Por fora, ou agregados a ela, estão, embaixo, três ninfas e um sátiro, de costas para o observador, arrumando os elementos da guirlanda. Na parte superior esquerda encontram-se um homem negro e dois brancos, possivelmente sátiros. À direita, na parte superior, estão três sátiros. Todos eles ajudam a amarrar a guirlanda nas duas árvores. Na inscrição no pedestal da estátua, embora já desgastada pelo tempo, está escrito “a Grande Mãe, a Terra que carrega tudo”.

Ao fundo, desenrola-se uma paisagem azulada.

Nesta pintura colaborativa, cuja finalidade é festejar a prodigalidade da Natureza, Jan Bruegel, o Velho, pintou a flora e a fauna, e Rubens o restante. Estima-se que a iniciativa para a composição desta obra deu-se por parte de Rubens, que a manteve consigo durante vários anos de sua vida.

Ficha técnica
Ano: 1615
Técnica: óleo sobre painel
Dimensões: 106,7 x 72,4 cm
Localização: Art Gallery and Museum, Kelvingrove, Escócia, Reino Unido

Fontes de pesquisa
https://www.google.com.br/search?q=rubens+and+brueghel,+the+nature
bih=730&tbm=isch&imgil=bZQ8UmpOrX2X9M%253A%253B
http://collections.glasgowmuseums.com/starobject.html?oid=167108

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Mit. – BAUCIS, FILÊMON E A HOSPITALIDADE

Recontado por Lu Dias Carvalho

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O todo poderoso Júpiter, acompanhado do deus Mercúrio, ambos usando a forma humana, resolveram visitar certa região da Frígia. Queriam ver como andava a bondade das pessoas. E assim bateram em muitas portas sem serem atendidos, ainda que se apresentassem como viajantes muito cansados. Todos lhes recusavam comida e repouso, enquanto outros nem mesmo abriam a porta. Quando já se encontravam fartos da peregrinação e da má vontade dos habitantes, foram surpreendidos com o acolhimento de um casal, que morava numa cabana, onde imperava a humildade e a hospitalidade.

Filêmon e sua esposa Baucis, já idosos, receberam os hóspedes celestiais com a maior alegria, oferecendo-lhes o que de melhor tinham em sua choupana, embora não soubessem quem eram eles. Não só se preocuparam em alimentar e dar repouso aos deuses, como providenciaram água para a limpeza corporal desses. Um pouco de vinho acompanhou a sopa quente, para restaurar as forças dos supostos homens. É fato que tentaram matar o único ganso que possuíam para vigiar a morada, mas esse acabou fugindo. Mas qual não foi a surpresa do casal, ao observar que o vinho não acabava nunca. O jarro encontrava-se sempre cheio, ainda que os dois pensassem ter servido todo o líquido.

Ao aperceber que se tratava de dois deuses, ali presentes, o casal sentiu-se envergonhado por sua pobreza, pedindo-lhes que não levassem a mal aquele acolhimento tão singelo. Os deuses responderam:

– Esta aldeia será maldita por ter negado hospedagem a nós. E não tardará a receber o seu quinhão. Mas vós, não estareis sujeito a ele. Acompanhai-nos até o alto daquele monte.

O casal de idosos subiu o monte, com muita dificuldade, atrás de Júpiter e Mercúrio. E ao olharem lá de cima, notaram que o local, que havia deixado para trás, transformara-se num lago. Contudo, no lugar em que erguia sua humilde choupana, encontrava-se um reluzente templo. A seguir, o deus dos deuses pediu aos dois que lhe expressassem um desejo. Baucis e Filêmon retiraram-se por uns minutos para conversar entre si e voltaram dizendo que desejariam ser o os sacerdotes daquele templo. E assim aconteceu.

Já bem velhinhos, mal aguentando ficar de pé, estavam os dois a contar a história do templo, diante desse, quando Baucis viu Filêmon cobrir-se de folhas e ele a viu sofrer a mesma metamorfose. Até hoje ali se encontram as duas árvores, uma juntinha à outra, transformação de duas pessoas que se amaram muito e que tinham a hospitalidade como uma grande virtude.

Nota: Filêmon e Baucis, obra de Adam Elsheimer

Fontes de Pesquisa
Mitologia/ Thomas Bulfinch
Mitologia/ LM

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Rubens – A QUERMESSE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição denominada A Quermesse, também conhecida como A Feira da Aldeia ou Dança dos Camponeses, é tida como uma das mais belas pinturas de paisagem do artista barroco Peter Paul Rubens, o mais importante de todos os pintores flamengos do século XVII. Nela ele segue os passos de Pieter Bruegel, o Velho, ao apresentar uma pintura com aldeões, numa cena tradicionalmente flamenca.

Na pintura Rubens apresenta uma festa numa aldeia, ao ar livre, com mais de 70 figuras em cores brilhantes, mas com pouca definição em relação aos traços fisionômicos. As figuras estão divididas em grupos, sendo retratadas diversas situações. A movimentação e a alegria dos camponeses mostram a animação que ali reina. Embora haja muitos personagens e encontrem-se em grupos, o pintor conseguiu uma grande unidade em sua obra.

Os acontecimentos narrados são típicos da vida daquela gente simples: casais abraçados, mães amamentando seus filhos, homens com jarras e copos nas mãos, uma velha virando um copo de cerveja na boca de um homem, grupos rodopiando freneticamente ao som da música ou simplesmente conversando, pessoas deitadas, músicos tocando (debaixo da árvore), alguns se acariciando, um homem assentado sobre um barril e caído sobre uma mesa, etc.

A festa desenvolve-se em frente a uma grande casa, pintada em tons de terra, circundada por grandes árvores, onde pessoas jovens e velhas divertem-se. Chamam a atenção, sobretudo, as saias rodadas das mulheres que se avolumam, aumentando a sensação de movimento rápido. À direita, na parte inferior, estão os tachos e vasilhames, onde foi colocada a comida. Um cão procura por restos, enquanto patos e uma galinha fazem o mesmo.

Rubens, além de ter feito trabalhos em conjunto com Pieter Bruegel, o Velho, também foi influenciado pelo artista, como prova o quadro descrito, sendo, sem dúvida alguma, um grande herdeiro de seu estilo. Nesta paisagem o pintor coloca o homem como elemento principal da paisagem e não como elemento secundário.

Embora este tipo de composição trouxesse um pretexto para denunciar os vícios, Rubens não faz uso de tal prerrogativa. Ele tinha por objetivo harmonizar formas e cores, ao retratar a divertida festa na aldeia, cujo motivo não se sabe ao certo. Tanto pode ser a comemoração de um casamento como o término de uma colheita, uma vez que feixes de trigo são vistos em primeiro plano à esquerda. A animação contrasta com a quietude da paisagem.

Com sua técnica apurada, rápida e de cores brilhantes, Rubens serviu de inspiração para muitos pintores franceses, inclusive para o famoso pintor Watteau em suas pinturas denominadas “fêtes galantes”.

Ficha técnica
Ano: 1635
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 149 x 261 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
1000 obras-primas da pintura europeia/ Editora Könemann
http://www.louvre.fr/en/oeuvre-notices/village-fete
Rubens/ Taschen

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