Cézanne – O MAR EM L`ESTAQUE…

Autoria de Lu Dias Carvalho

OMARELES

O diretor do Museu de Aix, levado pela curiosidade causada pelos jornais parisienses que falaram da exposição, quis ver pessoalmente de onde nascia o perigo para a pintura. (…) e, quando eu lhe dizia, por exemplo, que vocês (impressionistas) substituem a modelagem pelo estudo dos tons, ele fechava os olhos e virava as costas. (Carta de Cézanne a seu amigo Pissarro).

Comecei um pouco tarde a ver a natureza, o que, no entanto, não me impede de ser um apaixonado por ela. (Cézanne ao amigo Zola)

A composição O Mar em L`Estaque Atrás das Árvores é uma das belas paisagens do pintor francês Paul Cézanne.

L`Estaque era uma pequena vila de pescadores, na baía de Marselha, onde o pintor foi morar após a eclosão da guerra franco-prussiana. Ali, ele se encantou com as paisagens marinhas.

A paisagem acima, como todas as outras do artista, passa uma grande tranquilidade. As casas parecem descer da montanha em direção ao golfo. Em primeiro plano, uma árvore à direita, com dois troncos entrelaçados, e uma à esquerda, parecem delimitar a paisagem, conduzindo o observador para dentro dela.

Ficha técnica
Ano: c. 1878-1879
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 73 x 92 cm
Localização: Museu Picasso, Paris, França

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen

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Cézanne – AS GRANDES BANHISTAS (II)

Autoria de Lu Dias Carvalho

ASGRANBA I

Vivicar Poussin pela natureza, tal é o classicismo a que aspiro. (Cézanne)

Um quadro retira sua força das tonalidades. (Cézanne)

O pintor francês Paul Cézanne pintou uma série de banhistas, tanto homens como mulheres, sendo As Grandes Banhistas, acima, uma das telas, e também considerada a mais importante da série. Para ele, os corpos nus de seus banhistas eram parte da paisagem, vistos como elementos naturais que a ela se integravam. O tema era usado pelo artista com a finalidade de fazer estudos sobre a ordenação das figuras no espaço e sua composição cromática, o que era muito comum na história da arte.

Neste quadro, as banhistas também estão divididas em dois grupos, separadas por um pequeno espaço, que permite ver a paisagem do outro lado do rio, com um campo aberto, árvores e algumas edificações. Ali também estão duas outras figuras humanas. As banhistas encontram-se nas mais diferentes posições: assentadas, deitadas, de pé, de cócoras, etc, numa perfeita união com a natureza.

As figuras que compõem o grupo da direita estão bem próximas. A luminosidade do sol atravessa as folhas e reflete no corpo das banhistas, que compõem a base de um triângulo, formado por duas árvores que vergam, e se encontram em cima, formando o ângulo superior. As cores usadas pelo pintor passam pelo azul-claro do céu, com nuvens brancas esparsas e toques de rosa, pelo azul mais forte da água, no qual espelham o verde-escuro da vegetação. Uma luz clara irradia sobre os corpos nus.

O pintor possivelmente não usou modelos vivos na sua série de telas sobre as banhistas, preferindo os desenhos de nus de seus estudos, muitos deles da época em que era estudante, ou os realizados ao visitar o Louvre, ou ainda os encontrados em revistas. Deles retirava aquilo que lhe convinha.

Cézanne levou sete anos trabalhando nesta tela. Uma das mulheres, de pé, à esquerda, toma exatamente a inclinação do tronco ao seu lado.

Nota: este quadro serviu de modelo para que Matisse pintasse suas banhistas.

Ficha técnica
Ano: c. 1898-1905
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 208 x 249 cm
Localização: Museum of Art, Filadélfia, EUA

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen
Grandes Pinturas/ Publifolha

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Cézanne – AS GRANDES BANHISTAS (I)

Autoria de Lu Dias Carvalho

ASGRANBA

Pintar a natureza não é copiá-la, e sim tornar reais as sensações que ela desperta. (Cézanne)

O pintor francês Paul Cézanne pintou uma série de banhistas, tanto homens como mulheres, sendo As Grandes Banhistas, acima, uma das telas. Para ele, o nu fazia parte da paisagem. Apesar de belo, percebe-se que o quadro está inacabado, pois algumas personagens nem têm cabeça. Entretanto, torna-se impossível não se encantar com a mistura de tons verdes e azuis, que compõem a paisagem.

Um grande grupo de mulheres nuas, possivelmente uma dúzia delas, encontra-se à beira d`água. Elas estão divididas em dois grupos, que deixam uma passagem estreita entre si. Elas se mostram alegres e em grande harmonia. Umas estão deitadas e outras de pé. O artista não tem preocupação com a sensualidade, mas fundir os corpos com o espaço onde estão inseridos. Há uma grande árvore à direita, na qual uma mulher parece tentar subir. Elas estão totalmente alheias ao observador.

Ao pintar sua série de quadros sobre banhistas, despojados de tudo que fosse desnecessário, o artista estava à procura da perfeição e, sobretudo, de fundir o homem com a natureza, numa perfeita harmonia. Para ele não importava cada elemento humano modelado separadamente, mas o conjunto apresentado, numa simbiose com a natureza.

Ficha técnica
Ano: c. 1899-1904
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 51 x 61,7 cm
Localização: The Art Institute, Chicago, EUA

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen

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Cézanne – OS JOGADORES DE CARTAS (II)

Autoria de LuDiasBH

OSJOCAR I

O pintor Paul Cézanne fez uma série de cinco quadros, todos com o mesmo nome – Os Jogadores de Carta – que retrata personagens sentados em volta de uma mesa, jogando cartas.

O quadro acima é a primeira pintura do ciclo. Uma cortina de cor amarela, puxando para o dourado, delimita a cena à direita. Cinco figuras humanas estão presentes no ambiente, onde paira um grande silêncio. Três homens estão assentados à mesa de madeira, concentrados no jogo, enquanto uma personagem feminina, assentada, e uma masculina, de pé, acompanham, imóveis, os lances dos jogadores. Três homens usam o mesmo tipo de chapéu, excetuando um dos jogadores, de frente para o observador, que tem a cabeça a descoberto.

Chama a atenção a ausência de um jogador, na parte frontal da mesa, que deveria estar ali, de costas para o observador. No lugar que deveria ser seu não existe uma cadeira, mas um cachimbo e algumas cartas. Ou ele se retirou do jogo, ou o pintor faz um convite ao observador, para que também faça parte da partida de cartas.

Ao fundo, na parede, estão dependurados quatro cachimbos e um quadro, do qual se vê apenas a metade. À esquerda está uma prateleira com um vaso em cima. Cézanne pintou outro quadro muito semelhante a este, mas onde não existe o quinto elemento – a mulher.

Os modelos são trabalhadores das terras de sua propriedade de Jas Bouffan, retratados nos momentos de folga.

Ficha técnica
Ano: c. 1890-1892
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 34 x 181,5 cm
Localização: Bernes Founddation, Bernes, EUA

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen

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ARÁBIA SAUDITA – MULHERES NA CULTURA SAUDITA

Autoria de Lu Dias Carvalho

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De modo geral, a cultura muçulmana é a favor de que as mulheres casem-se bem novas, para preservar a honra, muitas delas ainda meninas, para nós ocidentais. O casamento precoce tem por objetivo afastá-las da tentação sexual. É arrumado pelos pais, sendo encabeçado pela mãe, que tem a obrigação de escolher o melhor partido para o filho, uma vez que à garota cabe apenas dizer sim. Garotos e garotas aceitam a escolha dos pais, sob a alegação de que eles são sábios para escolherem.

Na Arábia Saudita, país que goza de uma condição econômica privilegiada, onde, em consequência, existem muitas famílias abastadas, os casamentos são geralmente ajeitados dentro da própria família, principalmente quando essas são importantes, para que a herança não vá migrar para outras bandas, em caso de divórcio. Desse modo, elimina-se qualquer tipo de preocupação, e, além disso, a união entre primos, normalmente de primeiro grau, unifica ainda mais a família. Ao contrário de nós ocidentais, não há qualquer preocupação com a consanguinidade, ou assim aparentam. Como se trata de um país muito fechado, não sabemos como se dá esse encontro entre os genes dominantes, pois a genética não perdoa. Tanto podem nascer filhos excepcionais para mais ou para menos.

Ao contrário de nós ocidentais, pois em nossa cultura a noiva é a peça chave do casório, no mundo muçulmano são os pais do futuro nubente que põem as cartas na mesa, aprovando ou não, a escolhida do filho. Isso quando ele mostra a sua preferência, já que em família torna-se mais fácil o contato entre homens e mulheres. Uma vez dado o “de acordo”, eles procuram os pais da pretendida, levando a proposta, que é normalmente aceita, pois todo pai quer casar sua filha com um bom partido, e então são feitas todas as combinações.

Desde que ganha um filho homem, a preocupação primordial da mãe saudita é garantir-lhe uma noiva especial, rica e bem preparada. A garota também precisa ser de boa família, sadia e bonita. Uma vez encontrada a eleita, as duas mães, começam a discutir sobre o provável casamento. Estando as mães satisfeitas com o negócio, os pais são os novos atores, responsáveis por definir o dote, que também pode ser negociado em dinheiro e joias.

O regime saudita é extremamente rigoroso com as mulheres. Nenhuma parte da pele ou fiapo de cabelo  pode ficar à vista de um homem, que não faça parte do círculo familiar mais próximo da mulher. Nesse país, as mulheres vestem uma capa negra, denominada “abaya”, que é completada com um lenço preto e um véu fino, usado no rosto. Nem mesmo os olhos podem ser expostos. Tampouco as mulheres têm permissão para rezarem nas mesquitas. Elas são literalmente encarceradas na maior parte do tempo. Há inclusive, avisos em vitrines e lojas, proibindo sua entrada, ainda que ali vendam peças para elas.

Aos homens, contudo, é-lhes facultado o direito de sair e até passar a noite na companhia de amigos, sem que suas mulheres e familiares possam questionar. Digo “suas mulheres” porque podem ter até quatro mulheres, ao mesmo tempo, obedecendo aos ensinamentos do Islã. Homens e mulheres jamais fazem encontros juntos ou participam de festas no mesmo ambiente. Também não cabe a elas fazer qualquer pergunta relativa ao que acontece fora de casa, na vida do marido.

Existe uma hierarquia em relação às esposas. Aquela que se casou primeiro é a que goza de mais privilégios. No caso de ter sido ela a primeira a dar ao marido um filho, além de ser prima em primeiro grau, terá seu prestígio triplicado.

O marido deve dar um tratamento igual às esposas, excetuando o caso acima mencionado, compartilhando tudo igualmente: presentes, tempo e até mesmo pensamentos. A mulher que fugir à regra, não aceitando com magnanimidade os casamentos do marido, como uma norma sagrada do Islã, não terá o “paraíso” como recompensa. Deve haver muita harmonia no lar, entre as quatro famílias, tendo os filhos que honrar e respeitar todas as esposas do pai.

As mulheres sauditas sempre rezam para que venha um menino em lugar de uma menina. O filho é o preferido, e por isso, a mulher que só pare filhos homens é tida como abençoada por Alá. Ela sente que é invejada por muitas outras mães de garotas.

Como ficou bem claro, a cultura saudita é extremamente machista, possivelmente uma das mais severas com as mulheres. Os homens estão à frente de tudo. A eles cabem todas as decisões. E as mulheres? A elas cabe a tarefa de prepararem o lar, de modo a agradar o marido quando esse se encontrar em casa. Nada pode haver que o incomode ou lhe traga desprazer.

Fonte de pesquisa
Sobre a Sombra do Terror/ Jean Sasson, Najawa Bin Laden, Omar bin Laden

Indicação de leitura:
O Reino Sombrio: uma mulher na Arábia Saudita/ Carmen bin Laden
Os Bin Laden – Uma Família Árabe no Século Norte-Americano/ Steve Coll

Nota: imagem copiada de 9ets.com

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Cézanne – OS JOGADORES DE CARTA (I)

Autoria de Lu Dias Carvalho

OSJOCAR

Na sua composição Os Jogadores de Carta, pintada com uma grande gama de cores, Paul Cézanne restringe ao máximo os elementos, dando ênfase ao núcleo principal: uma mesa com uma garrafa de vinho e, frente a frente, dois homens jogando cartas.

As duas figuras mostram-se rígidas e extremamente concentradas, com os braços recostados à mesa e o rosto voltado para as cartas que têm às mãos. Ambos usam chapéus, de tipos diferentes, e parecem ter a mesma estatura. O jogador da esquerda, pintado com cores mais fortes, fuma um cachimbo e mostra-se mais tenso, com o corpo ereto. O espaldar de sua cadeira está à vista. O segundo jogador, pintado com cores mais claras, mostra-se bem mais tranquilo, trazendo as costas encurvadas, não sendo visto em sua totalidade.

O eixo central do quadro é a garrafa de vinho, que recebe um reflexo branco, mas ela não está centralizada simetricamente na composição, pois encontra-se mais à direita. Ela leva o olhar do observador para as mãos dos dois jogadores, como se ele, o observador, estive aguardando a próxima jogada. O último plano é escuro, tendo apenas uma pequena parte clara. Os reflexos da luz artificial estão presentes no cachimbo, na toalha e na garrafa.

Concentrados no jogo, o rosto dos dois homens não expressam emoção. O artista pintou os chapéus, de modo a trazer mais informações sobre eles. O da esquerda usa um chapéu maior, com o bojo para cima, e aba para baixo. O da esquerda usa um chapéu amassado, com abas voltadas para cima.

Os Jogadores de Cartas são representados numa série de cinco telas, sendo esta pintura, com sua organização simétrica, e com delicadas variações nas cores, a mais famosa e solene. Todas trazem os personagens sentados em volta de uma mesa, também jogando cartas. Os modelos são trabalhadores das terras de sua propriedade de Jas Bouffan, retratados nos momentos de folga.

Curiosidade
Este quadro foi comprado em 2011, por mais de 250 milhões de dólares, na mão do magnata grego George Embiricos, que jamais o emprestou para exposições ou se predispôs a vendê-lo, apesar das ofertas recebidas. Vendeu-o pouco antes de morrer. E, segundo a ARTnews, este era um dos quadros mais valiosos do artista em mãos particulares, uma vez que os outros quatro encontram-se em museus públicos.

Ficha técnica
Ano: c. 1890.1895
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 47 x 57 cm
Localização: Museu d´Orsay, Paris, França

Fontes de pesquisa
Cézanne/ Coleção Folha
Cézanne/ Abril Coleções
Cézanne/ Girassol
Cézanne/ Taschen
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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