MINHA CASTA CASTANHEIRA

Autoria de Augusto Bill

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Fiquei muito impressionado com ela, com seu tamanho, com sua beleza, com sua solidão e com sua dor. (Augusto Bill)

Minha Casta Castanheira
Pedra… Pó… Poeira.
Sol… Calor… Clareira.
Casta… Castanha… Castanheira.
Saúda o mar, que já não há.
Provoca uma lágrima em seu olhar,
que desidratou e pereceu de tristeza,
impedindo-a de expressar com seu pranto,
a imensa dor de se apear da beleza
das suas verdes companhias,
devastadas pela humana ganância,
matriz de medonhas anomalias.

Um relevo singular para a Região Amazônica (serras, platôs e vales) abrigava, outrora,  a esplêndida floresta, que servia de refúgio e morada a milhares de espécies de nossa fauna e flora.

Onças e seus filhotes brincalhões alertavam as guaribas para os perigos destes rincões. A anta, com seu porte exemplar, ratificava a fartura de alimentos deste lugar.

Aves de toda espécie, alçavam aos céus levando sua prece: “Senhor do Céu e da Terra, glorificamos tua bondade de conceder-nos este lugar, para vivermos em dignidade.”. E o Senhor do Céu e da Terra, comovido com a gratidão, espalhou, por todo canto, as bênçãos da criação.”.

E assim, por onde se via, cresciam as coisas do chão; a água, pura e cristalina, brotava em efusão; sementes de mil plantas, eclodiam em profusão; lagoas, banhados e rios, cumpriam sua missão, irrigando a terra bendita e proporcionando condição para que a vida se desenvolvesse, intensa e sem coação.

E logo, logo, o que se viu, foram o Céu e a Terra, juntos, em comunhão. Mas o Senhor do Céu e da Terra, em sua imensa paixão, não percebeu que uma espécie, destoava na equação: o Homo, dito sapiens, que a sua imagem herdou, mas que, por infeliz destino, seu caráter renegou.

O homem, quando aqui chegou, não viu beleza, não viu valor e não se conformou. Decidiu que esta terra a outro fim prestava. Tantos bichos, tantas plantas, que desperdício ostentava, tinha de ser alterada – pensava ele. E um novo marco nascia: a Natureza saindo, pensava ele que a prosperidade crescia.

E assim foi feito então, e, para as centenas de espécies que ali viviam, foi dada a solução: foram trocadas por uma espécie padrão – o boi, que foi introduzido, para nossa alimentação.

– Macaco, paca, tatu, tucano e jaguatirica, caiam fora daqui, só assim a população fica rica.

Foi dessa forma que o gado herdou a terra que Deus não lhe destinou. Para que pastasse, as árvores foram derrubadas, sobrando uns poucos indivíduos de uma família desafortunada – castanheiras – pois continuam vivendo, mas sua terra foi desfigurada, seus companheiros abatidos por uma mão amaldiçoada.

Mas a mão humana que hoje ceifa, certamente amanhã será ceifada!

Notas do autor: A Serra dos Carajás, famosa pela ação da Vale do rio Doce, fica em um município do estado do Pará, que contém riquíssimas jazidas minerais. É uma linda região, que já foi de mata primária, hoje devastada para a pecuária. Milhares de hectares de floresta transformados em pasto. Aqui e ali, encontramos Castanheiras, espécie ameaçada de extinção, e, que tem sua derrubada proibida, por isso são poupadas. Vemos imensas áreas desmatadas, com alguns poucos indivíduos de Castanheira espalhados. É uma árvore imensa, chegando facilmente aos 40 metros de altura. São gigantes solitários, que parecem sentir a ausência da antiga floresta, de seus companheiros vegetais, dizimados pela sanha humana. É como uma (casta) família destinada ao isolamento. Fiquei muito impressionado com elas, com seu tamanho, com sua beleza, com sua solidão e com sua dor.

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COMO OS ANIMAIS GANHARAM CORES

Recontada por Lu Dias Carvalho

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Contam os povos bem antigos que o Criador não deu vida aos animais assim como eles são hoje, talvez pela pressa, ao ter tanta coisa para fazer. O fato é que os bichos eram acinzentados, sem nenhuma belezura de cor. Todos eram monocromáticos, o que dava uma tristeza danada, quando um mirava o outro. E foi com pena, de ver tanta melancolia nos olhos de seus bichinhos, que o Espírito Criador resolveu modificar aquela situação. Para tanto, escolheu um lugar bem visível na floresta, e fez nascer uma árvore que, em vez de folhas, estava carregada de caixinhas de todas as cores e dos mais diferentes matizes. Ali, cada animal iria escolher aquela com a cor que mais o agradasse. Se quisesse, poderia pegar mais outras e outras.

Os macacos foram os primeiros a aproximarem-se da gigantesca árvore, formando atrás de si uma fila que parecia não ter fim, tudo na maior ordem. Viram uma caixinha preta e resolveram pegá-la, mas alguns escolheram uma marrom mais escuro, outros optaram por uma bege claro, e mais outros acrescentaram um toque de amarelo ou de vermelho, bem a gosto deles. A onça escolheu para si uma caixinha com a cor preta, mas algumas de suas irmãs acharam que elas ficaram muito melancólicas, usando uma única cor. Resolveram então salpicar sobre si um pouco de amarelo, preto e branco. É por isso que encontramos onças pretas e onças pintadas.

As aves escolheram para si uma caixinha que continha as cores do arco-íris, de modo que cada espécie usou as sete cores, mas de conformidade com o gosto próprio. Umas usaram apenas duas cores, outras três ou quatro, e assim por diante. Os beija-flores esmeraram-se na coloração. O chefe dos urubus optou por uma caixinha preta, dizendo que deveriam usar uma cor básica, e todo o grupo seguiu-o. Certa ararinha ficou maravilhada com uma caixinha, que trazia um primoroso tom de azul, e escolheu-a para si, ficando com o nome de ararinha-azul. O tucano foi logo procurando cores chamativas: vermelho, amarelo, azul, verde e preto, cada espécie fazendo sua própria escolha, na maior democracia.

O Espírito Criador alegrava-se com o entusiasmo dos animais, qualquer que fosse a sua classe (mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios ou artrópodes), todos escolhendo, democraticamente, suas cores. E isso demorou luas e luas, pois havia tantos bichos na floresta que pareciam não acabar mais. Vez ou outra, uma espécie resolvia adicionar, ao pelo ou à plumagem, alguns matizes, enchendo-se ainda mais de belezura. E o Espírito Criador ali, na maior paciência, zelando para que todos saíssem satisfeitos. Se por acaso acabava uma caixinha com alguma cor, imediatamente era reposta. A mesma coisa foi feita com os animais aquáticos.

É por isso que os bichos são cheios de formosura, primor e perfeição.

Nota: imagem copiada de www.deccolar.com.br

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Pedro Américo – FALA DO TRONO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Fala do Trono, obra do pintor brasileiro Pedro Américo, é também conhecida como Pedro II na Abertura da Assembleia Geral.

O imperador, com seus suntuosos trajes, é a figura central da tela. De pé diante do trono, sobre um tapete vermelho, traz na mão esquerda a espada e na direita o cetro, que tem na parte superior a serpe imperial, um ornato em forma de serpente, símbolo da Casa de Bragança. Uma magnífica coroa de ouro, cravejada de pedras preciosas, cinge-lhe a cabeça. Seu manto azul-escuro na parte externa, e vermelho na interna, está ricamente bordado. No peito, ele traz uma murça alaranjada, confeccionada com penas do papo de tucano. Sua barba, bigodes e cabelos aloirados são cheios e bem aparados. Os olhos azuis estão focados ao longe. Atrás dele é possível ver parte do trono de madeira, ricamente trabalhado, com uma águia e um querubim.

À direita do monarca, num plano inferior ao seu, encontram-se várias figuras políticas da época, elegantemente vestidas, dentre elas o visconde do Rio Branco e duque de Caxias. Estão voltadas para o observador, aguardando o pronunciamento do imperador, que acontecia, anualmente, na abertura da Assembleia Geral.

Acima do grupo de políticos, na tribuna, estão a imperatriz Tereza Cristina e a princesa Isabel, estando a última a conversar com o marido, conde d’Eu, detrás dela. O marquês de Tamandaré está de pé atrás da imperatriz.

Ficha técnica
Ano: 1872
Dimensões: 288 x 205 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo do Museu Imperial, Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de pesquisa:
Pedro Américo/ Coleção Folha

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COMO NASCEU O TAMANDUÁ-BANDEIRA

Recontada por Lu Dias Carvalho

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A chuva forte despencou do céu sobre a floresta. A princípio, os índios acharam mais do que natural, pois as florestas tropicais são banhadas pelas águas diariamente. Eles começaram a se preocupar, quando observaram que ela não parava nem um tiquinho de tempo, entrando noite e saindo dia. Depois, observaram que os rios estavam a engolir a terra com sua vegetação e os bichinhos, que viviam perto do solo. E mais depois, alguns poucos humanos puderam observar que a enchente atingia o topo das árvores mais altas, ingerindo tudo, como se estivesse esfomeada.

Apenas uns poucos guerreiros de certa tribo conseguiram se salvar, pois ficaram deitados nas folhas da Coccoloba, que possui a maior folha do mundo, singrando de um lado para outro. Mas nem mesmo sabiam se teria valido a pena sobreviverem, tamanha era a tristeza em que se encontravam. Tudo era uma grande monotonia, só cortada pela voz deles ou pelo crepitar da madeira nas fogueiras. Não havia ficado nem mesmo uma avezinha com seu trinado, para quebrar aquele silêncio de morte, enquanto as florestas iam reaparecendo.

Aqueles valentes guerreiros, já acabrunhados pela melancolia, suplicaram ao Grande Espírito que trouxesse de novo à floresta todos os seus animais. E foram atendidos. Tudo seria recriado como dantes pelo anjo enviado, sendo feito das cinzas dos carvões da primeira fogueira feita pelos sobreviventes, após o dilúvio. O orvalho serviria de líquido para moldar a massa. Todo o serviço só poderia ser feito à noite. Os animais foram sendo recriados, tanto os do céu quanto os da terra.

A onça, por ser a rainha da floresta tropical, foi a primeira a ser criada, depois veio o macaco, o gavião, a anta, e assim por diante. Os animais nasciam sem saber nada, tendo que aprender tudo: voar, cantar, subir nas árvores, que alimento comer, correr, pular, nadar, etc. Era uma dura tarefa, mas que foi integralmente cumprida. O Grande Espírito deu ordem a seu anjo para que retornasse, mas esse alegou que ainda tinha um punhado de cinzas e uns pedacinhos de carvão. Recebeu a ordem de ficar apenas mais uma noite, não mais do que isso, usando o restante do material.

O anjo começou a modelar, calmamente, um animal que fosse bem diferente. Fazia um molde e não achava bom. Depois fazia outro, e mais outro, e assim foi durante grande parte da noite. Não poderia deixar nenhum material sobrando. Optou por fazer um bicho bastante forte, com um comprido e tubular focinho, e, que tivesse garras poderosas. Para deixá-lo mais charmoso, agregou-lhe uma longa cauda, semelhante a uma bandeira. Ainda faltava ao modelo alguns apetrechos, quando o anjo percebeu que o dia estava chegando. Bom ou ruim, ele deu seu trabalho por terminado, conforme as ordens recebidas.

Ao ganhar vida, o animal não gostou muito de sua pobre figura. Faltavam-lhe os dentes, e, além do mais, a língua era extensa e mole, incapaz de trabalhar alimentos duros. Mas, antes de desaparecer numa nuvem, o anjo, condoído, gritou-lhe:

– Busque como alimento aquilo que não seja necessário mastigar. As formigas, que existirão sempre em demasia, são um bom prato, assim como os cupins. Use apenas a sua enorme língua pegajosa para apanhá-los. E o melhor é que você não terá concorrentes.

É por isso que o tamanduá-bandeira, que significa “o comedor de formigas“, deita e rola nos formigueiros e cupinzeiros. Por causa de sua cauda vistosa e festiva, foi-lhe acrescido o nome de “bandeira”, porém, é muitas vezes apelidado de “papa-formiga”.

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Pedro Américo – JUDITH E HOLOFERNES

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Judith e Holofernes, obra do artista brasileiro Pedro Américo, é baseada num tema bíblico, tendo sido pintada por vários artistas, como Sandro Botticelli, Artemisia Gentileschi, Caravaggio, Donatello, entre outros, através da história.

Judith, revoltada com as ameaças do general assírio, Holofernes, a seu povo, tentando obrigá-lo a adorar o rei assírio Nabucodonosor em vez de Javé, aproveita-se do estado de embriaguez do tirano, depois de seduzi-lo, cortando-lhe a cabeça.

Embora Judith seja comumente representada ao lado de sua criada, que a ajuda na execução do assassinato, Pedro Américo optou por mostrá-la sozinha, festivamente trajada com um vestido de renda branca, tendo por cima uma saia de fundo escuro com estampas douradas. A parte de cima traz um sensual decote, contornado por uma fita de renda, com imensas mangas. Um xale de seda está amarrado à sua cintura, caindo sobre a saia. Ela está ricamente ornada por joias que lhe enfeitam a cabeça, orelhas, braços e mãos.

Judith, de pé no centro da composição, levanta os braços e os olhos para o céu, agradecendo a Javé o sucesso de seu propósito. À sua esquerda está a cama do acampamento de Holofernes e do outro lado, no chão, a espada, ainda coberta de sangue, com que perpetrou sua vingança. A cabeça sangrenta do general assírio jaz à frente de Judith, sobre um tapete, , destacando seus cabelos pretos e longo nariz.

Conforme a história apresentada no livro bíblico, Judith era uma viúva próspera e de boa conduta. Era bela nas formas e de presença encantadora. Para seduzir Holofernes, retirou os trajes de luto e botou uma vestimenta de festa, acompanhada de muitas joias, e se introduziu no seu acampamento e bebeu com ele. O momento para assassinar o tirano era único, já que os judeus estavam prestes a se render diante das forças do inimigo, que, após o crime, saíram em debandada. Depois, ela regressou à Betulia com a cabeça do general, e os judeus venceram o inimigo. Judith voltou da tenda do herege tão pura quanto ali chegara, sendo honrada por seu povo, e foi tida como uma heroína que deveria ser imitada. Esta passagem é narrada no Antigo Testamento, no Livro de Judith.

Ficha técnica
Ano: 1880
Dimensões: 229 x 141,7 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo do Museu Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de pesquisa:
Pedro Américo/ Coleção Folha

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O ARCO-ÍRIS E OS DOIS AMANTES

Recontada por Lu Dias Carvalho

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Os índios brasileiros acreditam que o Bem e o Mal vivem em permanente luta, do modo que um tenta sobrepujar o outro desde o comecinho do mundo, sendo que ora um ganha, ora outro perde, numa infindável mudança de posições. É por isso que ninguém é feliz e tampouco infeliz o tempo todo.

Certa tribo do sul de nosso país, que vinha sofrendo perversamente com a visita constante do Mal, reuniu seus homens mais idosos, e, portanto, mais sábios, para que criassem um artifício para deter as investidas de ser tão cruel. Durante dois dias e duas noites, em permanente jejum, eles convocaram todos os bons espíritos da floresta para que lhes dessem sabedoria, a fim de encontrar uma saída, de modo a proteger seu povo. Sabiam que jamais seriam capazes de banir totalmente a maldade, mas poderiam, pelo menos, aquietá-la com mais frequência, recebendo a bondade mais assiduamente. E a iluminação tão ansiada chegou até eles, embora com ela viesse certa dose de sofrimento.

A chegada de cada primavera assinalava que uma das mais belas jovens da aldeia seria sacrificada, ou melhor, ofertada ao Mal em casamento. Ela tinha que ser casta, e nem mesmo seu olhar poderia fitar homem algum. Ao desposá-la, o Mal deixava a tribo em paz por algum tempo. Escasseavam-se as doenças, as secas, as enchentes, as tempestades nervosas, as pragas nas lavouras e a guerra entre as tribos rivais. A garota selecionada, portanto, via na sua escolha uma forma de ajudar sua gente. Aceitava seu sacrifício com heroísmo e benevolência.

Naquela primavera, a escolhida foi a primorosa filha do cacique. Ela sabia que tinha que devotar sua vida ao bem de seu povo, como fizeram tantas outras jovens antes dela. Restava-lhe, portanto, aguardar o dia do casamento, conforme os ditames do Mal, que exigia que fossem feitos muitos convites às aldeias vizinhas. E, assim, no dia que antecedeu as núpcias, os convidados começaram a chegar, ornados com suas maravilhosas pinturas. Dentre eles encontrava-se um vistoso guerreiro de uma tribo mais distante. Num relance, os olhos dos dois jovens cruzaram-se, nascendo daí uma paixão incapaz de ser domada até mesmo pela crueldade do Mal.

O casal, aproveitando o corre-corre na aldeia, refugiou-se nas margens do rio Iguaçu, onde, além de trocarem carícias, também planejaram a fuga na noite do casamento. Contudo, coitadinhos, o Mal estava a espreitá-los, deixando que os planos fossem feitos, para depois puni-los no flagrante. E assim aconteceu. Enquanto fugiam velozmente numa canoa, como se as águas do rio estivessem a ajudá-los, foram surpreendidos por uma gigantesca serpente, que desceu dos céus em direção às águas do Iguaçu. Ao cair no meio do rio, abriu uma cratera gigantesca, que engoliu a embarcação, e esparramou água por todos os lados, nascendo ali as Cataratas do rio Iguaçu.

O Mal ainda não estava satisfeito em sua vingança. Para completá-la, transformou a bela índia numa pedra, depositada em meio às espumas brancas da cachoeira, e o guerreiro numa palmeira, que ficava lá no topo das cataratas. Ele poderia vê-la, mas jamais tocá-la. Contudo, o Bem não permitiu que um amor tão lindo assim pudesse morrer. Deu ordem ao vento  para que, quando chegasse, sacudisse com força as folhas da palmeira, a fim de que ela enviasse mensagens de amor à pedra, e, quando fosse primavera, levasse suas flores até ela. E o Bem fez mais pelo casal, fato que acontece até os dias de hoje: quando o arco-íris visita as Cataratas do Iguaçu, ele une a palmeira e a pedra, momento em que esses dois elementos voltam a transformar-se em gente, como eram antes. Enquanto dura o arco-celeste, os dois amantes vivem momentos de grande paixão. E repetem doces juras de amor, aguardando a chegada de um novo arco-íris. E a lua, embevecida, comove-se com a ternura dos dois amásios.

Nota: imagem copiada de www.indoviajar.com.br

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