Pedro Américo – TIRADENTES SUPLICIADO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição histórica Tiradentes Esquartejado, obra do pintor brasileiro Pedro Américo, também é conhecida por Tiradentes Supliciado. O impacto desta aflitiva composição, feita com um extremo realismo, tem sido motivo de muito estudo, artigos e teses até os dias de hoje.

O corpo do inconfidente mineiro, Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, depois de esquartejado, é mostrado de uma forma contundente pelo pintor. As madeiras, em que seu corpo encontra-se, possuem a forma de uma cruz, lembrando o suplício de Jesus Cristo. A cabeça ensanguentada encontra-se num patamar mais alto, enquanto o tronco, braço direito e uma perna estão no inferior. Pendurada em um gancho de madeira, e amarrada por cordas, uma perna desce até quase o chão. Sob o tronco do mártir foi colocada uma cruz. Atrás dela está a corda, onde Tiradentes foi enforcado, e outros instrumentos usados para desconjuntar o corpo, com o sangue ainda a escorrer deles.

Ao fundo, descortina-se a paisagem da cidade. E de uma casa próxima ao local é possível ver pessoas que observam a crua cena.

Ficha técnica
Ano: 1893
Dimensões: 270 x 165 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil

Fonte de pesquisa:
Pedro Américo/ Coleção Folha

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O NEGRINHO DO PASTOREIO (I)

Recontada por Lu Dias Carvalho

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Gente má existiu e sempre existirá neste mundo, em quaisquer que sejam as épocas. E numa delas, em que se pode precisar o tempo, como sendo o da escravidão, aconteceu um fato muito triste aqui em nosso país.

Certo fazendeiro, que mais se parecia com o filho do diabo do que do Criador, era senhor de muitas terras, muitas reses e muitos escravos. A sua riqueza evoluía na mesma proporção em que sua maldade crescia em relação aos menos favorecidos. Assim, esse tal senhor, no inverno de certo ano, por sinal muito gélido, comprou duas dúzias de reses da melhor e mais cara espécie, encarregando um meninote negro, ainda imberbe, para delas cuidar, quando no pasto estivessem.

O molecote levava todos os dias o gado para a pastagem e, à tardinha, voltava com ele, estando na maioria das vezes faminto, pois tinha que se valer com as frutas que encontrava pelo caminho. De uma feita, ao contar as reses, o que fazia diariamente, o homem deu pela falta de um novilho. Depois de castigar impiedosamente o garoto, fez com que ele retornasse ao campo em busca da rês desgarrada.

Já estando muito cansado de tanto procurar o novilho e já sendo noitinha, o garoto, usando um toco de vela, encontrou-o, por sorte, pastando detrás de uma moita alta de capim. Laçou-o, mas seu cavalo e suas forças eram fracas para conter um animal no auge de sua resistência. O laço rompeu-se e o novilho desapareceu em disparada. Já era noite alta, quando o rapazola voltou para contar ao amo o que lhe acontecera. Como castigo, o menino negro, depois de apanhar muito, foi amarrado pelos pés e mãos, e deixado nu dentro de uma cova, que não era outra coisa senão um formigueiro aberto.

No dia seguinte, o fazendeiro mau, acompanhado de um grande séquito, a quem queria  mostrar sua valentia e dar exemplo, retornou ao lugar, onde se encontrava o menino negro, para dar continuidade ao suplício. O grupo foi parado inesperadamente por uma nuvem que se levantava da cova, tendo em seu seio o pequeno mártir, ascendendo aos céus, como um santo.

Conta-se que, até os dias de hoje, as pessoas do lugar e adjacências, quando perdem alguma coisa, fazem promessas ao Negrinho do Pastoreio para encontrá-la, sendo comumente ouvidas.

Nota: imagem copiada de www.studioclio.com.br

Fonte de pesquisa
Literatura oral para a infância e a juventude/ Henriqueta Lisboa

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Pedro Américo – A LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição histórica A Libertação dos Escravos, obra do pintor brasileiro Pedro Américo, retrata a Abolição da Escravatura, no Brasil.

Quando se deu tal acontecimento, Pedro Américo postulou pintar uma tela monumental sobre o tema, mas a quase que imediata proclamação da República mudou seus planos. Assim, o que vemos aqui é apenas o esboço do trabalho que seria feito pelo artista, onde figuras alegóricas, em semicírculo, tendo ao redor uma construção clássica, que ocupa o fundo da tela, repassam a impressão de uma arena antiga.

No centro da pintura encontram-se dois escravos ajoelhados diante da figura alegórica que representa a Liberdade. De braços abertos, ela parece abençoá-los. Um garotinho negro está próximo ao grupo, de cabeça baixa, sentado no chão. Às costas do grupo, o demônio, símbolo da escravidão, encontra-se caído e morto.

Na parte superior da tela está a alegoria alada da Vitória, acompanhada dos gênios da Música e do Amor. Uma grande cruz marca o lado direito, ao alto, envolta por anjos com vestes bancas. Sentada em um trono, com um manto verde e murça amarela, uma alegoria traz um cetro na mão. Possivelmente trata-se da figura da princesa Isabel, responsável por assinar a Lei Áurea.

As figuras de várias mulheres estão presentes no quadro, assentadas ou de pé.

Ficha técnica
Ano: 1889
Dimensões: 138,5 x 199 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil

Fonte de pesquisa:
Pedro Américo/ Coleção Folha

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COMO SURGIU A MANDIOCA

Recontada por Lu Dias Carvalho

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Muitos e muitos anos atrás, todos os índios de certa tribo amazônica viviam na mais harmoniosa paz. O cacique era um homem de bom coração, admirado por todos, mas irredutível no que diz respeito aos bons costumes de seu povo. Sua família também era muito generosa e de boa conduta, a quem foi ensinado o respeito às pessoas,  aos bichos e a todas as coisas da natureza. Dentre os cinco filhos do chefe, só havia uma menina, trabalhadora como a mãe e muito admirada pela tribo.

Certo dia, ao observar as mudanças no corpo da filha, a mãe notou que ela estava prenhe. Imediatamente dividiu a notícia com o cacique, seu marido. À moça foi imposta o dever de revelar o nome do pai do rebento que estaria por vir, mas tudo em vão, pois ela jurava não ter tido relação sexual com homem algum. Mas no saber do morubixaba era preciso a semente de um homem para emprenhar uma mulher. Se ela não queria tornar conhecido o infrator, a fim de castigá-lo, seria preciso matá-la, para não desonrar os costumes antiquíssimos da tribo, que rezavam que o rapaz devia sempre pedir ao pai a mão de sua filha em casamento.

Na noite em que antecedeu o dia marcado para o sacrifício da jovem índia, o cacique, muito pesaroso, recebeu, em sonho, a visita de um homem diferente, dizendo-lhe que sua filha era inocente, e, que não deveria ser morta, pois falava a mais pura verdade. Temeroso com o aviso recebido, o morubixaba contou o ocorrido à tribo, sendo o sacrifício esquecido, segundo a anuência de todos. Assim, livre de qualquer empecilho, a gravidez da jovem índia transcorreu na mais perfeita normalidade.

Mandi nasceu com a pele branca como o leite de égua e os cabelos dourados como as espigas de milho sob o sol equatorial, algo nunca visto na história da tribo. Os índios mais idosos, amedrontados, viram nisso um mau presságio. Alguma coisa ruim estaria para acontecer ao povo e às plantações. Para evitá-la, pensaram eles, seria necessário matar a recém-nascida. Mas o cacique, ainda se lembrando do sonho que tivera, disse a seu povo que os bons espíritos exigiram que a garotinha permanecesse entre eles, sendo muito bem tratada por todos. E assim aconteceu.

A criança, à medida que crescia, tornava-se cada vez mais amorosa e bela como as flores da floresta. Era amada por sua tribo, encantando a todos. Só que um dia, inesperadamente, ela morreu, como se fosse um passarinho. Ninguém sabia o motivo. Todos a choraram dia e noite. E, para alegrar o coração de seu inconsolável avô, seu corpinho foi enterrado na pequena praça do interior da taba, bem pertinho de sua maloca, onde ele poderia chorá-la sempre que se sentisse triste.

Certo dia, o cacique notou a presença de uma plantinha, regada com suas lágrimas, onde fora enterrada Mandi. Alguns dias depois, deparou-se com fortes raízes, que levantavam a terra para sentirem a luz do sol. Por fora, elas traziam uma casca preta, mas por dentro tinham a mesma cor da pele da pequenina Mandi. A aldeia entrou em festa, com todos compartilhando aquela deliciosa iguaria, que foi transformada em beijus, farinhas, mingaus e cauim. Ela recebeu o nome de “mandioca” que significa “a casa de Mandi” ou o “corpo de Mandi“. A mandioca não apenas passou a fazer parte da alimentação das aldeias, como também tomou parte na mesa de todos os brasileiros. Tem, inclusive, outros nomes como aipi, aipim, uaipi, macaxeira, maniva, maniveira, pão-de-pobre, etc.

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Pedro Américo – SÃO JERÔNIMO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição São Jerônimo, obra do pintor brasileiro Pedro Américo, foi pintada quando ele se encontrava na Europa.

São Jerônimo, tido como um dos quatro doutores da Igreja Católica, ao lado dos santos Agostinho, Ambrósio e Gregório, tem sido o mais registrado na pintura, nos mais diferentes estilos e modos. A sua representação ao lado de um leão é a mais conhecida.

No quadro acima, a pintura de Pedro Américo foge ao lugar comum. O artista optou por encher totalmente a tela apenas com a cabeça do santo, numa disposição diagonal, da direita para a esquerda. O rosto de São Jerônimo encontra-se todo luminoso, diante de um fundo escuro, que o destaca ainda mais.

Um manto cobre a cabeça do santo, descendo por seus ombros e ocultando-os, deixando à vista apenas parte de sua cabeça calva, com cabelos brancos visíveis na lateral esquerda. Seu rosto, marcado por sulcos profundos, traz  bigode e barbas brancos. Embora os olhos encavados  mostrem-se fechados, repassando a impressão de que o santo está morto, na verdade ele apenas dorme.

Ficha técnica
Ano: 1867
Dimensões: 22 x 16 cm
Técnica: óleo sobre madeira
Localização: Acervo do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de pesquisa:
Pedro Américo/ Coleção Folha

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PORQUE O SOL ESCONDE-SE À NOITE

Recontada por Lu Dias Carvalho

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Não se podia dizer que na tribo houvesse quem mais amasse os animais e as plantas do que aquele jovem índio, que com eles passava todo o tempo em que não estivesse ajudando seu povo. Não apenas entendia a linguagem dos bichos como a das plantas, desde as menorzinhas às gigantescas.

Certa noite, ao observar o céu, viu que nenhuma estrela aparecia, ainda que não estivesse chovendo ou ameaçando temporal. Alguma coisa estava errada. Uma noite escura não poderia prescindir de seus astros luminosos. Perguntou a vários bichos o que estava acontecendo, mas nenhum deles sabia responder ou tinha medo de contar. Por fim, encontrou a raposa que, enraivecida, contou-lhe que o culpado era o urubu-rei, que havia roubado as Estrelas para com elas ornar sua cabeça. Em sua vaidade, ele queria ter o penacho mais resplandecente do mundo dos homens e dos animais.

O índio procurou o urubu-rei para que confirmasse a história contada pela raposa. Raivoso, esse o ameaçou com suas garras afiadas e bico. Os dois entraram em luta corporal, mas o índio acabou vencendo, colocando a grande ave sob sua ordenança. Só a soltaria quando  devolvesse ao firmamento suas Estrelas, pois ainda não existia o Sol e nem a Lua. Ainda assim, o animal fez pouco caso do aviso recebido. O índio, então, começou a retirar as penas que compunham o penacho do presunçoso. Cada pena tirada, e lançada ao ar, voava para o alto até atingir o firmamento, e lá virava Estrela de novo. Quase ao final, retirou uma pena prateada e, ao lançá-la ao ar, viu que ela havia se transformado na Lua. Uma pena dourada, que ainda restava na cabeça da ave, ao ser lançada,  encheu o céu de tanta resplandecência, que apagou o brilho das Estrelas e da Lua. O índio murmurou então para si:

– Como seria bom, se o Sol dividisse seu tempo de brilho no céu com a Lua e as Estrelas, pois ele é tão poderoso, que oculta o tênue brilho delas.

E não foi que o Sol ouviu seu pedido e atendeu-o? Foi por isso que nasceu o dia e a noite. O Sol alumia durante o dia, e as Estrelas e a Lua alumiam durante a noite. Depois de tudo nos seus devidos lugares, o índio voltou  para sua oca e dormiu muito feliz por ter restituído ao firmamento os seus fulgurosos adornos, além de contribuir para o aparecimento do Sol e da Lua, que criaram o dia e a noite.

Nota: imagem copiada de gartic.com.br

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