Pedro Américo – JOANA D’ARC

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Joana D’Arc é uma obra histórica do artista brasileiro Pedro Américo, baseada na vida da heroína francesa do mesmo nome, no momento em que ela, aos 13 anos de idade, pensou ter escutado a voz de Deus, intimando-a lutar em defesa do soberano francês.

Ajoelhada, de frente para o observador, a figura ocupa a parte central da tela. Ela se encontra no jardim da casa de seu pai, onde algumas tábuas envelhecidas pelo tempo isolam o ambiente. Próximos a ela estão vasos com flores e um recipiente de cobre sobre uma velha mesa. Mais adiante vê-se uma gamela.

A heroína, que mais se parece com uma visão, encontra-se ajoelhada e com as mãos unidas. Seus enormes olhos negros estão voltados para o observador, numa expressão de um enorme anjo na parte clara da obra, cheio de luz, vindo de fora, é uma referência à presença de Deus. Ele traz consigo a espada da libertação.

Curiosidade
Joana D’Arc, uma camponesa analfabeta, recebeu o apelido de “A Donzela de Orleáns”. Esteve presente na Guerra dos Cem Anos como chefe militar, tendo sido queimada viva pelos inimigos, em 1431.  Foi canonizada pela Igreja Católica em 1920, e depois eleita como santa padroeira da França.

Ficha técnica
Ano: 1883
Dimensões: 229 x 156 cm
Técnica: óleo sobre tela
Localização: Acervo do Museu Nacional de Belas-Artes, Rio de Janeiro, Brasil

Fonte de pesquisa:
Pedro Américo/ Coleção Folha

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ALIMENTOS IMPORTANTES PARA A MEMÓRIA

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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O cérebro é o maior consumidor de energia de nosso corpo, sendo o responsável pela queima de cerca de 25% do total da glicose proveniente da dieta. Para se ter uma ideia, as células cerebrais não necessitam de insulina para receber a glicose, tamanha a necessidade de energia utilizada. Portanto, uma alimentação equilibrada tem impacto direto no desempenho cerebral e, consequentemente, na nossa memória.

Vários são os nutrientes que exercem uma função reparadora e protetora das células neurológicas, como é o caso das vitaminas B6, B12 e o ácido fólico. Alimentos como os vegetais de coloração verde escura (brócolis, couve, espinafre), feijões, carnes magras e cereais integrais são boas fontes desses nutrientes. Entretanto, de todos os nutrientes, os ácidos graxos ômega 3 exercem papel preponderante na memória.

Consumir mais ácidos graxos ômega-3 pode beneficiar as pessoas sob risco de desenvolver a doença de Alzheimer, sugere uma recente pesquisa. O estudo foi publicado em maio deste ano na revista “Frontiers in Aging Neuroscience”. Os pesquisadores analisaram 40 adultos mentalmente saudáveis, com idades entre 65 a 75, que tinham o gene variante APOE e4 que, em última instância, colocam-nos sob risco de evoluir para demência em estados mais tardios. Aqueles que consumiram maiores quantidades de dois ácidos graxos ômega-3 (DHA e EPA) saíram-se melhor em testes que avaliaram sua capacidade de alternar entre as tarefas mentais, chamados de flexibilidade cognitiva.

Esses e vários outros estudos demonstram os benefícios para a saúde dos ácidos graxos ômega 3, sendo o pescado marinho a sua principal fonte. O salmão, a sardinha, o atum e até mesmo os crustáceos são especialmente ricos. Portanto, as boas concentrações de ácidos graxos encontram-se em peixes de água salgada, produtos frescos que estão distantes das nossas Minas Gerais.

Nós mineiros, não temos esse tipo de peixe no nosso dia a dia, e nem estamos acostumados a comê-los, mesmo os de água doce. Foi o que demonstrou uma pesquisa realizada no primeiro trimestre deste ano pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), que traçou o perfil de consumo de pescado em nosso Estado. A pesquisa evidenciou que os mineiros preferem carne bovina (49%) como fonte de proteína nas refeições, seguida por frango (22%) e pescado (20%). Quanto à frequência de consumo de peixe, 47% (menos da metade) consomem somente uma vez na semana. Por sua vez, a dose diária recomendada de ômega 3 é de 250 mg para adultos, o que equivale a consumir peixe de três a quatro vezes por semana, como fazem os povos do mediterrâneo. Vemos que a nossa ingestão de ômega 3 é baixa. Para o leitor que tenha dificuldade para o consumo destes pescados, como deve ser o caso da maioria dos mineiros, ele pode optar pelo consumo de nozes, linhaça e chia, que são ótimas fontes deste ácido graxo. O suplemento de ômega 3 pode ser indicado. Mas com acompanhamento de médico ou de um nutricionista.

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Pintores Brasileiros – PEDRO AMÉRICO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Apesentou-se-nos um jovem brasileiro de 11 a 12 anos, Pedro Américo de Figueiredo Mello, que tem para o desenho as mais notáveis disposições. Executa diante de nós com grande rapidez desenhos que nos espantam. (Carta de Jacque Brunet ao governo provencial)

Tenho vontade de seguir a pintura histórica. Não sei se faço bem. (Pedro Américo)

O pintor brasileiro Pedro Américo de Figueiredo e Mello (1843-1906) nasceu na cidade de Areia, no estado da Paraíba, e morreu em Florença, na Itália. Vinha de uma família artística, sendo o avô, Manoel Cristo Mello, músico, assim como o filho Daniel Eduardo de Figueiredo Mello, pai do futuro pintor, que desde pequeno já mostrava seu talento no teatro, no canto e na música, época em que também produzia seus primeiros desenhos, com o objetivo de ornamentar as festas de igreja.

O naturalista Louis Jacques Brunet, que estudava cientificamente o país, e o pintor Bindseil, companheiro de expedição, ao conhecerem o trabalho do garoto, pediram ao governo da província a sua participação como desenhista, no projeto em execução. Também instaram o governo a tomar para si a sua educação, tamanho era o seu talento. E assim agiu o governo imperial, indo o garoto para o Rio de Janeiro, em 1854, aos 11 anos de idade, estudar na Academia Imperial de Belas Artes (Aniba). No ano seguinte, apesar de sua pouca idade, Pedro Américo recebeu duas medalhas de prata e uma de ouro, reafirmando o seu talento.

Depois de quatro anos no Rio de Janeiro, onde foi inclusive apelidado de “papa-medalhas”, pelo número de honrarias obtidas, era tempo de o artista buscar a Europa para aperfeiçoar seu talento. Encontrando-se suspenso temporariamente o Prêmio de Viagem ao Exterior, Pedro Américo escreveu ao imperador, falando-lhe sobre sua vontade de viajar para o exterior, e pedindo ajuda financeira, sendo prontamente atendido. E assim, chegou à França, em 1859, quando contava 16 anos, indo morar no pensionato de Victor Meireles, que viria a ser também um grande pintor. Na cidade luz, ele recebeu lições de Jean-Hippolyte Flandrin, Léon Cogniet, Joseph-Nicolas, Robert-Fleury e Sébastien Cornu, entre outros mestres. Ávido pelo saber, também estudou no Instituto de Física do sr. Ganot e na Sorbonne, frequentando aulas de filosofia e ciências naturais. Ao final do tempo de estudo ganho, esse foi prolongado por dom Pedro II, atendendo o pedido do artista. Enriquecido intelectual e artisticamente, Pedro Américo retornou ao Brasil, em 1864.

No Rio de Janeiro, o pintor passou no concurso para a cadeira de desenho figurado, na Academia. Mas pediu licença e retornou à Europa pouco tempo depois, fato que aconteceu inúmeras vezes durante sua carreira acadêmica. No continente europeu, ele aproveitou para conhecer inúmeros países, em busca de mais conhecimento. Na Bélgica, recebeu o título de doutor em ciências naturais da Universidade de Bruxelas, e, posteriormente, o de professor-adjunto.

Pedro Américo parecia ter predileção pela temática histórica, sendo valorizado pelo governo brasileiro, que queria ter seus feitos lembrados através da pintura, principalmente após sua vitória sobre o Paraguai. A Victor Meirelles também eram encomendadas telas históricas, sendo os dois artistas muitas vezes comparados. Mas também foi vítima de muitas críticas e polêmicas, principalmente na execução da tela Batalha do Havaí, sendo criticado por plágio. Chateado, viajou para a Itália.

O consagrado pintor brasileiro passou a gostar muito dos temas religiosos, talvez pela influência de sua viagem à Itália, tendo feito diversos quadros com tal temática. Também gostava do exercício literário, tendo escrito cerca de quatro romances, vários deles escritos sobre o mundo das artes e das ciências. Mas embora tenha ficado famoso através de suas pinturas históricas, o pintora também compôs várias alegorias, retratos e pinturas de temática religiosa e literária.

Pedro Américo de Figueiredo e Mello, após a proclamação da República, tornou-se deputado pela província da Parahyba do Norte, mas continuou viajando para o exterior. Ao término de seu mandato, voltou à Florença, na Itália, morrendo nessa cidade, aos 63 anos.

Fonte de pesquisa:
Pedro Américo/ Coleção Folha

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O NEGRINHO DO PASTOREIO (II)

Recontada por Lu Dias Carvalho

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As gentes de hoje não fazem ideia do que era o tempo da escravidão no Brasil, quando o fato de ser negro significava ser tratado como bicho sem valor. Naqueles tempos desgraçados, havia homens e mulheres que tinham no lugar do coração uma pedra bruta, pois não se apiedavam daquela gente sofredora, vinda à força de seus países, para aqui submeterem-se aos maus-tratos da nobreza e burguesia. Faziam-lhes todo tipo de maldade, sob a alegação de que os escravos não possuíam alma.

E é por causa dessa mancha vergonhosa na história de nosso país que chegamos à história do Negrinho do Pastoreio. Bem, esse rapazola sofria a sujeição de uma família, cuja malvadeza era ainda maior do que a imensa riqueza que possuía. O patrão era um homem dono de terras a perder de vista. E esse tal tinha um filho que era a corda de seu coração. Contudo, era impossível mesurar qual dos dois era mais perverso. Toda a raiva, que sentiam, era descontada nos seus escravos. E mais ainda nesse menino, negrinho como uma noite escura e de dentadura branca como a neve. Como não lhe fora dado um nome, recebeu o apelido de Negrinho, e assim era chamado por todos.

Se para os escravos não fazia diferença entre domingo, feriado e dia de semana, pois havia sempre uma quantidade de serviço a ser feito, Negrinho não tinha sossego nem mesmo durante a noite. De uma feita, o tal senhor resolveu fazer uma aposta com outro vizinho, para saber qual dos dois tinha o cavalo mais veloz. A Negrinho coube a tarefa de treinar o cavalo baio e participar da corrida.

No dia marcado, com a presença de toda a vizinhança, deu-se o evento. O cavalo baio, que vinha mantendo a dianteira, assustou-se com uma cobra e, por uma cabeça, perdeu a corrida. Negrinho sabia que se encontrava em maus lençóis. Estimulado pelo filho, o homem mau não via a hora de castigar o garoto. E assim o fez, deixando-o em carne viva. Negrinho adormeceu de dor e cansaço. Enquanto isso, o cavalo baio fugiu, levando os outros atrás. E num mesmo dia, o molecote recebeu duas sovas de chicote.

Negrinho foi obrigado a ir atrás dos cavalos, à noite, levando apenas um toco de vela para alumiar a escuridão. Os pingos, que escorriam pelo chão, iam se transformando em luz, a alumiar o caminho, de modo que lhe foi possível encontrar os cavalos, mas depois de amarrá-los, caiu no chão desmaiado de dor, cansaço e sono.

Ainda de madrugada, o filho do fazendeiro chegou pé ante pé e soltou o cavalo baio, e foi contar ao pai que Negrinho não o trouxera. O perverso mandou buscar o sofredor. Como não aguentava caminhar, o garoto veio amparado por dois escravos, sendo depositado aos pés de seu senhor. Apesar das explicações e dos pedidos de clemência, nada comoveu aquele demônio em figura de gente, que bateu no garoto ainda com mais força. Todo o seu corpinho estava dilacerado, espirrando sangue. Ele parecia morto.

Junto com os escravos, o satânico senhor começou a procurar uma cova para enterrar Negrinho. Encontraram um enorme formigueiro, e ali jogaram seu corpo para que as formigas devorassem-no. Depois do amanhecer do dia seguinte, o homem e o filho foram visitar o local, para se vangloriar do feito. Mas lá estava Negrinho, de pé, tendo ao lado o cavalo baio e mais trinta cavalos.

O menino montou no cavalo baio e partiu como um raio, enquanto o malévolo fazendeiro gritava por seus cavalos. E há quem diga que, até os dias de hoje, é comum encontrar o Negrinho montado no seu cavalo cor de ouro, seguido pelos outros, pois virara um anjo negro, e, que Nossa Senhora tomou-o por afilhado. Dizem também que, se alguém perder alguma coisa, basta interceder a ele para encontrar.

Nota: imagem copiada de textosmaravilha.blogspot.com

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PALAVRAS DE SOLIDARIEDADE QUE DÃO VIDA!

Autoria de Oswaldo Dalton

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Sou leitor assíduo deste blog e, lendo a história de uma leitora, não pude deixar de emocionar-me, e resolvi dizer-lhe algumas palavras, que talvez a possam levá-la a uma melhor reflexão sobre a vida. Sou idoso. Daqui a alguns anos, o meu terceiro turno vai se esgotar. E, nem por isto, deixo de viver o presente, com a maior força possível, pois ele é o que importa. Existe, li há algum tempo, uma tríade que todos nós temos interligada: pensamento, emoção e comportamento. Sempre que agimos – de uma forma ou de outra – estaremos percorrendo este caminho. Ninguém escapa deste percurso.

Quando nosso pensamento é negativo (por vezes, nem o percebemos, pois já está fazendo parte de nosso sofrer), estamos turbinando, negativamente, nossas emoções, o que gera extrema ansiedade, como se o mundo estivesse acabando, e fosse ocorrer um desastre iminente. Aí o TAG é diagnosticado. Com a ansiedade elevada ao grau máximo, nosso comportamento também é alterado, como você, amiga, bem descreve: “meu sono, que nunca foi abalado, está totalmente descontrolado, não consigo me concentrar no trabalho, é um bolo na garganta, só faço chorar”. Você é forte. A primeira palavra que disse foi: Boa tarde! Isto demonstra que há muita força em seu coração e, que pode mudar a vida.

Tenho um amigo que perdeu o filho às vésperas de sua formatura para médico, quando a família esperava que o menino maravilhoso, que só alegrias levava a todos, tivesse seu momento mais feliz. Ele estava em um cinema, divertindo-se, quando o resultado dos exames médicos – de rotina – chegou, inclusive o próprio médico, face à tragédia, encarregou-se de levá-los, até à casa de seu pai, meu amigo. Diagnóstico trágico: leucemia aguda. Significava somente alguns meses de vida. O mundo desabou violentamente sobre toda a família. Meu amigo juntou suas economias e partiu com o filho para os EEUU (na época não havia condições aqui, para um eventual tratamento). O jovem viajou sem entender muito bem a gravidade de sua situação, alegre como era. Seus pais faziam um esforço extraordinário para não demonstrar os sentimentos da imensa dor que lhes causava o acontecimento. Eles poderiam ter pensamentos negativos, porém, com bastante controle emocional, buscaram a cura do filho fora do país. Mas não foi possível. Ele morreu. Quando o pai chegou ao Brasil, fui um dos primeiros a tentar consolá-lo. Abracei-o intensamente. Ficamos assim, por minutos, e ele me dizia, chorando:

-Você se lembra como ele era? Saiu daqui dando risadas e, até de certa forma, feliz. Agora, voltei apenas com suas cinzas.

Meu amigo não teve condições de transportar o corpo do filho até o Brasil, e teve que consentir na cremação. Hoje, já idoso, ainda vive com a esposa e dois filhos. Continuou a sua jornada. Voltou a sorrir, embora jamais se esquecerá desse sofrimento.

Você, minha amiga, já pensou que há milhares de pessoas sofrendo, e, que de uma forma ou de outra, conseguem atravessar as paredes deste paradoxo, e conseguem voltar a sorrir como meu amigo? A vida é uma jornada e também um paradoxo. Temos que estar preparados para as alegrias e as tristezas, as quais todos encontrarão. Para isso, é importante que consigamos enfrentar nossas grandes decepções e nossos sofrimentos mais agudos com humor (no sentido genérico), e busquemos a superação, reunindo todas as nossas forças, para vencer mais uma etapa de nossa caminhada. Como iniciar tal enfrentamento? Como derrubar a parede que surge entre nossos sentimentos mais difíceis de serem suportados e aqueles que nos levam a gostar de viver? Voltemos ao que falei no início, na tríade que ressaltei: pensamento, emoção e sentimento. Você hoje está intensamente tomada por pensamentos negativos. E isso está lhe proporcionando ansiedades generalizadas e comportamentos ruins, como descontrole e dificuldades para trabalhar, o tal nó na garganta e o só pensar em chorar.

Que tal, amiga, até o retorno à sua consulta médica, começar a pensar positivamente? Tentar afastar os pensamentos negativos, a premissa de tudo que lhe está acontecendo? Sei que é difícil, mas, por que não começar a buscar saídas para a sua vida, longe desses pensamentos difíceis de serem suportados? Lembre-se de como sofreu meu amigo. Como conseguiu superar o sofrimento da perda tão significativa, como a vida de seu filho, prestes a se formar? Sei que ao ver sua esposa muito sofrida, seus filhos, irmãos e sobrinhos, todos preocupados com ele e sua mulher, sabia que tinha que superar, e continuar a caminhar pela vida, ver muito nascer do sol e chegada da lua.

Tive uma amiga que sofria muito com a obesidade, e mais ainda com os preconceitos. Havia feito regimes de todas as espécies e  exercícios. Emagrecia e voltava a engordar, porque não conseguia manter o regime. Um belo dia, acordou-se e disse-me que ia enfrentar tudo isso, que ia mudar de vida. Passou a frequentar uma academia de ginástica e buscou o auxílio de uma nutricionista. Os dias passaram e ela emagreceu, e nunca mais voltou a ser obesa. Agora está feliz. Mudou de vida! Este é o ponto. Seus pensamentos foram positivos. Buscou uma solução e a encontrou.

Por que você, minha amiga, não faz o mesmo? Não sei bem o seu caso. Apenas contou que seu marido saiu de sua vida. Mas quer também perder a sua vida? Será que é justo?  Não poderia buscar outra saída, como aquela que trouxe forças aos meus amigos, acima citados? Em meio ao sofrimento, podemos nos afastar da realidade e deixarmos de enxergar que somos alguém. Você precisa pensar positivamente. E há muito que pode fazer, independentemente de seu trabalho, para buscar pensamentos bons. Sei que isto não irá resolver, de imediato, seus problemas. Mas é preciso dar os primeiros passos, como um bebê. Ele engatinha, cai e levanta, cai e levanta. E, de repente, não cai mais.

Você, minha amiga, precisa mudar de vida! É evidente que uma academia de ginástica e nutricionista poderão levá-la a perder seus quilos a mais, porém, o mais importante, é que estará preocupada em fazer os exercícios e a preparar seus alimentos. Já é um começo. Se há solidão, por que não praticar os sentimentos mais maravilhosos que habita o ser humano, como a solidariedade e a compaixão? Aí encontrará espaço para o pensamento positivo, e estará cercada de pessoas, que irão preencher o vazio de sua vida.

Alguns reforçam seu espírito buscando famintos nas ruas e mitigando-lhes a fome. Outros vão ao encontro dos analfabetos, ensinando-lhes a ler e a escrever. Há quem procura doentes para ajudá-los na cura, ou para estarem ao lado deles, para  suportarem o sofrimento. Há quem, nas noites de frio, achegam-se aos indigentes para lhes dar um cobertor. Existem aqueles que se dedicam às crianças doentes, portadoras de deficiências físicas ou mentais, muitas delas abandonada, exploradas, violentadas e oprimidas, ajudando-as em casas de abrigo, com alimentação, educação, cultura, saúde e o sagrado direito de viver com dignidade. Não posso me esquecer daqueles que tentam proteger a natureza e os animais abandonados. São sábios e sensíveis. Se prestarmos bastante atenção, iremos sentir que Deus habita em seus corações. A compaixão e a solidariedade, filhas legítimas do amor, são sentimentos lindos, que nos trazem bons pensamentos.

E aí está a saída: mude sua vida! Enfrente seus problemas, buscando a realidade e não se escondendo, ou se abrigando nos pensamentos negativos. Eles são a origem de todo o sofrimento que está passando. Não se avalie negativamente. Não tenha medo, atue. Busque seu espaço, e elimine de seu coração todo passado de sofrimento. Seja positiva. Olhe ao seu redor. Há um mundo maravilhoso. Precisa prosseguir na sua jornada, desfrutando a vida, que é um dom de Deus. Há que se tratar com medicamentos e com pensamentos positivos. Tenho a certeza de que terá dias muito felizes em sua vida.

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Antonello da Messina – SÃO JERÔNIMO EM SEU GABINETE

Autoria de Lu Dias Carvalho

O quadro São Jerônimo, obra do pintor italiano Antonello da Messina, encontra-se entre as suas obras mais admiradas, podendo ser notada a preocupação que o pintor tinha com a profundidade da composição.

O quadro mostra as partes de uma edificação sagrada, com todos os atributos de uma igreja, tendo São Jerônimo, ainda jovem, sentado ereto e distante do espaldar da cadeira, com um livro às mãos, como a única figura humana presente na composição. Trata-se de uma obra de arquitetura austera que é equilibrada com a figura central de São Jerônimo em meio a seus livros, rodeado por animais e plantas e também pela paisagem que se vê através das janelas.

Em primeiro plano o observador depara-se com um arco de pedra que emoldura a maior parte da composição, elemento influenciado pela pintura flamenga. Um piso de azulejos, cujas linhas afluem à distância, tem por objetivo intensificar a profundidade por meio da perspectiva, técnica muito comum empregada no Renascimento. Uma grande nave vem a seguir, onde se encontra o local de trabalho do santo. À direita e à esquerda desta, os olhos do observador caminham por espaços abobadados, passando pelas janelas e adentrando numa imensa paisagem semelhante à de Messina. O pintor realçou o tamanho e a largura do espaço com o uso da luz e da sombra.

Antonello coloca as mãos de São Jerônimo e o livro exatamente no ponto em que as linhas dos azulejos centrais possivelmente convergiriam, se não encontrassem uma obstrução na perspectiva central. Para lá também afluem as diagonais das janelas, colocando em destaque o estudo do santo. Proporcionalmente ao tamanho do quadro, o santo é bem pequeno, o que parece distanciá-lo ainda mais do observador. Em primeiro plano destacam-se o muro exterior, depois o espaço com os azulejos e a cela dentro, vindo o santo a seguir. Na prateleira superior da pintura é possível divisar os vasos de cerâmica de procedência holandesa.

O estúdio visto na obra de Antonello traz as características do estilo flamengo, numa exuberância de pormenores, características da escola do norte, onde tudo se encontra modelado com perfeição: plantas, recipientes, caixas, livros (em pé ou deitados), pano, dedos entre as folhas do livro, etc. Contudo, os vãos nas laterais direita e esquerda da composição correlacionam com o ideal do renascimento italiano. Portanto, o artista une duas diferentes tendências estilísticas em sua composição.

São Jerônimo traz na sua simbologia a figura de um leão, sendo muitas vezes representado a curar a ferida desse animal, ou o tendo sentado perto de sua mesa de leitura. Porém, no quadro de Antonello o animal encontra-se distante do santo, no espaço vazio às suas costas, com uma das pernas levantadas, na qual se encontra a pata ferida.

No quadro são vistos quatro tipos de animais em destaque: leão, gato, perdiz e pavão-real. Além desses, através de uma das janelas, é possível ver outras aves e dois cavalos. O leão faz parte da lenda e o gato pode representar o guardador dos livros, ao devorar os ratos que os roem. Não é possível decifrar com precisão a simbologia da perdiz e do pavão-real. Seria o último a lembrança do paraíso ou o símbolo da vaidade, embora não esteja com a cauda aberta? A vasilha à sua frente significaria uma fonte batismal, capaz de limpar todos os pecados?

O artista elaborou com esmero a vista que se descortina através das janelas: à esquerda, vê-se uma cidade, onde algumas pessoas remam, outras montam a cavalo e passeiam, árvores, flores, edifícios, montanhas e muralhas, enquanto à direita, existem apenas árvores e montes, um possível contraste entre a cidade e o campo, entre a diversão e o isolamento. São Jerônimo via nas cidades a perdição da alma e no campo a salvação. E, como o simbolismo religioso estava presente na pintura da época, a parte direita da composição pode estar representando a morada do Espírito Santo e a da esquerda a da perdição. O que significa que o santo encontra-se entre Deus e o diabo, entre o bem e o mal.

Ficha técnica
Ano: entre 1460 e 1475
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 46 x 36,5 cm
Localização: National Gallery de Londres, Grã-Bretanha

Fontes de pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
Arte/ Publifolha

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