Klimt – O TEATRO EM TAORMINA

Autoria de Lu Dias Carvalho

TEATAO
A pintura O Teatro em Taormina, obra do artista austríaco Gustav Klimt, e que mostra uma cena de dança e música, é um dos quatro afrescos pintados pelo artista no Burgtheater.

Klimt organizou sua obra em três planos:

1. O primeiro mostra uma cena teatral, com vários personagens.
2. O segundo é preenchido por uma série de colunas, trazendo embaixo um grupo de pessoas que conversa entre si, enquanto um personagem desce as escadas, deixando o local, próximo à estátua de uma vitória alada.
3. O terceiro apresenta a baia da Sicília e um circo romano, no fundo.

À esquerda, em primeiro plano, três figuras femininas estão próximas a um jardim florido. Duas delas, a flautista e a dançarina, tocam instrumentos musicais, enquanto uma terceira dança com um longo véu. Duas das personagens estão nuas, em contraste com uma que se encontra vestida da cabeça aos pés.

Na parte esquerda, ainda em primeiro plano, duas figuras masculinas acompanham a dança, recostados em seus leitos.

À época, a pintura vienense tinha caráter de historicidade, o que obrigava os pintores a se enfronhar na história, de modo a trazer para a composição a maior veracidade possível.

Ficha técnica
Ano: 1986-1888
Técnica: óleo sobre fundo de estuque
Dimensões: c. 750 x 400 cm
Localização: Burgtheater, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha

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Klimt – O ABRAÇO

Autoria de Lu Dias Carvalho

OABRA

O painel O Abraço faz parte de um trio de paineis que Gustav Klimt fez para ornamentar o refeitório de uma vila em estilo art nouveau, em Bruxelas, na Bélgica. A decoração feita com enormes mosaicos recebeu o nome de O friso Stoclete.

Na composição O Abraço, uma mulher e um homem entrelaçam-se num forte abraço. O personagem masculino, vestindo um longo quimono, e de costas para o observador, deixa visível apena parte do cabelo negro, pescoço e costas. A figura feminina, por sua vez, apesar de encoberta pelo corpo masculino, como se fosse um muro à sua frente, traz o rosto e a mão direita visíveis, e uma pequena parte da esquerda. Também é possível distinguir parte da roupa feminina, em razão das cores e da diferença dos elementos decorativos.

Ficha técnica
Ano: 1905-1909
Técnica: mista (têmpera, aquarela, giz e lápis branco sobre papel)
Dimensões: 194 x 121 cm
Localização: Österreichische Museum für Angewandte Kunst, Viena (Áustria)

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha

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Klimt – JUDITH I

Autoria de Lu Dias Carvalho

JUDITI
A composição Judith I, do pintor austríaco Gustav Klimt, é sem dúvida a sua obra mais conhecida. Nela, o artista usa como tema o mito de Judith, a bela viúva judia, que, revoltada com as ameaças do general assírio, Holofernes, a seu povo, tentando obrigá-lo a adorar o rei assírio Nabucodonosor em vez de Javé, aproveita-se do estado de embriaguez do tirano, depois de seduzi-lo, decapitando-o.

Na tela de Klimt, além de bela, Judith não faz o papel de uma viúva recatada, mas de uma mulher exuberante e fatal, vista a meio corpo, usando uma blusa transparente, que deixa um dos seios à vista. Tampouco ela se mostra como uma ameaça apenas para o general assírio Holofernes, mas sim para todos os homens, pois no fim do século passado, os impulsos sexuais femininos eram vistos como insensatos e perigosos.

Os trabalhos de Klimt sempre causavam polêmicas e este não foi exceção. O rosto de sua Judith é um convite ao prazer, ou remete ao estado de embriaguez da mulher, após o ato sexual, quando deixa seu amante prostrado. Seus lábios entreabertos e os olhos fechados, são indicativos de sua excitação após ter matado Holofernes.

Judith, seminua, traz na mão direita a cabeça de Holofernes, mas em vez de sentir repugnância, ela parece acariciá-la com prazer, ponto que escandalizou os espectadores da época.

É para o rosto de Judith que o artista converge toda a força da composição. Seus olhos entreabertos e lânguidos, a boca carnuda entreaberta, as narinas aumentadas, as bochechas avermelhadas e a cabeça meio inclinada e indolente, dão ao observador a impressão de que a mulher acabou de usufruir do clímax do ato sexual. E o colar dourado, que toma todo o seu pescoço, chama a atenção, como se fosse o único elemento indispensável a seu corpo. Seus cabelos negros misturam-se com o negro da tela, repassando ao observador a sensação de que a cena deu-se à noite.

Judith não se mostra tímida, mas consciente de seu poder, não passando a cabeça de Holofernes de um mero complemento, quase que imperceptível. Ao pintar os relevos por trás dela, as figueiras e as parreiras douradas, Klimt quis dar um pouco de veracidade histórica ao fato, simbolizando os relevos assírios do palácio de Nínev e a época assíria.

Acima de Judith, sobre uma lâmina dourada, está o título da obra, mas mesmo assim, muitos confundiram-na com a sensual dançarina Salomé, responsável pela morte de João Batista.

Segundo a lenda, Judith era uma viúva próspera e de boa conduta. Era bela nas formas e de presença encantadora. Para seduzir Holofernes, retirou os trajes de luto e botou uma vestimenta de festa e se introduziu no seu acampamento e bebeu com ele. O momento para assassinar o tirano era único, já que os judeus estavam prestes a se render diante das forças do inimigo, que, após o crime, saíram em debandada. Depois, ela regressou à Betulia com a cabeça do general e os judeus venceram o inimigo. Judith voltou da tenda do herege tão pura quanto ali chegara, sendo honrada por seu povo, e foi tida como uma heroína que deveria ser imitada. Esta passagem é narrada no Antigo Testamento, no Livro de Judith.

Ficha técnica
Ano: 1901
Técnica: óleo e folha de ouro sobre tela
Dimensões: 84 x 42 cm
Localização: Österreichische Galerie Belvedere, Viena, Áustria

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha
Arte/ Publifolha

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Mestres da Pintura – GUSTAV KLIMT

Autoria de LuDiasBH

GUSKLIM

Não estou interessado em mim como objeto de um quadro. Quanto a isso, interesso-me mais pelas outras pessoas, em particular pelas mulheres, e ainda mais por outras aparências. Estou convencido de que, como pessoa, não sou particularmente interessante. Se olharem para mim, não veem nada de especial. Sou um pintor que pinta dia após dia, da manhã à noite. Pinto figuras e paisagens, raramente retratos. (Gustav Klimt)

O artista Gustav Klimt (1862-1918) nasceu em Viena, Áustria, numa humilde e numerosa família de sete irmãos, na qual era o segundo. Seus pais, Ernst Klimt e Anna Finster, já traziam a arte na bagagem. Ele era um meticuloso ourives e ela desejava ser cantora de operetas, desejo não realizado, em razão da difícil situação financeira da família. Além deles, os três filhos homens mostravam grande talento para a arte.

Aos 14 anos de idade, o jovem Gustav foi estudar na Escola de Artes Aplicadas de Viena, obtendo uma bolsa de estudos, onde, mais tarde, também estudariam seus irmãos Ernst e Georg. Ali, recebeu uma educação não apenas artística tradicional, mas também técnica (arquitetura, decoração, cenografia, artes gráficas, ourivesaria e desenho industrial). Foi no desenho que ele mais se destacou, chamando a atenção de seus professores. Acabou ganhando outra bolsa de estudos, indo estudar no departamento de pintura, sob a direção de Ferdinand Laufberger, um grande admirador dos mestres renascentistas e barrocos italianos, e por quem Gustav nutria grande admiração, pensando, inclusive, em ser seu sucessor. Fez amizade com o colega Franz Matsch, também apreciado pelos professores, tendo feito juntos inúmeros trabalhos menores, que o ajudaram no sustento de sua família. Mais tarde, Ernest, o irmão mais novo de Gustav, juntou-se aos dois, sendo recomendados, anos depois, por Laufberber, a um gabinete vienense de arquitetos especializados, o que lhes proporcionou inúmeros trabalhos.

Gustav Klimt, Franz Matsch e Ernest Klimt criaram a Companhia de Artistas, buscando o apoio de pessoas que pudessem inseri-los no meio artístico de Viena, onde a arquitetura encontrava-se em evidência. O trio foi contratado pelo arquiteto Karl von Hasenauer que lhes ofereceu importantes trabalhos de decoração, um deles, a decoração do Burgtheater, que os levou a receber um importante prêmio estatal: a Cruz de Ouro ao Mérito. Outra encomenda importante foi a decoração do hall do Museu de História da Arte, com 40 espaços entre as colunas, onde seria representada a história da arte, do Antigo Egito ao Renascimento. Klimt pintou onze espaços correspondentes ao Egito, à Grécia e ao Renascimento italiano. Foi a partir daí que sua pintura passou a ter um estilo próprio, em que ele agregava elementos contemporâneos.

Klimt foi contemplado, em 1890, com o Prêmio do Imperador, pela obra que fez no Burgtheater, prêmio que o transformou num grande nome dentro da sociedade vienense. A partir daí, também passou a pintar retratos. Mas dois anos depois, o artista perdeu o pai e o irmão Ernst, fatos que o deixaram muito abalado. Ele se afastou da atividade pictórica e, depois de uma intensa reflexão, modificou seu estilo artístico. Outros motivos levaram o artista a se afastar da pintura pictórica, como o conhecimento das obras de Fernand Knhopff, Franz von Stuck, Max Liebermann, Max Klinger, entre outros. Ao final, acabou desmanchando a sociedade com o amigo Matsch e dissolvendo a Companhia de Artistas.

Ao voltar ao trabalho, Klimt trazia um novo estilo. Suas obras estavam imbuídas da estética simbolista: figuras femininas de olhar grave, formas planas e naturalísticas, muitos elementos decorativos e emprego do dourado. Klimt foi também responsável por criar a Secessão Vienense, levando a arte para um caminho inusitado, com seus quadros decorativos, misteriosos, de onde a mulher emergia como uma “feme fatale”.

Apesar de suas relações com muitas modelos profissionais e com certas damas da sociedade, que posaram para ele, Klimt nunca se casou, embora tenha mantido uma intrincada relação com a cunhada de seu irmão Ernst, passando juntos muitas temporadas. Era muito ligado à mãe e às três irmãs solteiras, e levava uma vida extremamente comedida. Além disso, era introvertido e não afeito às obrigações sociais. A morte da primeira afetou até sua pintura, tornando mais embaciado o cromatismo de suas obras mais íntimas, levando-o ao tema da morte.

Em sua arte Klimt tinha predileção pelos temas eróticos e pelas mulheres nuas, em atitudes provocativas, convivendo lado a lado com motivos ornamentais, mas sem jamais vulgarizar sua obra. Morreu aos 55 anos, vitimado por uma pneumonia, quando se encontrava hospitalizando, recuperando-se de um acidente vascular que lhe paralisara o lado direito do corpo.

Nos próximos textos serão estudados vários quadros do pintor.

Fonte de pesquisa
Gustav Klimt/ Coleção Folha
Arte do século XX/ Taschen
Arte/ Publifolha

Nota: Gustav Klimt por Tekkamaki

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A ONÇA GUMA E SUA CONDUTA MASTURBATÓRIA

Autoria de Antônio Messias Costa

GUMA

Guma é o nome de batismo de uma onça macho, nascida e retirada da floresta amazônica, ainda pequenina, com não mais de um mês de vida. Crescera sendo cuidada como um gatinho doméstico, a despeito de seu desenvolvimento cada vez mais rápido. Ainda filhote, era motivo de afeto e cuidados constantes que, por outro lado, ia sufocando seus instintos e necessidades naturais.

O dono de Guma passeava pelas ruas de sua cidade, exibindo o animal com ostentação. Muitas pessoas dele se aproximavam, tanto para tocá-lo, como para satisfazer a própria curiosidade. Como o capturou? Onde? O que come? É agressivo? Algumas outras, mais preocupadas e comprometidas com o filhote, traziam outras preocupações. Ele é feliz fora de seu habitat? Quando será enviado a um zoológico, para um projeto de reabilitação e reintrodução? Outras perguntas de natureza mais íntima também eram formuladas, como: O que leva uma pessoa a ostentar um animal de natureza selvagem, como trunfo, desfilando pelas ruas, tanto a pé quanto em carros? Onde estão sua sensibilidade e compreensão sobre a vida animal?

Envolvido na área, eu já presenciei situações parecidas à descrita acima, que me levaram a algumas deduções bastante lógicas. Podemos buscar um paralelo, por exemplo, com o tipo de cão que cada pessoa possui. É fácil perceber a razão pela qual os “bad boys” preferem cães agressivos; as pessoas amáveis possuem predileção pelos dóceis; as emocionais buscam os cães mais sensíveis e frágeis, enquanto aquelas que se sentem diferenciadas, artisticamente ou financeiramente, preferem os mais raros e diferentes, geralmente muito caros. Evidentemente existem inúmeras exceções.

Existem poderosos chefes de tráfico, assim como políticos ricos, que possuem zoológicos particulares. Certamente é algo que os diferencia e dá status, o que faz lembrar o início da criação dos zoológicos medievais, quando os imponentes chefes de clãs mantinham zoos particulares, num misto de curiosidade, maldade e diversão – época de grande sofrimento para os animais. Tratava-se de pessoas que viviam um tempo de ignorância, incapazes de compreenderem, ou pelo menos respeitarem essas formas diferentes de vida. Existiam até varas compridas para instigar os animais durante as visitas, de modo a expô-los à apreciação dos visitantes. Além do mais, o homem achava-se produto de outro mundo que não o animal. Os circos também eram um cenário de grande judiação para os bichos, panorama que ainda sobrevive em alguns países.

Retornando à onça Guma, de tanto vê-la exposta, alguém ligou para os órgãos de fiscalização, que prontamente tentaram buscar uma melhor alternativa de vida para ela. O Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi, Belém/PA, foi contatado e dispôs-se a aceitá-la, à época já com quatro anos, portanto adulta. Guma foi mantida, sozinha (onças são animais solitários, exceto quando filhotes e na época de acasalamento), num ambiente enriquecido com tanque, troncos de árvores, vegetação e toca, e, que lhe oferecia boa qualidade de vida.

Já no primeiro dia de Guma em cativeiro, a equipe de ajuda presenciou uma cena incomum. O animal masturbava-se sem parar, ação que virou rotina em sua vida, quase sempre estimulada pela presença dos tratadores, quando esses se aproximavam do recinto para manejo, limpeza, alimentação, etc. O comportamento estereotipado do felino também era feito na presença do público, à distancia, embora nem sempre percebido. (Ver imagem acima)

Sensibilizada com o sofrimento do animal, a equipe de técnicos do Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi procurou identificar as razões que aguçavam tal comportamento. Foi feito um trabalho metodológico, que permitiu concluir que o estímulo era maior com a presença masculina. Na tentativa de minimizar o problema, realizou-se um trabalho de enriquecimento ambiental, que consistia na introdução de aromas, pelos e pedaços de alimentos escondidos e pendurados nas árvores, de modo a fazê-la gastar energia, ao buscar ações diferentes da obsessão por masturbar-se.

As ações empregadas na ajuda a Guma surtiram efeito por pouco tempo. A medida seguinte foi utilizar o método de recompensa e punição, que consistia em utilizar uma forte buzina quando ela ameaçasse se masturbar, e recompensá-la quando não o fizesse. O interessante nessa técnica comportamental é estabelecer o momento certo da recompensa ou punição, porque na cabeça do animal pode ocorrer que deva agir negativamente para ser punido e depois recompensado. Os resultados foram importantes, mas depois de alguns meses o problema voltou. Também é interessante notar como esses animais identificam e sentem as pessoas, mesmo que não interajam com elas no dia a dia.

Além do comportamento alterado descrito acima, Guma mia como gato, não sabe gastar as unhas nos troncos do recinto, o que nos obriga a anestesiá-la para a correção dessas, sob o risco de adentrarem em seus coxins plantares, como já ocorrera antes. É justamente quando vê a zarabatana com a anestesia, que de fato ela se torna uma onça, mostrando a sua agressividade natural. É a oportunidade que a equipe técnica tem para, além de aparar suas unhas, avaliar seus dentes e realizar coleta de sangue para acompanhar seu estado de saúde.

É importante saber que os animais selvagens sentem-se bem, quando podem desenvolver suas necessidades biológicas de caçar, voar, reproduzir, alimentar-se do que gosta, enfim cumprir o seu papel biológico na natureza. Privá-los disso é impingir-lhes sofrimento físico e psicológico, com sérias consequências. Por isso, os zoológicos de qualidade modernizam-se para acompanhar os avanços do conhecimento das necessidades biológicas das diferentes espécies. Por outro lado, animais nascidos em cativeiro são mais adaptáveis, pois sentem menos a necessidade de uma vida natural, uma vez que não a conhecem, muito embora seus instintos básicos gritem por necessidades biológicas, que devem ser supridas.

Os zoológicos são importantes porque tornam os animais conhecidos, propiciam inúmeras pesquisas em benefício da conservação no ambiente natural, já sob risco de doenças, em razão dos impactos ambientais – daí existir a Medicina de Conservação. Sem a existência deles, os animais selvagens dificilmente seriam vistos e sentidos e, consequentemente, defendidos, assim como os seus ambientes, cada vez mais reduzidos e ameaçados.

Nota: foto do animal masturbando-se tirada pelo autor do texto.

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El Greco – TRINDADE

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Trindade, também conhecida por A Santíssima Trindade, foi pintada com o intuito de ornamentar a Igreja de São Domingos, o Antigo, na cidade de Toledo. É possível observar que El Greco usou uma gravura de Albert Dürer como inspiração para o seu quadro, embora a tenha refeito, adaptando-a a seu estilo, acrescentando, inclusive, a mitra de Deus Pai e  querubins aos pés de Jesus. Além de ter se inspirado em Dürer, El Greco também tomou como modelo inspirativo as estátuas de Michelangelo, na composição do corpo (braço direito e pernas) e na musculatura de Cristo, ficando visível a influência romana.

O drama intenso e extraornidnário acontece  sobre densas nuvens, que parecem revoltas e conturbadas. Deus Pai segura o corpo sem vida de seu filho nos braços, ainda marcado pelo flagelamento. É ajudado por seis anjos, visivelmente condoídos com o acontecimento, elevando Cristo Morto ao Paraíso. Deus Pai aceita o sacrifício de seu filho Jesus, pois sua morte é necessária para a redenção da humanidade. O Espírito Santo, em forma de uma pomba branca, e à frente de raios dourados, paira acima do Pai e do Filho. Quatro pequenos anjos circundam os pés de Jesus. As nuvens servem de trono para o grupo que ascende aos céus.

A Trindade é a tela central do retábulo. Há uma convincente emoção na cena e as cores enriquecem esta comovente arte sacra. Esta obra marca o início do brilhante ciclo da maturidade do artista, em seus trabalhos.

 Ficha técnica
Ano: 1577-1579
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 300 x 178 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

 Fontes de pesquisa
El Greco/ Editora Girassol
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
Pintura na Espanha/ Jonathan Brown

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