VIAGEM NOTURNA NAS MONTANHAS…

Autoria de Lu Dias Carvalho

Edo12345A estampa Viagem Noturna nas Montanhas perto de Hakone é a 11ª estação da série Vistas Famosas das 53 Estações, obra do artista japonês Hiroshige.

Presentes na composição estão nove figuras, sendo a maior parte delas composta por carregadores.

Á frente do cortejo, um homem carrega um imenso archote, cuja labareda vermelha ascende aos céus. Atrás dele, dois homens carregam um viajante num palanquim.

Um segundo homem leva uma tocha com uma língua de fogo similar à primeira. Atrás dele, dois outros homens carregam um palanquim com outro viajante. E, atrás de todo o grupo vem um carregador com pesadas cargas no ombro direito.

Os carregadores são pessoas muito pobres, como mostra a pouca roupa usada por eles. À esquerda do grupo, um rio de águas azuis margeia a estrada. Três enormes árvores tombam em direção a ele. Duas montanhas escuras também se situam à esquerda e, mais ao fundo, vê-se o mar.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1855
Dimensões: 34,3 x 22,6 cm

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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El Greco – ESPÓLIO

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O quadro O Espólio, também conhecido como Desnudamento de Cristo, adorna a sacristia da Catedral de Toledo e, chama a atenção, sobretudo, pela visível mancha vermelha na túnica de Jesus, além de mostrar lembranças do estilo bizantino na arte de El Greco. É uma das obras-primas do artista, onde existem elementos reais e abstratos. Nele se encontra um grande ajuntamento de pessoas em volta de Jesus, sendo visíveis apenas a cabeça de algumas delas.

Na composição, Cristo ocupa a parte central da cena, sendo o centro real da obra,  impactando-a com sua figura majestosa, vestida até os pés com uma túnica de cor vermelha vibrante, em meio a um amontoado de figuras, atraindo para si o olhar do espectador. É a única figura mostrada frontalmente em toda a composição. Ele será despojado de suas vestes, pois fora condenado. Seus olhos marejados dirigem-se aos céus, pedindo ao Pai forças para aguentar tamanho sofrimento. Traz na mão direita, que se apoia no peito, uma corda que é puxada por um dos verdugos. Seus pés jazem em meio a pedras espalhadas.

À esquerda de Jesus, um personagem abaixado, vestindo um colete amarelo,  prepara a cruz de madeira, fazendo um furo, para a crucificação. Ele se encontra alheio ao barulho da turba, absorto em seu trabalho. E Cristo, mesmo em meio ao alarido, permanece calmo diante das agruras que o aguardam. Maria, abaixo e à direita de Jesus, observa o homem que trabalha a cruz. Ela está coberta por um manto roxo, tendo atrás de si Maria Madalena e, à frente, a outra Maria, com um manto amarelo, de costas para o observador. São as chamadas Três Marias, que se encontram num plano imaginário, bem mais baixo do que o fundo do quadro.

Esta composição traz vários aspectos inusitados, como o homem, à direita de Cristo, usando uma armadura brilhante, que traz refletidas as cores do manto de Jesus e o das mulheres; um homem que aponta seu dedo para Cristo e a presença das Três Marias. Tais aspectos indicam que El Greco ajuntou vários episódios da Paixão de Cristo num único momento. O que leva a crer que o homem de armadura seja Pilatos ou Herodes e, que a figura que aponta o dedo para Jesus seja um dos sacerdotes que o acusaram, e as Três Marias são aquelas mencionadas nos evangelhos de João e Lucas.

Ficha técnica
Ano: 1577-1579
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 285 x 173 cm
Localização: Catedral, Toledo, Espanha

Fontes de pesquisa
El Greco/ Editora Girassol
Pintura na Espanha/ Jonathan Brown

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CHARLATANICE, BRUXARIA, ALQUIMIA E TARÔ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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O explorador da boa-fé alheia existe desde os tempos primevos da humanidade. Penso que a charlatanice nasceu assim que o homem aprendeu a concatenar suas ideias. Daí para que alguns se transformassem em embusteiros foi um pulo. Tais seres malévolos encontram-se nas mais diferentes esferas, e proliferam como ratos, o que dificulta a sua dizimação. E quanto maiores são as cidades, onde praticamente ninguém conhece ninguém, os vagabundos impostores deitam e rolam, pois não há o controle recíproco entre os habitantes.

Na França de antigamente, o simples fato de a pessoa não ter um endereço fixo, já a condenava a priori. Para ela, empregava-se a expressão “demeurant partout” (vive em todos os lugares). O que é totalmente inviável nos dias de hoje, com um planeta abarrotado, com as pessoas saindo pelo ladrão. Naqueles tempos, entre os vagabundos estavam inclusos os malabaristas, curandeiros, vendedores ambulantes, arlequins e até mesmo artistas, incluindo aí os músicos, que se apresentavam em feiras ou pelas ruas.

Aliado à charlatanice veio o pavor à bruxaria, um delírio que a igreja Católica daqueles tempos, que tinha a parte racional do tamanho de uma semente de arroz, tornou coletivo. Em 1484, o desvairado Papa Inocêncio VIII declarou em uma bula que “muitas pessoas de ambos os sexos, renegando a fé católica, têm fechado pactos carnais com os demônios, e por suas fórmulas mágicas e encantamentos, por suas invocações, maldições e outras magias hediondas, têm causado sérios danos aos seres humanos e aos animais”. Ou seja, a própria Igreja sustentava o “poder” do embuste, apesar da luta de humanistas como Erasmo de Rotterdam, que audaciosamente afrontou a Igreja, ao declarar que “O pacto com o diabo era uma invenção dos mestres que combatem a heresia.”. Quanto mais pavor imbui-se no povo, mais submisso ele se torna.

Dois dominicanos chegaram a escrever um manual intitulado “Malleus Maleficarum”, utilizado pelos inquisidores, que, segundo dizia o dito, a mulher, principalmente a crédula, era a maior vítima das seduções do diabo. Em suas primeiras páginas, rezava o manual que “O mau olhado infecta o ar, que, viciado, atinge a vítima e provoca uma transformação nefasta em seu corpo”. Assim, a mulher podia ser vítima do diabo ainda que não falasse, ou fosse tocada por ele, bastando apenas ser olhada. Ou seja, a coitada não tinha escapatória.

Até mesmo os inocentes animais entravam na dança do charlatanismo e da suposta bruxaria da época, simbologia que persiste até os nossos dias, em se tratando de alguns deles, como por exemplo: o macaco era tido como símbolo da inveja, da astúcia e da libidinagem, enquanto a coruja era ao mesmo tempo a ave da sabedoria e a das trevas, tanto podendo fazer companhia aos sábios como às bruxas. Rãs e sapos também não fugiam à regra, ora eram vistos como seres positivos, ora como negativos, cujo coaxar levava a pensar nos hereges e no diabo. Era muita doidice!

A rã e o sapo ainda estavam ligados à alquimia, sempre presentes nos manuais dos alquimistas, representando a matéria primária e a união dos opostos. A ambiguidade era a característica do simbolismo do alquimista, assim como toda a linguagem simbólica da Idade Média. A lua tinha grande significado dentro da alquimia. De acordo com a visão da época, ela fazia parte dos planetas. Os atores, cantores, comerciantes e charlatões eram tidos como seus filhos.

As cartas de tarô já eram usadas tanto para jogar, quanto para prever o futuro das pessoas. Elas são originárias do Egito ou da Índia, sendo levadas à Europa pelos ciganos, no século XIV, embora os valdenses, uma seita do sul da França, no século XII, já as usasse. Seus desenhos foram mudando com o tempo, mas os motivos básicos mantiveram-se inalterados e, provavelmente, deviam esconder um conhecimento muito antigo. Essas figuras místicas caíram no esquecimento em nossa era técnica e científica, mas agora estão retornando através dos propagadores do esoterismo chamado “New Age”.

O fato é que nosso planeta nunca esteve em total sintonia com a charlatanice, bruxaria (diabo), alquimia e tarô como nos nossos dias e, por incrível que pareça, sob a bênção da tecnologia via internet, onde o novo e o velho misturam-se num forte abraço. A charlatanice está aí nas mais diferentes formas, inclusive nas antiquíssimas correntes e nos e-mails de pessoas “desesperadas”, querendo nossos dados para depositarem em nossa conta bancária milhares de dólares, vindos de seus parentes em apuros nesse ou naquele país, sem falar nos golpes via celular; a bruxaria encontra-se num número variado de religiões, que usam o diabo para receberem grandiosas ofertas dos incautos, ou para comprarem um lugar no céu, pois elas falam muito pouco em Deus e exageradamente no mito de Lúcifer; a alquimia tal e qual a conhecíamos antes, na busca pela juventude e na transmutação de qualquer objeto em ouro, ficou apenas nas lendas. A alquimia agora é a do dinheiro fácil, de passar a perna no outro, de levar vantagem em tudo; o tarô está aí, espalhado por todos os lados, prometendo resolver todos os casos amorosos mal sucedidos assim como abrir o caminho da fortuna, para o indivíduo crédulo. No frigir dos ovos, tudo é a mesma coisa.

Diante de tudo isso, nós só temos uma arma: olho vivo direcionado pela razão. Devemos sempre nos lembrar de que coisa alguma nos vem de graça. Todo o resto é pura tolice, embuste, disfarce, simulação, tramoia, fraude, engodo, mentira, farsa, vigarice e trambique. Olho vivo, minha gente, pois, como diz um provérbio português “A água é para os peixes e o minar para as toupeiras.”.

Nota: a imagem é uma obra de H. Bosh

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ESTAÇÃO YUI

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A estampa Estação Yui corresponde à 17ª estação da série 53 Estações de Tokaidô, obra do artista japonês Hiroshige.

A composição mostra sete viajantes no sopé de uma colossal muralha de pedras, banhada pelo oceano azul.

Na varanda da casa, um homem toma chá, enquanto outro observa o mar. Abaixo, viajantes com imensos chapéus amarelos aproximam-se da estação, em busca de alimento e descanso. Um carregador traz no ombro direito uma pesada carga.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1848
Dimensões: 22 x 34,8 cm

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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El Greco – ENTERRO DO CONDE DE ORGAZ

Autoria de Lu Dias Carvalho

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A composição Enterro do Conde de Orgaz é considerada a principal obra de El Greco em que ele, pela última vez, põe em cena todos os seus recursos pictóricos, pois a partir daí passou a eliminar de seu trabalho tudo aquilo que considerava desnecessário. A obra é tida como um marco da pintura maneirista, sendo de extrema originalidade. O pintor – tido hoje como um um dos mais importantes pintores do Maneirismo europeu – dividiu a composição horizontalmente em duas partes: o corpo do conde sendo enterrado embaixo e sua alma chegando aos céus, na parte de cima cima.

Esta obra foi pintada 250 anos depois da morte do conde de Orgaz. Sua inspiração nasceu da lenda de que, ao ser sepultado, dois santos desceram do céu – Santo Agostinho e Santo Estêvão – e tomaram seu corpo nos braços e o depuseram na túmulo. Portanto, estão representadas a morte a ressurreição do conde.

O conde Gonzalo Ruiz de Toledo era famoso como benfeitor de instituições religiosas, principalmente da igreja de Santo Estêvão e dos agostinianos de modo que, antes de morrer, deixou para a Igreja de São Tomé, onde queria ser sepultado, as rendas de sua vila. Este quadro foi encomendado pela referida igreja ao pintor El Greco em sua homenagem. A iconografia foi aceita pela Igreja que viu na obra do artista o ensinamento de que as boas obras, com a ajuda dos santos, conduzem à salvação.

Na parte terrena, a tela apresenta uma enorme procissão liderada pelo sacerdote e pelos clérigos que estão realizando o ofício do sepultamento do conde. Os dois personagens de amarelo, ricamente vestidos, representam Santo Agostinho e Santo Estêvão segurando o corpo do conde. O primeiro segura-lhe a cabeça e o segundo os pés, para postá-lo na sepultura, enquanto são observados por um grande número de pessoas trajadas com as roupas sóbrias da época. Também encontram-se presentes importantes figuras da cidade de Toledo, incluindo o próprio pintor (acima de Santo Estêvão, fitando o observador). Esta é, sem dúvida, uma das características mais notáveis da composição, ao usar os retratados para fazer o limite entre o céu e a terra.

O pároco da igreja de São Tomé é o responsável pela oficialização da cerimônia fúnebre. Ele se encontra na extrema direita da tela, de costas para o observador, com as mãos abertas, olhando para o céu. Outro oficiante encontra-se a seu lado, de perfil, fazendo a leitura da Bíblia. Ao lado direito deste, um homem segura a cruz do cortejo, responsável por fazer a ligação entre a cena da terra com a do céu.

O pintor apresenta com pormenores a aparência das pessoas e dos objetos, a exemplo da armadura do conde; a palidez do defunto; a meticulosa representação dos paramentos eclesiásticos e a transparência da veste branca, sobrepeliz, usada sobre a batina preta do sacerdote que oficia a cerimônia fúnebre e olha absorto para o céu.

O garotinho que aparece abaixo, à esquerda da composição, apontando para o conde e os dois santos com a mão esquerda, e segurando na direita um círio funerário, é Jorge Manuel, o único filho do pintor, quando tinha oito anos. No lenço que aparece no seu bolso está a data de seu nascimento. Ele e seu pai são as duas únicas figuras a olhar para o observador. Atrás dele se  encontra São Francisco. O gesto de apontar era usado na pintura sacra como indicativo de que uma lição estava sendo ensinada e, no caso, significa que “as boas ações são responsáveis para garantir a absolvição e a salvação da alma”.

Na parte superior, um céu cheio de glória paira sobre a cena. Um anjo com um manto amarelo no colo e cabelos dourados leva a alma do conde Ruiz ao julgamento, como se ela fosse o fantasma de uma criança. Mais acima, a Virgem Maria abaixa-se para receber a alma do conde, enquanto São João Batista, quase nu, intercede a Jesus Cristo pela alma do morto, cercado por anjos e santos. Atrás da Virgem está São Pedro, com as chaves do Reino dos Céus, responsável por abri-lo para receber a alma do conde.

A parte superior da tela que representa a cena celestial é intensa, movimentada, vibrante e abstrata, ao contrário da inferior – que representa o mundo terreno – que é solene e hirta. Embora aparentemente frágeis, as nuvens sustentam inúmeras e pesadas criaturas. Além das figuras de Jesus e da Virgem, todo o céu está tomado pelos apóstolos, santos, anjos músicos e querubins.

Ficha técnica
Ano: 1586-1588
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 480 x 360 cm
Localização: Igreja de Santo Tomé, Toledo, Espanha

Fontes de pesquisa
El Greco/ Editora Girassol
Renascimento/ Editora Taschen
Pintura na Espanha/ Jonathan Brown
Arte em Detalhes/ Publifolha

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AGEMATSU

Autoria de Lu Dias Carvalho

Edo1234567

A estampa Agematsu faz parte da série 69 Estampas do Kisokaidô, e corresponde à 39ª estação, uma obra do artista japonês Hiroshige.

Dois peregrinos encontram-se sobre uma pequena ponte, observando uma queda de água, situada à direita dos mesmos, e tida como um santuário xintoísta, junto do pequeno altar de madeira.

Em direção oposta aos dois peregrinos, um homem está curvado sob o peso de dois feixes de lenha.

Ficha técnica
Artista: Hiroshige
Ano: 1837-1842
Dimensões: 22,4 x 35,3 cm

Fonte de pesquisa:
Hiroshige/ Editora Taschen

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