A INTUIÇÃO EXISTE!

Autoria de Lu Dias Carvalho

A intuição não é uma opinião, é a própria coisa. (Schopenhauer)

O coração tem razões que a própria razão desconhece. (Blaise Pascal)

Todo o conhecimento humano começou com intuições, passou daí aos conceitos e terminou com ideias. (Immanuel Kant)

 Não são poucas as vezes em que ficamos encabulados com a percepção que temos de certos fatos que ainda estão por ocorrer, mas dos quais tomamos consciência antecipadamente. É como, se por alguns segundos, entrássemos na máquina do tempo, caso essa existisse, e tivéssemos conhecimento de uma realidade que ainda não se fez presente, mas que nos é dada a possibilidade de pressenti-la, percebê-la e discerni-la, quer pertença ao campo material ou ao espiritual.

Para nós, ocidentais, esse relâmpago perceptivo, que nos leva além do tempo, recebe o nome de intuição, sendo que alguns o chamam de “sexto sentido”. Nosso corpo capta algo antes que as emoções se ponham a postos. As pessoas que têm tal faculdade bem desenvolvida possuem um alto grau sensitivo, segundo afirmam alguns espiritualistas.

A faculdade intuitiva é conhecida na filosofia oriental como inerente ao “terceiro olho” ou à “terceira visão”, situando-se no sexto chakra, no ponto central entre as sobrancelhas. Presume tal filosofia que a glândula pineal – semelhante ao globo ocular – seja a responsável por tais capacidades indutivas e percepção sutil.

Escritos esotéricos antigos relatam que a humanidade tinha um “terceiro olho” em perfeita ação. Dentre as faculdades expressas estavam a telepatia e a clarividência, mas que, ao longo do retrocesso da espécie, ou seja, com a mudança comportamental dos seres humanos, cada vez mais voltados para o mundo material, a “terceira visão” foi se enfraquecendo, tornando-se insensível, ainda que, vez ou outra, dê um vislumbre de sua presença na forma da tão conhecida intuição.

O Budismo trabalha com técnicas que visam desenvolver o “terceiro olho”. Contudo, a presença desse “olho divino” é negada pela Ciência que vê tal alusão apenas como lenda. Também é bom lembrar que o campo científico não é definitivo, estando sempre aberto a novas conclusões.

Testes científicos comprovam a existência da intuição (ver “Teste de Cartas de Iowa”). Um exemplo disso é a sensação ruim que uma pessoa pode nos passar já num primeiro e rápido encontro, sem que nada saibamos sobre ela. Com o andar da carruagem, percebemos que a nossa ojeriza tinha razão de ser, pois tal indivíduo mostra-se um elemento nocivo ao nosso convívio.

A aversão inicial, que chega como uma premonição contra essa ou aquela pessoa, tem sua origem em nossas emoções inconscientes. Segundo o escritor, filósofo e biofísico Stefen Klein “O que sentimos no primeiro encontro com o inimigo é medo”, pois em uma fração de segundo, fomos capazes de captar sua expressão de hostilidade, apesar de seu planejado disfarce.

A intuição encontra-se sempre presente em nosso íntimo, enraizada em nosso corpo. Quanto mais trabalharmos a nossa mente, buscando entender a linguagem de nosso corpo, mais seremos capazes de percebê-la e de nos guiarmos por ela. Klein nega que a intuição seja fruto de fenômenos sobrenaturais, mas, sim, adquirida através de nossas experiências existenciais que nos preparam para antecipar os resultados dos fatos. Ele explica: “Um pressentimento aparece quando o resultado de uma avaliação – isso é bom, aquilo é ruim – é transmitido para o corpo, antes mesmo de chegar à consciência”.

A faculdade intuitiva pode ser trabalhada e ampliada através da meditação e de outras técnicas que lidam com a plasticidade do cérebro (yoga, unibiótica, neuróbica, prática da observação, visualização dos detalhes de uma pintura ou paisagem, etc.) e da confiança em nós próprios, ao valorizarmo-nos como seres especiais.

Nós, ocidentais, em razão de nosso racionalismo exagerado, quase nunca ouvimos a voz da intuição ou levamos em conta o nosso “olho clínico”.  Quantas vezes a intuição bate à nossa porta e não a levamos a sério? Outro fator que a enfraquece é o fato de não acreditarmos em nós mesmos, bloqueando, assim, nossa capacidade intuitiva. Estamos sempre mais abertos à “opinião” dos outros do que às nossas.

A intuição é importantíssima em casos de perigo, ao nos ajudar a ganhar tempo e, em consequência, ampliar as possibilidades de nos safarmos da ameaça. Mas como? – perguntará o leitor. Imaginemos que um touro bravo surja repentinamente em nosso caminho, ou o local onde nos encontramos comece rapidamente a incendiar-se. Não há tempo para o pensamento consciente entrar em campo e enumerar as possíveis rotas de fuga ou as decorrências de tão inusitado encontro ou acontecimento. A intuição – grande amiga e companheira – envia o medo que, agindo como uma barricada, prepara nosso corpo para buscar proteção. Essa “faísca” poderosa continua sendo um enigma para a Ciência, pois faculta o entendimento da realidade numa fração de segundos, sem que para isso haja a intervenção da lógica ou da análise.

Contudo, fica um alerta a nós, portadores de transtornos mentais, que tendemos a ter pensamentos negativos. Necessitamos ter muito cuidado para não os ver como “intuições”, pois esses tais não passam de criações de nossa mente, quando a intuição acontece como uma faísca, fugindo à compreensão, pois não depende da lógica nem da análise. Lembrem-se de que, enquanto os pensamentos negativos ficam ruminando em nossa mente, a intuição mal chega e já tira o time de campo. Safa-se!

Fontes de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante
https://pt.wikipedia.org/wiki/Terceiro_olho
https://amenteemaravilhosa.com.br/tipos-de-pensamento-intuitivo/

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A IMPORTÂNCIA DA MEDITAÇÃO

Autoria do Dr. Telmo Diniz zen

A meditação não é uma religião, filosofia ou estilo de vida. É um método de autodesenvolvimento capaz de tranquilizar a mente, melhorar a tomada de decisões, a criatividade e afastar o estresse, a depressão e até doenças cardiovasculares. Por isso,o objetivo deste método é fazer a mente transcender, ou seja, atingir um repouso capaz de diminuir a quantidade de pensamentos.

A meditação tem diversos benefícios. Gostaria de compartilhar alguns deles. A redução do estresse, por exemplo, é visível. Está provado que meditar é mais repousante do que dormir. Pessoas que praticam o ato frequentemente têm menores níveis de adrenalina e cortisol (hormônios do estresse).

Com menos estresse no corpo e na mente, meditadores têm um aumento do desempenho cardiovascular, com a redução, em curto prazo, da pressão arterial e da frequência cardíaca. Em longo prazo, eles apresentam menos eventos de isquemias (ataque no coração e derrame cerebral). Insônia crônica, ansiedade e depressão também melhoram, assim como o sistema imunológico, já que a prática aumenta o número de anticorpos no organismo.

Pesquisa
O alívio de dores é outro benefício constatado por estudos científicos, como uma pesquisa realizada na Universidade de Montreal com um grupo de pessoas. Uma placa, inicialmente aquecida a 46 °C, sendo aumentada gradativamente, era encostada na nuca de cada um dos participantes. O grupo que não fazia meditação não suportou os 50 °C. Já o outro grupo, dos meditadores, aguentou 52 °C sem maiores queixas. Conclusão: quem medita precisa de menos analgésicos, é mais concentrado e suporta melhor a dor.

Mas o que fazer ou como fazer uma meditação transcendental, ou ainda praticar a atenção plena sem ter de ir para um mosteiro?

Primeiramente, devemos procurar um local calmo, com ambiente favorável. Certamente, não vamos conseguir meditar no trabalho ou na sala de casa com as crianças. Devemos ter uma constância diária de 10 a 15 minutos para a prática. O senso de responsabilidade deve estar presente, pois estamos “doando” este tempo para treinar a mente.

Quando for praticar a meditação, o correto é a pessoa estar na posição de Lotus (corpo ereto com as pernas cruzadas). A respiração é ponto crucial para esvaziar a mente, pois a inspiração profunda vai aos poucos ajudando no relaxamento. A cada pensamento que aparecer na mente a pessoa deve focar na respiração e voltar a seu objetivo. A repetição das técnicas de meditação é simples e factível, basta querer.

Nota: imagem copiada de www.curaplanetaria.org

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OS NOVE PASSOS DO PERDÃO E A SAÚDE

Autoria do Dr. Telmo Diniz

perdao

Perdoar significa “conceder perdão, absorver, remitir (culpa, dívida, pena, etc), desculpar-se e poupar-se”. O ato de perdoar envolve tudo isso e ainda muito mais. Pesquisas e estudos vêm sendo desenvolvidos nesses últimos anos para mostrar e comprovar o poder e os benefícios do perdão. Vários estudos foram realizados para descobrir as causas de doenças ligadas às emoções e ao estresse e acabaram por concluir que problemas como dores de cabeça, dores musculares, fibromialgia, gastrite, úlceras, problemas cardiovasculares, hipertensão, problemas gastrointestinais, doenças alérgicas e vertigens podem estar relacionados com a dificuldade de perdoar.

O ato de perdoar é realmente muito complexo. Embora não pareça, é muito difícil esquecer uma ofensa e, ainda por cima, conviver em harmonia com o ofensor. Porém, temos que aprender que perdoar é a arte de fazer as pazes, quando algo não acontece como queríamos. Perdoar é fazer as pazes com a palavra “não”. Além de importante para a convivência, o ato de perdoar pode evitar uma série de transtornos causados em uma briga ou desentendimento. Quando uma pessoa não perdoa, revive a situação desagradável e nutre a mágoa, tornando-se mais estressada e propensa ao desenvolvimento de doenças cardíacas e psiquiátricas.

Não há perdão sincero sem o esquecimento da raiva e da mágoa que lhe deram origem. Esquecer a mágoa e a raiva não significa esquecer os fatos. Eles, muitas vezes, permanecem na memória e são motivo de aprendizado. Se esquecêssemos de todo o mal que alguém nos fez no passado, não aprenderíamos a nos cuidar melhor no futuro. Devemos esquecer a emoção negativa que toma a forma de raiva, mágoa, ou seja, se perdoamos verdadeiramente, conseguimos lidar com os fatos como algo distante, algo que não nos atinge mais, embora lembremos que eles aconteceram.

Lições

Para perdoar precisamos compreender a nós mesmos e aos outros. Se não nos dedicamos a compreender o outro, estamos esquecendo que, se estivéssemos em seu lugar, talvez fizéssemos coisa igual ou pior. E, mesmo que não cometêssemos o mesmo erro, isso se deveria apenas ao fato de já termos aprendido uma lição que ele ainda não aprendeu. Se aprendemos a lição, é porque já passamos por ela, ou seja, já erramos muitas vezes. Se não sentimos pelo outro a mesma compreensão que sentimos em nossa própria defesa, então, nosso perdão não existe, ele é pura vaidade.

Aprendendo a não sentir mágoa e a não se sentir ofendido com tanta frequência, você precisará perdoar menos, e isso equivale a ter aprendido a verdadeira humildade. Certa vez, perguntaram a Mahatma Ghandi se ele perdoava com muita frequência, ao que ele respondeu: “Não, ninguém nunca me ofendeu”.

Se alguém errou com você, ainda que gravemente, não perca tempo e saúde do corpo e da alma alimentando a raiva e a mágoa, elas o mantêm aprisionado ao passado. Perdoe e siga. Perdoar é inteligente. Perdoar é libertar primeiro a si mesmo, depois ao outro. Faz bem ao corpo e a alma! Errar é humano, mas perdoar é divino! Se mesmo assim achar difícil perdoar quem o ofendeu, leia abaixo os “Nove Passos para o Perdão”, do doutor Luskin, autor do livro o “Poder do Perdão”.

Os nove passos do perdão

  1. Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança.
  2. Comprometa-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber sua decisão.
  3.  Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz.
  4. Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico de que você sofre agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois minutos – ou dez anos – atrás.
  5. No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo.
  6. Desista de esperar coisas que as pessoas ou a vida não escolheram dar a você. Reconheça as “regras não cobráveis” que você tem para sua saúde ou para o comportamento seu e dos outros. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém você sofrerá se exigir que essas coisas aconteçam quando você não tem o poder de fazê-las acontecer.
  7. Coloque sua energia tentando alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através de experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus fins.
  8. Lembre-se de que uma vida bem vivida é a sua melhor vingança. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a buscar o amor, a beleza e a bondade ao seu redor.
  9. Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heroica que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.

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EMOÇÕES X SENTIMENTOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

É bom escutar os sentimentos. Mas nem sempre é aconselhável segui-los cegamente. (Stefan Klein)

 As emoções ocorrem no teatro do corpo. Os sentimentos ocorrem no teatro da mente.  (Antônio Damásio)

 Enquanto os animais têm que obedecer ao que dizem suas emoções, nós somos capazes de decidir contra os nossos próprios sentimentos. (Stefen Klein)

 Embora consideremos no nosso linguajar diário as palavras sentimento e emoção como tendo igual significado, a verdade não é bem essa, pois nomeiam coisas bem diferentes. Enquanto a emoção é inconsciente e corresponde a uma resposta automática do corpo a determinada situação, o sentimento é consciente, é aquilo que vivenciamos quando percebemos a emoção de forma consciente. As emoções são passageiras, enquanto os sentimentos exigem que o cérebro receba sinais do corpo e seja capaz de processá-los, podendo gerar cicatrizes profundas, dependo do modo como o indivíduo lida com eles.

As pessoas que não se deixam guiar cegamente por suas emoções – contrariando os sentimentos provocados por elas – estão mais aptas ao sucesso, pois interagem melhor com os outros, ao não tomar tudo ao pé da letra, como algo pessoal. É fato que não se trata de uma tarefa fácil, pois se faz necessário trazer os impulsos sob a rédea curta. Para contê-los é preciso que se tenha ciência deles, uma vez que é impossível lidar com aquilo que não se conhece.

Indivíduos existem, por exemplo, que chamam a si mesmos de sinceros ou francos, quando na verdade mostram um comportamento impulsivo, resvalando para a grosseria. Eles não conseguem domar seus impulsos, porque não veem sua suposta “franqueza” como algo ruim e, sim, como algo positivo. Assim, vão tocando o barco, ferindo uns e outros, sem noção alguma do que fazem.  Portanto, quando nossos sentimentos não se encontram sob o escrutínio da razão, tornamo-nos pessoas inflexíveis, insensatas, rudes e não aptas ao convívio com os diferentes.

As emoções (reações do corpo) dão vida aos sentimentos, portanto, elas vêm antes dos sentimentos. Para que isso aconteça, o cérebro precisa receber sinais do corpo a fim de processá-los. Sem que isso ocorra, torna-se é impossível ter consciência de qualquer tipo de emoção, o que reforça a certeza de que nossa mente não se localiza apenas no cérebro, sendo totalmente corpórea (corpo e mente são unos). O filósofo e biofísico Stefan Klein explica que “Um espírito sem a matéria não seria capaz de sentir alegria ou tristeza”, porque não possui o corpo que seria o responsável pelo envio dos sinais ao cérebro. Contudo, ainda segundo ele, “Quem experimentou as reações corporais suficientemente consegue até simulá-las inconscientemente”, e conclui que: “Assim como a fantasia consegue produzir uma imagem mental, o hipotálamo é capaz de simular impulsos que, na realidade, nem está recebendo”, como nas vezes em que nos sentimos mal-estar só de nos lembrarmos de um determinado acontecimento que já ficou no passado, mas que nos causou forte emoção.

As nossas emoções, por serem reações inconscientes e instintivas que se processam em nosso corpo, tendem a ser visíveis, pois produzem alterações que podem ser compreendidas através da comunicação não verbalizada, ou seja, conhecidas apenas pelos sinais emitidos pelo corpo que denuncia nosso estado emocional. Elas também são passageiras, voltando o corpo ao equilíbrio de antes, uma vez que o indivíduo delas toma ciência. Os sentimentos, por sua vez, por se tratar de algo interiorizado e vivenciado de forma consciente, são duradouros e muitas vezes fáceis de serem escondidos. Pessoas há que não esquecem um aborrecimento nem que a vaca tussa e carregam-no como um pesado fardo nas costas. Entretanto, existem aquelas que se encontram num estágio mais elevado de espiritualidade, não se deixando seduzir pelos sentimentos. Racionaliza-os e passa uma borracha em tudo, dando o dito (ou acontecido) por não dito (ou acontecido). Sua saúde agradece!

O ideal é que busquemos a compreensão de como nos comportamos diante desse ou daquele tipo de emoção, pois, assim, tornamo-nos senhores de nós mesmos, sendo capazes de manter o nosso equilíbrio emocional. Na medida em que racionalizamos ou minimizamos as interferências internas ou externas que nos levam a um determinado tipo de emoção, vamos enfraquecendo-a. Não podemos permitir que os sentimentos – advindos das emoções – sejam nossos senhores. Suponhamos que você seja uma pessoa que sai do sério quando lhe fazem uma crítica negativa. Se mudar o seu comportamento em relação a isso – fazendo ouvidos moucos, por exemplo, ou até mesmo concluindo que precisa mudar –, isso não mais lhe causará uma emoção conturbadora e, em consequência, não criará sentimentos que irão afetar negativamente a sua vida, interferindo no funcionamento de seu corpo.

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

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FENG-SHUI –TENHO A MANIA DE GUARDAR TUDO

Autoria de Celina Telma Hohman

  Feng Shui! Ainda que milenar, não prestamos a atenção devida aos ensinamentos da filosofia chinesa que nos ensina a viver melhor. Sou organizada, por vezes meio maníaca no local onde vivo, seja trabalho ou em minha casa, chego a extremos, o que sabemos não é sadio. Mas minha remissão chega quando me pego naquelas manias de guardar tudo: do canhoto do talão de cheques a documentos processuais que não têm mais utilidade alguma em minha vida.

  Não consigo me desapegar de utensílios, roupas, souvenirs, cartinhas que a filhota escrevia quando era pequena, das lembranças que minha avó deixou, e que guardo com o maior carinho, ocupando espaços que poderiam servir para abrigar o que é necessário. Seria uma forma de tentar reter o passado? Resultado: desordem, claro! Desordem com os sentimentos, com a liberação do passado, quando deveria deixá-lo lá, onde ficou. Lembranças são boas. Há nelas a nossa trajetória, mas e daí? Lembranças podem ficar na mente, na alma, no coração e não enchendo gavetas, entulhando cantos, embaralhando-se com o presente e atrapalhando o futuro. Sei disso tudo. Sei que retenho o passado e, ao fazê-lo, pouco valorizo o presente. Tenho a meu favor o cuidado em manter uma casa limpa, em não poluir o visual do que me cerca com muitas peças que impedem a passagem de energia, mas estou aqui me lembrando de quantos  envelopes, caixas e gavetas tenho guardados, coisas desnecessárias.

  Num belo dia resolvi fazer a “faxina da vida”, com um furor típico de quem quer provar que consegue. Enchi inúmeras caixas. Nelas havia de tudo: cortinas velhas, roupas lindas, mas que não serviam mais, não as doei, nem as vendi, pois cada uma tinha uma história.  Fiz a “geral”. Tive o prazer de colocar aquele montão de inutilidades para que o caminhão de coleta levasse para o devido lugar. Resultado? Chorei e muito.  Obviamente o caminhão nem precisou levar, pois a vizinhança fez a festa, mas a tonta aqui, se pudesse, iria de casa em casa e pegaria tudo de volta. O papelzinho rosa da floricultura por onde um amor havia passado, o brinquedo, que já sem forma, ainda estava guardado. O bule lindo de minha avó, acompanhado daquela xícara sem asa e sem pires, mas  que era charme puro e tinha o cheirinho da vovó nela (tinha nada, pois lavada, não manteve cheiro de ninguém, exceto de passado). Eu chamo a isso de desarmonia. Amor, carinho, doces lembranças são um bem. Guardar tranqueiras é maluquice! Tento ser organizada, mas ainda tropeço em inutilidades com uma frequência assustadora. Não é uma bagunça geral, é uma bagunça específica. Acredito que, mesmo não sendo acumuladora, o desfazer-me de coisas desnecessárias ainda é difícil. O tal do desapegar é minha intenção, mas a realidade é que meus apegos acabam atrapalhando. 

Nota: a ilustração é uma pintura de Dante Gabriel Rossetti, denominada Pandora.

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SENTIMENTOS POSITIVOS E NEGATIVOS

Autoria de Lu Dias Carvalho

Geralmente os sentimentos negativos são percebidos de modo mais intenso do que os positivos. (Stefan Klein)

 Os sentimentos positivos indicam-nos o que devemos fazer, enquanto os negativos advertem-nos sobre o que precisamos evitar. (Stefan Klein)

   Em cada aspecto de nossa vida encontra-se a natureza — força ativa que estabeleceu e conserva a ordem natural de tudo quanto existe —  a educar-nos.  Tudo que contribui para manter a nossa vida é tido como algo bom: beber, comer, dormir, sociabilizar, etc. E quanto maior for a nossa carência em relação a uma dessas ações, mais prazeroso será o nosso bem-estar ao executá-las. Não existe comida mais gostosa do que aquela que consumimos quando nos encontramos famintos, nem sono mais reparador do que o que nos acomete quando nos encontramos exauridos pelo cansaço, nem água mais deliciosa do que aquela que nos mata a sede. Por que isso acontece? A natureza, no intuito de proteger-nos, leva-nos a escolher o que faz bem ao nosso corpo, usando o prazer como chamariz.  Embora a dor — qualquer que seja a sua causa — tire qualquer um do sério, não passa de uma mensageira valiosa da natureza, avisando que algo não está em conformidade com o esperado no que diz respeito ao funcionamento do nosso corpo. E quanto menor for a atenção que vier a receber, mais se avolumará, até que se busque ajuda para refreá-la. 

   Muitas vezes nós nos perguntamos sobre o porquê de lembrarmo-nos mais daquilo que nos fez sofrer, enquanto nos esquecemos facilmente do que nos tornou felizes. Os sentimentos negativos são quase sempre mais imperiosos, veementes e impetuosos. As tragédias comovem bem mais do que as comédias fazem rir. Os humoristas alegam que fazer humor é extremamente difícil. Então, o que leva a humanidade a preferir a tragédia? A resposta está na biologia humana.

   Os sentimentos negativos — responsáveis por fazerem nossos ancestrais viver em permanente vigilância frente ao perigo constante — permaneceram ao longo da evolução humana, chegando aos nossos dias. Vivemos muito mais tempo temendo o perigo do que buscando a felicidade.  Existe até um conselho que era muito conhecido pelos mais antigos: “Devemos sempre pensar no mal, pois o bem a qualquer hora que chegar será bem-vindo”. Eis a prova de como preferimos a tragédia.

   O prazer só existe porque há o conhecimento do desprazer. Um não ganha vida sem o conhecimento do outro. E é exatamente este contraste que garante a vitalidade do organismo, possibilitando-o a funcionar da melhor maneira possível, apesar dos percalços inerentes à vida de todos os humanos. Ainda que empiricamente, todos nós temos conhecimento sobre aquilo que nos faz mal ou que nos faz bem. A natureza é sábia. Se tomarmos outro caminho é por conta e risco nosso, mas lá na frente poderemos pagar o preço devido.  A Lei de Causa e Efeito age em nossa vida com toda intensidade, quer queiramos ou não.

Obs.: não confundir “sentimentos negativos” com “pensamentos negativos”.

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

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