FELICIDADE X INFELICIDADE

 Autoria de Lu Dias Carvalho

A felicidade e a infelicidade são mestras que a natureza usa para nos educar. (Stefan Klein)

Ao analisarmos a afirmação acima do filósofo e biofísico Stefan Klein, concluímos que se trata de uma grande verdade. Apesar de ser uma mestra indesejável, a infelicidade é sem dúvida a mais contundente, pois mexe com as entranhas de nosso ser. Ainda que seja pensamento comum o fato de que só se aprende com a dor, a felicidade é também uma mestra, uma vez que age como um incentivo, ao predispor-nos a escolher aquilo que faz bem ao nosso corpo, direcionando o nosso comportamento. Contudo, enquanto a infelicidade chega sem ser convidada, a felicidade precisa ser conquistada dia a dia, incessantemente.

Essas duas incansáveis conselheiras fazem-se presentes por vias diferentes. A infelicidade exprime-se através do medo, da raiva, da tristeza, do arrependimento e de outros sentimentos que não nos são aprazíveis. Contudo, tem por objetivo proteger-nos dos perigos do mundo exterior e também de nossos próprios impulsos. A felicidade, por sua vez, manifesta-se através de sentimentos agradáveis e tem como meta condicionar-nos a buscar aquilo que sadiamente nos faz bem.

O mais interessante é que até mesmo os animais estão programados – assim como os seres humanos – a agir da mesma forma. Observe como seu animalzinho doméstico aproxima-se de quem o acaricia e foge daquele que o aborrece ou maltrata. Contudo, a capacidade de prever situações é o diferencial entre humanos e bichos. Enquanto os segundos só aprendem através da experimentação, os primeiros não precisam vivenciar situações para obterem conclusões, podendo buscá-las em diferentes fontes.

O capitalismo selvagem – fruto de nosso tempo – repassa-nos a ilusão de que a felicidade é produto das circunstâncias, algo fortuito, impossível de ser conquistado. Noutras vezes tenta induzir-nos a pensar que quanto mais coisas e poder tivermos, mais felizes seremos. A verdade é bem outra e disso os gregos da Grécia antiga já tinham conhecimento. Eles relacionavam a felicidade a atitudes corretas.

Aristóteles – filósofo grego que viveu antes de Cristo – já dizia: “A felicidade é consequência de uma atitude”, ou seja, de acordo com as possibilidades e oportunidades que nos são oferecidas, devemos buscar fazer sempre o melhor, pois é aí que se encontra o segredo do êxito e da ventura. Tampouco devemos colocar o nosso bem-estar nas mãos de quem quer que seja, uma vez que ninguém é responsável pela nossa infelicidade, senão nós mesmos. O controle de nossa vida está na mão de cada um de nós. Deixar que outrem nos torne infelizes é pura tolice.

Voltando aos filósofos antigos, eles partiram da premissa de que “a felicidade é consequência de uma atitude” e chegaram a duas premissas:

  1. Se a felicidade é resultante da plena realização das possibilidades humanas, logo existirão regras de aplicação geral que podem ser usadas com o objetivo de obtê-la, uma vez que os seres humanos são semelhantes.
  2. Se levarmos tais regras em consideração, seremos capazes de aprender a ser felizes.

Assim, uma vez que o ser humano possui vontade própria, poderá trabalhar suas atitudes, a fim de escapulir da servidão de seus humores azedos e do ambiente – muitas vezes hostil – em que se encontra inserido. A felicidade não está atrelada à acumulação de bens, à posição social ou ao  poder, como alguns imaginam. Ela tampouco se resume a um mero prazer. A felicidade é um processo contínuo e permanente de realização de nossas possibilidades na busca, sobretudo, pelo nosso crescimento interior. É um estado de espírito que pode e deve ser trabalhado permanentemente. Poderemos começar freando os impulsos – esses senhores mandões tão presentes em nossa vida e que podem fazer de nós seus fantoches.

Ainda que a Ciência dê-nos a conhecer – cada vez mais – como funciona a nossa mente, a essência do pensamento da antiga filosofia no que tange à felicidade continua correta, embora alguns termos possam ter sido mudados, como por exemplo: aquilo que os antigos pensadores chamavam de “virtude” e de “realização plena do organismo” é conhecido hoje como “estado ideal do organismo” a ser conseguido.

A neurobiologia (campo da biologia que trata do sistema nervoso nos seus aspectos morfológicos, funcionais e patológicos) deixa claro que os sentimentos positivos não são produtos do acaso ou frutos do destino, mas da maneira como encaramos o dia a dia, ou seja, do modo como vemos e vivemos a vida. Portanto, devemos persegui-los a fim de conquistar a felicidade plena que muito bem fará ao nosso corpo.

Vejamos mais alguns pensamentos de Aristóteles sobre o assunto:

  • Cada um é feliz na medida em que faz e cumpre a sua missão. A felicidade só resulta do cultivo da virtude. A felicidade é para quem se basta a si próprio.
  • A felicidade não se encontra nos bens exteriores. Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo a que amar e algo a que esperar…
  • Ninguém é dono da sua felicidade senão você mesmo, por isso, não entregue a sua alegria, a sua paz, a sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém.
  • A felicidade é o sentido e o propósito da vida, o único objetivo e a finalidade da existência humana. A felicidade consiste em fazer o bem.

Fonte de pesquisa
A Fórmula da Felicidade/ Stefan Klein/ Editora Sextante

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DEPRESSÃO: COMO ACELERAR O CÉREBRO

Autoria de Lu Dias Carvalho

Quando nos ocupamos de alguma coisa, as faculdades cerebrais são mobilizadas e assim nos sobra menos tempo para alimentar pensamentos sombrios. (Stefan Klein)

Quem consegue vencer a inércia está dando o primeiro passo para adquirir um conceito melhor de si mesmo. (Stefan Klein)

Pesquisas comprovam que, “quando concentramos a atenção em uma atividade concreta, deixamos menos espaço para pensamentos e sentimentos pessimistas”, afirma Stefan Klein. O ideal, segundo o biofísico, é que a atividade escolhida leve-nos a um objetivo no qual obtenhamos êxito. Nessa fase de desânimo não adianta escolher metas difíceis de serem alcançadas, uma vez que o nosso cérebro encontra-se menos ágil, ainda longe de pôr em ação toda a sua capacidade de desempenho. Assim, as tarefas mais simples agem como um preaquecimento da mente e cada êxito alcançado é um passo no seu restabelecimento.

Todas as pessoas que já passaram por uma fase depressiva, ou nela ainda se encontram, sabem como é difícil a execução de quaisquer tarefas. O corpo fica pesado, inerte e só pede cama, ou que o deixemos quietinho, distante de todos e de tudo. Atender o seu pedido é um grande erro, pois só faz enrijecer o cérebro. É preciso respirar fundo e reunir as minguadas forças ainda restantes para sair do marasmo. As tarefas iniciais podem ser relacionadas aos trabalhos domésticos ou qualquer outro tipo de exercício que não requeira muito esforço – sem estresse – e dê-nos a sensação de sucesso ao terminá-lo e ânimo para fazer outros.

A vivência do êxito, ao levar uma tarefa ao seu término, é muito importante no estado de tristeza em que o depressivo se encontra.  O neuropsicólogo Richard Davidson explica que “Isso se explica pelo funcionamento dos dois hemisférios cerebrais (assunto presente neste site). Nas fases de desânimo ocorre uma drástica redução da atividade da região frontal esquerda – a que nos impulsiona a estabelecer objetivos, mas que também controla as emoções negativas”. Contudo, quando a pessoa depressiva trabalha para atingir um objetivo, ainda que esse seja simples, ela passa a acionar essa metade do cérebro que se encontra com a sua atividade diminuída e que é importantíssima para ativar o bom humor. Ao atingir a meta proposta, os neurônios da região frontal remetem o sinal que provoca a percepção do êxito.

Fica patente, portanto, que a atividade física é de suma importância para as pessoas depressivas, pois ajuda na produção de sentimentos positivos. Contudo, ao iniciá-la, não se deve estabelecer metas mirabolantes que acabam – uma vez não cumpridas – levando ao desânimo e fazendo com que a pessoa abandone os exercícios. Na fase inicial a persistência é muito importante, uma vez que mil e uma desculpas (faz muito calor, está frio, parece que irá chover, o sol está de rachar, minha cabeça está querendo doer, não me sinto bem hoje…) aparecerão para que o depressivo continue em casa adubando sua melancolia.

Pesquisas mostram que a eficácia da atividade física para o cérebro é imediata. O neurocientista Fred Gage constatou, através de pesquisas com ratos, que “Os exercícios físicos favorecem o crescimento e até mesmo a formação de novos neurônios”. Segundo ele, houve, até mesmo nos animais que antes tinham dificuldade de aprender, um desempenho superior em razão da atividade física.

Por que os exercícios físicos são importantes:

  • Tornam a mente mais ágil.
  • Estimulam o crescimento das conexões neuronais que impedem a ocorrência do mais nefasto de todos os sintomas da depressão: a atrofia das células cinzentas (assunto presente neste site em O QUE É A DEPRESSÃO e COMO A DEPRESSÃO ACONTECE  dentre outros artigos).

Os benefícios da atividade física são sentidos logo após o término dos exercícios. Corpo e mente experimentam uma sensação de prazer que culmina com um bom banho. Mas por que isso acontece? O esforço físico libera serotonina (hormônio que regula o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais e, por isso, quando se encontra numa baixa concentração pode causar mau humor, dificuldade para dormir, ansiedade ou mesmo depressão).

O biofísico Stefan Klein complementa que “Ao contrário das pílulas que apenas atenuam a melancolia, a atividade física também gera um sentimento positivo, pois o esforço libera as endorfinas que causam euforia”. Ainda segundo ele, a prática regular de exercícios de pelo menos três vezes por semana, durante ao menos meia hora, pode ser tão eficaz contra a melancolia quanto os melhores antidepressivos encontrados nas farmácias. Mas vale lembrar que nas depressões graves a prática de exercícios deve estar aliada aos medicamentos, conforme prescrição médica, pois uma coisa não exclui a outra.

Nota: ilustração – Roda de Peteca, obra de Heitor dos Prazeres

Fonte de pesquisa:
A Fórmula da Felicidade – Stefan Klein – Editora Sextante

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COMO AGIR DIANTE DA DEPRESSÃO

Autoria de Lu Dias Carvalho

 A depressão se instala quando a atividade cerebral não está sendo desenvolvida de forma plena. (Stefan Klein)

   Aos poucos, as pessoas em todo o mundo vão tomando consciência de que a depressão é uma doença seriíssima e não fruto de fricotes, chiliques ou dengues. Ela é uma resposta ao mau funcionamento do cérebro, instalando-se quando a atividade cerebral não funciona como deveria. Mas o que fazer, quando essa doença mental abate-se sobre nós?  Seria melhor buscar um cantinho de jeito, esperando o tormento passar, ou tocar a vida para frente, ainda que se deseje ficar apenas deitado num quarto escuro, sem qualquer contato com a vida lá fora, recolhendo-se diante de tamanha infelicidade? É isto que saberemos agora.

   Pesquisas mostram que o fechar-se em si mesmo só fortalece o sofrimento, uma vez que o cérebro passa a não receber estímulos que o ajudem a retomar sua normalidade. O desânimo, a tristeza, a paralisia dos sentimentos e da razão acabam jogando o doente num abismo cada vez mais tenebroso. Portanto, a conclusão a que as pesquisas neste campo chegaram é que não fazer nada, ou jogar a toalha, como se diz popularmente, é um péssimo remédio, ainda que, quando em depressão, seja difícil para o doente despertar seu próprio interesse no que quer que seja, pois a vítima da doença concentra-se em sua vida interior, centrando-se em seus pensamentos sombrios, buscando compreender, em vão,  o porquê de seu sofrimento.

   A depressão leve, que consiste naquela tristeza comum ao dia a dia , ou seja, aquela que toma conta de nós vez ou outra, pode facilmente ser debelada unicamente com a mudança de comportamento, sobretudo controlando os pensamentos e sentimentos negativos, a fim de que o estado depressivo não seja alimentado. Contudo, a depressão severa, além da mudança de comportamento também necessita de medicamentos que irão trabalhar no sentido de libertar o cérebro da apatia em que se vê atolado. Somente o especialista poderá diagnosticar o paciente e fazer a diferença entre as duas fases do estado de alma da pessoa.

É preciso muito cuidado com a tristeza acabrunhante, pois ela pode ganhar vida própria, alimentando-se de si mesma, até resvalar para algo mais sério, ou seja, para uma depressão severa. Sabe-se que o abatimento é, muitas vezes, gerado por uma carga excessiva de estresse (a perda de um ente querido, pressão no trabalho ou na família, doenças, separações, etc.), o que leva o organismo a dar sinais de que precisa de um tempo para sobreviver ao desânimo, cansaço e tristeza. É preciso compreender os sábios sinais do corpo e atendê-lo em suas necessidades.  

   Muitas vezes, mesmo tendo passado o motivo da profunda tristeza, o doente continua a alimentando-se com pensamentos e sentimentos negativos, afastando-se das pessoas e sentindo-se vítima da situação. Tal comportamento é um equívoco, pois apenas alimenta o círculo vicioso (inatividade/desânimo/inatividade). Deixar o mundo de fora, abrindo mão de seus estímulos é um péssimo negócio. Inteirar-se com ele é fundamental. Voltar o olhar para fora, lidando com outras pessoas e coisas contribui para romper o círculo vicioso dos pensamentos negativos e sentimentos ruins. Por que isto é bom? Porque o cérebro, quando atarefado, não mais se preocupa consigo mesmo, ou seja, ele se esquece de si mesmo e passa a preocupar-se apenas com o que está realizando.  Preencher o tempo é vital.

O biofísico Stefan Klein explica: “No estado de melancolia, o cérebro pode ser comparado a uma perna engessada há muito tempo. Quem já passou por isso sabe como os músculos se enfraquecem pela falta de exercício e como é doloroso dar os primeiros passos, a tal ponto que pensamos em desistir. No entanto, precisamos caminhar. Da mesma forma o cérebro tem que ser submetido a uma recuperação que possa ajudá-lo a superar o episódio depressivo. Qualquer tipo de atividade é válido para combater a tristeza. É como retomar as rédeas da própria vida. Quando nos ocupamos de alguma coisa, as faculdades cerebrais são mobilizadas e assim nos sobra menos tempo para alimentar pensamentos sombrios”.

Os portadores de depressão sabem que os medicamentos não fazem todo o trabalho necessário para que o cérebro retorne à sua normalidade. Mudar o comportamento é fundamental para estimular as células nervosas, seja durante uma depressão leve ou aguda. Quem quiser voltar a caminhar por conta própria, precisará de toda a sua boa vontade para recuperar suas faculdades cerebrais.

 Nota: ilustração – Serenata, obra de Di Cavalcanti

Fonte de pesquisa:
A Fórmula da Felicidade – Stefan Klein – Editora Sextante

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DEPRESSÃO E CAPACIDADE CEREBRAL

 Autoria de Lu Dias Carvalho

A utilização insuficiente da capacidade cerebral pode ser tão nociva para o equilíbrio psíquico quanto o cansaço por excesso de atividade. (Stefan Klein)

Quando estou mergulhado nos meus personagens e na ação, não existem horários e nem refeições. Que me deixem tranquilo. (Heinz Konsalik )

Vimos em textos anteriores que se ocupar de outras tarefas – além de pensar somente em nós mesmos – é de suma importância para a saúde de nosso cérebro, pois ao se manter atarefado, ele se esquece de si mesmo e mostra-se mais feliz. Concluímos, portanto, que nosso cérebro parece não gostar do vazio, ou seja, que nos voltemos apenas para nós mesmos. O compartilhamento faz-lhe muito bem. Eis uma prova de que não nascemos para viver sozinhos, ou seja, nenhum homem é uma ilha.

Quando nos encontramos ao telefone numa conversa do nosso interesse, temos a tendência de ignorar o barulho à nossa volta, concentrando-nos no assunto em questão. Nossas preocupações e ruminações também funcionam como ruídos prejudiciais que se mostram ainda mais severos quando nosso cérebro não se encontra envolvido em tarefas que o levem a ignorá-los. Está aí o porquê de contar carneirinhos – como ensina a sabedoria popular – quando nos encontramos insones. Ao ocupar os neurônios com a contagem dos animaizinhos, acabamos impedindo que as preocupações e os pensamentos negativos imperem.

Nosso cérebro não descansa nunca. Quando nos encontramos em momentos de ociosidade, volta-se para as fantasias ou lembranças. O pior é que tem a tendência de escolher as mais desagradáveis. Por que isso? Porque nós somos mais atraídos pelo pessimismo, como se vivêssemos atentos a um perigo iminente, pois o nosso  instinto de sobrevivência está sempre a postos.

O grito de “Fogo!” deixa-nos muito mais atentos do que se ouvíssemos um anúncio prazeroso. Entre uma ideia agradável e uma amedrontadora, surgindo ao mesmo tempo em nosso cérebro, a última sempre vence.  Segundo o biofísico Stefan Klein, o Evangelho de Mateus relata a correspondência entre percepção e sentimento, ao narrar o milagre no lago de Genesaré. Pedro começou a sentir medo e fracassou, quando passou a duvidar de si mesmo, ao atender o chamado de seu Mestre.

Não são poucas as vezes em que nos dispusemos a fazer uma tarefa e nem demos conta do tempo passando. Quando olhamos as horas, acabamos levando um susto, pois o tempo apresentado pelo relógio parece-nos irreal. Isso acontece quando a tarefa é desempenhada com concentração em razão de sua importância ou prazer, pouco importando qual seja ela (caminhar, ler, conversar, pintar, escrever, fazer uma comida, etc.). Por que isso acontece? Porque o cérebro encontra-se tão ativo que o “eu” fica em segundo plano.

A lenda grega sobre Sísifo (filho do Éolo), tido como o mestre da malícia e da rebeldia e um grande ofensor dos deuses, mostra-nos como a inutilidade de qualquer esforço feito pode parecer-nos um tormento, ao contrário de algo desejado:

Sísifo ao ser castigado por Zeus – o deus dos deuses – recebeu a incumbência de empurrar uma pedra ladeira acima  e colocá-la no topo de uma montanha. Contudo, ao chegar ao cume do monte, a rocha despencava-se de novo e de novo. A pedra não era pesada o bastante para significar um tormento. O castigo encontrava-se na inutilidade da tarefa, ou seja, na monotonia do trabalho executado por Sísifo vezes e vezes sem conta, sem nada exigir de seu cérebro, privando-o de qualquer euforia. É por isso que existe a expressão popular “trabalho de Sísifo”, originada  dessa lenda grega, relativa a todo tipo de trabalho ou situação que é interminável e inútil.

O trabalho executado, portanto, para provocar uma sensação de leve euforia no nosso cérebro, fazendo aflorar os sentimentos positivos, não deve ser por demais difícil e nem excessivamente fácil. Pesquisas mostram que se a tarefa executada é muito difícil ou extremamente fácil acaba por não trazer efeitos positivos para o cérebro.

Quando a atividade exige muito esforço, traz sensações de cansaço e esgotamento, sendo que a falta de êxito produz frustração. Se a tarefa é feita mecanicamente, sem qualquer desafio, nada exigindo do órgão cerebral, traz uma sensação de tédio – a mente não aceita a ociosidade – abrindo espaço para que os pensamentos ruins se instalem. O ideal é que a atividade executada estimule o cérebro na medida certa, fazendo surgir os sentimentos positivos. Logo, tanto uma atividade extremamente complexa quanto uma fácil demais não beneficiam o nosso cérebro.

Para concluir, é bom levarmos em conta a advertência do biofísico Stefan Klein: “Um amplo número de estudos psicológicos revela que as pessoas cuja ocupação habitual não solicita sua capacidade cerebral de modo satisfatório estão mais propensas a sofrer de depressão e angústia”.

Nota: ilustração – Manacá, obra de Tarsila do Amaral

Fonte de pesquisa:
A Fórmula da Felicidade – Stefan Klein – Editora Sextante

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ANSIEDADE/DEPRESSÃO E PLANTAS MEDICINAIS

Autoria de Lu Dias Carvalho

A utilização de plantas como base para tratar doenças é um hábito milenar, seja por meio do uso de chás, outros preparos caseiros ou até, mais recentemente, os medicamentos fitoterápicos. (Site Guia da Farmácia)

As plantas medicinais são as espécies vegetais, cultivadas ou não, em geral, tradicionalmente utilizadas com o propósito de aliviar sintomas e/ou promover a cura de afecções. (Dra. Camila de Albuquerque Montenegro)

   Existem muitas plantas medicinais que ajudam a aliviar os sintomas da ansiedade e da depressão, embora o estudo sobre elas ainda não esteja totalmente concluído. Elas podem ser cultivadas em quintais ou vasos dentro de casa; compradas como sachês de chás em supermercados; como cápsulas ou tinturas em farmácias de homeopatia, sendo também comum encontrá-las desidratadas em mercados ou feiras. Antes de usar é importante saber para que serve a planta medicinal. Quais são os princípios ativos, como preparar e qual a dosagem. Vejamos as mais comuns:

Camomila — trata-se de uma das plantas mais conhecidas. As flores é que são utilizadas, pois possuem um aminoácido de nome glicina que é um relaxante muscular e nervoso, além do flavonoide de nome apigenina que aumenta os efeitos calmantes. O ideal é tomar o chá ainda quente, feito por infusão de cinco a dez minutos.

Erva-de-são-joão — trata-se de um arbusto com flores amarelas. É responsável por aliviar a depressão, a ansiedade e o TAG. Sua substância ativa é a hipericina. Acredita-se que ela seja capaz de contribuir com o humor positivo. Antes de tomá-la, faz-se necessário uma conversa com o médico ou farmacêutico, caso esteja tomando um outro medicamento para que não potencialize o efeito de certos antidepressivos. As pessoas acometidas por transtorno bipolar não devem fazer uso desse chá.

Lúpulo — é uma trepadeira e dela se usa as flores. Além de aliviar o estresse, também induz ao sono profundo. Imagina-se que possa agir sobre o sistema nervoso central. Comumente é usado para combater a ansiedade e a insônia. Não é recomendada para quem tem depressão, pois pode potencializar o efeito de sedativos, comprimidos para dormir e álcool.

Melissa (erva-cidreira) — planta muito comum em solo brasileiro. É usada para diminuir a ansiedade, a insônia e dores de cabeça associadas à irritabilidade. É um fitoterápico aprovado para “distúrbios nervosos do sono”. Acredita-se que seja capaz de estimular a produção de neurotransmissores, podendo também equilibrar os efeitos da cafeína. Pode causar sonolência nas pessoas mais sensíveis a seus efeitos.

Maracujá (passiflora) — arbusto trepadeira, também muito comum em solo brasileiro. Tanto suas flores quanto suas folhas podem ser usadas para combater o estresse e os períodos de grande ansiedade. Também combate a insônia. Suas substâncias ativas possuem efeito levemente sedativos. Algumas pessoas podem apresentar confusão mental ou tontura ao fazer uso dessa planta. Mulheres grávidas ou que estejam amamentando não devem fazer uso desse fitoterápico.

Valeriana — trata-se de uma planta com flores rosas e brancas, também conhecida pelo nome de “valium da natureza”. Dela é usada a raiz. É tida como benéfica no alívio do estresse, depressão, ansiedade e insônia. Mulheres grávidas ou lactentes não devem tomá-la. É preciso conversar com o médico ou farmacêutico, caso esteja tomando outro medicamento, pois pode trazer problemas, quando ingerida com certas drogas.

Verbena — é uma planta de flores lilases. Dela são usadas tanto as flores quanto as folhas. Dentre os efeitos benéficos que proporciona estão o alívio da tensão nervosa, da depressão e a promoção de um sono profundo. Não é recomendado seu uso para mulheres grávidas, pois pode provocar contrações.

Observações importantes:

  1. Os medicamentos fitoterápicos são aqueles obtidos a partir das plantas medicinais (drogas ou derivados vegetais), as quais passam por operações farmacotécnicas ou de tecnologia farmacêutica para ser inseridas em uma forma farmacêutica.
  2. Todo fitoterápico deve ter sua ação comprovada por meio de ensaios farmacológicos e toxicológicos que garantam eficácia, segurança e qualidade, para ser registrados e utilizados com o fim profilático, curativo ou paliativo, afirma a Dra. Camila.
  3. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que, quando a planta medicinal é industrializada para se obter um medicamento, tem-se como resultado o fitoterápico.

Fontes de pesquisa
50 coisas que você pode fazer para controlar a ansiedade/ Wendy Green

Guia da Farmácia


https://www.mundodomarketing.com.br

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TAB, FILHO E SEPARAÇÃO

Autoria de Rodrigo Morais

Na nossa sociedade, infelizmente, a confusão entre diagnóstico (que identifica uma situação para indicar os tratamentos, buscando melhor qualidade de vida) e “rótulo” (ideia de julgamento social, baseada nos preconceitos e estereótipos) tem lançado uma neblina na compreensão de muitas pessoas, que ao invés de popularizar as informações sobre os transtornos (aumentando sua aceitação e reduzindo a invisibilidade social), incita-as ao entendimento de diagnóstico como rótulo, como indutor de estigma social; levando-as à tentativas constantes de relativização do diagnóstico, minimização e manipulação de informações. Como se, para alguém que tem um transtorno psicológico real, o fato de transmitir a outra pessoa a percepção de que não possui aquela condição, e perceber nessa pessoa algum acolhimento, pudesse em si livrá-la de todos os sintomas e dificuldades decorrentes de sua situação real, de forma quase mágica.

Eu lido com uma situação dessa. Tenho uma companheira que foi diagnosticada com TAB (Transtorno Afetivo Bipolar) aos 14 anos (seu pai possui TAB, depressão, esquizofrenia e mais recentemente, desenvolveu Alzheimer). Foi atendida regularmente por psiquiatra e medicada durante mais de 14 anos com estabilizante de humor e antidepressivo. Devido ao comportamento do pai, seu ambiente familiar foi instável, traumático, conturbado e abusivo em todos os níveis. A mãe, impotente diante do desequilíbrio do pai, possivelmente entendia que era uma forma de “compensá-los” deixando-os fazer o que queriam e mentindo, encobrindo diversas situações do pai, sem enxergar os outros problemas que isso iria gerar.

Até onde conheço, não é indicado o uso de cannabis para pessoas que tem TAB, porém ela fuma maconha desde a adolescência, como infelizmente é comum em muitos círculos sociais, fazendo uso quase diário, durante alguns períodos, intercalando com ciclos de maior intervalo. Durante o nosso namoro, eu não tinha conhecimento da situação, achava estranho que, nalguns dias, ela ficava o dia inteiro na cama. Falava que era depressão, que ia passar. Dizia que tomava medicamentos, mas que seu objetivo era reduzir a utilização, até não precisar mais. Após idas e vindas, tivemos um filho e iniciamos uma vida em conjunto na tentativa de criá-lo da melhor forma.

Foram 3 anos de muitos abusos emocionais, desequilíbrio, agressões verbais constantes, insegurança psicológica, e oscilações no comportamento (pontuados, sim, por alguns momentos bons), culminando em um episódio em que ela decidiu (por conta própria, contra todos os meus pedidos) amamentar nosso filho, horas depois de ter fumado maconha. Minha preocupação não é moral (ela é adulta e já está lidando com as consequências), e sim com a saúde do meu filho.

Eu havia enviado estudos de diversas fontes, todos desaconselhando uso de maconha em situação de amamentação, e já havia pedido que não fizesse isso. Ela havia dito que concordava, mas na hora mudou e disse que nunca tinha concordado (gaslighting) e que aquilo era questão de opinião e ela pensava diferente. Precisei dizer a ela que caso continuasse, eu chamaria a mãe dela ou a polícia – isso a fez parar de amamentar, mas imediatamente começou a relativizar a situação, dizendo que eu estava falando de forma agressiva, e isso também afetava o nosso filho. Naquele momento, acho que perdi qualquer admiração e amor que ainda restava por ela, ao ver quão irresponsável estava sendo, relativizando a situação e tentando me colocar como responsável.

O relacionamento agora está caminhando para uma separação (detalhei um pouco das situações em outras postagens que fiz aqui neste fórum). Hoje em dia, uma separação geralmente se encaminha para uma guarda compartilhada, mas confesso que tenho muita dúvida sobre a condição dela de criar um filho. Preparar refeições, dar banho, e colocar para dormir são coisas que dividimos e ela faz sem dificuldades, até aí sem problemas, a questão é pensar na formação de personalidade, caráter, princípios e valores ao longo dos anos.

Na atual situação (vivendo juntos e dividindo as tarefas), por diversas vezes perde a hora, dorme demais, desiste das coisas. Esquece coisas importantes. Acorda tarde e trabalha com a roupa com que dormiu. Imagino como seria numa situação de morar sozinha e ter de cuidar de si e do nosso filho. Sem falar de outros hábitos familiares/culturais, como críticas em excesso, inveja, desmerecer as conquistas dos outros, reclamações e pessimismo constante. Não quero que meu filho seja mais um a fazer parte dessa espiral descendente.

Ela não tem dialogo comigo, quando temos qualquer desentendimento banal que um casal resolveria facilmente. Habitualmente leva essas situações nossas para “desabafar” com outras pessoas (obviamente, contando a versão dela), expondo nossa vida. O maior problema é que a partir do nascimento de nosso filho, ela passou a consultar-se com uma psiquiatra online que, segundo ela, “removeu” seu diagnóstico de TAB, dizendo que ela tem TDH. É triste dizer, convivo com ela faz 6 anos, morando juntos a mais de 3 anos e posso afirmar pelo convívio e pelas inúmeras situações que vivemos, que ela tem todos os sintomas de TAB e que está piorando a cada dia.

Minha esposa tem uma grande capacidade de convencimento, manipulação, terceirização de responsabilidade… Eu não sei o que ela falava para a psiquiatra dela, pois nunca deixou que eu participasse de uma sessão sequer (ela se trancava no quarto para ninguém ouvir), sendo que é altamente recomendado que alguém acompanhe, pelo menos, alguns minutos, pois a percepção da pessoa pode ser muito diferente da realidade. A psiquiatra é de outra cidade, atende pela internet no horário marcado, não consegue enxergar o conjunto de evidências da vida dela que não condiz com o que ela supostamente falou. Desconfio que tenha induzido a psiquiatra a remover esse diagnóstico (até onde sei, não realizaram nenhuma tomografia de crânio, ou seja as evidências que a psiquiatra tem, são unicamente as coisas que ela falava).

Confesso que estou em grande dúvida a respeito de seguir com uma separação amigável (guarda compartilhada) ou avançar para um pedido de guarda unilateral do meu filho. Sei que isso traria outros problemas também….

Agradeço se alguém tiver algum insight sobre a situação.

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