ELIMINE O MEDO DE VIVER

Autoria do Dr. Telmo Diniz

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Você já percebeu como o mundo está repleto de pessoas com medo? Medos e angústias estão mais presentes na vida das pessoas do que imaginamos. Muita gente vive em um estado de apreensão constante, como se viver fosse um peso a ser carregado dia após dia. Viver preocupado e inseguro não pode ser uma opção de vida. Se for seu caso, comece a combatê-lo a partir de agora.

Não podemos confundir o medo criado por nós com o medo real, como quando se está em situações de risco de vida. Claro que se tem medo de uma arma apontada. Isso é normal! O que não se pode deixar é que a insegurança tome conta, através de medos infundados que paralisam e engessam. O medo de não suportar as dificuldades à frente. Clarice Lispector falou sobre o tema: “… o medo de viver, o medo de respirar. Com urgência, preciso lutar, porque esse medo me amarra mais do que o medo da morte. É um crime contra mim mesmo. Estou com saudade do meu anterior clima de aventura e minha estimulante inquietação…”.

Quando o medo está presente, você fecha todas as portas, pois a insegurança faz com que a solidão seja mais suportável do que o enfrentamento da vida real. Não se pode ir para as situações, achando que tudo já deu errado. Pode até ocorrer. Nem sempre tudo vai sair conforme queremos. Mas temos de tentar. Não se esconda!

O medo, aquela emoção natural de cuidado, de proteção, de atenção com o que pode apresentar riscos, atualmente está se transformando em uma paranoia sem limites. Já não se distingue a realidade da fantasia. São adultos pedindo ajuda a psicólogos para adquirir coragem de ir à festa da empresa, porque têm medo de que algo dê errado. Um chefe assustado pode interpretar o interesse do funcionário em participar de um congresso, como um sinal de que ele está procurando outro emprego ou, até mesmo, de que queira tomar o seu lugar. O medo faz com que a gente interprete fatos simples, como se fossem inimigos reais. Viver inseguro tornou-se um estilo de vida.

Nossas perdas trazem um medo iminente e até inconsciente. Ninguém quer perder saúde, pessoas amadas, posição social, confiança, etc. Quem vence recebe um status simbólico de sucesso, de perfeição, de êxito. Mas o que está por trás dos dramas, derrotas, desencontros existenciais, enfim, no enfrentamento de nossos medos é o que nos impulsiona para o amadurecimento e para a evolução.

Viver com medo não é viver. É sobreviver. Viver implica em correr riscos. Implica na possibilidade de nos expormos à rejeição e à perda. Implica, sobretudo, na possibilidade de experimentar emoções intensas. E isso é o que dá cor à vida de cada um, independentemente do seu percurso. Faça sua parte. Doe-se sem medo. Você tem o que mostrar. Descubra-se.

A alegria evita mil males e prolonga a vida. (William Shakespeare)

Nota: imagem copiada de www.radiorainhadapaz.com.br

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FENG SHUI – IMPORTÂNCIA DE DOAR

Autoria de Lu Dias Carvalho

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Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não haveria pobreza no mundo e ninguém morreria de fome. (Gandhi)

Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição. (Gandhi)

Se já desfrutamos de certo objeto ou se dele fazemos pouco caso, permitamos então que ele faça um novo caminho, sem medo ou desculpa. Pouco importa quem nos deu, ou se foi herança de família, ou por quanto tempo nós o temos, pois ele ficará um dia para trás, quer queiramos ou não, quando deste planeta nós nos ausentarmos. E para quem não sabe, segundo a filosofia milenar do Feng Shui, podemos ser afetados negativamente, ao fazer associações pessoais com os objetos, pois esses emitem energia, poluindo não apenas a nossa mente, como o ambiente em que vivemos.

Quando alguém morre na família, nada mais sábio e humano do que doar as suas roupas e objetos pessoais para quem esteja precisando. Os mortos não necessitam de coisas materiais. Tampouco devemos vender objetos usados e de pouco valor, pois o preço insignificante que acharemos por eles jamais compensará os fluidos positivos que o beneficiado enviará ao doador. Quanto mais doamos, mais recebemos, pois toda ação enseja uma reação. Sem falar que toda avareza é atraso de vida, é doença crônica da alma, é um nítido raio-X da mesquinhez da vida interior da pessoa.

Doar o que se tem em excesso ou aquilo que não mais é usado não é uma ode ao consumismo, mas uma forma de descarregar os fardos, quer sejam eles espirituais ou materiais. O entulho que é feito em nosso lar ou em nosso escritório é tão oneroso para a nossa saúde, quanto o que é feito em nossa mente. Sem falar que nada pode ser tão prazeroso, como saber que algo que nos serviu, pode servir a outrem, deixando espaço livre para uma nova aquisição, se necessária. Nossa casa é um altar onde habita o nosso corpo. E este altar não pode estar tão acumulado de velharias de modo a impedir que as graças do absoluto por ele fluam. Isso sem falar que toda desordem material é um reflexo da desordem mental. Também precisamos ensinar nossas crianças a desfazerem-se dos brinquedos e roupas que não mais usam.

O Feng Shui ensina que, após dois anos sem usarmos uma determinada coisa, provavelmente nunca a usaremos, e o melhor a fazer será nos despojarmos dela, livrando-nos de uma energia parada, estagnada num canto qualquer, que some serve de atraso para a nossa vida. Pelo menos os antigos egípcios, ao acumular riquezas, acreditavam que as levavam consigo após a morte, para desfrutarem numa outra vida. Mas nós, em pleno século XXI, sabemos que deste planeta nada levaremos, a não ser o bem que aqui fizermos.

Sem dúvida alguma, uma das piores formas de apego é aquele voltado para as coisas materiais. A pessoa vê-se refém de objetos inanimados, como se esses fizessem parte de seu corpo, ou como se os divinizasse. Tal atitude doentia impede que ela se desfaça de coisas já sem uso, de modo que possam servir a outrem (Há tantos bazares com a finalidade de ajudar os desprovidos). Na verdade, somos apenas zeladores temporários dos objetos que passam pela nossa vida. A matéria nada mais é que energia em transição. Mal e mal somos donos de nosso corpo, sujeito às doenças e às armadilhas do tempo. O espírito pode ser indestrutível, mas a parte humana é comprovadamente transitória.

Aproveite um fim de semana ou feriado, ou até mesmo suas férias, e livre-se de um monte de bugigangas que entulham seu guarda-roupa, seus armários, sua casa – sua vida. Deixe espaço para que a energia positiva possa fluir intensamente. Deixe que as coisas cheguem e partam na mais perfeita naturalidade, assim como acontece com todos os seres vivos. E harmoniosa será a sua a existência. É preciso aprender a viver com leveza, adotando a filosofia de que “menos é sempre mais”.

Nota: assistam ao programa (TV fechada) denominado ACUMULADORES COMPULSIVOS.

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CONTROLANDO OS SENTIDOS

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos ensina a trabalhar com os sentidos.

O candidato à saúde mental, à paz e à realização espiritual não pode se descuidar de uma higiene estética. Ele deve selecionar a qualidade e controlar a quantidade das impressões externas e internas, a fim de que seus sentidos, ávidos eles mesmos de cada vez mais satisfações, não o desviem da meta. Aqui, como em todos os campos e aspectos da vida, o homem só terá saúde se souber manter-se senhor e jamais se deixar dominar.

Ser senhor quer dizer ter controle. Ter controle sobre uma ação significa poder, conscientemente, começar, acelerar, retardar, parar, recomeçar quando quiser, portanto, dirigir a ação. Desde que perca o controle de seus sentidos, tornando-se um sensual, o homem pode descer aos abismos da infelicidade e da degradação. No controle da sensibilidade, o candidato à felicidade deve:

a) saber e poder escolher as impressões que contribuam para isto e usá-las na medida certa;
b) reconhecer e poder obstar as impressões adversas e delas se defender;
c) saber distinguir entre as benéficas e as que são somente agradáveis;
d) saber discernir as que podem vir a se tornar obsessivas, a fim de evitá-las.

Como se já não bastassem os dramas, sofrimentos, apreensões, decepções e mesmo tragédias que o destino semeia em cada vida e que acarretam enorme desgaste nervoso e, portanto, distúrbios, a indústria das emoções, através do cinema, da telenovela, do teatro, da tevê, bem como dos espetáculos desportivos violentos, como as lutas, as corridas, os campeonatos, diariamente submetem o público a perniciosos impactos. Tanto mais bem elaborados sejam tais espetáculos, tanto mais eficientes, e tanto mais capazes de contribuir para desordens nervosas. E o público, fascinado, inconscientemente, se entrega aos forjadores de emoções. Estas devem ser cada vez mais excitantes, profundas e dominantes.

Na Roma antiga eram os gladiadores que atendiam às necessidades malsãs do sensualismo do público sádico. Hoje são os lutadores de “catch” que se esmeram, por todos os modos – desde os nomes (Carrasco, Drácula…) até ao aspecto físico – para infundir terror e ódio em milhões de inadvertidos, imaturos, e viciados espectadores. Quanto mais “proibida pela censura”, mais preferida é a película de cinema. A fórmula de violência, terror e sexo é a mais comercial e, portanto, a preferida por produtores, diretores e exibidores de filmes. As frases com que tais filmes são anunciados bem demonstram um clamoroso quadro de saúde mental do grande público. Apregoam o que o povo deseja: violência e erotismo. Desgraçadamente isto é o “normal”, o mais frequente. O normal patológico do qual já temos falado.

O “normal” é isto, esta busca irracional e patética de cada vez maior prazer, sensações mais perturbadoras e divertimentos com alto poder estressor. Por que as pessoas pagam para se meterem numa montanha russa? Por que multidões se alinham nas margens de uma pista de corrida de carros, esperando que um deles se despedace? Por que o teatro e a televisão estão cada vez mais explorando o mórbido e o erótico? Por que as músicas da juventude estão se tornando mais barulhentas, mais à base de ritmo e mais carentes de melodia e harmonia? Por que a poesia deu lugar à novela sexo/policial? Por que o Carnaval, cada ano, é mais bacanalizado? Por que até crianças uivam de entusiasmo com o estrangulamento que um lutador está fazendo no outro? Por que os jovens com seus carros suicidamente “voam”? Por que, a cada dia, novos divertimentos são inventados, desencadeando sensações novas, que “enlouquecem” seus participantes? Por que o jovem, em todo o mundo, está empenhado na corrida psicodélica?

Você que quer ter paz; você que não deseja e nem precisa se sentir ajustado e mesmificado com esta alarmante “normalidade”, tome consciência do fato, analise-o, com distância, e defenda-se contra a corrupção sensual coletiva, contra a esquizofrenização da sensibilidade. Você não precisa destas sensações. Deixe-as para os que não têm como desfrutar das suaves e sadias sensações espiritualizadas, patrimônio de quem empreende a vida redentora do Yoga.

Se, por acaso, você já é um sensual, pode começar a desconfiar de que seu distúrbio nervoso tem raízes nesta distorção estética, isto é, neste estado patológico de sua sensibilidade. Se você tem dado rédeas à sua sensualidade, ou melhor, a seus jnanaindriyas (os sentidos), comece já a formular um plano para corrigir-se disto que o escraviza ao mundo e o afasta de Deus. Resista à alucinofilia crescente que está arrebatando os fracos de todo mundo.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

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EDUCAÇÃO É PRIORIDADE

 Autoria de Lafaiete de Souza SpínolaEducação é a prioridade para quem almeja construir a nação!

Só a educação pode suplantar a barbárie. Educação de qualidade para todos!

Há um vazio de algo muito desejado pela população que os girondinos, estupidamente, devido ao individualismo extremado, não desejam e os jacobinos consideram uma utopia: Lutar por um alto investimento na educação básica pública integral e em tempo integral de qualidade! O Orçamento tem que ser complementado com recursos extras como em ESBOÇO DE UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO NO BRASIL propõe. Investimento federal de pelo menos 15% do PIB! Como esperar um Brasil menos injusto e soberano, assim?

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública. Sou contra a educação como processo exclusivo de formação de uma elite, mantendo a grande maioria da população em estado de analfabetismo e ignorância” – Anísio Teixeira. Frases da década de 1950!

“A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto” – Darcy Ribeiro.

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” – Paulo Freire.

“Não é a terra que constitui a riqueza das nações, e ninguém se convence de que a educação não tem preço” – Rui Barbosa (Frase do Início do século XIX).

Em Educação como Prática da Liberdade – no capítulo A Sociedade Brasileira em Transição – Paulo Freire diz: “O que importa, realmente, ao ajudar-se o homem é ajudá-lo a ajudar-se”. “O assistencialismo, ao contrário, é uma forma de ação que rouba ao homem condições à consecução de uma das necessidades fundamentais de sua alma – a responsabilidade”. “No assistencialismo não há responsabilidade, não há decisão. Só há gestos que revelam passividade e “domesticação” do homem”.

Na Suécia, quando a Social Democracia estava em pleno governo, na década de 1970, havia um alto índice de suicídio das pessoas desempregadas. Essas pessoas não recebiam um “Bolsa Família”. Elas tinham garantidos um lugar para morar e uma verba equivalente ao salário mínimo sueco. O suicídio era causado pelo sentimento de inutilidade e vergonha. Não era a falta de mantimento!

Educação pública integral e em tempo integral é a grande prioridade para o ser humano! Os suecos tinham e têm uma boa educação comparada à nossa, mas a maioria da população pouco sabe sobre outros povos, sobre história. Um estudante de curso superior, nas férias, vai a Londres e pode enviar para a família uma foto do rosto da rainha, pois considera mais importante que lugares históricos ao lado do Rio Tâmisa e outras belas paisagens.

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DEPRESSÃO – USANDO A TERAPIA DE R. CRUSOÉ

Autoria de Lu Dias Carvalho

A apatia ocasionada pelo estado depressivo, não é tão dolorosa quanto os pensamentos negativos o são. Embora o corpo mostre-se inerte, sem qualquer vontade de exercitar, a mente trabalha atabalhoadamente, produzindo um sem conta de pensamentos sombrios. E pior, o depressivo não sabe como mudar sua perspectiva de vida. Em tudo o que acontece à sua volta, ele vê apenas o sinal da confirmação de seus imaginários temores. Até mesmo o fato de um conhecido, passar sem cumprimentá-lo, já gera um encadeamento de mirabolantes questionamentos negativos. Jamais imagina que o amigo pode não o ter visto em razão de estar muito apressado ou preocupado.

O biofísico Stefan Klein ensina que “A primeira recomendação é perceber tais pensamentos. Existem diversas estratégias para isso. Uma das mais eficazes é a que Robinson Crusoé utilizou. Devemos anotar os temores, as autocríticas e as dúvidas quanto ao nosso próprio destino. O simples fato de colocarmos no papel tudo o que nos atormenta já é um primeiro passo para nos livrarmos dessas aflições. Ao mesmo tempo permite-nos formar uma ideia mais precisa sobre esses pensamentos sombrios acerca do futuro ameaçador e dos julgamentos depreciativos que fazemos a nosso respeito. Parece que o que está no papel torna-se mais concreto e mais fácil de analisar, do que as fantasias que se desenvolvem em nossa mente”.

Se a pessoa, após ser inundada por pensamentos pessimistas, não consegue eliminá-los assim que os percebe, é necessário voltar a sua atenção para outras coisas. Portanto, nada melhor que usar o método de Robinson Crusoé, listando as coisas boas e as ruins. É possível que, ao listar as boas, ele consiga escrever que “a pessoa pode não o ter visto”, como no exemplo citado acima. Eu, por exemplo, ponho-me a construir um romance imaginário na minha mente, mesmo sabendo que nunca venha a escrevê-lo, uma vez que não tenho propensão para tal estilo.

Alguns podem até mesmo achar que terão que andar com um caderno de anotações a vida inteira. Nada disso! Já aprendemos que o nosso cérebro possui a capacidade de mudar ao longo de nossa vida. Trata-se da chamada plasticidade cerebral. A capacidade de adaptação do Sistema Nervoso Central é surpreendente. Ele tem a habilidade para modificar sua organização estrutural e funcional, como resposta às experiências vividas, ou seja, aos estímulos ambientais. O cérebro humano é capaz de reorganizar-se, usando novas conexões entre os neurônios.

A constância da atividade de listar as coisas ruins e as coisas boas, advindas de uma determinada situação, faz com que “O autocontrole sobre os pensamentos sombrios e as sensações ruins torne-se um hábito.  E à medida que esta habilidade se aperfeiçoa, vão desaparecendo também os sentimentos amargos”, conforme explica Klein.

Fonte de pesquisa:
A Fórmula da Felicidade – Stefan Klein – Editora Sextante

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APEGO X AUTOCONHECIMENTO

Autoria de Lu Dias Carvalho

O apego é o oposto do amor.  O apego diz: Eu quero que você me faça feliz. O amor diz: Eu quero que você seja feliz. (Jetsunma Tenzin Palmo)

A salvação não vem lá de cima, como pensam alguns, vem de si mesmo, do autoconhecimento. (Filosofia Budista)

Ver o pequeno chama-se iluminação. Usar a suavidade chama-se força. (Lao Tzu)

Quem vence alguém é um vencedor, quem vence a si mesmo é invencível. (Morihei Ueshiba)

Muitos de nós chegam ao final do dia extenuados, não pelo excesso de trabalho feito, mas pelo peso dos pensamentos e sentimentos sombrios e desejos insatisfeitos, o que gera um vazio e um sentimento de inutilidade diante da vida. É preciso impedir que os desejos de posse e os pensamentos desmancham prazeres intrometam-se em nosso dia a dia. Mas como? Evitando-se as armadilhas mentais que tantos danos nos causam; usando o autoconhecimento; dando menos importância a certas posturas de nosso próximo; e sempre se lembrando de que o infeliz é aquele que maltrata e não o maltratado.

A mente prega muitas peças. É preciso estar atento às suas criações mirabolantes. Não se  pode entregar aos delírios de grandeza, principalmente, pois aí está a raiz de quase todos os males. Nossa mente é capaz de transformar pensamentos comuns ao dia a dia em alçapões que tiram o gosto pelo existir. É necessário muito empenho, a fim de não carregar  pensamentos e sentimentos ruins vida afora.

Faz-se necessário botar um freio no sofrimento sem razão de ser – efeito de nossas tolas ilusões, acorrentar o ego e aprisionar-se ao vitimismo. Inúmeros textos científicos têm nos ensinado como agir, de modo a viver da melhor maneira possível. A Ciência é hoje uma grande aliada da humanidade. O Budismo também nos ensina como trabalhar a nossa mente através do autoconhecimento, entre a diferença de “ser” e “parecer”. Sua eficácia, encontra-se, sobretudo, em buscar viver da maneira mais simples possível, comungando com todos os seres.

A filosofia budista ensina que a ética engloba o respeito a si mesmo, aos outros e a todos os seres vivos. Enfatiza que nenhuma mudança ocorrerá, se a pessoa não começar olhando para si mesma, ao invés de encontrar problemas apenas nos que a rodeiam. Ensina que é impossível respeitar os outros, quando não se tem respeito por si próprio e que não adianta fazer do dia a dia um rosário de tormento – muitas vezes levando sofrimento a quem está por perto e não nenhuma culpa alguma. Afirma que tudo que existe no mundo é impermanente (fato comprovado pela Ciência) e, portanto, todos devem aprender a lidar com as transformações, doenças e perdas presentes neste mundo em que todos somos passageiros.

Não é preciso ser um devoto budista para conhecer as “quatro grandes verdades” do Budismo, pois elas fazem hoje parte dos manuais científicos.

  1. o sofrimento é inevitável, ou seja, ser humano algum passa pela vida sem sofrer, ainda que seja um príncipe ou um miserável;
  2. para superar o sofrimento é preciso eliminar o apego, isto é, eliminar a persistência em querer sempre mais e mais, achando que tudo é pouco, esquecendo-se de que somos apenas passageiros do tempo, de modo que o que possuímos apenas nos é emprestado por um determinado período;
  3. é possível alcançar a libertação do sofrimento, ou seja, existe possibilidade de    nos livrarmos do apego às ilusões e, em consequência, eliminarmos o nosso padecimento;
  4. elimina-se o apego através de práticas corretas, ou seja através do autoconhecimento e da meditação, etc. Pergunte-se, ao final de cada dia sobre algo que fez de bom e algo que fez de ruim. Comece por aí…

As duas pri­mei­ras “Nobres Verdades” têm rela­ção de causa e efei­to entre si: o apego – causa de toda dor e desgraças existentes no mundo – é o responsável por gerar o sofrimento. Por sua vez, ao eliminar o apego (às pessoas e às coisas) através do autoconhecimento, chega-se à iluminação, ou seja, ao cessar do sofrimento. Pois, segundo Buda, o apego é fruto da ignorância humana, incapaz de compreender a forma real das coisas, não reconhecendo, sobretudo, sua impermanência.

O cantor Lulu Santos afirma com sabedoria em sua música “Como uma Onda” que:  Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia/ Tudo passa, tudo sempre passará…

O ser humano não conhece a sua verdadeira natureza – sua essência. É o que o leva sempre a agarrar-se a algo externo. Por não se conectar consigo mesmo, toma seu “eu” egoísta como senhor, ou outras pessoas como modelo, o que gera um vazio interior cada vez maior. Sem o autoconhecimento, o homem cede ao apego às coisas e às pessoas, achando que está indo ao encontro da segurança e consequentemente da felicidade. Ledo engano, somente o autoconhecimento é capaz de tornar-nos pessoas melhores e mais felizes, capazes de amar a nós mesmos e aos outros, como canta nosso inesquecível Renato Russo:

“É preciso amar como se não houvesse amanhã”.

Nota: a ilustração é Mulher ao Espelho, obra de Richard Emil Miller.

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