VAI LAVAR A ÉGUA…

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Autoria de Lu Dias Carvalhoasno

Meu primo Sidnelson Silveira Silva, também conhecido como Sid SS, é cheio de ideias, mas nunca as põe em execução. Sempre que o encontro ele me diz que vai trabalhar com isso ou aquilo e vai lavar a égua com o lucro que terá. Já fez plantação de parreira, montou conjunto musical, foi barista, salva-vidas, professor de dança, gesseiro, escritor, alambiqueiro, criador de galinhas e até treinador de cães, sem nunca ter colocado a mão na massa em coisa alguma e muito menos na apregoada bufunfa. Até hoje nunca vi o Sid SS lavar a égua de uma forma ou de outra, pois nunca botou a mão num equino. E assim, o matreiro vai tocando a vida sem fazer coisa alguma. Vive só a contar pabulagens, pois fanfarrices é a sua real profissão.

Nas últimas eleições Sid SS cismou que iria ser vereador. Filiou-se a um partideco qualquer e pôs-se rua acima e rua abaixo à cata de votos, coisa que fez com prazer, uma vez que já era mestre em tal esporte – medir rua. Apresentava-se todo sério, já imbuído das manhas das raposas velhas da política – e das novas também –, prometendo isso e aquilo, enquanto para os mais íntimos dizia que, se eleito fosse, iria lavar a égua. Não apenas lavaria a sua égua, mas a de toda a família e a dos amigos.

Sid SS, para felicidade do povo de sua cidade, teve apenas sete votos: o dele, o do pai, o da mãe e o de quatro amigos que também esperavam lavar a égua. Mas o fulano já faz planos mirabolantes para o próximo pleito, quando se candidatará a deputado estadual, caso não seja convidado para disputar a prefeitura da pequena cidade de Ninguém Merece. Mas de onde o meu primo potoqueiro tirou esta expressão que parece ser o seu slogan de vida? Encontrei duas explicações para a tal:

A primeira – brasileiríssima – conta que os escravos descobriram que o ouro que as mulas levavam, acabava caindo sobre o pelo das fidelíssimas trabalhadoras. E por nisso acreditarem, ao soltarem as bichinhas no pasto, já mais mortas do que vivas em razão do árduo trabalho, aproveitavam para jogar água sobre elas, no intuito de  aparar a água escorrida com a bateia, para pegarem algum restinho de ouro que por acaso ali estivessem. Eles estavam certos de que quem não arrisca não petisca.

A segunda versão – mais elitista – conta que a expressão lavar a égua nasceu em meio ao turfe, significando bons resultados e, consequentemente, muito dinheiro. Conta-se que o ganhador comemorava sua vitória dando um rico banho de champanhe em sua égua. Pelo visto as éguas de lá eram diferentes das de cá.

No Brasil há muita gente lavando a égua com o alheio desde o tempo do Brasil Colônia. No submundo da gestão pública,  por exemplo, trapaceiros passam por santos de pau oco. Haja éguas para serem lavadas num país de espertalhões e pilantras, onde a Justiça e a mídia fazem ouvidos de mercador na maioria das vezes.

Não confunda, meu caro leitor a “égua” falada acima com a “égua” dita no estado do Pará. Naquelas terras o vocábulo égua tem outro sentido, ou melhor, vários. Pode significar admiração, espanto, alegria, mas também raiva, surpresa e insatisfação, dependendo da entonação dada à palavra. Exemplos:

Égua, que jogo bom! (Admiração)
Égua, você por aqui! (Surpresa)
Égua, eu nem acredito que passei na prova! (Felicidade)
Égua, que susto! (Espanto)
Égua, eu não quero mais ficar aqui! Vou pedir demissão. (Raiva)

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RETIRANTES (Aula nº 94 B)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

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O pintor brasileiro Candido Portinari (1903-1962) demonstrou no ano de 1944 uma grande preocupação com a situação social do trabalhador brasileiro, tanto é que criou a “Série Retirantes”, uma denúncia social com influências expressionistas, composta por Criança Morta, Emigrantes, Retirantes e Enterro na Rede (presentes no site). Essa série mostra o sofrimento dos trabalhadores nordestinos que eram sempre açoitados pela seca.

Na obra Retirantes, ilustrada acima, o conjunto de personagens é formado por quatro adultos e cinco crianças, todos esquálidos. O grupo é composto por imensas figuras que ocupam o primeiro plano da composição. A obra possui o formato piramidal, cujo vértice superior é formado pela trouxa que a mulher carrega na cabeça. A fisionomia dos personagens demonstra tão profundo abatimento que chega a doer no coração de quem as observa.

A figura do velho que leva um cajado e a do bebê escanchado na cintura da mulher à sua frente são descarnadas, lembrando esqueletos ambulantes. O homem idoso é retratado como se fosse um santo penitente, tamanha é tristeza e o desalento que repassa. Na parte direita da composição um garotinho, vestido apenas com uma camisa, traz à vista uma enorme barriga, evocando a presença de vermes. No centro do grupo uma mulher carrega uma trouxa na cabeça, enquanto traz no braço esquerdo um desmilinguido bebê, cujo rostinho repassa uma extrema piedade.

O homem de chapéu traz um saco na ponta de um pau escorado em seu ombro esquerdo. Com a mão direita ele segura um desalentado garotinho, usando também um imenso chapéu. À sua esquerda estão presentes duas outras crianças. Homem e crianças parecem fixar tristemente o observador, como se lhes pedissem socorro. Todas as gerações são mostradas na composição, sendo afetadas pela seca.

A terra escura está salpicada de ossos, enquanto aves negras de rapina espalham-se pelo céu esquisito. Todo o grupo é composto por tipos magérrimos e acinzentados, aparentando sujeira, e descalços. O sol mostra-se tão feio e sujo quanto os retirantes, figuras que nos trazem a impressão de serem palpáveis.

A paisagem, atrás dos retirantes, é seca, triste e desolada, onde não se vê uma folha verde. Mais ao longe montanhas nuas e ressequidas complementam-na. Existem poucas tonalidades fundamentais na tela (brancas, cinzas e pardas) que têm por objetivo colocar em evidência o contexto estrutural, avivado em poucos pontos com tons mais quentes que possuem valor meramente decorativo.

Ficha técnica
Ano: 1944
Dimensões: 190 x 180
Técnica: Óleo sobre tela
Localização: Acervo MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand

Fontes de pesquisa
Portinari/ Coleção Folha
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

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ESTAR COM O OVO VIRADO

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Autoria de Lu Dias Carvalho

ovo

Existem pessoas com as quais é difícil lidar, pois parecem se encontrar sempre de ovo virado. Estão sempre de mal com tudo à sua volta, reclamando disso e daquilo, pois nada está bom, nada lhes agrada.  Não carregam sorrisos nos lábios e tampouco louvam o nascer de um novo dia, nem mesmo que ganhassem uma galinha com ovos de ouro. Um cumprimento na boca de gente desse tipo é como chuva no deserto, e conversar com elas é um desperdício de palavras. É uma danação conviver com uma pessoa que já acorda com o ovo virado, pois nos faz ter azia ou má digestão. O melhor a fazer é botar milhas e milhas de distância de gente assim, pois viver pisando em ovos não é tarefa fácil nos dias de hoje.

Alguns carrancudos alegam que, ao exercer a função de chefia, precisam estar sempre sérios e azedos, para serem respeitado pelos comandados. Certos patrões no trato com seus serviçais acham que esses não são merecedores de gentilezas para não ficarem mal-acostumados. E existem certos tipos que basta subir num tijolo para mudar a personalidade, achando-se os tais, acima de todos.  Franzem cara, como se tivessem com um ovo atravessado na saída do oritimbó.  Tola raça humana, não aprende mesmo que a vida é passageira e somos todos iguais diante da morte e, consequentemente,  deveríamos ser iguais também diante da vida.

Onde fica o ovo virado na história? A sabedoria popular é de uma riqueza inestimável. Nada possui base científica, sendo tudo fruto da observação empírica. As expressões criadas caem sempre como uma luva. A expressão estar de ovo virado, por exemplo, é de origem popular, nascida da observação do povo no meio rural. Assim como o bebê deve nascer com a cabecinha para baixo, para não trazer demasiado sofrimento à mãe, o saber popular reza que o  ovo da galinha deve estar com a parte mais fina para baixo, na hora de ser expelido. Caso esteja ao contrário, a ave passa por maus momentos, podendo até morrer. Qualquer um fica nervoso e mal-humorado com a presença da dor, até mesmo os bichos, nascendo daí a expressão estar com o ovo virado. Vale lembrar que os humanos não precisam sentir dor para ficarem com o ovo virado.

E por falar em ovo, quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

 

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O GRITO (Aula nº 94 A)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

       
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Eu caminhava pela estrada com dois amigos. O sol estava se pondo. De repente, o céu ficou vermelho sangue. Exaurido, eu me recostei na balaustrada e fiquei ali parado, tremendo de medo, enquanto meus amigos seguiam caminhando. Eu senti um grito agudo e interminável atravessar a paisagem. (E. Munch)

Ele se impressionava ao ver os animais sendo abatidos e o lamento dos pacientes do hospital. (Sue Priedeaux)

A composição expressionista O Grito, obra do norueguês Edvard Munch, foi inspirada num ataque de pânico sofrido pelo artista, enquanto caminhava com dois amigos. Nela estão explícitos os tormentos psicológicos do pintor. Munch tinha o costume de fazer várias versões de seus quadros. E com O Grito não foi diferente. Existem quatro versões da composição que apresentam mínimas mudanças, mas em todas está presente este sentimento universal, que tanto abala a humanidade – a angústia. É por isso que o personagem principal não apresenta sexo, idade ou identidade. A figura maior, aqui exposta, é a mais conhecida de todas as versões.

O Grito traz-nos a impressão de que produz som através das ondas de choque à direita. E o som é tão agudo que o personagem tapa os ouvidos, fica com o corpo desvirtuado e grita. Atrás dele caminham calmamente outros dois personagens que não apresentam nenhuma mudança física ou comportamental, totalmente alheios aos acontecimentos vivenciados pela figura principal. Conclui-se, portanto, que o grito agudo e assustador do personagem central é ocasionado apenas por sua mente, sem nenhuma correlação com o espaço físico. O pavor vivenciado por ele é tão grande que seu copo físico sofre uma repentina mudança: torna-se alongado e o rosto toma a forma de uma caveira, com os olhos saltados e a boca aberta. Seus olhos encaram o observador que também é envolvido pelo terror.

A cena ocorre num golfo estreito e profundo de Oslo, na Noruega, entre montanhas altas. Próximo dali estava um matadouro e um hospício onde estava internada a irmã do pintor. As linhas onduladas do golfo e do céu contrastam com a diagonal com forte declive da estrada e com um pôr do sol perturbador em cores quentes, contrastando com o azul do rio, cor fria, que ultrapassa a linha do horizonte. Tudo resulta num efeito vertiginoso, torto, excetuando a ponte e as duas personagens ao fundo, o que leva muitos críticos a sugerir que Munch tenha tido um ataque de agorafobia. Ele criou outras obras semelhantes, nas quais ficam visíveis a representação simbólica da morte e da solidão, temas sempre presentes em sua vida. Ao longe na baía veem-se pequenos barcos à vela. É como se a natureza se condoesse com o grito do personagem central e com ele interagisse.

O Grito demonstra o medo e a solidão do Homem, mesmo em meio a um cenário natural que não representa nenhum perigo para ele. E esse grito, ainda que mudo, ecoa desde a baía até o céu, numa violência dinâmica de linhas. Munch acabou por pintar quatro versões de seu quadro, para substituir as cópias que ia vendendo. Ele o pintou quando a psicanálise começava a ficar no auge e, por isso, a pintura logo passou a simbolizar as agruras da alma e, com os desacertos da vida moderna passou também a representar desde o estresss do cotidiano às fobias ecológicas, passando a traduzir qualquer forma de aflição. Para alguns críticos, O Grito é a mais forte representação visual da sensação de receio e apreensão, sem motivo aparente, na história da arte. Encontra-se entre as pinturas mais conhecidas em todo o mundo.

Curiosidades sobre a obra

  • A composição O Grito tornou-se tão forte na história da arte, que ganhou espaço na cultura pop. Pode ser vista no cartaz do filme Esqueceram de Mim e na máscara do assassino da série de terror denominada Pânico.
  • Em 2012, segundo noticiário em todo o mundo, a quarta versão original dessa obra, que se encontrava em mãos de certo proprietário particular, chegou num leilão à cifra estupenda de 119,9 milhões de dólares, tornando-se O Grito o maior recordista de preço num leilão de arte.
  • A obra de Munch, O Grito, em versões diferentes, foi roubada duas vezes de museus da Noruega em 1944 e 2004, trazendo comoção e mais fama ao trabalho do artista norueguês.
  • O sucesso desta obra, enquanto ícone cultural, teve início após a Segunda Guerra Mundial. Com sua popularização O Grito tornou-se um dos quadros mais reproduzidos tanto em pôsteres como em objetos.
  • Foi capa da revista Time em 1961, ilustrando os temas sobre culpa e ansiedade.
  • O artista pop Andy Warhol em 1980 também usou a obra, ao dedicar-lhe uma série de trabalhos.
  • O personagem Hortelino no filme Looney Tunes de Volta à Ação, faz uma expressão semelhante à do quadro numa cena.
  • A série de desenho Os Simpsons mostra o quadro duas vezes: em 1993 e 2005.
  • O quadro aparece na série Os Feiticeiros de Waverly Place, do Disney Channel, etc.

Ficha técnica
Ano:1893
Técnica: óleo, têmpera e pastel em cartão
Dimensões: 91 x 73,5
Localização: Nasjonalgalleriet, Oslo, Noruega

Fontes de pesquisa
Os pintores mais influentes…/ Editora Girassol
Munch/ Editora Paisagem
Revista Veja/ 9-05-2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Grito_%28pintura%29

 

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É MAIS FÁCIL UM BOI VOAR…

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Autoria de Lu Dias Carvalho

boivoa

Conta-se que São Tomás de Aquino, grande gênio filosófico e teológico, parecia às vezes viver no mundo da lua, tamanho era o seu desligamento das coisas terrenas. Certo dia, quando se encontrava em um de seus costumeiros alheamentos, um colega tentou lhe pregar uma peça, dizendo:

– Frei Tomás, corra aqui até a janela e veja lá fora um boi voando!

Tomás imediatamente levantou-se e foi até à janela atender o chamado do colega, que se dobrava de tanto rir. Como se não bastasse só o riso, ainda ironizou:

– Deixe de ser bobo, irmão, você já viu um boi voar?

Ao que Tomás de Aquino respondeu-lhe:

– Não! Mas achei que é muito mais fácil um boi voar do que um frade mentir.

Nota
O provérbio É mais fácil um boi voar do que… denota sempre a impossibilidade de que um determinado fato aconteça. Mas nos dias de hoje não tem sido muito fácil usá-lo, pois ficamos impressionados, abestalhados e perturbados com o que vemos acontecer, todos os dias, Brasil afora. Foi-se o tempo em que era mais fácil um boi voar. Olhem para o céu, caros leitores, e vejam como é grande a boiada a voar, tão paradoxais são os acontecimentos nas bandas de cá. Boi voar agora é fichinha!

 Fonte de pesquisa:
Provérbios e ditos populares / Pe. Paschoal Rangel

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NOVO ESTILO – EXPRESSIONISMO II (Aula nº 94)

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Autoria de Lu Dias Carvalho

Os artistas expressionistas punham grande ênfase na forte reação psicológica e emocional de seus temas e não no tema em si. O que almejavam era atingir o observador através de seu lado emocional. O que mais retratavam eram paisagens, a vida cotidiana, o nu feminino e a vida das ruas de Berlim. Como as obras refletiam a visão interior de cada artista, o movimento jamais poderia ser homogêneo, pois cada artista possuía uma visão de mundo. O escritor e crítico alemão Paul Fechter considerava que havia dois tipos de Expressionismo: um “intensivo” — inspirado na experiência interior, sendo Kandinsky seu principal representante — e outro “extensivo” que procedia de uma relação enriquecida com o mundo exterior, tendo em Max Pechstein seu maior representante.

No que diz respeito ao Expressionismo, o alemão Kurt Pinthus — escritor e crítico — dizia que “na arte, o processo de criação deve ir do interior para o exterior, não do exterior para o interior, pois o importante é retratar a realidade interior mediante os recursos do espírito”. Dentre as características da arte expressionista estão presentes, como elementos essenciais, a distorção linear, a reavaliação do conceito de beleza artística, a simplificação radical de detalhes e o uso de cores intensas. Os artistas expressionistas eram de acordo que, se havia a presença do mal no mundo, ele não poderia ser ignorado, mas, sim, deveria ser retratado.

Os primeiros trabalhos artísticos dos expressionistas foram em geral influenciados por Van Gogh, Edvard Munch e pelos pós-impressionistas, contudo, nos anos de 1905 a 1908 eles acabaram por encontrar um estilo expressionista próprio, quando passaram a pintar, fazendo uso de cores brilhantes e vivas, usando empastamento grossos com pinceladas rápidas e explosivas, criando um efeito tremido. Mesmo trabalhando quase sempre ao ar livre, os expressionistas faziam uso de uma perspectiva limitada e, aos poucos, foram abrindo mão de imitar a natureza.

Os nazistas, ao chegarem ao poder em 1933, coibiram o Expressionismo, assim como outras artes de vanguarda que, para eles, eram vistas como “degeneradas”. Vários artistas europeus exilaram-se nos EUA, permitindo que, a partir dos meados de 1930, o Expressionismo influenciasse inúmeros jovens artistas naquele país. Contudo, essa guerra levou consigo muitas vidas expressionistas, pois muitos desses artistas tiveram que ir para o front. Dentre os mortos podem ser citados os nomes de August Macke (morto em 1914) e Franz Marc (morto em 1916), autor da ilustração acima, intitulada “O Destino dos Animais”.

O Expressionismo alemão atingiu o seu ápice com o Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), mesmo o grupo tendo se desintegrado com o início da Primeira Guerra Mundial. Mesmo assim, a arte expressionista espalhou-se por toda a Alemanha após o final do conflito. No início dos anos 1920, o Expressionismo, ou o que sobrevivera dele, já se encontrava muito mudado. Muitos artistas passaram a tomar um novo rumo. Uma famosa frase do compositor austríaco Arnold Schoenberg que veio a tornar-se um dos slogans do Expressionismo diz que “A arte surge por necessidade, não por habilidade”.

Não se pode esquecer também o nome de outros artistas expressionistas que trabalharam independentemente, não se unindo a nenhum grupo. Em Viena pode ser citado o jovem Egon Schielle que chocou os burgueses com o erotismo carregado de seus trabalhos, sendo inclusive preso sob a pecha de “divulgar desenhos indecentes”. Os trabalhos do austríaco Oskar Kokoschka, outro artista independente, também desagradaram os críticos, por acharem que ele era um “superfovista”.

O Expressionismo influenciou várias artistas no Brasil, contribuindo para estimular o Movimento Modernista. À época houve um grande interesse em expor as realidades social, cultural e espiritual do povo brasileiro. A segunda exposição da artista Anita Malfatti já apresentava traços expressionistas. Lasar Segall — pintor e escultor de origem lituana — tem como destaque sua obra “Navio de Imigrantes”. Candido Portinari criou quase cinco mil obras abordando questões sociais (ver as obras desses artistas presentes aqui neste site).

Nota: a composição que ilustra este texto, intitulada Cavalo na Paisagem, obra de Franz Marc, criada em 1910, é um óleo sobre tela da fase expressionista. É tida como uma das obras mais maduras do artista, na qual são vistas duas de suas principais características: animais como tema e o uso não convencional de cores primárias brilhantes.

Fontes de pesquisa
Tudo sobre arte/ Editora Sextante
Manual compacto de arte/ Editora Rideel
História da arte/ Folio
Arte/ Publifolha

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