A LIBERTAÇÃO DOS CULTOS

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Autoria do Prof. Pierre Santos

basamama   basamama I

Em 313, Constantino, chamado O Grande, o último imperador romano e o primeiro imperador bizantino, libertou os cultos dentro do Estado Romano e adotou o cristão como o oficial do Império. Dezessete anos depois, mudou a capital de Roma para Bizâncio – cidade situada bem no Estreito do Bósforo, às margens do Mar de Mármara, portanto com passagem direta seja para o Mar Negro, seu fronteiriço, seja para os Mares Egeu e Mediterrâneo, através do Estreito de Dardanelos, no terminal do Mármara, desfrutando, pois, de estratégica situação geográfica para o comércio internacional – rebatizando-a com o seu nome, Constantinopla, nome que permaneceu até o fim da era medieval, em maio de 1453, quando foi tomada pelos turcos muçulmanos e teve novamente seu nome trocado para Istambul, como ainda é hoje.

Era intenção de Constantino, como observa Louis Hautecoeur, continuar ali o “Sacro Império Romano”. Mas, diferentemente (e talvez nem tenha se dado conta disso), estava lançando as bases do “Sagrado Império Bizantino”, e garantindo, assim, o seu lugar na história. Mesmo depois da mudança, a religião, uma vez liberta, não sofreu solução de continuidade no Ocidente, embora, longe da capital, sua arte começasse a declinar em sua fase inicial e, em dois séculos, a Arte Paleocristã, em suas formas primitivas, já estaria absorvida pelas formas seja da Arte Bizantina, seja, mais significativamente, da de tribos nômades e bárbaras invasoras da Europa ao longo da era medieval.

Entretanto, desde o início dessa fase de libertação assiste-se ao esforço do artista, por instâncias do clero, no sentido de dotar o culto de locais adequados de reunião para a multidão de fiéis. É fácil imaginar a significativa afluência de novos adeptos, não só devido aos profundos apelos espirituais da nova religião, mas também ao reconhecimento da mesma, a ela aderindo inclusive ricos patrícios romanos, que seguiram Constantino em sua conversão, junto aos quais e ao Estado eram buscados recursos para as novas construções, muitas delas erguidas nos terrenos onde estavam as antigas moradias doadas para culto.

As adesões, que ocorriam em grandes massas, criaram de imediato um sério problema para os dirigentes da Igreja, qual seja o de construir amplos templos para acolher essas multidões. Mas onde buscar subsídios? O novo culto não tinha nenhuma experiência arquitetônica no setor. Era normal que se pensasse primeiro no tempo greco-romano. Mas, esse templo, algo assim como um monumento, segundo entendemos hoje esta palavra, feito para ser admirado externamente e não para acolher, não se prestava à função de abrigar, como a que devia ter a igreja (ecclesia = assembléia) cristã. A forma ideal de edifício procurada pelo arquiteto, naquele momento, foi encontrada afinal na basílica civil romana, que, no Império dos Césares, funcionava como fórum, cartório e comércio. Mas nela inspirado, soube em seu projeto tirar partido da mesma, ao adaptá-la não só às novas funções, mas igualmente, ao sentido simbólico de sua liturgia.

Neste instante surge também no desígnio do arquiteto cristão o afã de expressar, nos símbolos que poderia dar às formas arquitetônicas, a ideia de êxtase e impulso para o céu, quanto convinha ao templo sugerir. Este desígnio há de nortear a sua procura em todas as fases, pelas quais a arte cristã atravessa, até o momento em que, encontrando-a na catedral gótica ao fim da Idade Média, vê exaurido o impulso que o animara.

Vejamos, pois, como, num crescendo e dentro das soluções arquitetônicas realizadas ao longo da Idade Média, o templo cristão foi, de período a período, se definindo em suas arrojadas inovações, sempre no intuito de atender ao enlevo espiritual e às necessidades materiais do número sempre crescente de fiéis, a começar pela fase que se inicia após a libertação dos cultos.

Ilustração:

  1.      Fachada da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma
  2.      Nave da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma

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