ALDEIA GLOBAL E O CAMINHO DO MEIO

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Autoria de LuDiasBH

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Marshall McLuhan criou, nos anos de 1960, o termo “aldeia global”, para mostrar que as fronteiras dos países estavam sendo eliminadas, e a Terra estava se transformando numa única comunidade com bilhões de pessoas. E, como acontece nas comunidades, principalmente com os indivíduos obrigados a aceitá-las por imposição, essa reunião de pessoas teve e tem os seus altos e baixos. Algumas pessoas estão felizes com o andar da carruagem, outras estão permanentemente insatisfeitas, ao constatarem que lhes sobrou apenas um pangaré.

Não há como pular fora desta aldeia, pois a sua evolução é inevitável e, em função disso, a espécie humana precisa aprender a conviver com suas benesses e malefícios.  São muitas as dores enfrentadas no diluir das fronteiras, sendo algumas passageiras e outras crônicas. Dentre elas podemos salientar o mal dos dias atuais: o fanatismo religioso que vem descambando para o extremismo e o terrorismo confesso, assim como o anarquismo moral. E não há quem não saiba que o extremismo e o anarquismo moral são empecilhos à harmonia da aldeia global em que vivemos.

 O extremismo, seja lá de que natureza for, não tem compromisso com o agora. Suas ações visam resultados em longo prazo. O fato de se estar vivo e o de lutar por uma vida valorosa no presente não tem significado algum. Enquanto as pessoas equilibradas lutam, tendo como objetivo o alcance do bem comum para si e para os que estão à sua volta, os extremistas torcem para que o caos se instale, seguidores que são da filosofia do quanto pior, melhor.

 Por sua vez, o anarquismo moral é o desrespeito aos valores e à ética que devem nortear um povo. É a falta de parâmetros na distribuição de riquezas no mundo. É a falta de cooperação entre aqueles que detêm a capacidade de agir, visando o bem comum. É a busca pela riqueza e pelo poder a qualquer preço. É o descaso para com o planeta Terra e suas espécies. É a prepotência, o viver sob o comando do ego, inimigo capcioso e vil.

 Sempre tive dificuldade em me ater às crenças religiosas, pois as vejo como fatos da história, mas acredito piamente no poder imensurável que cada homem carrega dentro de si, pois ele é um microcosmo. Tudo encontra em seu interior,  tanto o bem quanto o mal. Se tal poder for usado com sabedoria, reverterá em bons frutos para todos. Mas o contrário se dará com quem o usar de outra forma, pois não se pode plantar urtiga e colher alface. De que adianta ir aos templos “sagrados”, se se negligencia o templo interior, onde se aprende a reverenciar a si mesmo, os irmãos de planeta e a própria Terra? Quem vive de aparências não passa de um vaidoso tolo.

O fato de sermos generosos com todas as espécies de vida não significa  um caminho para o perdão de nossos “pecados” ou para a redenção de nosso “carma” numa outra dimensão. Esqueçamos isso. É apenas a única forma de sermos felizes agora, pois a energia advinda de nossas boas ações fluirá sobre nosso corpo carnal e nossa mente, no presente momento em que a ação se processa. Se arremessarmos uma bola na parede, ela voltará com mais força para nós. Assim acontece com as nossas ações, que reverterão em energia negativa ou positiva, para tudo que fizermos. A escolha é de cada um.

 A palavra-chave para vivermos bem nesta “aldeia global”, onde crenças e valores morais estão divergindo, e entrando em conflito todo o tempo, é o equilíbrio, o célebre Caminho do Meio ensinado por Buda, que convida todos os homens, indiferente de suas crenças e ideologias, a se unirem em torno dos melhores interesses de cada comunidade, colocando de escanteio o ego, a prepotência, o desejo de posse. Precisamos aprender que nada nos pertence de fato, pois tudo nos é emprestado por um determinado tempo.

 É sabido que estamos constantemente lutando contra os extremos que existem dentro de nós. Em algumas pessoas, tais extremos são tão visíveis e constrangedores, que na ciência médica recebem o nome de “distúrbio bipolar”. E como é difícil conviver com uma pessoa assim, que ora efusivamente nos recebe e noutra, literalmente nos ignora. Nunca  sabemos em qual dos polos vamos encontrá-la. Chega um momento em que terminamos optando por nos afastar de um relacionamento tão instável e desequilibrado, que nos faz mal.

Cada um de nós é único nesta “aldeia global”, o que individualiza as nossas responsabilidades para conosco, para com os outros e para com a Terra e demais formas de vida. A nossa racionalidade permite-nos exercer e sofrer influências. Não podemos fugir da raia. A omissão reverterá em energia negativa, enfraquecendo-nos diante do mundo e, sobretudo, diante de nós mesmos. Nenhum de nós ficará imune às próprias escolhas, conforme a lei de Ação e Reação.

 Os três sábios da Antiguidade: Aristóteles, Buda e Confúcio (ABC) ensinaram, em épocas diferentes, que o extremismo é o maior dos males da humanidade, pois se contrapõe à felicidade, à saúde e à harmonia. Resta-nos continuar buscando o equilíbrio em tudo que fizermos. Sempre em busca do Caminho do Meio, do bom senso, do ecumenismo e do sentimento de igualdade.

Nota: imagem copiada de http://tudosobreglobalizao.blogspot.com.br

 Fonte de Pesquisa:  O Caminho do Meio/ Lou Marinoff

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