ANSIEDADE E FALTA DE AR

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Autoria de Isamara Fernandes

Tenho 22 anos. Fiquei conhecendo este espaço ontem e passei quase a madrugada toda lendo os depoimentos. Vi o tratamento que a Lu dá às pessoas e isso me motivou a pedir sua ajuda também! Desde já lhe agradeço por ter este site e por ajudar tantas pessoas!

Minha história é a seguinte… Nos últimos dois anos eu passei por mudanças bruscas em minha vida, o que me afetou muito. Devido à doença de demência da minha avó, minha família decidiu ir para outro Estado, e eu passei um ano morando com a minha irmã que me tratava muito mal. Como fui muito ansiosa desde pequena, sofrendo antecipadamente e ficando preocupada com tudo, isso se intensificou naquele momento de minha vida. Antes de tudo isso acontecer, eu tomava fluoxetina que me ajudava com a ansiedade, mas depois de um tempo, esse antidepressivo não fazia mais efeito. Com isso, simplesmente parei o tratamento (erro grotesco), porque estava bem melhor, mas até ter essa mudança inesperada em minha vida.

A minha família voltou faz dois meses, principalmente por minha causa, porque eu sofria muito com os abusos da minha irmã. Comecei a ter crises de ansiedade, chorava compulsivamente, pois não aceitava a minha nova realidade e tudo o que estava sofrendo. Com a volta de meus familiares, fiquei muito feliz e pensei que tudo iria melhorar. Contudo, há um mês eu acordei com muita dor de garganta e falta de ar. Comecei a ter pensamentos negativos, sentindo medo de ficar sufocada e coisas do tipo. Comecei a ter taquicardia e dor no peito. Houve momentos de eu acordar de madrugada pensando estar tendo um ataque cardíaco. Suava frio e me sentia fora da realidade.

A minha vida só foi complicando. Comecei a ter medo de passar mal na rua, e consequentemente, de sair sozinha. Chorava, pensando que tinha uma doença grave. Chegou ao ponto de meu pai ter que me acompanhar na ida e na volta da faculdade, embora eu me sentisse ainda no maternal e culpada por ser mais um problema na vida dos meus pais, pois atualmente minha avó encontra-se totalmente debilitada, alimentando-se por sonda (o que me afeta muito), causando-lhes grandes preocupações.

O psiquiatra que busquei, receitou-me escitalopram. Comecei a tomar o antidepressivo e sofri muito com os efeitos colaterais nos 15 dias iniciais. Vômitos, enjoo todo dia, suor e tremor nas mãos, não conseguindo prestar atenção em nada. Minha garganta continuava ruim e comecei a sentir falta de ar. Não sabia diferenciar o que era da minha cabeça, do remédio, ou se tinha algo físico. Era um nó na garganta tremendo.

Consegui voltar a andar sozinha. Acredito que o remédio me ajudou nesse quesito.
Porém, certo dia, indo dormir, senti um sufocamento muito grande, não conseguindo respirar. Entrei em pânico! Vomitei em seguida. Ficou mais um trauma com a falta de ar se intensificando, fechando a garganta. Decidi ir ao médico que disse que eu estava com faringite. Foi um alívio, porque “achei” o que estava me causando a falta de ar e as dores na garganta. Tomei antibiótico, senti melhora na dor, mas a falta de ar continua. Hoje faz 27 dias que estou tomando escitalopram, muitos dos efeitos colaterais já passaram, mas a falta de ar permanece. Passei no cardiologista, fiz eletrocardiograma duas vezes e deu normal. Pensei que fosse o refluxo que tenho (tomo lansoprazol).

Estou em pânico com esta falta de ar. Já perdi a conta de quantas vezes fui ao PS, pensando ter alguma coisa séria. Na faculdade tive várias crises de pânico, ao me sentir sufocada. Com isso, o psiquiatra passou alprazolam 0,5 (tomar metade do comprimido), apenas quando eu tiver em crise. Comprei o genérico e não sinto o mesmo efeito imediato do Frontal. Seria por ser genérico? A falta de ar que sinto seria um efeito colateral do remédio? Seria melhor trocá-lo? Estou pensando que tenho asma já, vou até passar no pneumologista. Por favor, Lu, ajude-me.

Nota: Desnudo Azul, obra de Pablo Picasso

Um comentário sobre “ANSIEDADE E FALTA DE AR

  1. LuDiasBH Autor do post

    Isamara

    Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em família.

    Amiguinha, todo antidepressivo, depois de certo tempo, acostuma-se com o nosso organismo, sendo necessário aumentar a sua dosagem ou até mesmo mudar para outro com substância diferente. Portanto, é normal o fato de seu corpo ter se acostumado com a fluoxetina. Realmente foi um erro ter parado com a medicação sem o parecer médico. O importante agora é que retomou o tratamento.

    A mudança abrupta de sua família realmente mexeu consigo, pois teve que se submeter a uma vida totalmente diferente. Se já era ansiosa, isso ainda a deixou pior. E a má convivência com a sua irmã foi a gota d’água. Ainda bem que tudo isso são águas passadas. O importante é o que virá doravante. Talvez sua mana também tenha problemas com transtornos mentais, assim como você, e necessite de ajuda. Não lhe negue o seu carinho. Nunca sabemos o que se esconde por trás da aparência grosseira das pessoas, uma vez que o normal é ser gentil.

    Lindinha, você levanta uma questão que é própria de nós, portadores de transtornos mentais em relação aos nossos problemas de saúde, quando diz: “Não sabia diferenciar o que era da minha cabeça, do remédio, ou se tinha algo físico. Era um nó na garganta tremendo”. Realmente nós nos perdemos nesse emaranhado de emoções, mas, com o tempo, as coisas vão ficando mais claras.

    Você ainda se encontra na fase inicial de seu tratamento com o oxalato de escitalopram, ou seja, o antidepressivo ainda não agiu em toda a sua totalidade. Tenha mais um pouquinho de paciência. Quanto ao alprazolam, só o tome quando for realmente necessário. Tenha cuidado, também, com o uso continuado do lansoprazol.

    Isa, a falta de ar, ao que me parece, até mesmo pelos exames feitos, é um produto de sua ansiedade que ainda não se encontra totalmente controlada. O seu medo excessivo, em razão das crises de pânico passadas, é outro fator traumático. É preciso trabalhar isso com mais serenidade, separando o real do irreal. Você não tem asma alguma, não encha a sua cabecinha com tanta imaginação. Vou lhe enviar o link de alguns textos que irão ajudá-la. Quanto ao genérico, para mim funciona tão bem quanto o chamado “original”. Tomo esse mesmo antidepressivo e sempre opto pelo mais barato.

    Muito obrigada pelo texto e pela oportunidade de mostrar aos leitores o quanto nossa imaginação pode criar complicações antes de o medicamento fazer o efeito esperado. Seja POP (paciente, otimista e persistente) e logo estará ótima. Continue nos escrevendo.

    Beijos,

    Lu

    Responder

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