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Dürer – RETRATO DE UMA JOVEM SENHORA…

Autoria de LuDiasBH

O pintor Albrecht Dürer (1471 – 1528) foi o primeiro artista alemão a se preocupar com o real, ou seja, com o homem e a natureza, usando o método científico que tinha por base a observação e a pesquisa. Foi gravador, ilustrador, cientista, desenhista e pintor e responsável por trazer o Renascimento para a Alemanha. Embora fosse um homem muito religioso que pendia para o misticismo, era dono de uma curiosidade ilimitada. Procurava compreender a aparência de todas as coisas perceptíveis através dos sentidos. Estava sempre em busca do novo. Era filho de um renomado mestre. A profissão do pai foi muito importante para que Dürer se enveredasse pelo caminho da arte, pois, naquela época, os ourives encontravam-se entre os mais importantes artesãos.

A composição intitulada Retrato de uma Jovem Senhora Veneziana é obra do artista, mas não existem provas que realmente atestem a identidade desta mulher como sendo veneziana, uma vez que o artista fez inúmeras viagens pela Itália. Foi executado – juntamente com outros retratos da elite italiana e sendo possivelmente o primeiro – quando Dürer encontrava-se na Itália, onde influenciou jovens artistas, como Giorgione, sendo também  influenciado por artistas italianos, como Giovanni Bellini.

A pintura parece não ter sido concluída, como mostra o laço de fita à esquerda, embora a análise técnica da superfície não respalde tal ponto de vista. Pode ser que o artista tenha usado cores diferentes nos laços propositalmente, ou seja, tendo levado em conta apenas o aspecto composicional em que a fita esquerda combina com a cor do cabelo da mulher e a direita com a cor de seus olhos e a do fundo escuro da tela.

A mulher retratada usa um vestido vermelho de decote quadro, enfeitado com finas fitas douradas e laços. Seus cabelos dourados estão presos atrás por uma fina rede dourada de acordo com a moda da época em Veneza.  Estão repartidos no meio da cabeça, caindo por ambos os lados do rosto, formando caracóis. Seu pescoço ostenta uma preciosa joia em pedras e pérolas que desce pelo colo de pele suave.

O fundo preto e uniforme da tela realça ainda mais a bela jovem de grandes olhos, sobrancelhas curvas, boca carnuda e nariz avantajado. As tonalidades de marrom e dourado dos cabelos e vestido sobressaem em relação ao fundo escuro. Ela não fita o observador, apenas olha para um ponto à sua frente com seu olhar sonhador. Toda a figura é banhada por uma luz suave.

Ficha técnica
Ano: entre 1505
Técnica: óleo sobre madeira
Dimensões: 32,5 x 24,5 cm
Localização: Museu de História da Arte, Viena, Áustria

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.wikiart.org/en/albrecht-durer/virgin-and-child-holding-a-half-eaten-pear-
https://artsandculture.google.com/asset/portrait-of-a-young-venetian-woman/

ATENÇÃO AOS TRIGLICÉRIDES ELEVADOS

Autoria do Dr. Telmo Diniz

Muito se ouve falar em colesterol elevado e suas consequências nefastas para o sistema cardiovascular, porém, os triglicérides elevados são também fontes de problemas para a nossa saúde e, portanto, devemos ficar de olho. É sobre o que vamos tratar neste texto.

Para que o eleitor possa entender melhor, os triglicerídeos são a reserva de energia do nosso corpo. Têm a função de fornecer “combustível” para os músculos. Quando não são usados como forma de energia, passam a ser armazenados no tecido adiposo, como gordura. O excesso de triglicérides leva ao excesso de gordura, aumentando o risco cardiovascular, à obesidade, à esteatose hepática (fígado gorduroso) e à pancreatite.

Na alimentação, os triglicérides estão disponíveis, em especial, em alimentos ricos em carboidratos simples (açúcar e em todos os alimentos provenientes da farinha branca) e nos gordurosos – principalmente de origem animal, como carnes, leite integral e queijos amarelos. Quando a pessoa consome diversos desses alimentos e não pratica atividade física, ela pode ter os seus triglicérides aumentados. Existem também algumas patologias que podem cursar juntamente com elevação dos triglicérides, como:

  • excesso de peso ou obesidade;
  • alcoolismo;
  • resistência à insulina;
  • diabetes não controlado e
  • hipotireoidismo não tratado adequadamente.

Além destes casos, também é possível que o paciente tenha uma alteração genética – conhecida tecnicamente como hipertrigliceridermia familiar – que faz com que os seus níveis de triglicérides permaneçam altos, mesmo com uma alimentação correta e com uma rotina de exercícios.

Pacientes com taxas de triglicérides muito altas, normalmente nos casos genéticos, podem apresentar xantomas – que são placas de gordura (parecida com verrugas) amareladas que ficam posicionadas em áreas específicas, como pálpebras e cotovelos. Por não apresentar sintomas na maior parte dos casos é mais provável que uma pessoa apenas descubra que tem triglicérides elevados em um exame de sangue de rotina, normalmente acima de 200mg/dl de sangue.

Quando a pessoa tem a taxa de triglicérides até esse limite, normalmente consegue-se tratar o problema apenas ajustando os hábitos de vida, ou seja, com uma dieta equilibrada, reduzindo o consumo de álcool e praticando atividade física. Entre 250 e 300mg/dl, a depender de cada caso, a medicação poderá ser usada ou não, ou seja, vai depender da situação clínica de cada paciente. Acima disso, o uso de medicação – conhecidos como fibratos – se torna quase obrigatória, caso o tratamento convencional tenha falhado.

É importante ressaltar que, em todos os casos, a mudança de estilo de vida é imperativa. Não existem milagres, pois a adequação na dieta e a prática constante de atividades físicas são parte integrante do tratamento e não devem ser excluídas. De igual forma, é também importante que a pessoa tenha em mente que, além do triglicéride alto, quadros de diabetes e/ou hipotireoidismo devem estar sob controle medicamentoso. Se ainda tem dúvidas em relação a este tema, não se esqueça de conversar com seu médico na próxima consulta.

Claude Lorrain – A EXPULSÃO DE AGAR

Autoria de LuDiasBH

O pintor francês Claude Lorrain (1600 – 1682), cujo nome legítimo era Claude Gellée, tornou-se conhecido como “Le Lorrain”, nome relacionado com a região em que nascera. Ao mudar-se para Roma, o artista teve como mestre o pintor de arquitetura Agostino Tassi, vindo posteriormente a estudar com Gottfried Sals, pintor de arquitetura e paisagens, quando se encontrava em Nápoles.  Acabou se tornando um dos famosos paisagistas de Roma, tendo se inspirado, inicialmente, nas paisagens idealizadas de Annibale Carraci e na dos pintores holandeses que residiam naquela cidade. Embora seu estilo fosse lírico e romântico, acabou aproximando-se de Nicolas Poussin, mais tarde. A vista do mar era um tema constante nas obras de Lorrain, assim como lembranças da Antiguidade Clássica que sempre davam um toque de solenidade antiga às suas obras.

A composição A Expulsão de Agar – também conhecida como Partida de Agar e Ismael – mistura uma paisagem imaginária com uma história bíblica. Apresenta quatro personagens bíblicos: Abraão, Agar e Ismael na frente de uma imponente edificação arquitetônica de aspecto clássico, e Sara, a esposa de Abraão, na parte de cima, acompanhando a cena. Agar, a escrava egípcia que dera um filho ao patriarca, está sendo expulsa de casa com seu filho, por ordem de Sara, esposa de Abraão que se dizia desprezada. Ismael segura na saia da mãe, enquanto essa é escorraçada por seu pai. Agar parece surpresa e preocupada, conforme mostram os gestos de suas mãos. Abraão aponta ao longe para a escrava, provavelmente mostrando-lhe a direção que deverá tomar.

Pode-se ver um cenário natural campestre à frente e à esquerda da edificação. Diante dos personagens diversos animais pastam. Mais adiante dois pastores tomam conta de um rebanho. Instrumentos de trabalhar a terra aparecem na base inferior da tela.  Ao fundo, um braço de mar ou um rio de águas prateadas embelezam a composição.

Nota: quem quiser entender melhor a passagem bíblica em que se baseou o artista para criar esta obra, veja o link: https://www.bibliaonline.com.br/vc/gn/21.

Ficha técnica
Ano: 1625
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 105 x 139,5 cm
Localização: Pinacoteca de Munique, Alemanha

 Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann

A LOUCURA NA IDADE MÉDIA

Autoria de LuDiasBH

feno123

A indústria farmacêutica tem colocado  no mercado uma infinidade de antidepressivos, criados a partir das mais variadas substâncias, com o objetivo de conter os transtornos mentais que se avolumam cada vez mais em todo o nosso planeta. A venda de tais medicamentos  tem sido uma fonte inesgotável de lucros para tal indústria. As pessoas estão se conscientizando de que o cérebro – como parte do corpo – também adoece, necessitando de tratamento como qualquer outro órgão. Assim, o estigma do transtorno mental aos poucos vem sendo derrubado, o que possibilita buscar tratamento o mais rápido possível, contendo-o ainda no seu nascedouro, sem que a pessoa venha a sofrer interminavelmente.

Nós, que hoje convivemos com os antidepressivos, não fazemos a menor ideia do sofrimento passado pelas pessoas com problemas mentais que viveram na Idade Média. Tal conhecimento leva-nos à observância de como foi grande o salto dado pela ciência médica e como vem se transformando a visão sobre os transtornos mentais e seus portadores nos nossos dias, ainda que não apenas nos rincões esquecidos de nosso triste Brasil ainda existam muito infortúnio e preconceito a ser desmitificado em relação às doenças do cérebro. Muito ainda se tem por fazer em prol de nossa gente.

Na Idade Média e princípio da Idade Moderna, os relatos sobre a vida das pessoas acometidas pelos transtornos mentais eram tenebrosos. Elas eram deixadas à mercê das correntezas da existência, sendo jogadas de uma cidade para outra, dentre as muitas maneiras de livrar-se delas. Na Europa, o sistema mais usado era o banimento dos doentes, tanto por barco quanto por terra, sendo levados de um lugar para outro na companhia de transportadores de mercadorias – uma espécie de tropeiros. Os mendigos, os errantes, os soldados licenciados e os aleijados também eram banidos .

As pessoas sem teto na Idade Média correspondiam a um número altíssimo, muitas vezes chegavam a 30% dos moradores das cidades. Como essas (as cidades) fossem protegidas por muralhas e fortificados portões, tornava-se fácil impedir a entrada dos grupos errantes que ali iam bater. Mesmo quando um sujeito mais sortudo conseguia adentrar-se numa vila ou cidade, acabava ferozmente banido, muitas vezes debaixo de chicotadas. Certa diferença era feita entre os aventureiros e os loucos, havendo um pouco de consideração para com os últimos. Uma vez constada a insanidade mental do indivíduo, um barqueiro ou um guia recebia o encargo de distanciá-lo da cidade, caso a ela não pertencesse. Era enviado para seu local de origem, ou deixado em qualquer outro lugar, sendo muitas vezes soltos nas estradas. A única preocupação dos citadinos era a de que jamais voltasse a aparecer.

Na Idade Média, o conceito de “louco” e o de  “pecador” – em razão da ignorância da época e do fervor religioso fanático e doentio – tinham definições similares. Aqueles que infringiam os mandamentos da lei de Deus – os chamados pecadores – e os portadores de transtornos mentais – os intitulados de loucos – encontravam-se no mesmo barco, pois tanto uns quanto outros não “reconheciam” o caminho que levava ao Paraíso, segundo as crenças de então. Os “pecadores” ainda tinham melhores chances de serem salvos. Religião e transtorno mental, portanto, faziam parte do mesmo balaio numa época de grande desconhecimento do funcionamento do corpo. Para a época, todo “pecador” era também um “louco”.

Os loucos, quando pertencentes a uma determinada cidade, eram tomados como propriedades dessa, não sendo expulsos, mas encarcerados em cadeias ou em casas de dementes, caso manifestassem um comportamento violento. O local era vigiado por um funcionário da cidade, detentor de uma baixa categoria. É bom que fique claro para o leitor que o local funcionava apenas como um depósito de pessoas, sem que os doentes recebessem qualquer tipo de tratamento. O mesmo acontecia às vítimas de outras doenças graves, tidas como incuráveis. O único tratamento era a crença depositada num milagre para lhes restituir a saúde. Embora isso possa parecer a nós, cidadãos do século XXI, um ato hediondo, havia motivos justificáveis para tanto, se observadas as lacunas da época:

• A ciência engatinhava, desconhecendo as causas de muitas doenças, incluindo as mentais.
• A religião direcionava a vida das pessoas, sendo tudo atribuído ao poder onipresente de Deus, sem a necessidade da interferência humana, pois Ele era o senhor da vida e da morte, o que ainda vemos hoje em dia em certas religiões.
• O sofrimento era inerente e necessário à vida, logo, o que importava era a outra vida no Céu, sendo a na Terra de pouca importância.

Se o doente não apresentava sinais de violência, ele vivia normalmente com a família, integrando-se a ela e à sociedade, pois sua doença era “mandada” por Deus e todos dependiam de suas graças. Contudo, se não tivesse quem cuidasse dele, era enviado para um asilo, ou melhor, para um depósito humano. Para as pessoas saudáveis, ajudar um demente propiciava-lhes uma boa ação aos olhos de Deus, pois as boas obras contribuíam para a salvação da alma. Os loucos eram, portanto, vistos como necessários porque ofereciam às pessoas uma oportunidade de – com suas boas ações – ganharem o reino dos céus.

Com a entrada da Idade Moderna, quando a Igreja Católica passou a perder sua unidade e força, as coisas mudaram, pois Lutero e seus reformadores passaram a apregoar que as boas obras não tinham valor algum para a entrada no reino dos céus. O que foi péssimo para as vítimas dos transtornos mentais dentre outros. Ajudar os loucos, mendigos e aleijados perdeu o valor religioso de antes, para infelicidade desses pobres sofredores. Assim, de necessários à salvação da alma de terceiros, eles passaram a ser indesejáveis e cruelmente segregados. Para retirá-los do seio da sociedade foram criados inúmeros asilos e prisões, onde se empilhavam doentes psíquicos, ladrões, mendigos e errantes. A reforma religiosa (protestante), portanto, em nada contribuiu para minorar o sofrimento dos necessitados, ao contrário, aumentou-o.

O uniforme do louco era muito conhecido, sendo usado pelo bobo da corte e em festas de Carnaval. Dele fazia parte sinos que deveriam tocar sempre que o demente movia-se. Eram representados com um espelho na mão ou com um cetro ou bengala. Muitas vezes o louco carregava uma crista de galo sobre o gorro ou orelhas de burro. O aloucado simbolizava a condição humana, fazendo parte do reino dos instintos e também do reino do espírito, pois todo indivíduo era, por natureza, um louco. Por volta de 1500 vários livros foram publicados sobre as vítimas da loucura. Hoje existe uma nova visão em relação àquele que é chamado de “louco”, não sendo mais visto como um “pecador”, incapaz de encontrar o caminho do céu, mas como alguém com um modo de ser diferente dos demais, necessitando de tratamento.

Nota: pormenor do quadro O Barco dos Loucos, de Bosch

Fontes de Pesquisa
Los secretos de las obras de arte/ Taschen

Poussin – A INSPIRAÇÃO DO POETA

Autoria de LuDiasBH

O pintor francês Nicolas Poussin (1594 – 1665) é oriundo de uma família humilde. Ele aspirava muito mais que a formação recebida em sua terra e, por isso, mudou-se para Paris, onde se fixou por mais de dez anos, sobrevivendo com dificuldade. Deve ter estudado com Georges Lallement e Ferdinand Elle. Esteve em Veneza e Roma, onde se sentiu atraído pela arte clássica e pelos grandes mestres do Renascimento, dentre os quais estavam Rafael Sanzio, com seus belos temas de inspiração clássica e Ticiano com suas cores vibrantes. O artista é tido como o fundador do Neoclassicismo francês, tendo produzido pinturas históricas, mitológicas, retratos e paisagens.

A composição A Inspiração do Poeta é uma obra-prima de Poussin, tida como um de seus mais belos trabalhos. Trata-se de uma pintura idílica e alegórica, sendo muito difícil de ser interpretada, pois não se sabe a que a obra alude ou qual seja seu tema exato. Contudo, a presença de Calíope (que alguns veem como Euterpe) – musa grega da eloquência, tida como uma divindade inspiradora da poesia épica ou histórica e da ciência – leva a crer que se trata de uma celebração alegórica da poesia épica.

A musa com sua coroa de louros encontra-se posicionada à esquerda, segurando uma flauta. Abaixo dela veem-se livros no primeiro plano, com os títulos: a Odisseia, a Ilíada e a Eneida. A ela foi dada a missão de inspirar os seres humanos a fim de torná-los criativos na Arte e na Ciência.

No centro da composição está Apolo – deus grego da juventude, da luz e da beleza – descansando o braço direito sobre uma lira sem cordas, simbolizando a música e a poesia. Na cabeça traz uma coroa de louros. Ele está inspirando o poeta representado à sua frente que alguns estudiosos dizem ser Virgílio.

Apolo usa um manto vermelho que deixa parte de seu corpo a descoberto e sandálias douradas. Seu dedo indicador da mão direita aponta para a escrita do poeta. Esse traz os olhos levantados para cima em busca de inspiração, enquanto é coroado por um querubim que segura duas coroas de louro.

À esquerda de Apolo encontra-se a musa Calíope (ou seria Euterpe?), segurando uma flauta na mão direita, atenta à cena. Sua vestimenta deixa seu seio esquerdo a descoberto. Outro querubim encontra-se abaixo dela, com uma coroa de louros na mão e um livro, aparentemente de poesias.

A cena acontece ao ar livre, debaixo de três árvores, das quais não se vê a copa, mas apenas uns poucos galhos. Aparentemente trata-se de um final de tarde, pois a luz mais forte, vista atrás de Apolo, sugere o pôr-do-sol. O enquadramento apertado da obra comprime três colossais personagens e dois querubins.

Ficha técnica
Ano: c. 1630
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 183 x 213 cm
Localização: Museu do Louvre, Paris, França

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
1000 obras-primas da pintura europeia/ Könemann
http://www.louvre.fr/oeuvre-notices/linspiration-du-poete

POR QUE SOMOS TÃO ESTÚPIDOS?

Autoria de LuDiasBH

Não restam dúvidas de que precisamos repensar nossa passagem por este planeta, principalmente em relação ao consumismo doentio de que temos nos tornado vítimas. Não mais buscamos o necessário, aquilo que nos é útil, pois tal concepção há muito perdeu o sentido. A maioria de nós, hoje em dia, não passa de colecionadores disso e daquilo, entulhando nosso espaço (e nossa mente) com coisas desnecessárias.

Seria a voragem consumista que desvaira os cidadãos uma consequência do vazio que permeia a vida do homem moderno? Ou o “ter” desenfreado vem jogando uma pá de cal no “ser” humilhado e cada vez mais escasso? Por que passamos a ser medidos pelo que acumulamos? Por que dizer que “fulano é bem de vida” não se refere à sua capacidade de viver bem consigo e com o mundo, mas apenas aos bens materiais acumulados ao longo de sua vida? Para que ajuntamos tanto, como se ainda tivéssemos a mesma visão dos povos do Egito Antigo que pensavam levar suas riquezas para servi-los no outro mundo? O cenário é tão desolador que bolsas de griffe, dentre outros produtos desnecessários ao nosso dia a dia e crescimento pessoal, estão sendo alugadas por um final de semana, com preços abusivos. Quanta insanidade consumista e necessidade de “status”!

Do ponto de vista do planeta, “jogar fora” não passa de uma figura de linguagem. O importante neste nosso planetinha – que já agrega mais de sete bilhões de pessoas – é viver com equilíbrio. As pessoas conscientes sabem que “menos é mais” e que o acúmulo torna nossa vida um fardo.  A palavra-chave é  “reciclar”, portanto, mãos à obra!

Caro leitor, apresento-lhe parte de um texto de Luís Pellegrini, grande pensador de nossos tempos, que trata da “loucura consumista” que nos engole e rouba as riquezas da mãe Natureza. O autor é editor da revista digital Oásis, pertencente ao jornal digital “Brasil 247”, cujo endereço eletrônico encontra-se em nossos links “recomendados”, assim como o link do blog do autor:

Uma das pragas que atormentam nossas vidas de cidadãos da moderna sociedade da produtividade e do consumismo é justamente a produtividade e o consumismo, quando insustentáveis. Por insustentável queremos dizer excessivo; demasiado; para além do razoável, necessário e suficiente; sem consciência de limites.

As primeiras grandes vítimas dessa mentalidade que tomou forma desde o advento da Era industrial, nos primórdios do século 19, e cresceu depois, sem parar, de modo obsessivo e avassalador, somos nós mesmos. Por causa dela vivemos hoje uma vida de escravos, acorrentados – muitas vezes sem o perceber – a uma existência de trabalho estafante e contínuo para produzir e consumir, na maior parte dos casos, bugigangas absolutamente desnecessárias.

Condicionados por necessidades artificiais inventadas pelo Sistema, não paramos de comprar e comprar, abarrotando nossos armários e dispensas com toda uma massa de objetos e produtos supérfluos, cujo destino, depois de algum tempo guardados, será certamente o lixo. E não estamos sozinhos no desgaste provocado por esse estado de coisas. A natureza nos acompanha nessa trajetória rumo à falência provocada por um desfrute para além de qualquer possibilidade de reposição. E isso inclui a quase totalidade de bens naturais essenciais, como a água que se bebe, o ar que se respira, as florestas, o petróleo e os minérios, e tudo o mais que existe sobre a Terra.

Depois de ler tudo isto, fica apenas a indagação: Por que somos tão estúpidos?