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Mestre de Flémalle – ANUNCIAÇÃO

Autoria de LuDiasBH

A composição intitulada Anunciação é uma obra do Mestre de Flémalle, pintor flamengo. Há um grande consenso na opinião acadêmica de que ele deve ser identificado como sendo o pintor Robert Campin (c.1375 – 1444) que foi o principal pintor de sua época, em Tournai, mas cujas imagens documentadas não sobreviveram. Este painel, peça complementar de “Casamento da Virgem”, foi recortado embaixo. Alguns atribuem esta obra a Roger van der Weyden, aluno de Robert Campin, e outros a Jacques Daret.

A composição mostra a Virgem Maria sentada sobre almofadas vermelhas, absorta em seu livro de orações, recebendo a visita do anjo Gabriel para contar-lhe que será a mãe do Salvador. Ela veste um rico e volumoso manto azul, com acabamento em dourado.  Um halo resplandecente envolve sua cabeça. O anjo de longos cabelos cacheados usa um suntuoso manto vermelho e traz no rosto um semblante de alegria.

A cena da visitação acontece na ala de uma igreja gótica, com vãos arqueados e entrecruzados no interior. Na parte exterior são vistos um arco semicircular e uma torre românica espiralada, sendo que ao fundo são avistadas paredes e torre. Trata-se de uma refinada construção, abundante em luz, com belas formas arquitetônicas. Cada figura foi postada dentro de um espaço de igual equivalência, estando a Virgem na parte interior e o anjo na exterior. A nave da igreja está ornamentada como se se tratasse de um interior doméstico, inclusive dela fazem parte almofadas vermelhas e um armário, entreaberto, com objetos.

Ficha técnica
Ano: 1440/1450

Técnica: têmpera sobre madeira
Dimensões: 76 x 70 cm
Localização: Museu do Prado, Madri, Espanha

Fonte de pesquisa:
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

SÍNDROME DO PÂNICO E OPINIÃO ALHEIA

 Autoria de Celina Telma Hohmann

Vivemos a era da aflição anímica em que nossa alma afligida, entre ser o que desejamos e descobrir que nem sempre é possível, põe-nos em conflitos que, aos poucos, afundam-nos sem que demos conta disso. Hoje é até natural assumir que estamos passando pela devassa dos transtornos mentais, mas sabemos que alguns os confundirão com falta de fé, chilique e falta de empenho. Não devemos nos preocupar com os outros e a opinião que têm sobre um mal que ainda não conhecem. São sortudos por não tê-lo, mas não imunes a ele.

Não é fácil descobrir que se está passando pela fase do pânico. Viver muito tempo dentro dessa síndrome é pior ainda. Só quem passou ou passa por ela conhece seus segredos que na verdade nem se mostram, mas vão sendo decifrados diariamente. Ela é a surpresa diária, a companheira que não é bem vista, tampouco deve ser aceita como parte da própria vida. Não é fácil livrar-se dela num estalar de dedos, mas, com o tempo, esse terror inicial vai se dizimando, virando fumaça e aí, num dia, ele some. Nunca se sabe se é para sempre, mas ele acaba. Basta que se cuide e tome consciência plena de que é preciso, muito mais que antes, aceitar que todos os seres humanos são passíveis de males inimagináveis.

Sempre uso, talvez como consolo (mas que tomo como verdade absoluta) que os sensíveis, cheios de sensibilidade genuína, são os mais vulneráveis aos transtornos mentais, problemas esses que tolhem, derrubam e assustam. Penso que se fossem indiferentes ao que os rodeiam nada disso os atingiria. Muitos indivíduos passam pela vida praticamente sem conflito algum.  Sábios, santos ou alienados? Não sei! Quem não se importa com o mundo não se defronta com os medos e a sensação de impotência diante dele. Mas nós, detentores de problemas mentais, importamo-nos com a vida! E humanos em condição, fragilizados por conta de maldades que não aceitamos, vemo-nos presas de um turbilhão de sentimentos que não entendemos e que, ao final, leva-nos a conhecer o caminho complicado das confusões mentais, do pânico, do medo absurdo daquilo que antes não nos causava temor algum.

Hoje, com a alta incidência de necessidades que não havia antes, exigências que não faziam parte do dia a dia das pessoas, a exagerada exigência de perfeição e o querer fazer tudo da melhor forma e o mais rápido possível, é impossível seguir saudavelmente nessa linha, o que acaba gerando a paralisia. Normal? Não! Ruim, muito ruim! Fazemos parte de um novo clube. Há buscas, perguntas, por vezes bem confusas e nem sempre respostas imediatas, que existem, mas descobri-las é um caminho que demoramos a descobrir. Mas existe um consolo: há um novo olhar sobre o que nos aflige, a Ciência caminha a passos largos. Tudo ficará no passado, sim, bastando dar ao tempo o tempo que ele pede.

Nós, portadores de transtornos mentais, precisamos vivenciar nossas inseguranças com tolerância, sem que as sinta como amigas, mas descobrindo que não estão aí por puro acaso. Cuidemos de nós. Apenas nos encontramos temporariamente em crise. Não estaremos submetidos a ela eternamente! Não, mesmo! Medicamentos são necessários. Nosso cérebro também é uma maquininha complexa que, por vezes, nos assusta. E como nossa alma, também precisa do bálsamo. Os remédios ajudam. Inicialmente nos deixam meio tontos, amedrontados, mas ao final tudo se acerta.

Conheço os florais e não os tomei por sempre brincar que, no meu caso, eu teria que ter plantações a perder de vista de plantas e flores com aromas e gostos variados. Algumas pessoas conseguem um bom resultado, mas é preciso considerar que a formulação é individual, devendo o médico dizer qual o melhor caminho. Onde quase sempre pecamos é no que diz respeito à medicação que precisa ser bem orientada. Ela leva um tempo mais ou menos longo, dependendo de cada caso. Os transtornos mentais não nos deixarão pelo simples fato de acharmos que estamos prontos para abandonar a medicação, sem passar pelo parecer médico. Isso é ilusório e pode trazer consequências doídas. Nosso cérebro é quimicamente programado e os antidepressivos, quimicamente desenvolvidos em laboratórios, têm por objetivo repor o que perdemos.

Nota: a ilustração é uma obra de Edvard Munch

DONA NICA – MÃEZINHA QUERIDA

Autoria de Luiz Cruz

Dona Nica, assim Antonia Augusta da Cruz era conhecida em Tiradentes. Era primogênita de Vicente José da Costa e Maria Cândida de Paiva, que tiveram dez filhos. Foi registrada juntamente com seu segundo irmão e por isso sempre houve confusão com o ano de seu nascimento. Desde muito cedo teve que trabalhar, ajudando a família cuidar da casa e dos irmãos, a pilar arroz, colher e torrar café.  Vicente tinha muitos empregados que trabalhavam em suas terras, contratados “molhados”, ou seja, recebiam o café e a refeição. Isso gerava atividades intensas para as mulheres da família, preparar tudo e levar os balaios cheios de marmitas para os trabalhadores, as vezes no  Gualter, nas Marimbas, no Campo ou nas Lagoas, onde  se plantava ou criava o gado. Aos 20 anos casou-se com Antonio Faustino da Cruz. O casal foi morar na Rua Padre Toledo 279, nesse imóvel nasceram os filhos Maria José e José Celso. Logo, para ajudar na manutenção do núcleo familiar, tornou-se artesã, tecendo correntes para a Oficina de Ourives Santíssima Trindade, utilizava o maçarico de boca e a lamparina para soldar. Era o período do artesanato de prata, comercializado nas festas religiosas, principalmente no Jubileu de Congonhas-MG. Depois o casal se mudou para a Rua da Câmara, 22. A edificação estava em ruínas e foi necessário obra grande e romper o preconceito, pois lá havia morado e falecido um tuberculoso. Aí a família cresceu mais com o nascimento de Luiza, Eutália, Cecília, Joanito e Afonso. Finalmente, depois de muitos esforços e economia, o casal conseguiu comprar a casa da Rua Direita, 127, e lá nasceram Luiz, Faustino, Daniel, Eliseu e Giselda. Uma prole de 12 filhos, sendo que dois faleceram ainda na infância.

Dona Nica trabalhou longos anos como artesã de ourives e só conseguia produzir depois que os filhos iam para a cama, ou seja, passava parte da noite tecendo, à luz de lamparina. Depois trabalhou para a Oficina de Ourives Mauro Barbosa, fazendo colchetes – fechos para pulseiras e colares. Fez bolinhas para colares e terços. Durante muitos anos foi a lavadeira dos uniformes do Grêmio Esportivo São João Evangelista. Foi uma mulher empreendedora e através do seu empenho ajudou a criar a família com dignidade. Envidou esforços para que os filhos fossem trabalhar desde cedo, como vender picolés, verduras, doces ou nas oficinas de ourives. Dizia que o trabalho dava dignidade ao homem, assim seus filhos se acostumaram com os compromissos desde a infância. Todos foram encaminhados para a escola, na certeza de que a Educação seria um instrumento transformador na vida de cada filho, embora ela mesma não tenha tido oportunidade de estudar devido ao trabalho. Apesar do pouco estudo sempre lia a Revista Ave Maria e todos os jornais, revistas, folhetos que lhe ofereciam. Fora expressiva admiradora da natureza e adorava flores. Irritava-se profundamente com os cortes de árvores desnecessários e entristecia-se com os incêndios na Serra de São José.

Viveu intensamente! Adorava a vida! Estimava por demais toda a família, principalmente seus filhos, netos e bisnetos. Sua cor favorita era o vermelho, achava a cor vibrante, alegre e contagiante. Ao longo das seis décadas que viveu na Rua Direita, tornou-se devota de Nossa Senhora do Rosário, rezava o terço diariamente e o deixava debaixo de seu travesseiro. Foi com o terço, após muitos problemas, que se percebeu que havia algo de errado. Ela guardava o terço e não o achava quando ia rezar. Vitimada por “alzhaimer”, enfrentou a doença com serenidade. Jamais reclamou de qualquer coisa. Forte e com sua devoção, conseguiu romper anos seguidos de enfermidade, mas aos poucos perdeu a mobilidade. Mesmo assim, em todas oportunidades assistiu as procissões passar pela Rua Direita, recebia a benção do Santíssimo Sacramento na porta da casa e isto era um alimento ou remédio para o corpo e para a alma.

Sempre gostou de receber visitas e as recebia com entusiasmo. Ao despedir gostava de dizer: “Vai com Deus e com a Nossa Senhora do Rosário também.” O inverno de 2017 foi rigoroso, sofreu acentuadamente com o frio e teve pneumonia grave. Em julho esteve hospitalizada e recuperou, mas retornou em setembro. Com aparente tranquilidade disse: – “Ela não vai me levar embora facilmente”.  Na Santa Casa da Misericórdia de São João del-Rei, travou intensa batalha e lutou bravamente pela vida, foi vencedora em diversos momentos. Dona Nica faleceu no dia 5 de outubro de 2017. Foi sepultada de vermelho, onde estão seus filhos Joanito, Eutália, netos e bisnetos, no Cemitério da Matriz de Santo Antônio. Nossa mãezinha partiu para viver a alegria da vida eterna. Ficamos tristes, pesarosos, mas na certeza de que está sob a proteção do Bom Deus e de Nossa Senhora do Rosário.

Mãezinha, querida, somos muito gratos aos seus ensinamentos, aos exemplos, à generosidade, à alegria de viver e à dignidade com que enfrentou a enfermidade e, sobretudo, a sua longevidade – afinal foram 92 primaveras.

A TORTURANTE SÍNDROME DO PÂNICO

Autoria de Elaine Santos

É uma pena não ter encontrado este cantinho antes!

Minha história começa como a de tantos outros. Há três meses estava eu lavando a minha louça, para começar a preparar o almoço e senti um formigamento subir pelas minhas pernas. A partir daí minha vida mudou. Depois do formigamento meu coração acelerou e não conseguia respirar. O medo tomou conta de mim. Pensei que estivesse tendo um ataque cardíaco e pedi socorro ao meu marido. Ele correu comigo para o médico.

Depois de quase um mês com uma dor nas costas que não passava de um início de pneumonia, passei uma semana tratando e fiquei bem, mas no final da semana em que me encontrava medicada, tudo voltou. Fui piorando muito. Sentia tonturas e a sensação de que eu ia morrer. Um medo terrível tomava conta de mim, toda vez que meu coração disparava. Já não conseguia nem limpar a casa devido ao cansaço. Passei uma noite em claro tendo taquicardia de tempo em tempo, mesmo depois de medicada. Foi terrível! O que me deixava angustiada é que nenhum exame dava em nada.

Após muitas idas ao hospital, um médico me disse que eu estava com crises de ansiedade e que deveria procurar um psiquiatra. De início chorei muito, pois não conseguia aceitar, mas para o meu bem fui a busca de tratamento. Como tudo demora neste país, passei 20 dias tomando floral pra controlar as crises. Ficava pensando que não havia nada para conseguir me manter calma. Passei mal todos os dias desses dois meses e meio, até ter o diagnóstico fechado de Síndrome do Pânico (SP).

Iniciei meu tratamento na semana passada. Passei pela psicóloga e pela psiquiatra que me passou um antidepressivo. O medo era tanto que só comecei a tomar no sábado, 5 mg, na segunda semana começo a tomar 10 mg. Nos dois primeiros dias só tive enjoo e as crises que me acompanham, mas estavam mais fracas. Hoje nem consegui sair da cama. Sinto um vazio na cabeça e um mal-estar terrível, quase nem consegui almoçar de tão enjoada. Espero que amanhã o dia seja melhor.

O problema desta doença é que por ser desconhecida, as pessoas pensam que é frescura. Já ouvi tanta coisa, que sou “louca”, que tenho que “pensar positivo”, que tenho que me “apegar a Deus”… Isso tudo só deixa a gente pior. Já tranquei três matérias na faculdade, pois já tinha estourado em falta de tanto passar mal. Minha vida parou, meu marido e filhos não sabem como lidar com isso. Minha pequena de três anos é quem está mais sofrendo, pois não tenho conseguido cuidar dela direito. Ela gruda em mim o dia todo, parece que percebe que não estou bem. Fico angustiada com isso, pois eu só queria voltar a ser eu mesma. Parece que saí de mim, estou tão cansada que não tenho ânimo pra nada, mas mesmo assim me forço a fazer as coisas para não ficar pior. Não sinto tristeza, a não ser pela situação, mas esse medo me consome e não vejo a hora em que possa ir embora.

Só quero voltar a viver. Ler aqui que outras pessoas passam pelo mesmo que eu, já me conforta, porque me sentia sozinha demais. Sobre os florais queria perguntar, se faz mal usá-los, enquanto se toma a medicação.

Nota: composição ilustrativa do pintor Edvard Munch

O MILAGRE

Autoria de Edward Chaddad

No chorinho alegre do nascer,

Em um sorriso se abre o amor,

Encanta, jovem mãe, o  prazer  

De perpetuar-se mesmo na dor!

 

Castelo de inocência e pureza,

Construído com tanta ternura,

Presente de Deus, que beleza!

Rostinho lindo, que fofura!

 

O botão em flor se tornou,

Trazendo muita felicidade,

No coração bate a esperança.

 

O sonho almejado se consumou,

A vida é agora uma realidade,

O milagre se chama Criança! 

DIA DAS CRIANÇAS – ABRAÇAR OU PRESENTEAR?

Autoria de Celina Telma Hohmann
crian

Comemorar o Dia das Crianças é muito bom, principalmente para as indústrias de brinquedos que aumentam ainda mais seus robustos proventos, mas convenhamos, é tão bom um dia dedicado às crianças, mesmo que saibamos, na prática, que todos os dias são dias dessas pequenas criaturas adoráveis e algumas vezes perigosamente manipuladoras. O próprio dia dedicado a elas foi proposital. Houve oportunismo! E para variar, do lado político, claro! Um deputado esperto que só, levantou o lencinho acenando para que a data fosse proclamada como um dia especial, isso lá nos idos de 1920! Demorou um pouquinho, mas foi oficialmente declarada data nacional o “dia 12 de outubro”, como o Dia das Crianças!

O Brasil foi o primeiro a criar esta homenagem. Em outros países há diferentes datas e cada um com seu jeito peculiar de agraciar os pequenos e por vezes nem tão pequenos, mas, enfim, a data está aí e eu aqui, neste abençoado dia, relembrando os fatos da minha infância e de como não o comemorava. E filho de pobre tem Dia das Crianças? E nem fui criança pobre, apenas tive pais que só comemoravam o Natal e a Páscoa. Sorte que em idade escolar, as professoras supriam essa dolorosa falta.

Hoje temos como data importante o Dia dos Pequenos! E saímos em desabalada correria atrás dos brinquedos que já são monstros em preço e diversidade! Os pimpolhos cobram, contam quantos dias faltam para receberem os presentes que, claro, serão mais que um, afinal, pais e parentes têm a função de homenageá-los. E compramos fantásticos presentes que, por vezes, em menos de um dia já estão em frangalhos, seja pela ofegante necessidade que os pequenos têm em descobri-los, inclusive por dentro, ou pela doce habilidade dos fabricantes em construí-los com a certeza de que não serão para durar. Pobres adultos! Sorridentes, as crianças, com o sorriso em agradecimento aos presentes, ganham ainda nosso doce abraço e a sensação do “Pude agradá-los, Graças a Deus!”.

Quem fica indiferente à carência dos presentes que os pequenos tanto querem? Ninguém! Há campanhas para arrecadar brinquedos aos menos favorecidos, deslocamento de viaturas oficiais para fazer a entrega em lares onde elas estão. A festividade começa nas primeiras luzes do dia. Afinal é o dia delas! E que hoje, mais ainda que em outros dias, sintam-se amadas, queridas, realizadas e com saúde, pois se há doença, pode haver o presente, mas em nós, adultos, estará a tristeza. O pequeno doente, por vezes, estará impedido de tocar em seu brinquedo. Isso dói! E que aos pais caiba a responsabilidade de tentar incutir em todas essas puras cabecinhas, o valor do abraço, do respeito e do amor.

Crianças! Nossa certeza do sorriso puro, da bondade, mesmo que haja alguns pontapés certeiros, uns vacilos na elegância, um esbaldar-se em birras, ainda assim, crianças! Enfeites da vida! Certeza de que ainda há esperança! Parabéns a todas vocês! Hoje nem bolo é necessário. Uma boa tarde no parque (com seus brinquedos) e o cansaço à tarde, após muitas descobertas, muitos jogos nos novos celulares, iphones de última geração, ostentação aos amiguinhos das maravilhas ganhas e alguns arranhões pelos tombos na nova bicicleta, ou no chute errado do amigo/irmão!

Crianças, sejam felizes!