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A BENDITA TERAPIA DO PERDÃO

Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental.  Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”*, ele nos ensina o que significa perdoar.

Quando menino, um dia comi uns bagos de jaca e quase morri de indigestão. O alívio sobreveio quando vomitei o conteúdo maléfico do estômago. Em muitos casos de doenças psicossomáticas, o mesmo pode ocorrer. Basta que consigamos “vomitar o conteúdo maléfico” que está na mente, danificando nossa vida, criando sintomas. Ksahm é o nome de um milagroso remédio. Significa perdão, misericórdia.

Este “conteúdo maléfico que está na mente” é, muitas vezes, a mágoa ou o ressentimento. E consegue-se “vomitá-lo” com o ato de perdoar. Refiro-me a perdoar mesmo. Diz o escritor Maxwel Maltz em “Liberte Sua Personalidade” que a personalidade “tipo fracasso”, quando procura uma desculpa ou bode expiatório para seu malogro, quase sempre culpa a sociedade, a vida, a sorte. Ressente-se do êxito e da felicidade dos outros porque constituem para ele uma prova de que a vida o está “defraudando”.

Este é o tipo ressentido que lê em voz alta uma reclamação em cada página do livro da vida, que tem uma queixa a fazer contra cada um de seus semelhantes. Tive um aluno assim. Seu ressentimento era tão permanente e presente que se tornava antipático a todos que o conheciam, os quais, como imagem refletida num espelho, tratavam-no também de maneira pouco simpática, fazendo-o assim mais ressentido.

Tal é a vida do “zangado com os outros”. A todos mostra sua carranca magoada e, em troca, recebe também carranca, o que o faz ainda mais franzir a cara. Círculo vicioso perfeito. O ressentido é geralmente portador de complexo de superioridade. Está sempre reclamando. Faz como se intimamente dissesse: “Logo eu, tão bom, tão importante, é que sou tratado assim?!” As pessoas, contra as quais tem queixa, são-lhe todas muito inferiores, segundo seu julgamento.

No fundo, ressentimento é uma desculpa para um autofracasso em qualquer aspecto da vida. Enquanto alguém fizer de sua mente ou de seu coração um depósito de queixas, ressentimento ou ódio estará sempre doente. Seus nervos sempre lhe serão um tormento. É a mesma coisa que guardar veneno ou esconder dentro de si mau cheiro de carniça. Neste caso, só o perdão terapêutico resolve.

O verdadeiro perdão – o terapêutico – é tão raro que muitas pessoas, a quem foi ensinado perdoar como quem toma remédio, acabam por dizer: “Perdoei, mas não melhorei!”. O perdão terapêutico não é tíbio, limitado ou parcial. Ao contrário, é generoso, bravo e total. Tão completo que quem perdoa esquece o ato ofensivo e nem mais se lembra de que perdoou. Quem diz “Eu perdoei, mas não consigo esquecer o que tu fizeste!” realmente não perdoou. Só há perdão quando já não se sabe mais o que foi perdoado. Também não perdoa aquele que diz: “Não te esqueças de quanto fui bom ao te perdoar!”.

“O perdão que é lembrado, mantido no pensamento, infecciona de novo a ferida que pretendemos cauterizar. Se você se sente muito orgulhoso de seu perdão ou o relembra frequentemente, isto é porque, com certeza, acha que a outra pessoa deve-lhe alguma coisa por você a ter perdoado. Você perdoa-lhe uma dívida, mas ao fazê-lo incorre em outra, mais ou menos como acontece com as pequenas companhias de financiamento que reformam uma promissória de duas em duas semanas.” (Maltz; Opus cit.).

Perdoe também a si mesmo. Conheço, entre meus alunos, senhoras e senhores que levaram uma longa vida de austeridade e retidão, sendo impolutos e honrados. Através de tremendos sacrifícios frequentes evitaram cometer os mínimos enganos ou pequenos deslizes. Lá um dia, por invigilância ou por outro qualquer motivo próprio da natureza humana, erraram o passo, praticando um pequeno desvio do dever e aí se sentiram como que destruídos perante si mesmos, caíram em arrasador abatimento, do que resultou sofrimento moral e, consequentemente, distúrbios funcionais orgânicos.

Sem hombridade, sem honradez e sem retidão este mundo será um inferno. É preciso que existam aqueles em quem se pode acreditar. A humanidade sem pessoas de caráter nobre viraria pântano de mau cheiro e incerto. Abençoados os honrados que dão estrutura e consistência à sociedade. Que a probidade deles, no entanto, não lhes seja tormento. Que a retidão não lhes pese como um sacrifício. Que sua inflexibilidade não os arrisque à brusca destruição diante de um pequeno pecado. Que a austeridade não lhes venha a ser prejudicial. Desde que somos seres humanos e vivemos num mundo humano (ou desumano), precisamos dosar nossa obsessão pelo dever com a prudência de não sermos demasiadamente severos diante de nossas quase inevitáveis quedas.

A linha de equilíbrio e da saúde corre, na vida, equidistante da autoseveridade dos probos e da autocomplacência dos canalhas. Para tanto, é preciso que o austero aprenda a necessidade de perdoar a si mesmo e não somente aos outros. Remorso ou autocondenação em demasia causam tanto mal como o mal que pretendem evitar.

*O livro “Yoga para Nervosos” encontra-se em PDF no Google.

Nota: imagem copiada de gethashtags.com

Delacroix – O SEPULTAMENTO

Autoria de LuDiasBH

Os detalhes são, em geral, medíocres e dificilmente passam por uma inspeção minuciosa. Por outro lado, o todo desperta uma emoção que me surpreende. (Delacroix sobre a pintura)

O pintor francês Ferdinand-Victor Eugène Delacroix (1798 – 1863) nasceu numa família rica. Seu pai Charles Delacroix, homem culto e de formação iluminista, fazia parte da alta burguesia, tendo sido embaixador da França, na Holanda, e a mãe, Victoire Oeben, era filha de um importante artesão que trabalhara para o rei Luís XV. Delacroix era o caçula dos quatro irmãos e, portanto, pertencia a um ambiente culto e aristocrático. Assim como o pai, os irmãos Charles-Henri e Henriette e também o tio pintor, Henri Riesner, tiveram uma grande influência na vida de Delacroix, sempre o apoiando em suas aspirações, pois desde criança ele já demonstrava inclinação pelo desenho.

A composição intitulada O Sepultamento ou ainda A Lamentação, obra do artista, mostra o amadurecimento de seu estilo, tendo sido comparada ao “Massacre de Chio”. Apresenta fortes contrastes de luz e sombra, o que acentua a sua dramaticidade e mudanças de cores vivas. É grande o contraste entre a mortalha branca que envolve parte do corpo inerte do Mestre e o manto vermelho de São João Evangelista assentado no chão, em primeiro plano, ambos se destacando contra o fundo escuro.

A pintura apresenta, em primeiro plano, um grupo desolado diante do corpo lívido de Jesus Cristo que acabara de ser descido da cruz e deposto sobre a pedra. Maria, sua mãe, em grande sofrimento é amparada por uma mulher. Ele acaricia os cabelos de seu filho martirizado. Outra mulher, possivelmente Maria Madalena, levanta a mortalha de Jesus para ver a extensão de seus ferimentos. Dois outros personagens, talvez José de Arimateia e Nicodemos, de pé, observam o corpo sem vida do Mestre. Um deles traz nas mãos um recipiente com unguento para passar em suas feridas. São João Evangelista que traz entre as mãos a coroa de espinhos de Jesus,  fixa-a com imensa tristeza.

Ao fundo, desenrola-se uma triste e sombria paisagem de céu baixo e nuvens escuras intensificando o desamparo em que se encontra o grupo. Três cruzes são vistas mais distante, duas delas trazendo ainda o corpo dos dois ladrões. Duas figuras – uma delas com um manto vermelho – são vistas caminhando em direção ao grupo, enquanto duas outras, à direita, afastam-se dele.

Ficha técnica
Ano: 1848
Técnica: óleo sobre tela
Dimensões: 162  x 132 cm
Localização: Museu de Arte, Boston, EUA

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador
https://www.mfa.org/collections/object/the-lamentation-christ-at-the-tomb-31074

BONS FILMES QUE FALAM SOBRE TRANST. MENTAIS

Autoria de LuDiasBH

Visitando o YouTube tive a felicidade de encontrar um canal fantástico, denominado Refúgio Cult, produzido pelo jornalista goiano Lucas Maia, uma espécie de Roger Ebert brasileiro. Quem ama a sétima arte encontrará nesse canal um tesouro inestimável. Ali ele debate, com clareza e sensibilidade, filmes das mais diferentes épocas e nacionalidades, sem deixar de lado os independentes que, por contarem com uma verba muito pequena, acabam sendo desconhecidos para o grande público. Também analisa séries, o grande boom de nossos dias. Em suma, o Refúgio Cult é voltado para o Cinema e séries de TV. E para temperar ainda mais este menu excepcional, Lucas Maia ainda nos traz curiosidades sobre os bastidores dos filmes e seriados ou fatos relativos à vida de artistas do meio.

O mais inteligente na abordagem que o Refúgio Cult faz sobre filmes e séries é sempre deixar ao espectador a decisão de assistir a eles ou não. Ele analisa as produções, dá o seu ponto de vista pessoal – sempre deixando claro que não fala pelos outros e que opiniões podem divergir – enumerando bons elementos para vê-los ou não. Algo que me chamou muito a atenção no trabalho do Lucas é o refinamento de sua linguagem (quando as palavras de baixo calão vêm se tornando comum no mundo dos youtubers) e o leque de conhecimento que ele tem. Jamais imaginaria encontrar em seu canal uma preocupação com os transtornos mentais. Portanto, qual não foi a minha surpresa ao encontrar no Refúgio Cult filmes especificamente sobre depressão e a bipolaridade (listados abaixo).

Oito Filmes para Entender Melhor os Transtornos Mentais 

  • As Virgens Suicidas (1999) – Diretora: Sofia Coppola
  • As Horas (2002) – Diretor: Stephen Daldry
  • As Faces de Helen (2009) – Diretora: Sandra Nettelblack
  • Direito de Amar (2009) – Diretor: Tom Ford
  • Irmãos Desastre (2014) – Diretor: Craig Johnson
  • Ela (2014) – Diretor: Spike Jonze
  • Anomalisa (2015) – Diretores: Charlie Kaufman e Duke Johnson
  • Toc Toc (2017) – Diretor: Vicente Villanueva

Fonte de pesquisa
Refúgio Cult / YouTube

SÍNDROME DO PÂNICO – COMO EVITAR

Autoria de LuDiasBH

A especialista em psicossomática, Dra. Cristiane L. S. Vaz, ensina 25 dicas para evitar a Síndrome do Pânico:

  1. Cobre-se menos; 2. Aceite suas dificuldades; 3. Seja menos perfeccionista; 4. Aceite: errar é humano; 5. Entre em contato com os seus sentimentos. 6. Crie menos expectativa com relação ao outro; 7. Exercite a tolerância; 8. Viva para o presente; 9. Perdoe-se; 10. Aprenda a dizer não; 11. Aceite mudanças; 12. Faça terapia; 13. Dedique um tempo para você; 14. Trabalhe com algo que lhe faça sentido; 15. Exercite padrões de pensamento positivo; 16. Pratique algum exercício físico. 17. Identifique seus limites; 18. Participe de um trabalho voluntário; 19. Quando possível, fuja da rotina; 20. Afaste-se de pessoas pessimistas; 21. Não se perca na sua história; 22. Corra atrás dos seus sonhos; 23. Não se condicione; 24. Seja livre; 25. Seja responsável.

A mesma especialista também ensina uma técnica simples, envolvendo corpo e mente,  que leva ao relaxamento. Vejamos:

  1. Fique numa posição confortável.
  2. Respire profundamente para relaxar.
  3. Repita cinco vezes: Eu estou tranquilo!
  4. Sinta os braços e as pernas pesados.
  5. Repita cinco vezes: Meus braços e minhas pernas irradiam calor/ Minha respiração está tranquila e regular/ Meu coração pulsa regularmente.
  6. Imagine a radiação do calor que sai da sua barriga ou ventre.
  7. Repita para si mesmo: Minha cabeça está livre e tranquila.
  8. Feche os punhos e estique os braços.
  9. Respire profundamente e abra os olhos. Espere que sua energia retorne para levantar-se.

Segundo o Dr. Ivan Morão “A alimentação é uma das ações coadjuvantes para o tratamento do transtorno do pânico”. Por sua vez, o psiquiatra Daniel Suzuki Borges afirma que “No transtorno do pânico, a ansiedade pode estimular a pessoa a comer mais ou quase nada. Por conta da alteração no apetite, algumas acabam ganhando peso ou emagrecendo muito. É preciso ficar atento”.

Como vimos, a alimentação correta é de grande importância no tratamento do transtorno do pânico. Segundo a nutricionista funcional Priscila Di Ciero, “A síndrome do pânico pode estar associada a uma disbiose intestinal, que é um desequilíbrio da flora intestinal. Restabelecendo esta flora, parte da fabricação de serotonina volta a ser feita corretamente”. Vejamos a importância de alguns alimentos para os portadores da síndrome e outros que devem ser evitados.

  1. Alimentos que são fontes de triptofano (serão convertidos em serotonina): grão-de-bico, lentilha, abacate, amendoim, banana, leite de cabra e abacaxi.
  2. Alimentos que amenizam a ansiedade: farinhas integrais e arroz integral, morangos, frutas vermelhas, vegetais escuros e vegetais verdes. Deve-se também fazer uso de ômega 3, encontrado em peixes de água fria e em algumas sementes, como linhaça e chia.
  3. Chás que acalmam: camomila, maracujá, ginko biloba, valeriana e hortelã-pimenta.
  4. Alimentos que ajudam no sono: banana, semente de gergelim, aveia, couve, ovo, arroz integral, linhaça, salmão, maracujá.
  5. Alimentos a serem evitados em quadros de ansiedade: aqueles à base de cafeína (guaraná em pó, café, refrigerantes à base de cola e chás estimulantes).

Nota: A Sopa, obra de Pablo Picasso.

Fonte de Pesquisa
Revista Guia Minha Saúde/ Edição Especial

Deutsch – O JULGAMENTO DE PÁRIS

Autoria de LuDiasBH

O desenhista, xilogravurista e pintor suíço Nikolaus Manuel, apelidado de Deutsch (c. 1484 – 1530) deixou poucos dados a respeito de sua origem. Nada se sabe sobre seu nascimento, juventude e formação. Casou-se com a filha do pintor Hans Frisching, membro do conselho de Berna, ao qual veio a pertencer. Sua pintura pertenceu ao estilo gótico tardio suíço, na qual já se vislumbrava elementos renascentistas. Existem suposições de que possa ter sido aluno de Ticiano em Veneza. Sua oficina executou retábulos para igrejas e mosteiros. Dentre as suas obras mais famosas encontra-se “A Degolação de São João Batista”.

A composição intitulada O Julgamento de Páris é uma obra do artista. A cena apresenta um grupo de quatro pessoas debaixo de uma frondosa copa de árvore, sob um fundo escuro. Um homem vestido com uma túnica colorida, sentado, fala com uma jovem mulher à sua frente, coberta por uma túnica transparente, trazendo não mão direita uma maçã. Outras duas mulheres, uma nua, trazendo um estandarte e uma espada e a outra ricamente trajada com um vestido de veludo multicolorido que termina numa cauda de arminho – em conformidade com a moda da época – fazem parte do pitoresco grupo.

Acima da cabeça do homem, em letras douradas e prateadas, encontra-se a inscrição: PARIS VON TROY DER TORECHT (Páris de Tróia, o tolo). A figura nua com escudo e espada é tida como Juno, enquanto a que se encontra com uma túnica transparente é Vênus, pois se encontra gravado em ouro no seu cocar as palavras: FENUS FENUS (Vênus Vênus), além disso, na maçã em sua mão está escrito algo que pode ser traduzido como “esta maçã para a mais bela” (EN DIESER OP).

Segundo a mitologia clássica, a deusa da Discórdia fez com que três deusas do Olimpo disputassem uma maçã, ficando com a fruta aquela que fosse a mais bela. Em razão do atrito, Zeus decidiu que o mais belo dos homens fizesse a escolha. Coube, portanto, a Páris, filho de Tróia, que se encontrava pastoreando seu rebanho, a decisão de escolher entre Vênus, Minerva e Juno que aqui se mostra usando um cocar em sua cabeça, cobrindo os cabelos, indicativo de que é casada.

A fim de subornar o pastor, uma das deusas ofereceu-lhe fama, a outra poder e riqueza e a última ofereceu-lhe amor carnal. O jovem optou por Vênus, entregando-lhe a maçã como prêmio. A deusa que domina a obra e a cena, deixou o pastor totalmente fascinado. Veio depois a ajudá-lo a conquistar o coração de Helena de Troia, esposa do rei de Esparta, desencadeando a guerra entre gregos e troianos.

Vê-se nesta obra que o pintor cometeu um engano em relação à mitologia, pois deu a Minerva, a deusa da guerra, o nome de Juno (ou Hera), esposa de Júpiter (ou Zeus). Juno é, na verdade, a que se encontra ricamente vestida, pois é a deusa das deusas. Páris também não é descrito como um homem sábio, mas como um tolo por ter optado pelo amor carnal. A pintura tem, portanto, uma conotação moralista. É possível que o pintor tenha usado tal visão como álibi para apresentar os corpos nus, numa época de extremo moralismo.

O corpo de Vênus, a escolhida, está de acordo com os cânones da beleza gótica da Idade Média. Ela possui busto pequeno e rígido. Sua barriga proeminente e arqueada simboliza a fertilidade, portanto, não quer dizer que esteja grávida. Sua pele muito branca tanto pode ser indicativa de sua linhagem e ociosidade quanto de malignidade, pois ela sabia usar sua sexualidade para atrair os homens, muitas vezes os encantando e transformando-os em tolos. No século XVI havia advertências contra sua lascívia.

Na árvore copada estão pendurados dois brasões: um azulado, à esquerda, com um cisne dentro e o outro à direita, com um retângulo branco dentro da esfera avermelhada. São referentes à família de certo Bendicht Brunner, um poderoso de Berna. Cupido, filho de Vênus e símbolo do amor, com seus olhos vendados, dispara uma seta em Páris.

Ficha técnica
Ano: entre 1516 e 1528
Técnica: têmpera sobre tela
Dimensões: 223 x 160 cm
Localização: Öffentliche Kunstsammlung Basel, Suíça

Fontes de pesquisa
Enciclopédia dos Museus/ Mirador

DEPRESSÃO E CELEBRIDADES

Autoria de LuDiasBH

Qualquer pessoa pode ter depressão, mas muita gente jura de pé junto que não tem. O preconceito é o maior dos problemas. (Paula Fernandes)

 Depressão é uma doença que atinge qualquer pessoa e nada tem a ver com a fé. (Pe. Marcelo Rossi)

 Enxerguei que o mais importante é ter pessoas que você ama por perto e procurar ajuda profissional. (Rebeca Gusmão)

 Eu não me sentia confortável com o trabalho. Isso se juntou ao sentimento de inadequação. Eu estava confuso, em crise com a profissão, sentindo-me mau ator, feio e triste. (Selton Mello)

 Depressão é o segredo que toda família tem. (Andrew Solomon)

Nós, seremos humanos comuns, temos a tendência de glamorizar a vida dos famosos. Achamos que por terem dinheiro e fama são também contemplados com a felicidade absoluta, como se deuses do Olimpo fossem ou afilhados desses. Engano absoluto! Muitas vezes, a luta para manter o sucesso a qualquer preço – num mundo extremamente competitivo e de flagrantes altos e baixos – é um desencadeador dos mais diferentes transtornos mentais, sendo a depressão uma constante.  Alguns famosos menos informados tentam manter a doença escondida, achando que torná-la pública poderá afetar sua imagem, mas a maioria relata-a até mesmo como uma forma de ajudar as pessoas comuns.

Não são poucos os famosos que já sofreram depressão ou que ainda se encontram em tratamento. Dentre esses podemos citar: a cantora sertaneja Paula Fernandes que se viu acometida por tal transtorno ainda na sua infância; a ex-nadadora Rebeca Gusmão; o ator e diretor Selton Mello; a atriz Adriane Esteves; a cantora Selena Gomez; o jornalista Jorge Pontual; o padre e cantor Marcelo Rossi; a cantora e atriz Demi Lovato; o ator e comediante Jim Carrey; a cantora Deborah Blando; J.K.Rowling, autora de Harry Potter; o cantor Justin Bieber; a atriz Cassia Kiss; a cantora Lady Gaga; o escritor Andrew Solomon  e a falecida princesa inglesa Diana, dentre muitos outros.

Todos os famosos que vieram a público falar de seu transtorno depressivo deixaram bem claro que a melhor forma de combater (ou até mesmo conviver) uma doença que acomete uma fatia cada vez maior de pessoas em todo o mundo é desmistificá-la.  Em razão disso alertam que a depressão não é uma tristeza “muito grande”, mas, sim, uma doença que precisa ser tratada. Segundo a psicóloga Andréa Ferreira “A depressão é mais complexa que a tristeza. Ela se caracteriza como um fenômeno interno do indivíduo, e possui sintomas e uma duração maior que uma tristeza”.

A sociedade precisa compreender que a pessoa acometida pela depressão não pode ser vista como alguém que tem preguiça de melhorar. Segundo o escritor Andrew Solomon, um estudioso da depressão e que faz palestras sobre o assunto em todo o mundo, o depressivo sabe que algo está errado consigo, mas ele não tem forças para agir diante dos sintomas. Assim explica Solomon (autor de O Demônio do Meio Dia): “Sabemos que isso é ridículo. Sabemos disso, quando a vivenciamos. Sabemos que a maioria consegue ouvir as mensagens, almoçar, tomar banho, sair de casa, e que não é nada demais. Ainda assim, você fica inerte e incapaz de pensar em uma saída”.

Depois de lerem este artigo, caro leitores, vocês não mais pensarão que o transtorno depressivo é uma doença que acomete apenas os seres mortais comuns, jamais iluminados pelos holofotes da fama, pois O a depressão é uma doença democrática que aflige anônimos e famosos. Quando os últimos expõem suas histórias de sofrimento com o transtorno depressivo, dão um grande exemplo àqueles que acham que são os únicos a lutarem contra esta doença que afeta, cada vez mais, um grande número de pessoas em todo o mundo.

Nota: Abandono, obra de Oswaldo Goeldi

Fonte de pesquisa
Guia 301: Dicas para não ter depressão / Editora Online