DEPRESSÃO E PAPEL DA FAMÍLIA

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Autoria de LuDiasBH

As pessoas deprimidas podem despertar sentimentos de culpa, raiva, impotência e frustração nos familiares, que podem ficar ressentidos e com dificuldades de entender o que está acontecendo com a pessoa. (Dra. Andrea Ferreira)

Tem sido muito comum o recebimento de comentários neste espaço de pessoas com transtornos mentais que se dizem incompreendidas por suas famílias. Enquanto algumas das famílias minimizam o problema, achando que o doente não necessita de ajuda médica, outras partem para o deboche, chamando o transtorno de chilique, faniquito nervoso, fricote, denguice, vitimização, bobagem e por aí vai. Sabemos que isso se dá, não por indiferença, mas por conta da falta de informação no que diz respeito às doenças mentais. Urge que os governos façam campanhas na mídia para que tais doenças sejam compreendidas e, consequentemente, deixem também de ser estigmatizadas, como ainda acontece.

A família tem um papel fundamental na vida de uma pessoa depressiva, pois a doença  torna-a mais arredia, com a autoestima baixa e faz com que tenha dificuldades para viver em grupo, achando que não é bem quista.  Essa rejeição – que muitas vezes só acontece na cabeça do doente – exige afeto redobrado para que ele se sinta aceito e amado, minorando, assim, o seu sofrimento. Ao compreender que a depressão é uma doença séria que jamais pode ser subestimada, a família caminha junto com o ente querido, vítima do transtorno, em busca de uma vida com qualidade. Assim que perceber os primeiros sintomas, ela deverá ajudá-lo a buscar tratamento, pois quanto mais cedo fizer isso, menor será o sofrimento da vítima do transtorno mental.

O isolamento é um comportamento típico dos depressivos, contudo, a família não pode agir do mesmo jeito, deixando o doente no “seu cantinho”, dizendo não querer incomodá-lo, vendo isso como uma escolha de vida pessoal. A psicóloga Pamela Magalhães explica: “Muitas vezes, o depressivo pode ficar mais irritadiço e, dessa forma, acabar se isolando, o que faz parte da patologia. A família precisa entender que não pode entrar nessa dinâmica”. Os familiares em volta também jamais deverão agir com agressividade, o que somente agravará os sintomas, tornando a pessoa ainda mais arredia e sem esperança. Quanto mais carinho e compreensão, melhores serão os resultados.

É comum o fato de muitas famílias usarem o parente doente com transtorno mental para justificar o não cumprimento de seus compromissos, o que o faz sentir-se como um peso. A psicóloga Andréa Ferreira explica: “A família deve manter sua rotina dentro do possível, envolver-se em atividades que interessem e manter os compromissos sociais, ciente de que não deve se sentir culpada pelo estado da pessoa, mas, sim, apoiá-la para que supere esse estado”. Além disso, os familiares devem acompanhar de perto o tratamento do doente, demonstrando interesse e zelando para que ele não abra mão da medicação e da terapia (quando esta for indicada), conforme prescrição médica.

A família deve estar atenta a alguns pontos, tais como:

  • Ajudar o familiar depressivo a compreender o momento pelo qual passa, incentivando-o a buscar ajuda médica, pois se trata de uma doença séria.
  • Respeitar o doente, sem jamais minimizar o problema, dizendo que “não é nada”. Deve lhe mostrar que sabe que seu sofrimento é real, mas que terá ajuda.
  • Estar sempre pronta a ouvir o familiar, quando ele quiser se manifestar, procurando ouvir mais e falar menos.
  • Compreender seus momentos de introspecção, ao não querer expor seus sentimentos num determinado momento.
  • Acompanhar as mudanças no seu comportamento, principalmente no início do tratamento, levando ao conhecimento de seu médico aquilo que notar que não se encontra dentro do esperado.
  • Deverá envolver o familiar doente em afeto e compreensão, servindo sempre de suporte emocional.

Nota: A artista e sua Modelo, obra de Edvard Munch

Fonte de pesquisa
Guia 301: Dicas para não ter depressão / Editora Online

6 thoughts on “DEPRESSÃO E PAPEL DA FAMÍLIA

  1. Leticia

    Lu,

    não consigo mais ficar longe desse cantinho, ele me acalenta, pois também me sinto por vezes desamparada diante da situação da minha mãe.

    Hoje ela está completando exatamente 24 dias desde o aumento da dosagem para 20 mg do escitalopram, confesso que sinto, sim, uma melhora dos sintomas, mas pequena ainda, sinto ela por vezes apática, com o astral bem baixo, ainda percebo alguns tremores nas mãos e alguns outros sintomas. Você acha que ainda seriam os efeitos da adaptação da medicação? Porém do que ela estava há uma evolução, pequena, mas há. Acredita que devo esperar chegar pelo menos 30 dias de aumento da dosagem para poder avaliar melhor? Desculpe às vezes ser tão repetitiva e querer sempre uma opinião, mas é como eu disse, vem de alguém que me entende.

    Obrigada!

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    1. LuDiasBH Autor do post

      Letícia

      Sei como é essa preocupação com sua mãe. Também já passei por isso, pois a minha era também depressiva. Procure ficar tranquila e repassar sua tranquilidade para ela, encorajando-a. A sua confiança no tratamento é um fator muito importante para ela, pois a depressão tira qualquer tipo de ânimo do doente.

      Amiguinha, como lhe disse, certas pessoas necessitam de um tempo maior para que o medicamento faça efeito. Pelo que me diz, os bons resultados – ainda que frágeis – já começam a aparecer. Portanto, deve esperar pelo menos 30 dias após o aumento da dosagem. Seria importante que sua mãe fizesse também algum tipo de exercício (caminhada, por exemplo). Isso ajuda na reabilitação do organismo.

      Letícia, você poderá me escrever quantas vezes necessitar. Procure também ler os textos sobre o assunto para poder ajudar sua mamãe.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  2. Leticia

    Lu

    Fiquei muito feliz por você ter me respondido, só de ter começado a interagir aqui no blog já está me dando mais alívio (também passo pela depressão, porém um pouco de forma mais amena).

    A minha mãe já está inserida na terapia, creio que está ajudando, inclusive estou fazendo com ela algumas aulas de meditação (o que por momentos a deixa mais calma também). Sem contar que tivemos uma conversa bem franca, e percebi que mesmo não sendo fácil ao menos agora ela vem tentando lutar.

    Minha grande dúvida, Lu (várias pessoas me falaram isso), é se o médico não deveria ter passado de 10 mg para 15 mg ao invés de já ir para 20 mg pois os efeitos colaterais e a adaptação seria mais difícil, o que acha quanto a isso? Quanto ao tempo (exatos 21 dias hoje do escitalopram com um pequena melhora), acha que esse tempo pode existir e que devemos aguardar mais um pouco? Sei que com a troca e a inserção de uma nova medicação também podem haver novos e intensos picos de crise. Mais uma vez obrigada pelo carinho que me trouxe. Gratidão!

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Letícia

      O aumento da dosagem de um antidepressivo pode se dar aos poucos ou de uma vez. O psiquiatra olha, normalmente, o estado em que se encontra o paciente. Se a pessoa está muito ruim, uma dosagem mais alta trará uma resposta mais imediata. Quanto o paciente ainda se encontra relativamente bem, esse aumento poderá acontecer aos poucos. Penso que o caso de sua mãe exige o aumento de uma vez. Muitas vezes eu prefiro que assim seja, pois a pessoa sofre apenas uma vez com os efeitos adversos. Ainda que eles possam aparecer mais fortes, assim que passam, o bom resultado é mais efetivo. Portanto, amiguinha, isso não deve ser nenhum motivo de preocupação.

      Amiguinha, como já lhe disse, a reação do medicamento no organismo das pessoas não obedece a um mesmo padrão. Algumas precisam de menos tempo e outras de mais. Penso que deve esperar pelo menos 30 dias. A meditação será excelente para ela. Converse com seu médico sobre a possibilidade de ela tomar melatonina (o meu médico receitou-me e estou me dando muito bem). Chás calmantes como melissa e camomila (3x ao dia) também fazem muito bem. Depois irei fazer um texto sobre os bons alimentos. Continue acompanhando nosso blogue.

      Beijos,

      Lu

      Responder
  3. Letícia

    Lu

    Que texto e que publicação SENSACIONAL!

    Cheguei “aqui” há pouco tempo, mas estou lendo bastante e me sentindo mais “confortada”. Gostaria muito de interagir com todos.

    Desde que me “conheço por gente” minha mãe tem depressão, então me identifico muito por vezes com essa publicação. Vi outras publicações sobre o escitalopram, mas resolvi comentar nessa por ser um pouco mais recente. Creio que possa me ajudar, assim como tem ajudado várias pessoas.

    Minha mãe tomava escitalopram e agora após uma nova crise, o médico passou o escitalopram para uma dosagem mais alta, e alprazolam 2 mg à noite, porém 21 dias após o aumento da dosagem ainda não vemos melhoras (ainda há tristeza, angústia, aparenta estar aérea, meio perdida, algumas recaídas). Seria “normal” mesmo com mais de 20 dias esses “efeitos colaterais”? Seria “normal” essa demora para um resultado mais eficaz? Ficaria muito grata se pudesse me ajudar, pois me sinto perdida.

    Responder
    1. LuDiasBH Autor do post

      Letícia

      Seja bem-vinda a este cantinho. Sinta-se em família.

      Amiguinha, a interação é muito importante, pois alivia nossos temores e mostra-nos que não nos encontramos sozinhas. Formamos um grupo enorme de pessoas – umas ajudando as outras.

      Também convivi com a depressão de minha mãe durante toda a minha vida junto a ela. Nossa família é altamente depressiva e não são poucos os membros acometidos por tal transtorno – inclusive eu. O bom é que hoje a indústria farmacêutica lança cada vez mais antidepressivos no mercado, permitindo-nos uma vida com qualidade.

      Letícia, quando a medicação não mais faz efeito – quer seja em razão da dosagem ou pelo fato de o organismo ter se acostumado com a substância – o médico, normalmente, aumenta a dosagem. Se isso não der certo, ele passa para um antidepressivo diferente. Quando se aumenta a dosagem (ou muda de medicamento), as pessoas que possuem um organismo mais sensível passam pelo mesmo período de adaptação, levando um tempo maior para sentir as melhoras esperadas. Algumas levam até mesmo mais de um mês, portanto, o bom é aguardar mais tempo e, se vir que não houve melhoras deverá retornar com sua mãe ao psiquiatra. Converse com ele, também, sobre a necessidade de sua mãe passar por um tratamento psicoterápico, pois, como digo no texto OS DEPRESSIVOS EM NOSSA VIDA, o antidepressivo contribui apenas com 50% da melhora, cabendo a outra parte ao doente (com a ajuda dos familiares), pois é preciso mudar pontos de vista, em suma, viver um dia de cada vez com a maior leveza possível. Se eu tivesse a compreensão que tenho hoje, teria certamente tornado a vida de minha mãe bem menos sofrida.

      Gostaria muito que continuasse a ter contato conosco.

      Beijos,

      Lu

      Responder

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